domingo, 18 de janeiro de 2015

“On fire”

Foi mais difícil do que o resultado deixa transparecer. O Rio Ave é uma boa equipa e sabe o que está a fazer em campo.

Na primeira parte tivemos muitas dificuldades em chegar à área do adversário. Sentiu-se a falta do Slimani. Dá outra profundidade ao jogo do Sporting. Obriga a defesa a recuar. Uma coisa é fazer os famosos apoios frontais à entrada da área. Outra bem diferente é andar sistematicamente, como faz o Montero, a recuar a meio do meio-campo para tabelar com os colegas. A defesa sobre com ele e os espaços entrelinhas, como agora se gosta de dizer, reduzem-se.

Marcámos de penalty. O penalty é evidente. Só não é evidente a favor do Sporting. Os comentadores não estão habituados e estranham. Os rapazes do Rio Ave tentaram chegar a roupa ao pelo do árbitro. O árbitro desfez-se em mesuras e limitou-se a uns amarelos. O que se chama um árbitro corajoso. Acabámos a sofrer um golo ridículo. Parecia um contra-ataque de um jogo de andebol.

Na segunda parte entrámos bem. Falhámos três ou quatro oportunidades de golo. Fizemos o dois a um e o três a um. O jogo parecia resolvido. Demos uma abébia e levámos o segundo golo. O jogo estava perigoso, muito perigoso. Precisava de entrar o Tanaka, sobretudo depois do Montero tentar marcar um golo de chapéu à entrada da área. O japonês está “on fire”. Quatro a dois e jogo arrumado.

Ganhámos e isso é sempre bom. Ganhámos apesar do André Martins. Já não tínhamos esta sensação há muito tempo. A defesa tremeu, sobretudo os laterais. Gostei do João Mário. Teve mais pilha do que estava à espera. O Nani foi decisivo. Temi o pior quando vi entrar o Mané. Os últimos jogos dele foram horríveis. Não esteve mal. O Tanaka é que está imparável. O William Carvalho está a voltar ao normal. Gostei do Ryan Gauld. Parece jogador, mas é preciso dar tempo ao tempo. Gostava de ter visto jogar o  Wallyson Mallmann. Parece-me um jogador mais maduro.

Só nos resta desejar que a crise continue por mais algum tempo. Desejavelmente até ao fim da época.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Marcar de bola parada

Não vi o jogo, mas vi o resumo e ouvi os habituais comentários na televisão. Retive um comentário de um pândego qualquer que afirmava sem se rir que o Tanaka só marca golos de bola parada. Sabemos que o Tanaka marca de bola parada, não se compreende é a razão, a evidência para o “só”, este advérbio. É caso para dizer: mais vale só do que mal-acompanhado [mantendo-se o tal “só” mas mudando-se a função, passando de advérbio a adjetivo].

Ganhámos e parece que merecemos ganhar [não é necessário merecer, mas se merecermos ficamos moralmente mais aconchegados, mais satisfeitos]. Aparentemente, o Ryan Gauld vem-se afirmando, temos jogador, se não for esta época será na próxima. Com esta vitória sobre o Boavista, estamos a um passo das meias-finais, o que não está nada mal para quem não queria ganhar a Taça da Liga.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Assim é que é bonito

Assim é que é bonito: ganhar no último remate; um remate sem espinhas, de livre. Este remate ainda teve outro picante. A falta que deu origem ao livre deveria ter determinado a expulsão do guarda-redes. Esgotadas as substituições, não restaria outra alternativa que não fosse um jogador de campo do Braga ocupar o lugar de guarda-redes. Mas o Tanaka não gosta de facilidades. Três passos atrás, curta corrida de balanço e remate com convicção. A bola ainda não tinha chegado à barreira e já estava lá dentro.

Temia-se o pior. O Braga dá pau e sabe jogar com o árbitro. A trancada do Ruben Michael no Nani, sem o correspondente amarelo, parecia confirmar esses receios quanto ao árbitro. Esqueceu-se de marcar um livre perigoso à entrada da área por falta sobre o Nani. Esqueceu-se de expulsar o guarda-redes, como se referiu. Depois, bem, depois foi uma no cravo e outra na ferradura. Tenho grandes expectativas quanto aos resultados do quinto amarelo mostrado ao Maurício e ao Adrien. A equipa tem tudo para melhorar no próximo jogo contra o Rio Ave.

