sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O maravilhoso reino animal


O processo de canonização de Jorge Jesus está em curso. Inicialmente ainda se poderia pensar que se tratavam apenas de manobras de ocultação (ou de diversão), no sentido de enaltecer o seu excelente trabalho (risos) à frente do Sporting: títulos, dinheiro a rodos, lançamento de jogadores, excelentes prestações europeias, em suma, a sua ideia olímpica de jogo. Rapidamente se percebeu que seria muito mais do que (apenas) isso. A operação de limpeza não visava apenas os adeptos do Sporting. Sabemos hoje que não.

Basta ver a capa do jornal A Bola de hoje para percebermos a amplitude do processo de beatificação. Com o bom filho a casa torna percebemos que a bem-aventurança poderá ser uma realidade. O alvo já não é identificado pela memória dos últimos anos, mas pela (des) memória dos anteriores, os que o deram a conhecer ao mundo, segundo o próprio. A limpeza visa (supostamente) arrumar numa prateleira a memória dos adeptos do nosso rival. Como se diz na minha terra: a ver se pega. 

Muitas foram as entrevistas e contactos da imprensa com o mestre nos últimos tempos com esse propósito. O (bom?) filho pode voltar. O rival do Porto tem treinador para os próximos tempos e pouco dinheiro para alargar a margem de loucura. O treinador em funções do clube que o deu a conhecer ao mundo, o tal que até foi ganhando, está na corda bamba. A classe dos invertebrados está a assistir na primeira fila. Como sempre.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Para uma nova taxonomia dos afectos


Tenho um amigo sportinguista que tem sempre teorias sobre tudo. Por isso mesmo não precisa da Netflix para nada. Desta vez engendrou uma teoria da conspiração que dá bem com o seu humor (quando não se fala do Sporting), embora ele não se aperceba. Essa teoria diz mais ou menos o seguinte: a detenção de Bruno de Carvalho (e do Mustafá) a um domingo e perto da hora do jogo foi responsabilidade do próprio (embora não saiba explicar como) e dos seus novos (velhos?) amigos benfiquistas, para (mais uma vez, diz ele) ocultar e deixar passar em claro os e-toupeiras, emails, e por aí fora, até porque hoje tem início a instrução do e-toupeira. Desta forma, o ruído instalado superaria tudo. Quanto ao ruído e às patetices dos jornalistas e comentadores não poderia estar mais de acordo, relativamente ao resto, fico agradecido por vivermos num país onde o humor (e a imaginação) suplantam, em muito (ainda), o horror. Embora o Artur Albarran não o saiba.

Este amigo é um apoiante (enganado, claro está - diz ele) de primeira hora de BdC. Ele e muitos. Os mesmos que agora (recentemente) se juntam em fila indiana, batendo-se por serem os primeiros a atirar a primeira pedra. Não estivéssemos perto do Natal e dir-se-ia que a Páscoa era a época festiva que vivíamos, divertidos, tantas são as crucificações em praça pública, tantos são os que acompanham a via dolorosa, julgando e enxovalhando quem passa (caído em desgraça). Isto é, quem foi detido. Duas ou três passagens pela TV e percebemos que todos o sabiam, ou pressentiam, ou tinham avisado, o que tarde ou mais cedo seria inevitável. Todos os outros: enganados. Vê-se muito disto nos divórcios.

A forma como a imprensa (vamos chamar-lhe assim, à falta de melhor) cobre estas (e outras) detenções, estando previamente nos locais, tendo acesso a informação (supostamente) em segredo de justiça, diz-nos bem da formosa estrebaria (esta foi roubada a um viajante do século XVIII) em que vivemos. Fosse esta imprensa tão avisada noutras situações, fizesse investigação verdadeira e reportagem a sério e seríamos o Bas Dost da imprensa europeia.

Mas não se pense que a imprensa é o melhor disto tudo. Os comentadores (a soldo de quem agora?) são a cereja no topo da estrebaria (já sem tanta formosura). Passe a gritaria, passe a ignorância, o dinheiro a jorrar (não é só para as claques, estes tipos descobriram as claques agora, parece, como se fosse possível assobiar para o lado consoante a cor da camisola), mas o que não passa, ou não pode passar incólume, é aquela velha forma de adaptação ao status quo vigente, seja ele qual for, capacidade apenas disponível ao nível dos invertebrados. O meu amigo deve ter uma teoria para isto. Depois pergunto-lhe.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O choro das carpideiras

O choro das carpideiras de serviço do José Peseiro intensificou-se na semana passada. Aparentemente, estas carpideiras tinham um alvo - Frederico Varandas -, sem nunca se terem dado ao trabalho de perceber que não foi ele quem o despediu, mas os jogadores (ninguém despede o treinador contra a vontade dos jogadores, como se viu com Marco Silva). Longe vão os tempos do “Vamos a eles como tarzões!” do Fernando Cabrita a selecionador nacional. Os jogadores do Sporting são internacionais pelos seus países e muitos deles trabalharam com grandes treinadores ao longo da sua carreira. Os comentários sobre Marcel Keiser foram do mau gosto à xenofobia, mas, para além do corporativismo parolo, o objetivo era o de fragilizar o recém Presidente do Sporting. 

Quando menos se esperava apareceu outro alvo: Tiago Fernandes. A primeira coisa que fez o jovem treinador foi fugir da herança de José Peseiro. Não sendo filho dele e tendo alguma ambição para sua carreira, não podia ficar agarrado a esta herança (que não é currículo mas cadastro), contrariando a vontade dos jogadores e não os mobilizando para os jogos que tinham pela frente. Nos Açores, acabou com o duplo pivô, provou que o Lumor é mais alternativa do que Jéfferson, apostou no 4x4x2 e, mesmo quando substituiu o Diaby pelo Jovane Cabral, não alterou no essencial essa tática. Contra o Arsenal, mudou para o 4x3x3, apostou no miúdo Miguel Luís a titular (para dar sinal que é preferível apostar na formação do que em qualquer um dos “ics” que entulham o plantel) e voltou a não reeditar o 4x2x3x1. Para acabar com a pieguice e as desculpas, fez discursos afirmativos antes e depois dos jogos. 

Os resultados foram bons, mas parecia que se estava num velório, tal o choro das carpideiras de serviço: devia-se ter demitido, por solidariedade para com o seu treinador principal; deu o braço a torcer e jogou na segunda parte contra o Santa Clara como se jogava anteriormente; é arrogante e não respeita os colegas e os mais velhos; queria ser o treinador do Sporting mas o Varandas trocou-lhe as voltas. Pelo que disse e não devia ter dito, pelo que não disse e devia ter dito, tudo serviu para malhar no Tiago Fernandes. Se outras razões não existissem para desejar a vitória contra o Chaves, a solidariedade dos sportinguistas para com o seu jovem treinador bastava. A solidariedade bastava para o desejo mas não bastava para se ganhar o jogo. O adversário conta e é preciso ter competência para lhe ganhar.  

O Tiago Fernandes voltou a apostar no 4x3x3, insistindo no Miguel Luís no meio-campo, ao lado do Bruno Fernandes, e deixando o Gudelj a seis. Este é o sistema de jogo que mais o favorece Bas Dost, desde que lhe façam chegar as bolas em condições. Com o meio-campo mais arrumado, a equipa circula melhor a bola, responde à perda de bola de forma mais eficaz. Só que, com o Bruno Fernandes sem atinar, falta criatividade no ataque e capacidade para desequilibrar na zona central do terreno. Ficamos todos à espera de que o Jovane Cabral ou o Nani, apoiados pelo Acuña e pelo Bruno Gaspar, tirem um coelho da cartola numa qualquer arrancada. Do segundo não se espera o mesmo do que do primeiro e, por isso, a equipa joga mais inclinada para o lado esquerdo e foi por esse lado que o Acuña sacou um centro direitinho para a careca do Bas Dost fazer o primeiro golo. A primeira parte foi o golo e pouco mais. O Sporting teve mais bola, o Chaves foi inofensivo, mas houve pouco perigo criado em qualquer das áreas. 

Na segunda parte, voltámos aos tempos de Peseiro e a uma equipa sem guião que ficou como o tolo no meio da ponte. Os jogadores não sabiam se era para atacar ou para defender, procurando controlar a bola sem saber bem com que objetivo. A expulsão (exagerada) do jogador do Chaves ainda mais na dúvida deixou a equipa e o sinal do banco foi equívoco, saindo o Jovane Cabral e entrando o Diaby para a mesma posição (que foi uma nulidade). Há quem pense que a melhor maneira de não fazer asneira é não fazer nada, quando, muitas vezes, não fazer nada é uma grande asneira. O Tiago Fernandes deixou a iniciativa ao treinador do Chaves que fez o que lhe competia, substituindo jogadores com o propósito de tentar chegar ao empate. E aconteceu aquilo que nos acontece com frequência: um perneta qualquer rematou de fora da área e fez o golo de uma vida. Estava preparado o enredo para o filme do costume. Salvou-nos um tonto do Chaves a quem lhe devem ter dado orientações para marcar fosse de que maneira fosse o Bas Dost nas bolas paradas. O árbitro ainda o avisou mas, para ele, ordens são ordens e, na sequência de um canto, só teve como único objetivo placar o Bas Dost não revelando qualquer interesse em disputar a bola. “Penalty”, paradinha do costume, guarda-redes para um lado e bola para o outro e regressámos à casa de partida quando estávamos a respirar por uma palhinha. 

Quando da expulsão, percebemos que os comentadores da SporTv eram profundos apreciadores do presunto de Chaves. A choradeira foi-se arrastando, mostrando imagens que sim e mais que também e mostrando outras que talvez não. Os comentadores optaram sempre pelas do talvez não e não mais se calaram. Quando do “penalty”, descobrimos que não eram somente apreciadores do presunto mas assíduos frequentadores da Feira do Fumeiro de Montalegre. O “penalty”, que tem tanto de estúpido como de óbvio, foi transformado numa tentativa de genocídio do povo do Barroso, em clara violação dos Direitos do Homem e do Direito Internacional. Assistimos a mais uma rábula das carpideiras, agora, de serviço à moral e aos bons costumes, embora a moral e os bons costumes tenham dias, dependendo dos jogos e da cor das camisolas. 

O Tiago Fernandes desenrascou-nos num momento de aflição. Fez um biscate, sem cobrar um milhão de euros pelo serviço. Ficámos a dever-lhe esta. Espero que o Varandas lhe esteja grato e que seja recíproco. Merece ter mais oportunidades e continuar a sua carreira. O passado recente, do despedimento do Peseiro, ficou morto e enterrado. O passado mais longínquo, do assalto a Alcochete, também. Vamos começar tudo de novo, sem as nossas carpideiras e com as carpideiras alheias, às quais estamos habituados. Mas é bom saber que não vamos começar do início, encontrando-nos em segundo lugar, a dois pontos do Porto e à frente do Braga e do Benfica.

domingo, 11 de novembro de 2018

Mau tempo no canal


Estiveram apenas vinte mil pessoas em Alvalade. E isso diz muito sobre a actualidade do Sporting. O temporal (quando é em Lisboa) é sempre de pôr os cabelos da nação em pé. A ventania levou também a JUV LEO a reboque e mais um ex.presidente. Tudo ao domingo, dia santo de jogo. Jogo houve pouco. Esta equipa do Sporting continua a treinar apenas nas horas vagas, nas restantes deve andar por aí a ler bons livros e a apreciar um bom ballet. Culturalmente, parece-me, estamos melhores. Um treinador que joga em qualquer lado, desde que mantenha o emprego, jogadores que não jogam em lado nenhum, mantendo-se bem empregados.

