Marco Silva, entrevista pelo Maisfutebol, fala um pouco das suas rotinas e das suas filosofias. (30 de Maio de 2013)
Vê muitos jogos na TV, ou procura desligar-se do futebol em casa?
Tento ver e estar atualizado. Passo muitas horas no clube, em casa tento desligar, mas não é fácil. O futebol é a nossa vida, uma paixão, mas tento passar algum tempo com a família. Chego ao clube muito cedo e saio tarde. Tento ver no clube os vídeos dos adversários ou dos nossos jogos. Posso chegar às 9h e sair às 18h. Fico a ver vídeos, a estudar adversários, e também em conversas com a equipa técnica.
O 4x3x3 está na moda?
Na moda não sei, mas é a mais utilizada. Em Portugal e na Europa. O mais importante são as dinâmicas. Isso é que define os comportamentos coletivos. Não sei se dá mais garantias, embora permita, em muitos momentos, ter a equipa equilibrada tanto no processo ofensivo como defensivo. Mas importante são as dinâmicas.
O «10» está em vias de extinção?
Aquele que jogava só com a bola no pé já não faz muito sentido. Vimos agora na final da Champions como os alas trabalham defensivamente. Mesmo o tal «10». O futebol é cada vez mais dinâmica coletiva. Depois os jogadores mais evoluídos tecnicamente podem desequilibrar. Esse «10» pode definir os ritmos. Aquele «10» à moda antiga começa a não fazer grande sentido, mas todas as equipas precisam de alguém com criatividade e leitura rápida nessa zona. É um momento de decisão, de último passe, e é importante ter um jogador assim.
Faz mais sentido adaptar os jogadores a um sistema ou o contrário?
Acima de tudo temos que perceber as características dos jogadores. Nunca devemos ter o sistema na cabeça e obrigar os jogadores a encaixar lá. Se pudermos formar dentro das nossas ideias, melhor. Por isso é mais fácil começar um plantel de raiz. Mas importante é perceber as características da equipa, e daí definir o sistema.
Qual a sua filosofia de jogo?
Gosto de jogar o jogo pelo jogo, sem linhas muito recuadas. No início desta época diziam que a nossa equipa era de transição, com linhas baixas. Nunca foi isso que trabalhámos, a identidade pretendida. A 2ª volta deu-nos alguma razão. No último terço da Liga tivemos quase sempre mais posse de bola do que adversário. Em Moreira de Cónegos conseguimos 70/30%. Em Setúbal 68%. Mesmo na Luz acabámos o jogo com mais posse. Começámos a desmistificar a imagem de equipa de transição. O nosso tridente de meio-campo foi muito importante nesse crescimento, pois passámos a controlar mais o jogo. Gosto de uma equipa que assuma o jogo, pressione alto, mas há adversários que não permitem isso. É preciso ter em conta também a realidade do clube, mas gosto de jogar ao ataque, sempre mantendo o equilíbrio.
Que perfil de liderança defende?
Tento ser o mais natural possível. Têm de existir regras em grupo, mas são normais numa equipa. Tento uma relação de proximidade muito grande com os jogadores. Alguma cumplicidade, dentro da barreira normal que deve existir. Devemos estar próximos, para alguns problemas que tenham. O respeito, a ambição, têm de ser conjuntas. O jogador é cada vez mais inteligente, gosta de perceber que aquilo que o líder pede faz sentido. E tem de haver sempre respeito, claro.
Jurgen Klopp disse que era amigo dos jogadores mas que eles não eram seus amigos, que isso não funcionava. Concorda?
Faz algum sentido. O treinador tem de ser amigo e confidente, muitas vezes. Os jogadores podem ter até alguma admiração pelo treinador, mas vai haver sempre insatisfeitos. Vai ser assim no Benfica, no Porto, no Milan, onde for. Em 25 ou 27 jogadores é dificil ter toda a gente satisfeita.
Falaremos do Sporting, mais mal do que bem. Falaremos também do Benfica, sempre mal. Falaremos do Porto, conformados.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Os cheques em branco passados ao Paulo Bento
A selecção nacional com o Paulo Bento nunca jogou a ponta de um chavelho. Não há a desculpa de não conhecer os jogadores e a equipa. Jogam sempre os mesmos e jogam sempre, colectivamente, mal. Salvam-se sempre pela inspiração de um ou outro jogador, normalmente pela inspiração do Cristiano Ronaldo, ou pela falta de jeito dos inúmeros adversários de terceira linha que vamos defrontando.