Primeira parte equilibrada, sem grande oportunidades, com uma arrancada extraordinária do William Carvalho, concluída com um passe a rasgar para o Carrilllo, que centra para remate do Nani e grande defesa.

Na segunda parte, entrámos de forma extraordinária. Nos primeiros vinte minutos, podíamos ter resolvido o jogo. O Carrillo ensaboou a cabeça ao lateral esquerdo. Valeu o guarda-redes do Braga e a falta de convicção do João Mário e do Montero. Depois o jogo ficou equilibrado. Fisicamente a equipa parecia ter conhecido melhores dias. O treinador arrisca. Recua o João Mário e mete o Mané e o Tanaka. O Braga parecia estar mais forte. Mas estava lá o Tanaka.

Esta vitória era fundamental. Passámos para o terceiro lugar e deixámos a cinco pontos o Braga. Mantemos a pressão sobre o Porto. Esperemos que a crise que atravessamos se mantenha por muito e bom tempo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

私は日本人だ


Hoje deu-me para o xintoísmo. O xintoísmo não conhece divindades ou um deus, mas reconhece a existência dos kamis, seres divinos, que se podem hospedar em tudo o que existe como árvores, rios, montes, etc. Hoje estava um hospedado no Tanaka. 

Mais, o xintoísmo não tem dogmas, teologia ou escritura sagrada. O xintoísmo reduz-se a poucos preceitos fundamentais como, por exemplo, «não prestar atenção às coisas falsas, não ver e não falar falsamente», coisas simples portanto, embora pouco praticadas. Se houvesse um preceito a incluir, neste momento eu proporia: «não aplicarás um golpe de karaté sobre um japonês em cima da hora e perto da linha da grande área.» 

Para terminar. Dominámos o jogo e merecemos ganhá-lo. Já a rádio TSF e a sua trupe de cantores radialistas achou que o melhor jogador em campo foi o Rui Patrício. Não fosse eu hoje xintoísta e iria fazer alguns comentários menos próprios. Sendo assim, não vou prestar atenção às coisas falsas.
Tora. Tora. Tora.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mais trabalho e menos conhaque, mais uma vez

Afazeres de última hora obrigam-me a sair tarde do trabalho. Venho ainda com as palavras que escrevi a ressoarem na cabeça. Lembro-me subitamente de uma anedota que hoje me contaram. Telefone ao Sérgio para lha contar. O Sérgio pergunta-me se lhe vou falar do golo do Carrillo. Só nesse momento me lembrei que jogávamos contra o Famalicão.

Chego a casa e procuro saber o resultado final. Tínhamos ganhado quatro a zero. Revejo os golos. O primeiro é sublime. Corrida na horizontal do Carrillo, para ganhar balanço, e desmarcação no momento certo para as costas do defesa para receber um passe notável do William Carvalho e rematar de primeira, fazendo um chapéu sobre o guarda-redes. Este passe e este movimento têm dedo do treinador. A qualidade dos jogadores fez o resto.

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Cumprimos a obrigação. Agora é pensar no jogo contra o Braga. Vai valer tudo menos arrancar olhos, como dizia o meu pai. O Braga dá pau o jogo todo. O Sérgio Conceição é um José Mota com melhores jogadores e uma trunfa penteada à maneira. O árbitro está encomendado seguramente. Vai ser necessário jogar contra tudo e contra todos. Espero que os jogadores e o treinador se consciencializem disso. Se se consciencializarem disso e estiverem dispostos a sofrer, face à pancadaria do adversário e à complacência do árbitro, a nossa melhor organização colectiva e o Nani se encarregarão de fazer a diferença.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

«Uma dúvida caro Watson»



Depois da perseguição e até estigma culinário lançado sobre os croquetes e os seus comedores como é que nunca ninguém se questionou sobre a capacidade de sobrevivência do fornecedor dos mesmos?


