terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cena patusca

Na comunicação social, vai-se desenvolvendo uma campanha que procura demonstrar os [supostos] benefícios do Sporting com as arbitragens. Sugere-se que as classificações do Porto e do Benfica não resultam da falta de jeito dos seus jogadores [para não dizer outra coisa], dos seus treinadores, mas de supostos benefícios concedidos ao Sporting. É uma insídia que se espera que vá fazendo o seu caminho até cumprir a sua razão de ser, com o Sporting a ser gamado um dia destes.  

Ontem, no programa Dia Seguinte, a campanha teve um dos seus momentos mais patuscos. Passaram trezentas e cinquenta e oito vezes um lance onde, porque se vê um jogador do Marítimo no chão, se quer à viva força ver também um “penalty cometido” pelo João Pereira. Ninguém vê rigorosamente nada, mas o lance vai sendo repetido tantas vezes quantas as necessárias para dar consistência ao embuste e se comece a ver o que não se vê.

No entanto, começaram por se esquecer de passar o “penalty” a favor do Porto. Depois de muito pedir o Rogério Alves, lá acabaram por passar a repetição do lance. O lance é precedido de uma falta evidente do jogador do Porto, que não só faz jogo perigoso na disputa do lance com o guarda-redes como também o derruba. Este lance não precisa de ser repetido muitas vezes. Só precisa de ser repetido uma e uma só vez. Só que essa repetição não aparece ou só aparece a muito custo. Porque é que se repete o lance do Sporting até à náusea e se esquece este?

sábado, 5 de dezembro de 2015

Pedimos desculpa pelo mau jeito, mas os campeonatos ganham-se assim

Os jogadores do Marítimo jogaram como se não houvesse amanhã. A organização era pouca ou nenhuma. Mas a vontade parecia mover montanhas. A vontade e o regresso do salvador Marega. Talvez chegasse para mover montanhas, mas não chegou para o Patrício. Acabaram como o Benfica para a Supertaça, com o guarda-redes à biqueirada para os avançados.

O Patrício, a defesa e o William Carvalho garantiram-nos mais esta vitória. O ataque pouco ou nada rendeu. O Montero nem sequer tentou. O Gelson tentou, mas inconseguiu. Sobrou o João Mário e a esperança que o Bryan Ruiz fizesse mais uma jogada extraordinária ao ralenti. O golo veio de onde menos se esperava: do Adrien. Veio da única forma possível: de penalty, só que desta vez em movimento.

Em jogos como este, de muita luta e disputa de bola e pouco espaço e tempo para executar, sem o Slimani fica tudo mais difícil. Quando é necessário pressionar a defesa e a saída da bola ou esticar o jogo para a frente, compreendem-se melhor as diferenças relativamente ao Montero ou ao Tanaka. Na parte final do jogo, sem o Slimani, não fomos capazes de segurar o jogo na frente tanto quanto o necessário.

Há que ter esperança. Foi assim que o Jorge Jesus arrastou o Benfica até à vitória final no campeonato na época passada. Se fez isso com o Eliseu e o André Almeida, não vejo que não o possa fazer com os nossos matraquilhos também. Só falta a vitória contra o Porto para, como na época passada, o Lopetegui se começar a conformar com o seu destino

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Explicações e azias: escalpelizando o jogo contra o Belenenses

[Ganhar é o contrário de perder e vice-versa]
Para se ganhar um jogo é preciso começar por se evitar perdê-lo. Ontem, contra o Belenenses, perder o jogo nunca esteve em causa. É verdade que o Belenenses não tentou muito. Mas, noutros tempos, com um Sá Pinto e um Polga quaisquer, aquele Luís Leal teria feito mossa.

[Excluindo-se a possibilidade de derrota e jogando-se para ganhar, normalmente não se empata]
Foi isto que aconteceu ontem. O Sporting não deu qualquer hipótese de o Belenenses marcar um só golo sequer. Por outro lado, esteve permanentemente ao ataque. Quando assim é e mesmo que não se jogue muito bem, dificilmente o adversário, mais tarde ou mais cedo, não comete um erro que determina o resultado. Desta vez foi mais tarde. Convém não confiar. Por vezes não cometem erros ou quando os cometem nem sempre são ou podem ser aproveitados.

