sábado, 10 de setembro de 2011

Construir a equipa a partir de factos e não de teorias

Início do jogo, início da palhaçada. A palhaçada continua. Lançamentos laterais, livres, cantos, de tudo um pouco. A palhaçada mais engraçada foi o livre contra o Sporting depois do Capel agarrar a bola para marcar o lançamento de linha lateral.

Para que a palhaçada em Paços de Ferreira fosse plena, nada melhor que reproduzi-la em estúdio. O Batatinha e Companhia efectuaram o trabalho com zelo para alegria da pequenada.

Depois tudo acabou com a típica moral da história dos jogos de futebol. É preciso ter jogadores na área que tenham com única preocupação a bola e a baliza. Nada de conversas das desmarcações para arrastar os defesas, das tabelinhas com os médios e por aí fora. Só fome de golos, bola lá dentro e mais nada.

Esperemos que o Domingos tenha apreendido qualquer coisa também e comece a construir a equipa a partir de factos e não de teorias. É preciso o Onyewu para defender o primeiro poste nas bolas paradas. O Rubio e o Wolfswinkel, para mim, ficavam. A ideia de ter um avançado sozinho e, ainda para mais, o Bojinov, que não é propriamente um ponta-de-lança fixo, talvez resulte contra equipa com outra qualidade. Para as equipas do campeonato nacional é uma forma de dar descanso às defesas contrárias. O resto que os coloque como quiser, mas que não pareça que se andam a atrapalhar no meio-campo.


Pelos vistos, a palhaçada já vinha da Luz. Até agora, o Porto tinha beneficiado de dois penalties sem que o Benfica beneficiasse de nenhum. Era preciso pôr as coisas nos seus devidos lugares.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Genial

Se pudesse voltar atrás, seria do Porto. Os pais têm sempre razão. Só mais tarde é que percebemos as razões deles. Avisado andava o meu pai quando queria que fosse do Porto. Só que não posso voltar atrás. Resta-me continuar com todos os vícios: o do Sporting, o de fumar, e o de fumar mais quando vejo os jogos do Sporting.

Isto tudo para falar da recente candidatura do Filipe Soares Franco à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. O Porto, no ano passado, encenou a dissidência com o Fernando Gomes e, depois, mandou os clubes da Liga Orangina promover a sua candidatura a Presidente da Liga. Este ano, sacou esta candidatura do Filipe Soares Franco.

Tudo está tratado. O que interessa, sobretudo o Conselho de Arbitragem, mas também o Conselho de Justiça e o Conselho de Disciplina, fica com quem sabe e com quem se sabe. O Filipe Soares Franco assume o papel de Rainha de Inglaterra na presidência. Que ninguém se queixe de falta de abrangência da candidatura e de isenção.

Tudo isto, ainda para mais, sai barato. Custa um simpático salário de Presidente, pago, pelo menos em parte, por todos nós, sportinguistas e benfiquistas incluídos, à custa do apoio do Estado português à Federação Portuguesa de Futebol (que, agora, reúne todas as condições para dispor em pleno do estatuto de Utilidade Pública).

Genial, não acham?

Havia gente que roubava...

Numa surpreendente declaração durante um reunião de esclarecimentos aos sócios do grande Sporting, o nosso Presidente informou que antes de ele chegar ao Clube "Havia gente que roubava!" e que agora esses meliantes foram despedidos.

Infelizmente e como é habitual nestas situações, nada de concreto.
Uma declaração que nada acrescenta ao Clube e aos seus funcionários.

Será que era o médico que roubava aspirinas?
Ou o Couceiro levou uns coletes e pinos para casa?
Ou terá sido o Hildbrand que levou umas cervejas e um par de luvas?

Uma sessão de esclarecimentos que não esclarece.

Assim se transforma uma boa ideia numa ideia de merda!

Saudações Leoninas,

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Postiga não nos engana quando nos engana

Finalmente percebi a utilidade do Postiga. O Paulo Bento, na entrevista da passada terça-feira, explicou-a muito bem. Na novilíngua do futebolês nacional, explicou que o “Postiga, com as sua permanentes movimentações exteriores, permite abrir espaços interiores por onde podem jogar os seu colegas que vêm do exterior”. Como vêem isto não é fácil de perceber; e é compreensível que alguém como eu, que só lê o Correio da Manhã, tenha dificuldades em lá chegar.

Se bem percebi, o Postiga é bom ponta-de-lança porque não é ponta-de-lança. Entra como e para tal, mas engana. Faz-se de ponta-de-lança mas é médio ou extremo. Os seus colegas dedicam-se ao engano também. Entram como médios ou extremos, mas são na verdade pontas-de-lança. Esta arte do engano tem tudo para correr bem. A questão dos golos parece ser de somenos.

Se tivessem sabido disto no seu tempo, o Jardel, o Romário ou o Marco van Basten poderiam ter tido carreiras bem sucedidas. O Rooney, o Drogba ou o Falcão ainda vão a tempo de se emendar. Menos-mal, portanto.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Desertores e mercenários

Ontem voltaram a chover no molhado. Não satisfeito com toda esta história do Ricardo Carvalho, o Paulo Bento voltou a falar nela. Uma certa frontalidade quando se está na “mó de baixo”, como quando estava no Sporting e falava dos árbitros, é uma forma de coragem; quando se está na “mó de cima”, como é actual situação de seleccionador nacional, é uma forma de soberba. Começo a considerar que o Paulo Bento não é corajoso, mas, simplesmente, conflituoso. Digo isto com muita pena, aliás.

Nesta entrevista, como na do Ricardo Carvalho, o jornalismo baixa ao nível mais rasteiro. Nada de perguntas incómodas e um ambiente de sã convivência como se entrevistado e entrevistador(es) estivessem em amena cavaqueira entre amigos. Nada a que não estivéssemos habituados, mesmo na televisão pública.

Ninguém se dá ao trabalho de salientar, pelo menos, as contradições dos argumentos. Chamar mercenário ao seleccionador é uma ofensa. Chamar a um jogador desertor, é o recurso a uma metáfora militar que muito se adequa ao futebol e ao desporto em geral. Um jogador não treinar, por estar em recuperação, e jogar a titular (como foi o caso do Pepe) é a mesma coisa que um jogador não treinar, por também estar em recuperação, e não jogar de todo ou só entrar na segunda parte (caso do Ricardo Carvalho). Tudo isto sem contraditório e num tom de absoluta consensualidade.

O Ricardo Carvalho esteve muito mal. Até agora ainda não vi que o Paulo Bento tivesse estado melhor. Só que os dois não estão ao mesmo nível. Pede-se mais ao Paulo Bento, tenho muita pena.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Saudades do Cruz dos Santos e do Freitas Lobo

Hoje, eu e o meu amigo Júlio Pereira, regressámos ao trabalho. Acabaram as longas tardes a ler o Cruz dos Santos ou o Freitas Lobo. Depois destas leituras nunca mais voltaremos a ser os mesmos. Há lesões que ficam para toda a vida.

A táctica no trabalho é mais exigente do que a do Domingos. Não basta pressionar o adversário. Não basta circular bem a bola. Não basta ir rematando de vez em quando à baliza e marcar um ou outro golo. É preciso fazer isto e muito mais com toda a gente a assobiar, mesmo que seja para o lado. E não há desculpas. É escusado fazer beicinho.

