Foi uma vergonha. Foi até um pouco mais do que uma vergonha. Mas nada está perdido. É necessário recuperar o orgulho perdido: levantar a cabeça, encher o peito de ar e seguir em frente. Uma ou outra dica técnico-táctica também pode ajudar. É esse exercício de mandar uns bitaites que me proponho a seguir.
1.O André Almeida joga bem à direita e à esquerda, mas, e este mas faz toda a diferença, de forma simultânea. Colocá-lo a jogar à vez à esquerda ou à direita é que não faz o género dele. Vamos colocá-lo a jogar como ele sabe, com a vantagem de com este opção técnico-táctica ainda se libertar mais um jogador para o meio-campo.
2.Um dos participantes naqueles canais abertos da radio, depois do jogo, afirmava que seria melhor colocar o André Almeida no meio-campo. Sempre teria melhor corpo para jogar contra os alemães. Não estou de acordo. Se precisamos de um matulão no meio-campo, e precisamos, então temos o Hugo Almeida, com a vantagem de dispor de um farfalhudo bigode, que nos faz recordar um Frasco, um Rodolfo ou um Carlos Manuel. Foi com a perda do bigode no meio-campo que o nosso futebol perdeu identidade.
3.Muitos jogadores estão de rastos. Não há muito a fazer. É necessário efectuar a combinação certa entre jogadores a cair aos bocados com outros em melhor estado. Não interessam as características dos jogadores nem as suas capacidades para jogarem num ou noutro ponto do campo. A táctica deve ser a da entremeada. É simples, mete-se uma camada de Meireles, por cima mete-se uma camada de Carvalho, volta-se a meter mais uma camada de Meireles e cobre-se com mais uma camada de Carvalho e assim sucessivamente. No fim, cobre-se tudo com uma camada de Ronaldo.
4.Quando quisermos rachar a cabeça a alguém devemos rachá-la de uma forma profissional. Um golpe seco e já está. Se só queremos humilhar o adversário e intimidá-lo, então devemos fazer o que me fizeram na escola. Depois de sofrer um golo, o marcador virou-se para mim, deitou a língua de fora e fez uma careta. Isso só por si é profundamente humilhante. Mas senti-me completamente de rastos quando, depois disso, ainda levou o polegar ao nariz e mexeu os restantes dedos como se estivesse a tocar uma corneta. Nunca mais fui o mesmo jogador. Era o que o Muller estava a pedir.
Falaremos do Sporting, mais mal do que bem. Falaremos também do Benfica, sempre mal. Falaremos do Porto, conformados.
terça-feira, 17 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
É prá manhã
Não só jogámos ao ritmo do António Variações como jogámos com o próprio António Variações. Aliás, não sei se jogamos com um ou com dois. O Meireles e o Veloso, cada um à sua maneira, são dados ao ritmo e à coreografia do António Variações.
O pior não foi termos perdido quatro a zero com os alemães. Acontece. Aconteceu igual ou pior aos espanhóis. O pior é a perspetiva de jogarmos com o André Almeida o resto dos jogos. Com ele, os Variações e o Ricardo Costa, este Mundial tem tudo para se transformar em mais uma epopeia portuguesa.
A história conta e conta muito. Se a Sérvia quiser entrar na União Europeia tem que fazer muito pelos alemães. O que fez hoje ainda não chega. Mas um dia chegará.
O pior não foi termos perdido quatro a zero com os alemães. Acontece. Aconteceu igual ou pior aos espanhóis. O pior é a perspetiva de jogarmos com o André Almeida o resto dos jogos. Com ele, os Variações e o Ricardo Costa, este Mundial tem tudo para se transformar em mais uma epopeia portuguesa.
A história conta e conta muito. Se a Sérvia quiser entrar na União Europeia tem que fazer muito pelos alemães. O que fez hoje ainda não chega. Mas um dia chegará.
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Rui Monteiro
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19:08
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domingo, 15 de junho de 2014
O interior não é para meninos
O interior do país é para resistentes, é para quem não desiste, não é para betinhos nem para copinhos de leite. É gente talhada na pedra. O Fundão mostrou-nos isso. Espero que nos façam o favor de não voltar a eliminar o Benfica. Esses não nos levam ao desespero; esses, sim, são fáceis, bastante mais fáceis.
Parabéns ao Nuno Dias e a todos os jogadores. Bem precisados estávamos desta vitória no final de um ano em que tantas transformações se verificaram no nosso Sporting.
[Os comentadores da RTP estão sempre de camisola do Benfica vestida, embora desta vez não jogasse o Benfica. Optaram pela camisola mais parecida, aquela com cores diferentes da do Sporting. Não mereceriam, nem o Sporting, nem especialmente o Fundão. Fundão é no interior, tem uma belíssima equipa de futsal, bateu-se de igual para igual com o Sporting, não precisa de paternalismos seja de quem for.]
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Rui Monteiro
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21:08
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sábado, 14 de junho de 2014
Abdicación ?
Ainda é muito cedo no que ao futebol diz respeito, mas parece que estamos em maré de abdicações
aqui pela Ibéria. Se por cá já era habitual irmos abdicando de tudo um pouco e até de sonhos
e de vontades, coisas pequenas, agora os nuestros hermanos, com a sua habitual
mania das grandezas, dão-nos uma lição de como se abdica com estrondo e estilo.
A verdadeira “furia española” até na abdicación…olé!
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A. Trindade
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11:32
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
Aritmética ébria
Percebe-se este destaque da imprensa em relação ao voto
do Sporting. É tão eloquente, claro e lúcido quanto o raciocínio daquele bêbado
que dizia que ficava bêbado só com um copo, e que normalmente era o décimo.
