segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Esta estabilidade mata-me...


Disse o Senhor Presidente que: «ninguém nos vai desestabilizar!»
Já eu, confesso, começo a desconfiar de tanta estabilidade.
Tem sido tudo tão estável que parece que sabemos de antemão os resultados.
Nada é imprevisível, não há surpresas. Não há magia.
Esta estabilidade anda a mexer-me com os nervos!
Esta estabilidade mata-me!


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Golos de meninos ou uns verdadeiros anjinhos?

Mais uma vez um jogo nosso teve duas partes distintas. Não três, não quatro, duas, sempre duas, mediadas pelo intervalo, como se cada quarenta e cinco minutos fosse um tributo à nossa paciência ou ansiedade.

Na primeira das partes JJ decidiu (mais uma vez) inventar. Teve um sonho e de lá saiu o Matheus Pereira que apenas tinha um minuto no campeonato. O Matheus Pereira concorreu de certeza para o penteado mais exótico do jogo. Enquanto esteve em campo ganhou esse prémio e nada mais. Andava perdido a respirar por um(a) Palhinha. O Palhinha não teve culpa, não, não é responsável pelo súbito amor à formação dos responsáveis do clube. Na verdade a defesa de uma equipa não se trata apenas da defesa da equipa. A equipa ou defende ou sai de cima. Para defender é preciso entrar em campo. A equipa não entrou em campo na primeira parte. Ponto. Daí a questão, sofremos golos como meninos, ou somos verdadeiros anjinhos?

A entrada (mais uma) na segunda parte levou-nos paro o campo das coisas diabólicas. Diabólico, porque aquilo não se faz aos nossos nervos. Diabólico o gato-sapato que fizeram da equipa do porto, verdadeiramente banalizada, sem fazer qualquer remate à nossa baliza. Justiça ao Ruiz que lá vai rematando de meia distância, para não ser sempre o Adrien a falhar. Falhamos uns…o guarda-redes defendeu outros. O árbitro não assinalou um penalti contra o Porto, por mãos (assim mesmo no plural) na bola. Nada de novo. O Zeegelaar continua Zeegelaar. O Ezequiel Schelotto continua Ezequiel Schelotto. O Semedo continua a distrair-se com a bola, concorrendo para o gajo em campo com o maior sangue frio a despropósito. O Bryan continua triste. Nós continuamos…a meio caminho andado de um pacemaker.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Outras palhaçadas


O dia correu bem. Choveu e fez frio, como deve ser nesta altura. O sol nasceu e brilhou, mesmo com Trump e as suas tropelias desajeitadas. O dia foi correndo bem e feliz. Acabei a ver um jogo de hóquei patins, um desporto que muito prezo e que me trouxe onde estou hoje. O jogo foi decorrendo, animado, bem disputado, aceso e até bonito. Era um SLB vs SCP. Tudo foi correndo segundo a normalidade até que o jogador Carlos Nicolia do SLB ter decidido vigarizar o seu desporto, envergonhar a sua profissão  e abruptamente mudar de actividade. Começou a contornar a baliza como hoquista, acabou estatelado em glória e vergonha como palhaço ovacionado. Foi bem acompanhado pela trupe do costume e certamente não foi inovador nestas interpretações. A mim, como adepto deste e do desporto, envergonhou-me. Devo dizer que adoro a verdade, o desporto e detesto palhaços. Não é uma fobia mas sempre os achei gente triste e amargurada a impingir gargalhadas naturalmente forçadas. Esse Carlos Nicolia decidiu deixar de ser desportista e optou por ser palhaço. Está no seu direito, é até um palhaço consagrado como campeão do mundo da modalidade mas espero sinceramente que os seus filhos, se os tiver ou vier a ter, não o tenham visto ou venham a ver, fazer aquele número de circo. Havia, como sempre, outros palhaços, pois isto do desporto nacional é um circo a sério, uma grande produção mas a participação destes pequenos intérpretes, como hoje com este animado e experiente palhaço argentino de patins, é essencial, não há corte sem bobo. Não me estragou o dia. Fiquei com pena dele, como sempre fico quando vejo palhaços, mesmo quando são campeões do mundo.  

sábado, 21 de janeiro de 2017

O que fazer?...

