domingo, 24 de outubro de 2010

Hoje foi melhor

Estive tentado a dizer que “hoje gostei”. As expectativas não são muitas e cada vez mais nos contentamos com pouco. Mas hoje, de facto, foi um pouco melhor do que o costume.

Ganhámos e isso é bom em si mesmo. Ganhámos de forma esforçada e sem dar grande descanso ao adversário, que, na última meia hora, não conseguiu sair do seu meio campo. Nesse período, pressionámos, recuperámos bolas sobre bolas e, mais em força do que em jeito, lá fomos criando lances que nos teriam permitido descansar um pouco mais cedo.

Gostei de alguns jogadores. O Patrício comportou-se como um guarda-redes de clube grande. A bola pouca vezes lhe chegou mas quando tal aconteceu esteve muito bem. Fez três defesas decisivas. O Torsiglieri pareceu um jogador interessante. É agressivo sobre a bola. Pressiona bem os adversários, não os deixando dominar a bola e segurá-la no ataque. Mais importante do que isso, é o único defesa que tem cara de poucos amigos.

Quanto aos restantes, não há muito a dizer. Temos a originalidade do Abel a marcar as bolas paradas e a sua transformação em goleador de último recurso. O João Pereira continua com a mesma determinação do costume. Merecia ter marcado aquela que foi ao poste. O André Santos lá continua abnegado e trapalhão. Um pouco mais clarividente esteve o Maniche. O Postiga prossegue a sua saga no Campeonato. Continua sem marcar um golo apesar de estarmos praticamente a meio da primeira volta. É verdade que teve algum azar. Mas tanto azar ao fim de tantos anos tem outro nome.

Os comentários foram magníficos. É sempre bom podemos continuar a ouvir o Manha. Gostei daquela em que o lateral esquerdo do Rio Ave, depois de ter um amarelo, fez uma falta sobre o Abel (com mão à mistura) que poderia ter originado a sua expulsão. Comentário imediato: “o Sporting também não se pode queixar pois já fez mais faltas que o Rio Ave”. Percebem a relação entre o toucinho e a velocidade? Não percebem pois não?! Foi mais ou menos assim que fiquei após esse comentário. Também fiquei surpreendido (ou não) por a TVI não ter dado a repetição de um lance em que se reclamou penalty após centro do Valdés.

sábado, 23 de outubro de 2010

Boas novas do Império do Mal: Continuam os síntomas de stress pós-traumático pelo Título da época passada

O preço da fama e, também, de alguns excessos está a dificultar o regresso à realidade dos jogadores do Benfica resgatados do poço sem fundo pelo Título da época passada.

O central David Luíz, um dos jogadores que estiveram retidos mais de três anos no açougue, perdão, na enfermaria da Luz, e que aparentava estar muito bem durante a época passada quando imitava na perfeição Freddy Kruger na forma como laminava os seus adversários, foi hoje internado com uma crise de ansiedade por não conseguir imitar o penteado e, sobretudo, os famosos pelos de peito do músico -ícone dos anos 70 Tom Jones. O argentino Pablito Aymar contou, também, à reportagem do ILdL que vive agora stressado pelo constante assédio da imprensa “lampiã” lisboeta (em busca de frases de auto-motivação do tipo “O Arouca levou que contar: O Benfica saiu do buraco e, agora, o céu é o nosso limite”), confessando mesmo que a sua vida no poço sem fundo era bem mais tranquila.

Por seu lado, de acordo com “A Bola”, o Capataz Luisão terá informado, uma vez mais, a Direcção do Benfica que está a ponderar sair do clube já em Dezembro, desta vez, por ter recebido um convite para interpretar o papel do simpático ogre Shrek já no próximo filme daquela saga. Há, ainda, jogadores que não conseguem dormir bem e acordam sobressaltados, imaginando que, desta vez, a ajuda do Ricardo Costa de serviço e da APAF, poderá não chegar a tempo de evitar o retorno da sua carreira ao poço sem fundo onde se encontrava.

Entretanto, o implacável profeta Jesus, que orientou o resgate dos jogadores do Benfica durante a época passada, pregou-lhes, logo após o flop de Lyon, um severíssimo sermão: “Vigiai e treinai, para que não entreis nem um poucochinho em tentação; o espírito está muita forte, mas a carne é uma treta... Em verdade vos digo, há ainda muita frango para virar, mas muita poucochinhos para saltear. Desta vez, perdoo-vos, pois vocês não sabem o que fazem - por exemplo, vocês os três, vaiam à bola! Subem! Façam um quadrado.

Porque fala o Mestre por parábolas? Porque a vós é dado conhecer os mistérios do forno interno do clube, mas a eles lá fora não é dado. Porque aquele que tem, se lhes dá, mas aquele que não tem, até aquilo que tenha lhe será tirado. Por isso falo por parábolas; porque vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem e nem entendem. Ouvindo, ouvireis, mas não entendereis. E vendo, vereis, mas não percebereis”.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A insustentável leveza de Postiga

O título deste “post” esteve para ser o deste “blog”. O Júlio Pereira que, parecendo que não, é um sportinguista a sério, não permitiu esta brincadeira. Mas, de facto, existe uma insustentável leveza na forma de jogar do Postiga. Joga em “souplesse”, como que saltitando de nenúfar em nenúfar, desmarcando-se incessantemente para aqui e para ali de cabelos ao vento e nunca se aproximando da baliza. Quando calha estar próximo dela e tem oportunidade de marcar golo, quase sempre lhe sai uma rosca ou um cabeceamento desamparado para as nuvens. No fundo, é um típico avançado à Nuno Gomes, gosta de jogar de costas para a baliza porque de frente para ela nota-se mais a falta de jeito.

Mas começa a existir algo de misterioso no desempenho mais recente do Postiga. Vai no terceiro jogo consecutivo a marcar golos e não me consigo lembrar de todos os que marcou esta época (seguramente mais do que nas três últimas). Este mistério precisa de análise séria e rigorosa. Muitos dos grandes cientistas e outros pensadores que viveram entre o século XVIII e o século XX, de Adam Smith e Ricardo a Lavoisier e Darwin, de Marx e Durkheim a Max Weber e Pareto, de Humboldt e Planck a Poincaré e Einstein, confrontaram-se com desafios desta magnitude. Espero estar à altura deste passado.

A questão que precisa de ser confirmada ou infirmada é: O Postiga está possuído? Seguir-se-á um longo processo experimental antes de chegar a uma conclusão definitiva. Irei dando notícias.

Quanto ao jogo de hoje (ontem) contra o Gent, cada vez me convenço mais que estes resultados também deviam contar para o Campeonato Nacional, ou lá como é que isso se chama. É que não podemos andar a arrecadar pontos para a UEFA que vão beneficiar os clubes que apostam tudo na prova interna. O Benfica para evitar isso decidiu não ganhar jogos na Liga dos Campeões, não fosse vir a beneficiar o Porto, o Sporting ou o Braga na próxima época.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

“Se não pudermos vencer no relvado, vamos vencer no mercado…”

- Burocratas! Esses tipos da Liga não passam de uns funcionários públicos, uns tangas de alpaca, enfim, isso, vocês sabem o que eu quero dizer... Epa, é este o triste “state of art” do futebol português. Mas, se não os pudermos vencer no relvado, vamos vencê-los no mercado. É que aí, meus amigos, aí eu sinto-me como peixe dentro do escabeche, ou lá o que é … - declarou confiante o Presidente, enquanto arquivava o ofício da Liga informando sobre a rejeição da Candidatura ao Título de Campeão 2010/2011 da Liga.

- Mas, como? Em que é que está a pensar, Presidente? – questionou surpreendido o Director de Futebol.

- Aaaah, meu amigo, bem, aah, neste momento, bem, neste momento, não me ocorre nada. Mas, long, long, time ago, depois de ter lido aquele genial e oportuno livro do João Sendeiro “Como vencer nos mercados”, tive uma ideia inspiradora. Sim, vá lá, vá lá, peço-vos um pouco de contenção, estou mesmo a falar a sério. Dizia eu, então, que tive uma visão inspiradora: criar um fundo compósito de jogadores que valorizasse apenas as suas melhores características. Como "time is funny", logo no início da época, dei orientações ao nosso Director Financeiro para criar esse fundo compósito integrando a velocidade do Djaló, a capacidade técnica do Postiga e a combatividade do Grimi.

E, meus amigos, a partir de agora, é sempre a abrir! A mão invisível dos mercados empurra-nos para o sucesso! Foi difícil suportar tantas críticas injustas, mas ainda bem que nunca desisti de acreditar na minha máxima preferida do Manual de Emprendedorismo para Tótos: “Falhe logo… para que possa ter sucesso mais cedo. Não se preocupe com os erros; só tem que estar certo uma vez!”. Enfim, veni, vidi, vici, como cantavam os Da Vinci, ou lá quem era… – delirou, eufórico, o Presidente.