Enfim, vamos ver se conseguimos aguentar mais um ano, até às próximas férias. Vamos ver se sobra paciência e algum tempo para vir aqui, entretanto, mandar umas bojardas.

domingo, 4 de setembro de 2011

Sai uma zona mista e uma meia de leite para as mesas do costume…

Chama-se “Zona Mista” e passa na RTPN, televisão pública paga por todos nós. Tanto quanto se consegue depreender do formato, pretende ser um programa de debate semanal sobre a actualidade futebolística onde… adepto do Sporting não entra. Ou seja, uma espécie de tosta mista, com uma fatia de Benfica e uma fatia de Porto, condimentada com abundante molho ketchup do habitual moderador Hugo Gilberto. Os dois ingredientes principais são representados pelo João Gobern e pelo Bruno Prata, jornalistas da Antena 1 e do Público, respectivamente, que aqui fazem uma perninha enquanto comentadores televisivos de futebol.
O Bruno Prata, reconheça-se, é, normalmente, apesar de tudo, o participante mais equilibrado do “Zona Mista”. Tem, contudo, nas últimas semanas e como aqui já foi dito, criticado acerrimamente o Sporting pelas suas tomadas de posição sobre a arbitragem. Diz o simpático jornalista nortenho do Público que, no fundo, o Sporting quer é ser tão beneficiado como o Porto ou o Benfica.
Será que Bruno Prata pretende insinuar que o Porto e o Benfica têm sido sistematicamente os dois clubes mais beneficiados pela arbitragem nacional ao longo das últimas décadas? É certo que o Sporting apenas foi campeão duas vezes nas últimas três décadas, por mera coincidência em anos em que vigorava o sorteio mais ou menos puro para a nomeação dos árbitros. É certo que alguém com a clarividência do Rui Jorge – actual seleccionador nacional de sub 21 – que passou pelo Porto e pelo Sporting disse várias vezes: “Joguei seis anos no FC Porto, sete no Sporting e é uma questão de ver quantas vezes fui expulso num lado e noutro. Pergunto: será que mudei tanto a minha atitude e personalidade desde que fui para Alvalade? Eu tenho a certeza de que fui sempre igual." É certo que alguém com a credibilidade do Paulo Bento – actual seleccionador nacional – que passou pelo Benfica e pelo Sporting afirmou repetidamente que O Sporting tem sido manifestamente prejudicado [pelas arbitragens]. Porquê? O clube é muito simpático, por isso tem esse retorno”… Mesmo assim, é a primeira vez que um reputado jornalista desportivo coloca a hipótese do Porto e do Benfica serem sistematicamente beneficiados pelas arbitragens nacionais, constituindo, sem dúvida, essa afirmação de Bruno Prata uma flagrante injustiça para os nossos dois maiores rivais, como o Diabo Vermelho de Gaia ou o Guarda Abel facilmente lhe poderão explicar.
Mas, quanto ao resto, convenhamos que Bruno Prata diz a mais pura das verdades. Enquanto fervoroso adepto sportinguista, confesso que, nos inícios de época ou em momentos decisivos da Liga Portuguesa, eu próprio tenho, por vezes, o impulso secreto de que fala o Bruno Prata. Sim, aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu sonho por vezes em ter arbitragens tão isentas quanto as que se passam nos jogos do Porto e do Benfica. Nesses momentos, os meus instintos mais primários dão-me para ansiar por penaltys a favor do Sporting, imaginem lá, por agarrões em cantos. Noutras ocasiões, sonho ver marcar penalty a nosso favor em jogadas em que, por exemplo, um bulldozer como o Onyewu, depois de receber um piparote de um qualquer médio lingrinhas adversário, se esparrama no área contrária como se tivesse sido atropelado por um carro blindado. Também tenho desejos insanos por golos leoninos obtidos em fora de jogo ou, do lado contrário, por fiscais de linha que cortem mais jogadas que o Ricardo Carvalho ou o Piqué juntos. Mais, os meus delírios leoninos incluem igualmente a total inimputabilidade dos nossos jogadores no plano disciplinar – calcadelas à uruguaia, cotoveladas à paraguaia, chapadas à espanhola, sarrafadas à argentina, varridelas à brasileira, tudo isso, jogo após jogo, passa completamente em claro, dentro ou fora da nossa área. Pelo contrário, nesse meu campeonato imaginário, os adversários do Sporting raramente acabam o jogo com onze jogadores em campo e são condicionados, logo à partida, com amarelos à medida. Mesmo assim a minha imaginação, lamentavelmente, tem muitas dificuldades para acompanhar a realidade -  afinal, só vamos na terceira jornada…
Felizmente, ao acordar no dia seguinte, vejo que quem está nomeado para os jogos do Sporting, do Porto ou do Benfica são árbitros como o Proença, o Olegário, ou o João Ferreira e, imediatamente, esses meus maus instintos desportivos dissipam-se como por magia… Depois, enquanto saboreio a minha tosta mista matinal, vou lendo ou ouvindo os habituais comentários do Cruz dos Santos, do Paraty, ou do Pedro Henriques e fico ainda mais tranquilo sobre as nomeações e as arbitragens passadas ou futuras… Afinal, como toda a gente sabe e os excelentes comentadores que temos não se cansam de nos recordar, a isenção da arbitragem nacional dá totais garantias que, após as trinta jornadas da Liga Portuguesa, o deve e haver dos erros dos homens do apito resulta sempre num saldo nulo para todos os Clubes que nela participam, em particular, entre os três grandes…
Enfim, como dizia Ambrose Bierce, um lugar-comum é isto mesmo: uma moral sem história, uma ideia que ressona em palavras que fumegam, nada mais que uma meia de leite-e- moralidade…

Mercado, liderança e exemplo

1. Durante a transmissão do jogo Chipre – Portugal, os nossos jornalistas, sempre cheios de preconceitos e de teias-de-aranha na cabeça, perguntavam-se e perguntavam como é que era possível o Sporting ter vendido o avançado titular da selecção nacional por um milhão de euros. A pergunta certa não é essa. A pergunta certa é: como é que ninguém está disposto a dar mais de um milhão de euros pelo titular da selecção nacional? Ainda por cima, quem deu um milhão não foi um clube de futebol mas uma coisa que mais parece uma “off shore”. Não nos estão todos os dias a informar que por definição o mercado é omnisciente?

2. O Ricardo Carvalho respondeu no mesmo tom ao Paulo Bento. Quando o seleccionador nacional se coloca ao mesmo nível dos jogadores, não é de estranhar. Pelos vistos, a estupidez não pára por aqui e o Paulo Bento prepara-se para continuar com esta conversa. A liderança é um pouco inata mas também se aprende. Aconselho a que a FPF obrigue os seccionadores e lerem o Goleman ou outro qualquer do género. Se não perceberem, podem enviá-los sempre para uma reciclagem na Harvard Business School.

3. Gosto do Cristiano Ronaldo. Dele, do seu futebol, da família, das namoradas, do filho encomendado; de tudo. Mas do que mais gosto é de o ver em campo. Não há nada mais incentivador para um jogador do que os assobios da bancada. Ele sabia, nós sabíamos, que acabaria a mandá-los calar e a dar-lhes autógrafos. Mal esboçou a finta do segundo golo, todos sabíamos que a bola já só parava lá dentro. Depois ainda se deu ao requinte de, com uma arrancada no fim do jogo, acabar de destruir a defesa, incluindo o guarda-redes, do Chipre. As respostas aos assobios dão-se em campo. Pode ser que as nossas Marias Amélias aprendam alguma coisa com ele.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Porto, os Super Heróis e a Liga da Injustiça