Na segunda parte não contei um remate enquadrado com a baliza. Pouco importa. O Bas Dost chega e vai sobrando (já o tinha feito na primeira parte) para as encomendas, e o Acuña, vá-se lá saber porquê, tem a mania de dar alguma intensidade ao jogo, ainda que inconsequente. O Bruno Fernandes desde que conviveu em conferências de imprensa com o Cintra (e, quem sabe, com o seu amigo que percebe de futebol) teima em não encarreirar no jogo, pelo menos dentro de campo. Até nisso há mão do Peseiro. O Nani vai-se passeando de peito feito, cabeça levantada, mas sem futebol digno desse nome. A sensação que fica é que o Gudelj até passa por jogador da bola neste conjunto de banalidades, e o Gaspar continua a marcar bem com os olhos. Raramente uma jogada sobrevive, faça chuva ou faça sol, a um ou dois toques com desmazelo à mistura.

Acabamos à toa, contra dez. Talvez por isso terá entrado o Misic, para equilibrar as coisas. Ganhámos, com ou sem casos, lá ganhámos. Mas não conseguimos enganar ninguém, a não ser os próprios. Não há chuva ou vento que nos leve a ilusão. Nem em Lisboa.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Enquanto se espera por Godot

Na dúvida, deve-se sempre esperar sentado. Quando se espera por Godot, mais razões existem para nos refastelarmos, embora este seja diferente do outro: aparentemente existe tanto mais que é conhecido do Leonardo Jardim que o recomenda (este facto e o de não ser o Peseiro, são as únicas razões que se percebam para a sua contratação). Este jogo contra o Arsenal apanhou-me assim sentado à espera e à espera continuei. Enquanto se espera, o rapaz jeitoso, salvo seja, filho do Manuel Fernandes fez mais este biscate contra o Arsenal. Não era um biscate tão simples como o dos Açores. Envolvia trabalho de canalização e eletricidade ao mesmo tempo, jogando-se contra uma equipa adversária e não, exclusivamente, contra o vento. 

O Tiago Fernandes (o nome do rapaz é este para quem não saiba e para que nunca mais ninguém se esqueça) disse logo ao que vinha ainda antes de começar o jogo: é preferível jogar com um júnior do que com o Petrovic. Começou o jogo e começou o massacre que poucos conseguiram até hoje organizar, com a exceção do Tomislav Ivić e do José Mourinho que o celebrizaram como “massacre defensivo”. O Arsenal atacou, os seus jogadores trocaram a bola de primeira em velocidade e sempre com os olhos na baliza, mas na zona central do meio-campo e da defesa o Sporting não havia um milímetro quadrado livre. Os ataques sucediam-se pelas laterais e no fim, bem, no fim foi sempre água. Nem um submarino para amostra quanto mais uma porta-aviões. 

Na televisão íamos ouvindo uns rapazes aziados: o Sporting assim e assado, o Gugelj não aquece nem arrefece, o Bruno Gaspar estava a dormir e por aí fora. Em nenhum momento se lembraram de falar do Arsenal e da grande equipa que têm ou, quando falavam, era para lembrar que faltava o A, o B ou o C, como se os outros que estavam em campo fossem um bando de pernetas. No intervalo, a régie deve-os ter lembrado que o Arsenal não tinha criado uma única oportunidade de golo e, no início da segunda parte, lá se lembraram de uma palavrinha para esse mérito do Sporting. 

O jogo continuou na segunda parte como se não tivesse havido intervalo. Só quando o Sporting marcou um canto com a marcha atrás engatada, passando a bola para o seu meio-campo, seguindo-se um balão para a área e um fora-de-jogo arrancado a ferros para se reorganizar a equipa, é que compreendi completamente a tática seguida. O ponto forte do Arsenal são as transições ofensivas. Ora, a melhor forma de contrariar esse ponto forte é pura e simplesmente não se chegar a atacar. Podia-se ter contra atacado, mas, para isso, é preciso apostar no erro do adversário. Ora, se o adversário não erra, a última coisa que deve passar pela cabeça do treinador e dos jogadores é contar com o ovo no dito cujo da galinha. O que podia ter sido melhor, apesar de tudo, foi a profundidade dos alívios: se se pode pôr a bola longe deve-se procurar pô-la o mais longe possível. 

Empatámos. Não disputamos a Liga dos Campeões e, por isso, não jogamos contra colossos do futebol mundial como o Ajax ou o Lokomotiv de Moscovo (onde joga o Éder a titular). Para a história, o Benfica apanhou cinco batatas do Arsenal, o Porto outras cinco e o Braga meia-dúzia. O Sporting não atacou, não rematou, mas não enfardou nenhuma e empatou. Temos pena, temos pena pelos comentadores; como disse o Ribeiro Cristóvão, o Tiago Fernandes tem um cadastro positivo no Sporting.

domingo, 4 de novembro de 2018

Ter ou não ter, eis a questão

O Sporting encontrava-se a dois pontos do primeiro classificado e despediu o treinador. O Santa Clara encontrava-se a quatro e não tinha despedido o treinador. A Associação Nacional de Treinadores de Futebol veio-nos dizer que nestas circunstâncias ganha quem mantém o treinador. É o é igual a eme vezes cê ao quadro do futebol. Como eu, o Varandas ainda acredita na teoria newtoniana do futebol: é sempre preferível treinador algum a um que mais parece nenhum. Como nos procuraram ensinar os habituais comentadores de futebol de sofá durante a semana, trata-se de um anacronismo procurar explicar a realidade como ela se nos apresenta hoje com base numa teoria do passado e (ultra)passada. 

O Varandas tentou arranjar alguém para fazer de treinador. Segundo nos informaram, contactou uns duzentos e cinquenta e oito treinadores. Uns porque tinham um casamento ou um batizado neste fim-de-semana, outros porque se tinham comprometido a estar em outros jogos, não foi possível arranjar nenhum. Como sempre acontece nestas circunstâncias em Portugal, alguém ligou a alguém para ver se arranjava alguém para fazer este biscate no fim-de-semana. O Manuel Fernandes tem um filho muito jeitoso, salvo seja, e simpático que se prontificou a fazer este gancho desde que não metesse o duplo pivô e não convocasse o Jéfferson. 

O rapaz jeitoso deixou o meio-campo entregue ao Battaglia e ao Bruno Fernandes: um para destruir e outro para construir. Pela primeira vez esta época, o Bruno Fernandes pôde construir de frente pra a baliza, deixando de andar a correr de um lado para o outro e a olhar de esguelha para a bola para ver se a agarrava depois de uma qualquer biqueirada da defesa, do Battaglia, do Petrovic ou do Gudelj. Do lado esquerdo da defesa, meteu o Lumor, o tal que era abaixo de assim-assim, e adiantou o Acuña, recolocando-o no lugar para o qual foi contratado e onde jogava. Têm-nos impingido uma teoria que procura demonstrar que quanto maior é a complicação melhor é a tácita e mais genial é o treinador. Estranhou-se, assim, a opção pelo óbvio. A pergunta ficou-me na cabeça mal o jogo se iniciou: o óbvio pode constituir uma tática? 

Os primeiros trinta minutos foram um pouco confusos. O vento atrapalhava de um lado e do outro: de um lado porque jogava a favor, do outro porque jogava contra; a bola ou andava de mais ou andava de menos. Atrapalhava o vento e um rabo enorme com duas pernas que ia terraplanando tudo e todos do lado esquerdo, até estropiar o joelho do Battaglia. Entrou o Gudlelj e fez logo o favor de entregar a bola a um adversário, permitindo, assim, uma bica para dentro da área que apanhou o Renan Ribeiro a passar pelas brasas e originou o golo do Santa Clara. 

O rapaz jeitoso tentou dizer alguma coisa ao Diaby, mas o Salin, embora saiba francês, não explica nada bem, como tinha ficado demonstrado com o Jorge Jesus, que continuou como se nada fosse (com ele). O rapaz jeitoso começou a ficar comichoso com a situação e mandou o Jovane Cabral aquecer. Bastou o aquecimento para a equipa começar a jogar melhor e, nos últimos quinze minutos, estivemos o tempo todo no meio-campo do adversário. 

No intervalo, o Diaby continuou perdido na tradução e entrou, para a segunda parte, o Jovane Cabral, que jogou encostado mais à linha esquerda, deslocando-se o Nani para o centro e continuando o Acuña do lado direito a massacrar o rabo enorme com duas pernas. Com uma calma olímpica e sem ataques de ansiedade no banco, continuámos a controlar o jogo e a empurrar o adversário para trás. O Bas Dost fez uma assistência para o Nani falhar num remate à meia-volta. Cheirava a golo. O Lumor, o Jovane Cabral e o Nani tabelaram no lado esquerdo até meterem a bola para o Bas Dost a encostar. O rabo enorme com duas pernas embrulhou-se com ele e fez “penalty”. O Bas Dost fez a paradinha e o guarda-redes também, acabando por ficar parado a ver a bola entrar. 

Logo a seguir, o Jovane Cabral enfiou uma bojarda de fora da área para grande defesa do guarda-redes. Voltava a cheirar a golo. O Lumor e o Jovane Cabral voltaram a combinar do lado esquerdo até sair um centro tenso ao segundo poste que passou por cima do rabo enorme com duas pernas e encontrou a cabeça do Acuña que a meteu lá dentro depois de um salto encarpado. Entretanto, o Santa Clara foi metendo uns calmeirões e desatou aos chutões para a frente a toda a sela. Os primeiros, foram mal calibrados, acabando nas mãos do Renan Ribeiro. Acertada a mira, as bolas começaram a ficar ensarilhadas à entrada da área com a defesa e o meio-campo cada vez mais recuados e acagaçados e quase a permitirem o empate num remate de fora da área. 

Continuamos a dois pontos da liderança e a não arranjar treinador. Ter ou não ter, eis a questão. Às vezes ter é o mesmo do que não ter e não ter chega a ser melhor do que ter. Não preocupa nada não ter, o que preocupava é quando tínhamos. Aliás, a preocupação dos benfiquistas é idêntica: têm e gostavam de não ter também. Têm uma boa pessoa com um excelente rácio nas competições europeias, como nós tínhamos. Como nós, preferem um treinador.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Gone with the wind

As coisas são como são e acontecem porque têm de acontecer. Nem o Clark Gable, nem a Vivien Leigh conseguiram fugir às suas circunstâncias. O Peseiro não conseguiu fugir às suas circunstâncias sendo que a principal é ele próprio, com as suas idiossincrasias. O jogo de ontem, contra o Estoril, é o Peseiro, nem mais, nem menos. A equipa do Peseiro 1.0 era irregular, tanto jogava bem como mal, tanto ganhava e goleava como perdia com qualquer equipa de pernetas. Mas era uma equipa de ataque. O objetivo era sempre marcar pelo menos mais um do que o adversário. O resultado final foi o “quase”, que nos marcou e a ele também. 

O Peseiro 2.0 é o do passado mas mais hesitante ainda, resultante desse passado: quer atacar como no passado mas quer manter a segurança defensiva para não cometer os erros do passado. O duplo pivô é filho do passado do passado. É a tentativa de construir a quadratura do círculo: o Peseiro do passado acrescido da experiência passada do Peseiro. O resultado nem é uma coisa nem outra. O Sporting ataca pouco e mal e continua desprotegido atrás quando perde a bola. O duplo pivô resulta da falta de convicção e da hesitação sobre o modelo de jogo. Não é uma tática, é a falta dela, é um fetiche, para que ninguém diga que o Peseiro 2.0 não aprendeu com o Peseiro 1.0. 