- Aaah, huuum, Presidente, aham, receio não ter… boas notícias… - murmurou o Director Financeiro. A CMVM informou-nos, na semana passada, que recusou a criação do fundo proposto pelo Presidente devido aos seus elevados níveis de toxicidade potencial. Afinal, perguntam eles, quem se arrisca a ficar, depois, com a técnica de recepção de bola do Djaló, com a eficácia de concretização do Postiga, ou com a coordenação motora do Grimi? Enfim, confesso que ainda não conseguimos encontrar uma boa resposta para isto…

- Epa, não pode ser! Estou farto disto! Basta! – disse o Presidente, furibundo, enquanto dava um murro na mesa. De seguida, sentiu uma forte dor no antebraço, derrubou o candeeiro da mesinha de cabeceira e… acordou estremunhado: Ufa – suspirou - ainda bem que... tudo não passava de um pesadelo…

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

É oficial: Liga arquiva Candidatura do Sporting ao Título de Campeão 2010/2011…

O ILdL, em mais um rigoroso exclusivo, transcreve de seguida – após depuração de grande parte dos erros do documento original – o ofício remetido pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional à Presidência da Sporting SAD, informando, logo depois do final da 1ª Jornada, sobre o arquivamento da Candidatura da Sporting SAD ao Título de Campeão 2010/2011 da Liga.

“Relativamente ao assunto em epígrafe, vimos por este meio informar, para os efeitos tidos por convenientes, que a Candidatura da Sporting SAD ao Título de Campeão 2010/2011 da Liga, apresentada por essa entidade no início da corrente época, não reúne condições de admissibilidade, atentos os motivos a seguir expostos:

1. Capacidade da Direcção Técnica e Desportiva. A apreciação efectuada pelos Serviços da Liga aos Curricula Vitae da Direcção Técnico-Desportiva proposta pelo Sporting SAD na presente Candidatura, evidencia parâmetros de inaptidão muito próximos do nível vermelho da Escala “CCA - Couceiro-Carlão-Agatão”. De igual modo, a projecção realizada, através da aplicação prospectiva do princípio de Peter, à carreira dos membros da referida Direcção Técnico-desportiva, aponta para um limiar de evolução futura situado algures entre os graus "Xavelhas" e "Bom Sucesso", ou seja, pouco acima do nível “Campas” da Escala de “Aselha Modificada” dos comentadores desportivos.

2. Capacidade Financeira e de Gestão. A análise efectuada sobre os recentes exercícios de antecipação de receitas televisivas, sobre os investimentos no plantel futebolístico realizados na corrente Presidência da Sporting SAD e sobre as suas orientações prioritárias de gestão, evidencia parâmetros que convergem rapidamente para níveis de insustentabilidade históricos - de acordo com os dados mais recentes, o grau de ridículo supera mesmo o nível 100 “Bigodes”. Merece referência neste âmbito a inelegibilidade de parte significativa das operações de investimento realizadas desde Janeiro de 2010, em particular, no caso dos (in)activos Sinama Pongolle e Marco Torsiglieri. As projecções apontam, também, para a possibilidade da gestão da Sporting SAD vir a provocar, a breve trecho, o fenómeno tecnicamente conhecido como “poço sem fundo”, perspectivando-se que o Presidente, o Director Desportivo e a Equipa Técnica venham, em simultâneo, a refugiar-se na “mina” de Alvalade, recusando ser resgatados até alguém lhes oferecer uma Playstation, um Smoking e, já agora, uma… simpática indemnização.

3. Comunicação Institucional. Os serviços da Liga identificam neste parâmetro aparentes avanços em relação à época transacta – decorrentes, em larga medida, da estratégia de mutismo entretanto adoptada pelo Presidente da Sporting SAD; porém, esses avanços revelam-se insuficientes para atingir o patamar mínimo de admissibilidade da presente Candidatura. Com efeito, a Sporting SAD continua a não conseguir recorrer: (i) a esquemas do tipo ALD - Aluguer de Lampiões Desesperados, visando, em espaços de grande exposição mediática, promover a sistemática desestabilização dos principais clubes rivais, enquanto são branqueados erros internos e/ou as tradicionais arbitragens favoráveis à simpática agremiação de Carnide; (ii) a técnicas de persuasão, doces ou musculadas, semelhantes às praticadas com grande sucesso sobre os escassos autóctones sobreviventes da comunicação social desportiva da Cidade Inbicta. Para além disso, a Sporting SAD deverá também assegurar no futuro uma preparação mais profissional da comunicação dos representantes leoninos nos “Painéis” futebolísticos semanais e/ou mesmo ao seu Treinador e jogadores no final dos jogos, promovendo a sua prévia e ortodoxa “catequização” com as necessárias orações de sapiência desportivas e/ou jurídicas (por exemplo, recordando lances ou situações equiparáveis ocorridas nesse jogo ou em jogos ou épocas anteriores, ou com clubes rivais, ou pedindo a repetição de lances que não fazem parte dos resumos principais, etc).

4. Parcerias. Por fim, a Candidatura ao Título de Campeão da Liga submetida pela Sporting SAD não evidencia os níveis mínimos de amarração institucional, continuando, tal como nas últimas décadas, a não apresentar as Cartas de Parceria & Conforto: (i) da APAF e Conselho de Arbitragem, acompanhadas das correspondentes Declarações de compromisso, onde devem constar, de forma expressa e quantificada, os principais indicadores de realização e de resultados (por exemplo, penalties, expulsões, foras de jogo); (ii) dos órgãos disciplinares da Liga, mencionando, de igual modo, os seus principais compromissos em matéria de decisões favoráveis (por exemplo, número e período de suspensão de jogadores da entidade promotora e dos seus principais rivais).

Neste contexto e verificando-se o incumprimento dos requisitos de admissibilidade anteriormente enunciados, os serviços da Liga deliberam rejeitar a Candidatura da Sporting SAD ao Título de Campeão 2010/2011 da Liga, devolvendo-a, assim, para efeitos de digestão e arquivo, à competente Presidência da Sporting SAD.

Com os mais ínfimos protestos de estima e consideração,

(Impressão digital Ilegível)”



To be Continued...

sábado, 16 de outubro de 2010

Nada de novo na “linha de água”

Não basta ser-se do Sporting, nos tempos que correm, para se passar uma tarde de Sábado a assistir ao jogo com o Estoril. É preciso ser-se maluco. Maluco do Sporting, neste caso (duas características que, cada vez mais, se complementam muito bem).

O jogo, como sempre, foi mau. Fui-me pouco a pouco abstraindo dele. Pela cabeça passavam-me os mais variados trocadilhos com a expressão Linha (a célebre Linha do Estoril). E não foram só os antigos trocadilhos com o Cannigia e o seu gosto por um certo tipo de linhas. Brotavam-me da cabeça preciosidades como: “É preciso por esta gente na linha”; “O Postiga não (a)linha”; Ó linha minha gentil que te partiste tão cedo desta vida descontente…”.

Também me passaram pela cabeça certas lembranças. O início da carreira do Fernando Santos como treinador-engenheiro do Estoril. Quase tive saudades do tempo em que foi nosso treinador (foi nessa altura que contratámos o Polga). Mas depois lembrei-me do Custódio a trinco e passou-me. Não podia deixar de me lembrar do Carlos Manuel, quando, no Estoril, acabou a sua carreira de futebolista e iniciou a de treinador. Foi, sem sombra de dúvidas, o pior treinador de futebol que passou pelo Sporting. Foi o tempo em que o Agatão se fez passar, em Alvalade, por preparador físico. Tempos em que a nossa tendência para o suicídio se agudizava.

Quanto ao jogo, ganhámos (se acabarmos na Liga Orangina já sabemos como havemos de jogar fora de casa). Levámos o tradicional golo de bola parada como se estivéssemos a jogar uma peladinha de solteiros contra casados. O Liedson encarregou-se de, em meia dúzia de minutos depois de entrar, explicar porque é um dos melhores avançados do Campeonato Nacional. Provavelmente, o único que temos. O Postiga marcou mais um golo. Tudo nos acontece. Corremos o risco de não só sermos o clube onde o Postiga jogou três épocas completas consecutivas como aquele onde, depois disso, ainda lhe renovaram o contrato.

Enfim, nada de novo na “linha de água”…

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Equipa A do Sporting (cont.)

A nossa Equipa A voltou a ganhar, agora contra a Islândia. Ganhar fora é sempre bom. Ganhar fora com o Postiga é um feito excepcional. Ganhar fora com um golo do Postiga é pura e simplesmente impossível. Estamos em presença de um fenómeno paranormal que precisa de ser seriamente investigado.

Com o Paulo Bento a treinar a Equipa B, ainda íamos a tempo de ficar em segundo no Campeonato, ganhar a Taça de Portugal, vencendo o Porto na final, e de perder a final da Taça da Liga contra o Benfica, com um penalty inventado por um Lucílio qualquer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Equipa A do Sporting

Para nós, é sempre um gosto ver a Selecção Nacional jogar. É o Sporting na sua versão Equipa A, ainda para mais agora com o nosso melhor treinador dos últimos anos. Com a Equipa B não ganhamos ao Beira-Mar. Com a A ganhámos 3 a 1 à Dinamarca.

