terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Terra Onde o Tempo Parou

O Porto, clube, de Pinto da Costa podia dar um filme [e que filme!], um filme de “gangsters”, com atores carismáticos, desde os mais antigos, como James Cagney, Edward G. Robinson ou Humphrey Bogart, protagonistas de “Heróis Esquecidos” ou “Anjos de Cara Suja”, aos mais recentes, como Robert De Niro, James Caan, Marlon Brando, Al Pacino, James Woods ou Joe Pesci, protagonistas do “Padrinho” ou do “Era uma vez na América”. No entanto, um filme de “gangsters” português não é, nunca pode ser igual a um americano, pois, num país pindérico como o nosso, o Estado Novo nunca permitiria a “Lei Seca” enquanto “beber vinho desse de comer a um milhão de portugueses” e não se compara a sordidez de boates como o "Calor da Noite" ao “glamour” de “speakeasies” como o "21" Club de Nova Iorque [e não, ninguém associaria “golden whistle” a fruta ou a café com leite].

Podia dar um filme se fosse interessante recriar [no presente] esse passado, mas, há uma semana atrás, no jogo contra o Manchester City para a Liga dos Campeões, o Porto, clube, lembrou-nos que o tempo nunca muda, não havendo passado [só presente, um eterno presente]. No livro “A Terra Onde o Tempo Parou”, do escritor checo Bohumil Hrabal, são os habitantes de uma localidade que se recusam a compreender a mudança dos tempos num determinado contexto histórico [antes, durante e após a II Guerra Mundial], continuando a viver habitualmente; no Porto, clube, os tempos nunca mudam, sejam as pessoas quais forem, seja o contexto histórico ou a localidade qual for. No Porto, clube, chama-se identidade a esta [estranha] forma de resistência ao tempo que passa [mesmo repetindo-se a história como farsa].

Sem comentários:

Enviar um comentário