Nesta segunda-feira, no clássico Porto – Sporting, passaram-se, como é que hei de dizer, coisas, sim, coisas, é a melhor definição para estas coisas em si mesmas, não sei se me faço entender. Quando o jogo se aproximava do final, uns miúdos arrumaram as bolas e não havia bolas para ninguém. Muitos e muitos sportinguistas rasgaram as vestes, porque sim, porque não há direito, porque o Villas-Boas até se escreve com dois éles e um hífen como o beto da Foz que é e sempre foi, porque é anacrónico [não estamos no tempo da fruta, do apito ou do guarda Abel nem os jogadores têm bigode], porque o Farioli até fala estrangeiro e tudo, etc., etc., etc.
Pedi ao meu sobrinho João, portista envelhecido em casca de carvalho, uma explicação, uma análise. A explicação é simples para quem sabe do que fala, para quem conhece o Porto como a palma das suas mãos, o Porto clube e o Porto cidade e a sua burguesia refinada no contato com os ingleses do Vinho do Porto. O jogo foi tarde, muito tarde. Não lembra a ninguém começar um jogo às 20.45h num dia da semana com aulas no dia seguinte. Um a um, cada miúdo foi trazido para casa por uma orelha não sem antes deixar tudo arrumado, muito bem arrumadinho, como deve ser, como mandam as mães. É a educação esmerada destes miúdos que lhes permite depois serem pais de miúdos com educação mais esmerada ainda, ontem no Colégio das Caldinhas, hoje no Colégio do Rosário.
Também houve problemas com o aquecimento dos balneários. Quem nunca teve aquecimentos com problemas em casa, aquecimentos de vidro, que atire a primeira pedra. Os jogadores do Sporting, queixinhas, vieram dizer que estava muito quente. Deviam viver em minha casa, onde para se poupar na conta do gás nunca se liga o aquecimento central. Deviam acordar com o pingo no nariz e deitar-se ainda com o pingo no nariz, dia após dia. O Porto explicou muito bem, são contra o centralismo, o centralismo de Lisboa, mas não veem qualquer problema no centralismo do aquecimento: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ou se centraliza o aquecimento ou se descentraliza o aquecimento e não se sabe onde se para, cada jogador sua escalfeta, é isso que querem?
Houve mais coisas, coisas como o roubo de umas toalhas ao guarda-redes do Sporting que ele usava para limpar as luvas ou lá o que é. Mas quem é que se importa com toalhas? Vai-se à Feira de Espinho ou à Feira da Vandoma e traz-se uma dúzia delas, daquelas de turco, fofinhas, em tons de azul, por tuta e meia. Não duram muito, desbotam lavagem após lavagem, mas servem muito bem para limpar as luvas ou lá o que é. Por tuta e meia querem o quê? Toalhas de marca? Toalhas Buddemeyer em algodão egípcio ou Toalhas Trussardi Maggiore? Tenham juízo e não se armem em finos: limpem as luvas ou lá o que é nos calções, na camisola ou no que tiveram mais à mão.
Na segunda-feira fui ao Theatro Circo ver o filme “Pai, Mãe, Irmã, Irmão”, realizado por Jim Jarmusch, com atores como o Tom Waits, a Charlotte Rampling ou a Cate Blanchett. Não vi o jogo, portanto. Valem-me os diferentes canais de televisão sempre a informarem coisas e mais coisas, coisas importantes, sem dúvida. Quanto é que ficou o jogo, alguém me sabe dizer? Agradecia.