quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Fernando Santos is everywhere

O livro “Iludidos pelo Acaso”, de Nassim Taleb, explica-nos que tendemos a atribuir mérito a certos resultados de várias atividades que desenvolvemos, individual e coletivamente, que resultam pura e simplesmente do acaso. Este comportamento resulta do enviesamento da heurística humana em muito do que implica análise de probabilidade para a tomada de decisão. Um dos exemplos mais esclarecedores é o da Roleta Russa. Se jogarmos a troco de um milhão de euros, sabemos que a probabilidade de sucesso é de 5/6 e cada vez que jogamos a probabilidade é sempre a mesma. A probabilidade de jogarmos uma vez por semana e sobrevivermos é, porém, ínfima. No entanto, se milhões de pessoas jogarem haverá sempre um ou outro que acabará por ficar multimilionário, tendendo a ser valorizado pelo facto de o ser, quando antes de ser milionário é estúpido. Na bolsa, os resultados não são muito diferentes, apesar de haver muitos (supostos) especialistas a beneficiar do acaso. 

O próximo livro de Nassim Taleb terá um capítulo dedicado exclusivamente ao Fernando Santos e à seleção portuguesa. Os resultados da seleção nacional explicam-se mais pelo acaso nos jogos em que não está envolvida do que nos seus próprios jogos. Depois do jogo contra a Itália na Liga das Nações, vão vir, como diria o Futre, “charters” de italianos para provar a última garrafa de puro Bearzot, “Red Label, 40 years old”. Ganhámos o grupo com os resultados e a diferença de golos quanto bastem, nem mais nem menos, com todo a energia que (não) despendemos para que o polacos pudessem atingir o objetivo que o Fernando Santos lhes tinha estabelecido. Depois, bem, depois vem o acaso (ou talvez não): a perder por dois a zero no último jogo contra a Alemanha, a Holanda assegura o empate nos últimos cinco minutos e elimina-a bem como à França; a Suíça ganhou por cinco a dois à Bélgica no último jogo, eliminando-a, quando chegou a estar a perder por dois a zero; no último jogo também, a Inglaterra vira o jogo contra a Croácia nos últimos cinco minutos e elimina a Espanha. Fica a pergunta: tudo se deve ao acaso ou o Fernando Santos está em todo o lado? 

Assim, em vez de uma final com a Itália, a Alemanha (ou a França), a Espanha e a Bélgica, temos uma com Portugal, a Suíça, a Holanda e a Inglaterra. Mesmo com desconto no cartão do Continente, espero que o governo aplique o IVA à taxa reduzida aos bilhetes. De outra forma, mais depressa vou ver a exposição de fotografia de Mapplethorpe a Serralves. Parece um jogo mais parado mas na minha cabeça (devassa) é tudo movimento.

9 comentários:

  1. Olá Rui
    De acordo com a sua analise mas , eu gosto do Fernando Santos:
    - É um Homem com Fé,nestes tempos pre-Apocalipse, RARO.
    - Deu-nos de bandeja o tal campeonato do Inácio. Foi o primeiro treinador a não ganhar um campeonato com Jardel.
    SL

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    1. Caro João,

      Estamos gratos ao Fernando Santos. Sem ele não teria sido possível a vitória do Inácio. Como se viu dois anos mais tarde, com o Jardel e outros a fazer de conta como o Paulo Bento e o Rui Bento fomos campões.

      SL

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  2. Em minha opinião, o Fernando Santos está ao nível, ou talvez um pouco mais acima, mas não muito, dum Pezero ou de um Paulo Sérgio, isto só para o comparar com os maiores cepos que passaram pelo Sporting nos últimos tempos

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    1. Caro Paulo Vieira,

      Está a um nível um pouco mais elevado, dado que é engenheiro e engenheiro do penta.

      SL

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Que maravilha !
    As discussoes que eu tenho com quem me quer convencer que Fernando Santos percebe alguma coisa de futebol. É cansantivo.

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    1. Caro Francis,

      Obrigado. Não vale a pena convencer, basta ver um jogo do princípio ao fim.

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  5. Só faltou dizer "Santos is very lazy" ;)

    Boa crónica!

    Z

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