Até ao momento, só não vi o jogo contra o Benfica. O jogo de ontem, contra o Belenenses, foi uma repetição dos anteriores face à Académica e ao Arouca. Tudo começa por ser fácil. As oportunidades sucedem-se. Os golos parecem eminentes. Por uma ou outra razão ou não acontecem ou não acontecem na quantidade que se justifica. Começa a segunda parte e a ansiedade vai-se apoderando dos jogadores. A meio entra-se em modo de desespero. Às vezes chega, como contra o Arouca, outras vezes não.
Contrariamente ao que para aí se vai dizendo, o treinador não me parece mau. Não é um Paulo Sérgio seguramente. A equipa tem método. Só que ainda está programada para jogar à Estoril. É preciso mais agressividade no ataque e menos tretas.
Ninguém me tira da cabeça que, em Portugal e contra equipas medíocres, como o Belenenses ou o Arouca, jogar com um só ponta-de-lança é dar descanso ao adversário. E as coisas ainda ficam mais complicadas quando se pede a esse avançado que, em ataque continuado, esteja sempre a recuar para tabelar com os médios sem que estes, com excepção do Nani, se desmarquem para dentro da área com golo nas botas. Mesmo para continuar com os apoios frontais do avançado, ou lá como se isso se chama, é importante jogar com dois. Um para essa brincadeira e outro para marcar golos (nem que seja à vez).
Depois, há jogadores que estão deslumbrados. Voltaram ao normal e o normal é pouco. Quando estão convencidos da sua normalidade, até nos surpreendem. De outra forma, atrasam mais do que adiantam. São os casos do Adrien e do André. Tudo sempre muito devagar. Perdas de bolas sobre bolas. Uma lentidão desesperante. Incapacidade para rematar por uma vez de fora da área e marcar um golo que seja. O principal lance de ataque do Belenenses resulta de dois passes consecutivos para os adversários, um do Adrien, o outro do André.
Também não estou certo que os principais problemas estejam na defesa. A defesa treina-se, foi isso que nos ensinou o Leonardo Jardim. Temos um grande e ter um grande é sempre bom. Limpa tudo de cabeça e isso é meio caminho andado. A maioria dos adversários em Portugal joga à biqueirada para a frente, apostando tudo em ganhar a primeira bola de cabeça e nos lances de bola parada. O grande só precisa de ser mais agressivo. Os adversários têm que temer uma desgraça sempre que forem disputar uma bola com ele. Neste jogo, e noutros deste tipo, talvez o recuo do William Carvalho para central, dispensando-se o cromo do Maurício, talvez não seja má ideia. Três no centro à espera do adversário que não avança parece uma multidão. O Esgaio está desconfiado de si próprio. Precisa de aprender a defender com confiança para atacar com confiança também. De outra forma, nem ataca, nem defende. Parece estar sempre a meio caminho.
O Porto empatou e estamos a quatro pontos. Nada está perdido. Se havia dúvidas, ontem ficaram dissipadas: o Nani é o melhor jogador do campeonato português. O William e o Patrício caminham para os lugares seguintes. Os outros só precisam de respeitar, nos passes e nas desmarcações, o que os outros lhe mandam fazer. Já agora, se não se importam, aprendam a marcar as bolas paradas. Podem começar pelos lançamentos de linha lateral junto à área do adversário. Basta ver como faz o Benfica.
(Excelente arbitragem do careca. Dois livres à entrada da área por marcar. Em cada um deles, não houve uma falta, mas duas. Não houve os consequentes amarelos. Num deles, dava o segundo e consequente expulsão)