Há alguns anos atrás, a Câmara Municipal do Porto organizava, no início de cada época, o Troféu Internacional da Cidade do Porto, em parceria com o Porto e o Boavista. A exemplo dos tradicionais “veraniegos” espanhóis, também neste caso a lotaria saía normalmente sempre aos da casa. No dia em que tal não sucedeu, o Vereador do Desporto da Câmara Municipal do Porto (infelizmente já desaparecido), por sinal um ex- dirigente do Futebol Clube do Porto, acusou directamente o árbitro desse jogo de não ser… patriota…
Mais de uma década depois dos árbitros patriotas, entramos, agora, pelas sábias palavras de Pinto da Costa, na era dos árbitros heróis. Os nossos irmãos brasileiros dizem que "o juiz de futebol é o único ladrão que rouba na presença de milhares de pessoas e ainda vai para casa protegido pela polícia...". O Porto, pelo contrário, não tem dúvidas em atestar a massa com que são moldados os heróis da arbitragem nacional.
Seguidor das ancestrais tradições romanas, o Porto aclama sempre os seus heróis, reconhecendo justamente o seu quinhão de mérito nas vitórias portistas. Mas, adaptando à sua maneira a velha máxima de Roma, o Porto também… “não paga a traidores”. Independentemente dos resultados, independentemente de ser nos seus jogos ou nos desafios dos adversários mais directos, o Porto trata sempre de forma exemplar os seus heróis, mas também os traidores.
No ano passado, o Porto teve apenas três empates no campeonato, momentos em que, como veremos, a sua reacção foi sempre exemplar:
- No Guimarães 1 – Porto 1, Villas Boas foi expulso por contestar a arbitragem. No dia seguinte, Pinto da Costa sugeriu amavelmente que o árbitro do jogo (Carlos Xistra), deveria pedir férias (presume-se que com destino ao Brasil…). Porém, as críticas de Pinto da Costa não se cingiram apenas ao homem do apito, orientando-se também para a nomeação de Alberto Braga, lembrando que “na época passada tirara dois golos limpos ao FC Porto frente ao Paços de Ferreira”.
- No Sporting 1 – Porto 1, Villas Boas foi de novo expulso por contestar a arbitragem. Após a divulgação da nota do árbitro, o mesmíssimo Villas Boas não se coibiu de a classificar como ridícula, considerando que a arbitragem tinha sido “tão má", que havia tido "influência directa no resultado nos mais variados sentidos”.
- Por fim, no Porto 3 – Paços de Ferreira 3. Mesmo com o Porto há muito tempo campeão, após este empate caseiro, Pinto da Costa não resistiu a um amigável aviso a Cosme Machado, árbitro do encontro: “ Estamos só numa tentativa de terminar o campeonato sem perder, mas vai-me preocupar se esse trio continuar em actividade na próxima época”.
A exemplar atenção do Porto para com os árbitros não fica apenas pelos jogos que não consegue vencer. No célebre Benfica 1 – Porto 2 do apagão, Pinto da Costa criticou violentamente (com razão, diga-se - não é isso que está em causa, mas sim o tipo de registo utilizado) a nota atribuída a Duarte Gomes, considerando-a "um escândalo".
Mas o Porto dedica também particular atenção à actuação dos árbitros nos encontros onde intervêm os principais rivais. Nas reacções a essas actuações o Porto revela sempre, como adiante confirmaremos, imenso cuidado para não fazer qualquer tipo de insinuações sobre a falta de isenção ou de honestidade dos árbitros em causa. Foi, pois, por certo, por temer quaisquer posições de força por parte da Liga ou da APAF, que, por exemplo, em 20/1/2011, Pinto da Costa, quando questionado sobre se gostaria de contratar outro jogador do Benfica, respondeu com a elegância que o distingue: “Para quê? Não nos interessa. Se calhar do Benfica o único que eu gostava era o Elmano Santos”, aludindo ao árbitro madeirense que dirigiu o Académica-Benfica, onde os “encarnados” venceram com um golo duplamente ilegal de Saviola.
Todo este tratamento carinhoso aos árbitros foi dado pelo Porto na época 2010/2011, num campeonato que, sublinhe-se, venceu (justamente, como é óbvio) com 21 pontos de avanço em relação ao segundo classificado… Do lado de Vitor Pereira, dos árbitros visados, da Liga, ou da sempre corajosa APAF, o silêncio em relação a este tipo de amabilidades portistas não foi apenas ensurdecedor, mas também esclarecedor (ou mais simpaticamente até, enternecedor...).

Nesta nova época, é caso para perguntar: com tantos heróis a ajudar, para quê substituir Villas Boas, para quê substituir Falcão? Neste momento, o único insubstituível é, de facto, o… Vitor Pereira, sim, evidentemente, esse mesmo, o Super Herói…

Um certo sabor a sangue

Ser seleccionador nacional não é tarefa fácil. É o único que persegue o seu interesse próprio, tendo que convencer ao mesmo tempo os jogadores do contrário, isto é, que estão a jogar em defesa dos superiores interesses da nação e, mesmo, deles próprios. A ele pagam-lhe; aos jogadores, para além de uns trocos, a pátria agradece.

Enquanto os jogadores são novos e têm grandes aspirações e desejos de conquista, esta patranha ainda pode pegar. Quando já têm uma certa idade e estão mais próximos do fim da carreira, percebem o logro em que estão metidos.

É preciso compreender este contexto para se perceber a reacção do Ricardo Carvalho. Ninguém, no seu juízo perfeito, admite que as coisas foram tão simples como nos querem fazer crer: o Ricardo Carvalho sabendo que não ia ser titular decidiu pura e simplesmente vir-se embora sem dar explicações a ninguém. Até pode ser assim, mas é assim com muita conversa (ou falta dela) pelo meio. Que o Ricardo Carvalho tem culpas, disso também ninguém tem dúvidas. Só que esta explicação, por si só, é curta. Até porque na hierarquia de uma equipa de futebol, os treinadores e jogadores não estão ao mesmo nível.

O que mete alguma confusão é a conferência de imprensa onde o Paulo Bento foi explicando toda esta trapalhada com especial deleite, não percebendo que é o único que persegue o seu interesse próprio e que, ainda para mais, está a envolver directamente o clube e o treinador que lhe cedem os quatro, agora três, principais jogadores. Quando perder, porque todos acabam por perder, este caso vai-o assombrar.

Os problemas deste tipo não se resolvem; evitam-se. Estive sempre do lado do Paulo Bento quando estes episódios se sucederam no Sporting. Mas começam a ser casos a mais e nos mais diversos contextos. Dá ideia que promove estes conflitos e o extremar de posições para afirmar a sua autoridade.

(Declaração de interesses: O Ricardo Carvalho é o melhor central português de sempre. Ainda é hoje, para mim, o melhor central do Mundo)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Há estarolas que são mais iguais do que outros (cont.)

A história do Djaló é bastante diferente da do Postiga.

A primeira vez que dei com ele, foi quando marcou uns golos ao Benfica no Torneio do Guadiana em 2006. Adivinhava-se-lhe, como a tantos outros das nossas camadas jovens, um futuro promissor. E foi do futuro que passou a viver a partir daí.

Era um jogador muito espontâneo, de remate fácil e difícil de marcar. Nunca foi, mesmo assim, uma aposta forte para titular. No princípio, jogava como segundo ponta-de-lança com o Liedson. Mas, como disse, nunca foi aposta segura. No tempo de Paulo Bento, várias alternativas se procuraram para jogar com o Liedson: Deivid, Bueno, Alecsandro, Purovic, Tiuí, Postiga ou Derlei.

Não se tendo afirmado no centro do ataque, foi sendo, pouco a pouco, desviado para as alas. Aí é que as coisas ainda mais se complicaram. Nunca teve técnica para jogar em espaços onde o espaço rareia. Foram muitas mais as vezes que saiu com a bola pela lateral ou pela linha de fundo do que aquelas em que fez qualquer coisa de útil.

A estrela foi-se progressivamente apagando e passou a patinho feio. Mas, valha a verdade, nunca foi considerado uma vedeta nem se deu ares de o pretender ser, muito menos dispôs dos favores da crítica.

Mesmo assim foi um jogador útil nas primeiras épocas. Uma segunda opção, mas uma segunda opção útil. Marcou 23 golos para o campeonato em cinco época, não sendo uma primeira opção e nem sempre jogando no centro. A ele lhe devemos, em grande medida, a Supertaça de 2008, quando marcou dois golos contra ao Porto.