Percebe-se o critério de promover alguns jogadores da Equipa B à equipa principal, como é o caso do João Pereira. Já é muito estranha a promoção do Postiga. Mesmo assim, revelou muita inteligência no terceiro golo ao não atrapalhar os nossos dois melhores jogadores.

O problema é que, depois de Quarta-Feira e até ao final da época, só podemos ver a Equipa B. Por outro lado, com a Equipa B neste estado, como é que, dentro de poucos anos, vamos ter Equipa A? (*)


(*) Esta pergunta é um mero exercício de retórica. Todos sabemos que, nessa altura, vamos naturalizar o Hulk, o Falcão, o Cardozo, o Di Maria, e por aí fora, Esperem só um bocadinho… A minha filha está-me aqui a dizer ao lado que o Di Maria já não joga sequer no Benfica e que os outros não podem ser convocados para a nossa selecção porque jogam nas deles. Não me parecem grandes obstáculo, mas vou pensar um pouco melhor nisto.

sábado, 9 de outubro de 2010

Abram @l@s pró Noddy...!

Uma fonte anódina, ou lá o que é, gorducha e de bigode, que costuma realizar rondas noturnas ali para as bandas da Praça do Toural, fez chegar ao ILdL duas enigmáticas mensagens que terão sido interceptadas pela GNR de Ronfe, na noite da passada segunda feira, perto da Cidade Berço.

- Guim@rães, 22.00 horas. Hi, papa! Tass? Gost mt do PES [Pro Evolution Soccer] mara.do da Lig@ Sag.res q m dest pra PSP. Os Play.ers q m comprast xao bns. A op.com de contrl link do Pres da Lig@ tmb eh mt fix. Rs, rs, rs, rs. Mm axim, a mnha prfrida eh a fun.com de tl-com.ando dos @rbitrs – n mrca pnlties cntr nox e, qdo qerems, mrca pnlties a noxo favr ):-):-):-). A mm cois@ ns amrels e ns vermlhs B-). Cmo m avisast ixto soh n Run mt bm cntr o Bn.fica :-/. D res.to, Geni@l! LOLOLOL! Axim eh totil f@cil o pipol xegar ao 7 nvl da Lig@ com o max de ptos :-)))))). ROTFLOL.

- Guim@rães, 22, 45 horas. OMG! Papa! Tou :,-( e = :-o. N conxegi paxar o nvl 7 :-( :-( :-(. Q Mega, ixto é mt chat… A fun.com de tl-com.ando dos @rbitrs, oh n tah on.line, oh tah com alg1 bug. Cont.nu@ a n mrcar pnlties cntr nox, mas jah n mrca pnlties a noxo favr qdo qerems :-(. E, img.in@, teh ns ex.pulsw o Fuxile. :-0. Tou bue >:-<< ! Axim n brinc +! Pds fzer 1s FAQs asap ao miguxo da Lig@ pra ver o q c paxa? E pdir ao hackr @bel pra fzer 1 query e dpois copy – paste da nov@ password? Obrgdo! Xau!

O ILdL, face ao evidente interesse público do conteúdo das mensagens, decidiu, então, reproduzi-las neste espaço, devolvendo-as e oferecendo “cookies”, um DVD do Noddy, ou o CD “Eu engoli um sapo” da Maria Armanda, a quem provar que as mesmas lhe pertencem. Também não conhecemos, até porque, manifestamente, nunca nos foi apresentado, o destinatário das mensagens – o “papá”, segundo alguns, ou “papa”, segundo outros. Neste caso, o simpático líder do comando clandestino das Brigadas Vermelhas do Norte juntou-se ao ILdL, oferecendo tabaco, sal grosso ou a sua colecção de DVDs dos Sopranos para o improvável caso de alguém conseguir apanhar, perdão, identificar o misterioso “papá” (ou “papa”). TIA – Thanks in Advance. Teh jah.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Procura-se dirigente de futebol para relacionamento sério!

Procura-se conspirador inveterado, fervoroso e com experiência golpista em movimentos revolucionários semelhante à de Machado Santos , teimoso e com o espírito combativo e a irreflectida coragem do Cavaleiro Negro dos Monty Python, tenaz e com a imoderada capacidade de resistência a pratos gourmet de Mahatma Gandhi.

Objectivo – Depor a Monarquia Liberal instalada no Reino de Alvalade, instaurando a República ou outra coisa qualquer e trocando o código de barras dos torniquetes do Estádio para evitar o regresso dos Vis Condes.

Requisitos Preferenciais - Aptidão e experiência comprovada na utilização dos seguintes métodos de desobediência civil:

- Greve de fome, recusando os petiscos e beberetes dos Camarotes VIP da Corte Leonina, ou, pelo menos, resistindo aos pimentos de Padrón ("unos pican y otros non") até o Monarca borregar;

- Greve sempre em pé, assistindo aos jogos da equipa de futebol de pé e sem beber café, não adormecendo, nem arredando pé, até que o Monarca saia pelo próprio pé;

- Parar em frente à porta 10-A e gritar a plenos pulmões a palavra “Forever” até o Monarca abdicar;

- Manifestações e marchas, levantando bem alto cartazes com fotografias do Tenente- Catástrofe Frank Drebin (sósia do Monarca) e clamando “Onde é que pára a Polícia?”, ou, em alternativa, “Querida, Encolhi o Clube…”;

- Em situações desesperadas, telefonar ao Monarca e aos membros da Corte Leonina e entoar o prelúdio nº 4 da op. 28 de Chopin - se mais nada resultar, cantar-lhes, então, afinadamente, o “Deixei tudo por ele, deixei, deixei, Deixei de ir ao cinema, deixei de ir ao futebol, Deixei de ir à praia, deixei de ver o sol...”.

O prelúdio do fim



O prelúdio nº4 da op.28 de Chopin é uma das peças mais tristes que me foi dado ouvir. Quem é que não se consegue emocionar com ela? Vêm-nos à cabeça todas as imagens do passado. Mas vêm-nos com uma sensação de perda. Vêm-nos como um caminho para o fim.

Este foi o meu estado de espírito ontem, depois do jogo com o Beira-Mar. A sensação de uma completa e absoluta perda. A sensação de caminharmos num plano cada vez mais inclinado.

Quando é que tudo isto começou? Quando é que tudo isto começou a acabar? Não foi ontem. Ontem foi quando vimos o fim. Não foi quando contratámos aquele rapaz que passa por nosso treinador. É uma irrelevância e, como irrelevância que é, mais cedo do que mais tarde será despedido. Não foi quando saiu o Paulo Bento. Muito menos com a entrada dele. Ele prolongou o “requiem”, mas a cerimónia estava em marcha.

Quando é que nos conformámos? Quando é que desistimos? Quando é que aceitámos o fim?

domingo, 3 de outubro de 2010

O fabuloso fado do Benfica: Um exemplo de “Jornalismo Positivo” …

- “Fábio Fabuloso: Benfica vence com grande golo e excelente exibição do extremo” (A Bola, 26/9/10);
- “Benfica guarda jóias: Coentrão renova até 2016 e seguem-se David Luiz e Luisão” (A Bola, 28/9/10);
- “Há sempre uma primeira vez -Benfica nunca venceu na Alemanha mas Jorge Jesus ainda sonha: Estamos ao nível dos melhores” (A Bola, 29/9/10);
- “Kardec – A Nova Ameaça: Avançado é aposta forte de Jesus e deixa Sporting de Braga em sentido” (A Bola, 1/10/10);
- “A melhor dos últimos 30 anos : Cardozo tem a média de golos mais alta” (Record, 21/9/10);
- “Reyes sonha voltar à Luz (Record, 23/9/10);
- “Mourinho lembra estreia: Benfica é gigante” (Record, 21/9/10);
- “Jesus pensa em grande: Tenho direito a sonhar” (Record, 29/9/10)“;
- “Faz hoje 50 anos que as Águias arrancaram para a conquista da 1ª Taça dos Campeões” (Record, 29/9/10);
- “A hora do tango: Encarnados querem chegar hoje ao segundo lugar” (Record, 3/10/2010).

Estes são apenas alguns dos títulos principais mais recentes das capas dos jornais desportivos “A Bola” e “Record” dedicados ao actual… sétimo classificado da Liga Sagres e penúltimo colocado do Grupo B da Liga dos Campeões.

