sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Isto não é para meninos

Antes do jogo com o CSKA escrevi isto. Não é um exercício de grande premonição. Hoje o Leão de Alvalade acrescenta o que faltava.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

… e não se fala mais nisso

O Sporting devia ter jogado mais; o CSKA devia ter jogado mais também; o árbitro devia ter jogador menos; e não se fala mais nisso.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O regresso da WWE

A Liga dos Campões é um excelente programa de entretenimento. À imagem do Wrestling, do WWE, por exemplo, toda a gente sabe á partida quem ganha. No entanto, ninguém se descai. Para quem não esteja atento, até parece que tudo é verdade. Todos participam no espetáculo e ninguém se sente defraudado. Há uma grande diferença relativamente à Liga dos Campeões. No Wrestling recebem todos: os árbitros, o vencedor e o perdedor. Na liga dos Campeões, o perdedor não leva nada. Para castigo, mandam-no remar para as galeras da Liga Europa.

O Sporting sabia qual era o seu papel. Muitos outros clubes também sabem. Desportivamente a Liga dos Campões não lhes interessa para nada. Só lhes interessa o “guito”. O que é desagradável é fazerem o papel que lhes está destinado sem receberem por isso.

Há dois ou três pontos a favor da arbitragem de hoje e do jogo da semana passada. O primeiro é a coerência. Os jogadores do CSKA podem sempre jogar a bola com a mão, não havendo qualquer distinção se o fazem para evitar ou para marcar um golo. O segundo é o sangue frio e a coordenação de toda a equipa. Quando não é para ver nada, ninguém vê nada, não importando se se é árbitro de baliza, fiscal de linha ou árbitro principal ou se se está mais próximo ou mais distante do lance. Numa situação de desespero, como no golo anulado ao Sporting, há um deles que sabe o que tem de fazer e o que deve ser feito. Não se atrapalham com decisões contraditórias.

Como costumo dizer, futebol não é patinagem artística. Merece ganhar quem ganha e ganha quem merece ganhar. Contam somente as que o árbitro diz que entraram. Se assim não fosse, talvez tivéssemos empatado e merecido passar à fase de grupos. Sendo assim, perdemos e não merecemos passar à fase de grupos.

Hoje como ontem

Parafraseando Karl Marx, esse grande treinador do CSKA, a história repete-se, primeiro, como tragédia, depois como farsa. No Sporting repete-se vezes sem conta como farsa.

Em determinadas fases do ciclo de uma Direção, apostam-se as fichas todas numa equipa, num treinador, num projeto, como às vezes se diz quando não se tem nada para dizer. Lembramo-nos de várias dessas apostas. Lembramo-nos das consequentes farsas: das unhas do Jorge Gonçalves, da contratação do Bobby Robson e, mais tarde, da sua substituição pelo professor Queiroz, do Domingos e do xeque e da vassoura do Duque.

Algumas destas apostas tinha razão de ser. Outras, foram só para aliviar a pressão dos adeptos e tentar sobreviver. Todas tiveram um elemento em comum: a convicção dos adeptos que “desta vez é que é”.

Este ano o Sporting fez uma destas apostas. O Benfica tem pior equipa e uma anedota de treinador. O Porto tem uma boa equipa, mas mantém um treinador que provou ser uma anedota. O Sporting não tem melhor equipa do que os seus principais adversários. Até tem uma equipa algo pior do que a do ano passado (não há nenhum jogador que chegue aos calcanhares do Nani). Tem é um treinador muito melhor do que os dos seus adversários, tendo colocado todas as fichas na sua contratação.

As apostas anteriores terminaram em farsa. Não existe nenhuma razão para que esta não termine da mesma forma. Os últimos jogos deram todos os sinais. Os árbitros não brincam em serviço. O Jorge Sousa e o Xistra fizeram tudo o que estava ao seu alcance. O que estava ao seu alcance não chegou. Há terceira foi de vez.

Já se começa a duvidar dos jogadores e do treinador. Dentro em breve, serão os jogadores a duvidar de si próprios. Quando duvidarem de si próprios ainda mais depressa duvidarão do treinador. Do treinador ao presidente será um passo.

