Este começo de época o Sporting tem sido uma contradição. Isso só é bom quando
esta resulta de um movimento obscuro inacessível aos adversários. Todo o resto
tem os seus honorários. Não basta mudar – é preciso acreditar que faça efeito
(principalmente dentro do balneário). Seria mais ou menos isto que Maquiavel
diria ao treinador Rui Borges se por acaso o encontrasse por Mirandela. Um
amigo meu acrescentaria, rindo-se: os
meios vão criando os fins.
A pré-época correu bem, mas
estava alguém a ver? Estava. Esse é um dos problemas da pré-época: ser a pré-época.
O seu campeão habitual, o Benfica, tem confirmado - pelo menos nos últimos anos,
que ser campeão antes do campeonato começar não quer dizer grande coisa. Às
vezes o mesmo acontece durante a época das vindimas ou no Natal.
O Sporting fez a sua escolha, ou
como dizem os comentadores que memorizaram os resumos dos manuais feitos pela
IA: abriu um novo ciclo, ou escancarou. Isso tem custos. Para toda a gente. A
derrota no final da taça não foi esquecida. A renovação com o treinador antes
do final da taça não foi esquecida. O discurso intrusivo (estou a ser
simpático) do presidente na apresentação da renovação do treinador não foi
esquecido. O silêncio do treinador também não. A cautela tende ao silêncio – escreveu um dia Giorgio Manganelli.
Torna-se então necessário conceber
uma nova ficção sem grande frisson ou
arrepios estéticos de alguma ordem: a sensibilidade de alguns artistas nem
sempre o permite. Não basta mudar – é preciso acreditar que faça efeito.
“Errámos a ganhar” – disse Rui
Borges sobre o golo do Alverca a fechar. Tem sido assim: errar a ganhar já deu para
um susto e um empate. Enquanto a equipa não é uma equipa, enquanto a ficção
ganha tempo, enquanto as bancadas desconfiam, é preciso falhar ganhando. Falhar (sempre) cansa. E já não estamos
habituados.
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