O jogo de ontem, contra o Estoril, tornou claro, para quem não queria ver, os equívocos e as hesitações do Peseiro 2.0. Para azar, o Sporting fez um a zero muito cedo, fruto de uma boa pressão do Bas Dost e da sagacidade do Wendel na compreensão do lance e na interpretação em conformidade. A ganhar por um a zero, a equipa ficou sem guião. Era para atacar ou para defender? Era para controlar o jogo e isso era exatamente o quê? Deixar passar o tempo? O Sporting foi sempre uma equipa perdida, sem objetivos. Atacava sem convicção e, quando perdia a bola, continuava descompensada atrás. Que sentido tem jogar com o duplo pivô (sobretudo tão estático, dado que nem Petrovic nem Gudelj se chegam à frente por uma vez que seja), quando na construção de jogo são tanto jogadores que se atrapalham e quando se perde a bola não se consegue parar um contra-ataque? Existe uma terra sem dono entre o ataque e a defesa que, com tantos jogadores na intermediária, ninguém consegue ocupar. 

Se a equipa estava praticamente sem guião, com menos guião ficou com a dupla substituição aos sessenta minutos. A indicação do treinador para equipa que estava em campo foi inequívoca: este é um jogo-treino! Só num jogo-treino é que se fazem substituições aos pares porque não há limites para elas. A dupla substituição só faz sentido num jogo a sério quando se pretende mudar radicalmente o jogo e dar uma sacudidela na equipa. Ainda se percebe a substituição do Bas Dost pelo Montero, na perspetiva da gestão do esforço. O que não se percebe é a substituição do Jéfferson pelo Lumor. O Jéfferson nem sequer devia ter entrado. Entrou porque o Peseiro não consegue ver o que qualquer mortal vê há muito tempo. Não sabemos se o Lumor é bom, mas sabemos seguramente que nunca será pior do que o Jéfferson, porque pior do que o Jéfferson não há. A substituição foi para queimar o Jéfferson? Só pode ter sido, mas diz mais de quem o mete a jogar do que do próprio jogador. 

Com a lesão do Wendel e a (necessária) entrada do Bruno Fernandes, o Sporting ficou sem plano B para qualquer eventualidade. Como de costume, o Bruno Fernandes, sem o Nani em campo para parar o jogo e obrigar os colegas a organizarem-se, passou a andar a correr para trás e para a frente, até ficar com um torcicolo de tanto olhar para a bola que lhe passava por cima. E o pior aconteceu. O André Pinto teve um daqueles dias que não se deve sair de casa e, num ápice, ficámos a perder por dois a um e sem plano B que se vislumbrasse. O plano B que se arranjou foi avançar um central para ponta-de-lança e apostar no chuveirinho. Mas até nesta contingência se viu a incompetência do treinador. Avançou o central mais baixo e mais rápido e ficaram atrás os mais altos e lentos, não se ganhando uma bola de cabeça na frente e expondo a equipa a novos contra-ataques e a sofrer mais golos. 

Se o Peseiro tivesse brio profissional, viria assumir os seus erros, insuficiências e responsabilidades. Nada disso aconteceu. Procurou transformar a anormalidade em normalidade, no novo normal. Não se demitiu como devia. Mas o Peseiro há muito que não vive da profissão de treinador. Vive de créditos passados (que se desconhecem), da condescendência como são tratados pela imprensa e opinião pública certos treinadores e do ciclo contratação-despedimento-indemnização que se renova todas as épocas por razões que a razão desconhece. Não se deve voltar onde se foi feliz e ainda menos onde se foi infeliz, esta é a lição para o Peseiro. “Loucura é continuar a fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (Einstein), seria a lição para o Sousa Cintra e a Comissão de Gestão, mas (felizmente para eles), não estão na direção do Sporting para a aprender. Por agora, temos o Tiririca do filho do Manuel Fernandes: pior não fica, restando-nos esperar que novos tempos virão (ou “vão vir”, como diria o Paulo Futre).

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Porfiando

Este jogo contra o Boavista era o mais importante da vida do Peseiro. Seria ainda pior do que o Lopetegui e o Rui Vitória?, era a pergunta que estava na nossa cabeça e na cabeça dele. Ver o Petrovic no banco foi um primeiro sinal positivo, embora não definitivo. É sempre bom ver que o nosso treinador aprende. A melhor maneira de meter o Petrovic por volta dos setenta minutos é tê-lo no banco. Como se viu no jogo contra o Arsenal, metê-lo a titular limita muito essa manobra tática. Mas havia mais dúvidas e perplexidades que se esperava que este jogo ajudasse a resolver. O Bruno Gaspar ainda é pior também do que o André Almeida? O Mateus (do Boavista) é mais velho do que o Matusalém? 

Os primeiros dez minutos ajudaram a resolver uma destas dúvidas. O Mateus não só é mais velho do que o Matusalém como dispõe de melhor pé direito, como se viu num remate que nos atirou ao poste. Mas, com exceção deste remate, não se viu muito mais do Boavista. Antes desse remate, tínhamos desenvolvido dois lances de perigo que se transformaram num modo de vida durante a primeira parte. O Acuña avançava, o Montero deslocava-se para o lado esquerdo para o apoiar, até sair um centro à espera que o mesmo Montero aparecesse a cabecear. As jogadas do lado esquerdo sucederam-se sempre com os mesmos resultados: ou a bola acabava centrada para o guarda-redes e a defesa do Boavista cortarem ou depois de se ganhar um ou dois lançamentos laterais acabávamos por desistir. Nas duas primeiras, porém, os jogadores do Boavista ainda não tinham percebido que não estava ninguém na área e aliviaram de forma precipitada. Na primeira, o Battaglia rematou para uma boa defesa do guarda-redes adversário. Na segunda, o guarda-redes sacudiu mal a bola e o Bruno Gaspar enfiou-lhe uma rosca por cima da baliza. 

Para variar (de flanco), o Bruno Fernandes sacou um centro do lado direito e o Nani começou por tirar as medidas à baliza com um cabeceamento para mais um boa defesa do guarda-redes. O Acuña continuava a porfiar (há anos que não me lembrava de recorrer ao porfiar em qualquer tempo verbal) pelo lado esquerdo mas não havia maneira de aparecer o Bas Dost; nem o Bas Dost nem o Montero, que insistia em vir tabelar com o ele sem o avisar para esperar um bom bocado até se voltar a meter dentro da área. Por uma vez, a jogada não se repetiu e apareceu o primeiro golo. O Montero foi ao lado esquerdo sem o Acuña por perto, mas com o Mathieu a fazer-se passar por ele, simulou uma vez, simulou outra, até arrancar para a linha e centrar para a entrada de cabeça do Nani. Do outro lado, o Diaby parecia querer começar a aquecer. Ganhou uma bola, foi à linha, atrasou-a para o Bruno Fernandes lhe enfiar uma bica e marcar três pontos para o País de Gales. 

Na segunda parte, o Boavista e o Xistra entraram determinados em expulsar o Acuña. Livre e cartão amarelo para o Acuña (o primeiro do jogo). Entrada de sola sobre o Acuña, dando origem a livre mas sem cartão amarelo. Pontapé no Acuña quando protegia a bola que se deslocava para fora, sem que fosse marcada falta nem, muito menos, mostrado cartão. Finalmente, mais uma entrada sobre o Acuña que deu origem a falta e ao primeiro cartão aos jogadores do Boavista. O Acuña não saiu por expulsão mas por lesão. O objetivo principal do Boavista estava cumprido. 

Na marcação de um livre, o Bruno Fernandes tirou as medidas à baliza e mandou um balázio ao barrote. Como o Nani, esperava-se que depois dessa medição, a seguinte fosse parar dentro da baliza e assim foi. O Diaby, que estava a passar do quente ao rubro, pegou na bola do lado direito, veio para dentro, tabelou com o Montero, foi à linha e, em vez de meter para a molhada à espera que o Montero conseguisse estar em dois lugares ao mesmo tempo, centrou atrasado para a entrada da área onde apareceu o Bruno Fernandes a repetir a marcação do livre mas em corrida. Dois minutos depois, o Diaby voltou a fazer das dele, avançou pelo lado direito e, desta vez, tabelou para fora com o Bruno Gaspar e desmarcou-se para dentro da área para receber a bola. O centro apanhou-o atrasado, mas ainda em condições de tentar um golpe de “jiu-jitsu”, gerando a confusão na área e permitindo um primeiro remate à meia-volta do Bruno Fernandes, contra as canelas dos defesas, seguido de um outro em “smash” do Nani, fazendo a bola bater no chão, sobrevoar a defesa e entrar na baliza. 

Depois do três a zero veio a festa, com o Peseiro fazer o favor de a não estragar com a entrada do Petrovic ou do Castaignos. Entrou o Bas Dost e a equipa passou a jogar ao ritmo do “Thunderstruck” dos AC/DC. A bola não voltou a entrar, embora o Diaby ainda tenha tentado uma picadinha por cima do guarda-redes quando estava isolado, antes de ser substituído (para a ovação) pelo Bruno César (que ressuscitou da tumba onde o Jorge Jesus o meteu por jogar em todos os lugares possíveis, alguns deles ao mesmo tempo). 

Tudo está bem quando acaba bem. Antes do jogo, estava tudo mal. Depois do jogo, está tudo bem. Ultrapassámos o Santa Clara e aproximámo-nos do Rio Ave. O Benfica perdeu e andam todos a rasgar cartões, a insultar o treinador e a marcar assembleias gerais destitutivas. Recuperámos dois pontos ao Braga e mantivemos a distância para o Porto. Como disse o Varandas, queremos os melhores jogadores e o melhor treinador e já faltou mais para isso. Ninguém pediu que fossem bons.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A grande (des)ilusão


Não se deixem enganar. Alguns comentadores e seus sucedâneos pretendem convencer-nos que o Arsenal entrou displicente, quando o que aconteceu foi uma jogada de grande ilusão. Temos que dar a mão à palmatória. O Peseiro pode não perceber grande coisa de futebol mas começa a ganhar dotes de ilusionista. Ao jogarmos com três pivots (o Rui faz bem a análise na posta anterior), renunciando a qualquer forma inteligente de jogar futebol (com balizas), fechando todos os caminhos tanto ao adversário, como à própria equipa, Peseiro não apenas surpreendeu o adversário e os seus jogadores, como conseguiu criar a ilusão nas bancadas e em casa de que o Sporting estaria (o tempo verbal aqui é fundamental) a disputar o jogo. E conseguiu-o sem qualquer remate enquadrado com a baliza.  Não é fácil.

Como em qualquer ilusão acontecida no Estádio de Alvalade em provas europeias, esta foi sancionada por dois acontecimentos laterais (nada surpreendentes, mas com consequências): um penalti não assinalado e um vermelho a um jogador do Arsenal que por momentos perdeu o norte preocupando-se em travar o Montero que certamente não iria marcar golo, mas ficando o Arsenal a jogar com dez. Uma prova da grande ilusão? Um sms que recebi ao intervalo de um leão dos sete costados. Dizia assim: ganda jogo. É preciso traduzir o ganda?

Engendrada a ilusão, ficaram criadas todas as condições para a… desilusão. E isso aconteceu na segunda parte. Peseiro, no seu íntimo, sabia-o, embora a ilusão criada tivesse enganado até o próprio (como se viu no final do jogo nos seus comentários) criador. Ora, o treinador espanhol dos ingleses lembrou-se dos programas que via quando era pequenino sobre ilusionismo, foi ao google e leu a definição: ilusionismo é a arte perfomativa que tem como objectivo entreter o público dando a ilusão de que algo impossível (ou sobrenatural) ocorreu. Unai Emery sorriu e disse para os seus botões: aquilo não é bem uma táctica, antes uma estratégia, uma cortina de fumo para esconder a existência de balizas. Da conversa que teve com os seus jogadores reza a história da segunda parte. Uma desilusão dizem alguns. Uma injustiça dizem outros. O ilusionista acha que vamos no bom caminho.  

