terça-feira, 24 de junho de 2014

Entrapados e mal pagos



«Algo estranho aconteceu a esta seleção portuguesa. Dez dos 23 jogadores tiveram problemas musculares desde o início do estágio. Sucessão de lesões é anormal.»
Jornal Público

«Ninguém pior que Portugal: cinco lesões entre catorze problemas. Limitações graves ou pontuais para mais de metade do grupo de Paulo Bento, sem igual nas outras seleções que disputam o Mundial.»
TVI

«Alta tensão entre Bento e clínicos.  Selecionador à beira de um ataque de nervos com novos casos de baixas na equipa.»
Correio da Manhã

Avião para o regresso da Seleção Nacional

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Antes de o ser já o era

Os jogos da seleção correram mal antes de começar. Não falo da convocatória. As equipas adversárias condicionaram sempre o nosso jogo sem que, em contrapartida, tivéssemos condicionado o deles. Condicionados pelo jogo dos adversários e sem condicionar o deles, as lesões e as substituições precoces ainda nos condicionaram mais.

Os EUA jogaram com rapidez pelas laterais. Tivemos que adaptar o jogo da equipa para evitar essas saídas rápidas dos laterais. Aparentemente não estávamos preparados para contrariar este ponto forte. Os EUA, por outro lado, aproveitaram sempre esse ponto fraco do lado esquerdo da defesa, decorrente de jogarmos em 4x3x3 sem que ninguém no ataque descaísse para aquele lado quando perdíamos a bola. A meio da primeira parte estávamos a jogar em 4x4x2.

Para condicionar o jogo do adversário, então, devíamos ter jogado com dois extremos rápidos que dificultassem as saídas dos laterias (o Varela ou o Vieirinha deviam ter sido opções de início). Sendo assim, o Cristiano Ronaldo tinha que jogar no meio, como, aliás, jogou. Porventura, devíamos ter jogado em 4x4x2 como acabámos a jogar. O problema é que a jogar em 4x4x2 o trio maravilha do meio-campo de Paulo Bento (Veloso, Meireles e Moutinho) não pode jogar. Um, pelo menos, tinha que ir à vida.

A diferença entre o William Carvalho e o Miguel Veloso é bem evidente. Pela presença física, pelo posicionamento, pela capacidade de marcação, pela capacidade de passar a bola de primeira sem rodriguinhos desnecessários e que só encravam o jogo. Mas não chega, como se viu. Quando temos a bola, quer o Moutinho, quer o Meireles ou encontram-se na mesma linha do Carvalho ou recuam para junto dele para receberem a bola no pé. Espaço entre linhas, como se costuma dizer no futebolês nacional, não há.

O primeiro golo dos EUA, com o Rui Patrício, tinha sido um frango. Com o Beto, foi um remate indefensável. Esse golo é um hino à nossa falta de concentração. O Nani é displicente a cortar a bola. Reage tarde e só toca ligeiramente na bola. Depois é ultrapassado infantilmente pelo adversário, que faz um arranque a diesel. O remate sai forte e colocado, mas sem balanço e de muito longe. O Beto tinha dado dois passos atrás, pouco antes do remate. Está mal colocado junto da linha de baliza. Fia-se no golpe de vista, por (má) convicção ou por falta de reação atempada.

O segundo golo foi uma repetição das inúmeras jogadas pelo lado direito do ataque dos EUA. O Veloso marca o jogador adversário com os olhos. O Bruno Alves, como em todas essas jogadas, nunca se deslocou para fechar esse lado. Correu para trás, mas mantendo sempre a posição relativa face ao adversário. Em desespero toca na bola. Demora três quartos de hora a levantar-se. Deixa o avançado em jogo que marca com a barriga. É uma alegoria para uma equipa que foi para o Brasil com o Rei na barriga e pensou que isso bastava. O Rei estava menos Rei do que o costume e, por isso, sobrou barriga para tão pouco Rei.


