Na semana passada li o estudo “Desbloquear o Crescimento de Portugal. Reformas Estruturais e Desafios à Implementação de Políticas Económicas”, contratado pela CIP [Confederação Empresarial de Portugal] e pelo IDL [Instituto Amaro da Costa], a Nuno Palma e a James. A. Robinson. Em princípio, não seria um estudo qualquer, estando envolvido James. A. Robinson, Prémio Nobel da Economia há dois anos, coautor de Daron Acemoglu nos livros “Porque Falham as Nações. As Origens do Poder, da Prosperidade e da Pobreza” e “O Equilíbrio do Poder. Estado, Sociedades e o Futuro da Liberdade”. A conclusão desse estudo é lapidar: o problema está na pontualidade e, assim, decisões judiciais em 90 dias [nos tribunais administrativos e fiscais] arrastam outros comportamentos individuais e coletivos, assegurando-se que [no final] os comboios da CP não se atrasam nem um segundo e o crescimento económico, o nosso cálice sagrado, se encontra ao virar da primeira esquina.
Não há evidência, não se demostra o que se afirma e, por isso, está-se no domínio da fezada, da discussão técnico-tática entre treinadores de bancada. O estudo é mau, muito mau, não vale o papel em que pudesse ser impresso por algum incauto. O professor da Universidade de Chicago [James. A. Robinson] não merecia, mas o Nuno Palma, professor da Universidade de Manchester, é sempre muito criativo, tendo recentemente descoberto a relação entre a [eventual] Doença Holandesa da economia portuguesa e os Fundos Europeus, a partir das investigações da Tânia Laranjo no Correio da Manhã. Só um investigador com a argúcia do nosso compatriota conseguiria reconhecer a importância do Correio da Manhã no progresso da ciência económica e na compreensão da economia portuguesa.
As decisões judiciais em 90 dias, o panegírico que estes dois autores aconselham, merece reflexão, profunda reflexão, pois se alguma coisa está mal em Portugal é a justiça ou não nos fosse lembrando a investigação do nosso “Quarterly Journal of Economics”, o Correio da Manhã, dia sim, dia também. Outro dos livros que acabei de ler na semana passada [“O Poder da Destruição Criadora. Inovação, Crescimento e o Futuro do Capitalismo”], de Philippe Aghion [e seus coautores], Prémio Nobel da Economia do ano passado, traz-nos alguma investigação relevante sobre a relação entre a justiça e a economia. Existem distorções que afetam as decisões dos juízes resultantes de circunstâncias como a hora do dia, o cansaço, a fome, a idade ou o estado de espírito. Neste livro, encontrei uma referência ao artigo “Juízes Emocionais e Jovens Azarados” de Naci Mocan e Ozkan Eren, da Universidade do Louisiana, onde se demonstra que os juízes são mais severos, aplicam penas mais longas sempre que a equipa de futebol [americano] do estado tem resultados negativos inesperados.
Trinta e sete anos depois, o clube da minha cidade, da cidade onde nasci, Viseu, subiu à Primeira Divisão do Campeonato Nacional ou Liga Portugal, como agora se diz. Primeiro tiro, primeiro melro: deslocação ao Estádio da Luz e empate com o Benfica por dois a dois. Os benfiquistas dizem-se mais ou menos 6 milhões, mais ou menos 60% dos portugueses, a que devem corresponder mais ou menos 60% dos juízes também. Hoje, quantas decisões judiciais foram deixadas para amanhã e para depois e para depois de depois? Os tribunais cumpriram os prazos, quaisquer prazos? Quantos comboios da CP chegaram a tempo, mesmo o Alfa ou o Intercidades? As reformas estruturais vão ser para quando? E o PIB? Com o Benfica neste estado, não, não há decisões judiciais em 90 dias, não, não há desenvolvimento económico. É necessário um Benfica mais forte, muito mais forte, é esta a recomendação que acabei de ler em mais uma investigação do Correio da Manhã.
É excelente ter um clube como o Ac. Viseu na Primeira Liga mas, em termos de geografias, ficou tudo quase igual já que, com descida do Tondela, é o único clube fora do eixo Lisboa-Porto-Minho-Ilhas.
ResponderEliminarNão há nenhum clube a sul do Tejo e mesmo entre Lisboa e Porto só temos o Viseu, ou seja, para aí 80% do território Português não está representado.
Esperemos que passe esta febre das SAD de investidores duvidosos, que alguns dos clubes históricos e com massa adepta (Boavista, Vit. Setúbal, Ac. Coimbra, Farense, etc.) se consigam reerguer, e que apareça um ou outro clube no Alentejo/Ribatejo/Beiras que nos surpreendam, para darem mais diversidade geográfica à 1ª Liga.
Meu caro,
EliminarEssa ausência de representatividade territorial tem muito que se lhe diga e reproduz um território nacional com ausência de concentração urbana no seu interior, de cidades com mais de uma ou duas centenas de milhar de pessoas, como em Espanha. Esta ausência mais não resulta do que da reprodução das assimetrias de dinamismo económico, social e territorial do país. Mesmo assim, Viseu é o centro urbano do interior com maior dimensão populacional do interior.
SL
Rui Monteiro começou na Economia para acabar no Académico de Viseu, da nossa terra. Em tempos, reavivou os célebres duelos de andebol: Liceu/Escola Comercial. Já era assim na década de 60. Os “. craques” eram tido como ídolos, os sacanas abafavam as melhores miúdas.LOL
ResponderEliminarNaquele tempo parecia haver um divórcio entre o clube e a cidade : poucos sócios e o estádio só enchia quando lá iam os grandes. Hoje as coisas mudaram , há uma juventude aficionada que está a dinamizar o clube e também, voltamos à Economia, grandes empresas à volta. Como dizia Clinton “É a economia, estupido “.
Meu caro,
EliminarNão me conte essas histórias de antigamente do andebol, dos jogos da Escola Comercial e Industrial, atual Escola Emídio Navarro, contra o Liceu Alves Martins, ou do Académico de Viseu e das primeiras subidas à primeira divisão [o Académico de Viseu de hoje, não é o mesmo Académico de Viseu do passado, embora sejam tratados pelo mesmo nome], nomeadamente a primeira, depois de um jogo contra o Aliados de Lordelo que vi com o meu, porque acabo com uma lágrima ao canto do olho.
Há muitos, muitos anos que não vou ver um jogo do Académico de Viseu com os meus amigos de infância e de adolescência. Esta época constitui uma excelente oportunidade para retomar esses hábitos e essas companhias.
Abraço,
RM