segunda-feira, 9 de março de 2026

A desqualificar é que a gente se desentende

A incapacidade de compreender e de (des)qualificar adequadamente o treinador adversário é meio-caminho andando para ver o título do campeonato por um canudo [não, nada disto envolve o Bom Jesus ou qualquer alegoria que envolva Braga]. O Mourinho considera uma parolice o guarda-redes do Porto queixar-se convenientemente de um dói-dói e pedir assistência médica sempre que o Fariolli quer dar instruções aos restantes jogadores [fazer um “time out” como ele próprio diria em italiano]. Não há parolice, há chico-espertice, coisa completamente diferente, isto é, o Fariolli é chico-esperto ao assim proceder, mas não parolo. Desqualificar o adversário é uma forma de lhe retirar uma ou mais qualidades, implicando prévio conhecimento dessa ou dessas qualidades. Não se é competente para desqualificar se não se dispõe de competências para qualificar também. No entanto, desqualificar não é insultar, nem o Mourinho seria capaz de uma coisa destas, cruzes-canhoto, abrenúncia. 

Seja como for, pensando-o parolo, o Mourinho entrou em campo com uma equipa constituída por jogadores como o Barrenechea, o Prestianni ou o Rafa. Demorou três quinze dias a compreender este logro, a compreender que não estava em presença de um parolo, mas de um chico-esperto, mas ainda a tempo de substituir estes três [tristes tigres] pelo Lukebakio, o Ivanović e o Barreiro e de empatar o jogo [dois a dois]. O Fariolli é chico-esperto e, como chico-esperto que é, considera-se mais esperto do que os outros, metendo o Moura, o Moffi e o Gomes, quando estava a ganhar por dois a zero, só para demonstrar que é mais esperto do que o Mourinho [como se tal fosse possível]. Este jogo, este clássico demonstrou a importância de um bom “scouting” e da [falsa] equivalência entre chico-esperto e esperto [na melhor das hipóteses, o chico-esperto é o esperto dado à indolência, à melancolia].   

Este é um blogue do Sporting e do Sporting é que se deve falar [“mais mal do que bem”, mas falar, sempre]. Comecemos pelo contexto: não é possível compreender o jogo [do Sporting] contra o Braga sem se compreender o seu entorno mediático e institucional. O Porto, clube, pretendia e pretende cortar relações institucionais com o Sporting. Com relações institucionais cortadas passa a ser moralmente adequado esconder bolas ou constipar adversários. Há uns tempos, lá em casa, andávamos com problemas na caldeira. Contratámos um picheleiro e nada feito. Só quando contratámos alguém da Escola de Frankfurt é que compreendemos o emaranhado institucional em que nos encontrávamos metidos. Nunca mais olhámos a caldeira, qualquer caldeira, da mesma maneira [vamos substituí-la por uma bomba de calor ou por um ar condicionado, equipamentos menos dados a melindres]. 

Perante uma ameaça desta natureza, um clube, uma equipa que não se sente não é [feita de] gente, certamente, ou não é filha de boa gente, certamente [igualmente]. Vimo-nos a ganhar ao intervalo e recuámos na segunda parte, defendendo como se não houvesse amanhã [a expressão é exagerada quando se defende com o Fresneda ou o Inácio, convenhamos]. Foram orientações do Rui Borges? Foi falta de pernas, cansaço dos jogadores? Foram as lesões de jogadores como o Ioannidis ou o Debast? Não, nada disso, só quem esteve de relações cortadas, de candeias às avessas é que sabe o que se sofre e a incompreensão desse sofrimento. Podíamos ter ficado a ver o título por um canudo? Podíamos, mas não ficámos [e não era a mesma coisa], embora continuemos a respirar por uma palhinha [não confundir com o Palhinha]. 

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