As opções de hoje não se justificam por razões técnico-tácticas porque, simplesmente, o Paulo Bento não sabe o que isso quer dizer. As escolhas justificam-se pelo hábito de escolher os do costume e pelas idiossincrasias do treinador, com os seus pequenos ódios de estimação.
Não seleccionar o Adrien é um crime de lesa-futebol. Dá todos os incentivos errados. Não interessa que um jogador jogue bem e faça uma excelente época. O que interessa são as cunhas ou os gostos pessoais do treinador, nunca justificados. O Adrien, no mínimo, seria sempre uma alternativa ao Moutinho ou ao Raúl Meireles. Se qualquer um deles faltar, por castigo ou lesão, quero ver quem os vai substituir.
Mas não seleccionar o Danny está fora da compreensão de qualquer mortal. É um dos melhores jogadores portugueses, a larguíssima distância de muitos outros que foram seleccionados. É um dos principais jogadores de uma equipa que vai regularmente à Liga dos Campeões e é extremamente competitiva. O Paulo Bento faz-lhe o favor de o convocar de vez em quando para ele assistir aos jogos do banco. O rapaz fartou-se como qualquer um de nós no lugar dele se fartaria também. Vir do outro lado do Mundo para fazer figura de corpo presente e ver jogar os Varelas e Postigas desta vida, é um enxovalho.
Estes são os casos patológicos do treinador. Muitas outras opções são só estúpidas. Ninguém percebe as escolhas do Rafa e do Vieirinha que acabaram de sair de lesões quando nem sequer são jogadores indiscutíveis. Na melhor das hipóteses, serão lançados numa qualquer fase de desespero a meia dúzia de minutos do final de um jogo para demonstrar que o treinador tem um qualquer plano B. Se é para isso, e é para isso e para fazer número que são convocados, então não compreendo porque não são convocados o Quaresma ou, mesmo, o Carlos Mané.
Quanto ao resto há pouco a dizer. Há o caso anedótico do André Almeida. É um jogador polivalente. Joga em todas as posições igualmente mal. Onde joga com mais frequência, que é onde o Jorge Jesus o costuma pôr a jogar, é no banco ou na bancada. Os outros são convocados porque costumam ser convocados (como o Varela, o Hugo Almeida ou o Postiga) ou são convocados como seriam convocados por mim ou pela minha vizinha de cima (como o Pepe, o João Pereira, o Fábio Coentrão, o Cristiano Ronaldo ou o João Moutinho).
O que me espanta é a falta de escrutínio público das opções do Paulo Bento. Não se compreendem as opções e o seleccionador nacional dá justificações vagas, como a necessidade de privilegiar o jogo interior ou o diabo a quatro. Por muito menos o Luiz Felipe Scolari era bastante mais criticado. Com uma vantagem adicional, só lhe renovavam o contrato depois dos resultados nos Europeus e Mundiais. Nunca lhe passaram cheques em branco. Pelos vistos, passaram-lhe doutro tipo, mas isso é outra história.
As opções de hoje não se justificam por razões técnico-tácticas porque, simplesmente, o Paulo Bento não sabe o que isso quer dizer. As escolhas justificam-se pelo hábito de escolher os do costume e pelas idiossincrasias do treinador, com os seus pequenos ódios de estimação.
Não seleccionar o Adrien é um crime de lesa-futebol. Dá todos os incentivos errados. Não interessa que um jogador jogue bem e faça uma excelente época. O que interessa são as cunhas ou os gostos pessoais do treinador, nunca justificados. O Adrien, no mínimo, seria sempre uma alternativa ao Moutinho ou ao Raúl Meireles. Se qualquer um deles faltar, por castigo ou lesão, quero ver quem os vai substituir.
Mas não seleccionar o Danny está fora da compreensão de qualquer mortal. É um dos melhores jogadores portugueses, a larguíssima distância de muitos outros que foram seleccionados. É um dos principais jogadores de uma equipa que vai regularmente à Liga dos Campeões e é extremamente competitiva. O Paulo Bento faz-lhe o favor de o convocar de vez em quando para ele assistir aos jogos do banco. O rapaz fartou-se como qualquer um de nós no lugar dele se fartaria também. Vir do outro lado do Mundo para fazer figura de corpo presente e ver jogar os Varelas e Postigas desta vida, é um enxovalho.