Sherlock
 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Continuando a aprender

Vi há pouco um bocado do programa de ontem da SIC Notícias e está lá tudo o que nos caracterizou nos últimos anos: sportinguistas que são mais sportinguistas do que os outros e o possidonismo elevado à sua máxima potência. É gravar o programa e mostrá-lo a alguém quando se preste a fazer fracas figuras.

Necessitamos de normalidade, de viver habitualmente e não, não necessitamos de estar sempre a questionar-nos. Não gosto da palavra estabilidade, mas, se tiver de ser, que seja [a estabilidade]. Mas que não haja equívocos: o principal responsável pela estabilidade, ou pela falta dela, é sempre a Presidência do Sporting, pelo que faz e diz e, sobretudo, pelos resultados que obtém. Não é desta Presidência, em particular, é uma responsabilidade de todas. 

O treinador e a equipa estão a aprender, como se viu no jogo contra o Estoril e isso é um bom, muito bom sinal. Já tivemos vários cromos a treinar que, em vez de errarem e errarem melhor, erravam e erravam pior.

A melhor maneira de defender é evitar que o adversário ataque, que tenha a bola e jogue como quer. É necessário defender com a equipa toda ou com a equipa como um todo, logo desde a saída da bola da defesa adversária. A equipa não se pode desposicionar, em particular na zona central. Os defesas centrais não podem ser deixados à sua sorte: o William Carvalho tem de os apoiar, evitando que os médios e avançados adversários tenham todo o espaço e tempo para decidir.

Quando se tem a bola, não é preciso correrem todos à maluca para o ataque. Com o Nani e os restantes avançados que dispomos, estamos sempre próximos do golo. É só esperar pelo momento certo para dar a estocada [final]. Os campeonatos ganham-se na defesa e com uma dose razoável de cinismo [que inclui marcar golos de bola parada, seja em lançamentos laterais, cantos ou livres]. Em Portugal, além disso, é preciso um pouco [ou muito, talvez] de árbitro também.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A aprender

O que mais impressionou neste jogo [do Sporting] contra o Estoril foi a forma como se defendeu. O Estoril, que é uma boa equipa, praticamente não teve uma oportunidade de golo para amostra. O Marco Silva parece estar a aprender e a equipa também.

O William Carvalho deixou as correrias e passou a estar onde deve estar: na cobertura da zona central, descaindo mais para um lado ou para outro, em função da forma como o adversário vai conduzindo o jogo. Ainda não foi o William Carvalho da época passada; uma ou outra perda de bola e um ou outro passe falhado, compensados por duas ou três grandes recuperações de bola e um passe absolutamente extraordinário para o Carrillo.

Mas o mérito vai para a equipa com um todo e, sobretudo, para o Marco Silva. O Estoril estava bem estudado, em particular a sua saída da bola e construção de jogo. A pressão alta foi tão bem feita que, na segunda parte, o Estoril praticamente não conseguiu ter a bola como queria e jogar como habitualmente. Acabaram encostados e à biqueirada para a frente [e seja o que Deus quiser].

Foram três [golos], mas poderiam ter sido mais. Vamos sentir falta do Slimani. O segundo golo define-o: recua para receber a bola e metê-la na lateral, arranca imediatamente para no sítio certo, na área, metê-la lá dentro, com a convicção do costume. Tudo simples e com a intencionalidade do costume, não esquecendo o mérito do Jefferson também na jogada.

Só o Mané não esteve ao nível dos restantes. Não foi por não tentar, por não se empenhar, mas hoje não era o seu dia. O Marco Silva analisou bem e substituiu-o. Também não parece que a melhor posição para o Nani seja aquela com que iniciou o jogo: partindo da lateral, torna-se muito mais perigoso e influente.

Não se pode dizer que tudo está bem quando acaba bem. Agora, as coisas estão como devem estar sempre: o Marco Silva será julgado, positiva ou negativamente, pelas suas opções e resultados e não por qualquer teoria da conspiração; a Presidência do Sporting está lá para isto e não qualquer adepto, por mais relevante que se considere. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Equívocos

Existe um enorme equívoco na conversa sobre a Academia do Sporting e a Equipa B. Para se darem oportunidades aos jogadores da Academia e, em particular, aos da Equipa B na Equipa A, é necessário que ambas as sejam constituídas a pensar nisso e, sendo assim, a Equipa A não pode ter os habituais dois jogadores por posição, constituindo um plantel entre 25 a 30. Porventura, nenhum dos plantéis pode ter mais de vinte jogadores ou, de outra forma, a Equipa B não passa de um sorvedouro de dinheiro, sem qualquer utilidade prática. 