“Trata-se de bons exemplos do que é hoje designado por Jornalismo Positivo” – afirmaram os Directores daqueles diários desportivos lisboetas ao ILdL. Inspirados nos métodos mais tradicionais de propaganda, aqueles responsáveis identificam a simplificação como o seu eixo central de actuação: “Adoptar uma única ideia, um único símbolo – tudo o que vem do Benfica é bom. A partir desse dogma central, toda a propaganda gerada, perdão, todo o Jornalismo Positivo deve procurar ser popular, adaptando o seu nível ao menos instruído dos indivíduos aos quais se dirige. A capacidade receptiva da massa popular é limitada, a sua compreensão escassa e tem tendência a esquecer tudo com grande facilidade. Quanto maior a massa de população a convencer, menor será, então, o esforço mental a realizar. Estes são, pois, os princípios fundamentais deste nosso novo conceito de Jornalismo Positivo”.

“Mesmo quando o Benfica perde (vade retro, longe vá o agouro, toc, toc, toc – benzem-se os Directores), em vez de enfatizarmos os aspectos negativos da exibição encarnada, optamos por títulos lamechas do tipo “Triste Despertar” ou “Huntelaar trai Jesus: Treinador encarnado bem o queria no Verão” (A Bola e Record, respectivamente, após a derrota contra o Shalke). Ou, ainda, quando algum jogador do Glorioso se lesiona, procuramos ver a coisa sempre pelo lado positivo para continuar a mobilizar a massa adepta benfiquista. Por exemplo, n`”A Bola”, referimos na sexta-feira que “Cardozo pára apenas 3 semanas” e, logo no dia seguinte, colocamos como título de página inteira “Kardec – A Nova Ameaça: Avançado é aposta forte de Jesus e deixa Sporting de Braga em sentido”, informando ainda que Felipe, o guardião bracarense, já se deu mal em jogos anteriores contra o novel portento benfiquista”.

Segundo apurou o ILdL, este novo conceito de Jornalismo Positivo, desde sempre favorável ao Benfica no ADN d`”A Bola” e, mais recente, no caso do próprio Record, está a gerar grande preocupação nos principais editores do Jornal “O Benfica”. “Isto é concorrência desleal! – afirmou à nossa reportagem um dos responsáveis pelo Jornal da simpática agremiação de Carnide. “Temos muitas dificuldades em entrar no mercado, porque, infelizmente, os nossos jornalistas apenas conseguem atingir o grau 7 da Escala de “Barbas” de facciosismo benfiquista. “ Os jornalistas do Record já alcançam frequentemente o nível 8 e os d`”A Bola” chegam quase sempre ao patamar máximo”.

“Aliás, comparado com os jornalistas d`”A Bola”, o “Taxista Zé Manel” parece um lagarto dos sete costados” – refere, abespinhado, o mesmo responsável. “Por exemplo, o Aurélio Márcio d`”A Bola” chegou, inclusivamente, há uns bons anos atrás, a zurzir duramente o Jornal “O Benfica” por este se ter atrevido a lançar uma ou outra crítica velada à exibição encarnada após um jogo menos bem sucedido (salvo erro, derrota na Luz contra o Boavista), dizendo que tais referências negativas iriam contribuir para desestabilizar a equipa em vésperas de um confronto decisivo com a Roma numa pré-eliminatória da Taça dos Campeões Europeus” (n.d.r – OK, agora, caros leitores, por favor, verifiquem se estão bem sentados da cadeira: esta última parte é mesmo verdadeira…).

Entretanto, o IldL sabe que, pelo contrário, o Kremlin - que recentemente impôs normas que obrigam a rádio a divulgar pelo menos 50% de notícias positivas sobre a Rússia - está a acompanhar com grande interesse esta experiência da imprensa desportiva lisboeta. “Trata-se, na verdade, de uma boa prática de Jornalismo Positivo” – confirmou um alto responsável russo. “O modelo do Pravda encontra-se ultrapassado e estamos neste momento a envidar esforços no sentido de podermos vir a contar com Vítor Serpa, Alexandre Pais, ou Leonor Pinhão para, com todo o seu know how, ajudarem a transferir este excelente modelo de Jornalismo Positivo para a nossa Comunicação Social. Estamos convencidos que, com o seu apoio, o fanatismo, tornar-se-á, cada vez mais, o desporto da ignorância” – concluiu.

O Reinado de Bettencourt I e os Últimos Anos da Monarquia Portuguesa: Descubra as Diferenças

“O aspecto mais imediatamente visível do apodrecimento do sistema liberal monárquico nesses últimos 20 anos talvez fosse o da sua progressiva ingovernabilidade, o do crescente impasse das instituições. A “oligarquização” do sistema e os seus efeitos geravam o desprestígio da instituição monárquica, do rei, dos seus “aúlicos” e do pessoal político do regime, não só entre os grupos sociais dele excluídos, mas, também, de forma crescente, entre as “forças vivas”, os grupos dominantes. (…)

O Estado monárquico e a dinastia não demonstraram a capacidade de neutralizar o perigo republicano “caçando no seu campo”, isto, é, ensaiando uma auto-reforma do sistema, nem encontraram na sua base natural e normal de apoio, entre as classes possidentes, qualquer disposição efectiva de defender o statu quo. Também para elas, nas novas condições, aquela Monarquia liberal, instável e ineficiente não servia. Sem apoiarem explicitamente a conspiração republicana, as “forças vivas” vão seguramente deixar cair a Monarquia. Mais do que derrotada pela revolução lisboeta do "5 de Outubro”, a Monarquia vai render-se, à primeira oportunidade, na capital e nos arredores, entregando-se sem sequer esboçar a luta, por simples informação telegráfica, no resto do País. A fórmula monárquica do liberalismo esgotara-se”.

Fonte: História da República Portuguesa, 2009, Fernando Rosas

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Temos pinheiro!

Ganhámos e por 5-0. O nosso treinador estava esfusiante (após o terceiro golo até dava orientações para o campo). Estava perfeitamente convicto que aquilo é que era um 4-3-3 que se visse. Quais 4-4-2 clássico, 4-4-2 losango, 4-2-3-1, qual carapuça. O que estávamos era a precisar de um 4-3-3 com o Postiga a ponta de lança.

O Postiga jogou como quem diz: “se querem um pinheiro, então, aqui estou eu”; o que me fez lembrar uma antiga história do Sporting com o clube da minha terra, o Académico de Viseu. Corria a época de 1980-81, quando o Académico de Viseu, depois de despedir o treinador, foi jogar a Alvalade. Nesse jogo quem assumiu as funções de treinador foi o preparador físico, Idalino de Almeida. O Académico de Viseu ganhou por 1 a 0, com golo de Águas, um pequenote mas habilidoso extremo direito (hoje, Dr. Carlos Marta, Presidente da Câmara de Tondela).

Na euforia que se seguiu ao final do jogo, Idalino de Almeida, passeando em pleno relvado às cavalitas do Presidente do Académico de Viseu, o bem conhecido “Quim dos Colchões”, gritava: ”se precisam de um treinador, então, aqui estou eu”. Esta frase apareceu, ao outro dia, como título de “A Bola”.

É verdade que a história não acaba bem. Logo no jogo a seguir, em casa (no Estádio do Fontelo), o Académico de Viseu perdeu com o Belenenses por 2-1. O Belenenses tinha acabado de contratar um avançado brasileiro, cujo nome (Peribaldo) jamais posso esquecer, que no primeiro chuto que fez no campeonato (e, portanto, nesse jogo) marcou golo. O Idalino de Almeida foi despedido.

Estas histórias nunca têm um final feliz.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jogar de smoking

Para grandes males grandes remédios. Se os mercados querem sangue nós damos-lhes sangue. Face ao pior arranque de sempre do campeonato, a nossa direcção não perdeu tempo a tomar decisões. Podiam ter comprado o pinheiro que nos faz falta. Podiam despedir o treinador e contratar outro. Podiam demitir-se. Mas isso não era ir à raiz do problema.

A directiva interna do Conselho Directivo não deixa dúvidas. Todos os funcionários têm que ter uma “imagem profissional, dentro do parâmetros habituais de higiene e de vestuário adequado, questão que tem um impacto importante na representação e imagem do próprio clube”. Para além de estarem proibidos de cheirar mal, os funcionários não podem usar “calças de ganga, calções, bermudas, ténis, chinelos desportivos e havaianas, assim como apresentarem-se com piercings e tatuagens”.

Esperemos que esta medida não venha a ser contraproducente. Não tendo muitos dos nossos jogadores grande jeito para a bola, aconselhava-se o recurso ao fato-macaco e não, propriamente, ao smoking.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Acabou a paciência

Este ano, ainda não fizemos um jogo em condições. A tragédia foi-se transformando em farsa.

Ninguém percebe rigorosamente nada do que se passa em campo. No ataque, hoje começaram por jogar uns e acabaram outros. Ao intervalo, saíram dois. Fica-se com a sensação que aquilo é tudo fruto do momento, do acaso. Nada está pensado.

O único avançado decente é o Vukcevic. Mas raramente joga. A imprensa não gosta. É um jogador individualista, dizem uns. Não é bom companheiro, dizem outros. Ninguém diz o óbvio: é o único no ataque que cria lances de perigo e o resto é conversa.