[A mão de Deus, a mão de Vata e a mão de Tonel]
Só mentes muito retorcidas é que conseguem vislumbrar qualquer intencionalidade no penalty proporcionado pelo Tonel. A azia não explica tudo. Se não conseguirem perceber pelo lado emocional podem sempre utilizar o lado racional do cérebro. Se foi intencional, então o Tonel, estava mancomunado, pelo menos, com o William Carvalho, o Slimany e o árbitro. Sem qualquer um deles, o lance não teria acontecido. O Tonel não pode centrar para a sua própria área e ir disputar a bola simultaneamente, fazendo ao mesmo tempo de Slimany e marcando o penalty. Se fosse possível fazer tudo isto e o fizesse aos noventa e três minutos, então não seria uma rameira mas um sádico.

[A equipa não dá para muito mais]
A equipa está espremida. Não dá para todas as frentes. As alternativas aos titulares são poucas e, face à sua juventude, intermitentes, nunca se sabendo se as substituições resultam. Tanto dá para golear uns russos como para ser goleado por uns albaneses. O Jorge Jesus não é um profeta. Conhece é bem a equipa que tem. A vitória na Liga Europa é um problema. Viu-se.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

É sempre possível tornar tudo mais difícil ainda

O Jorge Jesus anda paranoico com a gestão da equipa. É verdade que muitos deles não aguentam o jogo todo. Outros, andam a desfazer-se, como é o caso do Bryan Ruiz. A equipa está a superar as suas melhores expetativas e não larga competição nenhuma, apesar de o Jorge Jesus os ir industriando para acabarem com a brincadeira da Liga Europa.

A equipa não dá para tudo, é um facto. Mas dá à vontadinha para este Belenenses que nem um remate à baliza para amostra conseguiu fazer.

A primeira parte serviu para cumprir calendário. Apostou-se em se entediar o adversário de tal forma que, ao adormecer, permitisse uma jogada extraordinária do Bryan Ruiz. A jogada foi extraordinária por ter sido realizada em “slow motion”. Para azar, o guarda-redes não tinha adormecido e fez uma defesa que está para além do seu nível de competência.

Na segunda parte, procurou-se jogar um pouco mais depressa. Primeiro entrou ou Gélson Martins. Depois o Matheus Pereira. Por fim o Tanaka. Meteu-se o João Mário no meio. Nada parecia resultar, apesar do Matheus Pereira ter entrado com fogo na biqueira das botas.

Estava toda a gente a fazer contas de cabeça, quando o Tonel resolveu o jogo. Reconheço que tenho um fraquinho pelo Tonel, da sua passagem pelo Sporting. O homem teve que aguentar com o Polga durante uma série de época. Não é para todos. Algumas sequelas tinham que aparecer mais tarde ou mais cedo.

O Slimani agarrou na bola para ser o herói do jogo. O Jorge Jesus mandou-o virar-se para Meca e deu ordens ao William Carvalho para marcar o penalty. Tive medo. Veio-me à memória um penalty pior que o do Panenka marcado pelo William Carvalho na final do Campeonato da Europa. Mas o rapaz estava com a braceira no braço. Foi sempre com essa braçadeira que o Clark Kent se transformava no Super-homem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Houston we have a problem

A meio da tarde de ontem, liga-me uma colega a lembrar-me que tínhamos combinado ir à Universidade Católica ouvir Luigino Bruni no lançamento da edição portuguesa do seu livro “Redescobrir a árvore da vida. Um economista lê o livro de Génesis”. Tinha-me esquecido, de facto.

Cheguei a casa e, a meio de um telejornal qualquer, fico a saber que o Sporting tinha jogado com o Lokomotiv de Moscovo. Tinha-me esquecido também deste jogo. A memória está cada vez pior. Mesmo assim penaliza-me mais o esquecimento da conferência do professor italiano.

Pelo que vi, a rapaziada entusiasmou-se. O Montero fez finamente os passes e as assistências que toda gente dizia que fazia e não me lembrava de ter visto. Marcámos quatro com duas cuecas pelo meio. Moral da história: arranjámos um problema que não tínhamos nem desejávamos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Borda d´Água

Em novembro, com o fim da castanha chega o Astana. Entradas em dezembro, com a primeira neve chega o Kiev.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Tantas vezes quantas forem precisas até aprenderem

[Ataque]
O Benfica perdeu três vezes e três vezes mereceu perder. Nos três jogos, o Benfica foi praticamente inconsequente no ataque. Ninguém se lembra de uma jogada bem construída com um avançado a aparecer isolado perante o Rui Patrício.