Um dia, perguntaram ao Litos porque razão não se tinha confirmado como um grande jogador, ao nível do Futre, depois dos juniores. Em resposta, simplesmente afirmou que não dispunha da mesma qualidade de muitos outros e da qualidade que lhe pressentiam quando era jovem. Às vezes as explicações para o sucesso ou insucesso de jogadores como o Litos e o Djaló são simples. Vivem do futuro até que, um dia, o presente lhes bate à porta.

(Estas histórias do Postiga e do Djaló no Sporting merecem uma conclusão, uma moral final. Fica para amanhã, se tiver tempo)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Há estarolas que são mais iguais do que outros

O paralelismo entre o Postiga e o Djaló foi sempre muito injusto para este último, e não é só um problema de idade (29 e 25 anos, respectivamente). Agora que pelo menos um se vai embora (Postiga), vale a pena recuperar-lhes a história no Sporting.

Comecemos pela do Postiga. Veio para o Sporting na época de 2008/2009 para fazer companhia ao Liedson no 4x4x2 engendrado pelo Paulo Bento. Foi uma aposta muito firme do então treinador para titular. Não tardou muitos jogos a ser relegado para banco, sendo substituído pelo Derlei (uma clara segunda opção face às intenções iniciais). Acabou a época com 5 golos para o campeonato.

No ano seguinte as coisas foram ainda piores. O Derlei saiu mas nem mesmo assim o Postiga foi titular. A aposta de Carvalhal foi no Saleiro, como todos se lembram, tendo acabado a época com um golo para o campeonato, apesar de, mesmo não sendo titular, se ter fartado de jogar.

Na época passada aparentemente as coisas correram melhor, mas só aparentemente. O Paulo Sérgio andou a época toda a pedir um pinheiro, como todos se recordarão. Como não passa pela cabeça de ninguém que o pinheiro fosse para substituir o Liedson, assim se vê a confiança que era depositada no Postiga. No entanto, como não apareceu pinheiro nenhum, não restou ao Paulo Sérgio outra opção que não fosse a de colocar o Postiga a jogar. Mais tarde, com a saída do Liedson, tornou-se, por exclusão de partes, titular com o Couceiro. Acabou a época com seis golos marcados para o campeonato, tendo jogado praticamente todos os jogos a titular.

Esta época as coisas estavam a correr como o costume. Para se ver a confiança que existia nele, o Sporting contratou três pontas de lança. Por que razão, mesmo depois deste passado e do voto de desconfiança desta época, é que ele jogava é que é para mim o grande mistério. Mesmo assim, depois de cinco jogos oficiais, em que foi titular em quatro deles, tendo jogado no outro cerca de uma hora, não tinha marcado um único golo.

A história do Djaló é bastante diferente, mas tem que ficar para uma próxima oportunidade, que este "post" já vai longo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma boa razão

O Sporting contratou o Elias do Atlético de Madrid por 8.850.000€, isto é, por um Roberto mais 250.000€. Não tenho dúvidas que a diferença de qualidade entre estes dois jogadores é superior ao que esta diferença de preços indicia. Sendo assim, mesmo que não exista uma qualquer outra boa razão para a contratação do Elias, esta já é suficiente.

As bolas paradas

Frequentemente, fazemos raciocínios circulares, em que tudo tem a ver com tudo, o que não nos permite saber o que é causa e o que é efeito. As análises aos jogos de futebol tendem a ser feitas assim. Por isso, nessas análises, se dá tanta importância às táticas e se usa e abusa, cada vez mais, da nova linguagem de trapos sobre futebol, nem sempre se compreendendo a explicação para o [simples] facto de uma dada equipa ter ganhado. Não se costuma considerar que, no futebol, os resultados são frequentemente explicados por incidentes imprevisíveis [mais do que imprevistos] e de uma imprevisibilidade irredutível.

Esta introdução serve concluir que o Sporting perdeu com o Marítimo por várias ordens de razão seguramente, mas as principais não foram de ordem tática. O Sporting perdeu porque a sua defesa foi absolutamente incompetente nos lances de bola parada e nada mais. Para tudo o que aconteceu, para o resultado, pouco releva se se jogou assim ou assado. Em condições normais, depois do golo do Izmailov, o Sporting teria ganhado o jogo e a moral da história seria outra. Ainda por cima, como os comentários são desenvolvidos em função dos resultados, procurando validar e legitimar “a posteriori” o que, tantas e tantas vezes, aconteceu por puro e simples acaso, até se poderia concluir que o sistema tácito [admitindo que tenhamos apresentado um, qualquer que seja] foi o mais correto e adequado.

A maior parte das equipas portuguesas defende mais ou menos competentemente e depende quase em exclusivo de lances de bola parada para causar perigo e marcar um golo ou outro. De vez em quando, lá aparece um ou outro jogador que marca um golo de bola corrida, normalmente através de uma biqueirada para a baliza, porque não tinha outras opções e não sabia bem o que fazer à bola. Esta é uma questão estrutural do futebol português, para a qual muito contribuem os árbitros portugueses e o seu afã com a marcação de faltas e faltinhas. Ser competente a defender as bolas paradas é fundamental, como é fundamental saber marcar em lances de bola parada também, coisas, uma e outra, que o Sporting não sabe fazer há anos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Back to basics

Considerava o Vukcevic um jogador excelente. Só que, a partir de certa altura, ninguém acreditava nele. Não era só o treinador, os colegas não confiavam nele. Chegados aí, não havia mais nada a fazer. Tive pena, mas as coisas chegadas a um ponto são como são.

Com os outros que continuaram passa-se mais ou menos o mesmo (com a diferença de disporem de muito menos potencial futebolístico). Quando se ataca não se tem confiança em quem se tem nas costas. O meio campo quando passa uma bola para o avançado a primeira coisa que lhe vem à cabeça não é a continuação do lance de ataque, mas preparação para a inevitabilidade da perda de bola. Quem defende sabe que o ataque não marca golos e, por isso, mais tarde ou mais cedo está exposto a qualquer erro ou eventualidade. A desconfiança mata uma equipa.

Não sei se as contratações são melhores que os que lá continuaram. O que sei é que ninguém, nem os próprios, acredita nos que ficaram.

É preciso restabelecer a confiança. A confiança constrói-se a partir de trás. Qualquer equipa tem que estar confiante a defender. Para isso, a defesa deve ter um conjunto muito variado de características. Mas uma delas tem que ter. A defesa tem que meter medo. Depois tem que ter um trinco que ganhe a primeira bola de cabeça. Pode ter outras características que se acrescentam a esta. Mas essa tem que ter. Se não tiver essa não serve e tudo o resto não interessa.

Por fim, o avançado. Qualquer equipa tem que acreditar que jogando melhor ou pior a qualquer momento pode marcar um golo. Mesmo que o adversário seja superior, só precisa de aguentar. Mas aguenta em nome de um crença que se concretiza. A qualquer momento vai aparecer o golo.

À luz do que se referiu, analisem-se, agora, os jogadores que ficaram da época passada. Algum deles dispõe dessas qualidades básicas?

É a estupidez, estúpido!

Há quanto tempo assistimos a isto? Depois de asneiras que se sucederam nas duas últimas épocas, qualquer treinador normal teria posto aquela defesa na rua há muito, muito tempo. Não, não estou a dizer que devem ir para o banco, estou a dizer que a porta da rua é serventia da casa. Começa a época e começa a ladainha do costume: o Carriço não é tão mau como isso; o Polga agora é que vai fazer a época da sua vida; o André Santos com o seu metro e meio pode ser trinco e por aí fora.

Iniciámos o jogo com nove jogadores a titular da época passada. Se a equipa era assim tão boa, porque é que não ficámos também com o Caneira ou com o Pedro Silva? E, já agora, por que não continuar a apostar no Paulo Sérgio? Não é só um problema de [ou da] defesa. Não é só o crónico problema da dupla de estarolas conhecida por Postiga & Dajló. É um problema de estupidez: somos um clube estúpido, embora não sejamos um clube de estúpidos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As dúvidas que matam

O Barcelona é melhor que o Porto? Provavelmente, é. O Messi é melhor que o Hulk? Provavelmente também é.