(Não vou brincar com o André Almeida. O rapaz fez o que pôde. Aos vinte minutos estava lesionado. A culpa não é dele nem dos restantes jogadores. A culpa é de quem convocou jogadores lesionados ou em riscos de lesão, que os treinou mal e que nunca soube organizá-los e contrariar os adversários).

A Um Passo do Sucesso


sábado, 21 de junho de 2014

Sabemos como é que tudo acaba

Amanhã o jogo é decisivo. Não se pode perder. Empatar é encomendar a alma (a Deus ou ao Diabo). Resta ganhar.

Para ganhar é necessário mudar. Não basta mudar fruto das circunstâncias (lesões e castigos). É necessário mudar mais: jogadores e atitudes.

Se assim não for, sabemos como é que tudo irá acabar. Só ainda não sabemos quem é que vai esmurrar o árbitro. O João Pinto está lá, mas de blazer. O Pepe já fez o serviço no jogo anterior. Será o Bruno Alves desta vez? Será mesmo o Paulo Bento? Aceitam-se apostas.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Humildação



Em Espanha foi-se o rei e foi-se a seleção. Em Portugal, o presidente Cavaco e a seleção balançaram, tropeçaram mas ainda não caíram. À falta de outro assunto, procuram-se culpados. Para o rei e para o presidente é fácil encontrar um culpado, são “coisas da idade”, senilidade galopante, alzheimer etc., etc. Para as seleções, a explicação séria é mais complexa mas a abordagem mais popular é dizer que a culpa foi dos jogadores, de alguns. Mas será que a culpa foi mesmo só dos moços? Nem o Jorge Mendes conseguiria vender tal ideia, pelo menos com o habitual lucro.
Reza a narrativa que os mesmos que agora dizem que o rei vai nu, foram aqueles que elogiaram a beleza do traje real momentos antes. Se os trombeteiros da imprensa desportiva, constroem época atrás de época, campeonato atrás de campeonato, seja do Mundo, da Europa ou do “nosso bairro”, os gigantes que imaginam ou com que sonham ou desejam, por que razão é que quando esses gigantes tombam, à mercê dos seus pés de barro, a culpa é apenas dos “gigantes” e não também dos fabuladores da imprensa que os criaram?
Voltemos aos culpados. A culpa tem que vir de algum lado. Existem para isso, tal como nas esquadras de bairro, os “suspeitos do costume”. A culpa foi do clima, do árbitro e do Rui Patrício, principalmente deste último. Todos os outros intervenientes selecionaram, treinaram e jogaram ao seu melhor nível. E assim, com a exceção do Patrício, do clima e do árbitro, todos fizeram uma exibição memorável. Não quero referir nomes para não correr o risco de me esquecer de algum. Mas que foi memorável foi e que afinal é este o nível deles, também é. O resto são fábulas.
Não me custa admitir que o guarda-redes não esteve, aqui e ali, bem. Tenho é dificuldades em referir alguém, do nosso lado, que tenha estado bem. Dizem que foi a pressão. Até pode ser verdade pois dias depois ouço o "deus" Mourinho a dar mais tiros nos pés numa demonstração prática daquilo que é um português sob pressão… habitualmente só sai trampa!
Espero que a humilhação e o banho de humildade tragam benefícios. A solução poderá passar pela humildação.

PS E sosseguem que no próximo jogo o William vai lá estar, quanto mais não seja porque é preciso garantir a existência de pelo menos um “suspeito do costume”. Nunca se sabe quando será preciso um.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Recuperar o orgulho e seguir em frente: nada está perdido

Foi uma vergonha. Foi até um pouco mais do que uma vergonha. Mas nada está perdido. É necessário recuperar o orgulho perdido: levantar a cabeça, encher o peito de ar e seguir em frente. Uma ou outra dica técnico-táctica também pode ajudar. É esse exercício de mandar uns bitaites que me proponho a seguir.

1.O André Almeida joga bem à direita e à esquerda, mas, e este mas faz toda a diferença, de forma simultânea. Colocá-lo a jogar à vez à esquerda ou à direita é que não faz o género dele. Vamos colocá-lo a jogar como ele sabe, com a vantagem de com este opção técnico-táctica ainda se libertar mais um jogador para o meio-campo.

