segunda-feira, 1 de junho de 2026

O "leão" da Malásia

 

No final da conversa ao telefone, o meu amigo ainda perguntou:

- E o mundial?

- A guerra mundial?

- Não, o mundial de futebol…já compraste a caderneta de cromos?

- Não, vou fazer mais uma do Sandokan…

Pouco me importa o mundial. Este e os mais recentes. Há muito tempo que o mundial deveria ter-se desvinculado da palavra futebol. Mas não param de introduzir inovações, como aquela grande ideia do intervalo de meia hora, ou dos cantos serem marcados com o árbitro de olhos vendados. Ou aquela dos apanha-bolas serem todos formados no Futebol Clube do Porto. Era bom para o clube a para a cidade.  Os jogos, para que a inovação fosse realmente interessante, deveriam ter apenas meia hora e o resto deveria ser puro entretenimento, relatado em directo pelos comentadores da CMTV.

O Sporting 2.0 já entrou neste mundo onde as bolas são feita de música e os adeptos experienciam o jogo a partir de um mundo lounge e de um espaço Emerald Lounge, zona de lugares exclusivos e, claramente, acessíveis a todos (risos). Já não se trata de ver um jogo de futebol mas de uma experiência inédita em Portugal: O Lion’s corner. Experiência essa que já tinha começado com a venda dos bilhetes para a final do Jamor, cuja prioridade era o dinheiro e a disponibilidade para estar aberto a experiências. Depois temos lotações esgotadas com taxas de ocupação de 80%.

Acho que prefiro o "leão" da Malásia. E continuar as ler as “Notas de um velho nojento” do Bukowski.

4 comentários:

  1. O futebol há muito que deixou de ser desporto.
    É um espectáculo (como o cinema, teatro, etc.,etc.) outros falam em "indústria do futebol" e como tal o SPORTING tem de procurar obter proveitos que lhe permitam manter a competividade da sua equipa de futebol no contexto nacional e internacional.
    Já foi tempo em que o simples pagamento da quota de sócio (sou sócio com mais de 50 anos de filiação) permitia o acesso a todos os jogos do campeonato nacional no Estádio José de Alvalade.
    Os tempos são outros, e percebo perfeitamente a lógica da actual presidência da SAD de criar lugares, com condições exclusivas, e que naturalmente não podem ser acessíveis a todos.
    Eu, por exemplo, mantenho desde a inauguração do novo Estádio de Alvalade, a minha GameBox, e na maior parte dos jogos, atendendo à idade, horário dos jogos (à noite) nem a utilizo.


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  2. Meu caro, obrigado pelo seu comentário.
    Permita-me discordar em alguns pontos: de facto, o futebol é um espetáculo, mas trata-se de um jogo (pelo menos dentro de campo), e nisso difere do cinema ou do teatro. Não me recordo, pelo menos recentemente, de a polícia escoltar parte dos adeptos de uma peça, nem de ultras do Tarkovsky se revelarem contra os ultras do Béla Tarr, recusando-se a comer caramelos ou pipocas com o adversário. Existe emoção, mas dificilmente os sócios de um cine clube compram bilhetes para a final da taça em Cannes.
    Acontece o mesmo com os sócios do Sporting, como o senhor, com 50 anos de filiação e com gamebox e que depois não conseguem um bilhete, mesmo que queiram muito, para uma final da taça. Acontece com amigos meus que acompanham o Sporting para todo o lado e depois não conseguem bilhete num jogo em Alvalade (supostamente esgotado) com 47000 pessoas. Se calhar o senhor deveria disponibilizar a sua cadeira quendo não pode assistir ao jogo, para que outros tivessem o prazer de assistir à experiência de observarem outros adeptos(?) em lugares exclusivos com experiências inéditas, e eventualmente ver o jogo que se joga lá em baixo. Chamava-se futebol e, segundo o Carlos, já foi um desporto.
    SL

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  3. Não sei se sabe, mas já existe uma aplicação que permite a disponibilização dos lugares da Gamebox.
    Eu já o tenho feito algumas vezes para familiares e amigos, desde que sejam do SPORTING.

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    1. Meu caro, é precisamente por conhecer a aplicação que me causa alguma estranheza tantas cadeiras vazias num dia de lotação esgotada.

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