Estes são os casos patológicos do treinador. Muitas outras opções são só estúpidas. Ninguém percebe as escolhas do Rafa e do Vieirinha que acabaram de sair de lesões quando nem sequer são jogadores indiscutíveis. Na melhor das hipóteses, serão lançados numa qualquer fase de desespero a meia dúzia de minutos do final de um jogo para demonstrar que o treinador tem um qualquer plano B. Se é para isso, e é para isso e para fazer número que são convocados, então não compreendo porque não são convocados o Quaresma ou, mesmo, o Carlos Mané.
Quanto ao resto há pouco a dizer. Há o caso anedótico do André Almeida. É um jogador polivalente. Joga em todas as posições igualmente mal. Onde joga com mais frequência, que é onde o Jorge Jesus o costuma pôr a jogar, é no banco ou na bancada. Os outros são convocados porque costumam ser convocados (como o Varela, o Hugo Almeida ou o Postiga) ou são convocados como seriam convocados por mim ou pela minha vizinha de cima (como o Pepe, o João Pereira, o Fábio Coentrão, o Cristiano Ronaldo ou o João Moutinho).
O que me espanta é a falta de escrutínio público das opções do Paulo Bento. Não se compreendem as opções e o seleccionador nacional dá justificações vagas, como a necessidade de privilegiar o jogo interior ou o diabo a quatro. Por muito menos o Luiz Felipe Scolari era bastante mais criticado. Com uma vantagem adicional, só lhe renovavam o contrato depois dos resultados nos Europeus e Mundiais. Nunca lhe passaram cheques em branco. Pelos vistos, passaram-lhe doutro tipo, mas isso é outra história.
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Rui Monteiro
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
Algumas ideias soltas e uma absoluta falta de patriotismo “nacional-benfiquista”
Após breve e isenta jornada de reflexão, aqui ficam algumas pérolas e conclusões:
«Benficiao: jornal italiano vinga-se no Benfica»
«Não há sete sem oito, nem oito sem nove.»
«Quando se é assim grande e se vai gloriosamente a
oito finais e não se ganha nenhuma, a questão já não é de azia, estamos a falar
já de uma úlcera crónica!»
«Quanto à maldição, façam uma estátua maior,
forretas!»
«Andaram um ano a dizerem aos outros para se calarem,
não falarem de arbitragens e para jogarem mais à bola. Esta é a hora de fazerem
isso mesmo.»
«Falar dos jogadores ausentes, por castigo ou lesão,
faz lembrar a história da velhinha que se tivesse três rodas seria…outra coisa
qualquer.»
«Na SIC, no fim do jogo, dizia orgulhosamente aparvalhado
um rapaz do regime que “pagámos para aqui estar e vamos ficar até ao fim”…mesmo
que a festa fosse dos outros. Afinal já estava paga. Ainda bem que pagaram, eu
gostei da festa.»
«Quanto à prevista festa no Marquês, nos jornais,
rádios e tevês, se todos sabem que não se deve contar com “o ovo no cu da galinha”, não é preciso ser ornitólogo para
calcular que se passa o mesmo com as águias»
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A. Trindade
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Sempre com os portugueses
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Sergio Barroso
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As escolhas de Mendes
Se alguém conhece bem a persistência e determinação de Paulo
Bento (não se chama teimoso a um selecionador nacional) somos nós, os
Sportinguistas. Talvez por isso não andemos a vibrar com as escolhas do selecionador. Qualquer que seja a perspectiva a ter sobre
as escolhas dos 40, 30 ou 23 jogadores que vão ao mundial uma coisa é
certa: apenas 15 ou 16 deles vão jogar mais de 30 minutos no Mundial
e esses estão escolhidos há bastante tempo.
Começando por esse lote dos que interessam aposto que a única "novidade" vai ser W. Carvalho. E vai ser porque tem de ser, porque jogadores deste calibre existem poucos por geração. É incontornável. Nos restantes o meu palpite é que não haverão surpresas. Serão os do costume, com as opções habituais e os resultados que conhecemos. Paulo Bento é assim, não engana.
Com isto sobram 7 ou 8 vagas para uns tantos jogadores que vão passear ao Brasil. E para estes o meu palpite é que Paulo Bento vai escolher uns jogadores que dão jeito ao Mendes e outros que agradam à imprensa. Não terá qualquer impacte em termos desportivos e portanto, no que me toca, estes dois critérios são tão bons como quaisquer outros. É pouco? Sim. Mas é o que temos.
