O meu amigo Pedro Azevedo disse tudo. Depois de o ler, se não estivesse profundamente entediado, tinha dado o jogo de ontem [do Sporting] contra o Porto como definitivamente encerrado. Assim como assim, aqui fica, então, mais uma postada, o meu modesto contributo para a bi-dobradinha deste Sporting do Frederico Varandas, esse terrível homem dos sete mares [nunca de antes navegados], esse Fernão Mendes Pinto dos túneis, dos quinhentinhos, do Canal Caveira ou das casas de alterne.
Trabalho e vivo há mais de trinta anos no Norte de Portugal e é deprimente, muito deprimente ver um clube assente nos princípios e valores daquela região que constitui o berço da nacionalidade a desmoronar-se jogo a jogo, época atrás de época. Quer-se intimidar o árbitro, condicioná-lo, fazê-lo pensar duas vezes antes de apitar seja o que for? Muito bem, pede-se a Don Vito Corleone [Marlon Brando] que lhe coloque uma cabeça de cavalo [ensanguentada] na cama ou a Jules Winnfield [Samuel L. Jackson] que lhe recite Ezequiel 25:17. Não lembra a ninguém é colocar um italiano a dizer num inglês com sotaque da Amareleja que o árbitro é mau, muito má pessoa por ter gamado o Sporting com toda a gente a ver e não se ter revoltado quando toda a gente que viu lhe disse o que viu, que tinha gamado o Sporting.
Quer-se destruir o adversário, derrotá-lo em toda a linha, subjugá-lo até à sua rendição incondicional? Muito bem, pede-se ao Nuno Rogeiro, ao José Milhazes, ao José Tomaz Castello Branco ou ao Miguel Baumgartner que expliquem o atual contexto geopolítico e geoestratégico e a importância de dispor de armamento nuclear tático [não confundir, nunca confundir com armamento nuclear estratégico, porque matar todos devagarinho, um a um, é muito diferente do que matar todos de uma só vez, de uma penada]. Não, não lembra a ninguém as queixinhas do tal fulano italiano porque a equipa adversária regressou do intervalo com cinco minutos de atraso [só faltou queixar-se do ladrar irritante do Yorkshire Terrier da mãe do Luís Suarez que não deixa ninguém dormir a noite toda].
Ninguém leva nada disto a sério. Ouve-se e apetece-nos [logo] comer uma canja, como o Rui Borges. Talvez valha a pena respirar fundo e voltar ao princípio. O Porto perdeu contra o Sporting por um a zero na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Hoje, a Terra continuou o seu habitual movimento de rotação a cerca de 1.670 km/h [no Equador] e o seu não menos habitual movimento de translação a mais de 107.000 km/h. Daqui a um mês ou dois joga-se a segunda mão. Até lá, espera-se que continue o bom tempo.
O Luís Suárez foi maldoso e o Hujlmand falou demais.
ResponderEliminarCaro(a) anónimo(a)
EliminarO Luís Suarez é mau, muito mauzinho, mesmo. O que aborrece é a falta de reciprocidade: ternura e meiguices de um lado, gestos esquisitos do outro. Aquele rapaz alto e espadaúdo que joga do lado direito foi às canelas do Catamo para o ajudar a endireitar a rótula.
O Hujlmand tem problemas de solidão e aproveita os jogos para desabafar. É um tagarela de tal dimensão que até já aprendeu a falar português. Há quem seja mais circunspecto, mais reservado, e nem pensa em aprender português para não cair em tentação, em pecado.
RM
Caro Rui Monteiro,
ResponderEliminarMesmo acreditando que não foi por eu o ter "encorajado" a passar por aqui mais amiúde, agradeço educadamente o seu regresso!
Se se lembra ainda, eu já aqui disse que sou transmontano de nascimento e por parte da minha Mãe. Mas sempre vivi (infância e mocidade) perto do Porto. Logicamente foi nessa cidade que fiz o Liceu na Avenida Camilo e parte da Universidade (no Porto também). Depois fui para Coimbra antes de deixar Portugal para os que aguentavam e fui-me para outro País onde 58 anos depois ainda me encontro. Sem o conhecer pessoalmente sou amigo também do Pedro Azevedo e são precisamente os vossos blogs aqueles que eu mais frequento. Há mais cheiro a sportinguismo e muito mais classe.
Já gostei de futebol mas não são jogos como o de ontem que me darão de novo a necessidade de ser espectador.
A gente do Porto é a gente do Porto e não sei se o AVB também é do Porto. Também não gosto do Varandas que tem que por alguma clareza nas suas palavras.
Espero que estando em Braga se desloque à Pedreira e não interrompa o Salvador se ele começar o divagar.
Um abraço
Aboím
Meu caro,
EliminarO seu encorajamento ajudou, ajuda sempre os leitores gostarem de nos ler. O Porto clube, hoje, é o pior do Porto cidade ou do Porto região. Confunde-se autonomia político-administrativa, combate ao centralismo com pura e simples arruaça.
Abraço,
RM
Mandei o vídeo da sarrafada do defesa direito do Porto ao Geny a um grupo de amigos do Rio de Janeiro. Perguntaram : o cara foi expulso?
ResponderEliminarNão, nem levou amarelo, respondi e já tinha um.
Disseram em coro: Puxa a Vida!!
Mandei o vídeo da sarrafada do defesa direito do Porto ao Geny a um grupo de amigos do Rio de Janeiro. Perguntaram : o cara foi expulso?
ResponderEliminarNão, nem levou amarelo, respondi e já tinha um.
Disseram em coro: Puxa a Vida!!
Meu caro,
EliminarPara mim, a falta é para vermelho direto até. O árbitro teve a esperteza saloia de fazer de conta que não viu nada e nem falta marcou. Sabia muito bem que se marcasse a falta teria de expulsar o jogador do Porto. É nisto que a nossa arbitragem dá novos mundos ao Mundo.
SL
RM
Caro Rui Monteiro:
ResponderEliminarDois textos, em português e, diga-se, excelentes, (Pedro Azevedo e Rui Monteiro ) lidos no dia da morte de um grande escritor, Lobo Antunes, apesar de ser benfiquista.
Gosto de ouvir e ler português ( manias minhas ) e não um inglês, que o Marquês de Pombal dizia que não era língua de gente.
E pergunto: porque é que o treinador do Porto, sendo italiano, aprendeu tudo de mau, que o Porto debita desde os anos 80 do seculo passado, e não consegue falar português?
Porquê esta subserviência " provinciana " ( ai se o Camilo fosse vivo! ) dos jornalistas ao treinador do Porto e, já agora, ao Mourinho?
Como não consigo decifrar cito S. Paulo: OH, SENHOR, QUÃO INSONDÁVEIS SÃO OS TEUS CAMINHOS!
SL de Barcelos
Meu caro,
EliminarO António Lobo Antunes foi um escritor muito importante para mim numa fase muito especial da minha vida, quando fui para Lisboa, para a universidade. Li os livros todos dele até ao Fado Alexandrino. Depois fartei-me um pouco, confesso. No entanto, é um nome maior da literatura contemporânea portuguesa. Como é evidente, o italiano já sabe falar português e isto não passa de uma forma de passar incólume nas conferências de imprensa. É ridículo, simplesmente ridículo.
SL
RM