domingo, 10 de dezembro de 2017

Os cinquenta por cento do assassino silencioso

Se não fossem a transmissão da SporTv e os comentários do Freitas Lobo, o jogo contra o Boavista teria sido aquilo que tecnicamente se designa por uma “chatice pegada”. Aprecio a capacidade do Freitas Lobo de descobrir nos jogadores das equipas adversárias [do Sporting] qualidades que eles próprios nem desconfiam. Jogadores que ninguém conhece de parte alguma, depois de uma corrida, de um remate ou de uma canelada passam a extraordinários. Os do Sporting não merecem referência nenhuma quando se sabe que são grandes jogadores e não precisam de nenhum jogo em particular para o demonstrar.

Aprecio especialmente o seu desprendimento, o seu desprezo em falar da arbitragem, desse assunto menor, quando os erros penalizam o Sporting, pelo facto de amar o jogo, seja isso o que for, embora seja assolado por uma curiosidade mórbida quando os erros podem beneficiar o Sporting. Nos tempos que correm, constitui o melhor videoárbitro: decide rapidamente mesmo sem ver a repetição. Hoje no “penalty” sobre o Podence voltou a ser tão perentório como no fora-de-jogo do Bas Dost no golo do Battaglia contra o Paços de Ferreira.

Com este barulho de fundo, esta banda sonora, a transmissão da SporTv foi um petisco. Na primeira parte, apreciei de sobremaneira as duzentas e vinte repetições de uma falta de um jogador do Boavista sobre o Piccini, como se a decisão tivesse sido errada. Apreciei a forma expedita como procederam à repetição do golo do Boavista do único ângulo em que era possível verificar da existência [ou não] de fora-de-jogo. Só depois do videoárbitro se decidir é que a SporTv se decidiu igualmente mostrar-nos esse ângulo da transmissão, pois, antes disso, mostrou-nos a repetição sempre de ângulos absolutamente inconclusivos para essa análise.

O “penalty” sobre o Podence é indiscutível. O Podence ganhou a posição e ia disputar a bola de cabeça quando um calmeirão do Boavista veio desembestado e o atropelou, acertando em tudo que se mexia ou se podia mexer, desde a bola ao jogador adversário. Logo a seguir, junto à linha lateral, o Fábio Coentrão ganhou de cabeça a bola por detrás do jogador do Boavista e o árbitro não teve dúvidas em marcar falta. Aliás, se dúvidas existissem na dualidade de critérios, vale a pena rever o lance em que o Coentrão leva amarelo numa outra disputa de bola de cabeça. Se esse lance é para amarelo, então aquele que envolveu o Podence merecia o vermelho. O golo do Boavista é muito duvidoso, para não se afirmar definitivamente que é fora-de-jogo. Esta época, por menos, muito menos, o Portimonense viu um golo anulado na Luz. Em ambos os lances sou capaz de dar o benefício da dúvida [ao árbitro], não o dou é aqueles que também não o dão quando a dúvida pode favorecer o Sporting.

Até agora, falei da SporTv, do Freitas Lobo e do árbitro. Não, não é para me candidatar a comentador de nenhum programa televisivo. É que o jogo propriamente dito foi uma “chatice pegada”, como [tecnicamente] o classifiquei. Na primeira parte, o Boavista fez das tripas coração e deu o que tinha e o que não tinha para que não se jogasse à bola. Não fez antijogo, no sentido que é atribuído à palavra; fez um jogo que é a antítese do dito [jogo]: muita correria, muita luta, muita biqueirada e nem uma jogada para amostra, pois, desde que não se jogasse à bola, o dia estava ganho. O Sporting, por sua vez, entrou em campo a pensar que ainda estava na Liga dos Campeões, onde quem tem melhores jogadores e joga melhor costuma ganhar.

Como de costume, preparávamo-nos para dar uma parte de avanço quando, numa biqueirada para a frente, o Bas Dost ganhou uma bola de cabeça e desmarcou o Podence no lado direito. O baixinho ficou à espera que o Bas Dost e mais alguém aparecessem na área para meter a bola. Para ganhar tempo, fez uma finta ao Talocha e continuou a esperar. Enquanto continuava a esperar, repetiu a finta vinte e quatro vezes, para um lado e para o outro, até que desesperado acabou por apostar as fichas todas num centro ao segundo poste para uma cabeçada em câmara lenta do Fábio Coentrão, que deu o nosso primeiro golo.

