domingo, 24 de maio de 2026

Frederico Varandas is everywhere

Falta menos de uma hora para a Final da Taça de Portugal, para o jogo [do Sporting] contra o Torreense, e ainda há TPC por fazer. Acabou o campeonato, o Porto, clube, fez a festa, o Mourinho quer e não quer ficar no Benfica, o Benfica quer e não quer ficar com o Mourinho, e ainda nada disse sobre os dois últimos jogos, as duas últimas jornadas. Antes de dizer o que tenho para dizer, fica uma sugestão aos portistas [em especial, à minha afilhada]: nos Aliados, a comemoração da derrota do Frederico Varandas foi uma bela festa, a felicidade era imensa, transbordante; penso que se festejarem a vitória no campeonato também pode ser um momento feliz, não tanto, não da mesma forma, mas feliz, ainda assim. Fica a sugestão [de nada, sempre às ordens]. 

Vamos com uma cajadada matar dois coelhos. Como sempre, as receitas são do Frederico Varandas: primeiro, fazemos uma “Cabidela de Coelho” com o Rio Ave; em seguida, serve-se um “Coelho à Caçador” com o Gil Vicente.

O jogo [do Sporting] contra o Rio Ave começou em estilo solteiros contra casados, nada contra. O Rio Ave marcou primeiro, o Sporting marcou a seguir de “penalty”, “penalty” maquinado, urdido, não sei bem, pelo Frederico Varandas. À terceira foi de vez: na primeira, a entrada do defesa foi imprudente, mas não negligente [não sei se esta é a ordem mais correta ou se é a contrária, isto é, a entrada do defesa foi negligente, mas não imprudente]; na segunda, o Luíz Suarez levou amarelo para aprender, para não andar na área para trás e para a frente a provocar entradas imprudentes, mas não negligentes, ou negligentes, mas não imprudentes. Como disse, à terceira foi de vez e a entrada foi considerada imprudente e negligente, embora existam as mais sérias a dúvidas se não deveria ser considerada improcedente como as outras duas. 

O recurso a este tipo de qualificativos, de adjetivos, pelos árbitros, por aqueles que explicam as decisões dos árbitros e por aqueles que explicam a explicação daqueles que explicam as decisões dos árbitros, constitui um grande avanço para a compreensão do futebol e do desporto em geral. Há dias, apareceu um tesourinho deprimente numas trocas de mensagens com uns amigos através da WhatsApp: uma fotografia de uma festa de garagem do início dos anos oitenta, onde estava acompanhado dos meus grandes amigos de Viseu. Reencaminhei a fotografia para a minha mãe, que logo respondeu: “eras e és o mais lindo!”. O recurso ao superlativo absoluto analítico habilita a minha mãe a ensinar a adjetivar como deve ser no próximo curso de arbitragem promovido pela APAF. 

Voltando à vaca fria [não à vaca sagrada, que isso é coisa para o Hjulmand, segundo o Mourinho], o Frederico Varandas tratou de arranjar um autogolo e uma expulsão de um defesa nada negligente nem imprudente. O resto do jogo foi um passeio na praia [sem nortada e tudo]. Ao mesmo tempo, o Frederico Varandas estava a tramar o Benfica [no jogo contra o Braga]. Não se sabe bem se era o Benfica, o Rui Costa, o Mourinho ou o Real Madrid, mas que estava a tramar, estava. Enfim, final da jornada e regresso [do Sporting] ao segundo lugar do campeonato. 

Faltava o jogo [do Sporting] contra o Gil Vicente para sermos os primeiros dos últimos, posição que muito nos honra pois nem todos os últimos são iguais e uns são mais iguais do que os outros [que o diga o Benfica]. O Frederico Varandas entrou em ação e não houve galo nenhum [mais um trocadilho destes e acabo a tratar das rimas emparelhadas das canções do Pedro Abrunhosa também]. Ganhámos por três a zero e festejámos com uma lágrima ao canto do olho, com a despedida do Morita e do Hjulmand [muito provavelmente]. Com a despedida deles uma pergunta fica no ar [sim, há questões que ficam em situações bizarras, nos locais mais improváveis, onde menos se espera]: quem tem agora os apontamentos do Rúben Amorim?

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