Começando por esse lote dos que interessam aposto que a única "novidade" vai ser W. Carvalho. E vai ser porque tem de ser, porque jogadores deste calibre existem poucos por geração. É incontornável. Nos restantes o meu palpite é que não haverão surpresas. Serão os do costume, com as opções habituais e os resultados que conhecemos. Paulo Bento é assim, não engana.
Com isto sobram 7 ou 8 vagas para uns tantos jogadores que vão passear ao Brasil. E para estes o meu palpite é que Paulo Bento vai escolher uns jogadores que dão jeito ao Mendes e outros que agradam à imprensa. Não terá qualquer impacte em termos desportivos e portanto, no que me toca, estes dois critérios são tão bons como quaisquer outros. É pouco? Sim. Mas é o que temos.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Teoria das cores e outras banalidades
No melhor espírito de unidade nacional, que os tempos não estão para outras posturas, proponho que recuemos um pouco no tempo e abordemos alguns aspetos de pormenor. Tudo coisas pacíficas e consensuais.
Por exemplo, em relação aos equipamentos da seleção nacional para o próximo mundial parece que, mais uma vez, estaremos bem representados. Teremos pois o consensual vermelho- republicano, o principal. Parece que teremos também o monárquico azul e branco, o alternativo. Diriam os espíritos fracos e tendenciosos, ignorantes em história, simbologia nacional e teoria das cores: “parece que falta qualquer coisa, uma cor, uma parte de nós?”. Alguns mais afoitos poderiam até adiantar: «E a Igreja? E a Igreja?» Engano! Tremendo engano!
O amarelo também lá estará! O mais certo é que o amarelo-papal será ostentado pela “nossa” arbitragem. Estarão assim representadas todas as cores que importam. Descansem pois, ó espíritos irrequietos! Está assim garantida a colorida representação do lamaçal nacional, perdão, do futebol nacional.
Outras cores, menos conhecidas e menos politicamente corretas, contribuirão com ténues linhas, algumas delicadas golas, talvez mesmo algumas orlas subtis e, aqui e ali, com a formação de um ou outro grande jogador da seleção. Destes só mesmo os muito bons, os escandalosamente bons, pois os outros não passam pelo apertado crivo “técnico” do Mister Bento. Por mim está bem assim. Não se cansam, não se lesionam e talvez não se vendam.
Voltando à atualidade, e
quanto aos pré selecionados, também aí estão representados os principais
emblemas por garbosos jogadores. Uns por mérito próprio, tão bons que nem a proveniência e origem os
pode limitar. Outros, um pouco menos bons e menos utilizados nos seus clubes, apenas porque há que manter as cotas e porque há, para lá da
compreensão simples do adepto de futebol, outros valore$ em jogo. O Bento nunca
demonstrou ser um homem particularmente inteligente, mas sempre demonstrou, tal
como agora, ser suficientemente esperto para se manter à tona no lamaçal, perdão
mais uma vez, do futebol nacional. Viva Portugal!
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A. Trindade
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21:51
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Fim de época
Não foi só o jogo que marcou o fim da época 2013-2014. Foi um jogo de fim de época. As equipas jogaram a dez à hora. A dez à hora o Estoril é melhor do que nós, sobretudo quando começou o jogo a vinte à hora e marcou um golo.
O Patrício não fez uma defesa e o guarda-redes do Estoril, com exceção do penalty, pouco mais também fez. Não houve plano A ou plano B que resultasse tal a apatia e a falta de empenho.
O Rojo, mal começou a partida, disse logo ao que vinha. Voltámos a apreciar o Rojo no esplendor da época passada. O Carrillo, como o sol a bater-lhe na moleirinha, ficou com o cérebro bloqueado. O Capel está com ele bloqueado desde há muito. Dali saem uns amarelos e uns livres e pouco mais. O Mané ainda quis acelerar, mas rapidamente foi posto na ordem pelos seus colegas. Ninguém estava para correrias.