Na segunda parte, a perder por um a zero, os jogadores do Boavista precisavam de jogar à bola, não no sentido em que o Freitas Lobo os vinha elogiando, mas fazendo jogadas mesmo, jogadas com cabeça, tronco e membros, concluídas com remates à baliza. Com a necessidade de fazer o que não sabem e depois das canseiras resultantes de umas tantas correrias tontas na primeira parte, tudo parecia mais fácil para o Sporting. Era fácil e mais fácil se tornou quando o Bas Dost se deixou de mariquices e foi a um ressalto à Slimani e a meteu lá para dentro com o joelho. Quando parece que tudo está facilitado, há sempre um jogador do Sporting que tem um apagão e oferece um golo ao adversário. Neste jogo não fugimos à regra e o Coates resolveu oferecer um golo ao Mateus, que conta mais anos de idade do que o do Evangelho. Quando nos preparávamos para mais um sofrimento à Sporting, o Bas Dost ainda antes do cabeceamento do Mathieu desmarcou-se para o lado contrário para onde se dirigia a bola, empurrando-a depois ao segundo poste.

Ganhámos ao Boavista como a Juventus ou o Barcelona nos ganhou [a nós]. Os jogadores são melhores e a equipa no seu conjunto também. É o que acontece mesmo quando se joga assim-assim, mas se tem um assassino silencioso, como o Bas Dost. Teve duas oportunidades e marcou dois golos neste jogo do campeonato nacional [embora contra o Barcelona tivesse também duas e não marcasse nenhuma], o que também não deixa de ser revelador da elevada qualidade dos jogadores e das [nossas] equipas indígenas, como Freitas Lobo insiste em nos lembrar, uma e outra vez. 

12 comentários:

  1. Na mouche, caro Rui. Haja alguém que fale por fim na vergonhosa parcialidade do Freitas Bobo

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    1. Meu caro,

      Tudo o que é de mais é doença. Ontem, os jogadores do Boavista não fizeram uma jogada que se visse. Nem uma defesa do Rui Patrício. Ouvindo o Freitas Lobo, pareciam todos os Nureyeves da bola.

      SL

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  2. E ainda bem que o holandês falhou as de Barcelona e não as de ontem!
    Quanto ao Freitas Lobo.... não o ouvi,o meu comando tem botão mágico:-)

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    1. Meu caro,

      Tenho que ver o jogo no café. Estou proibido de ter a SporTv em casa. Tenho de ouvir o Freitas Lobo e os benfiquistas todos que me rodeiam.

      SL

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  3. Caro Rui, penso que essa postura ligeiramente inquinada e "azeda" terá a ver com um qualquer convite recebido do clube, há anos atrás, para consultor/conselheiro/colaborador ou qualquer coisa do género que não se consumou, pelo que me parece que seja mais uma certa "azia" ou "trauma" a toldar-lhe o raciocínio nas suas análises e intervenções do que propriamente outra coisa qualquer.
    Ressalvo ainda, na minha opinião, que existe alguma distância entre esta "espécie" - Canis Lupus doutra que, embora parente, abunde cada vez mais na CS, o Canis Lupus Familiaris, vulgo cães-de-fila.

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    1. Meu caro,

      Mas este é mais perigoso. Este é um dissimulado. Disfarça bem. é inteligente. Agora também não se percebe a azia.

      SL

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  4. É de evitar ouvir bandas sonoras da Sport tv com o Freitas Bobo ao volante.

    Soam como as da Btv...ou pior.

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    1. Meu caro,

      Apanhamos com o Freitas Lobo nos jogos cá de cima e com o Miguel Prates nos jogos mais a sul. É insuportável o fanatismo, mais dissimulado de um, mais ostensivo de outro.

      SL

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    2. O Freitas Lobo toda a gente sabe que é portista e braguista. Já o Miguel Prates toda a gente sabe é sportinguista assumido.

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    3. Meu caro,

      O Miguel Prates disfarça muito bem. É a única coisa que lhe posso dizer. Também diziam o mesmo do Vítor Pereira, o rapaz que telefonava antes dos jogos aos árbitros a pedir uma boa arbitragem.

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  5. Ontem vi o derby de Manchester. Era o Sr. Lobo a comentar. Ao ouvi-lo, parecia que estava a ver outro jogo. No final, reparei que para o Sr. Lobo, o Sr. Lobo é o mentor de Mourinho e Guardiola. O Sr. Lobo é o mentor do futebol "em estado puro".

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    1. Caro Fernando Mota,

      Ainda ninguém nos informou mas não tardará a informarem-nos: o Freitas Lobo é que inventou o futebol. Aparentemente, o Carlos Daniel também terá dado uma ajuda.

      Abraços

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