Depois de várias semanas de pré-pré época e de umas mini-férias, a pré-época 'oficial' do Sporting decorre a bom ritmo, já com um par de jogos à porta aberta para nos permitir imaginar o que aí vem.
Falaremos do Sporting, mais mal do que bem. Falaremos também do Benfica, sempre mal. Falaremos do Porto, conformados.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
O sonhador e o realista
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Jogar à defeso
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Politiquices
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
Boa Economia para Tempos Difíceis
Vive-se a acalmia que antecede a tempestade. A economia encontra-se congelada pelos regimes de “lay off” e pelas moratórias de crédito. Ninguém sabe verdadeiramente o que vai acontecer depois das férias, quando regressar o Outono e se iniciar o próximo ano letivo. Só o futebol continua como dantes, como se nada estivesse a acontecer. Fiquei a saber que contratámos um rapaz do Famalicão por uns milhões de euros. Foi a revelação da época passado, ao que se diz. Deve ter sido uma revelação idêntica à de Francisco Geraldes há umas épocas e de tantos outros de quem ninguém se lembra mais.
“Boa Economia para Tempos Difíceis”, de Abhijit Banerjee e Esther Duflo, Prémios Nobel da Economia, constituiu a minha primeira leitura de férias. Às páginas tantas, afirma-se que na Europa as sociedades são mais egualitárias do que a dos EUA, com rendimentos brutos menos desiguais, carga fiscal mais elevada e maior progressividade dos impostos. Existe uma só exceção: os atletas de alta competição. Na Major League Baseball, na NFL, na NBA e na Major League Soccer existem tetos salariais, enquanto nas competições da UEFA não. Para se ter uma ideia desta aberração, basta referir que, em 2018, o Messi recebeu o equivalente a metade do teto salarial total de qualquer equipa da NBA.
Existem razões para o controlo salarial das principais competições desportivas profissionais nos EUA. A mais repetida, respeita ao nivelamento competitivo das equipas e, assim, à possibilidade de todas elas disporem de condições para, tarde ou cedo, ganharem as competições em que participam, tornando-as mais interessantes. Mas a principal é outra: controlo dos custos pelas empresas que dispõem das concessões. Está-se em presença de um cartel de proprietários que, ao limitar os salários dos jogadores, aumentam a rentabilidade dos seus investimentos e dos seus negócios.
Os jogadores profissionais dos EUA têm organizado inúmeras formas de protesto para acabar com os tetos salariais. Os argumentos não faltam. No entanto, o único argumento a que nunca se recorre é que os jogadores jogariam com mais empenho e melhores resultados se os salários fossem mais elevados. Todos concordam que a vontade de ser o melhor constitui incentivo bastante. Como afirmou Vince Lombardi, treinador lendário de futebol americano e primeiro campeão da Super Bowl, “ganhar não é tudo, é a única coisa”.
Reduzir os encargos com contratos milionários dos jogadores de futebol não teria qualquer efeito no seu (des)empenho. Em contrapartida, os clubes seriam mais rentáveis. Em Portugal, tratando-se de instituições de utilidade pública, esta maior rentabilidade permitiria que mobilizassem mais recursos para muitas das suas principais funções de sociais de apoio à prática desportiva e ao desporto em geral. A competitividade do futebol não se ressentiria e teríamos melhores atletas em muitas outras modalidades e mais títulos olímpicos em modalidades como o atletismo, o judo ou o remo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Carrocel mágico
terça-feira, 11 de agosto de 2020
Benfica, felicidade e moeda
Há dias ouvi uma conferência muito interessante de André Lara Resende, que concebeu o Plano Real, na Universidade de Oxford, explicando a evolução da política monetária. Após a estagflação dos anos 70, o monetarismo ou a teoria da quantitativa da moeda passou a ser hegemónica no pensamento e nas políticas económicas. A inflação seria única e exclusivamente um fenómeno monetário e as crises, inflacionárias ou deflacionárias, deviam-se à incapacidade dos bancos centrais de contrair ou expandir a base monetária. Esta teoria foi levada à prática de forma brutal por Fernando Collor de Mello para combater a hiperinflação no Brasil, procurando esterilizar a moeda através do congelamento das contas bancárias dos depositantes. A recessão não foi menos brutal e acabou no seu “impeachment” por portas travessas.
Pouco a pouco, os economistas foram compreendendo que o sistema de crédito fazia expandir a base monetária, sem que os bancos centrais a conseguissem impedir. Sem grandes explicações teóricas, a partir dos anos 90, os bancos centrais passaram a tentar controlar a inflação através da simples manipulação da taxa de juro, aquecendo ou arrefecendo a economia em função da sua evolução e do seu ciclo. Na prática, não existe nenhuma fórmula, assume-se que a inflação simplesmente não se encontra ancorada e recorre-se quase a uma simples heurística: se a inflação sobe, então a taxa de juro deve subir também e se a inflação desce, então a taxa de juro deve descer também.
