Estava para escrever que na primeira parte a equipa do
Sporting não entrou em campo, mas na realidade entrou e espalhou a sua beleza
cheia de tique(s)-taka sem balizas. Era como se estivéssemos num eterno meiinho, não fosse a equipa adversária
ter metido na cabeça que existia uma baliza, pelo menos uma baliza junto à defesa
do Sporting, e ter metido a bola dentro dessa mesma baliza (o Coates ficou
muito desiludido com a postura belicosa da equipa adversária). Quando se joga dessa
forma (e o Sporting jogou este ano muitas vezes assim) tem de se avisar a
equipa opositora do tipo de jogo que se vai jogar. Existem vídeos disponíveis
na Internet sobre como se joga futebol com balizas.
Por falar em outra coisa, para além do jogo, conseguimos
ouvir os assobios à equipa da casa, curiosamente vindos de locais normalmente
ocupados por “gente de bem”. A coisa não ganhou contornos sonoros dramáticos porque
em Alvalade (mais uma vez) estiveram pouco mais de 27 000 espectadores (só por
curiosidade na semana passada um Vitória-Vizela teve mais de 20 000 espectadores).
Aposto que este ano um novo record de vendas de game-box será publicitado com
mais um grande planeamento de época.
A irritação da primeira parte já me tinha levado ao terceiro
copo de um tinto encorpado que tinha servido de lastro às pataniscas de
bacalhau, um tipo sabe bem que o Sportinguismo é meio caminho andado para um
pacemaker…
Na segunda parte, para além das alterações (obviamente
necessárias) na equipa, os jogadores foram submetidos a um tratamento revolucionário
que os convenceu da existência de, pelo menos, uma baliza, a mesma em que
tinham sofrido o golo na primeira parte. Não foi, de todo, fácil este procedimento
realizado em tão pouco tempo e com recursos limitados (ter-se-á que vender mais
um jogador para melhorar este aspecto). Em sequência, os jogadores do Sporting
ganharam uma nova consciência do jogo, começando a tentar jogar futebol, algo
que normalmente dá resultados, mesmo quando a concretização das jogadas fica
dependente do acaso, porque normalmente quando se remata à baliza as
probabilidades de marcar crescem exponencialmente. Foi assim que aconteceu o
primeiro (auto)golo.
O segundo golo corresponde à fase central de lança que já aqui tínhamos aludido, uma fase que no Sporting tem feito escola, embora sem
grandes seguidores pelo mundo fora, tirando alguns finais de jogos embalados em
desespero. Após este golo o árbitro ainda tentou o bailinho da Madeira,
conseguiu a proeza de enviar o Adán para a bancada no dérbi, e mais não fez
porque tanto um acobardado bandeirinha como o VAR lá tiveram que retificar o óbvio
desvario. Até porque toda a gente sabia que naquele lado do campo não havia
baliza.
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