segunda-feira, 4 de maio de 2026

O “Gato de Schrödinger” [TPC atrasados]

Estou atrasado nos Trabalhos Para Casa [ou TPC], fiquei-me pelo jogo [do Sporting] contra o Arsenal, estando em falta os jogos contra o Benfica, o Porto, o AVS e o Tondela. Ainda não vai ser hoje que vou pôr a escrita em dia. Trato do Benfica, salvo seja, e fica o Porto, o Aves e o Tondela para a próxima, para uma melhor oportunidade. 

Perdemos dois a um contra o Benfica. Do jogo propriamente dito, tudo foi dito e redito e mais um par de botas. Falta a análise da análise ou a metanálise. A necessidade [ou não] de repetição do “penalty” falhado pelo Sporting [através do Luís Suarez] necessita de uma conclusão. Há uma lei, uma regra, uma coisa qualquer que proíbe os jogadores de entrarem na grande área enquanto não for batido o “penalty”. Parece simples, parece que enquanto o “penalty” não for batido pelo marcador, os restantes jogadores ficam atrás da linha que delimita a grande área, não sei se me estão a acompanhar [neste raciocínio].  

Parece tão, mas tão simples esta lei, esta regra, esta coisa que a Liga, a FPF, a UEFA e a FIFA resolveram interpretá-la não fossem os árbitros não a compreenderem na sua simplicidade e complicarem-na ou complicarem a sua aplicação. Os árbitros têm de impedir a entrada na grande área dos jogadores antes do “penalty” ser batido pelo marcador, ficando todos, mas todos, sem exceção, a pelo menos 9,15m da bola. Se os jogadores entrarem na grande área antes da marcação o árbitro não deve fazer nada, rigorosamente nada. Os jogadores têm de cumprir esta regra? Têm. Se não a cumprirem o que é que acontece? Nada, rigorosamente nada. Esta possibilidade de a interpretação de uma regra constituir a sua negação, tem múltiplas aplicações, andando os advogados, os juízes e os procuradores aos saltinhos tal a excitação.

A possibilidade de simultaneamente se cumprir e não cumprir uma regra remete-nos para o “Gato de Schrödinger”, para essa experiência mental. Em certas condições, demonstra-se que um gato dentro de um caixa pode estar vivo e morto ao mesmo tempo. O dono gato, o Schrödinger, queria com esta experiência reduzir ao absurdo a aplicação da física quântica a realidades não quânticas, pois, ao abrir-se a caixa, o gato ou está vivo ou está morto. É como se a realidade só existisse na exacta medida em que se observa ou, mais ainda, a observação é que determina a realidade e sem ela a realidade não existisse, não sei se me faço entender também [neste raciocínio]. Pois, como demonstram a Liga, a FPF, a UEFA e a FIFA e um senhor com um tufo de cabelos no cocuruto da cabeça, o gato sempre pode estar vivo e morto ao mesmo tempo, mesmo depois de se abrir a caixa.

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