2.Um dos participantes naqueles canais abertos da radio, depois do jogo, afirmava que seria melhor colocar o André Almeida no meio-campo. Sempre teria melhor corpo para jogar contra os alemães. Não estou de acordo. Se precisamos de um matulão no meio-campo, e precisamos, então temos o Hugo Almeida, com a vantagem de dispor de um farfalhudo bigode, que nos faz recordar um Frasco, um Rodolfo ou um Carlos Manuel. Foi com a perda do bigode no meio-campo que o nosso futebol perdeu identidade.

3.Muitos jogadores estão de rastos. Não há muito a fazer. É necessário efectuar a combinação certa entre jogadores a cair aos bocados com outros em melhor estado. Não interessam as características dos jogadores nem as suas capacidades para jogarem num ou noutro ponto do campo. A táctica deve ser a da entremeada. É simples, mete-se uma camada de Meireles, por cima mete-se uma camada de Carvalho, volta-se a meter mais uma camada de Meireles e cobre-se com mais uma camada de Carvalho e assim sucessivamente. No fim, cobre-se tudo com uma camada de Ronaldo.

4.Quando quisermos rachar a cabeça a alguém devemos rachá-la de uma forma profissional. Um golpe seco e já está. Se só queremos humilhar o adversário e intimidá-lo, então devemos fazer o que me fizeram na escola. Depois de sofrer um golo, o marcador virou-se para mim, deitou a língua de fora e fez uma careta. Isso só por si é profundamente humilhante. Mas senti-me completamente de rastos quando, depois disso, ainda levou o polegar ao nariz e mexeu os restantes dedos como se estivesse a tocar uma corneta. Nunca mais fui o mesmo jogador. Era o que o Muller estava a pedir.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

É prá manhã

Não só jogámos ao ritmo do António Variações como jogámos com o próprio António Variações. Aliás, não sei se jogamos com um ou com dois. O Meireles e o Veloso, cada um à sua maneira, são dados ao ritmo e à coreografia do António Variações.

O pior não foi termos perdido quatro a zero com os alemães. Acontece. Aconteceu igual ou pior aos espanhóis. O pior é a perspetiva de jogarmos com o André Almeida o resto dos jogos. Com ele, os Variações e o Ricardo Costa, este Mundial tem tudo para se transformar em mais uma epopeia portuguesa.

A história conta e conta muito. Se a Sérvia quiser entrar na União Europeia tem que fazer muito pelos alemães. O que fez hoje ainda não chega. Mas um dia chegará.

domingo, 15 de junho de 2014

O interior não é para meninos

O interior do país é para resistentes, é para quem não desiste, não é para betinhos nem para copinhos de leite. É gente talhada na pedra. O Fundão mostrou-nos isso. Espero que nos façam o favor de não voltar a eliminar o Benfica. Esses não nos levam ao desespero; esses, sim, são fáceis, bastante mais fáceis. 

Parabéns ao Nuno Dias e a todos os jogadores. Bem precisados estávamos desta vitória no final de um ano em que tantas transformações se verificaram no nosso Sporting.

[Os comentadores da RTP estão sempre de camisola do Benfica vestida, embora desta vez não jogasse o Benfica. Optaram pela camisola mais parecida, aquela com cores diferentes da do Sporting. Não mereceriam, nem o Sporting, nem especialmente o Fundão. Fundão é no interior, tem uma belíssima equipa de futsal, bateu-se de igual para igual com o Sporting, não precisa de paternalismos seja de quem for.]

sábado, 14 de junho de 2014

Abdicación ?




Ainda é muito cedo no que ao futebol diz respeito, mas parece que estamos em maré de abdicações aqui pela Ibéria. Se por cá já era habitual irmos abdicando de tudo um pouco e até de sonhos e de vontades, coisas pequenas, agora os nuestros hermanos, com a sua habitual mania das grandezas, dão-nos uma lição de como se abdica com estrondo e estilo. A verdadeira “furia española” até na abdicación…olé!