“Não te esqueças de escrever o post sobre o jogo [do Sporting contra o Gil Vicente] que não viste”, foi a mensagem que recebi hoje, pela manhã. Não ver um jogo, não ler um livro ou não assistir a uma peça de teatro não é razão para não se falar como se se tivesse visto, lido ou assistido, embora não se deva começar por o admitir [como é este o caso]. Jogo a jogo, crónica a crónica, eu e Rúben Amorim começamos a ser um caso de estudo [muito] sério. É possível ganhar sem o Rúben Amorim? É possível ganhar o jogo seguinte sem a minha crónica do anterior? Ninguém quer arriscar, pois há coisas com as quais não se brinca, independentemente de o respeitinho ser muito bonito.
O chouriço vai-se enchendo sem se dizer coisa com coisa. Setecentos e vinte e sete caracteres [já] estão escritos e ainda não falei do jogo [que não vi]. No entanto, a paciência do leitor também tem limites e não se deve abusar.
Não vi o jogo em direto, mas vi-o depois, em diferido, como se costuma dizer. Vi-o enquanto dormitava [na segunda parte, especialmente] e, portanto, foi como se não o tivesse realmente visto [na mesma]. O Nuno Santos está castigado, logo joga o Esgaio do lado esquerdo, a solução mais simples, mais óbvia. O Hjulmand também está castigado, logo joga o Daniel Bragança como se sempre tivesse sido titular. O Quaresma anda amuado por ter perdido a titularidade? Mete-se o rapaz e guarda-se o St. Juste para o jogo seguinte. O Coates está cansado? Mete-se o Diomandé e guarda-se igualmente o capitão para o jogo seguinte. Tudo muda, tudo permanece [na mesma]. Marcámos quatro na primeira parte e desistimos [ou descansámos, o que vai dar ao mesmo]. A única notícia é a não existência de notícias ou a notícia de que o Gyokeres não marcou [ou marcou, mas foi considerado autogolo do guarda-redes, como se fosse ele a cabecear para a sua própria baliza].
Há quem tenha insónias ou dificuldades em adormecer. Há medicamentos que ajudam a conciliar o sono e permitem um sono retemperador. Os nomes são [re]conhecidos. A partir de sexta-feira, o "Gil Vicente vs Sporting" passou a estar disponível para esse efeito. Há em gotas, em pomada ou em comprimidos. É remédio santo.
[Este jogo foi um Lexotan, um Xanax ou um Sedoxil, mas desengane-se quem pense que também vai ser assim hoje, mais logo, contra o Famalicão. Difícil ou fácil pouco importa. O que importa, o que verdadeiramente importa é a vitória e, quanto isso, fiz a minha parte]