sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Perdendo-se nas falhas

 

Não tenho ilusões: Rui Borges é um escudo protetor de Frederico Varandas a caminho de se tornar um bode expiatório. Borges decidiu jogar e arriscar. Por isso ficou, apesar das palavras do presidente na sua apresentação pouco antes do final da taça. Palavras condescendentes e intrusivas no trabalho da equipa técnica. Depois aconteceu aquilo na final da taça. A grande oportunidade para Varandas limpar o balneário das remanescências de Amorim e Viana, cuja memória lhe importunava o sentimento de glória. Tudo despachado com a conivência (dizem, sem se rirem) da equipa técnica.

Com a faca e o queijo nas mãos, Varandas aguardou. A ver se nos entendemos:

Borges ficou, à cabeça, com o ónus do que viesse a seguir e com todas as possibilidades de se espetar por sua conta e risco. Até lhe disponibilizaram a arma do crime para ele guardar no seu armário. Uma carrada de jogadores novos, todos (supostamente) com o conhecimento e respetivo aval da equipa técnica. Todos, supostamente, para encaixarem num modelo ou em alguma ideia de jogo, não interessa. A ideia de Borges. No pacote até veio um central recusado nos exames médicos do Estrasburgo e que praticamente ainda não saiu do estaleiro, embora o jornal Record todas as semanas receba a informação de fonte certa que é desta que irá jogar.

Quando as coisas começaram a correr menos bem e depois menos menos bem e depois mal, Varandas acudiu ao seu timoneiro: que nada temesse. Estava seguro como um raio de sol pendurado na corda da roupa (inventei esta mesmo agora). Varandas até se deu ao luxo de dizer que a taça não interessava para nada, da mesma forma que agora afirma que, pelo menos, Borges é baratinho. Precisa de o segurar ao máximo para poder dizer que o segurou ao máximo. Precisa de o segurar preso à narrativa de que o plantel foi feito à sua (de Borges, obviamente) imagem. Precisa de o cozinhar em lume brando com a frase: Borges precisa de tempo.

Varandas precisa de uma alternativa credível. Um trunfo.

O que Borges tem feito recentemente é muito pouco para quem já ocupa o cargo de treinador há praticamente dois anos. As ideias confundem-se com os modelos que mais parecem manequins vestidos com a roupa errada. Nenhuma ficção nova veio substituir o mito recente que se desvanece sem que ninguém lhe valha. Borges começa a perceber que não pode continuar com aquele discurso redondo que não motiva ninguém, muito menos os jogadores. Está perdido num labirinto que ajudou a construir e do qual nunca teve a chave.   

Varandas aguarda que uma mosca caia na teia ou na sopa. Dá-lhe igual.

1 comentário:

  1. Rui Borges é uma nódoa patrocinada pelo Varandas que lhe renovou o contrato à pressa para justificar o projeto de destruiçao do plsntel.
    Varandas melhorou o seu salário. Está de parabéns

    Leão de leiria
    Sl

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