quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Filosofia na alcova

 

Não sei se sabem, mas aquele (hipotético) falhanço do Neto (grande jogo) serviu para aliciar os jogadores do Benfica, que assim ficavam cada vez mais perto do empate. Tudo planeado. O cérebro dos jogadores do Benfica quando entraram num Alvalade cheio (não tenham dúvidas disso), estava projetado para enconar, encaixando no sistema adversário (é assim que se diz, não é?). O Jesus, coadjuvado por Deus (assim não é fácil), lá de sua casa, tinha projectado a sua ideia para campos onde o logaritmo não entra sem bater. A sua ideia (claro que continua a ser a sua!) seria envolver a (sua) ideia do costume, na ideia (deixem passar) do Sporting, quer dizer, do Amorim, sem que isso se notasse nas imagens da transmissão televisiva e do VAR.

Não sei se sabem, mas o Sporting estava em campo. Estava em campo no exato minuto em que o Jardel acompanhou o Santos na ventura da velocidade. Estava em campo, quando o Benfica começou a perder os diálogos consigo próprio (deixem passar) e apenas comunicava com o exterior por um tubinho. Mas a coisa encaixava, diziam os comentadores, embora o embaraço dos jogadores no desconhecimento daquele jogo, fosse percetível sem o recurso a microscópio, apesar disso, encaixava. A voz, ouvia-se algures, dizia que encaixava. O contraditório, nestes momentos, não se compadece com quaisquer outros pensamentos. Continuamos a existir, mas sem se notar muito.

O jogo, supostamente encaixado, prosseguia (isto durou muito tempo). A ideia de Jesus sufragava a ideia de Amorim. Amorim existiria nessa dimensão íntima, embora não fizesse a mínima ideia disso. Amorim, certificado leitor de Platão, sabia que este concebia a realidade de maneira dualista, por um lado as ideias e, por outro lado, o mundo sensível, um mundo que todos reconhecemos, mesmo sem Covid. A questão era: como passar uma imagem de acordo com o mundo sensível, sem esquecer as ideias(?). Amorim sabia-o, mas talvez não quisesse ferir em demasia um Jesus confinado. Não sabemos se terá conseguido. O que sabemos é que no mundo sensível joga-se até ao fim. E isso requer muito trabalho!

8 comentários:

  1. Brilhante.
    SL
    Miguel Fernandes

    ResponderEliminar
  2. Brutal, até me esqueci do jogo em questão:)
    abraço

    ResponderEliminar
  3. Tem vindo a ser muitíssimo agradável ver este jogo, já tão explorado, continuar tão explorável!
    No entanto tenho vindo aqui picar na esperança de ler qualquer coisinha (já quase à laia de esmola ...) referente ao Palhinha ... Aquilo promete tanto ...

    ResponderEliminar
  4. Respostas
    1. um pouco de espuma a coroar um bom fino é indispensável, já uma gravata exagerada...

      Eliminar