Sem a ajuda do árbitro, hoje o Barcelona teria sido melhor do que o Porto? Sem a ajuda do árbitro, o Hulk podia ter sido o jogador decisivo? Não sabemos e essa dúvida mata o futebol.

Nós vivemos com essas dúvidas há anos. É doloroso, não é? Estamos, por uma vez, solidários.

Domingos e o sportingómetro

Existe um novo medidor de sportinguismo: quem aguentar o Postiga e o Djaló mais jogos, continuando a dizer que não estiveram mal de todo, ganha. Eu já perdi. Perdi neste medidor e perdi a paciência para, depois deste jogo contra o Nordsjaelland, continuar a aturar as opções do Domingos. Continuo a achar que o Domingos é um excelente treinador. Agora, nem o melhor treinador do mundo pode aspirar ao que quer que seja com o Djaló e o Postiga. Por isso, ou existe qualquer coisa que não consigo perceber ou, então, vou ter que mudar de opinião sobre o Domingos.

Depois, as permanentes substituições do Wolfswinkel e do Rubio se não são para os queimar, parecem. O primeiro jogou noventa minutos contra o Beira-Mar, que não lhe correram muito bem (embora se diga que ele jogou sozinho na frente e não lhe chegou praticamente uma bola de jeito para finalizar), e agora nem entra sequer. O Rubio foi o avançado que fez a melhor pré-temporada. Marcou golos. Começou a época oficial, entrou em situações desesperadas uns minutos e mais nada.

Enfim, o Postiga e o Dajló continuam a ter todas as oportunidades quer joguem pouco, quer não joguem mesmo nada. É preciso continuar a apostar neles, como se se tratasse de uma questão de confiança e não de falta de jeito (testada e confirmada ao longo de anos). Os outros entram umas vezes e, depois, vão para o banco, perdendo, assim, confiança e transmitindo-se aos adeptos a ideia que constituem autênticos “flops” (não acredito, porque ninguém no seu juízo perfeito pode acreditar, que qualquer um deles, por pior que seja, possa jogar menos que o Postiga ou o Djaló).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

The show must go on

O Pinto da Costa veio apoiar os árbitros. Nada que não esperasse se o Sporting não caísse na esparrela de criticar as arbitragens dos outros jogos e dessa forma e por iniciativa própria transformasse esta “guerra” numa “guerra” com o Porto. O Sporting não caiu nessa esparrela nem na tradicional esparrela do “sistema” (depois de todos serem ilibados no Apito Dourado, se esse foi chão que nunca deu grandes uvas muito menos o dá agora).

Como disse há dias, os árbitros precipitaram-se e ao fazê-lo meteram-se num buraco. Agora não sabem como sair dele. Por isso andam aos avanços e arrecuas. Dizem que vão continuar o boicote e no momento seguinte garantem que vão arbitrar o próximo jogo do Sporting. Dizem que querem que o Sporting se retrate e no momento seguinte querem negociar um acordo com a sua Direcção. É muito difícil sair deste “buraco” sem se desautorizarem e desautorizarem com eles toda a estrutura da Liga, que lhes deu apoio e cobertura.

Como o Sporting continua no lugar onde sempre esteve e não se mexe um milímetro, o Pinto da Costa teve que vir a jogo para ajudar toda esta gente, que apoiou e promoveu, a sair do buraco onde se meteu, transformando tudo numa “guerra” entre Porto e Sporting. O Sporting tem que deixar Pinto da Costa a falar sozinho. Nada de respostas. É deixar isso para os comentadores. Se assim proceder, vai-se verificar que o Pinto da Costa veio a jogo mais cedo do que devia e numa posição que não lhe é favorável. É que, como também já referi, só uma equipa pode ganhar o campeonato e mais cedo do que tarde, tendo em consideração que o Porto – Benfica é à sexta jornada, as posições vão-se definir. Se o Porto ficar à frente, dá o flanco porque, com esta posição, vai ficar associado aos árbitros e às suas benesses. O Benfica, com todo o seu poder mediático, não vai perdoar. Se ficar atrás, perde margem de manobra para vir criticar o Benfica e as arbitragens.

Provavelmente quem vai ficar a ganhar num primeiro momento com isto tudo é o Benfica. Mas se o Sporting se mantiver neutral e coerente, é provável que venha a ganhar, se não no curto pelo menos no médio prazo. É só esperar um pouco mais e isto vai-se transformar como sempre numa “guerra” entre o Benfica e o Porto. Nessa altura, começam a esquecer-se de nós. Esta precipitação dos árbitros obrigou toda a gente a abrir o jogo mais cedo do que queria e a trazer para a luz do dia o tradicional jogo de sombras que dura uma grande parte do campeonato (e que só começa a ser visível quando alguém, considerando que já perdeu demasiado, o começa a denunciar).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O último teorema de Fermat e o boicote dos árbitros

Há dois tipos de pessoas: as que compreendem este boicote dos árbitros aos jogos do Sporting, que são aquelas que também compreendem o último teorema de Fermat, e todas as outras. O Miguel Guedes, representante do Porto no Trio de Ataque, é dos que sabe tudo sobre Fermat. Ontem, apresentou como principal razão para esse boicote o [simples] facto de o Presidente do Sporting ter realizado uma conferência de imprensa na última sexta-feira. O argumento parece sólido: sexta-feira sucede à quinta e precede o sábado e só os menos refletidos é que não compreendem esta sequência. Rui Oliveira e Costa, um ilustre matemático português, percebeu este argumento, mas contrapôs que a conferência de imprensa se deveria ter realizado uma semana antes: seria também numa sexta-feira, sucedendo-se à quinta e precedendo o sábado. Para ele, uma semana antes não é a mesma coisa do que uma semana depois.

Nuno Perestrelo, que é dos que sabe que não existe nenhum conjunto de inteiros positivos x, y, z e n com n maior do que 2 que satisfaça a expressão x^n+y^n=z^n, afirma hoje n’ “A Bola” que o Sporting não se queixa de forma sustentada dos árbitros, tendo-se voltado ao “vocês sabem do que estou a falar”. Mantendo o estilo coerente que caracteriza Cruz dos Santos e outros jornalistas de “A Bola”, afirma noutro ponto que “Rui Silva, o árbitro do FC Porto – Gil Vicente, não sabe o que todos sabem: que Otamendi tinha de ser expulso no “penalty” a favor do Gil Vicente. Se não sabe isto não pode ser árbitro”. Que os dirigentes do Sporting não conheçam Fermat de lado nenhum, compreende-se, o que não se compreende é que, quando criticam os árbitros, não sustentem as acusações recorrendo a quem sabe de matemática, como Nuno Perestrelo.

Informam-nos que o Presidente do Sporting e o Presidente da APAF estiveram a negociar, mediados pelo Presidente da Liga. Agradecia que nos informassem o que é que estão exatamente a negociar. É que quem, como eu, só fez matemática a copiar, não compreende a negociação e muito menos os termos de um futuro acordo.