A Equipa A e a Equipa B têm de ser pensadas em conjunto, pois são complementares. Antes de mais, têm de ser pensadas de forma a permitir a redução do número de jogadores e, assim, dos custos com salários e respetivas contratações. Como é que se espera que sejam dadas oportunidades na Equipa A aos jogadores da Equipa B, quando nem todos os da Equipa A têm essas oportunidades? É que sem se desfazerem estes e outros equívocos não se pode discutir seriamente o tal projeto do Sporting, seja isso o que for.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As alternativas que (não) há

Este jogo contra o Guimarães foi revelador sobre as potencialidades e as limitações das contratações e do plantel do Sporting no seu conjunto. 

O Slavchev é um caso perdido. Não, não é um problema de adaptação ao futebol português; é um problema de adaptação à modalidade, nomeadamente ao formato retangular do campo e à forma esférica da bola. Quem considera que o Rosell pode ser uma alternativa ao William Carvalho, confunde o género humano com o Manuel Germano, como diz o Mário de Carvalho. O Ryan Gauld tem excelentes pormenores, revelando-se bastante combativo, para aquilo que se esperava. É um excelente projeto de jogador, mas ainda não tem a consistência e a rotação adequadas para jogar regularmente na equipa principal. Com o Podence passa-se o mesmo, embora me tenha parecido fisicamente mais robusto.

Na defesa as opções são mais complicadas. Entre o Maurício e o Sarr o coração de qualquer sportinguista balança. Se se tiver de optar, talvez seja preferível o Tobias Figueiredo [que fez um jogo competente]. O André Geraldes esteve magnífico. Beneficiou de jogar com o pé contrário contra um extremo que também jogava com o pé contrário. Mas se o tal de Hernâni é um jogador espetacular, como para aí se diz e como diziam os comentadores, então o André Geraldes é o Cristiano Ronaldo dos defesas laterais, pois meteu-o simplesmente no bolso.

No ataque, o que ficou demonstrado é que qualquer jogador constitui alternativa ao Capel. Qualquer que seja o ângulo de análise, o Héldon, o Tanaka, o Sacko ou o Dramé são melhores e tenho as mais sérias reservas que eu [próprio] também não o seja melhor, embora não se possa concluir que [eu e qualquer um deles] sejamos exatamente aquilo que mais necessitamos. Uma última nota para aquele que me pareceu o melhor jogador do Sporting: Wallyson Mallmann. Para mim, não engana, é jogador de bola, entra de caras na equipa principal. Com ele, a bola está sempre em porto seguro. Sabe passar com acerto [e asserto], desloca-se com a propósito, dando sempre linhas de passe aos seus colegas.

O Guimarães demonstrou a habitual mediocridade do futebol português. Se percebi o que disse o treinador, a tácita passa por enfiar umas tantas biqueiradas na bola para dentro da área que alguma acabará por entrar, devendo-se jogar ao pontapé para a frente e fé em Deus, especialmente quando os jogos estão a acabar. O Guimarães teve mais bola, meteu umas tantas para dentro da área, mas, contrariamente ao que diz o treinador e comentadores, não criou uma oportunidade de golo e o Marcelo Boeck não fez uma defesa para amostra. Quando é preciso assumir o jogo e jogar em ataque continuado é que se veem os treinadores [ou não se veem, como foi hoje o caso].