Em vez dele, temos com frequência o Postiga, que se arrisca a ser um dos avançados mais ridículos do Mundo. Hoje gramámo-lo 90 minutos em campo.

Quanto tempo vai demorar isto a terminar?

Segue dentro de momentos...

As inevitáveis falhas técnicas de mais um ensaio experimental e pioneiro de Paulo Sérgio não espantaram ninguém. Afinal, tudo aquilo estava a acontecer ali mesmo, sem rede, ao vivo e em directo, e era perfeitamente natural que tal sucedesse. No final, o habitual: pedimos desculpa por este programa, a interrupção... segue dentro de momentos. E o problema técnico, também…

sábado, 25 de setembro de 2010

Se não puderes ajudar…

Recorda Javier Marías, no seu “Selvagens e Sentimentais – Histórias de Futebol” que “antigamente, chutar, o que se chama chutar, todos sabiam fazer, desde o 2 até ao 11. Uns melhor e outros pior, mas todos decentemente quando a ocasião o impunha. Em certo sentido era a base prévia ao básico do jogo. Até no recreio do colégio: alguém que atirasse a bola sempre por cima da rede – uma bola era cara – simplesmente não jogava". Esta absurda evolução recente que faz com que equipas e jogadores não saibam chutar "só pode dever-se a uma coisa: a que os treinadores limitam já tanto as funções e a especialização de cada jogador [desde muito novos] que não vêem inconveniente em que seis ou sete não façam a menor ideia do que é atirar à baliza”.

Nos avançados saber chutar é, por maioria de razão, quase… tudo. Reza a lenda (Caretas do Sporting, 2007) que, na estreia de Peyroteu pelo Sporting, o treinador Szabo chamou-o à parte e disse-lhe “Não esquecer principal papel avançado-centro, caréga Maria!”. No requintado dialecto do húngaro, “caréga Maria” significava marcar golos. E Peyroteu carregou. Marcou dois dos cinco golos da vitória leonina sobre o Benfica (5-3) nessa primeira tarde de glória nas Salésias. E, depois, continuou a carregar. 635 golos em 393 jogos...

Hoje, os tempos são outros. Nestes dias de tempestade, Paulo Sérgio (neste caso, mais vítima do que réu), a 15 minutos de mais um dramático final de jogo, decide, desesperado, lançar mais um avançado: “Tenho que fazer qualquer coisa! Ora, bolas, dum lado chove, doutro faz vento.” – pensa, enquanto sorteia quem, de entre Postiga, Djaló ou Saleiro, irá, de seguida, fazer entrar em campo.

Lembrando as suas raízes alentejanas, toma, então, a decisão: “Calhando, vinagre no deserto, é vinho de três anos. Vá lá, Postiga, desta vez, saiu-te a ti! Pranta-te pronto, tu vais resolver isto! És manilha para isso! Força, salta pró terreiro e vê lá se t´aguentas nos calções. E, se não puderes ajudar, atrapalha. O que importa é participar!”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Irritação


Neste momento, o que mais me irrita é que exibições como a do Sporting contra o Benfica já não me irritem. Mal começo a ver o jogo já sei como tudo vai acabar.

O Benfica, perdidos o Di Maria e o Ramires, tem um meio campo e um ataque a diesel. Mesmo a jogar devagar, a maior parte deles não aguenta mais do que uma hora de jogo. Escapa o Coentrão, que é um grande jogador e joga a outro ritmo.

Mesmo assim, o Sporting deixou-se pressionar. Por jogadores tão rápidos e agressivos como o Cardoso, o Carlos Martins, o Aimar e o Saviola.

Depois continuamos um grupo de bons rapazes. O Cardoso ganhou em falta (umas marcadas, outras não) uma série de bolas ao Nuno André Coelho (NAC). No segundo golo assim foi (nesse golo acumulam-se duas faltas, a que foi feita sobre o NAC e o ajeitar da bola com o braço). Ninguém está à espera que na Luz os árbitros marquem esse tipo de faltas. O que se está à espera é que o central explique da forma mais pedagógica possível ao Cardoso que não pode ganhar as bolas saltando de braços abertos, à cotovelada (o Tonel, não sendo um excepcional central, teria explicado, como sempre, isso muito bem ao Cardoso).

Por fim, sobra sempre o nosso “fair play”. Vários foras de jogo mal assinalados, um golo irregular, uma entrada do Xavi Garcia a matar (por muito menos, o João Pereira foi expulso em Alvalade), a expulsão perdoada ao Ruben Amorim e, nós, nada. Por muito menos do que isto, o Benfica faria mais uma reunião dos órgãos sociais para decretarem o boicote ao Campeonato e as televisões passariam de meia em meia hora durante uma semana, pelo menos, o golo irregular, com os comentários do João Querido Manha ou assim.

Façam qualquer coisa. Irritem-se, pelo menos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Jesus, 2 - Escuteiros de Alvalade, 0

Oração do Escuta

Senhor Jesus
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-Vos como Vós o mereceis,
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso,
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade santa,

Ámen


Cortês, leal, amiga do seu amigo, obediente, económica, pura no pensamento, na palavra e na acção. Sorri e assobia (para o ar) perante todas as adversidades. O seu dever é ajudar sempre o próximo (adversário). Do Presidente, ao Treinador, aos jogadores, tudo gente delicada, respeitadora e aprumada em quem podemos confiar! Em campo, parecem gentlemans da Linha. Apenas o Maniche, o João Pereira e o Liedson destoam aqui e ali. Compreendo melhor, agora, a saída do bad boy Tonel. Sporting 2010/2011, uma verdadeira equipa de escuteiros, sempre alerta para servir... de cordeiros!

domingo, 19 de setembro de 2010

O Professor: Último Acto: Plus Ultra, adaptado de “O Alienista”, de Machado de Assis

Um belo dia, contudo, para surpresa geral, o Professor anunciou que todos os pacientes internados na Casa do Futebol se encontravam curados e poderiam, portanto, ser libertados.

Se imaginais que o Professor ficou radiante ao ver sair o último hóspede da Casa, mostrais que com isso não conheceis o nosso homem. Plus Ultra! Era a sua divisa. Não ficou alegre, ficou preocupado, cognitivo: alguma coisa lhe dizia que a teoria nova que tinha vindo a desenvolver tinha, em si mesma, outra e novíssima teoria.

Vejamos – pensava ele: - vejamos se chego enfim à última verdade. Sim, há-de ser isso! I've gotta feeling – Woohoo!

O Professor encontrou, então, em si as características do perfeito equilíbrio mental e moral; pareceu-lhe que possuía a sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades, enfim, que podem formar um acabado mentecapto. Duvidou logo, é certo, e chegou mesmo a concluir que era uma ilusão; mas, sendo homem prudente, resolveu convocar um painel de amigos, integrado por Rui Santos, Pinto da Costa, Dias Ferreira, Seara e ainda pelo seu habitual séquito de 50 adjuntos, a quem interrogou com franqueza. A opinião foi afirmativa.

- Nenhum defeito?

- Nenhum – disse em coro o painel.

- Nenhum vício?

- Nada.

- Tudo perfeito?

- Tudo.

- Não, impossível – bradou o Professor – digo que não sinto em mim esta superioridade que acabo de ver definir com tanta magnificência. A simpatia é que vos faz falar. A verdade é que ainda hoje me persigo por aquelas substituições do Paulo Torres no 3-6 contra o Benfica e do Hugo Almeida no Mundial contra Espanha. Não percebo ainda hoje porque convoquei dois defesas direitos de raiz para o Mundial e, depois, coloquei a jogar como titular naquela posição um… mau central. Penalizo-me ainda hoje por não ter levado o Moutinho ao Mundial, quando o rapaz era o único totalista das minhas convocatórias até essa altura. Pergunto-me ainda hoje se, enquanto Treinador de Selecções jovens ou Adjunto de Equipas Profissionais, não terei atingido o limiar de incompetência do princípio de Peter? Aaah, sim, e há também aquela sentença em forma de questão que ainda hoje atormenta as minhas noites de insónia: “Porque perdemos? Perguntem ao Professor”. Não, meus amigos, estudo-me e nada acho que justifique os excessos da vossa bondade.

O painel insistiu; o Professor resistiu; finalmente, Seara, com ar de sacristão, explicou tudo com este conceito digno de um observador: Sabe a razão por que não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos admiramos? É porque tem ainda uma qualidade que realça as outras: a modéstia.

Era decisivo. O Professor, curvou a cabeça juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Acto contínuo, recolheu-se à Casa do Futebol. Em vão os amigos insistiram que ficasse, que estava perfeitamente são e equilibrado; nem rogos, nem sugestões, nem lágrimas o detiveram um só instante. - A questão é científica – dizia ele; - trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática. Fechada a porta da Casa, o Professor entregou-se, então, até ao fim dos seus dias, ao estudo e à cura de si mesmo.