["Post" dedicado ao meu amigo Luís Brites, benfiquista e, contrariamente ao que o pai dele pensa, brilhante aluno de Análise Matemática e Álgebra Linear e Geometria Analítica no Instituto Superior Técnico]

O Caso “João Ferreira”: Oito Perguntas em Tempo de Férias…

1. Imaginemos que o Olegário é nomeado para o próximo Porto- Sporting. Se o Sporting “plantar” no sempre credível Record umas notícias em “off” dando conta da indignação do Porto com essa nomeação, o primo do Quim Barreiros recusar-se-á, de imediato, a actuar no palco do Dragão, beneficiando assim, de forma objectiva, o Sporting? Os outros árbitros também se solidarizarão com o Olegário e boicotarão os jogos do Porto?
4. O Porto contestou a nomeação do nosso amigo João Ferreira por duas vezes no último ano e meio: (i) em primeiro lugar, no jogo contra a Académica para a Taça da Liga, alegando a participação de João Ferreira enquanto quarto árbitro no famigerado caso do Túnel da Luz; (ii) mais tarde, no jogo de Aveiro contra o Beira Mar, recordando, quer o tal caso do Túnel da Luz, quer a arbitragem de João Ferreira no jogo da Supertaça contra o Benfica. Mais recentemente, o Porto protestou energicamente contra a nota atribuída pelo observador à arbitragem de Duarte Gomes no célebre jogo do apagão contra o Benfica, organizando uma conferência de imprensa onde disponibilizou um vídeo que enfatizava 15 erros do referido árbitro internacional. João Ferreira apresentou, de facto, a sua renúncia a esses jogos do Porto, mas, por manifesto azar, foi enviado de pára-quedas pela sua hierarquia militar para fazer manobras de diversão naqueles campos? E quanto a Duarte Gomes, em vez de renunciar ao próximo jogo do Porto, irá ele tomar uma medida ainda mais drástica, optando por interromper sistematicamente os exercícios de aquecimento de… Helton?
5. João Ferreira e os restantes árbitros propostos (segundo o DN, André Gralha, Bruno Paixão, Jorge Sousa, Paulo Baptista, Rui Costa e Rui Patrício) não apenas não irão ser punidos disciplinarmente por terem recusado a sua nomeação para o jogo Beira-Mar – Sporting, como serão, por esta ordem, os árbitros mais bem classificados da época 2011/2012, estando já a ser tratadas as habituais rasuras necessárias para o efeito?
6. E Fernando Gomes, estará ele neste momento desesperadamente “à cata” dos números do telemóvel dos Presidentes dos Clubes da Liga Orangina que o levaram a Presidente da Liga para ver se eles o autorizam a processar os árbitros (e dirigentes da arbitragem) responsáveis por colocar em causa os direitos de equidade de todos os clubes que participam na competição (ou seja, o conhecido direito de todo o clube de ter a apitar nos seus jogos árbitros do Iº escalão tão maus ou piores que Olegário, designados, nos termos legais, pela Comissão de Arbitragem da Liga)?
7. O Governo manterá o estatuto público que permite à Liga Portuguesa de Futebol Profissional organizar a Liga ZON dentro dos princípios de iniquidade que regem a competição, ou, pelo contrário, decidirá atribuir esse estatuto à  Federação Portuguesa de Wrestling, modalidade onde nunca conhecemos à partida quem vai vencer, nem com que tipo de golpe o vai fazer?
8. Se vingar a imposição por via administrativa de uma espécie de “lei da rolha” – ou do “comer e calar” – sobre as actuações dos árbitros, não apenas deixarão de existir más arbitragens, como desaparecerão todos os conflitos e polémicas do futebol português e assim também a própria… comunicação social desportiva?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Silly season

Há quem não goste de futebol e isso percebe-se. O que não se percebe é que alguém não aprecie esta grande confusão que é o futebol português. Nem a pedido se arranjava um argumento destes. Há personagens para todos os gostos e têm, qualquer uma delas, uma graça insuperável. Não há nada como estar de férias e assistir com deleite a isto tudo. Aqui vai um conjunto de notas que me sai antes de voltar para a praia.

1. Estou solidário com o boicote dos árbitros. Espero que o levem tão longe quanto possível, demore o que demorar. Nelson Mandela demorou uma vida até que o tempo lhe desse razão. O tempo dará razão aos árbitros, disso tenho a certeza. Por isso, espero que não se precipitem e demorem o tempo que for necessário, mesmo que seja muito.

2. Estou com grande expectativa, de acordo com os regulamentos, de ver um jogo Benfica – Sporting apitado pelo João Pereira e o Luisão. Espero que nesse dia ninguém se esqueça de que é proibido criticar os erros de arbitragem.

3. Cruz dos Santos continua imparcial contra tudo e contra todos. Na Terça-feira passada considerava, a propósito dos erros a favor do Benfica (primeiro golo) e contra o Sporting, que os árbitros não erram com intenção e que as suas decisões estão “longe de merecerem condenação”. Hoje, a propósito do vermelho não mostrado ao Otamendi no jogo contra o Gil Vicente, considera que “tudo tem limites” e que o “Rui Silva [árbitro desse jogo] não respeitou a lei, não tem desculpa e oxalá não tenha havido falta de coragem”.

4. Muitos comentadores fazem um raciocínio e seguem uma linha de argumentação muito interessante. O Sporting só tem autoridade para criticar os árbitros se marcar golos e, sobretudo, se ganhar. Para estes comentadores, as arbitragens aparentemente não influenciam os resultados desportivos e, mais do que isso, não dispõem da prorrogativa de anular golos limpos, como aconteceu na semana passada. Assim, o Sporting só se pode queixar dos árbitros quando marcar golos. Como os árbitros lhe anulam os golos, então, não se pode queixar nunca. Este excelente argumento foi hoje defendido no “Público” por Bruno Prata, que, enquanto jornalista, escreve no “Público” e participa no programa Zona Mista da RTP-N com João Gobern, também ele jornalista.

Aproveitar o boicote com inteligência

Há coisas que estão escritas nas estrelas. Esta “guerra” dos árbitros contra o Sporting era uma delas. Agora a inteligência não abunda. O Sporting tem que saber aproveitar a falta dela.

Pelos vistos, os árbitros, reunidos com a APAF e o Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga (Vítor Pereira), decidiram continuar a boicotar os jogos do Sporting. Isto é, um órgão da Liga decidiu (sem qualquer suporte normativo) boicotar os jogos de um dos seus associados e participante devidamente inscrito no campeonato, assumindo-se como parte de um conflito. Em vez de pugnar pelo cumprimento da legalidade, um órgão da Liga, pelo seu máximo representante, propõe explicitamente o seu não cumprimento. Não há nenhum regulamento que permita aos árbitros boicotar jogos nestes termos.

A Liga, através da sua Comissão de Arbitragem, e os árbitros colocaram-se numa situação insustentável. O tempo corre contra eles e a favor do Sporting. Nestas alturas é preciso nervos de aço. Se até agora o Sporting não deu nenhuma razão para este boicote, a partir de agora terá que ter mais cuidados ainda para não validar “a posteriori” esse boicote. Por isso, é necessário poucas palavras, muita contenção e firmeza de posições.

Nesta altura o Sporting não tem nada a perder. Se a arbitragem for como a do jogo de ontem, fica cada vez mais claro que os árbitros da Liga não são mais competentes que os dos regionais. Se as coisas correrem mal e esses árbitros se revelarem incompetentes, o Sporting pode sempre acusar os árbitros envolvidos no boicote de, ao não comparecerem aos jogos, estarem a desvirtuar a verdade desportiva e os resultados do campeonato.

Os árbitros vão tentar ganhar tempo, por um lado, e arrastar o Sporting para outra “guerra”, por outro. Como sempre, irão, como na últimas duas jornadas, beneficiar o Benfica e o Porto. Durante algum tempo, essa estratégia deixará o Sporting isolado (ainda mais se não obtiver resultados desportivos). Mais, o Sporting terá tendência a criticar essas arbitragens. Se o fizer, essa “guerra” deixará de ser com os árbitros e passará a ser com o Benfica ou o Porto. É isso que os árbitros querem. Nessa altura, tudo se confunde e o Sporting passará a estar sob o fogo cruzado de vários inimigos. Aliás, que ninguém se iluda, isto não tem só que ver com os árbitros. Há muitos jogos de sombras, e os mais espertos, como o José Manuel Delgado (hoje n’”A Bola”), já perceberam isso.

