Passada a irritação, vamos analisar as coisas com frieza. O futebol em Portugal não é o mesmo que vemos noutros locais da Europa. Os jogos são absolutamente entediantes. Os jogadores passam o tempo todo a atirar-se para o chão e a queimar tempo. Os relvados são uma desgraça. A trapalhada a que se chama futebol em Portugal são onze contra onze, como nos outros países, envolve também uma bola e no fim os árbitros por ação e/ou omissão decidem quem ganha. Se não fosse a clubite que nos ataca a todos, ninguém no seu juízo perfeito se dava ao trabalho de ver tão triste espetáculo.
Existem umas pessoas, que se fazem passar por técnicos e comentadores, que a partir desta trapalhada tentam dar uma lógica a tudo isto. Nos tempos do Gabriel Alves ou do Alves dos Santos este esforço ainda tinha graça. Agora, temos uns cromos que visionam os lances e tentam tirar conclusões desta autêntica barafunda. Encontram sempre uma lógica para o resultado quando o que acontece só tem duas explicações possíveis: a aleatoriedade que as confusões sempre suscitam e a arbitragem. Não conseguem (ou não querem) compreender que a nota artística não conta. O que conta são os golos. E quanto aos golos os que contam são os que os árbitros querem que contem.
O jogo contra o Setúbal foi o exemplo acabado disto. O jogo foi sempre mal jogado. A bola andou sempre aos trambolhões num campo absolutamente miserável. Até que no meio desta confusão o Sporting marca um golo. Ninguém precisava de ver a repetição. O Adrien não estava fora-de-jogo. O mesmo bandeirinha que viu aquele fora-de-jogo foi o mesmo que momentos a seguir viu a bola lá dentro, qual olho de falcão. Nenhuma imagem permite esclarecer. Uma das imagens permite ver que o guarda-redes está dentro da baliza. Outra dá a ideia que a bola talvez possa estar lá dentro. Mostraram mais um série de imagens, de frente e de trás, que, pelo seu ângulo, só serviam para gerar confusão. Mas o que verdadeiramente é relevante não é isso. O que é relevante é que o bandeirinha que viu um fora-de-jogo que não existiu (por um metro, pelo menos), agora tinha decidido com um juízo de centímetros.
A trapalhada chegou ao intervalo. Reiniciou-se da mesma forma. O árbitro ia apitando de forma casuística, quase sempre em benefício do Setúbal. O golo do Setúbal é precedido de uma falta escandalosa sobre o Adrien à entrada da área que o árbitro fez o favor de não marcar. Vem o golo do Setúbal. Tenho as maiores reservas sobre a posição do avançado. Mas admito que possa não estar em fora-de-jogo. Dou de barato a regra de que na dúvida não se marca. Agora, o problema continua a não ser esse. Como é que um bandeirinha que vê um fora-de-jogo que não existe por um metro, pelo menos, está capacitado para analisar aquele lance?
Mas a trapalhada estava para continuar. Centro para a área e um defesa do Setúbal, em pânico, empurra deliberadamente o Slimani nas barbas do árbitro. O árbitro nada. Mais uma bola para dentro da área do Setúbal, o Capel vai buscá-la ao segundo poste, embrulhanço com um defesa e o árbitro marca penalty. Tenho as mais sérias reservas quanto ao lance. O que sei é que o árbitro marcou duas faltas daquelas contra o Sporting, com direito a amarelo e tudo. Mas o extraordinário não é isso. O extraordinário é que o árbitro que não viu o empurranço sobre o Slimani tenha visto aquele embrulhanço.
Mas as trapalhadas tinha que acabar à Monty Python. Um nabo qualquer que estava a jogar, de repente, atirou-se à parva para o chão, sem que nenhum jogador do Sporting estivesse por perto. O árbitro não sei o que viu, mas marcou penalty. Alguém, no seu juízo perfeito, considera, mesmo, que o árbitro viu qualquer falta?
Desisti e deixei de ver o jogo. Mas o que mais me impressionou neste jogo não foi o conjunto de trapalhadas. Foram os comentadores. Aqueles cromos foram comentando aquele jogo como se o que estavam a ver tivesse qualquer nexo ou explicação. Há malucos para tudo.
(Peço desculpa ao Trindade por ter praticamente sobreposto este post ao dele)