A arbitragem foi a desgraça do costume. O Sporting, com uma equipa de meninos que mal se chegam aos adversários, fez vinte e duas faltas e, em contrapartida, o Guimarães nove. A meio a primeira parte, o Sporting já tinha nove faltas e o Guimarães ainda nenhuma. A acabar o jogo, cortam-nos um lance que podia dar o segundo golo com um fora-de-jogo ao Tanaka completamente ridículo. Contra isto é que não há treinador que nos valha e é a isto deve estar atenta a Presidência do Sporting e os sportinguistas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

E mais não digo …

Para análise desta novela, envolvendo a Presidência do Sporting e o seu treinador [Marco Silva], nada melhor do que reler o “Allegro ma non troppo” de Carlo M. Cipolla. Nesse artigo, os homens são classificados com recurso a um plano cartesiano [cada quadrante corresponde a uma dada classificação]: o primeiro quadrante corresponde aos “inteligentes”; o segundo aos “ingénuos”; o terceiro aos “estúpidos”; e o quarto aos “bandidos”. Os “inteligentes” estabelecem com outros relações “win-win”; os “ingénuos” são os que, ingenuamente, beneficiam os outros, prejudicando-se (“lose-win”); os “estúpidos” são os que, estupidamente, prejudicam os outros e prejudicam-se a si próprios (“lose-lose”); os bandidos ganham quando se relacionam com os outros, saindo estes a perder (“win-lose”).

A partir desta representação, Cipolla estabelece as leis fundamentais da estupidez humana, concluindo que, para a humanidade no seu conjunto, os estúpidos são mais perigosos do que os bandidos. Quando alguém rouba 20€ a outrem, o bem-estar social mantém-se inalterado, isto é, a sociedade no seu conjunto não sai prejudicada nem beneficiada por esse ato. Coisa diferente acontece quando os estúpidos entram em ação e se relacionam com outros: perdem todos e, assim, perde a sociedade no seu conjunto.

Admitir que se pode estar a favor da Presidência do Sporting e contra o seu treinador é uma contradição, um oxímoro [embora para alguns assim não seja]. Estar contra o treinador pressupõe uma avaliação negativa também de quem o escolheu e, portanto, da Presidência do Sporting. Além disso, a forma como este processo está a ser conduzido – colocando os dois contendores no mesmo plano - levará sempre a que a Presidência do Sporting perca mais do que o seu treinador, isto é, que se possa classificar como um estúpido mais próximo de um ingénuo do que [propriamente] de um bandido. O que esperávamos era uma Presidência do Sporting inteligente e mais não digo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Deitar fora o menino com a água do banho

O Sporting não está tão bem como poderia estar no Campeonato. Em todas as outras competições, tudo se mantém em aberto, coisa que os nossos principais adversários – Benfica e Porto – não se podem vangloriar. Mesmo no Campeonato, a classificação reflete as nossas insuficiências, mas também a forma mais ou menos despudorada como o Benfica tem vindo a ser transportado [para não falar em colinho e noutros diminutivos].

O Marco Silva não é [propriamente] o Sá Pinto ou o Paulo Sérgio, que ao fim de meia dúzia de jogos já todos tínhamos percebido que não sabiam bem o que fazer [e se não se sabe o que fazer muito menos se sabe como fazer aquilo que precisa de ser feito]. Portanto, é melhor pensar duas vezes, pois não se pode deitar fora o menino com a água do banho.

Como já li por aí, se as notícias são falsas, desmintam-nas, mas, se são verdadeiras, uma de duas: ou a Presidência do Sporting se entende com o Marco Silva ou rescinde o contrato. Em qualquer das três hipóteses, comuniquem rapidamente o que se passa ou o que não se passa. Que não se alimentem ilusões, se rescindir com o Marco Silva, a Presidência do Sporting perde o estado de graça, isto é, no curto prazo fica exposta ao primeiro mau resultado que aconteça. É que os prognósticos fazem-se sempre, mas sempre no fim dos jogos [antes dos jogos, o Sá Pinto ou o Paulo Sérgio também pareciam servir]. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Slimani contra o resto do mundo

O Slimani é o único que sabe jogar com intensidade, como agora se diz: desmarca-se em profundidade ou para as laterais para receber a bola; tabela com alguém – nos famigerados apoios frontais – e corre para a área como um maluco, esperando que chegue a bola; vai a todas e ganha os lances de cabeça nas biqueiradas para a frente [e fé em Deus] do guarda-redes dos defesas mandam; foi o mais perigoso nos lances de bola parada, como aquele que originou o golo. Concluindo, é ele e mais uma ou outra [honrosa] exceção, como o William Carvalho ou o Paulo Oliveira.

