A selecção nacional com o Paulo Bento nunca jogou a ponta de um chavelho. Não há a desculpa de não conhecer os jogadores e a equipa. Jogam sempre os mesmos e jogam sempre, colectivamente, mal. Salvam-se sempre pela inspiração de um ou outro jogador, normalmente pela inspiração do Cristiano Ronaldo, ou pela falta de jeito dos inúmeros adversários de terceira linha que vamos defrontando.
As opções de hoje não se justificam por razões técnico-tácticas porque, simplesmente, o Paulo Bento não sabe o que isso quer dizer. As escolhas justificam-se pelo hábito de escolher os do costume e pelas idiossincrasias do treinador, com os seus pequenos ódios de estimação.
Não seleccionar o Adrien é um crime de lesa-futebol. Dá todos os incentivos errados. Não interessa que um jogador jogue bem e faça uma excelente época. O que interessa são as cunhas ou os gostos pessoais do treinador, nunca justificados. O Adrien, no mínimo, seria sempre uma alternativa ao Moutinho ou ao Raúl Meireles. Se qualquer um deles faltar, por castigo ou lesão, quero ver quem os vai substituir.
Mas não seleccionar o Danny está fora da compreensão de qualquer mortal. É um dos melhores jogadores portugueses, a larguíssima distância de muitos outros que foram seleccionados. É um dos principais jogadores de uma equipa que vai regularmente à Liga dos Campeões e é extremamente competitiva. O Paulo Bento faz-lhe o favor de o convocar de vez em quando para ele assistir aos jogos do banco. O rapaz fartou-se como qualquer um de nós no lugar dele se fartaria também. Vir do outro lado do Mundo para fazer figura de corpo presente e ver jogar os Varelas e Postigas desta vida, é um enxovalho.
Estes são os casos patológicos do treinador. Muitas outras opções são só estúpidas. Ninguém percebe as escolhas do Rafa e do Vieirinha que acabaram de sair de lesões quando nem sequer são jogadores indiscutíveis. Na melhor das hipóteses, serão lançados numa qualquer fase de desespero a meia dúzia de minutos do final de um jogo para demonstrar que o treinador tem um qualquer plano B. Se é para isso, e é para isso e para fazer número que são convocados, então não compreendo porque não são convocados o Quaresma ou, mesmo, o Carlos Mané.
Quanto ao resto há pouco a dizer. Há o caso anedótico do André Almeida. É um jogador polivalente. Joga em todas as posições igualmente mal. Onde joga com mais frequência, que é onde o Jorge Jesus o costuma pôr a jogar, é no banco ou na bancada. Os outros são convocados porque costumam ser convocados (como o Varela, o Hugo Almeida ou o Postiga) ou são convocados como seriam convocados por mim ou pela minha vizinha de cima (como o Pepe, o João Pereira, o Fábio Coentrão, o Cristiano Ronaldo ou o João Moutinho).
O que me espanta é a falta de escrutínio público das opções do Paulo Bento. Não se compreendem as opções e o seleccionador nacional dá justificações vagas, como a necessidade de privilegiar o jogo interior ou o diabo a quatro. Por muito menos o Luiz Felipe Scolari era bastante mais criticado. Com uma vantagem adicional, só lhe renovavam o contrato depois dos resultados nos Europeus e Mundiais. Nunca lhe passaram cheques em branco. Pelos vistos, passaram-lhe doutro tipo, mas isso é outra história.