A última semana futebolística não é simples de analisar. Não é simples de dizer de que cor eram as camisolas de uma equipa ou da outra como também não é nada simples indicar em que sentido é que cada uma das equipas devia correr e, assim, de que lado ficava a baliza de uma e da outra equipa. Há gente que acha coisa diversas: que quanto pior, pior; quanto melhor, melhor; quanto pior, melhor; ou quanto melhor, pior. No fundo, no fundo, não é simples dizer quem ganhou ou não ganhou pois não existe um entendimento comum sobre o que é ou não é uma vitória ou se uma vitória pode ser uma derrota e vice-versa.
Há quem ache que chamar “maricones” a um jogador adversário é melhor do que lhe chamar “mono”, que são os mesmos que acham que é pior chamar “mono” a um jogador adversário do que lhe chamar “maricones”. Para estes, se se chamar “maricones”, ganha-se, se se chamar “mono”, perde-se e vice-versa. Há quem ache exatamente o contrário e para estes, se se chamar “mono”, ganha-se, se se chamar “maricones”, perde-se. Mas cada um atribui o sentido que entender à expressão “melhor” ou à expressão “pior”: para alguns, quanto pior, melhor; para outros, quanto melhor, pior. É melhor ser racista ou homofóbico? É pior ser racista ou homofóbico? Não sei, ninguém sabe.
Acho [não me recordo de recorrer ao verbo achar, mas está-me a saber bem, muito bem mesmo] que se devia promover um dois em um. Há dias fui a uma loja de marca e tive um grande desconto na compra da segunda camisola. Saí da loja muito satisfeito com este negócio [embora mais tarde tenha ficado a pensar se a segunda camisola, a mais barata, teria grande utilidade]. Quem é racista também deve ser homofóbico para facilitar a constituição das equipas, escolher as camisolas e decidir o lado da baliza do adversário. De um lado, jogam os racistas e homofóbicos, do outro, os que não são racistas nem homofóbicos. Assim, sim, é possível chegar a um resultado, embora os segundos tenham [sempre] tendência para perder, pois têm menos “likes”, são mais sensaborões, aborrecidos.
Mas quem ache [outra vez o verbo achar] que os problemas identificados se encontram resolvidos, está muito enganado. É que há quem ache que quem esconde as bolas quando está a ganhar e gama as toalhas do guarda-redes adversário é moralmente superior a quem chama “maricones” ou “mono” ao adversário, embora os que chamem nomes digam que têm amigos negros e homossexuais. Com esta é que ninguém estava a pensar, com esta não há solução possível. De um lado, jogam os racistas e homofóbicos e, do outro, os que escondem as bolas e roubam as toalhas? E os que não são nem uma coisa nem outra, jogam contra quem? Jogam contra todos? É possível jogar contra todos? Ao mesmo tempo? Temos de confiar na FIFA e na UEFA para resolver problemas como este, pois um comum mortal, como eu e outros, não consegue por muito que pense, por muito que dê voltas à cabeça.
Estava a esquecer-me: o Sporting ganhou ao Moreirense por três a zero. A teoria da fezada sofre um grande abalo. Fezada e três a zero não rima. Fezada e três a zero a jogar bem rima muito menos, mesmo que a afilhada esteja a ver o jogo. Na época passada, sempre achei que o Rui Borges tinha sido muito sensato ao seguir as orientações técnico-táticas que o Morten Hjulmand lhe transmitia [aparentemente terá ficado com o Moleskine do Ruben Amorim]. Será que o Rui Borges nos enganou? Será que a afilhada não está relacionada com a fezada? Será que ela é que tem o curso de treinador(a)? No Sporting, não seria a primeira, nem a segunda vez.