Bom, temos os ajustamentos do
plantel ajustados. Alguns jogadores saíram pelo seu próprio pé. Diz que outros
procuraram novos desafios. As explicações são balsâmicas e despertam alguma
melancolia em quem tem tempo e paciência para as escutar. O balneário está
unido e alguns jogadores foram ao dentista esbranquiçar o faqueiro para
sorrirem melhor.
Já me dei ao trabalho de
escrevinhar por aqui sobre a necessidade do mito, um mito regular e
mitologicamente organizado. Mas, antes de qualquer mito ou ficção temos de
partir de uma ideia, um modelo, e encontrar uns indivíduos que se enquadrem e
estejam dispostos a dar o corpo ao manifesto, jogando à bola. Depois logo se
vê.
Relativamente ao jogo de ontem: em
primeiro lugar existe um penalti sobre o Maxi logo aos sete minutos, mais coisa
menos coisa. Não sabemos se seria marcado golo e agora ficamos mesmo sem saber.
A manhosice da arbitragem poderia dar para o Sporting só marcar um golo próximo
do fim e assim não ter de passar pela provação de não se deixar empatar na
segunda parte. O treinador deve ter dito isso mesmo e, se calhar, treinado:
vamos marcar perto do fim e assim não damos tempo para abébias. Chiu… não digam
a ninguém. Dito e feito.
O Sporting marca perto do final
do jogo, logo a seguir um jogador adversário é expulso e ficamos todos à espera
do rolo compressor leonino que acabaria com o jogo. Népia. Era, alegadamente,
um rolo compressor da marca Husqvarna, e serviu apenas para terraplanar o
relvado em excelente estado do antigo campo dos Bargos. A equipa entristeceu, recuou,
ainda faltavam uns bons dez minutos com os descontos. Não se faz. Tanto treino
para nada.
O Famalicão lá foi subindo, sem grande
firmeza ou esperança. Num lance atabalhoado, sem pressão, Gonçalo Inácio fez
golo (na baliza errada), ainda que sem grande convicção, ou com a mesma convicção de quem come uma
sopa num centro comercial. Acontece. Segundo o treinador a energia da equipa
apenas falhou por uns segundos e os malvados do Famalicão aproveitaram logo
para desencaminhar o inexperiente Inácio e seus companheiros de infortúnio.
Maximiliano Araújo, em entrevista
no final do jogo afirmou que o empate era justo e que a equipa não teve fome
suficiente a defender. É preciso traduzir?
Assim ficamos com um grupo unido,
com pouca fome e a precisar de treinar a marcação de golos apenas no último suspiro
da partida. Estamos de volta à velha máxima: ser Sportinguista é meio caminho andado
para um pacemaker.
A menos que outras explicações surjam, e tendo presentes, e na mais elevada consideração, as declarações de Rui Borges, este ciclo a que a equipa está a ser submetida obrigará ao recurso a uma terapia com hormonas de crescimento. Se o Fresneda tivesse 2 metros e meio o Aboubakar não chegaria à bola mesmo sem o espanhol saltar. Mas que ciclo é este?
ResponderEliminarSe a fase anterior se podia classificar como aquela em que falhámos ganhando, estamos agora numa nova em que falhámos empatando. É o que consta aqui na Insustentável leveza doLiedson. Ninguém se admirará se a fase seguinte for aquela em que falhámos perdendo.
Enquanto não crescermos o suficiente como equipa que outro destino poderemos ter? Depois de termos ganho o campeonato das receitas e das aquisições estamos muito bem encaminhados para arrasar no campeonato das vantagens desperdiçadas. Há aqui muita preparação, muito estudo, muita investigação. Não é fácil demolir uma equipa tão boa e colocar em seu lugar outra a jogar tão pouco, mantendo o hábito de tudo perder nos instantes finais. Mais do que uma tendência uma cultura de inconseguimento que não foi resolvida apesar da limpeza no pós desastre das Linhas de Torres.
Meu caro anónimo,
EliminarNão sei se não vivemos recentemente um período de fabricação de uma aparência. Alguém quer deixar obra feita (sem a menção aos do costume) e para isso necessita de uma nova etapa com vitórias.
Sl
Falhámos quase ganhando que eu inadvertidamente transformei num menos elaborado Falhámos empatando. Não é bem a mesma coisa, como nos.poderia explicar o.Rui Borges.
ResponderEliminarFalhar quase ganhando rapidamente nos transformará nuns empata falhas. Falhar perdendo será um caminho que ninguém quer seguir (será?)
EliminarEste comentário foi removido pelo autor.
EliminarA perspectiva de que o Godinho até terá sido amigo ao impedir que o Sporting marcasse demasiado cedo é brilhante. Gosto igualmente da capacidade para em 3 linhas iniciais sintetizar a maior operação de demolição de um plantel levada a cabo na era moderna: ajustamentos do plantel ajustados, outros que saíram pelo próprio pé e outros que procuraram novos desafios. Está tudo explicado.
ResponderEliminarObrigado, meu caro.
EliminarO Godinho é manhoso mas estava a tentar ser amigo:)