Só que essa estratégia dos árbitros também não pode durar muito tempo. Só um dos adversários é que pode ganhar o campeonato e, mais tarde ou mais cedo, quando se começarem a definir posições, os conflitos entre eles irão aparecer. O Porto – Benfica é já na sexta jornada. Se o Sporting se mantiver neutral, um deles vai-nos acabar por “cair na sopa”. Nessa altura, as coisas vão ficar muito mais complicadas para os árbitros.

É verdade que ao jogar com o tempo o Sporting corre muitos riscos de hipotecar o campeonato. Só que, enquanto este estado de coisas continuar, estará sempre hipotecado época atrás de época.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quando a notícia é o cão a morder o homem (*)

O Sporting criticou o árbitro da jornada anterior. A opinião pública foi unânime nessa crítica. Em “off” apareceram umas críticas do Sporting à nomeação do árbitro para esta jornada. Até aqui, nada de novo. É o que acontece semana após semana com todos os clubes e envolvendo, praticamente, todos os árbitros. A tradicional notícia do cão a morder o homem.

O árbitro, alegando razões psicológicas, recusou-se a arbitrar esse jogo. Um pouco mais insólito mas, mesmo assim, ainda uma notícia do cão a morder o homem. O que é insólito é todos os árbitros se recusarem a arbitrar esse jogo. Aqui passamos à notícia do homem a morder o cão.

O “Público”, e muito bem, noticia hoje [ontem] o homem a morder o cão. Quando se esperava que a notícia fosse mesmo essa, afinal a notícia continua a ser a do cão a morder o homem. Paulo Curado e Hugo Daniel Sousa desenvolvem uma notícia sem, em nenhum momento, procurarem saber porque é que, desta vez, os árbitros optaram por este boicote. Por outras palavras, o que gostaríamos de saber é por que razão o homem decidiu morder o cão. Os árbitros costumam alegar sistematicamente questões psicológicas para não arbitrarem os jogos? Em que situações é que o fizeram no passado? Quando um árbitro alega essas questões os outros costumam recusar-se também? E este árbitro em particular? Sendo as críticas às arbitragens triviais e sendo este o móbil da solidariedade dos árbitros, como se afirma na notícia (onde se associa a permanente suspeita sobre a arbitragem com a agressão a Pedro Proença), porque é que o alvo foi o Sporting e não todos os clubes da Liga? Não faria mais sentido uma greve?

Com as respostas a estas questões, teríamos compreendido melhor por que razão, subitamente, o homem mordeu o cão. Mas, não. O “Público” optou pela notícia do cão a morder o homem, apesar do título da notícia insinuar o contrário. A notícia não é o boicote, são as críticas do Sporting. Não se compreende que o título da notícia (“Árbitros respondem às críticas do Sporting com um boicote em Aveiro”) não tenha levado os jornalistas a averiguar se esse boicote faz ou não sentido, se é legítimo e se, no limite, não coloca em causa o dever de isenção e imparcialidade dos árbitros. Isto é, depois deste boicote selectivo (nunca foi feito a qualquer outro clube em idênticas circunstâncias) os árbitros dispõem de condições para arbitrarem os jogos do Sporting?

A elaboração da notícia segue tudo menos o Livro de Estilo do “Público”. Não há qualquer investigação própria. Limitam-se a recuperar declarações avulsas e adicionam-lhe outras da APAF. Nem sequer se dão ao trabalho de qualquer exercício de contraditório. Ninguém do Sporting é ouvido. Ninguém que não seja árbitro ou da arbitragem é interpelado sobre este boicote. Nada. Depois disso, claro, não espanta que a notícia seja o cão a morder o homem.

Isto já era suficientemente mau. Mas a notícia do cão a morder o homem ainda deu origem a um comentário de Jorge Miguel Matias (JMM), que não só confirma que o cão mordeu o homem como ainda vai mais longe e afirma que não havia razões para o cão ter mordido o homem (pois no jogo da primeira jornada ambas as equipas foram prejudicadas, insinuando que o foram de igual forma). Aliás, o texto tem uma parte muito engraçada. O JMM critica Godinho Lopes por ele afirmar que os árbitros portugueses não dispõem, entre outras, da necessária preparação psicológica. Mas não são exactamente por razões psicológicas que os árbitros não querem arbitrar os jogos do Sporting?


(*) Carta enviada ontem ao Provedor do Público, na sequência da notícia publicada ontem com o título "Árbitros respondem às críticas do Sporting com um boicote em Aveiro”

domingo, 21 de agosto de 2011

Ontem com nove, hoje com dez, amanhã com onze

Gostei da segunda parte do jogo com o Beira-Mar. A defesa esteve muito bem. O Capel demonstrou ser um jogador magnífico. Com ele em campo, até o Evaldo parece sofrível. Falta é qualquer coisa para marcar golos.

Hoje não jogámos com o Djaló e o Postiga em simultâneo. Resolvemos alternar. Pareceu-me precipitada a substituição do Djaló. Para jogar em 4x4x2, penso que o Djaló não teria feito pior como segunda ponta-de-lança. Aliás, é o local onde rende um pouco mais (a extremo, como se viu hoje por comparação com o Capel, é que não dá). Se assim fosse, teria havido outras opções na parte final do jogo, onde faltou um pouco de força para o “pressing” final. Mas também ninguém estava à espera que o Rodriguez se lesionasse.

Gostei do método de escolha do árbitro. Seguramente não é pior que o método “mainstream”. O árbitro às vezes errou. Mas nunca tive a sensação que estava a errar só para um lado ou a arbitrar com reserva mental. Com isto se demonstra a total inutilidade de toda a quinquilharia que envolve a arbitragem, desde a selecção dos árbitros, à sua observação e classificação. O Sporting deve apoiar entusiasticamente o boicote dos árbitros.

Cozinhados

1. Depois de umas amêijoas e enquanto esperava por um choco frito, que nunca mais aparecia, e uma massada de peixe, fui pelo canto do olho espreitando o jogo do Porto contra o Gil Vicente. Provei, então, a especialidade da época: o penalty “à Porto”. Não leva alho, nem coentros. Não precisa de ir ao lume. Não precisa de ser encomendado com grande antecedência. Se for preciso, é feito na hora.

2. Ontem, enquanto atacava um salmonete grelhado, provei também o penalty “à Benfica”. Leva mais tempero, mas também é muito bom. Só que quando começa a fazer crescer água na boca, alguém se esquece de o pôr no prato do adversário.

3. Hoje, ainda acabamos por levar com as famosas enguias no molho de escabeche demasiado avinagrado habitual. Não dispondo de robalos da mesma qualidade dos nossos adversários, fico-me pela jardineira. No meio daquela misturada toda pode ser que se aproveite alguma coisa.

sábado, 20 de agosto de 2011

João Ferreira em Aveiro: Memórias de Jogos sem Pressões…

Conferência de Imprensa de André Villas Boas antes do Beira-mar – Porto de 22 de Janeiro de 2011 (Fonte: Blogue FCP para Sempre, citando Tomaz Andrade do Jornal O Jogo).
André Villas-Boas - Nomeação de João Ferreira não me parece lógica
"Foi em Aveiro que André Villas-Boas conquistou o primeiro troféu e, no regresso, volta a encontrar João Ferreira, o árbitro da Supertaça que, na altura, o treinador portista criticou. Arbitragem foi, de resto, tema nuclear da conferência de ontem".