Foi um dos piores jogos do Sporting nos últimos anos. Não só jogámos mal como levámos dois golos ridículos, com o Rui Patrício a ficar mal na fotografia. Empatámos. Merecíamos ganhar? Claro que sim. Marcámos três golos e sofremos dois. Anularam-nos, mal, um. O que se pode fazer?...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E agora?...

Até nós, que não sabemos nada disto, tínhamos percebido há muito os problemas da equipa. Tínhamos percebido que o treinador tinha feito o diagnóstico bem feito. Depois de se ter contratado quem se contratou, também não valia a pena chorar sobre o leite derramado. Importava encontrar soluções no contexto dos constrangimentos existentes. Competia ao treinador encontrá-las. Não as encontrou. Espera-se pela próxima época?...

domingo, 15 de janeiro de 2017

blá blá blá

Fiz um esforço hercúleo para não escrever nada sobre o jogo de ontem com o Chaves. A razão é óbvia: nada de novo. Quer dizer, nada para além de um blá blá blá que já nos irrita. Entramos no jogo sabendo do resultado do nosso rival que nos proporcionava uma hipotética aproximação, e nem isso nos deu um alento extra. Papámos um golo logo no início e continuamos a remoer a coisa a passo de caracol, cujo rasto é reconhecido a milhares de quilómetros. Um jogo mastigado e regurgitado como se de uma gravação se tratasse. Ainda assim marcámos através do suspeito do costume.

Com a barriga a dar horas, acreditei piamente numa segunda parte de estoiro. E assim foi… mas para a minha barriga. O distraído Semedo lá encaixou mais uma expulsão e assim lá pudemos sorrir da nossa desventura marcando um golo (outra vez) através do suspeito do costume. Duas ou três oportunidades e dois golos. Nada mau. A não ser, talvez, o desmaio colectivo que nos assalta seja com frio, seja com um sol caloroso, nunca nada está ganho.

Não vale a pena dissecar mais o cadáver. Os jogadores, se a minha alma não me engana, já não estão ali para ser um prolongamento do treinador. Treinar a dor… nós lá vamos conseguindo, para parafrasear esse génio da bola chamado Abel Xavier. Mas ficarmos ligados a esta máquina começa a ser penoso. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma chatice pegada

Desta vez, parecia ser diferente. Na sequência de uma tabela entre o Bruno César e o Joel Campbell, o Bas Dost aparece a empurrar a bola para o um a zero. Uma dezena de minutos depois, mais um passe para as costas da defesa e o Bas Dost volta a empurrar a bola para o golo. Ainda não se tinha chegado a meio da primeira parte e o jogo parecia resolvido. Esperavam-se mais golos e elevada nota artística, se possível.

Até ao final da primeira parte, continuámos a jogar razoavelmente. Só que, entretanto, um jogador do Feirense enfiou uma biqueirada na cabeça do Adrien. Teve que entrar o Elias. É um filme que conhecemos de cor e salteado. O homem não ataca nem defende. Como o Ruiz não anda para trás, no meio-campo, ficou o William Carvalho contra o resto do mundo. A partir desse momento, a defesa entrou em modo de sobressalto permanente.

A segunda parte foi um suplício. Ficámos na dúvida. Não sabíamos se devíamos marcar mais um ou se devíamos gerir o resultado. Perdemos o controlo do jogo. Não conseguíamos pressionar a defesa e a saída da bola do Feirense e não defendíamos de forma compacta. O Feirense começou a trocar a bola no nosso meio-campo. Não fez nada de extraordinário, mas ainda fez o suficiente para nos marcar um golo (com metade da equipa do Sporting a ver jogar).

