“Um jornal acabou de publicar os resultados de um inquérito: aparentemente, três em cada quatro pessoas fazem parte de setenta e cinco por cento da população”; esta é uma piada de David Letterman, famoso apresentador do “Late Night” e do “Late Show”, contada no “Riso, Humor e […] Matemática”, de Cláudia Custódio. O óbvio é [obviamente] autoexplicativo [e ainda pode ter piada].
Gary Lineker afirmou [mais coisa, menos coisa] que: “no futebol, são onze de cada lado e, no fim, ganha a Alemanha” [no contexto desta afirmação, fazia sentido a referência à Alemanha, mas essa seleção não é para aqui chamada]. Disse o óbvio e o óbvio [obviamente] devia ser óbvio para todos, mas não é [ou não foi] quando se analisa o jogo de Portugal contra a República Democrática do Congo.
O ponta-de-lança serve para marcar golos e como o Cristiano Ronaldo é ponta-de-lança, logo, se não marca, não joga bem e, se não joga bem, a culpa do resultado só pode ser dele. Diz-se que está velho, pois os velhos não têm qualquer préstimo nas sociedades contemporâneas. Está-se a esquecer que, de um lado, do lado português, estão onze, onze jogadores, não um, por mais decisivo que possa ser.
Os jogadores da nossa seleção esqueceram-se da baliza e só passaram a bola para trás e para os lados [e a passar a bola para trás e para os lados ninguém ganha jogo nenhum, conclui-se]. Não passaram para a frente porque quiseram, porque não lhes apeteceu, porque não foi o que tinham combinado, depreende-se. Está-se a esquecer que, do outro lado, também estavam onze jogadores, uma equipa, que não permitiu que a outra jogasse de forma diferente.
Portugal empatou, logo não jogou bem, pois jogar bem por jogar bem só se os jogos se decidissem pela classificação atribuída por um júri, como na patinagem artística. É como se um facto [um empate], um simples facto encerrasse [em si mesmo] a sua explicação, fosse autoexplicativo. Recorrendo a Gary Lineker, a conclusão é óbvia [ou devia ser óbvia]: o treinador e a equipa da República Democrática do Congo prepararam melhor o jogo, sabiam melhor o que fazer [e fizeram-no].
Como dizia Bobby Robson, daqui a um ano Cristiano Ronaldo vai fazer mais um ano. Vai estar velho. LOL
ResponderEliminarEssa é a grande preocupação de muitos jornalistas, a seleção não é tão importante.
Contra a RD do Congo Martinez colocou Ronaldo no meio dos centrais à espera que a bola lhe chegasse. Não chegou.. A bola circulou em todo o campo com tanto cuidado que nunca saiu do dito, para trás, para o lado. 75 % de posse de bola.
Bom mas depois houve outro jogo e foi um Santo António. 5x0. Ronaldo marcou 2 e está nos outros. Homem do Jogo. Ronaldo é como o vinho do Porto, quanto mais velho melhorLOL
Meu caro,
EliminarDaqui a um ano o Cristiano Ronaldo vai estar um ano mais velho e, pior [ou melhor] ainda, daqui a dez anos os Cristiano Ronaldo vai estar dez anos mais velho. Os adeptos portugueses têm uma relação muito pouco saudável com o seu melhor jogador de todos os tempos. De tanto o confundirem com a própria seleção, atribuem-lhe as vitórias como as derrotas: quando ganha é como só tivesse ganhado o Cristiano Ronaldo; quando perdem é como só tivesse perdido o Cristiano Ronaldo. Deve haver uma psicossociologia qualquer que deve explicar esta bipolaridade nacional.
SL
RM