sábado, 10 de fevereiro de 2024

Cobrar cachê

Vi o jogo [do Sporting] contra o União de Leiria a meio da semana [para os quartos-de-final da Taça de Portugal]. Costuma-se dizer que seja o que Deus quiser e a polícia deixar. A polícia deixou e Deus também deve ter querido, admitindo que se interesse pelo futebol português e por jogos realizados às tantas da noite no Centro de Portugal em particular. Como houve jogo e uma vitória é preciso escrever uma crónica para que suceda novo jogo e nova vitória [até ao fim dos tempos]. O tempo não tem sido muito e a disponibilidade ainda menos. Mas o que é prometido é devido [convém relembrar em época de campanha eleitoral] e, assim, o que tem de ser tem muita força.

Comecei a ver o jogo quando o árbitro estava a ver na televisão uma coisa qualquer que o vídeo-árbitro o tinha mandado ver, depois de assinalar um “penalty”. Ou as decisões implicam interpretação e são mais demoradas ou não implicam e é só necessário ver as imagens para logo se tomar uma decisão. O tempo que se demora é revelador que nada é tão óbvio como nos querem fazer crer e, portanto, admito que os árbitros [em número infindável] estivessem a discutir os níveis de colesterol, de triglicerídeos e de ácido úrico do Gyökeres. Jogo após jogo, continuamos a assistir a estas encenações, a estas macacadas [sem desprimor para os respetivos primatas]. 

Para terem mais certezas sobre a sua situação de saúde, decidiram medir-lhe o pulso, anulando a decisão anterior e marcando canto. Resultado [final], o Gyökeres está com uma tensão arterial de categoria e ficámos a ganhar por um a zero depois de um voo sobre os centrais, como o Rui Veloso cantava [quando não imaginava que quem voava sobre os centrais um dia iria voar sobre os centrais do Porto também]. Lançado pelo Nuno Santos, o Gyökeres resolveu confirmar a tensão arterial com uma corrida e um passe para o Pote passar para a baliza e fazer o dois a zero. Diagnóstico: a mínima está alta e a máxima ainda mais alta está. A terapêutica recomendada é correr, correr sempre, correr muito e muito depressa.

O jogo podia a devia ter acabado naquele exato momento. Evitava-se o desperdício de mais umas trezentas e quarenta e oito oportunidades de golo a somar às seiscentas e noventa e quatro do último jogo contra o Sporting de Braga. Apesar disso, tomando-lhe o gosto, o Gyökeres parece gostar de molhar a sopa de cabeça também. Ainda assim, o jogo não lhe parece ter corrido bem, tal o desalento com o [pouco] tempo de desconto concedido pelo árbitro. Pode não se tratar exatamente disso, mas da necessidade de demonstrar ao Rúben Amorim que pode contar com ele, que é uma alternativa fiável sempre que o Paulinho estiver lesionado, castigado ou [simplesmente] amofinado.


[Falando um pouco mais a sério, admitindo que se pode falar a sério do que não é sério, do que dá vontade de rir, o Sporting continua a jogar o melhor futebol de há muitos, muitos anos. Penso que se deve começar a cobrar cachê aos adversários para verem o que nunca viram. Pelo contrário, a nós, sportinguistas, ainda nos estão a dever algum pelo futebol do Peseiro, do Silas ou do Vercauteren.]  

5 comentários:

  1. O amigo é garganeiro. Pretender cobrar pelos traumatizantes serviços do Pézeiro até a mim, pretensamente insuspeito, revolta! Deixe-se mas é estar bem calado, a ver se não se leva com semelhante tão cedo. E à borla, evidentemente....

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    1. Meu caro,
      Acabei de ver o jogo contra o Braga. Continuo a pensar que se devia ter cobrado um cachê. Os jogadores do Braga e os treinadores do Braga não podem ver jogar à borla. Devem pagar como qualquer outra pessoa que se desloca ao estádio.
      Abraço,
      RM

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    2. Os do braga sim!! e talvez com retroactivos não funcionasse mal... agora em relação a isso do Pé coiso nem um cêntimo!!! quer-se é silêncio à volta da distância!! não agoire isto...

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    3. Bem, para os do braga já se arranjava umas game boxes ...

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