Com a crise financeira internacional de 2008 e as taxas de juro nulas ou praticamente, os bancos centrais viram-se na necessidade de recorrer a políticas não convencionais, como o “Quantitative Easing”, desatando a comprar tudo o que é ações e obrigações, expandindo loucamente os seus balanços. Estas políticas estão a ser ampliadas com a atual crise decorrente da pandemia da Covid-19. A inflação continua a não se ver, apesar da expansão monetária sem precedentes. Conclui Lara Resende que, provavelmente, a inflação resulta de expetativas dos agentes económicos, tendendo a manter-se alta quando é alta e baixa quando é baixa. A inflação seria mais resiliente e determinada por contextos históricos: há períodos em que é persistentemente baixa e outros persistentemente alta.
O Benfica vive o seu “Quantitative Easing”, o seu momento “bazuca”.
Nunca se viu tal expansão monetária em nenhum clube português. A ideia é
excelente no atual contexto económico e financeiro. Por muito que paguem ao
Jorge Jesus ou ao Cavani (nove milhões de euros por ano, é o que se vai
dizendo), as suas condições para aumentar o consumo de batatas fritas e hambúrgueres
são limitadas (se estivéssemos a falar do Taarabt a conversa seria outra), assim como os potenciais efeitos inflacionários. No fundo, está a seguir Millôr
Fernandes, quando afirma que “O dinheiro não traz a felicidade, manda-a vir”. O
Luís Filipe Vieira está a mandar vir toda a felicidade que (não) pode. A
felicidade dos benfiquistas é a sua felicidade (e vice-versa) e ninguém os quer
ver infelizes para o resto da vida sem ele, a presidente, naturalmente.
terça-feira, 4 de agosto de 2020
Toxicidade e hipocrisia
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Já acabou?
Adiantar o IVA ao Braga
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Será que Jesus já regressou?
domingo, 19 de julho de 2020
Play it again Sam (II)
sábado, 18 de julho de 2020
Play it again Sam
quinta-feira, 16 de julho de 2020
O que é que é isto?!
segunda-feira, 13 de julho de 2020
Paulo Bento e Rúben Amorim e a geometria de Tex Winter e Phil Jackson
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Acerca da pré-época do Sporting
terça-feira, 7 de julho de 2020
Quim Barreiros e terceira república
quinta-feira, 2 de julho de 2020
Tática do pentágono
terça-feira, 30 de junho de 2020
Déca(lage)...
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Jovane Witt Nureyev Cabral
terça-feira, 23 de junho de 2020
Ato falhado
sexta-feira, 19 de junho de 2020
Prontos para apresentação aos sócios!
terça-feira, 16 de junho de 2020
Ao longe
segunda-feira, 15 de junho de 2020
#viettolivesmatter
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Silas 10.0 num jogo escanifobético (*)
sexta-feira, 29 de maio de 2020
É pelas virtudes que se é melhor castigado*
A sorte só protege o acaso
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Adepto desconfi(n)ado de água fria tem medo (*)
Estava para me vir embora, quando dei com “Um tempo sem idades”, de Maria João Valente Rosa. Trata-se de um ensaio sobre o envelhecimento populacional. Nem o tema nem a autora são do meu especial interesse, mas a estética das edições da Tinta da China é irresistível e qualquer razão é uma boa razão para se comprar mais um livro. [Se o leitor conseguiu chegar até este parágrafo sem desistir, deve-se estar a perguntar porque razão continuou a ler até aqui. Talvez ainda tenha a expetativa de uma revelação. Nada de mais errado. Eu próprio cheguei até aqui sem saber bem como e ainda menos o que vou escrever daqui para a frente.]
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Nada se parece tanto com a sabedoria como a imprecisão*
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Sergio Moro a Presidente da Federação Portuguesa de Futebol!
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Logo agora que éramos os nórdicos do sul da Europa!...
De acordo com os autores, o progressivo afastamento dos países mais e menos desenvolvidos não se deve a diferenças na qualidade e quantidade dos fatores de produção, no acesso à tecnologia, mas à evolução das suas instituições como resultado da sua interação com conjunturas críticas, desde a Peste Negra, à (des)colonização ou ao desmantelamento da União Soviética. Pequenas diferenças institucionais à partida determinam evoluções diferenciadas após essas conjunturas em instituições como o direito de propriedade, a representação popular ou a independência da justiça. Depois da Revolução Gloriosa, na Inglaterra, ou da Revolução Francesa, na França e Europa ocidental, assistiu-se à transformação das suas instituições, tornando-se mais (e mais) inclusivas. Em contrapartida, por exemplo, as instituições extrativas do colonialismo espanhol, português, britânico, francês ou holandês foram simplesmente apropriadas pelas novas elites políticas e económicas para seu benefício após a descolonização.
A segunda conjuntura crítica surge exatamente no fim desse ciclo, com o Apito Dourado, mas as mesmas instituições extrativas e os seus representantes continuaram a resistir sem grandes mazelas, com os dirigentes a manter-se e os árbitros também. No entanto, envolvidos nesse escândalo, Valentim Loureiro desaparece e Pinto da Costa perde influência, emergindo o Benfica e Luís Filipe Vieira. A sua afirmação de que são mais importantes lugares na Liga do que contratações de bons jogadores, em resposta à contratação de Jankauskas (ex-jogador do Benfica) pelo Porto, era o prenúncio da necessidade de tudo mudar para que tudo ficasse na mesma, parafraseando Lampedusa. Da colonização passou-se à descolonização e nada mudou, com exceção da hegemonia.