Quando tenho o prazer de observar
Georgios Vagiannidis a jogar futebol, lembro-me de uma frase do Bukowski no seu
livro “Sobre a escrita”, quando este afirma que se criaram as escolas (de
música, pintura, literatura) porque algumas vezes o artista individual era
demasiado fraco para falhar sozinho. Por isso mesmo se criaram, igualmente, as
equipas, embora o propósito seja disfarçar a mediocridade de alguns dos seus
elementos através do “todo”.
Confesso que já tinha saudades de
escrever: ontem, quando o Sporting entrou em campo já perdia um a zero. Pior: entrou
em campo a perder e com a equipa incompleta: do Trincão apenas terá entrado o bigode (só se via o bigode, perdido), do Catano apenas entrara o sorriso, do
Vagiannidis nem a sombra, e mesmo o Gonçalo Inácio marcava os seus adversários
apenas com os olhos. O meio campo dormia como um leão ao sol no seu papel de
rei da selva. O estádio assistia com deleite.
Desde que vi aquela cara de
alívio no final do jogo em Londres (com o Arsenal), percebi que o Rui Borges descomprimira ao
ponto de levantar voo: ele, as suas ideias, a época toda a esvoaçar entre a
neblina noturna londrina. Os jogadores (via-se bem a olho nu) descomprimiram e esvoaçaram.
Alguns adeptos também: mais seria demais. Não se conseguia aguentar tanta
emoção, pressão, gestão, lesão, entre outros, cuja terminação nos levaria para meandros
menos abonatórios.
De volta à terra (literalmente),
o jet lag adensou tenebrosamente as aspirações da equipa. Dormia-se acordado e
acordava-se a dormir. Dois empates fibrosos acabariam com os alvoroços emocionais
não fosse o nosso rival de Lisboa insistir em falhar cada vez mais e melhor.
Até nisso nos perseguem. Ficou a taça na raça do jogo do Dragão onde as bolas,
desta vez, não foram escondidas nem as toalhas amordaçadas.
Pronto, estava feita a época. Uma
boa época, nas palavras do treinador, cuja renovação foi palco de um ensombrado
jogo de espelhos com o presidente como protagonista, em mais uma das suas
fanfarronices, diminuindo o treinador que apresentava e, por acréscimo, toda a
estrutura. Já no ano passado o fizera na apresentação do novo Amorim: João
Pereira.
Perdida a taça, com o
desmantelamento do que resta da equipa, e o definitivo afastamento do que resta
do dedo, mão e pé do exportado Amorim (e do braço direito Viana), o caminho
fica livre para o presidente substituir, ele próprio, Rui Borges à primeira escorregadela.
O Borges certamente dará um bom adjunto, como, aliás, se tem visto…
Sem comentários:
Enviar um comentário