Até ao final do jogo, vivemos com o coração nas mãos. O Bryan Ruiz teimava em concluir as jogadas em grande estilo. Ou acabava a passar a bola ao guarda-redes, ou tentava um chapéu ou um qualquer centro envolvendo um toque na bola completamente improvável. A nossa defesa também não nos dava descanso. O Beto ainda ofereceu um golo ao adversário, mas acabou tudo em bem: num livre e numa biqueirada para as nuvens.

Queremos continuar a jogar com a equipa subida, mas não se pressiona suficientemente o adversário quando se perde a bola. Sem pressão e com o meio-campo em desvantagem, os adversários podem sair a jogar e têm umas dezenas de metros nas costas da defesa do Sporting para explorar. No ataque, continua-se a complicar. Complica-se porque há jogadores que só complicam e porque se continua a querer marcar golos de forma complicada, depois de um “tiki-taka” entediante. Assim, os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, chatos mesmo. Não se trata somente de jogar bem ou de jogar mal. As coisas simplesmente não funcionam. Os jogadores já o perceberam e os adeptos também. Quando assim é, começa a faltar ânimo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O carteiro toca sempre duas vezes

O carteiro, às vezes, tarda, mas não falha. O melhor é começar pelo fim: aos 94m de jogo o carteiro vê uma brecha, olha para o auxiliar, e consegue finalmente entregar a missiva. Está entregue, deve ter pensado, amanhã certamente que toda a gente vai reconhecer que os carteiros e seus auxiliares são humanos. A nossa humanidade tem limites, senhores carteiros, e a nossa paciência nem sempre acompanha a prima humanidade.

Antes de o carteiro ter entregado a correspondência em conformidade com as suas ordens superiores já o Sporting nos tinha enganado relativamente à sua entrada em jogo. Uma primeira parte, da qual apenas vi parte, para esquecer, ou melhor, para lembrar, embora o filma seja o habitual. À habitual previsibilidade, esta equipa, junta, por vezes, uma morrinha que nos adormece por dá cá aquela palha. Fosse apenas isso e lá deixávamos de tomar o angelicalm, mas não, a isso ainda junta com elevada crueldade, uma tendência para se dispor no terreno como uma manta de retalhos. O Ruiz andou mesmo por ali? O Markovic, segundo o presidente não tarda a explodir, esperemos que o faça com a qualidade aqui demonstrada, mas noutro lado, se não se importam.  

A segunda parte foi a história da nossa vida este ano: correr atrás do prejuízo, metendo a carne toda no assador. De resto, o costume, o Elias enganou-se, o André jura que ainda há-de conseguir introduzir bolas dentro da baliza fora dos treinos, o Douglas demonstra uma tendência inata para javardar e comer uma boa feijoada. Restam os suspeitos do costume. E o carteiro até disse ao Coates que a razão da sua carta tinha sido ele. O Coates, coitado, não tarda, quer mas é regressar ao sossego do Uruguai… 

sábado, 31 de dezembro de 2016

A um “Danoninho” de qualquer coisa

Ontem, na Taça Lucílio Batista, assistimos a mais um jogo do Gelson contra o resto do mundo. O Varzim foi o menor dos obstáculos; os colegas de equipa e ele próprio são obstáculos bem, mas bem maiores. Os colegas na dúvida [e bem, nesta altura], passam-lhe a bola e ele faz o que lhe pedem que faça: vai para a baliza pelo caminho mais direto [possível], torneando os pinos que lhe vão aparecendo pelo caminho.

O problema está sempre no último passe. Umas vezes, porque os avançados não aparecem com a rapidez e a acutilância necessárias [ficamos sempre com dúvidas se, com o Slimani, aquelas bolas a atravessar a pequena área não acabariam dentro da baliza]; outras [vezes], porque tudo acaba num centro [mais ou menos] para a molhada ou num passe um pouco mais para trás ou um pouco mais para a frente do que o desejado.

