segunda-feira, 22 de junho de 2026

Três em cada quatro pessoas fazem parte de setenta e cinco por cento da população

“Um jornal acabou de publicar os resultados de um inquérito: aparentemente, três em cada quatro pessoas fazem parte de setenta e cinco por cento da população”; esta é uma piada de David Letterman, famoso apresentador do “Late Night” e do “Late Show”, contada no “Riso, Humor e […] Matemática”, de Cláudia Custódio. O óbvio é [obviamente] autoexplicativo [e ainda pode ter piada]. 

Gary Lineker afirmou [mais coisa, menos coisa] que: “no futebol, são onze de cada lado e, no fim, ganha a Alemanha” [no contexto desta afirmação, fazia sentido a referência à Alemanha, mas não é para aqui chamada]. Disse o óbvio e o óbvio [obviamente] devia ser óbvio para todos, mas não é [ou não foi] quando se analisa o jogo de Portugal contra a República Democrática do Congo.

O ponta-de-lança serve para marcar golos e como o Cristiano Ronaldo é ponta-de-lança, logo, se não marca, não joga bem e, se não joga bem, a culpa do resultado só pode ser dele. Diz-se que está velho, pois os velhos não têm qualquer préstimo nas sociedades contemporâneas. Está-se a esquecer que, de um lado, do lado português, estão onze, onze jogadores, uma equipa, não um, por mais brilhante que possa ser. 

Os jogadores da nossa seleção esqueceram-se da baliza e só passaram a bola para trás e para os lados [e a passar a bola para trás e para os lados ninguém ganha jogo nenhum, conclui-se]. Não passaram para a frente porque quiseram, porque não lhes apeteceu, porque não foi o que tinham combinado, depreende-se. Está-se a esquecer que, do outro lado, também estavam onze jogadores, uma equipa, que não permitiu que se jogasse de outra forma.

Portugal empatou, logo não jogou bem, pois jogar bem por jogar bem só se os jogos se decidissem pela classificação atribuída por um júri, como na patinagem artística. É como se um facto [um empate], um simples facto encerrasse [em si mesmo] a sua explicação, fosse autoexplicativo. Recorrendo a Gary Lineker, a conclusão é óbvia [ou devia ser óbvia]: o treinador e a equipa da República Democrática do Congo prepararam melhor o jogo, sabiam melhor o que fazer [e fizeram-no]. 

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