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Passar o Cabo Bojador às arrecuas

O Caminho Marítimo para a Índia não se descobriu de uma só vez. Foi preciso passar primeiro o Cabo Bojador, depois o Cabo das Tormentas, até se chegar a Calecute. O duplo pivô era o Cabo Bojador do Peseiro. Hoje, contra o Arsenal, foi ultrapassado pelo triplo pivô: Petrovic, Gudelj e Battaglia. É uma forma de avançar às arrecuas. Permite pressionar mais à frente (digo eu) e jogar com cinco centrais em caso de necessidade. Não permite é construir pelo meio, mas essa possibilidade estava há muito jogos descartada pelo Peseiro. 

Nós estranhámos esta tática e o Arsenal (felizmente) também. A primeira parte foi o triplo pivô e os outros. O triplo pivô não se dava com os outros e os outros não se davam com o triplo pivô. Os outros foram todos, não olhando o triplo pivô às camisolas, tanto atrapalhando os do Sporting como os do Arsenal. Os do Sporting foram ganhando cantos e os do Arsenal paciência. Oportunidades de golo e remates à baliza é que não se viram. 

A segunda parte prometia. Iria o Peseiro desfazer o triplo pivô? Iria mantê-lo, substituindo o Petrovic pelo Petrovic aos setenta e tal minutos (a substituição do Ristovski, por lesão, pelo Bruno Gaspar ainda mais dever ter embrulhado em hesitações o hipotálamo do Peseiro)? Iríamos assistir à passagem do Cabo Bojador e do Cabo das Tormentas num só jogo, com a entrada do Misic e o quádruplo pivô? E o Arsenal? Continuava a ganhar paciência ou perdia-a de vez e estávamos perdidos? 

Para nosso azar, o Arsenal perdeu a paciência. O Aubameyang (este tipo muda de clube só para nos chatear!) começou por aquecer as mão ao Renan Ribeiro para lhe permitir logo a seguir uma mancha de todo o tamanho. Na pequena área, o André Pinto cortou um remate com o tornozelo que iria levar a bola para dentro da baliza. A equipa reagiu e evoluiu duas fases de uma vez só, passando do triplo pivô ao quíntuplo pivô, sem passar pelo quádruplo, com o recuo do Bruno Fernandes e do Nani, ficando cada vez mais sozinho o Montero. O Peseiro pressentiu o perigo e meteu o talismã do costume: o Jovane Cabral; mas era tarde de mais. 

Todos estávamos a ver que o Arsenal por boas ou más razões acabaria por marcar. De ressalto, com um ataque rápido ou um cruzamento, de remate de fora da área, aproveitando uma buracada da defesa ou um frango. Foi através de uma buracada do Coates, mas podia ser de outra forma qualquer. O Peseiro começou por não reagir, esperando que o talismã ainda produzisse efeito. Não produzindo e por dever de ofício, acabou por tirar o Nani e meter um rapaz que ele, o Cintra e um amigo do Cintra contrataram quando estavam a beber umas minis acompanhadas de uns pires de caracóis, mantendo o triplo pivô com o Bruno Fernandes a fazer de Gudelj. 

Não tivemos uma oportunidade de golo. Não fizemos um remate de jeito à baliza. Marcámos cantos atrás de cantos sem criar qualquer perigo. Quando o Arsenal perdeu a paciência e os seus jogadores desataram a correr e a passar a bola ao primeiro toque deixámos de ter pernas e organização para os deter e, muito menos, para os ameaçar no contra-ataque. Não foi bom. Foi mau. Só que podia ter sido péssimo e não foi. Continua “o nada está perdido” e, enquanto continuar, nada mudará até se ter perdido tudo. Quando é que nós vimos isto?

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A alucinar

Passei o fim-de-semana com uma constipação das antigas. Com a cabeça a funcionar a anti-histamínicos, decidi ver o jogo do Sporting contra o Loures. Alucinei o tempo todo sem saber se era do jogo se era do sono. Vi um aranhiço gigante com a cabeça do Castaignos e uma girafa que fazia lembrar o Petrovic. Vi um senhor forte no banco do Sporting, nervoso, a olhar para o relógio, a gesticular e a dizer qualquer coisa que ninguém prestava atenção. Parecia um outro senhor que perdeu a final Taça UEFA no Estádio de Alvalade.

domingo, 21 de outubro de 2018

Para a semana o jogo é contra o Arsenal da Devesa (equipa de São José de São Lázaro - Braga), não é?

Por manifesta ignorância e razões gastronómicas comecei a ver o jogo no telemóvel. Fiquei surpreso, não sabia que o Sporting jogava com o Borussia Dortmund. O jogo estava por isso repartido, embora com a intensidade do slow motion do meu velhinho vídeo VHS. Em câmara lenta ganhamos a possibilidade de observar em pormenor o desenho táctico, mas neste caso não se vislumbrava nenhum, o que é óptimo para ludibriar o adversário. Neste caso particular o Loures, perdão, o Borussia de Dortmund vestido de amarelo menos florescente (achei estranho publicidade ao crédito agrícola mas deixei passar), também não tinha um grande desenho táctico e assumia o fato de macaco como umas das belas-artes do futebol. Continuei a ver o jogo, agora na TV. Continuava repartido e em slow motion, o Sporting não conseguia fazer dois passes seguidos e alguns jogadores pareciam do campeonato de Portugal, e não me refiro aos que vestiam de amarelo pouco florescente. Finalmente marcamos à bomba (tinha que ser marcado por um jogador de primeira liga), com o guarda-redes do Dortmund a fazer de guarda-redes do Loures.

Ao intervalo o treinador disse aos jogadores para jogarem contra este Dortmund C como se jogassem contra o Loures em Alverca, e rapidamente estariam a distribuir autógrafos. Foi se calhar por isso que logo no reinício do jogo o Fernandes falhou um penálti de forma displicente. Finalmente dominávamos o jogo (ainda que em slow motion) e dei por mim a ver a história da Maria Leal e do seu marido esquizofrénico, e a forma como esta (supostamente) lhe limpou um milhão de euros enquanto cantava no campeonato do bardo do Obelix.

Entretanto o Nani marcou o segundo e mentalmente marquei o terceiro e o quarto. O Peseiro voltou a jogar contra o Borussia e entrou o Petrovic. Depois de devidamente reforçado o meio campo (?) poderíamos ter sofrido um ou dois golos. Mesmo não trazendo o Paco Alcacer o Dortmund tem bons jogadores na frente. Ainda sofremos um nos descontos depois de lançarmos um puto aos leões para jogar três minutos. Da próxima vez espero que na taça de Portugal não nos saia uma equipa da Bundesliga. Como disse o Peseiro, não seria hoje que iríamos jogar bem. Não explicitou quando será. Talvez para não dar nenhuma vantagem competitiva aos adversários.

Nota: a fabulosa equipa de Folha, o Portimonense, foi eliminada da taça pelo Cova da Piedade.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Os que jogam e sabem jogar e os que não sabem dar um pontapé na bola

Fui jogar à capital europeia da burocracia. Há seleções nacionais, há jogadores, há dinheiro, muito dinheiro que faz de bola ao mesmo tempo, há regras mas não há árbitro. Também se passa uma época toda a preparar esta final, que não é bem uma final, porque a esta se sucede sempre outra e mais outra. Há táticas, há técnica, há modelo de jogo, há quem comente sem nunca ter dado um pontapé na bola mesmo quando ela lhe é passada. No fim, também se ganha ou perde, mas o resultado ideal é o empate para que todos possam reclamar pelo menos uma parte da vitória. Assim, estive com o equipamento da seleção nacional vestido, mas sem direito a festejar golos e a correr para o público a beijar a camisola. Uma maçada, portanto. 

Neste jogo, aplica-se o princípio de que é sempre preferível um acordo a uma boa demanda. A razão só interessa na exata medida que nos permite chegar a um empate ou à vitória que queríamos deixando para os outros a vitória que desejavam também. Tudo isto serve para falar do possível acordo entre Sporting e o Wolverhampton para a transferência do Rui Patrício. 

O Wolverhampton dispõe do Rui Patrício, um dos melhores guarda-redes do Mundo, e parte à frente: ainda sem o jogo se ter iniciado, tinha a parte da vitória que desejava. Estando o Rui Patrício do lado de lá, o Sporting entra a perder, a não ser que não queira chegar a acordo para vir com umas bravatas, na perspetiva conhecida do “com papas e bolos se enganam os tolos”. Se o Sporting aceitar um acordo envolvendo um montante de transferência inferior ao que lhe foi proposto no passado perde. Aceitando um acordo por mais dinheiro, ganha sempre. Pelo caminho, liquida contas com o Rui Patrício, que nestas coisas há sempre uns rabos-de-palha que encravam os acordos. O Jorge Mendes não é para aqui chamado. O que se lhe deve, se é que se lhe deve, diz respeito a outro negócio e não a este. As dívidas pagam-se ou também se chega a acordo para se pagar na parte ou no todo, mas esse é outro jogo. 

O Sporting está em condições para chegar a um bom acordo. Melhor estaria se o Rui Patrício não estivesse a jogar no Wolverhampton e se não se acentuassem as suspeitas de envolvimento da direção do Sporting na invasão de Alcochete. Quem negoceia não determina estas circunstâncias. Mesmo assim, estou convencido que vai chegar a um bom acordo, isto é, um bom acordo para as três partes: Rui Patrício, Wolverhampton e Sporting. Haverá sempre os que vão achar que é uma capitulação, mas esses são os que comentam o jogo sem nunca terem dado um pontapé numa bola, bastando vê-los quando se metem nestas andanças e se lhes passa a bola.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Déjà vu?

Factos:
À sétima jornada estamos no 5º lugar com treze pontos. Temos o 7º melhor ataque e a oitava (por extenso tem outra pinta) melhor defesa.  Sussurram-me que não sofríamos quatro golos para a liga há cerca de dez anos e picos. Estamos tristes, diz ele. É um passo atrás, mas nada nos pode perturbar, diz ele. Ele… é o treinador. Se calhar o problema é ninguém o perturbar. A ele e aos jogadores. Deixem os bocejos para nós, tristes adeptos.

Suposições:
Estes tipos não treinam, ou se treinam tentam disfarçar ao máximo para confundir os adversários. Bom, às vezes lá treinam, mas fora do país. Como na passada semana, na Ucrânia. Aliás, no final desse treino disputado ao ritmo de uma marcha fúnebre, uma verdadeira conspiração cósmica intercedeu, colocando uma mão por debaixo do treinador. Sucede o mesmo com o menino e o borracho. Até quando?

Questões (zangadas):
Se estes tipos não treinam, o que fazem durante aquele tempo todo em que estão na academia? Se o treinador é um especialista em futebol, porque será que nós não temos inveja disso? Se os jogadores bocejam antes de um jogo, isso será ausência de noites bem dormidas? A falta de intensidade demonstrada é um resquício (ainda) de traumas psicológicos? Mesmo daqueles que não estavam na Academia no dia X? A falta de jeito (súbita em alguns casos) de alguns jogadores é para acompanhar a qualidade do treinador? A nossa paciência será um poço sem fundo? Entre outras…

Nota:
Já agora, como se sentiu o presidente sentado no camarote do estádio do Portimonense? O mesmo clube em que o presidente da SAD recentemente agrediu à cabeçada Rafael Barbosa, jogador emprestado pelo Sporting, entretanto recambiado (para os nossos sub 23).


(originalmente publicado aqui)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Entregar a equipa a quem sabe

Tive que trabalhar no fim-de-semana. Acabei o que tinha de fazer exatamente no momento em que se iniciava o jogo. O estado espírito não podia ser melhor: a consciência do dever cumprido e a perspetiva de ultrapassarmos o Porto e nos aproximarmos do Braga. 