Estamos a um “Danoninho” de passar à fase seguinte [também estivemos a um “Danoninho” de passar à Liga Europa e não conseguimos]. Nesta altura, com o desenrolar da época, não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar mais nenhuma competição, de competir por um título, até mesmo a Taça Lucílio Batista. Esta falta de margem de manobra para errar acaba por pesar nas pernas do William Carvalho, do Adrien e do Gelson Martins e de mais um ou outro [dos que mais falta nos fazem].

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Prognósticos só no fim da época

Apesar da época do ano ser dada a balanços a época futebolística vai a meio e portanto é uma altura no mínimo arriscada para fazer uma avaliação. Ainda assim vou arriscar, mas sem prognósticos, só a olhar para o que se passou na "1a parte".

Começo por dizer que ser corrido da Champions não é vergonha nenhuma. 15 dos 16 clubes que se apuraram estavam no pote 1 ou no 2, portanto a menos que se adopte a passagem administrativa não vejo como tornar este 'sistema' mais eficaz para qualificar os favoritos. Nem sequer se apurar para a Liga Europa já envergonha qualquer coisa, seria muito não fosse o facto do Sporting até ter deixado uma imagem positiva na prova. No final do dia contavam mesmo era dois jogos, andámos distraídos com os outros quatro...

Pela Taça ainda andamos. Ainda não percebi se calhámos com o Chaves ou com o Capela. Os dois juntos são fortíssimos (eliminaram o Porto, limpinho) em separado tenho mais medo do Capela do que do Chaves. A ver vamos se estou a subestimar os Flavienses.

Quanto ao campeonato não sou dos que pensam que a culpa de não irmos em 1o é toda dos árbitros. Mas também não me parece justo dizer que a culpa é toda da equipa do Sporting. A verdade andará algures pelo meio.

Sobre a parte que não vemos, não há muito a dizer para além disto. Não fossem histórias como as que se leram em 2016 no "Football Leaks" virem mostrar que esta é uma indústria em que são todos bons rapazes, eu começava a achar que tanto erro para o mesmo lado era suspeito.

Quanto ao que podemos ver, parece claro que não tínhamos equipa para jogar em alto nível duas vezes por semana. Na hora de escolher optámos por uma prova onde apenas jogamos prestígio (e Euros). Não creio que tenha sobrado grande prestígio, os Euros havemos de ver. O que já não vemos de volta são os pontos perdidos em Vila do Conde, Guimarães, Choupana, em casa com Tondela, e na Luz. Esses já foram. Quanto a mim, a ideia era ir buscar jogadores com potencial para serem titulares, impor uma lógica de ter 'duas opções para cada posição'. Era essa estratégia para estar em várias frentes. O que se tem visto é que estes potenciais titulares ou estão em adaptação, ou estão desmotivados por jogarem pouco, ou jogam mesmo pouco. O resultado é que nem temos os tais titulares para as duas frentes, nem os suplentes que precisamos quando temos metade da equipa esgotada. Acho que fariam falta mais "Brunos César", contratações que podem não fazer sonhar mas que se revelam bastante úteis.

Aproveito para desejar a todos um excelente 2017!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Boas Festas

Por motivos profissionais inadiáveis não pude ver o jogo de ontem praticamente todo. Fiquei atento às notícias. As notícias hoje são SMS para o telemóvel. Como não recebia nenhuma boa nova comecei a imaginar umas festas à moda antiga. Saí a correr e ainda deu para ver cerca de 15 minutos finais, incluindo descontos. Parece que o árbitro não assinalou mais um pénalti. Não havia oftalmologista por perto. Num dos últimos goles de cerveja o Das Bost marcou. A malta invadiu o campo. Ganhamos. Afinal valeu a pena. Boas Festas!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ou quase...