Mesmo com o cérbero oxigenado, o Adrien já só faz asneira, quanto mais quando está com os bofes de fora. A acabar o jogo, quando já não podia com uma gata pelo rabo, arranjou maneira de o expulsarem e de criar uma oportunidade de golo para o Nacional. Ninguém percebe como é que deixam o rapaz chegar aquele estado [de saúde] sem o substituírem.

O Maurício é um susto. Os laterais são inconsequentes no ataque e tremem na defesa. O João Mário julga que está a jogar futebol de praia. Os extremos foram autênticas nulidades. Salvou-se o golo do Mané e os últimos momentos do Carrillo, que praticamente sozinho acabou com o jogo. Os jogadores do Nacional não sabiam bem o que fazer: se entravam à bola, acabavam a fazer tristes figuras; se não entravam, ele não se mexia e não saía do sítio com a bola.

O Nacional é treinado pelo Manuel Machado e isto basta, isto diz-nos tudo ou quase tudo sobre esta equipa: ninguém tem menos de um metro e oitenta e todos [todos, todos] jogam forte e feio. Só quando se viu a perder é que o Manuel Machado resolveu [a muito custo] meter um rapaz que sabia jogar à bola.

[Falta uma nota para o Patrício: uma noite a tremer de frio e, de repente, aparece-lhe um jogador do Nacional completamente isolado a obrigar a mais uma saída à Patrício. Só que desta vez sofreu uma entrada violenta, bem violenta. O árbitro, Duarte Gomes, nem falta marcou, nada que não se esperasse.]

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vem aí borrasca

Ontem, previa que as coisas se iriam complicar. Não antevi que já estivessem tão complicadas assim. Vem aí borrasca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sem tempo

Quem anda nisto há muito anos percebe os sinais. O jogo contra o Vizela anunciou o pior. O próximo jogo contra o Nacional prenuncia o cataclismo. Também pode acabar em redenção. O Marco Silva e os jogadores têm muito pouco tempo para mudar alguma coisa. Mais do que eles, a Direção precisa dessa mudança, para que não se lhe acabe o tempo também.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mais prognósticos no fim do jogo

1. Dissemo-lo por diversas vezes e repetimos mais uma: a Liga dos Campeões não é uma competição em que um clube como o Sporting possa fazer muito mais do que ofício de corpo presente. É uma participação bem paga, mas não mais do que isso.

2. O que interessa são os jogos como o de ontem, contra o Moreirense. Trocava de bom grado todos os resultados positivos da Liga dos Campeões pelas vitórias contra o Moreirense, Belenenses e Paços de Ferreira em casa.

3. A questão é se os resultados depois da Liga dos Campeões se devem à falta de atitude dos jogadores ou a outra coisa bem diferente. A desculpa da atitude dá para tudo, mas serve para pouco. Justifica o jogo contra o Guimarães, em que pensávamos que podíamos continuar com elevada nota artística mesmo num campo impraticável e com um adversário aguerrido; não se justifica os restantes jogos.

4. A questão é de qualidade dos jogadores e da disponibilidade física para se jogar sempre em correrias permanentes e em ataque continuado. A equipa não dá para tudo. Os jogadores de qualidade não abundam. As opções táticas do treinador não poupam os jogadores.

5. As opções táticas do treinador não podem deixar de estar no centro deste debate. Desgastam os jogadores; nem sempre os permite colocar a jogar da melhor forma e nas melhores posições; transforma a zona central num autêntico baldio. Enfim, mesmo a ganhar, o Sporting está sempre exposto ao ataque adversário.

6. Os campeões em Portugal não são as equipas que melhor jogam ao ataque. São as equipas que defendem competentemente, pressionam os árbitros, intimidam os adversários e, sobretudo nos jogos mais difíceis, marcam golos de bola parada ou em molhadas várias.

7. O Marco Silva é bom treinador. A equipa joga, mais bem do que mal, segundo as suas ideias. Sabemos bem o que é um treinador sem ideias ou que não sabe colocar os jogadores a jogar de acordo com elas. Tem que ser mais realista, mais cínico e colocar a equipa a jogar de acordo com as características dos seus jogadores.