CS - “Na terça-feira, Vítor Pereira vai fazer mais uma análise da arbitragem. Qual é a sua análise?
André Villas Boas - A arbitragem não tem sido muito diferente das épocas anteriores. Quem se sente mais prejudicado faz questão que se saiba e, depois, depende do tipo de preponderância que se dá na Comunicação Social. Depende do enquadramento em que os clubes estão inseridos e da protecção que determinados clubes têm. Esperamos sempre por uma evolução. Se houver profissionalização dos árbitros, esperamos que as coisas melhorem. Queremos acreditar que temos um presidente competente à frente da Comissão de Arbitragem e que as coisas terão tendência para melhorar.
CS - Mais ou menos como se faz em Inglaterra, admitia uma medida que proibisse falar-se de arbitragem?
André Villas Boas - Não me parece possível, e nem é bem isso que acontece em Inglaterra. Lá há penalizações extremas para determinado tipo de mensagens. As equipas de arbitragem fazem parte do espectáculo, da emoção, geram também emoção, e seria ilógico retirá-las da envolvência do futebol. Todos estamos sujeitos a críticas pelo trabalho que fazemos e não vejo razão nenhuma para que não estejam sob o escrutínio dos outros.
CS - Em Aveiro vai estar o árbitro [João Ferreira] que fez o relatório no túnel da Luz e também o que esteve na Supertaça. Como comenta a nomeação?
Os antecedentes são infelizes. Na Supertaça a arbitragem também não foi feliz. Traduziu-se na vitória do FC Porto, mas a outra equipa não foi prejudicada, pelo contrário, foi beneficiada. A preponderância que a arbitragem teve não foi muito explorada. Queremos acreditar que agora se mostrará competente e que fará um bom trabalho. A nomeação está feita e, se é lógica, não me parece. Mas está feita e esperamos que faça um bom trabalho” [sublinhados nossos].
E João Ferreira, embora amigo da rapaziada da Luz, lá fez, de facto, o seu trabalho… No início, o mui carinhoso cumprimento entre João Ferreira e André Villas Boas antecipava já a comovente cena do “Perdoa-me” rodada em Aveiro… Durante o jogo foi o que se viu e o que não se viu. Depois, no final, o presidente da comissão administrativa do Beira-Mar, António Regala, considerou “que não houve penalti sobre Hulk, e que só encontra justificação para o erro de João Ferreira na pressão que lhe foi imposta pelo FC Porto antes do jogo, destacando o dirigente, as declarações de André Villas Boas”. Enfim, como versejava o genial António Aleixo “Fui polícia, fui soldado, Estive fora da Nação…, Vendo jogo, guardo gado, - Só me falta ser ladrão!"

Da série “De onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada”: Quarto Ano, Episódio 2

Bem sei, Mestre Paciência, que no Braga recuperaste para a prática do futebol profissional casos aparentemente perdidos como Miguel Garcia, Custódio, ou Alain… Mas… transformar Postiga aos 29 anos em Acosta ou Djálo aos 25 anos em Nani? Será que já se viu algo de semelhante desde que Lázaro se levantou e andou? E caso tenhas descoberto o segredo da ressurreição Mestre, porque ficar por Postiga e Djálo? Porque não alargar este programa de novas oportunidades a Caneira, a Pedro Silva, a Grimmi ou, quem sabe, mesmo, a Purovic (se este ainda por aqui… tropeçasse)?
Quero acreditar, Mestre Paciência, que apenas pretendes proteger aquisições como Rubio, RvW, Carrillo, ou Capel da pressão dos adeptos, fazendo a sua integração de forma mais gradual. Mas “proteger” a equipa do Sporting com a dupla Postiga Djálo, uma espécie de Laurel & Hardy do futebol?!? Ambos são, à sua maneira, previsivelmente imprevisíveis - são tão complicativos que nunca ninguém consegue antecipar a forma como, inevitavelmente, irão perder a bola.
No caso de Djáló, será com a sua tradicional recepção (des)orientada, será passando-a precisamente para as costas do lateral, ou será saindo directamente com ela pela linha de fundo para mais um... touch down? Postiga é ainda mais versátil: será com o enésimo fora de jogo, será com mais um tropeção após encosto do central adversário (bem sei que no Porto isso resultava, mas, meu amigo, há quatro anos que estás no Sporting…), será com o seu poderoso remate de 40 jardas, será com uma enleante fuga para as linhas laterais para atrapalhar os extremos e laterais, ou será com o seu conhecido olfacto pelo golo, concluindo de forma implacável, com a cabeça ou com os pés, frente à baliza?
Enfim, não nego que ambos dão tudo o que têm, mas… será que aquilo que dão é suficiente para integrarem o plantel de uma equipa com a história e tradição de um Sporting Clube de Portugal? Quanto a Mestre Paciência, recordo as sábias palavras de Bertrand Russel -  “na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro; afinal, há bastante por onde escolher…”

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

5 mais e 5 menos do Sporting (até agora)

Já passaram algumas semanas e depois de uns comentários azedos e troca de alguns impropérios aqui no blog, está na altura de ser eu a arriscar e fazer uma primeira avaliação.

Pela negativa:
(-5) Djálo - Desta vez ela foi uma aposta regular, não se pode queixar ninguém sem ser dele próprio. Está na altura de ele sair. Não está à altura do clube.
(-4) Arbitragens - Ano novo, vida velha! Mau demais... ainda hoje tivémos o primeiro jogo da 2ª jornada e lá está o mesmo de sempre ... é muita fruta!
(-3) Evaldo - Por culpa do seu colega na frente ou não, a verdade é que Evaldo não engata e já está a começar o seu segundo ano no clube e também não tem estado à altura do clube.
(-2) Postiga - Muita coisa boa até chegar a altura de rematar à baliza. Aí aparece tudo o que de pior tem. Não tem perfil de matador. Não está à altura do clube.
(-1) João Pereira como capitão do Sporting é uma vergonha. Está mal por tantas razões que um dia destes escrevo um post sobre isso.

(+1) 50.000 pessoas em Alvalade na apresentação foi bonito de se ver. Um mês depois desse jogo o lastro positivo já se esgotou. É pena!
(+2) Carriço fora da Equipa - Talvez o único grande ponto a favor de Domingos.
(+3) Diego Rubio - vejam o post to Rui Monteiro de há duas semanas!
(+4) Jéffren - Apesar de muito pouco ainda ter jogado, o que mostrou parece indiciar muitas alegrias! Haja fé!
(+5) Rinaudo - Não gostei muito de o ver na pré-época mas nos jogos a sério está a mostrar-se um leão. Espero que continue assim!

Saudações Leoninas,

O que se perde quando não vemos o Postiga jogar

Munido d’”A Bola”, preparava-me para uma análise mais detalhada das ocorrências do jogo de ontem. Ouvindo o relato, com os comentários do Joaquim Rita, e lendo a “A Bola”, qualquer um se sente à vontade para dizer alguma coisa. Não é tanto pelo que ouve ou pelo que lê. É que depois de ouvir o que ouve ou de ler o que lê, fica plenamente convencido que pior não consegue fazer.

Mas um leitor (JPaulo) enviou-nos a mais notável descrição de uma jogada (de ontem) do Postiga que alguma vez alguém escreveu. Depois disso, não há nada que se possa dizer que não esteja nesta descrição. Aqui vai ela com algumas adaptações (que ele me perdoará).

“[…] um cepo da equipa adversária passa-lhe a bola e ele fica inesperadamente isolado. São daqueles momentos em que, com qualquer outro jogador, saltamos instantaneamente, acelera-se-nos o batimento cardíaco e sai-nos um: "Vai c******!..". No caso do Postiga, só se nos adianta o pescoço e levanta o sobrolho. Pensamos, "Que merda vais fazer desta vez, c*******?!".

Recebe a bola, vira-se e, perante a possibilidade de isolar o gajo que estava ao lado ou de progredir para a baliza, opta pela solução que não passa pela cabeça do comum dos mortais. Com a sua classe e elegância, num movimento lento, mas com um estilo a caminhar para o do Pedro Barbosa, inclina o corpo e prepara a parte de dentro do pé...

(Naquele momento, percebemos que ele vai tentar o chapéu. Baixamos o sobrolho, começamos a encostar de novo pescoço e preparamo-nos para levantar a mão que irá esmurrar o sofá).

... a bola bate na canela e sai em direcção à linha lateral, do outro lado; mas devagar, que é para dar tempo de nos recompormos antes do jogo recomeçar.

É tudo isto que perdemos quando não assistimos aos jogos do Sporting”.