Entrámos como de costume, em modo assim-assim. O facto de estarmos a jogar contra o último não comoveu o Peseiro e mantivemos o duplo pivô porque é sempre preciso cautelas e caldos de galinha. Quando recuperamos a bola, o Gudelj fica mais atrás par sair com ela, optando invariavelmente por a passar para o lado ou para trás não arriscando a avançar com ela ou a fazer um passe que não seja óbvio (meu rico William Carvalho “que te partiste tão cedo desta vida descontente”). O Battaglia avança mais um pouco para atrapalhar a equipa quando perder a bola ou, apertado, não conseguir fazer o passe em condições. Quando perdemos a bola, ficam os dois a olhar um para o outro no meio, deixando os laterais entregues à sua sorte ou à boa vontade dos centrais para ajudarem a fechar do lado de fora. Aquilo que o Battaglia fazia sozinho não o conseguem fazer o Battaglia e o Gudelj juntos. O duplo pivô do Peseiro não é uma tática, é uma superstição! 

Com este meio-campo feito de papel (não me lembro de um corte ou sequer de uma falta do Battaglia e o Gudelj), os dos Portimonense sentiram-se à vontade para trocar a bola sem correrem riscos de maior. Pouco a pouco, foram ganhando gosto e começaram a criar lances de perigo nas alas, dado que, sozinhos contra o mundo, nem o Ristovski nem o Acuna tinham unhas para aquela guitarra. O único que conseguia jogar contra mundo era o Coates. Invariavelmente, ou o lance acabava nele ou acabava em golo, como se viu. No primeiro, o Jovane Cabral perdeu a bola à entrada da área adversário e, como o Ristovski tinha avançado, de repente abriu-se uma ciclovia de trinta metros para um ciclista do Portimonense correr sem qualquer adversário por perto. O Coates, quem mais, ainda o tentou puxar para a linha de fundo e obrigar a parar, mas o dito ciclista depois de parar puxou a bola para dentro e rematou à vontade com o Gudelj não só a não fechar como a aparecer tarde e a más horas e a virar a cara à bola. Os do Portimonense perceberam que se a coisa tinha corrido tão bem não havia razões para não repetirem. Numa outra jogada, ganharam vantagem do lado esquerdo do ataque outra vez, o Ristovski ficou como o tolo no meio da ponte, o Coates teve de vir à dobra, a bola passou na mesma e o mesmo ciclista foi à linha, parou, rodou e, com todo o tempo do mundo, atrasou para o remate do terrível Nakajima, aparecendo novamente a passo de tartaruga o Gudelj tarde e a más horas e a virar a cara novamente no momento do remate. 

Um azar nunca vem só. Levámos o golo e o Salin rachou a cabeça e teve de ser substituído. Como o Raphinha estava lesionado, no início da segunda parte teve de se queimar a segunda substituição. Quando os jogadores estão com a cabeça partida ou com o esternocleidomastóideo ou outro músculo qualquer a abanar, é necessário substituí-los. Mas substituí-los não é bem tirar uns e meter outros como se a simples reposição da quantidade fosse a única obrigação do treinador. Para espanto, o Peseiro pôs o Bruno Fernandes do lado esquerdo com a única obrigação de enfiar umas biqueiradas para dentro da área, ficando o Nani mais solto a jogar no meio. Se as coisas estavam mal pior ficaram. Escondeu-se o único jogador que sabe construir no meio e gerar desequilíbrios e o buraco no meio passou a atingir a dimensão de uma cratera quando se perdia a bola. 

Mesmo escondido, o Bruno Fernandes fez das suas, primeiro ia marcando um golo de bandeira, depois assistiu para o Jovane Cabral de baliza aberta até que, por fim, centrou para um corte defeituoso de um defesa, acabando a bola no Nani que a passou para o Montero a empurrar para a baliza. Os dos Portimonense tremeram e o Gudelj esteve perto de empatar o jogo. Quando se esperava que o Peseiro tirasse o Gudelj para meter um avançado, deixando o meio campo todo entregue ao Battaglia como ele gosta e encostando os adversários às cordas, assistimos ao filme habitual, desta vez protagonizado pelo Folha (sim, pelo Folha!). O treinador adversário procurou reagir à situação e mexeu na equipa. O Peseiro, mais uma vez, ficou na expetativa, deixando a iniciativa ao treinador adversário. 

Mesmo com o Jackson Martínez à beira de um ataque cardíaco, o Portimonense reorganizou-se e, na sequência de um canto (que resultou de uma perda de bola do Nani à entrada da área adversária e de uma correria dos adversários pelo nosso meio-campo sem ninguém lhes sair ao caminho), a bola sobrou para a entrada da área onde apareceu o terrível Nakajima a rematar para o terceiro (ninguém, ninguém estava à entrada da área para a proteção). Só depois de estar tudo perdido é que o Peseiro se lembrou de fazer alguma coisa e alguma coisa foi tirar o Jovane Cabral e meter o Diaby, adiantar o Coates e passar ao chuveirinho. O Coates ainda reduziu, mas o ridículo ainda tinha mais ridículo para dar. Num chuveirinho que o Coates não ganhou, o terrível Nakajima recuperou a bola e lançou um colega que correu todo o meio-campo isolado até marcar o quarto golo, quando estavam três defesas do Sporting completamente desconcentrados e sem nenhum se lembrar de marcar o único jogador do Portimonense que por ali andava. 

Podia recordar o passado e concluir com o “é preciso dar tempo ao tempo”. Podia até concluir que não perdermos pontos para o Porto e só perdemos um ponto para o Braga e nada está perdido. Mas nós sabemos o que sabemos e não vale a pena ignorá-lo: o Peseiro é o Peseiro e será sempre o Peseiro. A continuar assim, na melhor das hipóteses, vamos disputar o quarto, quinto  e sexto lugares com o Rio Ave e o Guimarães. Se precisamos de, desde já, preparar a próxima época, é melhor entregar a equipa a quem sabe e quem sabe não é seguramente o Peseiro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Peseiro sem pé-frio: uma teoria

O dia correu-me mal. Dormi pouco e mal. Acordei cansado. Fui cansado para o trabalho e com enorme dor de cabeça. Precisava de concluir um relatório importante que tinha de enviar até ao final desta semana, sem ninguém se ter lembrado que sexta-feira era feriado quando estabeleceu o prazo. A manhã correu depressa sem ter feito o que pensava. A tarde correu melhor, mas sem conseguir concluir o relatório. Às seis e cinco da tarde, veio-me à cabeça o jogo do Sporting contra o Vorskla Poltava e apeteceu-me definitivamente procrastinar. 

A balda tem regras. Se se disse que enviava o relatório era necessário convencer o destinatário que efetivamente não precisava dele. Telefona-se-lhe e levanta-se uma série de questões que para ficar em palpos de aranha. Estava pouco inspirado e o destinatário deu mais luta do que pensava. Só cedeu ao fim de cinquenta minutos com uma rajada de argumentos imbatível que o impediam de sair para o fim-de-semana antes da meia-noite, acabando por desistir. Ficou tudo adiado para a segunda-feira de manhã mas a primeira parte tinha ido à vida, embora ainda houvesse a segunda. Desci as escadas para comunicar ao chefe o combinado e descansá-lo. Estava à secretária a olhar para um berbicacho que tinha para (não) resolver. Como sou um género de diretor clínico de uma unidade de cuidados intensivos, os berbicachos são minha especialidade e, assim, uma conversa de dois minutos acabou por durar mais de meia hora. 

Subi as escadas enquanto consultava o “smartphone”. Estávamos a perder por um a zero. Quase desanimei. Sentei-me ao computador e procurei aceder à SIC. Levei com dois anúncios seguidos antes de conseguir vislumbrar a cor da relva. Ainda nem tinha percebido muito bem como é que associava os equipamentos às equipas quando o Jéfferson enfiou uma bica na bola para dentro da área que o Montero matou no peito, simulou o remate com o pé direito, tirou um adversário da frente e rematou-a com o pé esquerdo ao canto inferior da baliza, fazendo o golo do empate os noventa minutos. Os jogadores do Vorskla Poltava não se quiseram dar por satisfeitos e, na sequência de um livre, meteram-se todos dentro ou nas imediações da área do Sporting. A bica foi para o barulho, cabeçada para um lado, cabeçada para o outro, pontapé para o ar de um lado, pontapé para o ar do outro, sem ninguém se decidir quem levava o bacalhau. No meio daquela caos, a bola, farta deste tratos de polé, dirigiu-se por sua iniciativa a um jogador do Sporting, que a encaminhou com precisão para a corrida do Raphinha, que fintou para dentro um adversário e de imediato a meteu no Bruno Fernandes que, isolado, se atrapalhou com o guarda-redes, permitindo, no ressalto, o remate do Jovane Cabral para o dois a um. 

O jogo acabou. Invadiu-me uma sensação estranha e não era a de aleegria. Especialmente nas competições europeias, vi por várias vezes o Sporting deixar-se empatar ou perder nos últimos minutos. Não me lembrava de uma coisa daquelas. O meu amigo Júlio Pereira ligou e ouvi do outro lado o habitual “Então?!” depois dos jogos do Sporting. Respondi-lhe que só tinha tido tempo para ver os últimos cinco minutos e os dois golos e que não tinha percebido nada do que se tinha passado. Disse-me que com ele tinha acontecido o contrário: deixou de ver o jogo quando estava prestes a acabar e nos encontrávamos a perder e ao entrar no carro, para ir buscar o filho, estávamos a ganhar por dois a um. Percebemos de imediato o que se tinha passado. Aquela vitória não resultava de qualquer súbito aquecimento do pé do Peseiro. A coincidência de ter começado a ver o jogo exatamente quando ele deixou de o ver (a ordem é arbitrária) tem a mesma probabilidade de ocorrência de um encontro à noite com o Bosão de Higgs a passear o cão pela trela. Acabámos a conversa mais descansados: não havia razões para a normalidade sportinguista não seguir a sua vida.  

Estava explicado o resultado. Tudo se deveu ou ao paranormal ou a uma combinação có(s)mica idêntica à que originou o “Big Bang”. Não se iludam: até ver, o pé do Peseiro continua frio. Não se iludam com a coreografia que ensaiou ao deixar os melhores no banco para os meter depois, parecendo que sabe mexer no jogo e fazer substituições. A vitória deve-se a mim e ao meu amigo Júlio Pereira. Deve-se a nós por puro e simples acaso, mas que se deve, deve.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

É para verem o que custa a vida!...

Na jornada anterior, contra o Chaves, um defesa do Benfica foi expulso a poucos minutos da conclusão do jogo. Apesar do jogo estar praticamente concluído, o Chaves ainda conseguiu empatar e foi um “ai Jesus” de críticas ao árbitro. O Rui Vitória até falou de respeito pelas famílias dos jogadores e da dele próprio. O Luís Filipe Vieira veio afirmar também que o Benfica tem de jogar melhor que os seus adversários para os vencer, o que se trata de uma completa novidade e sinal dos tempos (esperemos). 

Ontem, o Rúben Dias fez na Liga dos Campeões o que costuma fazer sempre e foi expulso, contrariamente ao que acontece no campeonato nacional. A jogar contra dez, os pernetas dos gregos recuperaram da desvantagem de dois golos, chegando ao empate, sendo necessário um golo do Alfa Semedo para o Benfica ganhar o jogo. Ontem e hoje não se pára de falar de vitória épica como se estivéssemos a falar da Batalha de Aljubarrota. 

Os jogadores, a equipa técnica, os dirigentes e os sócios e adeptos do Benfica têm hoje uma melhor noção do que sentem os outros quando lhes acontece o que foi analisado aqui. É para verem o que custa a vida (a dos outros, pelo menos)!...