8. O caso do William Carvalho é o mais evidente. Não é, não pode ser, pior jogador hoje do que era na época passada. O que se lhe pede é que não é o mesmo. Ou arranja outro para o lugar, o que não vislumbro, ou então ajusta a forma da equipa a jogar às características do William Carvalho. É que a defesa sofre com este posicionamento do William Carvalho. A questão do controlo da profundidade é mais treta do que outra coisa. Os médios adversários aparecem sempre sem pressão e a dispor de todas as opções em aberto.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Não se matou o jogo quando se devia

Na primeira parte, podíamos, e devíamos, ter resolvido o jogo. Pelo menos três ou quatro golos feitos. No falhanço do Carrillo apeteceu-me entrar no ecrã e ir dar-lhe uma chapada. O Moreirense fez dois remates e marcou um golo.

Na segunda parte, foi muito mais difícil. O Moreirense recuou muito mais e não deu espaços. Anulado, e bem, o Slimani, o Sporting praticamente não tem Plano B para marcar um golo. As bolas paradas não dão em nada. Não há um remate de fora de área. Depois, por isto ou por aquilo, o centro ou o passe para a finalização não saem ou no momento certo ou para o espaço certo.

Nestes jogos encanzinados, é que mais se tornam relevantes os jogadores que fazem a diferença. O Sporting só tem verdadeiramente um: o Nani. O Montero ou o Carrilo, às vezes, também lhes dá para serem decisivos. O resto não é mau, mas é curto face a circunstâncias como as de hoje.

O Moreirense pareceu-me uma equipa muito interessante. Na primeira parte, pressionou bem à frente. É verdade que permitiu meia dúzia de saídas de bola que podiam ter sido mortais. É verdade também que com a bola não sabe bem o que é jogar para a baliza. Como manda a boa tradição do futebol português, joga para o lado e para trás à espera de um livre, de um canto ou de um lance caído do céu. Na segunda, recuou e passou a defender com competência.


(O Porto pareceu-me muito bem. Parecem uns meninos. Com os do Benfica a fazerem faltas atrás de faltas, ninguém arranjou um giga das autênticas. Faltou um Paulinho Santos, um Pedro Emanuel ou um Jorge Costa. É o que dá acabar com os jogadores portugueses e contratar um espanhol com risco ao meio)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Estão de parabéns

Na época passada, ouvimos a conversa das limitações do Sporting para estar na Liga dos Campeões. Esteve e esteve muito bem. Só temos uma sensação de frustração porque o nosso treinador e os nossos jogadores no fizeram acreditar – e com razão – até ao último jogo que era possível chegar mais longe. Estão de parabéns.

Os que achavam que íamos ser a vergonha nacional são os mesmos que hoje acham que tínhamos obrigação de ganhar ao Chelsea e, com sorte e vento a favor, ganhar a Liga dos Campeões. Vamos para a Liga Europa enquanto outros voltam às competições europeias para o ano. Os que regressam para ano eram aqueles que não tinham limitações nenhumas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A normalidade no Sporting tem que se lhe diga

Em condições normais, perdemos contra o Chelsea. Em condições normais o Schalke 04 ganha ao Maribor. Em condições normais vamos, assim, para a Liga Europa.

Este foi sempre o nosso destino normal. Só não é normal o rumo que tudo isto tomou (ninguém imaginaria que seria necessário um gamanço maior do que a Torre dos Clérigos para o Schalke 04 nos ganhar). Ou, se calhar, é. É mais uma frustração a somar a tantas outras. Quem não está preparado para isto e muito mais não pode ser do Sporting.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A verdade desportiva movimenta-se ao contrário do azeite

No jogo contra o Benfica, o Belenenses não pode contar com o Miguel Rosa e o Deyverson, os seus dois principais jogadores. Com este tipo de contratos – formais ou informais – o Benfica sai beneficiado duas vezes. Sai beneficiado porque assegura que o Belenenses joga sempre desfalcado contra si (de outra forma, ou os jogadores jogariam ou, então, o Belenenses teria desde o início da época contratado outros jogadores em vez destes dois). Sai beneficiado porque reforça o Belenenses para os jogos contra os seus principais rivais, o Sporting e o Porto.