Houve (e continua a haver) muito amor ardente da rapaziada da APAF e da Comunicação Social pelo Sporting ao longo desta época. Houve manifesta má fortuna com a lesão de Rinaudo numa altura em que éramos de longe a equipa que melhor jogava em Portugal. Mas houve muitos erros próprios que Domingos tem de saber assumir.
Domingos é, sem dúvida, melhor Treinador do que Carvalhal. Domingos não pode sequer ser comparado com Paulo Sérgio. Domingos não é mau treinador e, muito provavelmente, seria ou será campeão no Porto (se até o Jesualdo conseguiu ser tricampeão no Porto, porque não o Domingos?). Mas uma coisa é ser treinador no Sporting Clube de Braga e outra é ser treinador no Sporting Clube de… Portugal. Uma coisa é jogar sem grandes pressões da Comunicação Social e adeptos pelo melhor lugar possível, outra é jogar assumidamente todos os jogos para ganhar sem quaisquer desculpas Cerelac. Uma coisa é jogar defensivamente com “paciência” explorando apenas o erro do adversário, outra é jogar todos os jogos para vencer e convencer, sempre com nota artística elevada (pois é verdade, mesmo em tempo de vacas magras, aqui no Sporting só gostamos do filet mignon…).
Depois de mais um naufrágio, desta vez ao largo da Madeira, assistimos, penosamente, mais uma vez, à tradicional conferência de imprensa “piegas” de Domingos, só faltando dizer que caíra acidentalmente num bote "salva carreiras" e não tinha conseguido voltar para comandar a sua tripulação… Também aqui há uma diferença em Domingos ser treinador do Porto ou treinador do Sporting – no Porto, nunca o deixariam colocar a sua carreira acima dos interesses da instituição que representa e há muito que seria obrigado - a bem ou a mal - a parar com toda a tagarelice e choraminguice que marca as suas conversas com a imprensa. Ou Domingos ainda não percebeu que esta conversa Cerelac é uma espécie de profecia que se auto-realiza, servindo, sobretudo, os interesses dos nossos principais adversários (Porto, Benfica, árbitros e comunicação social) que, enquanto vão fazendo de tudo para nos afastar dos nossos objetivos, propalam para a opinião pública, para os adeptos e para os próprios jogadores essa ideia de inevitabilidade do nosso destino?
A equipa do Sporting, embora continue com limitações em algumas posições chave (sobretudo, a falta de alternativas no seu eixo central - defesa central, trinco e ponta de lança), tem bastante mais soluções do que nas últimas épocas. Por isso, apesar do cuidado compreensível na integração gradual dos reforços na pré-época, há várias opções de Domingos que para mim continuam a ser um mistério.
Logo no início, a insistência absurda nos estarolas Postiga e Djáló até o Freitas em desespero os conseguir rifar. Nessa mesma fase inicial, a aposta na dupla Polga – Carriço na defesa – muito frágil em todos os sentidos, quando quem conhece (ou devia conhecer) o futebol português, sabe bem que grande parte das equipas nacionais coloca todas as fichas nas jogadas de bola parada e/ou em pontas de lança apenas para conseguir segurar jogo mais tempo longe da sua baliza. Não esqueço também as diversas oscilações de Domingos até se decidir a apostar em jogadores como Onyewu, Rinaudo, ou Wolfs que, na fase inicial da época, passaram vários jogos no banco antes de se consolidarem como titulares indiscutíveis no eixo central leonino. Recordo igualmente a aposta insistente em flops cedo comprovados como Bojinov ou Pereirinha e, pelo contrário, a escassa utilização de André Martins ou Rubio, supostamente para os proteger da pressão da competição (O que seria da carreira de Domingos, se, primeiro, Ivic e, sobretudo, Robson tivessem decidido proteger aquele jovem franzinote da pressão de ser o ponta de lança titular do Porto? Porque é que Hélder Barbosa que sempre foi tão protegido por Domingos da pressão de ser titular do Braga, se está a destacar agora com Leonardo Jardim, não apenas como indiscutível, mas como jogador muitas vezes decisivo?).
Há também algumas dúvidas de natureza mais estrutural. Em primeiro lugar, a insistência em jogar apenas com Ricky abandonado na frente à sua sorte, sujeitando-o a um desgaste brutal, obrigando-o a sucessivas movimentações ofensivas e defensivas que, agora, começa a pagar bem caro (um pouco como Juskowiak nos tempos de Queiroz). Depois de uns tempos em que este sistema foi resultando, as equipas adversárias apanharam-nos o jeito – é certo que permitem que vamos muitas vezes à linha cruzar, mas reforçaram a marcação dos pouquíssimos jogadores (normalmente, apenas Ricky) que temos na área em condições de concluir. Aliás, ontem, até Ricky apareceu com umas movimentações “à Postiga” sobre as laterais, numa sofisticação tática muito "à portuguesa" em que, supostamente, os pontas de lança não servem para marcar golos, mas sim para arrastar os centrais adversários para as faixas laterais... Depois, as hesitações em manter uma pressão alta dos médios e avançados no meio campo contrário, sufocando os nossos adversários logo desde os instantes iniciais (percebo que sem Rinaudo e Schaars isso é mais difícil, mas…). Por fim, os frágeis níveis físicos revelados pela equipa – mesmo descontando as inúmeras lesões musculares registadas durante a época, a generalidade dos jogadores leoninos, além de jogarem nos últimos tempos sem qualquer ponta de intensidade, aparentam chegar ao fim dos jogos literalmente com a língua de fora …
Enfim, espero que este ano Domingos acabe por ganhar a Taça, embora, pelas suas declarações temerosas, pareça que vamos defrontar um colosso mundial na final. Ah sim e mesmo que não consigamos chegar ao terceiro lugar, espero que Domingos dê pelo menos um empurrãozinho para despachar o Jorge Jesus do Benfica, enquanto concede mais um ano a Vítor Pereira para mostrar o que sabe no Porto…
PS – Freitas Lobo continua a salivar fel sempre que fala de Onyewu. Nada que um bom encontro entre os dois não possa resolver...