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Amuo com amuo se paga

Nani, o capitão de equipa, saiu amuado do jogo contra o Braga por ter sido substituído pelo Jovane Cabral, tendo vociferado uns tantos impropérios (que se imaginam dirigidos ao treinador). O Peseiro ficou amuado também com esta situação e não o convocou para este jogo contra o Marítimo. Até aqui, tudo bem: amuo com amuo se paga. Na prática, a teoria é outra ou, na teoria, a prática é outra (nem eu percebo exatamente o que estou a dizer). Se não tivéssemos ganhado, o amuo do Peseiro seria pior do que o amuo do Nani. Assim, como ganhámos, o amuo do Peseiro foi melhor do que o amuo do Nani. 

Depois da derrota em Braga só a vitória contra o Marítimo se admitia. Se não ganhássemos, não havia amuos que nos valessem. Não tenho dúvidas sobre o discurso do Peseiro no balneário: “Este jogo é para ganhar. Para isso reservei-vos uma agradável surpresa, vai jogar o Petrovic!”. Os gritos de contentamento devem ter sido mais do que muitos. Terão sido de tal forma que o Peseiro pediu calma para anunciar mais outra novidade. “Não me fico por aqui. É para ganhar e para ganhar é preciso não empatar ou, pior ainda, perder. Quando nos virmos a ganhar, entra o Misic!”. Deve ter sido o júbilo, os jogadores terão ficado ao rubro. 

Nos primeiros trinta minutos, a equipa demonstrou que tinha interiorizado esta convicção e com sentido de urgência (admito que estavam desejosos de ver jogar o Misic tanto como nós). A equipa estava empolgada e mais empolgada ficou quando o Petrovic fez uma roleta, passando entre vários adversários até encontrar uma brecha para atrasar a bola. Ficaram empolgados os colegas de equipa e mais ficaram os espectadores que desataram a aplaudir este Zidane dos Balcãs, para seu próprio espanto (digo eu). 

O empolgamento resultante desta jogada teve efeitos retroativos e deu origem a um golo logo aos dez minutos. O Jovane Cabral ganhou uma bola a meio do meio-campo e fez um passe em profundidade entre o central e o defesa do lado esquerdo para a desmarcação do Raphinha que, isolado, fintou o guarda-redes e foi derrubado por ele. Um senhor de bigode que estava há minha frente no café gritou logo: “Nem lhe tocou!”. O árbitro não ouviu o senhor de bigode e marcou o correspondente “penalty”. O Bruno Fernandes repetiu a paradinha do costume e deixou como de costume também o guarda-redes de cócoras inclinado para um lado e a ver a bola entrar pelo outro. O Bruno Fernandes está a fazer uma época abaixo de miserável e por isso ainda não conseguiu mais do que a bagatela de quatro golos marcados em seis jogos. 

O Marítimo não acusou o golpe e continuou como se nada fosse. Nós também não ou também assim-assim e, em particular, o Jovane Cabral continuou a jogar sozinho contra o resto do mundo. Numa dessas jogadas, fintou todos os adversários que lhe apareceram pela frente procurando ganhar ângulo para o remate. Não conseguiu encontrar a melhor situação para esse remate e foi andando até se encontrar perdido junto à linha lateral do lado direito e sem saber bem o que fazer à bola. Um jogador do Marítimo fez o favor de o abalroar. Na marcação do livre, o Raphinha meteu a bola tensa na área que, depois de uma carambola nuns tantos jogadores do Marítimo, acabou na bota direita do Montero e, a seguir, dentro da baliza. O senhor de bigode voltou a gritar: “Foi mão do Coates!”. Um outro senhor de bigode, que estava ao seu lado, procurou explicar-lhe que os jogadores equipados de vermelho eram os do Marítimo, demonstrando uma tese que que tenho vindo a aprofundar há tempos: a existência de qualquer excrescência capilar situada sobre o lábio superior não perturba por si só a visão a não ser que se trate de um adepto do Benfica. 

Sofrido o segundo golo, os jogadores do Marítimo procuraram sacudir a modorra que se tinha apoderado do hipotálamo e das pernas. Avançaram mais, trocaram mais a bola no nosso meio-campo e chegaram mesmo a criar uma oportunidade de golo, que não foi concretizada porque o Acuna resolveu armar-se em desmancha-prazeres. Na segunda parte, estranhamente, dedicaram-se a fazer jogo passivo sem que o árbitros nada assinalasse. Os jogadores do Sporting recuaram até próximo da sua área e foi um fartar de passes para o lado, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, umas vezes mais para a frente, outras mais para trás, sem nenhuma intenção de rematar à baliza do Salin. Quando um jogador do Marítimo franziu o sobrolho, ameaçando quebrar o armistício negociado ao intervalo, o Peseiro não esperou nem mais um segundo e substituiu o Jovane Cabral pelo Misic, cumprindo o prometido. 

Com a entrada do Misic, nenhum jogador do Marítimo se atreveu mais a franzir o sobrolho, tendo continuado o jogo passivo até ao fim (o árbitro foi misericordioso com quem estava a ver o jogo e só deu dois minutos de descontos). Os espectadores é que não estavam para aquilo e desataram a assobiar. Com o Jorge Jesus, baldávamo-nos durante uma hora e procurávamos ganhar na última meia hora de jogo com o Coates no ataque. Com o Peseiro, procuramos ganhar na primeira meia hora, baldando-nos na restante hora de jogo. Conclui-se, assim, que os adeptos do Sporting não se importam de chegar atrasados aos jogos, mas não estão dispostos a sair mais cedo. Compreendo-os muito bem. Sem querer parecer sexista, quando chego a casa mais cedo do que o previsto, também acabo pelo menos por ter de ir despejar o lixo e meter a louça na máquina de lavar.

domingo, 30 de setembro de 2018

Teorias

Ao contrário de Jorge Jesus, tenho várias ideias, outras tantas teorias e, por vezes, até alguns pensamentos que redundam em nadas. Um desses pensamentos que se desdobram em teorias é sobre o Nani. Bom, o Nani é como os eucaliptos (vamos exagerar): seca tudo à sua volta (ou quase). Ele não faz por mal, é um grande jogador, símbolo do nosso clube, importante na conjuntura actual (que não é fácil), mas não é um líder. Isso percebemos com a naturalidade da nossa insignificância. Nem sequer me refiro à sua saída, em braços imaginários, em Braga. O homem não gostou (lembram-se de Rochemback?) e o Peseiro lá teve que fazer aquilo que era o bom senso em termos de balneário: não o convocar para o jogo com o Marítimo. Com esforço, imaginamos.

Parte disto (lá estão as minhas teorias) explica a primeira parte de ontem com o Marítimo. O Fernandes soltou-se, deixou de pensar na vida, de ter um símbolo ali por perto, e começou a pautar o jogo nem que seja pela sua presença. O Peseiro é que tem que ver isso (eles podem jogar os dois, claramente), descobrindo a complementaridade entre ambos que beneficie a equipa, mas de forma a que coisa carbure. O Nani chama a si todas (ou quase) atenções; parte significativa das bolas, e até alguns adversários para receberem um autografo ou lhe darem uma pranchada. Temos que utilizar isso para a equipa, deixando o Fernandes na sua rotação assassina (desculpem, são influências da TV). O Marítimo tem bons jogadores mas só nos vai ganhar se um for jogo muito importante para nós e, sobretudo, para o Benfica. De resto, deixam jogar.

Foi o que se viu, uma primeira parte santa, podíamos ter marcado mais. Até o Montero fez o gosto ao pé de nós todos. Na segunda entramos em modo farsolas: quinze minutos e nada mais. O Marítimo à socapa contactou o nosso rival. Eles estavam chateados, nada de mais, a procissão ainda vai no adro. O resto foi peanuts, como diria JJ. Deu para o Peseiro inventar o Misic (ah, e ainda lá andava o Petrovic- que grande vitória a nossa), e fazer uma substituição aos noventa e três: entrou o Mané para os pôr em sentido. Todos nós ficamos. Claro.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Entreacto


Jorge Jesus, em mais uma conferência de imprensa imperdível, afirmou, agastado com o (suposto) anti-jogo adversário, que na Europa em noventa minutos, jogam-se cinquenta, mas que na Árábia Saudida se jogam apenas trinta minutos de tempo jogado, como se cinquenta fosse muito. Não é nada que não soubéssemos já. Mas temos que reflectir acerca da generalização europeia. Serão cinquenta minutos uma média europeia? Pois se assim for, não poderemos comparar Portugal a Inglaterra, e estaremos mais próximos (esperemos que apenas nisso, tendo em conta a sociedade progressista saudita) da Arábia saudita. Proponho deste já, apenas para dar o mote, a descida dos bilhetes para metade, toda a gente sabe que os clubes não vivem da bilhética (os estádios vazios são disso prova), matando-se assim vários coelhos com uma cajadada: o nosso tédio, mais gente nos estádios e menos gastos na carteira do entediado. Os trinta euros para os adeptos sportinguistas no jogo com o Braga são bem demonstrativos do que é realmente o anti-jogo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Se há bons e maus, nós somos dos bons

Há dias ouvi o Pedro Adão e Silva a falar sobre o Benfica e os diferentes processos em investigação pelo Ministério Público e, em particular, sobre aqueles em que existem arguidos constituídos e a acusação deduzida. Para ele, existem dois Benficas, à semelhança do BES. Há um Benfica moderno com uma estratégia desportiva e empresarial de sucesso. Esse Benfica vive paredes-meias com outro que vem do Norte, esse local geográfico de onde vêm todos os males que periodicamente assolam Lisboa, e dos tempos do Calor da Noite e do Canal Caveira. 

Para ele, as vitórias devem-se ao Benfica moderno (e lisboeta, digo eu), constituindo o outro Benfica (o do Norte, digo eu) um anacronismo porque os tempos também são outros. Concluiu que se enganam os benfiquistas que acreditam que a aposta nesse passado longínquo, em tempo e espaço, os levou ou os pode levar a qualquer lado. 

Compreende-se o argumento. Durante o Estado Novo, esse argumento era muito comum nas conversas em voz baixa nalguns locais: o regime não era intrinsecamente mau, o Presidente do Conselho era de uma probidade a toda a prova, o problema residia numas certas pessoas que gravitavam à sua volta e abusavam da confiança. É o “não há rapazes maus” do Padre Américo, podem é andar mal acompanhados (digo eu que não tenho certeza se o Padre Américo o disse mas que o pensou, pensou). 

Não tenho elementos para desmentir esta visão dual do Benfica do Pedro Adão e Silva e da supremacia do lado moderno na produção de resultados. O que conheço e procurei demonstrar estatisticamente aqui há alguns anos é a implausibilidade dos resultados se se procurar explicá-los pelo lado moderno. É mais fácil explicá-los pelo lado anacrónico, mas não tenho a pretensão de dispor da sabedoria do Pedro Adão e Silva em todos os domínios da vida pública.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

O “quatro em linha” de Peseiro

Este jogo era um teste importante para o Sporting de Peseiro. Não tenho dúvidas que seria assim que o Freitas Lobo iniciaria este texto se estivesse no meu lugar. Continuando assim a pensar pela cabeça dele, depois de um ror de vitórias e de um empate na Luz, deixámos de ser o patinho feito e passaram a levar-nos a sério. Um bom resultado seria um indicador importante sobre a necessária resiliência da equipa para se assumir como candidata ao título ou se, na melhor das hipóteses, não lhe restaria outra alternativa que não fosse a de se assumir como “outsider”. A partir do resultado, a cabeça dele produziria um emaranhado de congeminações técnico-táticas-psicológicas-anímicas que levaria a uma conclusão lapidar: se sim, sim, se não, não, mas talvez, talvez. Infelizmente não sou o Freitas Lobo e tenho de trabalhar a fazer qualquer coisa que se veja sem poder viver do bitaite. 

