segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Falhar quase ganhando

 

Bom, temos os ajustamentos do plantel ajustados. Alguns jogadores saíram pelo seu próprio pé. Diz que outros procuraram novos desafios. As explicações são balsâmicas e despertam alguma melancolia em quem tem tempo e paciência para as escutar. O balneário está unido e alguns jogadores foram ao dentista esbranquiçar o faqueiro para sorrirem melhor.

Já me dei ao trabalho de escrevinhar por aqui sobre a necessidade do mito, um mito regular e mitologicamente organizado. Mas, antes de qualquer mito ou ficção temos de partir de uma ideia, um modelo, e encontrar uns indivíduos que se enquadrem e estejam dispostos a dar o corpo ao manifesto, jogando à bola. Depois logo se vê.

Relativamente ao jogo de ontem: em primeiro lugar existe um penalti sobre o Maxi logo aos sete minutos, mais coisa menos coisa. Não sabemos se seria marcado golo e agora ficamos mesmo sem saber. A manhosice da arbitragem poderia dar para o Sporting só marcar um golo próximo do fim e assim não ter de passar pela provação de não se deixar empatar na segunda parte. O treinador deve ter dito isso mesmo e, se calhar, treinado: vamos marcar perto do fim e assim não damos tempo para abébias. Chiu… não digam a ninguém. Dito e feito.

O Sporting marca perto do final do jogo, logo a seguir um jogador adversário é expulso e ficamos todos à espera do rolo compressor leonino que acabaria com o jogo. Népia. Era, alegadamente, um rolo compressor da marca Husqvarna, e serviu apenas para terraplanar o relvado em excelente estado do antigo campo dos Bargos. A equipa entristeceu, recuou, ainda faltavam uns bons dez minutos com os descontos. Não se faz. Tanto treino para nada.

O Famalicão lá foi subindo, sem grande firmeza ou esperança. Num lance atabalhoado, sem pressão, Gonçalo Inácio fez golo (na baliza errada), ainda que sem grande convicção, ou com a mesma convicção de quem come uma sopa num centro comercial. Acontece. Segundo o treinador a energia da equipa apenas falhou por uns segundos e os malvados do Famalicão aproveitaram logo para desencaminhar o inexperiente Inácio e seus companheiros de infortúnio.

Maximiliano Araújo, em entrevista no final do jogo afirmou que o empate era justo e que a equipa não teve fome suficiente a defender. É preciso traduzir?

Assim ficamos com um grupo unido, com pouca fome e a precisar de treinar a marcação de golos apenas no último suspiro da partida. Estamos de volta à velha máxima: ser Sportinguista é meio caminho andado para um pacemaker.

7 comentários:

  1. A menos que outras explicações surjam, e tendo presentes, e na mais elevada consideração, as declarações de Rui Borges, este ciclo a que a equipa está a ser submetida obrigará ao recurso a uma terapia com hormonas de crescimento. Se o Fresneda tivesse 2 metros e meio o Aboubakar não chegaria à bola mesmo sem o espanhol saltar. Mas que ciclo é este?
    Se a fase anterior se podia classificar como aquela em que falhámos ganhando, estamos agora numa nova em que falhámos empatando. É o que consta aqui na Insustentável leveza doLiedson. Ninguém se admirará se a fase seguinte for aquela em que falhámos perdendo.
    Enquanto não crescermos o suficiente como equipa que outro destino poderemos ter? Depois de termos ganho o campeonato das receitas e das aquisições estamos muito bem encaminhados para arrasar no campeonato das vantagens desperdiçadas. Há aqui muita preparação, muito estudo, muita investigação. Não é fácil demolir uma equipa tão boa e colocar em seu lugar outra a jogar tão pouco, mantendo o hábito de tudo perder nos instantes finais. Mais do que uma tendência uma cultura de inconseguimento que não foi resolvida apesar da limpeza no pós desastre das Linhas de Torres.

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    1. Meu caro anónimo,
      Não sei se não vivemos recentemente um período de fabricação de uma aparência. Alguém quer deixar obra feita (sem a menção aos do costume) e para isso necessita de uma nova etapa com vitórias.
      Sl

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  2. Falhámos quase ganhando que eu inadvertidamente transformei num menos elaborado Falhámos empatando. Não é bem a mesma coisa, como nos.poderia explicar o.Rui Borges.

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    1. Falhar quase ganhando rapidamente nos transformará nuns empata falhas. Falhar perdendo será um caminho que ninguém quer seguir (será?)

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. A perspectiva de que o Godinho até terá sido amigo ao impedir que o Sporting marcasse demasiado cedo é brilhante. Gosto igualmente da capacidade para em 3 linhas iniciais sintetizar a maior operação de demolição de um plantel levada a cabo na era moderna: ajustamentos do plantel ajustados, outros que saíram pelo próprio pé e outros que procuraram novos desafios. Está tudo explicado.

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    1. Obrigado, meu caro.
      O Godinho é manhoso mas estava a tentar ser amigo:)

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