segunda-feira, 4 de março de 2019

Do cozido à portuguesa à massa com frango

Ontem, fui a Bucos, Cabeceiras de Basto, ao almoço de aniversário de um primo da minha mulher em plena XXIII Festa da Orelheira e do Fumeiro. Nestas localidades e circunstâncias não se brinca. Almoço de cozido à portuguesa porque quem não serve para comer também não serve para trabalhar e o trabalho define todos e cada um: todos trabalham e ninguém se dá com quem não trabalha. As conversas, embora fluídas, não envolveram diálogos sobre o clássico do dia anterior, porque o dia não era para chatices entre portistas e benfiquistas. Em terreno neutro, aceitaram a minha arbitragem. Ser do Sporting serve pelo menos para estas coisas da arbitragem: qualquer árbitro que se preze ou é do Sporting ou do Oriental. O almoço foi-se arrastando e passou a merenda, sem ninguém dar por isso, concluindo-se este périplo pelo interior profundo com uma visita aos “stands” dos enchidos e dos presuntos. 

Por volta das 19.00h, regresso a casa e adormeço durante a viagem. Chego a Braga em ótimas condições físicas e anímicas para ver o jogo contra o Portimonense. O primeiro quarto de hora parecia a continuação do almoço. Serviram-nos paio do lombo cozido. O Raphinha isola-se e remata, a bola às três tabelas parece que vai entrar até chegar o guarda-redes “in extremis” a defendê-la para canto. Canto, Bas Dost a saltar e a não chegar à bola, permitindo que o Diaby de olhos fechados lhe enfiasse uma marrada que a faz ressaltar no relvado, desviando-se os defesas para permitirem que entrasse depois de tabelar no poste. Não tendo sido à primeira, foi à segunda: passe em profundidade do Bruno Fernandes com a bola a passar entre o lateral e o central para a desmarcação do Raphinha que não foi de modas e enfiou-a dentro da baliza sem hipóteses para o guarda-redes. 

Nos últimos jogos, o Marcel Keizer tem optado por jogar com três centrais. Neste, resolveu jogar só com um, o Mathieu. Esta ciclotimia podia-nos ter custado caro. O Portimonense atinou e criou cerca de duzentas e cinquenta e oito oportunidades de golo. Umas vezes safou o Mathieu e outras o Renan Ribeiro. Os jogadores adversários inconseguiam e o Gudelj resolveu dar uma ajuda. Perdeu a bola na zona central, próximo da grande área, procurou recuperá-la com o olhar e uns ligeiros espasmos corporais, permitiu o passe para o lado e não acompanhou o seu adversário, garantido assim que a tabelinha se concretizasse e o jogador a quem tinha entregado a bola inicialmente se isolasse e fizesse o dois a um. O Raphinha ainda se isolou do lado direito, passou para o meio da área, o Bas Dost simulou ir à bola e deixou-a passar para o Diaby que, vendo aproximar-se um ouriço-caixeiro, procurou tocar-lhe com todo o cuidado para não se picar até encontrar forma de lhe enfiar um biqueiro e ver-se livre do bicho. 

Se a primeira parte parecia um jogo de andebol, a segunda decorreu como um normal jogo do campeonato nacional. Os do Portimonense deixaram-se de coisas e os do Sporting deixaram as coisas como estavam. O jogo passou a valer pelos apitos limpinhos, tão limpinhos que se chegou a comemorar como se de um golo se tratasse o primeiro amarelo mostrado a um jogador do Portimonense cerca dos oitenta minutos. Para não acabarmos com o coração nas mãos, depois de uma biqueirada para a frente, um jogador do Portimonense resolveu fazer uma placagem ao Bruno Fernandes para um “penalty” limpinho. Os comentadores da SporTv não esconderam a sua consternação: “não havia necessidade!”, desabava um. O Bruno Fernandes fez a paradinha que todos sabem que vai fazer, inclusivamente o guarda-redes, e fez o golo que todos também sabem que vai fazer, inclusivamente o guarda-redes. Bateu assim um recorde qualquer que não interessa nada e que nada interessa quando se vê jogar o João “Deixem-me Mergulhar” Félix. 

É muito difícil vir-se diretamente de um cozido à portuguesa para um prato de massa com frango, a fazer lembrar os meus velhos tempos da cantina do Instituto Superior de Agronomia. De uma explosão de texturas e sabores vai-se para um coisa que não sabe a nada e fica grudada no céu boca como se fosse um bocado de miolo de pão recesso, precisando de ser empurrada pelo esófago a baixo com uns golos de água. O Renan Ribeiro defendeu tudo que tinha defesa. O Ristovski esteve esforçado mas inconsequente. O Ilori fez-nos suspirar de saudades do André Pinto. O Mathieu jogou contra os adversários e contra o Ilori e o Gudelj. O Acuña esteve sempre bem, mas mal acompanhado. O Gudelj jogou contra si e o resto da equipa, tal o número de trapalhadas em que se mete e nos mete. O Wendell procurou sair com a bola e estar em todo o lado, tendo inconseguido os seus propósitos também. O Diaby atrapalhou-se e atrapalhou, mais os seus colegas do que os adversários, mas participou que é o que interessa. O Bas Dost revelou uma depressão em elevado estado de desenvolvimento que nem com uns tantos comprimidos de “Prozac” se resolve. O Raphinha jogou durante o quarto de hora inicial até deixar de entender o que se passava em campo. O Bruno Fernandes jogou contra o adversário, contra os seus colegas de equipa, contra o árbitro, contra os comentadores da SporTv, contra os seus próprios limites e ganhou.