Sendo ele um especialista e eu um amador, volto à sua apreciação. Acho que ele também diria que as equipas se encaixaram taticamente. Cada uma das equipas condicionou a saída da bola da outra, passando-se a jogar à biqueirada para a frente. O jogo transformou-se num “solteiros contra casados”, ganhando um bacalhau (do miúdo, naturalmente) e um garrafão de vinho tinto (morangueiro, evidentemente) quem chutasse com mais força. Podia não ter sido assim, mas para que assim fosse, o Artur Soares Dias anulou-nos uma jogada de ataque prometedora, como agora se diz, por fora-de-jogo inexistente. Sem o VAR, as regras são para beneficiar o ataque. Com o VAR, ainda mais, devendo-se deixar decorrer a jogada até ao fim para se averiguar se houve ou não qualquer infração. As regras nunca se nos aplicam, é um azar que temos a juntar a tantos outros como o de termos o Peseiro a treinador. Voltando ao mesmo, o jogo teve momentos que nos fez lembrar algumas das partidas mais memoráveis de Vidal Pinheiro e do Salgueiros. 

Na segunda parte, o Sporting pareceu apostado no contragolpe. A tática é baseada no conhecido “deixa-os poisar” misturado com o não menos conhecido “apanhá-los com as calças na mão”. A ideia (de jogo, como diz o Jorge Jesus) não parecia má. Quando um jogo está para o chocho, é provável que ganhe quem tem jogadores mais virtuosos no ataque e nós tínhamos os três mosqueteiros e o D'Artagnan: Raphinha, Montero, Bruno Fernandes e Nani (a ordem é arbitrária). A tática esteve para dar resultado, mas o Bruno Fernandes rematou ao lado. Quando, por azar, essa tática não resulta acaba por perder quem tem o pé mais frio e nisso, com o Peseiro, somos imbatíveis.

O Braga andava num afã tonto a fingir que atacava quando ganhámos a bola e procurámos partir em desfilada para o contra-ataque. A bola chega ao Montero que procura fazer não sei o quê e acaba por a passar atrasada para a corrida do Ristovski – primeiro azar do Peseiro. O Braga recupera a bola e uma mosca morta que por ali andava (nas palavras sábias do Freitas Lobo, o homem andava por ali devido a um pensamento tático revolucionário do Abel) avança para a área pelo lado esquerdo do ataque. Hesita tanto e demora tanto, mas tanto, que permite ao Montero recuperar e fechar o lado de dentro, ficando o Coates com a cobertura do lado de fora, o que em condições normais permitiria matar o lance de ataque. A mosca morta conseguiu centrar sem saber bem como e a bola passou por debaixo do pé do Coates – segundo azar do Peseiro. Um avançado do Braga antecipa-se à defesa e remata meio enrolado para a baliza, só que estava um outro jogador do Braga a fazer de homem-estátua à frente do Salin, impedindo-o de ver a bola e de a defender – terceiro azar do Peseiro. Para cúmulo, o Ristovski tinha recuperado a sua posição defensiva, colocando em jogo, desta forma, o homem-estátua – quarto azar do Peseiro. O golo resultou assim de um “quatro em linha” do Peseiro. 

Depois, bem, depois o Peseiro fez o que pôde. Tirou o Nani e meteu o Jovane Cabral, ficando com dois extremos rápidos e com dezenas de metros de “sprint” nas pernas. Tirou o Montero e meteu o Castaignos como avançado mais fixo para o assalto final. Quem não tem cão, caça como um gato; o que não caça é com uma torre eólica “offshore” holandesa. Recomenda-se que para a próxima se meta um central e se adiante o Coates. Ainda demorou uma dezena de minutos para se decidir a partir o jogo, tirando o Gudelj e metendo o Diaby.

A equipa tentou e ia conseguindo. O Raphinha junto à meia-lua rematou a rasar o poste. Um pouco mais tarde, na sequência de um canto e de uma troca de bola com o Bruno Fernandes, enfiou um tiro que parecia ir direitinho ao ângulo mas ou porque a bola tocou ao de leve num jogador do Braga ou porque ganhou vida própria saiu milimetricamente ao lado. O Jovane Cabral ganhou uma bola a dois jogadores do Braga e foi desembestado para a área passando à vez por cada um dos três mecos que lhe apareceram pela frente até rematar mas sem conseguir desviar a bola suficientemente do guarda-redes que fez uma boa defesa. Ganhámos a primeira bola nuns tantos chuveirinhos mas não foi ter com nenhum dos nossos jogadores permitindo os alívios do Braga. 

Perdemos. Se fosse o Freitas Lobo, estaria a fazer prognósticos no fim do jogo, incensando o engenho tático do Abel e sublinhando a rematada estupidez do Peseiro. Mas ninguém me tira da cabeça que o resultado se explica pela biqueira da bota do Bruno Fernandes e pelo “quatro em linha” do Peseiro. Se fosse com outro clube, havia todas as razões para desanimar. Tratando-se do Sporting, não. Há sempre um exemplo que compara pior num passado mais ou menos recente. Quando fazemos mal, encontramos sempre outra situação que ainda fizemos pior. No ano passado, com o rei da tática, perdemos também e jogámos muito pior. Nessa altura, ficámos a oito pontos do primeiro e agora ficámos a três. É mau? É. Podia ser pior? Podia. A situação pode melhorar? Pode. O que fazer, então? Comprar uma pata de coelho ao Peseiro e pedir à SportTv para nos livrar do Freitas Lobo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O infinito infinitamente e mais além

Como sempre digo nestas alturas, as competições europeias e, especialmente, a Liga Europa não interessam nem ao Menino Jesus (sempre tive dúvidas sobre a graça desta alegoria e, com o despedimento do Jorge Jesus, ainda tenho mais dúvidas agora por nem sequer se compreender muito bem). Jogámos contra o Qarabag. Nunca tinha ouvido falar desta equipa. O nome é tão estranho que nem sequer consegui arranjar forma de meter um género de acento circunflexo às avessas por cima do guê. Visto de Portugal, imaginei que fosse de um país algures entre a Galáxia de Andrômeda e o infinito. Uma pesquisa no Google permitiu-me saber que se trata de um clube do Azerbaijão. O nome começou a não me parecer estranho até que percebi que, embora jogando em Baku, o clube se situa no enclave de Nagorno-Karabakh que vem sendo disputado pelo Azerbaijão e a Arménia. Também fiquei saber que, para a UEFA, pertence à Europa e não à Ásia. O Festival da Eurovisão e as competições europeias têm vindo a baralhar a geografia toda. 

Mas o futebol não se rege por latitudes e longitudes, como diria o Conde de Abranhos. O Qarabag não é clube de futebol qualquer. Na época anterior, disputou a fase de grupos de Liga dos Campeões. Integrando um grupo de tubarões europeus (Roma, Chelsea e Atlético de Madrid), fez dois pontos. Tendo como referência a participação na Liga dos Campões, verifica-se que somos melhor equipa em 250%. O desnível em relação ao Porto é maior: +400%. Quanto ao Benfica, a relação inverte-se e inverte-se de tal forma que chega ao infinito (diferença (%)=[(2-0)/0]x100). É uma equipa pior do que nossa, muito pior ainda do que a do Porto, mas infinitamente melhor do que a do Benfica (sem toupeiras e sem o Renato Sanches, diga-se em abono do Benfica). Se todos os cuidados são poucos contra o Benfica, ainda mais deviam ser contra o Qarabag. 

O Peseiro fez estas e outras contas e analisou o papel do Azerbaijão e, em particular, do Qarabag na geoestratégia mundial e foi consequente: retirou o Jéfferson da equipa e colocou no seu lugar o Acuna; medida que se veio a revelar adequada como se verá mais para a frente. O treinador do Qarabag não lhe ficou atrás e engendrou uma tática de autocarro que não deixava um metro quadrado de terreno livre nem no meio campo, nem, muito menos, na grande área. A defender, com uma linha defensiva de cinco jogadores, bem sincronizados nas subidas e descidas no terreno, muito junta à linha do meio campo, não deixava espaço para os jogadores do Sporting respirarem quanto mais para correrem. Quando porventura se pedia a bica para dentro da área, para se jogar em profundidade como agora se diz, preferimos a desmarcações do Montero para trás e para os lados em apoio aos médios, melhorando a nossa posse de bola e a forma como se torna mais fluída a sua circulação, mas esquecendo-nos de meter em sua substituição alguém na área adversária. 

Assim, na primeira parte, criámos um único lance de perigo depois de uma finta do lado esquerdo absolutamente estonteante do Mathieu (ainda hoje o defesa deve estar a procurar saber exatamente o que lhe aconteceu) e culminada com uma finalização de calcanhar do Montero. Noutras circunstâncias teríamos gritado: “Olé!”; e o Montero sairia em ombros com, pelos menos, uma orelha e um rabo. As circunstâncias não eram as mais adequadas e os jogadores saíram cabisbaixos para o intervalo com um empate. 

Não chegámos a perceber se se corria o risco da segunda parte reproduzir a primeira. Às páginas tantas, o Mathieu ganha a bola na defesa, sai com ela controlada, mete-a na frente no Bruno Fernandes (e não para o lado, como mandava o Jorge Jesus) que a recebe e se vira para a frente de forma ao segundo toque a colocar no Nani que a recebe também para a frente e ao segundo toque faz um passe (se fosse o Gelson Martins acabava tudo numa correria e num centro para a molhada) para o segundo poste onde apareceu o Raphinha a empurrar para o primeiro golo. Com seis toques apenas se percorreu uma distância de mais de sessenta metros, passando a bola por quatro jogadores e acabando dentro da baliza. É nestas alturas que nos lembramos do “com três letras apenas se escreve a palavra mãe, é das palavras pequenas a maior que o Mundo tem”. 

A partir desse golo o jogo descomplicou-se e passámos a criar sucessivas oportunidades. Os jogadores soltaram-se e passaram a estar exclusivamente focados no jogo e na bola, sem as dúvidas existências que o Jorge Jesus lhes suscitava como se estavam a fazer o que lhes tinham ordenado naquelas circunstâncias de tempo e lugar e de que forma o que faziam ou não faziam se enquadrava numa perspetiva ontológica. De vez em quando, havia um ou outro que resolvia isolar um adversário para rapidamente aparecer o Salin ou o Coates a safar a situação. Com a aproximação do final do jogo, qualquer sportinguista sabe que o pior está para acontecer e essa crença é reforçada quando está o Peseiro está no banco. 

Só que, num ataque pelo lado direito, um avançado procurou passar por dentro o Acuna que, de imediato, lhe ganhou a frente, fazendo-lhe uma projeção (um “ippon” mais precisamente), ficou com a bola e enfiou-lhe uma biqueirada para tão longe quanto as forças lhe permitiam. A bola foi batida com tanta força que chegou quase à bandeirola de canto do adversário, tendo um defesa acorrido para a recuperar e a proteger com o corpo para evitar a entrada do Montero. No entanto, o Montero, sem saber como, ganhou-lhe a frente e ficou com a bola. Quando se esperava que encanasse a perna à rã, aguardando pelo encosto e pela falta, resolveu fazer tudo errado e fê-lo de tal forma que deu tudo certo: com o calcanhar meteu uma cueca ao adversário, foi buscar a bola, passou-a de primeira para o Raphinha - que tinha acreditado naquela pantominice, vá-se lá saber porquê -, a receber, levantar a cabeça e colocá-la à hora certa e no sítio certo para o Jovane Cabral marcar um “penalty” em corrida. Assim se cumpriu a profecia que não se sabe se o é ou se o é porque se autorrealiza: o Jovane Cabral quando entra mexe sempre com o jogo e é decisivo. Como se costuma dizer no basquetebol americano, o Jovane Cabral está na naquela fase em que só se pede uma única coisa: “Não toquem no homem!”. 