[Meio campo]
O Sporting foi sempre muito superior ao Benfica no meio campo. O Sporting circula melhor a bola e perde-a menos vezes em zona de perigo. Em contrapartida, reage com grande rapidez à perda da bola, dando com frequência uma imagem que está a sufocar o Benfica. O Benfica raramente consegue sair para o ataque de forma organizada. Invariavelmente acabam numa biqueirada para a frente.

[Defesa]
A defesa do Benfica está sempre mais desprotegida. A defesa não é pior que a do Sporting. Concede mais oportunidades porque está com frequência mal posicionada relativamente ao meio campo ou vice-versa. Há sempre muito espaço para explorar. Quando o meio campo avança a defesa não avança o suficiente.

[Com papas e bolos se enganam os tolos]
Está-se mesmo a ver que a culpa é dos árbitros. Não passa pela cabeça de ninguém que o Rui Vitória não é treinador de clube grande. Ninguém consegue reparar que o Benfica não dispõe de um sistema de jogo coerente. O alarido no final dos jogos impede que se veja o que está à frente do nariz de qualquer um e ainda bem.

domingo, 22 de novembro de 2015

A caminho do hospital

Se bem me lembro, o Benfica foi a primeira equipa portuguesa que conseguiu estar a ganhar esta época à equipa principal do Sporting. É um feito, sem dúvida. Mas este não foi o feito maior do Benfica neste jogo da Taça de Portugal. O maior feito foi ter perdido contra o Sporting B da época passada. Acabámos o jogo com o Esgaio, o Tobias Figueiredo e o Gélson Martins.

A rapaziada do Benfica está com um forte ataque de azia. Estão todos a caminho do hospital. Depois de mais este banho de bola, a ala psiquiátrica do Santa Maria vai ser pequena para tanto trauma. Vai demorar a curar tanta doença. Serão necessárias várias sessões de psicoterapia e de terapia de grupo. Para já e para aguentarem esta semana, vão ser necessárias umas tantas doses de Lexotan. Mas não basta. É preciso arrebitar um pouco também. O Lexotan terá de ser acompanhado pelo seu amigo Prozac.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Não pode ser uma metadona qualquer

Nos dois últimos dias escrevi sobre a necessidade de nos arranjarem um substituto para a falta de bola a sério. Mas não pode ser um substituto qualquer. De outra forma, ainda acabamos todos a ver telenovelas ou a passear a família nalgum centro comercial.

O jogo de hoje da selecção nacional contra a selecção do Luxemburgo visava exactamente o quê? Os titulares do jogo contra a Rússia passaram a suplentes e os suplentes a titulares. Parecia um daquelas peladas entre amigos em que todos têm de jogar para que ninguém fique aborrecido e se recuse a aparecer na próxima. Se os amigos vão ficando aborrecidos e deixam de aparecer, um dia corre-se o risco de nem dez aparecem para o tradicional futebol de cinco.

Este jogo só tem uma razão de ser. Justificar a existência de um treinador e de toda uma estrutura técnico-logística que ganha o ano inteiro, embora o seu trabalho só seja verdadeiramente necessário durante um ou dois meses. Depois da vitória da Dinamarca no Europeu de 1992, quando à última hora substituiu a ex-Jugoslávia e os seus jogadores regressaram das férias para jogarem praticamente de imediato, fiquei sempre com grandes dúvidas sobre a necessidade dos treinos das selecções e, no limite, da existência de um seleccionador a tempo inteiro.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Mais metadona

Sem futebol, restam-nos as aquisições para não começarmos a ressacar. Desta vez, vieram aos pares. Vieram o Bruno César e o Marvin Zeeglaar.

Não faço a mais pálida ideia de quem seja este Marvin Zeeglaar. A sua aquisição só tem uma justificação. Definitivamente, o Jonathan Silva foi uma contratação fracassada. O rapaz não é mau a atacar. Centra bem. O problema é que defende mal e recupera pior. Ao fim de meia hora já não pode com uma gata pelo rabo. Na América do Sul, onde o futebol se joga parado e a passo, talvez sirva. Na Europa, onde o futebol se joga a correr, não serve.