A previsibilidade do jogo do Sporting tornou-se uma das suas notas artísticas de referência. Elevar a previsibilidade a umas das belas-artes é interessante mas curto para quem ambiciona qualquer coisa. Não se trata apenas de uma hipotética baixa de rendimento, ou cansaço (nesta altura da época?) de alguns elementos, não, o jogo é pastoso, redundante, indeciso e, quando não há Gelson a soltar as amarras da imaginação, resta bombear o sangue todo para o Bost.

Foi assim ontem, mais ou menos. Na primeira parte o Braga aproveitou os desacertos dos laterais e das laterais, para objectivamente, e em contra ataques rápidos tentar chegar ao golo. O Sporting continuava como se nada fosse, deixando o tempo rolar, jogando no limite estapafúrdio do risco. Mas sem criar, praticamente, perigo junto à baliza adversária. O Abel que na noite anterior tinha lido dois manuais de treino básico e observado 2 ou 3 jogos do Sporting em casa, conseguia perfeitamente prever parte do filme, incluindo a entrada leonina fulgurante na… segunda parte. Nada de novo, portanto.

Na segunda parte, não estivéssemos nós em época natalícia de partilha, tornamos o quase e o quase-quase um símbolo digno da nossa camisola. Num quase de cariz semelhante o Braga enviou uma bola ao ferro e na sequência marcou. O quase já não chegava e de repente todos os jogadores do Braga ficaram doentes, lesionados, entrevadinhos. O árbitro teve o seu momento ao… quase assinalar um penalti e nós assim quase que empatávamos.

Já se percebeu que há jogadores quase de saída. Ou outros que quase que chegavam a jogar. Outros ainda que quase já perceberam o que fazer em campo. O Das Bost não marcou. O Slimani já não mora ali. O Ruiz parece que também não. Ao Elias fica-lhe bem o banco. O Adrien e o William não mereciam esta prenda. O Rui também não. O Coates começa a ficar paranóico com as distracções do Semedo. O João Pereira continua com cara de miúdo. Nós continuamos a acarditar. Ou quase. 

Já há substituto!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

De inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final

Vi os últimos vinte e cinco minutos da primeira parte e os últimos vinte da segunda do jogo contra o Setúbal para a Taça de Portugal. Depois de duas derrotas e de uma semana do pior, corríamos o risco de perder o resto da época neste jogo. Como diria a nossa ex-Presidente da Assembleia da República, estivemos sempre à beira do inconseguimento. Então, o Adrien, no “penalty”, inconseguiu duas vezes seguidas, valendo-nos o Rui Patrício a assegurar o inconseguimento dos jogadores do Setúbal também.

Foi de inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final, da única maneira que parece possível nesta altura. Lance rápido, Zeegelaar a correr até à linha e a centrar para a cabeçada do costume do Bas Dost. Será que aprendemos com este golo e com os outros que o Bas Dost vai marcando ou é preciso fazer um desenho? É que não se percebe tanto inconseguimento quando o conseguimento se encontra à frente do nariz.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Num cinema perto de si

O ano passado no rescaldo da derrota com o Benfica em casa escrevi: Levamos muito a sério o falhar,falhar muito, falhar melhor. Se isto era verdade no ano anterior, neste, sem o Slimani e sem a imprevisibilidade do Teo, levámos a nossa máxima ao sopé (pelo menos) do Olimpo. 

Fosse apenas isso e ainda vá. Habituados estávamos. Mas outro pormenor se eleva perigosamente à categoria de máxima: sofrer, sofrer sempre, sofrer golos. Não bastava o sofrimento geral que nos engrandecia a alma sportinguista, eis que o sofrer se tonifica de novas nuances, personificando-se em sucessivos jogos a sofrer golos. De facto, quase todos os jogos contra equipas de algum nível (tenho algumas dificuldades em lá incluir o Tondela, perdão, o Benfica, mas vá la), coincidem na particularidade de encaixarmos golos na nossa baliza, muitas vezes de forma consentida, ou, se quiserem, distraída, pouco concentrada, inábil, infantil. Se calhar faltam aí os tais mais 10% por cento de foco que sobram, supostamente, de outras partidas.

