quarta-feira, 4 de março de 2026

Destruição: dos anos 80 do Conjunto Típico Torreense ao Porto de Farioli

O meu amigo Pedro Azevedo disse tudo. Depois de o ler, se não estivesse profundamente entediado, tinha dado o jogo de ontem [do Sporting] contra o Porto como definitivamente encerrado. Assim como assim, aqui fica, então, mais uma postada, o meu modesto contributo para a bi-dobradinha deste Sporting do Frederico Varandas, esse terrível homem dos sete mares [nunca de antes navegados], esse Fernão Mendes Pinto dos túneis, dos quinhentinhos, do Canal Caveira ou das casas de alterne. 

Trabalho e vivo há mais de trinta anos no Norte de Portugal e é deprimente, muito deprimente ver um clube assente nos princípios e valores daquela região que constitui o berço da nacionalidade a desmoronar-se jogo a jogo, época atrás de época. Quer-se intimidar o árbitro, condicioná-lo, fazê-lo pensar duas vezes antes de apitar seja o que for? Muito bem, pede-se a Don Vito Corleone [Marlon Brando] que lhe coloque uma cabeça de cavalo [ensanguentada] na cama ou a Jules Winnfield [Samuel L. Jackson] que lhe recite Ezequiel 25:17. Não lembra a ninguém é colocar um italiano a dizer num inglês com sotaque da Amareleja que o árbitro é mau, muito má pessoa por ter gamado o Sporting com toda a gente a ver e não se ter revoltado quando toda a gente que viu lhe disse o que viu, que tinha gamado o Sporting. 

Quer-se destruir o adversário, derrotá-lo em toda a linha, subjugá-lo até à sua rendição incondicional? Muito bem, pede-se ao Nuno Rogeiro, ao José Milhazes, ao José Tomaz Castello Branco ou ao Miguel Baumgartner que expliquem o atual contexto geopolítico e geoestratégico e a importância de dispor de armamento nuclear tático [não confundir, nunca confundir com armamento nuclear estratégico, porque matar todos devagarinho, um a um, é muito diferente do que matar todos de uma só vez, de uma penada]. Não, não lembra a ninguém as queixinhas do tal fulano italiano porque a equipa adversária regressou do intervalo com cinco minutos de atraso [só faltou queixar-se do ladrar irritante do Yorkshire Terrier da mãe do Luís Suarez que não deixa ninguém dormir a noite toda].

Ninguém leva nada disto a sério. Ouve-se e apetece-nos [logo] comer uma canja, como o Rui Borges. Talvez valha a pena respirar fundo e voltar ao princípio. O Porto perdeu contra o Sporting por um a zero na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Hoje, a Terra continuou o seu habitual movimento de rotação a cerca de 1.670 km/h [no Equador] e o seu não menos habitual movimento de translação a mais de 107.000 km/h. Daqui a um mês ou dois joga-se a segunda mão. Até lá, espera-se que continue o bom tempo.

9 comentários:

  1. O Luís Suárez foi maldoso e o Hujlmand falou demais.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro(a) anónimo(a)
      O Luís Suarez é mau, muito mauzinho, mesmo. O que aborrece é a falta de reciprocidade: ternura e meiguices de um lado, gestos esquisitos do outro. Aquele rapaz alto e espadaúdo que joga do lado direito foi às canelas do Catamo para o ajudar a endireitar a rótula.
      O Hujlmand tem problemas de solidão e aproveita os jogos para desabafar. É um tagarela de tal dimensão que até já aprendeu a falar português. Há quem seja mais circunspecto, mais reservado, e nem pensa em aprender português para não cair em tentação, em pecado.
      RM

      Eliminar
  2. Caro Rui Monteiro,
    Mesmo acreditando que não foi por eu o ter "encorajado" a passar por aqui mais amiúde, agradeço educadamente o seu regresso!
    Se se lembra ainda, eu já aqui disse que sou transmontano de nascimento e por parte da minha Mãe. Mas sempre vivi (infância e mocidade) perto do Porto. Logicamente foi nessa cidade que fiz o Liceu na Avenida Camilo e parte da Universidade (no Porto também). Depois fui para Coimbra antes de deixar Portugal para os que aguentavam e fui-me para outro País onde 58 anos depois ainda me encontro. Sem o conhecer pessoalmente sou amigo também do Pedro Azevedo e são precisamente os vossos blogs aqueles que eu mais frequento. Há mais cheiro a sportinguismo e muito mais classe.
    Já gostei de futebol mas não são jogos como o de ontem que me darão de novo a necessidade de ser espectador.
    A gente do Porto é a gente do Porto e não sei se o AVB também é do Porto. Também não gosto do Varandas que tem que por alguma clareza nas suas palavras.
    Espero que estando em Braga se desloque à Pedreira e não interrompa o Salvador se ele começar o divagar.
    Um abraço
    Aboím

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro,
      O seu encorajamento ajudou, ajuda sempre os leitores gostarem de nos ler. O Porto clube, hoje, é o pior do Porto cidade ou do Porto região. Confunde-se autonomia político-administrativa, combate ao centralismo com pura e simples arruaça.
      Abraço,
      RM

      Eliminar
  3. Mandei o vídeo da sarrafada do defesa direito do Porto ao Geny a um grupo de amigos do Rio de Janeiro. Perguntaram : o cara foi expulso?
    Não, nem levou amarelo, respondi e já tinha um.
    Disseram em coro: Puxa a Vida!!

    ResponderEliminar
  4. Mandei o vídeo da sarrafada do defesa direito do Porto ao Geny a um grupo de amigos do Rio de Janeiro. Perguntaram : o cara foi expulso?
    Não, nem levou amarelo, respondi e já tinha um.
    Disseram em coro: Puxa a Vida!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro,
      Para mim, a falta é para vermelho direto até. O árbitro teve a esperteza saloia de fazer de conta que não viu nada e nem falta marcou. Sabia muito bem que se marcasse a falta teria de expulsar o jogador do Porto. É nisto que a nossa arbitragem dá novos mundos ao Mundo.
      SL
      RM

      Eliminar
  5. Caro Rui Monteiro:
    Dois textos, em português e, diga-se, excelentes, (Pedro Azevedo e Rui Monteiro ) lidos no dia da morte de um grande escritor, Lobo Antunes, apesar de ser benfiquista.
    Gosto de ouvir e ler português ( manias minhas ) e não um inglês, que o Marquês de Pombal dizia que não era língua de gente.
    E pergunto: porque é que o treinador do Porto, sendo italiano, aprendeu tudo de mau, que o Porto debita desde os anos 80 do seculo passado, e não consegue falar português?
    Porquê esta subserviência " provinciana " ( ai se o Camilo fosse vivo! ) dos jornalistas ao treinador do Porto e, já agora, ao Mourinho?
    Como não consigo decifrar cito S. Paulo: OH, SENHOR, QUÃO INSONDÁVEIS SÃO OS TEUS CAMINHOS!
    SL de Barcelos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro,
      O António Lobo Antunes foi um escritor muito importante para mim numa fase muito especial da minha vida, quando fui para Lisboa, para a universidade. Li os livros todos dele até ao Fado Alexandrino. Depois fartei-me um pouco, confesso. No entanto, é um nome maior da literatura contemporânea portuguesa. Como é evidente, o italiano já sabe falar português e isto não passa de uma forma de passar incólume nas conferências de imprensa. É ridículo, simplesmente ridículo.
      SL
      RM

      Eliminar