Ontem tive uma ideia cintilante, daquelas capazes de
iluminar um beco sem saída, uma ideia que me permitiria dissertar coerentemente
sobre a coexistência do futebol, nomeadamente o futebol português, com a minha existência,
deixem passar o pleonasmo, mas infelizmente não me recordo dessa ideia. Fui
dormir sobre a vitória do Sporting e o empate do Benfica, a pensar que, talvez,
nada estará garantido e que o segundo lugar só serve para purificar o ar dos
cofres. Digo o ar, porque lá dentro nunca se viu uma moeda que seja - agora o
dinheiro é digital, cripto qualquer coisa, mas antigamente também não se via nada dentro dos
cofres. Os cofres só existem nos clubes para dizer que existem cofres e, que, à
falta destes, poderão eventualmente ser substituídos por sacos, azuis, ou de
outra cor qualquer, não importa.
Por isso se criaram as competições tipo Liga dos Campeões
onde a maior parte dos clubes não são campeões a não ser dentro da sua cabeça e
dos cofres cheios de ar que circulam a rodos. São competições que fazem o
dinheiro esférico que é preciso circular como uma bola de futebol, e nós vamos
atrás delas, das competições e das bolas, como o meu pai que seguia a sua
trajetória com o seu corpo todo a dizer: Sporting. E, às vezes, lá ia uma mesa, ou um relógio à sua vida.
O Sporting ganhou mais uma competição europeia no futsal, no andebol andou ali perto de atravessar fora da passadeira, no hóquei não se pode ganhar sempre e, no futebol, estamos vivos. O que, segundo uma pessoa famosa, é o contrário de estarmos mortos.
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