O Professor: Segundo Acto: A Casa do Futebol, adaptado de “O Alienista”, de Machado de Assis

Regressado a Portugal e sustentado pela fama que o precedia, o Professor decidiu, então, concretizar o seu maior sonho, fundando a Casa do Futebol, em Lisboa, no antigo edifício do Hospital Júlio de Matos. Com o apoio do Governo, o Professor internava compulsivamente na Casa todos aqueles que entendia que não possuíam rudimentos mínimos do fenómeno futebolístico, submetendo-os a um vasto programa de testes e tratamentos até que alcançassem o estádio superior do conhecimento científico do futebol.

De início, começou por proceder ao internamento de casos mais evidentes e consensuais, como Luís Campos ou Carlos Azenha. Seguiram-se, sem surpresa, Querido Manha e Joaquim Rita. Rui Santos, o querido amigo de longa data do Professor, também não escapou: ainda balbuciou qualquer coisa do tipo “ai, ai, ai, isso agora é que não pode ser”, mas lá teve que se resignar ao internamento ante o douto parecer do Professor. Paulo Sérgio, Carvalhal e Freitas Lobo queriam, eles próprios, por sua iniciativa, dar entrada na Casa do Futebol e, depois de várias tentativas, lá conseguiram. Pelo contrário, Bettencourt, Filipe Vieira e Vale e Azevedo tentaram, numa primeira fase, protestar, mas acabaram por ser, também eles, internados (embora Vale e Azevedo tivesse, depois, conseguido interpor uma providência cautelar e… escapulir sorrateiramente pela porta dos “fundos”). Quando chegou a vez de Fernando Santos, o povo simples do futebol começou a interrogar-se: o Professor, estudioso e meticuloso como era, lá devia ter as suas razões, mas, que diabo, mesmo com todas as ajudas alheias, a verdade é que, na “ralidade”, o Fernando Santos era …o Engenheiro do Penta!

Gerou-se uma pequena tempestade na comunicação social desportiva em Portugal. O Professor, sempre arguto, convocou uma conferência de imprensa: “Direi pouco, ou até não direi nada, se for preciso. O futebol é, meus senhores, uma coisa séria e merece ser tratada com seriedade. Não dou razão dos meus actos de Treinador a ninguém, salvo aos mestres e a Deus. Se quereis emendar a administração da Casa do Futebol, estou pronto a ouvir-vos; mas se exigis que me negue a mim mesmo, não ganhareis nada. Podia convidar alguns de vós a vir ver comigo os hóspedes da Casa; mas não o faço, porque isso seria dar-vos razão do meu sistema, o que não farei a leigos, nem a rebeldes”. Ante os argumentos de autoridade exibidos pelo Professor, a Comunicação Social ficou convencida e dispersou.

O internamento de novos pacientes continuou – Hugo Gilberto, Pôncio, Dias Ferreira e Seara foram os senhores que se seguiram. Surpreendentemente, porém, passados uns dias, o Professor anunciou a libertação de todos os hóspedes da Casa do Futebol, assumindo, com humildade, o seu erro: de acordo com as conclusões irrefutáveis dos estudos minuciosos que tinha vindo a desenvolver sobre os hóspedes da Casa (na altura, já cerca de seis milhões e pico de reclusos), deveria ser nela internado, afinal, quem tivesse sólidos conhecimentos científicos do futebol e não o contrário.

A população rejubilou com esta decisão do Professor, a comunicação social acolheu-a também de bom grado e a tranquilidade regressou, pois, ao Reino do futebol. Porém, algum tempo depois, começaram a ser internados António Tadeia, depois, Jorge Jesus e, de seguida, Paulo Bento. E, logo… surpresa geral, Pinto da Costa. Uns dias depois, Sir Ferguson (que tinha vindo a Portugal para pedir ao Professor que devolvesse os seus pinos de treino favoritos dos tempos de Manchester), também teve a mesma sorte. Mais tarde, escândalo internacional, nem… Big Mou escapou ao internamento!

Face a uma enorme manifestação de protesto convocada para a Casa do Futebol, o Professor teve, então, que enfrentar corajosamente a rude populaça, expressando os seus pontos de vista com a habitual elegância e tranquilidade: Vocês são pessoas que ou não sabem ler ou, a partir de determinada hora, não sabem o que dizem. E, tu, pá, que queres, és grande, mas não és lá grande coisa! Oh, seus grandessíssimos &#### $$ ####, por que é que não vão protestar para a #$%# ## ###?!? E tu, pá, queres dois socos, é?!? . A populaça não esperava uma oração de sapiência tão telúrica e abrasiva por parte do Professor – alguns comentaram mesmo que as suas citações estavam a evoluir - e, também ela convencida pelo seu imenso talento, dispersou.

O Professor pôde, então, prosseguir sossegadamente a sua demanda do Santo Graal do conhecimento futebolístico, aprofundando os exames sobre os pacientes, através de vastos inquéritos ao passado e ao presente, aplicando-lhes, de seguida, o método terapêutico mais adequado. Como comentou na altura o sempre respeitado Gabriel Alves, a força da técnica havia, uma vez mais, levado a melhor sobre a técnica da força.

To be continued… Não perca, por volta das 12 horas da manhã, no seu ILdL, o Último Acto de “O Professor: Plus Ultra”

sábado, 18 de setembro de 2010

O Professor: Primeiro Acto: Um Imenso Talento, adaptado de “O Alienista”, de Machado de Assis

O Professor, tal como o Pacheco do Eça, era um ser superior, cujo espírito brilhante, ele mantinha, por opção própria, cuidadosamente ocultado e resguardado de tudo e todos, ficando quase sempre calado, recolhido, nas suas profundidades. Nascido nos ninhos de incubação das Universidades, o Professor dedicou-se, logo desde que lhe começaram a crescer os primeiros pêlos do bigode, ao exigente estudo científico do fenómeno futebolístico. Rapidamente, porém, ganhou asas e voou para o estrelato, ao produzir um conjunto de máximas futebolísticas tão originais e profundas como “o futebol tem de ser arte”, ou “o maestro [ele próprio, o Professor, naturalmente] fará funcionar bem a orquestra”, ou, ainda, “o melhor futebol do mundo tem de ser com os melhores jogadores do mundo”. O semi-sorriso enigmático e condescendente, a sábia gestão dos silêncios, ou o seu ar ausente ou de enfado quando tinha que justificar quaisquer opções tácticas perante o povo ignaro do futebol não enganava: estávamos perante um Treinador com imenso talento.

Era, também, sem dúvida, um gentleman: a forma sempre educada e cordial como nas conferências de imprensa e após resultados menos sucedidos dizia que “não acho que se deva discutir táctica entre treinadores e jornalistas” era manifesta evidência disso. A atitude frontal e corajosa como assumia as suas responsabilidades em momentos particularmente difíceis era, aliás, lendária: frases como “é preciso limpar a porcaria da Federação”, ou “herdei um Ferrari sem rodas no Real Madrid”, ou, ainda, “estava no lugar errado na hora errada” outra vez na Selecção Nacional, foram, entretanto, adoptadas como paradigmas de liderança em escolas de gestão internacionais tão prestigiadas como Harvard ou o MIT - Massachusetts Institute of Technology.

Apesar de ter sido sempre muito infeliz (enquanto Treinador de futebol profissional, bem entendido) em quatro dos cinco Continentes, o reconhecimento generalizado do seu imenso talento fazia com que ninguém se surpreendesse por a sua cotação permanecer, ainda assim, "em alta". Muito infeliz, é certo, nos resultados desportivos, o Professor era, porém, muito feliz nos resultados financeiros - como dizia o brasileiro Isaías a propósito das vultuosas indemnizações contratuais dos Treinadores despedidos (nesse caso, Artur Jorge), “o Professôo faz contrato por treis ano e recebe em treis meises…”. O Professor era, pois, um Treinador pobre em títulos, mas rico em ouro. Fiel seguidor de Samuel Becket, ele acreditava, piamente, na sua máxima: “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor”.

To be continued… Não perca, hoje, pelas 24 horas no seu ILdL o Segundo Acto de “O Professor: A Casa do Futebol”

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

É a táctica, estúpido!

Saio mais cedo do trabalho. Dirijo-me à pastelaria da esquina para ver o jogo do Sporting. Encontro lá dois colegas a lanchar. Um é sportinguista, o outro é benfiquista. Olho para a televisão. Descubro, com surpresa, que estamos a ganhar um a zero.

Pergunto como é isso possível. O benfiquista, chocarreiro, diz que foi um golo aos repelões. Perdoo-lhe, como eles perdoaram ao Cardoso. Vejo a repetição do golo com o meu amigo sportinguista. Verificamos, como todo o rigor analítico, que se o André Santos quis fazer o que fez, então, o golo é uma jogada de manual. Mais, uma jogada de manual com intervenção do Abel (o que é, parecendo que não, uma contradição).