De resto, continua a ser tudo uma questão de nalgas e orifícios
adjacentes. E o cheiro do costume.
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A. Trindade
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01:14
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segunda-feira, 9 de junho de 2014
Paulo Bento forever
Vi o jogo contra o México. Isso diz muito forma entediada como passo os meus (tristes) dias. Não é que não tenha muito que fazer ou pensar. O futebol ainda constitui e melhor psicanálise que conheço.
O México esteve muito mais próximo de ganhar o jogo. Salvou-nos o Eduardo. O meio campo e a defesa foram um salve-se quem puder na segunda parte. O ataque fez cócegas.
O Paulo Bento tem aproveitado estes jogos de preparação para demonstrar que os cromos que selecionou fazem parte mesmo de um plano qualquer. Claro que nada disso é verdade. Tirando os catorze ou quinze do costume, os outros foram fazer número ou potenciar negócios.
Ficámos a saber que o Coentrão é alternativa para ao meio-campo. Sendo assim, então é que não se percebe por que razão não foi o Antunes. Afinal o que se devia explorar era a polivalência do Coentrão e não a do André Almeida, que, aliás, fez mais uma exibição de encher o olho … de poeira. Continuo na minha, a alternativa para o Moutinho ou o Meireles é o Adrien. O Coentrão é mais areia para os olhos também.
Não criámos uma verdadeira oportunidade de golo. O Éder é mau de uma determinada maneira. O Postiga é mau de outra. O Hugo Almeida é mau de todas as maneiras. Ninguém me tira a ideia que o melhor avançado ainda é o Bruno Alves, como se viu. Depois, ninguém percebe o que anda lá a fazer o Varela, quando se abdica do Quaresma ou do Danny.
Enfim, ficamos à espera da recuperação do Pepe e do Ronaldo. Se tudo correr bem, estes dois são capazes de resolver a fase de grupos. Se assim for, ganha o Paulo Bento outra vez.
O México esteve muito mais próximo de ganhar o jogo. Salvou-nos o Eduardo. O meio campo e a defesa foram um salve-se quem puder na segunda parte. O ataque fez cócegas.
O Paulo Bento tem aproveitado estes jogos de preparação para demonstrar que os cromos que selecionou fazem parte mesmo de um plano qualquer. Claro que nada disso é verdade. Tirando os catorze ou quinze do costume, os outros foram fazer número ou potenciar negócios.
Ficámos a saber que o Coentrão é alternativa para ao meio-campo. Sendo assim, então é que não se percebe por que razão não foi o Antunes. Afinal o que se devia explorar era a polivalência do Coentrão e não a do André Almeida, que, aliás, fez mais uma exibição de encher o olho … de poeira. Continuo na minha, a alternativa para o Moutinho ou o Meireles é o Adrien. O Coentrão é mais areia para os olhos também.
Não criámos uma verdadeira oportunidade de golo. O Éder é mau de uma determinada maneira. O Postiga é mau de outra. O Hugo Almeida é mau de todas as maneiras. Ninguém me tira a ideia que o melhor avançado ainda é o Bruno Alves, como se viu. Depois, ninguém percebe o que anda lá a fazer o Varela, quando se abdica do Quaresma ou do Danny.
Enfim, ficamos à espera da recuperação do Pepe e do Ronaldo. Se tudo correr bem, estes dois são capazes de resolver a fase de grupos. Se assim for, ganha o Paulo Bento outra vez.
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Rui Monteiro
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14:03
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domingo, 8 de junho de 2014
Lista(s) (in)comum(ns)
Já tinha visto dois projectos diferentes originarem um projecto comum e uma lista comum. Já tinha visto estratégias distintas darem origem a uma só estratégia comum e a uma lista comum. Já tinha visto princípios diversos convergirem para princípios comuns e para uma lista que traduzisse essa comunhão. O que ainda não tinha visto é um projecto comum, com estratégia comum e princípios comuns, originar duas listas.
Esta é a velha idiossincrasia do futebol português tão bem glosada pelo Pimenta Machado: “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”.
Esta é a velha idiossincrasia do futebol português tão bem glosada pelo Pimenta Machado: “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”.
(Vídeo retirado do "És a nossa Fé")
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Rui Monteiro
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12:53
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
A alma humana é porca como um ânus
A alma
humana é porca como um ânus
E a Vantagem
dos caralhos pesa em muitas imaginações.
Meu coração
desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola
Redonda foi vendida a peso,
E a
biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata
da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil distante.
Está frio.
Ponho sobre
os ombros o capote que me lembra um xaile —
O xaile que
minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os
ombros da minha infância sumiram-se antes para dentro dos meus ombros.
E o meu
coração da infância sumiu-se antes para dentro do meu coração.
Sim, está
frio...
Está frio em
tudo que sou, está frio...
Minhas
próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que
eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que elas.
Engelho o
capote à minha volta...
O Universo
da gente... a gente... as pessoas todas!...
A
multiplicidade da humanidade misturada
Sim, aquilo
a que chamam a vida, como se só houvesse outros e estrelas...
Sim, a
vida...
Meus ombros
descaem tanto que o capote resvala...
Querem
comentário melhor? Puxo-me para cima o capote.
Ah, parte a
cara à vida!
Levanta-te
com estrondo no sossego de ti!
s.d.
Álvaro de
Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução,
transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. - 159.
(http://arquivopessoa.net/textos/1032)
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A. Trindade
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11:48
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