Tenho “mixed feelings” relativamente ao Bruno César. Precisamos de alguém que desequilibre no ataque. Que seja mais vertical e vá para a baliza e para o golo sem medo. Que faça os defesas hesitar, sem saberem se devem sair ao jogador ou não. Tem vários senãos. Não é mau, mas também não é um titular indiscutível. É a atirar para o gordo, sem ser um Taarabt. Não é velho, mas não vai para novo. Pode progredir, embora tenha idade suficiente para ter progredido o que tinha para progredir. Não parece caro, apesar de se encontrar mais barato na formação. Enfim, não é carne nem peixe.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Metadona

Fim-de-semana sem campeonato não é fim-de-semana a sério. À falta de bola a sério para chutar, tivemos que nos contentar com a metadona que nos deram.

Deram-nos a selecção nacional num jogo a feijões contra a Rússia. A selecção nacional do Fernando Santos é sempre um mau produto. Em modo jogo-treino, ainda pior. Deram-nos a pior metadona possível para um viciado de bola. É fumar sem inalar. É fazer bolhinhas de vapor de água com patéticos cigarros eléctricos.

Perdemos, mas estivemos para empatar. Ganhar não teria sido possível. Para ganhar é preciso levar a bola até à área do adversário e tentar marcar golo, rematando para a baliza. Nem perto estivemos de marcar um golo para amostra.

Safou-se o Patrício, com duas grandes defesas. Foi bom voltar a ver jogar o Pepe. Os anos passam, mas continua a ser o melhor defesa-central da selecção. O William Carvalho recuperou bolas e passou-as com acerto e asserto, já agora. Gostei do Gonçalo Guedes. Não parece mau. Fica por demonstrar se é bom, embora, para a imprensa indígena, meia dúzia de pontapés na bola em meia dúzia de jogos lhes permita encontrar o que procuram incessantemente: o regresso do Eusébio ou do Rui Costa numa noite de nevoeiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Só a tiro

Ficámos a saber que a entrada em campo de um treinador e a agressão de um jogador da equipa adversária vale 40 euros de multa. Nem quero imaginar a quanto sairia a brincadeira a esse treinador se tivesse abatido o jogador com um tiro à queima-roupa com uma caçadeira de canos serrados. Para aí uma fortuna de 100 ou 120 euros. A ruína do treinador, por outras palavras.

Coisa diferente é a resposta do jogador à agressão com um empurrão ao treinador. Por uma coisa destas o jogador na pior das hipóteses é somente “irradiado”. É com penas como esta que a justiça desportiva praticamente incentiva à violência dos jogadores de futebol contra os treinadores das equipas adversárias.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Slimani e mais nove

O futebol português nunca pára de nos surpreender. Há jogos em Aveiro e em Arouca, conforma a vontade do freguês. A isto estávamos habituados. Um treinador entrar dentro de campo para agredir um jogador adversário é que ainda não tínhamos visto. O Sporting foi o principal prejudicado. Ficou a jogar com dez, com a resposta do Naldo à agressão. Está encontrada uma nova forma de indrominar os resultados dos jogos.

Mas esse momento gerou uma dúvida insanável na cabeça dos rapazes de Arouca: estando a jogar contra dez, continuamos a defender e a perder tempo como pudermos e como nos pediram ou comportamo-nos como uma equipa de futebol? Esse momento de dúvida foi fatal. O Ruiz teve tempo e espaço para lançar a bola para o Montero, que, mais uma vez, tentou marcar em estilo. Valeu-nos o Slimani que, aos noventa minutos, ainda é que capaz de fazer um “sprint” marado à procura de uma oportunidade que nem sequer sabia se a ia ter. Às três tabelas a bola chegou-lhe e fez o que costuma fazer com toda a simplicidade do mundo: empurrou-a lá para dentro sem tentar um domínio impossível, uma finta desnecessária ou um remate artístico.

O jogo foi mais do mesmo. O Sporting sempre controlar e, a pouco e pouco, a asfixiar o adversário. Só que a falta de jeito no ataque não ajuda. Nos últimos trinta minutos o Arouca estava encostado às cordas. Aparentemente, era só esperar pelo inevitável. Só que, por isto ou por aquilo, o inevitável não acontecia.

