Este jogo contra o Guimarães foi revelador sobre as potencialidades e as limitações das contratações e do plantel do Sporting no seu conjunto.
O Slavchev é um caso perdido. Não, não é um problema de adaptação ao futebol português; é um problema de adaptação à modalidade, nomeadamente ao formato retangular do campo e à forma esférica da bola. Quem considera que o Rosell pode ser uma alternativa ao William Carvalho, confunde o género humano com o Manuel Germano, como diz o Mário de Carvalho. O Ryan Gauld tem excelentes pormenores, revelando-se bastante combativo, para aquilo que se esperava. É um excelente projeto de jogador, mas ainda não tem a consistência e a rotação adequadas para jogar regularmente na equipa principal. Com o Podence passa-se o mesmo, embora me tenha parecido fisicamente mais robusto.
Na defesa as opções são mais complicadas. Entre o Maurício e o Sarr o coração de qualquer sportinguista balança. Se se tiver de optar, talvez seja preferível o Tobias Figueiredo [que fez um jogo competente]. O André Geraldes esteve magnífico. Beneficiou de jogar com o pé contrário contra um extremo que também jogava com o pé contrário. Mas se o tal de Hernâni é um jogador espetacular, como para aí se diz e como diziam os comentadores, então o André Geraldes é o Cristiano Ronaldo dos defesas laterais, pois meteu-o simplesmente no bolso.
No ataque, o que ficou demonstrado é que qualquer jogador constitui alternativa ao Capel. Qualquer que seja o ângulo de análise, o Héldon, o Tanaka, o Sacko ou o Dramé são melhores e tenho as mais sérias reservas que eu [próprio] também não o seja melhor, embora não se possa concluir que [eu e qualquer um deles] sejamos exatamente aquilo que mais necessitamos. Uma última nota para aquele que me pareceu o melhor jogador do Sporting: Wallyson Mallmann. Para mim, não engana, é jogador de bola, entra de caras na equipa principal. Com ele, a bola está sempre em porto seguro. Sabe passar com acerto [e asserto], desloca-se com a propósito, dando sempre linhas de passe aos seus colegas.
O Guimarães demonstrou a habitual mediocridade do futebol português. Se percebi o que disse o treinador, a tácita passa por enfiar umas tantas biqueiradas na bola para dentro da área que alguma acabará por entrar, devendo-se jogar ao pontapé para a frente e fé em Deus, especialmente quando os jogos estão a acabar. O Guimarães teve mais bola, meteu umas tantas para dentro da área, mas, contrariamente ao que diz o treinador e comentadores, não criou uma oportunidade de golo e o Marcelo Boeck não fez uma defesa para amostra. Quando é preciso assumir o jogo e jogar em ataque continuado é que se veem os treinadores [ou não se veem, como foi hoje o caso].
A arbitragem foi a desgraça do costume. O Sporting, com uma equipa de meninos que mal se chegam aos adversários, fez vinte e duas faltas e, em contrapartida, o Guimarães nove. A meio a primeira parte, o Sporting já tinha nove faltas e o Guimarães ainda nenhuma. A acabar o jogo, cortam-nos um lance que podia dar o segundo golo com um fora-de-jogo ao Tanaka completamente ridículo. Contra isto é que não há treinador que nos valha e é a isto deve estar atenta a Presidência do Sporting e os sportinguistas.