Se a tudo isto juntarmos o trabalho sempre distraído, cegueta ou menos concentrado das equipas de arbitragem, e uma estratégia de mercado (salva-se o Bas Dost e ponto final) calamitosa, para não dizer inexistente, e temos argumento para um Armagedão com o Robert de Niro a fazer de Jesus e o Leonardo Di Caprio como o tristonho Bryan Ruiz. O saudoso Philip Seymour Hoffman seria o mais indicado para fazer de Bruno de Carvalho; como tal não é possível, as negociações continuam.

Não é necessário ser um cinéfilo atento para saber como acabam quase todas as películas de Hollywood: bem. Muito bem, mas apenas para os bons da fita. Resta saber agora quem são, afinal, os bons da fita desta história. E, já agora, quem são os figurantes. Não seremos nós?

domingo, 11 de dezembro de 2016

O jogo que se perdeu na pré-época

Não se marcou num lance e na resposta sofreu-se um golo; não se marcou noutro lance e na resposta sofreu-se outro golo. Pode ser azar, mas prefiro falar em pormenores, pois são estes pormenores que ditam os vencedores em jogos como este. Os pormenores dificilmente se treinam, resultando quase sempre da qualidade [ou da falta dela] dos jogadores. É na pré-época que se acautela essa qualidade e, assim, é na pré-época que se ganham ou se perdem estes jogos.

O jogo foi equilibrado na primeira parte e o Sporting teve boas oportunidades para marcar, começando a jogada do golo do Benfica exatamente numa dessas oportunidades. Na sequência de uma jogada de andebol, o William Carvalho atrapalha-se com o Coates e permite o contra-ataque do Benfica: o passe do Rafa, a entrada do Sálvio e a falta de atenção do Zeegelaar fizeram o resto.

A segunda parte foi praticamente toda do Sporting. A entrada do Campbell mexeu com o jogo. Na primeira vez que a bola lhe chegou, foi à linha centrar atrasado para o Bas Dost rematar ao poste. Só que, na jogada seguinte, a bola andou por um lado e pelo outro da defesa do Sporting até acabar dentro da baliza, depois de uma cueca no Zeeglaar e de mais uma falta de atenção, agora do João Pereira. O Sporting não desmoralizou e ainda se lançou mais no ataque. Os lances de golo sucediam-se, com o guarda-redes do Benfica a defender tudo e mais um par de botas. O Campbell fez mais uma arrancada das suas, foi por ali fora até tirar um centro perfeito para o Bas Dost a encostar de cabeça para a baliza.

Até ao final do jogo, o Sporting continuou a tentar, mas ficou a sensação de que as forças não eram muitas e, com exceção do Campbell, não dispõe de nenhuma alternativa no banco em condições para refrescar a equipa. O Alan Ruiz foi uma verdadeira nulidade [ficámos literalmente a jogar com menos um] e a última substituição, a acabar o jogo, do Bas Dost pelo André, foi simplesmente para o Jorge Jesus tentar tirar um coelho da cartola.

O Sporting não jogou [propriamente] mal, dispõe de jogadores excecionais e de outros não tão bons, mas, em conjunto, não chegam para fazer uma equipa que se veja. Os centrais e, especialmente, o William Carvalho e o Adrien controlaram o jogo e distribuíram-no com a propósito. O Gelson Martins esticou sempre o jogo e foi um permanente sobressalto para a defesa do Benfica. O Bas Dost esteve presente na área quando era necessário e quando foi bem servido [na primeira vez atirou ao poste e na segunda meteu-a na baliza]. O Zeegelaar não serve, nem a defender nem a atacar. O Bryan Ruiz joga mal a segundo avançado [complica sempre e não é agressivo], jogando bem melhor do lado esquerdo, embora não pareça o mesmo da época passada. Com exceção do Campbell, todos os restantes são para deitar fora e quanto mais depressa melhor.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Homem com agá grande

Um tal de André Ventura, adepto do Benfica e comentador na Correio da Manhã TV [ao que me dizem], dispõe-se a fazer no seu corpo uma tatuagem com uma imagem do Sporting se o Benfica perder. Parece de homem, mas não é, e não é porque a expressão “imagem do Sporting” é demasiado vaga.