O ataque é o Slimani. Está em todo lado ao mesmo tempo. Recua para os apoios frontais. Desmarca-se para as laterias, para fugir às marcações dos centrais e para os arrastar. Arranca para a área depois de tabelar com os colegas à espera que a bola lhe chegue. Só que não há mais ninguém. Não há ninguém que remate de fora da área, que ataque os espaços deixados livres na área, que vá para a a baliza com fogo nos olhos e nas botas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Boa aposta

Volto a referir, pela enésima vez, que as competições europeias só valem pelo “guito”. Na Liga Europa o “guito” é pouco. Mal dá para o gasto e para a chatice.

Os albaneses perceberam isto há muito. Vieram uns tantos excursionistas fazer uma pelada a Alvalade. Pelo caminho, fizeram umas apostas e indrominaram o jogo. Ganharam umas massas com esta brincadeira.

O Jorge Jesus já tinha percebido que a Liga Europeia é uma brincadeira para entreter meninos. O que o Sporting ainda não tinha percebido é que a brincar também podia sacar algum. Hoje percebeu. Como disse ontem, o jogo resolvia-se nas apostas e resolveu-se. Espero que, pelo menos, tenha dado para a viagem.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A táctica para amanhã

A participação dos clubes portugueses nas competições serve para “sacar algum” e dar ares de mundividência aos jogadores, treinadores e dirigentes. Se não fossem as tochas e a pancadaria das claques, até permitiria melhorar a relação entre os portugueses e os restantes países desta Europa alargada, contribuindo para a paz no Mundo e outras coisas do género. À falta de melhor programação televisiva, também se entretém a malta a meio da semana.

Hoje, o Sporting, o Benfica e o Porto estão para as competições europeias como a Tonicha, o José Cid ou a Manuela Bravo estavam para o Festival da Eurovisão.

Dito isto, a táctica do Sporting para o jogo de amanhã só pode ser a do: pim-pam-pum-ca-da-bo-la-ma-ta-um-pa-ra-a-ga-li-nha-e-pa-ra-o-pe-rú-quem-fi-cas-és-mes-mo-tu. As apostas farão o resto. Domingo volta-se a jogar a sério contra o Arouca.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Jogar e ganhar sempre contra catorze milhões adeptos

No sábado, estive em Chaves. Estive na Feira dos Santos. A razão para lá ir não foi a feira. Fui convidado pela Confraria de Chaves para falar sobre marketing de vinhos. A razão também não foi bem essa. A razão foi mais prosaica. Ofereceram-me um jantar absolutamente notável, regado com Quinta de Arcossó, a troco de conversas várias sobre marketing.

Não vi o jogo contra o Estoril. Recebi um telefonema do Júlio Pereira a dar conta do resultado. Nesse momento, o meu parceiro do lado, um arqueólogo, entornou-me um copo de vinho tinto nas calças. Não sei se foi por acaso ou se foi por mau perder.

Vi o jogo ontem, em diferido. Gostei do que vi. O Sporting tem pior equipa do que no ano passado. No ano passado, tinha o Nani e o Carrillo. Este ano tem o Gélson Martins e o Bryan Ruiz. Por vezes, até dou por mim a ter saudades do Cédric. Gostei do que vi face a estas circunstâncias.

O Estoril jogou bem, sobretudo na primeira parte. Ao intervalo, o Jorge Jesus corrigiu o que tinha de corrigir e fizemos uma excelente segunda parte. Falta sempre alguma coisa na finalização. Há sempre uma hesitação, um mau passe ou um mau remate. Não é brilhante a nota artística. No entanto, a intensidade da equipa é notável. A certa altura, o adversário sente-se asfixiado. São ataques atrás de ataques, sem qualquer possibilidade de respirar um segundo e sair a jogar.

Vão-se repetir mais jogos como este, plenos de sangue, suor e lágrimas. Até por que iremos sempre jogar contra equipas com catorze milhões de adeptos. Esses adeptos podem-se dissipar depois do jogo. Durante o jogo, estão lá todos. Sabemos isso quando vemos o Jorge Ferreira a mostrar o amarelo ao Jéfferson ou a permitir todas as faltas possíveis e imaginárias ao Estoril no fim do jogo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

5 Milhões

Caiu o Carmo e a Trindade porque o Sporting paga 5 milhões/ano a um treinador. Classificava-se a opção de Bruno de Carvalho como "um desastre", "uma mudança de rumo" e até os nossos Eurodeputados pareciam mais preocupados com o sítio de "onde vinha o dinheiro" do que em saber como resolver a crise humanitária que temos à porta ou o crescimento anémico da Europa.

