Ontem, Portugal esteve para vir abaixo, para desabar. Só a intervenção do nosso Draghi da bola evitou o pior. Hoje era o dia em que os mercados iam finalmente estabilizar. A intervenção foi planeada com todo rigor. Era necessário fazer tudo, mas mesmo tudo para que o país não viesse abaixo e tudo se fez e nem assim.
Cheguei ao Tribuna e estávamos a levar com uma bola ao poste e com o Patrício a agarrá-la depois da carambola que lhe sucedeu. Temi o pior, mas não aconteceu. O meio-campo pegou no jogo e não mais deixou os rapazes do Porto tocarem na chicha, mesmo sendo o Danilo muito melhor do que o William Carvalho, como hoje se verificou.
Num determinado momento, o William Carvalho varia o jogo para a direita, o João Mário recebe a bola no peito com dificuldade e, de imediato, mete uma cueca no defesa esquerda e vai pela área fora até a meter a redondinha para o pé direito do Slimani a empurrar para a baliza. Logo a seguir, o Schelotto faz de João Mário para o Slimani fazer de Slimani outra vez. Tudo bem feito, mas o Cassillas defende de cócoras.
Pressentia-se o descalabro, com os mercados a afundar-se. Era necessária uma intervenção forte e decidida para os estabilizar. O lance começa numa falta não assinalada sobre o Schelotto, continua num salto para a piscina do Brahimi e acaba num penalty inventado. Freitas Lobo diligentemente apressou-se a explicar-nos não o que viu, mas o que poderá ter visto o árbitro: uma eventual pressão do joelho do Coates na coxa do Brahimi. No reino da ficção anatómica, o esternocleidomastóideo do Vasco Santana é mais credível.
O Sporting treme e o Jorge Jesus desta a gritar com a defesa. Parece que vai tudo empatado para o intervalo. É então que aparecem os suspeitos do costume. O Bryan Ruiz encontra um espaço que só existe na cabeça dele para fazer um centro e o Slimani marca um “penalty” de cabeça.
A segunda parte traz-nos mais do mesmo. Intervenções no mercado para não o deixar afundar. As duas únicas oportunidades de golo do Porto nascem de dois livres inexistentes. Do outro lado, nada se passava, uma ou outra falta e amarelos nem por isso. Até que um jogador do Porto entra a matar sobre o Slimani e o árbitro, sempre muito atento ao jogo, dá a lei da vantagem para não mostrar amarelo, quando os jogadores do Sporting estão em desvantagem numérica. Azar o dele: o João Mário inventa um passe no tempo e para o espaço certos e o Chuta-chuta chuta assim-assim, para o Casillas fazer o resto.
O jogo acaba para os adeptos do Porto e acaba [mesmo] pouco minutos a seguir, com o árbitro a apitar para o final, evitando a expulsão de um jogador do Porto.Vão viver-se tempos interessantes. Portugal, afinal, ainda pode vir abaixo. Vão ser necessárias novas intervenções para estabilizar os mercados e vai continuar a valer tudo, mesmo tudo. Hoje, como diria o Gabriel Alves, ganhou a força da técnica à técnica da força, mas amanhã não se sabe ou só se sabe que a força tem muita força e tudo se há de fazer para ganhar à força.