O Leonardo Jardim tentou mudar as coisas também. Tirou o William Carvalho e ficámos a ver jogar ao meio com os jogadores do Estoril. Valha a verdade que eles nunca quiseram fazer mais do que isso. A baliza sempre lhe pareceu um elemento sem relevância naquele tiki-taka sonolento. Tentámos umas biqueiradas para a frente para o Slimani. Mas ou o Slimani não apanhava a bola ou quando a apanhava o resto da equipa demorava uma eternidade a chegar ao ataque.
Só mudou um bocadinho o nosso jogo com a entrada do Shikabala. Não parece ter só cara de maluco. Parece maluco mesmo. Constituiu a alegria do povo sportinguista. Com duas ou três jogadas acordou a malta.
Resta-nos esperar pela próxima época. Resta-nos esperar que o Jorge Mendes a prepare da melhor maneira, a nossa e a dos nossos adversários. Depois voltará o folclore do costume. Voltarão os árbitros, os dirigentes, os comentadores e os jornalistas. Com eles voltarão a bola e os jogadores também. Mas só voltarão para que o folclore continue.
O Patrício não fez uma defesa e o guarda-redes do Estoril, com exceção do penalty, pouco mais também fez. Não houve plano A ou plano B que resultasse tal a apatia e a falta de empenho.
O Rojo, mal começou a partida, disse logo ao que vinha. Voltámos a apreciar o Rojo no esplendor da época passada. O Carrillo, como o sol a bater-lhe na moleirinha, ficou com o cérebro bloqueado. O Capel está com ele bloqueado desde há muito. Dali saem uns amarelos e uns livres e pouco mais. O Mané ainda quis acelerar, mas rapidamente foi posto na ordem pelos seus colegas. Ninguém estava para correrias.
O Leonardo Jardim tentou mudar as coisas também. Tirou o William Carvalho e ficámos a ver jogar ao meio com os jogadores do Estoril. Valha a verdade que eles nunca quiseram fazer mais do que isso. A baliza sempre lhe pareceu um elemento sem relevância naquele tiki-taka sonolento. Tentámos umas biqueiradas para a frente para o Slimani. Mas ou o Slimani não apanhava a bola ou quando a apanhava o resto da equipa demorava uma eternidade a chegar ao ataque.
Só mudou um bocadinho o nosso jogo com a entrada do Shikabala. Não parece ter só cara de maluco. Parece maluco mesmo. Constituiu a alegria do povo sportinguista. Com duas ou três jogadas acordou a malta.
Resta-nos esperar pela próxima época. Resta-nos esperar que o Jorge Mendes a prepare da melhor maneira, a nossa e a dos nossos adversários. Depois voltará o folclore do costume. Voltarão os árbitros, os dirigentes, os comentadores e os jornalistas. Com eles voltarão a bola e os jogadores também. Mas só voltarão para que o folclore continue.
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Rui Monteiro
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00:03
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terça-feira, 6 de maio de 2014
Uma camisola, uma pele
Volto à crise dos cinquenta. A rapaziada (e a raparigada, se assim parecer melhor do ponto de vista da política de género) do serviço foi muito simpática comigo. Ofereceram-me umas tantas coisas. Todas elas com enorme valor simbólico para mim e para a relação que com eles mantenho.
Ofereceram-me a camisola que vos mostro. Senti-me imediatamente bem dentro dela. Trabalhei a tarde toda com ela vestida. Ser do Sporting é a minha pele. Ao oferecerem-ma, e muito(a)s não são do Sporting, reconhecem a minha identidade e que a relação que mantemos passa pelo respeito por essa identidade, em que um das idiossincrasias é a preferência clubística.
Esta história fez-me lembrar outra. Há um par de anos, fui com uns amigos à adega do Anselmo Mendes, um dos melhores enólogos portugueses, colega, dos tempos do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e amigo. Provámos de tudo um pouco (ou muito, conforme os casos): Muros de Melgaço, Muros Antigos, Contacto, Curtimenta e por aí fora.
A tarde foi ficando cada vez mais animada. Quem nos ia abrindo as garrafas era um jovem enólogo que trabalhava com o Anselmo. Perdida a cerimónia inicial, esse jovem vira-se para mim e diz-me: “Conheço-o. Foi meu professor na Universidade do Porto”. Quando um ex-aluno nos reconhece ficamos inchados de orgulho. Fiquei à espera do comentário seguinte. Fiquei à espera que, à frente dos meus amigos, me dissesse o quão extraordinário tinha sido, a influência que tinha tido na sua vida e na sua forma de olhar o Mundo e a sua profissão. Aquilo que todos os professores esperam que lhes digam. Ele continuou calmamente: “Lembro-me muito bem de si. É do Sporting”; e mais não disse.