O jogo vai decorrendo morno. Até que o Torsiglieri avança determinado pela esquerda. Finta um adversário para dentro. Tabela com um colega, vai buscar a bola mais à frente e vira o jogo de flanco para o Vukcevic. Grito: “onde é que andava este homem?!”. O ânimo esmorece quando a bola vai para o Abel, que se desmarca pela direita. “Agora é que isto não dá em nada”, digo eu. Sai um cruzamento perfeito. Alguém salta, cabeceia e …. é golo. Ninguém percebe quem marcou. “Foi o Torsiglieri”, avanço eu. Vários jogadores se abraçam. Parece que todos estão a abraçar o Postiga. Eu e os meus dois amigos não queremos acreditar: o Postiga marcou um golo. O Postiga descobriu, dentro de si, o seu outro eu, o seu “alter ego” (pelo jeito, deve ser o Jardel).

A segunda parte não nos proporciona outra epifania. Para tornar o jogo mais emocionante, o Tiago dá um frango. Acabamos o jogo a defender de dentes cerrados, com quatro centrais, dois laterais direitos e um esquerdo e dois trincos (o Postiga permaneceu em campo para os do Lille continuarem a ter medo de nós).

Ganhámos. O nosso treinador afirma que não há um Sporting para consumo externo diferente do que joga na Liga. Está contente. Aquilo tem o dedinho dele e ele sabe que nós sabemos. Sorri como quem diz: “é a táctica”.

domingo, 12 de setembro de 2010

Onde pára o Carvalhal?

Levo a minha filha a uma festa de anos no shopping. Descubro que já não tenho tempo de regressar a casa para ver o jogo. Sento-me e vejo a primeira parte na praça da alimentação. Nada acontece do lado do Sporting. Anulam (mal) um golo ao Olhanense.

Ao intervalo, regresso a casa. Mantenho uma réstia de esperança. Não entro em casa. Dirijo-me ao café da esquina para ver a segunda parte. Aos sessenta minutos, com a entrada do Vukcevic, parece que ainda queremos fazer alguma coisa. Tudo se desvanece com uma perdida do incontornável Saleiro. Depois da tragédia, falta a parte da farsa, isto é, falta a entrada do Postiga.

Acaba o jogo. Tento lembrar-me de uma jogada, de um remate, de uma imagem, de qualquer coisas que me faça acreditar para a próxima. Nada me ocorre.

Como me parecia, este ano, com o Guimarães de Manuel Machado, o quarto lugar não são favas contadas. Quem será o Carvalhal que se segue? Quanto tempo vai demorar a chegar?

sábado, 11 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Risco de ausência no Euro 2012 origina corte no “rating”: Moody’s ameaça colocar Selecção Nacional no “Junk Bond”!

A agência de notação financeira Moody’s, de acordo relatório citado pela Reuters, decidiu, ontem, cortar no nível de “rating” da selecção portuguesa, por entender que, a médio prazo, esta vai continuar «com pouca força», tal como evidencia a “deterioração da defesa nacional” e o “escasso nível de performance ofensiva”. De qualquer forma, a principal razão que terá estado na origem deste súbito corte no “rating” da selecção nacional residiu em dois “default“ consecutivos que fizeram disparar o nível de risco de eliminação da fase final do Euro2012. Para a Moody`s as perspectivas de evolução da selecção nacional vão continuar a ser negativas. E só a médio ou longo prazo se poderão sentir os efeitos das aguardadas medidas positivas da Federação, envolvendo, nomeadamente, o desenvolvimento de um processo de “downsizing” e a consequente colocação em situação de “layoff”do actual, aliás, do recém - suspenso, perdão, do ex- ou futuro ex-seleccionador nacional, enfim, haa, hum, sim, esse mesmo, o Professor.

Este corte no “rating” é, assim, o culminar dos alertas feitos pela casa de notação financeira desde a fase final do Mundial da África do Sul. Na altura, a Moody`s exigia mais pormenores sobre o Plano Estratégico “Queiroz” (PEQ) 2010-2012 para definir a sua classificação. Mesmo com estas previsões pouco optimistas para o curto prazo, o Prof. Cantigas, reputado analista de risco, disse à Lusa acreditar no objectivo português de redução do défice de pontos para o primeiro classificado no Grupo H de Apuramento para o Euro 2012, mas alerta que a falta de consolidação do processo defensivo e a ausência de reformas estruturais no modelo de jogo vão limitar o crescimento da selecção nacional. Dada a necessidade de manter uma rígida estratégia defensiva nos próximos jogos, os riscos para o crescimento do nível de performance ofensiva estão claramente do lado negativo", afirmou aquele especialista.

Neste contexto, o Prof. Cantigas defende "cortes de 10% a 20% no número de jogadores das “quinas” em campo, por forma a criar maiores probabilidades de gerar uma melhoria duradoura na defesa nacional e, de seguida, uma melhor performance ofensiva”. Aquele perito, admitiu, no entanto, que, a menos que o activo Cristiano Ronaldo consiga recuperar rapidamente a sua capacidade goleadora em situações de um contra quatro, o endurecimento das estratégias defensivas levará a um menor crescimento da performance ofensiva de curto prazo, pior ainda do que aquele que tem vindo a ser assumido até agora.

O relatório bi-anual, em que a Moody’s, explica as decisões tomadas nos últimos seis meses ao nível dos "ratings", sublinha, por fim, que os ajustamentos tácticos da era pós -Queiroz serão "difíceis e dolorosos" e menciona Portugal como uma das selecções que mais devem sofrer para poderem vir a estar presentes na fase de apuramento do Euro 2012. A agência aponta que "nos próximos seis a nove meses, pelo menos, o impacto no crescimento da equipa nacional será provavelmente negativo (...). De qualquer forma e apesar de entender que a incerteza na recuperação da selecção portuguesa é maior que em situações anteriores, a Moody's considera "encorajadoras" as medidas que têm vindo a ser ponderadas pela Federação Portuguesa no sentido de proceder a um ajustamento estrutural no comando da selecção nacional. A agência acredita mesmo que, caso Paulo Bento assuma o comando da selecção nacional, Portugal irá adoptar medidas adicionais de contenção defensiva já em 2011, para cumprir as metas pontuais. De acordo com o referido relatório, «Existe uma forte pressão sob a selecção portuguesa para que esta consiga atingir os objectivos fixados para 2011 e, nesse sentido, acreditamos que serão apresentadas novas medidas estruturais que farão evoluir favoravelmente o modelo de jogo para um losango já nos próximos jogos da actual fase de apuramento».

domingo, 5 de setembro de 2010

Momentos Únicos: “Bala”, o “Quatro Estrelas” Genial!



Em Dezembro de 1990, Sousa Cintra, sempre genuíno, anuncia que pretende contratar mais um ponta de lança, nas suas palavras simples, um “quatro estrelas para ser suplente de... Fernando Gomes”, ex-capitão do FC Porto, então a actuar no Sporting.

Perante a desconfiança geral, lá apareceu mais um búlgaro, vindo de um clube com o “promissor” nome de Etar Tarnovo. Porém, afinal, nem era ponta de lança, nem era quatro estrelas. Era, simplesmente, Krassimir Balakov, porventura, o futebolista mais genial que tive o prazer de ver actuar ao vivo no Sporting Clube de Portugal.

“Bala” nunca foi campeão com a camisola do Sporting (apenas ganhou uma Taça de Portugal no seu jogo de despedida), apesar de ter jogado em equipas inesquecíveis, onde actuavam, por exemplo, Luís Figo, Paulo Sousa, Capucho, Cherbakov, Juskowiak, Naybet, Stan Valckx, ou Marco Aurélio.

Há, claro, diversas razões para essa equipa notável não ter sido campeã. Vivia-se, então, a época dourada dos “chitos do sistema”, onde, como chegou a afirmar publicamente o insuspeito José Silvano, ex-árbitro de Vila Real, Alvalade era o estádio português mais fácil para um árbitro dirigir um jogo de futebol, devido à grande distância existente entre o relvado e o público… O dirigismo ao nível federativo, também não ajudava: quem não se lembra da decisão da justiça desportiva portuguesa – posteriormente anulada pela UEFA - de repetir um Benfica – Sporting que os leões haviam vencido por 2-1 (aliás, com um extraordinário golo de Balakov) – sim, essa mesmo, a célebre “Taça Jesus Costa”, assim baptizada por Luís Figo no seu jogo de despedida do Sporting? Carlos Queiroz, que iniciou nessa fase a sua “brilhante” carreira como responsável máximo nos escalões séniores do futebol profissional (recheada de insucessos "épicos", de fartas megalomanias e de... lautas indemnizações), é outra das explicações para essa quase ausência de títulos, chegando a protagonizar diversas “ciumeiras” públicas com Balakov, pois, na sua douta concepção, apenas poderia haver uma única prima dona no Sporting: ele próprio, o Professor. Por fim, Sousa Cintra que, ao ver ruir a sua Presidência e, tanto quanto me recordo, para recuperar algum dinheiro que na altura teria investido directamente no Sporting, acaba por vender Balakov (então com 28 anos) ao Estugarda a “preços de saldo”.