Há muito tempo que não me divertia a ver um jogo do Sporting. Gritei quando marcámos ou quando estivemos quase a marcar. Mandei para um sítio que eu cá sei o Battaglia, o Coates e o Gudelj quando iam isolando os adversários. Insultei o Montero quando fez o que não devia para acabar a gritar que estávamos em presença de um génio que precisava de ser, mais do que reconhecido, canonizado em vida se fosse possível. No final estava feliz, pelo resultado e pela convicção que, por nós, o enclave de Nagorno-Karabakh era português. 

(O Renato Sanches marcou um golo. Pelo que percebi da leitura dos jornais, o Benfica terá empatado um a um com o Bayern de Munique. Parabéns ao Renato Sanches pelo golo marcado e parabéns ao Benfica por num só jogo ter superado o desempenho da época passada na Liga dos Campeões)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

É isto, não é?

Os danos são irreparáveis e estão à vista de todos: a SAD do Benfica é acusada pelo Ministério Público pela prática de 30 crimes no processo e-toupeira. O Benfica promove o “fair play” e os mais elevados padrões de ética desportiva. Os seus dirigentes são exemplos de probidade, não sabendo nada nem de nada. Até agora é isto que os media nos vão informando todos os dias. 

Se bem percebo o que fui lendo e ouvindo nos media até ontem, então o funcionário judicial que se encontra em prisão preventiva acusado destes e doutros crimes no mesmo processo e-toupeira agiu por iniciativa própria para prejudicar o Benfica e os seus dirigentes, infligindo os danos que se conhecem. Se bem percebo o que fui lendo e ouvindo nos media ontem a propósito da cessação do contrato com o Benfica, é possível que o Paulo Gonçalves possa estar de alguma forma envolvido com esse funcionário judicial, causando em conjunto esses danos. Se bem percebo tudo isto, o Benfica vai processar o primeiro e, possivelmente, o segundo pelos danos causados. É isto, não é?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Os “flippers” da vizinha são melhores do que os nossos

O Peseiro não facilitou. Insistiu na mesma equipa do jogo contra o Feirense com duas alterações: uma por lesão do Nani, jogando o Jovane, e outra por opção, tirando o Ristovski, que tinha jogado dois jogos em pouco tempo pela seleção, e metendo o Bruno Gaspar. Contra todas as expetativas, manteve o habitual duplo pivô: Battaglia e Acuna. Não é bem isso, é mais um par de “flippers”. Cada um tem a responsabilidade de acertar na bola quando ela anda pelo seu lado e procura marcar pontos tabelando com os obstáculos que estão à sua frente, que neste caso se designam “jogadores adversários”. 

Contrariamente ao que acontece no jogo de “flippers”, os obstáculos mexem-se e querem eles próprios fazer de “flippers” tentando acertar na bola também e tabelar nos obstáculos, que neste caso passam a ser os jogadores do Sporting. A existência de vários jogos de “flippers” num mesmo jogo em que os “flippers” e os obstáculos se revezam à vez, torna o jogo um pouco confuso. A solução passa ou pela bica para a frente, tentando que o jogo de “flippers” se jogue no meio campo do adversário, ou pelo recuo do Bruno Fernandes para se sair a jogar. Com o Jorge Jesus, o Bruno Fernandes jogou praticamente em todas as posições. Com o Peseiro deu-se um passo em frente e espera-se que o Bruno Fernandes jogue em todas as posições ao mesmo tempo, faltando jogadores na frente porque ainda não lhe é possível, por agora (com o treino lá chegará), estar em todo o lado e ir passando a bola a si próprio até encontrar uma brecha para rematar.

Esta leitura do jogo permite compreender melhor a sagacidade do Peseiro. Aposta mais nos "flippers” adversários do que nos seus. Sempre que pode, a equipa pressiona alto e impede a saída confortável do adversário. A pressão parece um pouco atabalhoada, mas há sempre um “flipper” adversário tonto que tenta fazer o que mecanicamente não é possível, entregando-nos a bola em zona perigosa. Foi assim que nasceu o primeiro golo, com o Jovane a recuperar uma bola junto à área adversária e a passá-la de imediato ao Montero que, após a pausa do costume para processamento das coordenadas dos colegas e adversários no seu GPS, desmarcou o Raphinha que rematou para o um a zero. Para além do golo e de um cabeceamento do Coates ao lado, a primeira parte teve pouco mais. 

A segunda parte não se iniciou com melhores augúrios. Só que, em dado momento, o Jovane entrou desembestado na área a contornar os obstáculos que se lhe depararam até um deles fazer de “flipper” antes do tempo e acabar por o derrubar. O Mota que vê tudo – ainda nos lembramos dele a ver um falta de Slimani que ninguém viu e a anular-nos um golo e a impedir-nos a vitória e a manutenção da distância para o Benfica na época 2013/14 quando liderávamos o campeonato - viu o “penalty” e marcou-o. O Bruno Fernandes com a paradinha habitual fez o dois a zero. O jogo parecia arrumado, mas nos “flippers” nunca se sabe. O Acuna de olhos fechados procurou atrasar uma bola para a defesa e acabou a passá-la a um adversário, originando o dois a um. O passe surpreendeu não só a defesa como o realizador da SportTv, que só conseguiu filmar o jogador do Marítimo isolado a marcar o golo. 

Duas circunstâncias impediram que o final do jogo se transformasse no “ai Jesus” do costume. Depois de marcar um golo, o Bruno Fernandes libertou-se de angústias e entrou no seu normal que constitui a “twilight zone” para qualquer mortal. A bica para a frente promovida pelo Peseiro tem muito que se lhe diga. A do Jesus pressupunha que o Bas Dost ganhasse a primeira bola, perdendo-se sempre a segunda porque os colegas não percebiam a ideia de jogo do treinador com o “up and under kick”. O recurso ao rugby com o Peseiro é mais eficaz. Sem o Bas Dost na frente, não se espera ganhar a primeira bola, avançando a equipa em bloco para ganhar a segunda. Numa destas jogadas, o Bruno Fernandes ficou com a bola de frente para a baliza, tabelou com o Montero, fez uma revienga a um adversário e meteu-a pelo buraco da agulha para o três a um. Depois deu para tudo. Deu para se estrearem o Wendel, o Gudelj e o Diaby e para um defesa do Marítimo ter sido acusado e condenado por homicídio na forma tentada. 

Com o Jorge Jesus, o nosso futebol era um aborrecimento, mas era porque era para ser assim. Não se esperava que melhorasse. Nem nós, adeptos, o esperávamos, nem os jogadores. A esperança é a última a morrer mas estava, há muito, morta e enterrada. Jogava-se mal porque os conceitos de mau e de bom do treinador não eram idênticos aos nossos. Bom é com o treinador. Mau é com os jogadores. Como não são os treinadores a andar aos pontapés na bola, só víamos o mau sem compreendermos o bom que estava por detrás dele e na cabeça (ou na ideia de jogo) do criador. 

Com o Peseiro existe aborrecimento mas também existe esperança. Ainda acreditamos que o aborrecimento é por acaso. Falta tempo, isto é, treino e entrosamento dos jogadores, que chegaram às pinguinhas. Em cada jogo, esperamos sempre melhorias e estas têm aparecido, poucas mas suficientes para não se perder a esperança. É um “learning by doing” permanente. Com o Raphinha hoje, o Gudelj amanhã e o Sturaro um dia destes é possível voltar a ver a nossa equipa a jogar bom futebol. A ganhar já vemos. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

É giro!

Não acompanhei com atenção devida a campanha eleitoral. Não ouvi ou li sequer uma única entrevista ou um único debate. Acompanhei a campanha pelas chamadas “gordas” dos jornais. Com tão pouco conhecimento do que se passava, achei por bem não efetuar grandes análises enquanto decorria a campanha. Neste momento, penso que posso dizer alguma coisa, dado que os órgãos sociais estão eleitos e daqui nada resulta ou pode resultar.

Embora nas redes sociais se tenha continuado a alimentar as teorias da conspiração e o entrincheiramento entre “croquetes” e “brunetes”, na campanha nado disto foi tema de discussão e cada candidato contraditou os outros e defendeu os seus pontos de vista sem desqualificar os adversários e o debate público. Com exceção do Pedro Madeira Rodrigues, com os (maus) resultados que se conhecem, ninguém se lembrou de prometer o que não pode e arranjar uma catrefada de cromos (jogadores e treinadores). Esta atitude coletiva revelou sentido de responsabilidade perante a atual situação económica e financeira do Sporting.

Rapidamente a corrida ficou reduzida a três contendores com reais hipóteses de vitória: Ricciardi, Benedito e Varandas. Destes mais rapidamente ainda se passou para dois: Benedito e Varandas. O Ricciardi só tinha para oferecer os seus conhecimentos na banca de investimento e, por isso, insistiu numa campanha monotemática sobre a situação patrimonial e financeira, entregando o futebol ao José Eduardo, esse grande ex-apoiante do Bruno de Carvalho e defensor do croquete sem qualquer sentido metafórico. Ando há demasiados anos a ensinar que a situação patrimonial e financeira mais tarde ou mais cedo reflecte sempre a viabilidade do modelo de negócios de qualquer organização. No Sporting, a médio e longo prazo, não se consegue a sustentabilidade financeira sem vitórias, títulos, bom futebol e mobilização dos adeptos, não sendo separáveis os Ricciardis, para um lado, e os Josés Eduardos, para o outro.

Não gosto muito de futsal, é um género de andebol mas com menos jogadores e jogado com os pés. Mesmo assim, vi muitos jogos do Sporting e assisti a muitas vitórias e a conquistas de títulos com o Benedito a capitão. Nunca gostei de jogadores baixotes. O Benedito é baixote mas parecia de borracha, chegando a bolas impossíveis; e, sobretudo, tinha uma alma que não acabava, vivendo cada jogo como se fosse o último da sua vida e festejando todos os títulos com os adeptos como se fosse, e é, um de nós. Tudo isto, associado ao percurso académico e profissional que seguiu, bem como à equipa que constituiu, dava garantias de ser um bom presidente.

Agora parece mais conveniente dizê-lo, mas o meu candidato sempre foi o Varandas. O Varandas era o médico da equipa principal de futebol. Imagino que não ganhasse pouco, exercendo, ainda por cima, a profissão que é a dele e que ele gosta de exercer, como se verificou nas suas intervenções em campanha. Podia ter tentando passar pelos pingos da chuva sem se molhar, continuando a exercer a sua (bem remunerada) profissão. Deixou acabar a época para se demitir, cumprindo até ao último dia as suas funções, disponibilizando-se imediatamente  para ser candidato, quando o Bruno de Carvalho ainda tinha poder e todos os que se lhe opunham andavam a fazer contas de cabeça. Foi corajoso e deu esperança a quem não se revia em Bruno de Carvalho e isso não era pouco nessa altura, quando simplesmente se especulava sobre uma suposta destituição sem qualquer alternativa no horizonte.

Dito isto e acabada a história, importa pensar o futuro com o Varandas a presidente. Ontem, cheguei ao trabalho e perguntei às minhas colegas o que pensavam do Varandas a presidente do Sporting. A resposta foi unânime: “É giro!” Um pouco despeitado, procurei aprofundar a análise. “Está bem, mas o que pensam dele a presidente do Sporting”. A resposta foi novamente unânime: “É o mais giro presidente do Sporting e o presidente mais giro de todos os clubes portugueses”. Não insisti e procurei não me ver ao espelho durante o dia. Hoje, voltando a pensar no assunto, percebi melhor o que elas me disseram. Não sabemos se o Varandas vai ser um bom presidente e tão bom ou melhor do que os seus antecessores ou os dos clubes rivais. Mas sabemos com certeza que é o mais giro e, para início, isso não é pouco. As minhas colegas estiveram, hoje, muito mais disponíveis para falar comigo, mesmo sobre futebol, melhorando imenso o ambiente de trabalho.