A FIFA integra 211 federações de futebol cujas respetivas seleções disputam o Campeonato Mundial de Futebol. Para a fase final do Campeonato Mundial de 2026, foram apuradas 48 seleções, mais 16 do que anteriormente. Em teoria, há 211 candidatos à vitória final. Se se pretender ser mais rigoroso, mais sério, há somente 48 ou 32 seleções em cada Mundial, se se tiver em consideração mais o passado do que o presente. No entanto, as seleções não são todas iguais, não dispõem todas das mesmas possibilidades de êxito, e aquelas que dispõem hoje de maiores possibilidades de êxito não são as mesmas que delas dispunham no passado.
Há sempre quem considere que haverá mais e outros que haverá menos candidatos à vitória final, mas só uma coisa é certa: até hoje, apenas 8 seleções ganharam o Campeonato Mundial de Futebol. Se se tiver em consideração que a última vitória da seleção do Uruguai foi em 1950, há cerca de 76 anos, e a última [e única] vitória da Inglaterra foi em 1966, há cerca de 60 anos, este número reduz-se para apenas 6 [nos últimos 60 anos]. Como é que em 60 anos só cerca de 3% das seleções é que ganharam o Campeonato Mundial [ou 13% se se considerar exclusivamente a fase final]? O jeito para o pontapé na bola está, assim, tão geograficamente concentrado?
Sem o empenhamento da FIFA na glorificação do Messi como melhor jogador de todos os tempos, a Argentina ganharia o campeonato de 2022 e chegaria à final de 2026? Sem a organização do campeonato como manobra de propaganda do regime fascista de Mussolini ou da junta militar que instaurou o Processo de Reorganização Nacional, a Itália ganharia o Mundial de 1934 e a Argentina o Mundial de 1978? Sem a organização do campeonato, a França de Zidane ganharia o Mundial de 1998, coisa que a extraordinária seleção de Platini não conseguiu em 1982 e 1986? A escolha do Catar para a organização do Mundial de 2022 deveu-se às excelentes condições climatéricas do Sudoeste Asiático para se jogar à bola?
Sem o Cristiano Ronaldo, a seleção portuguesa passará a ser como tantas outras das quais não reza a história. Tem direito a participar na festa, tem sim senhor, mas tão-só, pouco interessando dispor de bons ou maus jogadores e de jogar melhor ou pior. É que na FIFA aplica-se literalmente “A Tirania do Mérito”, título do último livro de Michael J. Sandel, professor na Universidade de Harvard, em que a tirania determina o mérito [e quem o tem ou não tem], e o mérito os vencedores e os perdedores.
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