Ora de acordo com a capa de um jornal desportivo de ontem o Benfica tem na bancada jogadores que custaram o suficiente para pagar isso a um treinador durante quase 4 épocas. Há uns anos comprámos um inútil Elias por uma pipa de massa. Nestes casos não há tanta "indignação" e muito menos políticos a querer saber "de onde vinha o dinheiro".

Não sei se o treinador merece ou não ganhar 5 milhões. Isso é outra conversa. O que sei é que a época do Sporting até agora mostra claramente como o treinador faz mesmo a diferença. Curiosamente, no ano passado tínhamos um jogador que parece que ganhava 5 milhões por mês. Fez muita diferença e deixou saudades, mas penso que é justo reconhecer que este ano estamos a outro nível.

Estar em primeiro e acabar em primeiro

Com as brincadeiras do “kit” Eusébio e do Rui Vitória até nos vamos esquecendo do essencial. Estamos em primeiro. O Porto borregou contra o Braga. Mesmo com o melhor plantel do campeonato, os entusiasmos da Liga dos Campeões pagam-se caro. A rapaziada depois de beber do fino não quer outra coisa. Não quer voltar à piolheira nacional.

O Jorge Jesus é mais realista. Sabe, como o Woody Allen, que a realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife. A realidade regressa todos os fins-de-semana. Jogo após jogo, contra os Estoris ou os Tondelas desta vida.

O Jorge Jesus sabe tudo isto. Espero que os jogadores também saibam ou, se não sabiam, que ele lhes explique. Vem agora o jogo contra o Estoril, sem competições europeias e outras distrações pelo meio. De nada valem os golos contra o Benfica para se ganhar esse jogo. Não há pássaros nos ninhos do ano passado; que é uma outra forma de dizer que estar em primeiro não é a mesma coisa do que acabar em primeiro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Jorge Jesus, o nosso “ai Jesus”

[Comparação]
O Sporting não tem melhor equipa do que a da época passada. O Benfica não tem pior equipa do que a da época passada. Na época passada, em dois jogos, empatámos duas vezes. Esta época, em dois jogos, ganhámos duas vezes. No primeiro, o resultado ficou aquém da exibição. No segundo, o resultado e a exibição não deixam dúvidas.

[Eficácia]
Há quem diga que o jogo se decidiu na eficácia. Há jogadas de perigo e jogadas de perigo. O Sporting criou quatro jogadas de golo e marcou três. Os quatro lances, incluindo o da perdida do Jéfferson, resultam de jogadas colectivas, defensivas e ofensivas. Dificilmente o Sporting não teria marcado pelo menos dois golos. O Benfica teve um lance de golo que nasce por acaso de um disparate do Naldo.

[Gestão da equipa]
O Jorge Jesus marimbou-se, e bem, para a Liga Europa. O Rui Vitória leva a sério a Liga dos Campeões. Um conhece as limitações da sua equipa. O outro não. O Sporting esteve sempre melhor física e animicamente. O Téo e o Ruiz, embora à beira de um esgotamento, concluíram o jogo vivos. Os jogadores do Benfica estavam de rastos fisicamente e ainda pior ficaram com o avolumar do resultado.

[Treinador faz a diferença]
Havia muito para dizer sobre este ponto. Fica para melhor oportunidade. No entanto, ninguém tem dúvidas: se os papéis dos treinadores se invertessem o resultado seria ao contrário. Não sairíamos vencedores da Luz com o Rui Vitória a treinador. Nem neste nem em qualquer outro jogo sairíamos vencedores se, para além disso, do outro lado estivesse o Jorge Jesus.

domingo, 25 de outubro de 2015

Ai Jesus!...

Foi uma “ai Jesus” permanente. “Queres ver, queres ver que o Téo ainda marca. Ai Jesus!” Ó Luisão olha o Slimani! Ai Jesus!” Não deixes ir o Slimani, vai, vai-te a ele! Cuidado com o Ruiz! Ai Jesus!”

Não recebemos “kit” Eusébio. Se recebêssemos, vínhamos com uma camisola do Benfica e quatro “vouchers”. Viemos com três “vouchers” que o limite da UEFA não dá para mais. Viemos com o “kit” Jesus. O Luisão ainda tentou. Deixou o Júlio César desconjuntado. Vão ser necessários mais uns tantos emplastros espalhados pelo corpo todo para o rapaz se refazer para os próximos jogos.

