terça-feira, 12 de maio de 2026

Manual de instruções para competições banais

 

Ontem tive uma ideia cintilante, daquelas capazes de iluminar um beco sem saída, uma ideia que me permitiria dissertar coerentemente sobre a coexistência do futebol, nomeadamente o futebol português, com a minha existência, deixem passar o pleonasmo, mas infelizmente não me recordo dessa ideia. Fui dormir sobre a vitória do Sporting e o empate do Benfica, a pensar que, talvez, nada estará garantido e que o segundo lugar só serve para purificar o ar dos cofres. Digo o ar, porque lá dentro nunca se viu uma moeda que seja - agora o dinheiro é digital, cripto qualquer coisa, mas antigamente também não se via nada dentro dos cofres. Os cofres só existem nos clubes para dizer que existem cofres e, que, à falta destes, poderão eventualmente ser substituídos por sacos, azuis, ou de outra cor qualquer, não importa.

Por isso se criaram as competições tipo Liga dos Campeões onde a maior parte dos clubes não são campeões a não ser dentro da sua cabeça e dos cofres cheios de ar que circulam a rodos. São competições que fazem o dinheiro esférico que é preciso circular como uma bola de futebol, e  nós vamos atrás delas, das competições e das bolas, como o meu pai que seguia a sua trajetória com o seu corpo todo a dizer: Sporting. E, às vezes, lá ia uma mesa, ou um relógio à sua vida. 

O Sporting ganhou mais uma competição europeia no futsal, no andebol andou ali perto de atravessar fora da passadeira, no hóquei não se pode ganhar sempre e, no futebol, estamos vivos. O que, segundo uma pessoa famosa, é o contrário de estarmos mortos. 

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