Parece pouco, mas é muito. Porque a alternativa não é a que esperava. A alternativa é simplesmente a de não ser reconhecido ou a de ser reconhecido como professor sem qualquer outro atributo a não ser esse. Terá tido muitos professores ao longo da vida e da maior parte dele não se deve lembrar rigorosamente nada. Ele lembrou-se. Ele lembrou-se porventura da minha melhor qualidade: sou bom a ser do Sporting; ser do Sporting é a minha própria pele.
Ofereceram-me a camisola que vos mostro. Senti-me imediatamente bem dentro dela. Trabalhei a tarde toda com ela vestida. Ser do Sporting é a minha pele. Ao oferecerem-ma, e muito(a)s não são do Sporting, reconhecem a minha identidade e que a relação que mantemos passa pelo respeito por essa identidade, em que um das idiossincrasias é a preferência clubística.
Esta história fez-me lembrar outra. Há um par de anos, fui com uns amigos à adega do Anselmo Mendes, um dos melhores enólogos portugueses, colega, dos tempos do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e amigo. Provámos de tudo um pouco (ou muito, conforme os casos): Muros de Melgaço, Muros Antigos, Contacto, Curtimenta e por aí fora.
A tarde foi ficando cada vez mais animada. Quem nos ia abrindo as garrafas era um jovem enólogo que trabalhava com o Anselmo. Perdida a cerimónia inicial, esse jovem vira-se para mim e diz-me: “Conheço-o. Foi meu professor na Universidade do Porto”. Quando um ex-aluno nos reconhece ficamos inchados de orgulho. Fiquei à espera do comentário seguinte. Fiquei à espera que, à frente dos meus amigos, me dissesse o quão extraordinário tinha sido, a influência que tinha tido na sua vida e na sua forma de olhar o Mundo e a sua profissão. Aquilo que todos os professores esperam que lhes digam. Ele continuou calmamente: “Lembro-me muito bem de si. É do Sporting”; e mais não disse.
Parece pouco, mas é muito. Porque a alternativa não é a que esperava. A alternativa é simplesmente a de não ser reconhecido ou a de ser reconhecido como professor sem qualquer outro atributo a não ser esse. Terá tido muitos professores ao longo da vida e da maior parte dele não se deve lembrar rigorosamente nada. Ele lembrou-se. Ele lembrou-se porventura da minha melhor qualidade: sou bom a ser do Sporting; ser do Sporting é a minha própria pele.
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Rui Monteiro
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15:27
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domingo, 4 de maio de 2014
Já explicaram à rapaziada da APAF que o Benfica é campeão?
Ontem não vi o jogo. O campeonato acabou e tinha outros campeonatos para disputar. Estava com amigos e amigas a festejar, com atraso, os meus cinquenta anos, alguns deles co-autores deste blogue. O Júlio Pereira, mesmo assim, ainda foi controlando o marcador.
Empatámos num jogo a feijões. Li os blogues sportinguistas. Havia uma nota de desalento que não compreendi. Fui ver o resumo do jogo e ainda compreendi menos. Aparentemente, fizemos o que era suposto fazer para ganharmos. Não brilhámos, mas voltarei uma dia destes a explicar porque é que no futebol o aleatório e a arbitragem explicam a maior parte dos resultados.
Neste caso não foi só o aleatório. O nosso golo foi aleatório. O do Nacional também. Já a forma como começa o lance é que não foi nada aleatória. Começa com uma falta descarada que o árbitro não assinalou. Depois, também não assinalou um penalty descarado a nosso favor. Fica uma pergunta no ar: já explicaram à rapaziada da APAF que o Benfica é campeão?
Empatámos num jogo a feijões. Li os blogues sportinguistas. Havia uma nota de desalento que não compreendi. Fui ver o resumo do jogo e ainda compreendi menos. Aparentemente, fizemos o que era suposto fazer para ganharmos. Não brilhámos, mas voltarei uma dia destes a explicar porque é que no futebol o aleatório e a arbitragem explicam a maior parte dos resultados.
Neste caso não foi só o aleatório. O nosso golo foi aleatório. O do Nacional também. Já a forma como começa o lance é que não foi nada aleatória. Começa com uma falta descarada que o árbitro não assinalou. Depois, também não assinalou um penalty descarado a nosso favor. Fica uma pergunta no ar: já explicaram à rapaziada da APAF que o Benfica é campeão?