A segunda parte chegou a ser deprimente. O Sporting fazia de contas que pressionava a defesa e o meio-campo. O Benfica trocava a bola até o Samaris se lembrar de lançar o Rui Vitória pela linha lateral, como quem diz: “o que é que eu faço com esta coisa? Diz qualquer coisa. Faz qualquer coisa. Desmarca-te, corre, pelo menos”. O Rui Vitória, nada.

Até agora, o Sporting tinha gerado grandes danos reputacionais ao Benfica, segundo a sua Direcção. Danos de quarenta milhões de euros pelo menos. Depois deste jogo, os danos reputacionais não têm preço.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Nada disto interessa

Vieram uns pândegos da Albânia participar num jogo-treino connosco. Rapaziada esforçada e consciente das suas obrigações. Rapidamente arranjou maneira de ficar a jogar com dez e de nos oferecer dois golos.

Precisávamos de inventar um novo Carrillo. Parece que está inventado. Não é tão enleante nas fintas e a passar pelos adversários, mas sabe estar no sítio certo e passar e rematar quando é preciso. O Matheus Pereira é miúdo para nos dar umas tantas alegrias. Hoje deu-nos duas, tantas quantas os golos. O Gélson Martins parece um pouco mais verde, mais ansioso. Quando recebe a bola quer sempre construir a jogada da sua vida. É preciso mais calma.

Gostei do Bruno Paulista. Aprecio o estilo: alto, disputa as bolas como se não houvesse amanhã, pé esquerdo com mira telescópica. Se fosse possível dispor dele e do William Carvalho no meio-campo ao mesmo tempo, construíamos um autêntico muro. Vamos ver se o Jorge Jesus consegue fazer esse milagre.

O resto foi mais do mesmo. Demos a enésima oportunidade ao André Martins para ele demonstrar que desta é que era. Não foi, como de costume. O Montero correu como se estivesse a fazer jogging e jogou como quem está numa pelada com os amigos. Consegue irritar o mais ferrenho adepto. Mesmo assim, arranjou dois penalties. Não foi bem ele que os arranjou. Foram mais os adversários que os ofereceram.

Descansámos os jogadores quer tínhamos que descansar. Treinámos a rapaziada mais nova, que se começa a afirmar como alternativa. Ganhámos. Goleámos. Sofremos um golo parvo a acabar o jogo. Nada disto interessa. O que interessa é o derby.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Gastronomias

Ou o Museu Cosme Damião e o Museu da Cerveja começam a servir vários tipos de “kebap” ou as competições europeias não vão ser a mesma coisa. É preciso alargar a ementa, considerando a vasta e rica gastronomia internacional.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A pergunta de um milhão de dólares

No próximo fim-de-semana joga-se o derby dos derbies. Há uma pergunta que vale um milhão de dólares. Não, não é sobre o resultado. Também não é sobre o eventual cataclismo da estrutura do Benfica e do Rui Vitória caso o Sporting ganhe, passando-se a atribuir definitivamente todo o merecido mérito ao Jorge Jesus pelas vitórias do Benfica nos últimos campeonatos.

Há uma, uma só pergunta cuja resposta vale um milhão de dólares. O Benfica vai oferecer o “kit” Eusébio aos árbitros e observadores? É que se o tem vindo a fazer ao longo dos últimos anos e não vê inconveniente nisso, então não há nenhuma razão para deixarem de oferecer.

Se assim for, os árbitros escusam de vir dizer que fumaram mas não inalaram, isto é, que ficaram com a camisola e deitaram fora as refeições oferecidas no Museu Cosme Damião e no Museu da Cerveja. Se, como até agora, também não virem inconveniente nessa oferta e não for muita a maçada, podem mesmo fazer a devida referência no relatório.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Nós e eles

Para ser sportinguista, preciso do Benfica. Qualquer benfiquista, para o ser, precisa do Sporting. A identidade forma-se também por oposição à identidade dos outros.

Não gostamos deles, porque são o contrário de nós. Eles não gostam de nós, porque somos o contrário deles. Mas vamos ter de viver juntos. Nós não somos nada sem eles. Eles não são nada sem nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Fernando Santos, um treinador invulgar

Não é um treinador qualquer que consegue sete vitórias em sete jogos realizados; que, para além disso, o consegue com uma dupla de centrais que soma setenta anos de idade e um trinco que, antes dos jogos, tem de ir deixar os netos no infantário.

