(...) para seu espanto, percebia que, na verdade, não eram dadas ordens nenhumas e que o príncipe Bagration apenas fazia de conta que tudo o que era feito por necessidade, por acaso ou por vontade deste ou daquele comandante acontecia, se não por ordem dele, pelo menos de acordo com as suas intenções.
Guerra e Paz, Lev Tolstói
Estivesse eu com o bom humor em alta e faria referência ao
hat-trick do Coates, mas deixo isso para a imprensa desportiva sempre atenta ao
Sporting quando as coisas correm de feição. O Coates, já o disse aqui, ainda está
de férias, e culpa tem quem o mete a jogar fora dos areais.
Posto isto, temos que abordar o tema referente à família Pinaceae, a dos pinheiros. Neste caso,
não se trata (ainda) do avançado que um antigo treinador do Sporting queria
como referência estática atacante, não, mas do Sr.Pinheiro, ilustre dignatário
da arbitragem que nos foi oferecida este sábado passado.
Três pontapés de grande penalidade em Alvalade? Acho pouco.
Ficou a faltar um sobre o Raphinha, mas esse, como o seu autor vai a caminho do
Rennes relançar a carreira, o árbitro achou por bem não ver. Mais uma vez o VAR
tinha ido ao BAR. É claro que o segundo penálti assinalado contra o Sporting é
digno de um devaneio místico, apenas compreendido à luz de um consumo exacerbado
de substâncias psicotrópicas, muito comuns em rituais perpetrados por algumas
tribos indígenas, nomeadamente em festivais de música e em cangostas do Gerês.
Todavia, as visões místicas muito em voga em jogos do
Sporting, não explicam tudo. Não explicam – embora o consumo de algumas dessas substâncias
nos pudesse ajudar artificialmente em alguns momentos – o facto de, mais uma
vez, a equipa dar a sensação que se tenha conhecido no dia anterior numa
discoteca e marcado uma peladinha para as 19 h de sábado. Tudo ressacado obviamente.
O problema não é apenas a defesa, embora o Coates esteja ao
nível do meu sobrinho que fez agora um ano, em termos de corridas de gatas.
Qualquer treinador adversário percebe que este Sporting, entre linhas, depois
das linhas, ao lado das linhas, seja em transições seja em memorandos para o
mestre Fernandes, não sabe com que linhas (estejam elas onde estiverem) se
cose. A minha avó era costureira, sei do que falo.
Sabe o treinador adversário, mas não sabe o nosso. Não sabe,
mesmo depois de um estágio de quase um ano em pipas do melhor carvalho
português. Não gostará da pinga? Gosta, mas não é especialista. Talvez fosse um
bom funcionário público que em tempos treinou o Ajax jovem nas horas vagas e
que, faltando melhor, treinou o Ajax menos jovem durante quinze dias. Depois
foi para o Médio Oriente. O Rui Vitória tem por lá grande sucesso, tudo é
possível.
Agora, é preciso ter olho para escolher um bom funcionário
público exilado no Médio Oriente. Foi isso que fizemos. Não queremos cá especialistas.
A começar pelos dirigentes.
Todos pela Amazónia. Todos pelo Sporting.