quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O Dier outra vez

Desta vez são o Slimani e o Rojo. Os jogadores querem ganhar mais, sendo legítimo. Os clubes dispõem dos seus direitos desportivos e só estão disponíveis a transacioná-los se ganharem o mais possível em termos desportivos, quer financeiros, sendo legítimo também. A legitimidade é um pouco maior ainda: os riscos dos clubes ao fazerem contractos de três, quatro ou cinco anos são enormes, pois, para se acertar num Slimani é necessário enfiar dois ou três barretes [ou Purovics, como se quiser]. A venda do primeiro [Slimani] não só necessita de ser lucrativa [por si só] como também de assegurar uma rentabilidade do capital investido que permita suportar os dois ou três Purovics. 
 
Os jogadores são aliciados com salários mais elevados. Os fundos pretendem recuperar o capital no mais curto espaço de tempo e com a maior rentabilidade possível. Os empresários dos jogadores ganham mais quanto maior for o número de transações do mesmo jogador. E os clubes, o que é que os clubes podem fazer? Se não têm cheta, cedem. Se não estiverem com uma mão atrás e outra à frente, podem estar dispostos a perder tudo e, assim, a colocar os jogadores a treinar na Equipa B, como exemplo para todos os outros e para os seus empresários.

A solução acaba por se encontrar a meio do caminho destas duas opções mais extremas, embora mais próxima da primeira do que da segunda: os clubes fingem que não cedem até cederem num “timing” diferente e envolvendo um clube [comprador] também diferente. A moral da história é sempre a mesma: o futebol dispõe de um modelo de negócios peculiar, onde todos os envolvidos ganham e enriquecem, com exceção das organizações [os clubes] que são [efetivamente] responsáveis pela prestação do serviço, por colocarem onze jogadores de cada lado a jogar à bola.

4 comentários:

  1. Lindo! Por alguma razão fico sempre à espera de ler este blog!

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  2. Caro Rui,

    Na realidade o futebol deve ser dos únicos negócios em que os funcionários enriquecem à custa de uma empresa falida. No caso português é ainda mais flagrante.
    O Sporting, depois de reestruturar a sua dívida, é um clube minimamente estável mas que herda um herança tão triste e desesperante que tem de marcar posição.
    Que clube no mundo é que cede 75% de um jogador após uma compra, por menos um milhão, e depois ainda garante 20% ao clube a quem comprou? Só um doido faz este negócio, sabendo que só poderia recuperar parte do passe em Setembro de 2015.
    Quanto a Slimani, forçou a saída do antigo clube por rescisão e agora quer ganhar uns milhões valentes outra vez.
    Mas o que eles se esquecem é de que assinaram os contratos, com duração de mais três anos, de alma e coração.
    Eu também posso achar que mereço mais dinheiro, faço tudo a tempo e horas e ainda mais do que devia, mas se pedir um aumento passado uns meses, o meu patrão vai-se rir. Não é por isso que deixo de aparecer no escritório...

    Mais uma vez, o Sporting tem de lidar com pressões de empresários, jogadores e fundos e vai ter de ceder. Isto depois de um ano em que achámos todos que isto tinha acabado.

    É uma herança pesada, de facto...

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    1. Maria,

      As anteriores direções andaram a dormir, especialmente a última. No caso do Rojo, o negócio como está não tem nenhum interesse para o Sporting. É preciso que alguém pague mais ao lado para que o Sporting esteja interessado em fazê-lo. De outra forma, vale mais perder tudo, que não é muito em termos relativos, e ficar com o jogador na equipa de futsal ou de andebol.

      Quanto ao Slimani a coisa é diferente. Agora, é necessário que alguém bata os carcanhóis que o Sporting pretende. Se não baterem, ou o Slimani ganha juízo ou então vai fazer companhia ao Rojo no futsal ou no andebol.

      Agora, o problema não é só da direção anterior. É um problema de todos os clubes. Está na hora de se unirem para não se deixarem roubar.

      Um beijo.

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