Se fosse de homem, estava disposto a fazer um concurso de ideias, sendo os adeptos do Sporting a selecionar a melhor. Não sou capaz de fazer um desenho, mas tenho umas ideias engraçadas e combinei com o A. Trindade preparar a nossa proposta. Fico à espera de que o André Ventura seja um homem e, assim, se comporte como um homem que é, um homem com agá grande [acho que é assim que se costuma dizer]. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Nem lá perto andaram...

Quando um treinador afirma na conferência de imprensa prévia a um jogo que a equipa vai estar (jogar) a 90%, fica tudo dito. A equipa percebe a mensagem. O foco, como se diz agora, está noutro local. Sempre fui daqueles que defendem (principalmente no contexto recente do SCP) que o tal foco deve ser o campeonato. Mas desculpem a maçada: não consigo assistir a jogos do Sporting apenas a 90%. Quem consegue?

O treinador poderia ter escalado outra equipa, com outros jogadores, dando-lhes tempo de jogo, estando dessa forma a preparar dois jogos. Pior que a exibição de ontem (principalmente na primeira parte) não seria de certeza. Já para não falar do resultado. E, ao menos, seria a 100%. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Coisas que nunca mudam

Ficámos na cabeça com a ideia que o “mundo é composto de mudança”. O Camões, como muito dos poetas, tem a capacidade de nos meter pela cabeça dentro aquilo que os olhos se negam a ver. No entanto, no futebol, como na vida em geral, há coisas que nunca mudam.

No futebol português, o Peseiro ou o efeito Peseiro, melhor dizendo, nunca muda. Este fim-de-semana tivemos mais um belo exemplo disso. O Peseiro pode chegar atrasado ao seu destino (inexorável), mas chega sempre.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Esta semana vai ser limpinha, limpinha

Desta vez não levamos a sério o falhar muito e cada vez melhor. Ia eu a caminho do café e já recebia a mensagem que o Sporting tinha marcado. William e de cabeça. O resto da história é uma nota de rodapé devidamente lavrada pelo árbitro, não fosse dar-se o caso de um jogo sem casos. Quatro a zero não deixa de ser um grande resultado.

Entretanto, a meio da semana vamos à Polónia com ganas de enriquecer a liga Europa. Um trabalho para uma boa equipa de reservas dar conta. O Markovic já deve andar em pulgas e o Alan Ruiz, diz-se, já terá convidado o seu irmão para a viagem. No passeio europeu, as sonantes contratações deste ano, certamente, darão um ar da sua graça. Talvez seja esta uma boa altura para o Bryan Ruiz ter mais jogo nas pernas. Todos sabemos que as férias não lhe fazem bem.

Aguardamos, com a ansiedade do costume, as notícias importantíssimas que assinalarão novas e mais pujantes contratações leoninas. Sem esquecer as respectivas saídas de jogadores insatisfeitos. Aposto que o Gelson recusará um novo contrato. Cerca de trezentos clubes já terão solicitado as respectivas credenciais para acompanhar a semana que precede o dérbi, sem contar com as (hipotéticas) novidades referentes a viagens de Bruno de carvalho acompanhado de seres humanos do género feminino.

Convinha não levar demasiado a sério o proverbio desconfia do homem que não fala e do cão que não ladra. Toda a gente sabe que são mais as vozes que as nozes. E o silêncio, por vezes, é de oiro. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Estamos de volta!

Começámos a jogar como devemos fazer sempre contra equipas como a do Setúbal em casa, a procurar resolver cedo o jogo. Antes do um a zero, aos sete minutos, já tínhamos desperdiçado duas oportunidades. Para nosso azar, o William Carvalho também começa a marcar golos de cabeça. Só faltava mais esta. Assim é que não fica muito mais tempo.