Para quem gosta de estatísticas, Balakov fez, nos cinco anos em que actuou no Sporting, 168 jogos e marcou 59 golos pelo Sporting – o que é notável para um jogador que… não era ponta de lança (tomara, aliás, termos actualmente um segundo ponta de lança com estas estatísticas…). Mas, mais importante para quem gosta verdadeiramente de futebol, há momentos mágicos que, por muitos anos que viva, jamais esquecerei. Aquele golo no Bonfim, passando por tudo e por todos que surgiram à sua frente. Aquela “chapelada” ao Michel Preud’homme na Luz no tal 2-1 que há pouco referi. Aquele míssil que “fuzilou” Silvino logo nos segundos iniciais de um Sporting – Benfica. Aqueles livres teleguiados com força e precisão mortais. Aqueles cruzamentos ou passes em profundidade genialmente simples e letais. Que saudades!

Por tudo isso, nunca esqueceremos o genial Krassimir Balakov. “Благодаря, Балъков” (Obrigado, Balakov)!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Terapia motivacional: Se não puderes ser um Pinheiro…

Depois do flop da OPA sobre o “Pinheiro”, o CEO, preocupado com os níveis de toxicidade dos actuais activos da SAD, pede para falar com urgência com o Team Manager.

CEO – Bom dia, Team Manager. Enfim, vamos lá a isto que “time is funny”, ou lá o que é. Epa, como aquela coisa da OPA sobre o “Pinheiro” correu mal, temos que fazer algo em relação à valorização dos activos Djaló e Postiga na bolsa dos golos (“goal market”). Bem, tem alguma sugestão?

Team Manager – Bem, eu, acho que, enfim, poderíamos procurar adoptar uma metodologia assim tipo, tás a ver, gestão por objectivos – “Management by Objectives (MBO)”, associando prémios a determinadas “targets” de marcação de golos. Por exemplo, o Ribeiro Ferreira – Presidente do Sporting que em sete anos 1946 – 1953 ganhou seis campeonatos nacionais – oferecia uma garrafa fresquinha de Casal Garcia cada vez que o Albano, um dos cinco violinos, marcava um golo. No nosso caso, face às opções disponíveis dentro do actual “budget constraint” e para não corrermos mais riscos de entrarmos em “default”, poderíamos, sei lá, oferecer… umas minis e uns couratos. Que lhe parece?

CEO – Pois, percebo a sua sugestão, caro Team Manager, mas, bem, os tempos são outros e julgo que será indispensável efectuarmos um “benchmarking” das melhores práticas internacionais (“management best pratices”). Como eu costumava dizer nos Conselhos de Administração da banca, medidas desesperadas, exigem tempos desesperados. Bem, acho que era mais ou menos isso... Enfim, hoje, iria até mais longe e diria mesmo que “desperate times calls for desperate measures”. Por isso, o meu “manager instinct” diz-me que devemos optar por uma “motivational therapy”.

Team Manager – Eureka, é isso mesmo! Mas… mas o que é isso da "motivational therapy"?

CEO – Bem, a terapia motivacional visa melhorar a percepção que as pessoas têm das suas próprias competências, aumentando a confiança na sua capacidade para potenciar os seus pontos fortes e oportunidades e para superar obstáculos e dificuldades. Depois de cada sessão, os pacientes acostumam-se gradualmente às sugestões motivacionais feitas pelo terapeuta, e começam a confiar nelas. Na fase final da terapia, é sempre a abrir, ou, como dizem os meus amigos da Bolsa, “the threat is your friend”, ou lá o que é. Ora, nem é tarde, nem é cedo, vai lá buscar os nossos dois activos que eu próprio ministro a primeira sessão.

Team Manager – Ministro? Activos? Mas… Aaah, certo, sou eu, mas…pois, eu vou então mandar vir os rapazes.

(45 minutos depois)
CEO – Irra!!! 45 minutos para chegarem da relvado até aqui?!? Isto é inaceitável. O que se passou?

Team Manager – Bem, tivemos uns problemazitos. O Postiga, sabe como é, tem aquela dificuldade congénita - é incapaz de acertar com as portas… Teve que ser o Liedson a indicar-lhe o caminho. Já o Djaló fomos buscá-lo ao Seixal…

CEO – Ao Seixal?!? Não me digam que…? Epa, mas eu reuni a semana passada com o Vieira e ele garantiu-me que…

Team Manager – Não, não se preocupe. O rapaz foi lá simplesmente para recuperar umas quantas Jabulani que tinha perdido num treino de recepção de bola que hoje realizamos em Alcochete.

CEO – Aaah, OK! Fico mais tranquilo. Bem, vamos lá ao que interessa. Rapazes, estão aqui para uma primeira sessão de terapia motivacional que apurará o vosso “Tiller instinct” e fará de vocês goleadores inaptos. Comecem, então, por repetir comigo esta palestra de auto-motivação do Pablo Neruda. Sim, esse mesmo, o interior esquerdo paraguaio conhecido por Carteiro. Lembras-te dos tempos em que também eras conhecido por Carteiro, ó Postiga? Pois, isso mesmo, vão ver como, depois de repetirem estas palavras e de as absorverem interiormente, irão conseguir ultrapassar todas as vossas dificuldades e reencontrar-se com os golos. Sim, Djaló, esta mezinha também faz bem às recepções e cruzamentos. Bem, bora lá, eu vou marcar o compasso com estas maracas e vocês vão repetindo depois comigo, OK? Vamos lá, então:

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso…
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Postiga e Djáló concentram-se, inspiram profundamente e repetem, lenta e compassadamente, as palavras do CEO. No final, levantam a cabeça e entreolham-se atónitos.

CEO – Tás a ver, caro Team Manager, para quem não percebeu, eles até estão a reagir muito bem. OK, prontos, bem, põe lá no frigorífico umas garrafinhas de Casal Garcia…

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Momentos Únicos: Oliveira 3 – Dínamo de Zagreb 0



O Sporting na época 1982-83 resolveu suicidar-se. Depois de Malcolm Allison ter ganho tudo o que havia para ganhar na época anterior, decidiram despedi-lo. Descobriram com espanto, digo eu, que o homem, para além de se encharcar em whisky e de fumar uns charutos, organizava umas orgias, ainda para mais nos estágios. Substituíram-no, então, por um treinador cheio de virtudes: o Oliveira (virtudes que veio a confirmar amplamente mais tarde, quando treinador da selecção). Não satisfeitos, resolveram tentar uma originalidade, isto é, deram-lhe o estatuto de treinador-jogador (solução que Penafiel tinha encontrado dois anos antes, no regresso do Oliveira da experiência frustrante no Bétis de Sevilha).

Neste jogo da Taça dos Campeões Europeus, cuja primeira-mão tínhamos perdido por um a zero, o treinador Oliveira terá dito ao jogador Oliveira que era preciso resolver a eliminatória e depressa, e ele assim fez.

No primeiro golo, imaginamo-lo com facilidade a falar com os seus botões depois de receber a bola: “Vou chutar. Não, não, espera lá… está aqui um jugoslavo a implicar. Acho que lhe vou fazer aquela coisa com que o Liedson costuma irritar o Luisão. Eh pá, acho que vou rematar para o primeiro poste que se está a fazer tarde”.

No segundo, começa a correr muito devagar com a bola ainda no meio-campo do Sporting. Depois, acelera, passa a bola a um colega e parece que lhe diz: “Passa-me isso outra vez que vou ali à frente marcar um golo e venho já”.

O terceiro é mais controverso. Há quem diga que ele queria centrar para o Jordão e que escorregou. Há quem diga que ele queria fazer o que fez, do tipo: “Vou centrar para o Jordão que já merece. Olha … parece que o guarda-redes está a pedi-las. Este tipo assim, com este jeito, ainda acaba no Sporting. Prontos, desculpa. Não te queria enganar mas isto é mais forte do que eu”. Eu não sei. O que sei é que só um jogador absolutamente espectacular é que consegue escorregar de forma também tão espectacular. Escorregar assim não é para todos.

É dele a frase a famosa frase” por cada leão que cair, outro se levantará”. Neste caso não foi bem assim. Foi mais, “por cada jugoslavo que cair, outro se preparará para fazer o mesmo”.

Qualquer um destes golos, ainda por cima na Taça dos Campeões Europeus, seria para a maioria dos jogadores o golo da sua vida. O Oliveira fez os três no mesmo jogo. Foi um dos mais admiráveis jogadores portugueses. Nunca percebi se jogava no meio-campo ou no ataque. Jogava, imagino eu, onde lhe dava na real gana e fazia em cada momento o que lhe passava pela cabeça. Era o tempo em que não havia o Freitas Lobo a explicar os “princípios do jogo”, as “transições”, o “bloco” e por aí fora. Tenho saudades desse tempo. Do tempo em que um jogador ou tinha jeito para a bola ou não tinha e isso qualquer cego via.