Não se marcou num lance e na resposta sofreu-se um golo; não se marcou noutro lance e na resposta sofreu-se outro golo. Pode ser azar, mas prefiro falar em pormenores, pois são estes pormenores que ditam os vencedores em jogos como este. Os pormenores dificilmente se treinam, resultando quase sempre da qualidade [ou da falta dela] dos jogadores. É na pré-época que se acautela essa qualidade e, assim, é na pré-época que se ganham ou se perdem estes jogos.
O jogo foi equilibrado na primeira parte e o Sporting teve boas oportunidades para marcar, começando a jogada do golo do Benfica exatamente numa dessas oportunidades. Na sequência de uma jogada de andebol, o William Carvalho atrapalha-se com o Coates e permite o contra-ataque do Benfica: o passe do Rafa, a entrada do Sálvio e a falta de atenção do Zeegelaar fizeram o resto.
A segunda parte foi praticamente toda do Sporting. A entrada do Campbell mexeu com o jogo. Na primeira vez que a bola lhe chegou, foi à linha centrar atrasado para o Bas Dost rematar ao poste. Só que, na jogada seguinte, a bola andou por um lado e pelo outro da defesa do Sporting até acabar dentro da baliza, depois de uma cueca no Zeeglaar e de mais uma falta de atenção, agora do João Pereira. O Sporting não desmoralizou e ainda se lançou mais no ataque. Os lances de golo sucediam-se, com o guarda-redes do Benfica a defender tudo e mais um par de botas. O Campbell fez mais uma arrancada das suas, foi por ali fora até tirar um centro perfeito para o Bas Dost a encostar de cabeça para a baliza.
Até ao final do jogo, o Sporting continuou a tentar, mas ficou a sensação de que as forças não eram muitas e, com exceção do Campbell, não dispõe de nenhuma alternativa no banco em condições para refrescar a equipa. O Alan Ruiz foi uma verdadeira nulidade [ficámos literalmente a jogar com menos um] e a última substituição, a acabar o jogo, do Bas Dost pelo André, foi simplesmente para o Jorge Jesus tentar tirar um coelho da cartola.
O Sporting não jogou [propriamente] mal, dispõe de jogadores excecionais e de outros não tão bons, mas, em conjunto, não chegam para fazer uma equipa que se veja. Os centrais e, especialmente, o William Carvalho e o Adrien controlaram o jogo e distribuíram-no com a propósito. O Gelson Martins esticou sempre o jogo e foi um permanente sobressalto para a defesa do Benfica. O Bas Dost esteve presente na área quando era necessário e quando foi bem servido [na primeira vez atirou ao poste e na segunda meteu-a na baliza]. O Zeegelaar não serve, nem a defender nem a atacar. O Bryan Ruiz joga mal a segundo avançado [complica sempre e não é agressivo], jogando bem melhor do lado esquerdo, embora não pareça o mesmo da época passada. Com exceção do Campbell, todos os restantes são para deitar fora e quanto mais depressa melhor.