Não ficámos satisfeitos e marcámos o segundo. O árbitro anulou-o. Já tínhamos sido gamados de algumas formas. Desta ainda não. Já fomos gamados ao contrário no jogo contra o Guimarães. A continuar assim, o Bas Dost não chega aos resultados do Slimani. O árbitro, não satisfeito, ainda nos anulou outro golo limpo, depois do taralhouco do guarda-redes do Setúbal se atrapalhar com a bola.

Não desarmámos. Continuámos a pressionar. O Gelson Martins ganha um livre, num lance para amarelo do defesa, que o árbitro não mostra. Parecia que o Sporting ia inventar mais uma jogada marada cheia de bloqueios e tabelas que, quase sempre, acaba em nada. Não se chegou a saber se estava estudada uma jogada destas. O Chuta-chuta não foi de modas e atirou-a directamente lá para dentro. O guarda-redes deu um ligeiro passo em frente e foi o suficiente para ver a bola passar-lhe por cima.

Na segunda parte o jogo parecia a feijões. O Setúbal queria mas não podia. O Sporting podia mas não queria. Foi de tal forma aborrecida essa fase do jogo que li toda a entrevista de uma secretária de estado qualquer ao Correio do Minho. Pelo caminho, anularam-nos um golo e o Patrício fez uma grande defesa. A equipa descansou o tempo todo. O Jorge Jesus ainda decidiu fazer descansar um pouco mais o Bruno César, o Adrien e o Gelson Martins.

O Jorge Jesus acertou na equipa titular. É a equipa do ano passado sem o Slimani e o João Mário, por razões conhecidas. Não é bem a mesma equipa. O Bryan Ruiz desta época não é o mesmo da época passada. As férias fizeram-lhe mal. Prefiro vê-lo jogar sem férias.

Enfim, o campeonato está de volta. Seja qual for o resultado na Luz, pior não ficamos do que estávamos antes de começar esta jornada. Pelo caminho ainda temos de ir encanar a perna à rã a Varsóvia, para fazermos de conta que esta coisa das competições europeias serve para mais alguma coisa do que para nos entreter a meio da semana.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Apontamentos do jogo contra o Arouca

Dificilmente se arranja uma competição menos interessante do que a Taça Lucílio Baptista. Seja como for, ganhámos contra o Arouca. Mais um jogo aborrecido destes contra o Varzim e a coisa está feita. O Presidente do Arouca não voltou a ter uma discussão com o Bruno de Carvalho sobre o existencialismo no futebol português. Por essa razão, o Bruno de Carvalho manteve uma atitude existencial, sem necessitar de lhe mandar uma baforada de Kierkegaard à cara.

Fica para a história o golo do Alan Ruiz. Fez tudo mal, até fazer tudo bem. Em vez de dominar a bola para afrente e isolar-se, decidiu voltar para trás, fintar o defesa ao ralenti e rematar ao canto. O Alan Ruiz veio para a modalidade errada. Para jogar assim, prefiro o Cavinato, o Fortino ou o Diogo.

O Castaignos é um caso perdido. Há dias, num jogo qualquer, atrapalhou-se a si próprio e passou a bola para trás do Bas Dost que estava isolado e pronto para a empurrar para a baliza. Dessa vez, podia haver a desculpa do relvado. No jogo para a Taça de Portugal, deixou de haver dúvidas. O esforço que fez para ficar em fora-de-jogo e invalidar o golo do Matheus Pereira reflecte uma completa incompreensão do jogo, dos movimentos dos colegas e adversários e das regras. Desta vez foi um pouco pior ainda. Em vez de acertar na bola, enfiou uma biqueirada no guarda-redes. Bem sei que o guarda-redes é um pouco para ao gordo, mas ainda existe uma diferença entre ele e a bola. Acabou por se lesionar. Não só prejudica a equipa onde joga como se prejudica a si próprio.