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Rui Monteiro
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19:16
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
O Bella Gutman e o Professor Karamba
Ontem fiz anos, 50 anos. Acordei a pensar em doenças. Falei com outros e outras cinquentenárias de doenças, as coisas que as pessoas de cinquenta anos falam umas com as outras: o meu colesterol é melhor do que o teu; a minha artrite reumatoide não só substitui o Boletim Meteorológico como qualquer Índice Bloomberg também.
Só esperava uma prenda, uma só prenda. Não da minha mãe, da minha irmã ou da milha filha, mas da Juventus. Parecia-me um dado [adquirido], mas assim não foi. O Carriço vai-ma dar, atrasada, mas mais apreciada será [ainda].
Não é só por mim que desejo essa prenda; desejo-a pelo país. Que credibilidade mereceria internacionalmente o Professor Karamba e todos aqueles que fizeram da parapsicologia e das ciências ocultas nacionais o que elas são hoje se a maldição do Bella Gutman não se cumprisse? Portugal primeiro, sempre.
Publicada por
Rui Monteiro
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15:30
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Unanimismos? Não obrigado!
Arrisco
a deportação, o exílio ou até a câmara de gás, mas tenho que o dizer.
Ganharam a eliminatória, jogaram
melhor, foram mais fortes e mereceram ir à final. Parabéns. Ponto.
Quanto ao resto. Disseram que foi
uma vitória do futebol nacional. Sou nacional mas não o senti. Concordo que a
Benfica SAD tem sede em Portugal mas, da mesma forma que nem todos os suíços se
sentem obrigados a apoiar a Nestlé, ou japoneses a Sony, ou alemães a BMW, eu
não me vejo obrigado a apoiar a sociedade anónima do Benfica, afinal uma das
poucas coisas portuguesas em jogo. Segundo alguns senhores da imprensa
desportiva, TODOS os portugueses estão, ou deveriam estar, pelo Benfica.
Infelizmente estavam mais portugueses em campo na outra semifinal do que nesta.
E mesmo que estivessem mais portugueses em campo, onde é que esse nacionalismo
é obrigatório ou consensual? Todos temos que gostar do Mourinho, do Ronaldo, do
Cavaco ou do Salazar apenas e só por serem portugueses? Todos temos que gostar
de seleção que temos? Ou, mais importante ainda, todos temos que gostar do país
que temos? Admito que tenho dificuldade em compreender alguns estados
emocionais, alguns bairrismos e nacionalismos. Custa-me, acima de tudo, estes
unanimismos. Admito que existam visões diferentes sobre uma mesma realidade,
não admito é que uma visão se queira sobrepor e calar as outras. Não admito de
maneira nenhuma a visão única. Todos os dias vejo atraiçoar a verdade em nome
dos mais diversos interesses, mas não sou por isso obrigado a gostar de ouvir
essas análises irreais, desonestas e parciais, mesmo que abonatórias, sejam do
meu pais, da minha seleção, ou até do meu clube. Então, por que carga de água
tenho que aturar isto só porque é o Benfica? Com o FCP, para mim farinha do
mesmo saco, não vejo este fervor religioso, esta necessidade quase obrigatória
de unanimidade. Com o Sporting também não. Assim, isto é uma espécie de
nacional-benfiquismo. Para o constatar, bastou-me ouvir os comentários antes,
durante e depois do jogo (na SIC e na TSF) para sentir como esses profissionais
estavam hoje tão assertivos e descontraídos nas suas análises, certamente
amparados pela convicção desse apoio unânime. A sensação que fica é que hoje
foi um dia em que não foi preciso disfarçar, não foi precisa a máscara da
isenção, pois, afinal, como ouvi muitas vezes na minha juventude, «somos todos
benfiquistas e quem não é, não é bom chefe de família». Já quanto aos
italianos, compreende-se com bonomia que não fossem todos pela Juventus, como
os adeptos do Torino, apesar de tudo, do outro lado estava o Benfica, que deve
ser apoiado por todos os portugueses, europeus, terráqueos e outros quejandos.
Unanimismos assim já deram outrora máximas como «Deus, Pátria e Família». Não
lhe acrescentemos agora o «Benfica».
Publicada por
A. Trindade
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00:06
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