Impossível, impossível mesmo, é consegui-lo com um golo de cabeça do Miguel Veloso e dois golos do João Moutinho resultantes de dois remates à entrada da área em dois jogos seguidos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A seleção e o “kit” Eusébio

A minha filha foi estudar para fora. Mais de uma década e meia depois, descobrimos de quem era a responsabilidade da desarrumação e da agitação permanente da casa. Estou ilibado finalmente. Está tudo mais calmo, mas temos saudades dos tempos antigos.

Eu e a minha mulher parecemos um casal de reformados. À noite ou ao fim-de-semana, qualquer programa é um bom programa. Ver a seleção em Braga pareceu-me um bom programa. Admiti ir ao Continente comprar umas fatias de fiambre e qualquer coisa mais para ter direito a uma borla no bilhete.

Não fui ao Continente. Não fui ver o jogo ao estádio. Vi-o na televisão, em casa. Não me arrependi. Para ir ao estádio, ver aquele jogo, a borla do Continente é curta. A continuarem a jogar assim, nem que o Continente me ofereça o “kit” Eusébio.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Todos temos um limite

Sem querer entrar em demasia pelo comentário político neste blogue penso que o país aguenta estar sem Governo umas semanas, meses e até quem sabe anos (a Bélgica não se deu mal com isso). O país até mostrou que aguenta um dia de eleições com bola, ainda que não fossem precisas sondagens nem arbitragens encomendadas para saber quem ia ganhar este peculiar derby.


Agora o que o país não aguenta é estar semanas sem governo a sério e sem bola a sério, ao mesmo tempo. Assim, sem debater sequer o conteúdo, acho que devemos reconhecer o serviço prestado à nação por Bruno de Carvalho. Com o Carrilho no Perú, sem Governo nem Troika, depois de Porto e Sporting golearem e do Benfica nem sequer jogar, com dois enfadonhos jogos da selecção de Santos pelo meio e Cavaco a assumir-se como o grande protagonista da nossa política, iam ser semanas difíceis. Obrigado Bruno por nos poupares a isso e por seres a grande figura da nossa "agenda mediática" neste momento tão difícil. Todos temos um limite e eu já temia que o meu se estivesse a aproximar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

De papo cheio

Finalmente ganhámos como deve ser: de papo cheio e com um “hat-trick” do Slimani. O homem já merecia e nós também.

Há um antes e um depois de William Carvalho. Com ele, a equipa está tranquila a atacar e a defender. Não há transições ofensivas do adversário que lhe resistam. Os defesas centrais deixam de estar entregues à sua sorte. Os laterais sobem sem estarem a olhar pelo retrovisor. O Adrien pode perder as bolas que lhe der nas ganas que não há problemas. Todos os jogadores têm um porto seguro a quem passar a bola. Ele não a perde e encontra sempre o melhor destino para ela.

O jogo não teve muita história. Atacámos, atacámos e atacámos. Dominámos, dominámos e dominámos. O Guimarães nunca conseguiu sair do meio-campo. As oportunidades de golo sucederam-se. Ao intervalo o resultado de dois a zero era tremendamente injusto. No final, os cinco a um sabem a pouco.

Duas ou três notas finais.

O Bryan Ruiz desatarraxou-se definitivamente. A cada jogo que passava, o risco de se desmembrar era cada vez maior. Tinha de acontecer o que aconteceu. Aconteceu numa das suas melhores jogadas da época. Partiu os adversários e partiu-se a si próprio, tudo em câmara lenta.

A paciência para o Teo Gutiérrez começa a esgotar-se. O homem não é carne nem peixe. Parece ter técnica, mas não tem. Parece ser rápido, ou intenso, como agora se diz, mas não é. Parece ser perigoso, mas é um cabo dos trabalhos para marcar um golo. Tem o defeito de desaparecer do jogo ao fim de meia-hora, depois de ficar com os bofes de fora com duas corridas.

A alternativa ao Carrillo é o João Mário, como esperava. Não é bem o João Mário. É o João Mário e o Esgaio. O primeiro joga melhor por dentro. O segundo é um excelente ciclista. Não revela é ainda grande confiança na hora da decisão.