14 comentários:

  1. E é isto...temos que suportar a herança quase sete a décadas a investir e poucas vezes as acções em alta. SL

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    1. Caro Zé Baleiras,

      Antes investir do que desistir (este trocadilho não é grande coisa, reconheço). Se não fosse o Sporting não sei o que seria de nós. Passávamos o tempo todo na festa do fumeiro e não há colesterol que aguente.

      SL

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  2. Ahahahah e contra todos os fenómenos do Seixal. É a vida.
    Mas contra um bom cozido não há Rafa que nos safe :)

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    1. Caro Francis,

      Devia haver um campeonato de cozido à portuguesa. Não tenho dúvidas que ganhávamos. Não me importava de ser o treinador nem que fosse da equipa B.

      SL

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  3. Sai um cozido á portuguesa de Cabeceiras de Basto para Bruno Fernandes, ja deve estar habituado na Maia.
    Para os fulanos da Spor Tv uma cebola cortada às fatias com sal.Pimenta também não era mau ou as hortigas da Beira.
    SL

    João Balaia

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    1. Caro João,

      Não era mal pensado levar o Bruno Fernandes na próxima feira do fumeiro. Tenho de falar com o Presidente da Câmara.

      SL

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  4. Mudamos os presidentes, mudamos os treinadores, mudamos os diretores, mudamos os jogadores, mudámos o estádio, enfim mudamos tudo, mas fica tudo na mesma ou pior - afinal porque não mudamos os adeptos?

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    1. Não esta mal pensado.
      Os adeptos em Portugal são todos iguais, a sua paixão começa com as vitórias, acaba com as derrotas; não temos a paixão do jogo como os ingleses.
      SL
      João Balaia

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    2. Meu caro,

      Pode mudar tudo o que não muda é o Sporting e a nossa paixão clubística. A seguir a um jogo, outro vem. A seguir a um campeonato, outro vem também. Nunca nada está perdido definitivamente. Só estará perdido se perdermos o Sporting.

      SL

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  5. Caro Rui,eu não diria massa com frango,na minha opinião seria mais um cozido à portuguesa dum imigrante em Inglaterra que vive longe das lojas de produtos portugueses,então em vez dos ingredientes de primeira qualidade,lá se vão arranjando uns sucedâneos,o aspecto fica igual,mas o sabor....nem lá perto! Não gostei de ver a nossa baliza ameaçada ,para um suposto candidato a ganhar títulos,fomos ameaçados vezes demais,mas gostei das nossas oportunidades,que foram várias,ao contrário dos tempos do Paula Rego do futebol,onde jogávamos a italiana ,com a particularidade de defendermos mal,e vivíamos dos fogacho de Gelson.Saudações leoninas

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    1. Caro Fernando Gonçalves,

      A sua comparação com os ingleses e a sua gastronomia é excelente. Não conheço país que tenha pior gastronomia. Não sei de onde vem tanta auto-estima dos ingleses.

      A Paula Rego da táctica é ainda mais brilhante. Foi uma época toda de correrias do Gelson para cima e para baixo. Dizia que era à italiana. Se ainda fosse a gastronomia.

      SL

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  6. Pois eu não provei o cozido, tive que me contentar com a massa com frango. É difícil escolher entre os passes a rasgar do Illori para os adversários ou a marcação vistosa (leia-se com a vista) do Gudelj aos oponentes ou o extraordinário jogo sem bola do Dost ou ainda a entrada, ao cair do pano, do Francisco Geraldes. Percebi, no dia seguinte (não confundir com o programa de Tv) que o Geraldes estava a ser poupado para jogar nos Sub-23 pois na Liga Revelação ainda estamos a discutir o primeiro lugar. Estratégia brilhante do Holandês Voador, só que ele, para mal dos nossos pecados voa baixinho. Há uns anos atrás, ia a Alvalade para ver o Liedson e agora não vou (ou apenas ocasionalmente) para ver o Bruno Fernandes. Bem, ao ver o jogo na Tv, a massa com frango tem o condimento dos comentários idiotas dos execráveis da Sport Tv.

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    1. Meu caro,

      O Ilori é um pesadelo. Ninguém está descansado com ele em campo. Desconcentra-se a todo o momento. O Gudelj é um caso de inadequação para a modalidade. Perdeu-se um excelente carreira numa repartição de finanças.

      Houve uma altura que via o Sporting para ver o Liedson. Fez milagres por sucessivos treinadores e por nós. Com equipas medíocres e treinadores que não eram melhores até à Liga dos Campeões nos levou e mesmo ao oitavos de final. Agora temos o Bruno Fernandes. Vale a pena pagar bilhete para o ver jogar enquanto não lhe partem uma perna tal é a caça ao homem em todos os jogos.

      SL

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