Qualquer aposta do Sporting na conquista do campeonato passa, em primeiro lugar, pela execução de uma estratégia de marcação época a época, jogo a jogo, dos árbitros. Não sei se tem sido tentada. Se foi, tem-se revelado pouco persistente e eficaz. Um Direção que não compreenda isto e não execute dia após dia essa estratégia, não se distraindo com personagens menores e com a voragem da comunicação social e das redes sociais, está condenada a repetir a história.

sábado, 22 de agosto de 2015

Com ou sem Jorge Jesus

A ingenuidade paga-se cara. A Direção e os adeptos acreditavam que bastava mudarem de treinador. Não bastava. Hoje foi evidente. A equipa não joga o suficiente para contrariar tudo o que lhe acontece em campo. Não sei se é possível vir a jogar um dia: com ou sem Jorge Jesus.

A dualidade de critérios não foi evidente. A dualidade foi vergonhosa. Depois dos dois lances do Simani na área, o penalty a favor do Paços de Ferreira só pode ser a anedota do ano. Para que fosse de facto uma anedota só faltava a expulsão do João Pereira.

A ópera bufa não estava concluída. Era necessário acabar em beleza. Dar só três minutos de desconto, assinalar uma falta no último minuto e não a deixar marcar, depois de um jogador do Paços de Ferreira ter sido assistido já depois dos noventa minutos, só para se acabar em gargalhada.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Uma outra vez

As encomendas da UEFA e da FIFA são muito mais refinadas. Não creio que o Vítores Pereiras lá do sítio telefonem antes dos jogos a dar moral aos árbitros. Na pior das hipóteses, acordam com uma cabeça de cavalo como companheira.

O árbitro que nos calhou em sorte na Liga dos Cempões – sorte não quer dizer sorteio – tinha a pinta toda. Rosto cerrado, gestos firmes, emanando autoridade. Não desatou a gamar com a fuçanga toda, como os do nosso campeonato. Limitou-se a usar critérios diferentes para situações idênticas. Não beneficiou o CSKA diretamente. Só prejudicou o Sporting. O CSKA só saiu beneficiado indiretamente, isto é, na exata medida do prejuízo infligido ao Sporting.

O penalty a favor do CSKA foi corretamente assinalado. Quando o Jefferson percebe que não vai conseguir chegar primeiro á bola, tenta ainda tirar o corpo. Só que o contacto era inevitável e a falta evidente. O lance do Bryan Ruiz é similar. O defesa quando percebe que não consegue chegar à bola primeiro, tenta desviar-se, mas o choque era inevitável e a falta também.

O golo do CSKA é legítimo. O jogador não está em fora-de-jogo. O problema não está no golo. Está num lance exatamente idêntico, poucos minutos antes, quando é marcado um fora-de-jogo inexistente ao Slimani. O Slimani ficava isolado e de frente para a baliza.

O penalty não assinalado mais tarde, por corte com a mão do defesa central do CSKA, é diferente. Desde o jogo do ano passado contra o Schalke 04 que comecei a perceber o papel doa árbitros colocados na linha de fundo. Não servem para praticamente nada. Não se compreende a necessidades de os ali colocar. Só servem um único propósito: assinalarem de forma casuística umas faltas – existentes ou inventadas – de forma a ilibar de responsabilidades o árbitro principal. É que no fundo ninguém sabe quem são, nem ninguém se irá lembrar dos seus nomes mais tarde.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Uma, outra e outra vez ainda

Três jogos oficiais, três gamanços, três vitórias. É difícil acontecer-nos pior. É difícil conseguir melhor. Os resultados escondem o que nos vem acontecendo. Nem sempre assim será. Vamos ater-nos ao jogo contra o Tondela. Em melhor oportunidade, regressaremos ao tema e aos restantes jogos. 

O golo do Tondela envolve quatro potenciais decisões de arbitragem. Todas as decisões penalizaram o Sporting.

O golo começa num livre mais do que duvidoso. O Naldo protege bola, tem-na sempre controlada, está sempre com ela junto aos pés, o adversário toca na bola, mas em nenhum momento fica com ela. Depois do toque na bola, ao Naldo bastou-lhe rodar para continuar a controlá-la, tanto mais que o adversário o tinha contornado em sentido contrário para a disputar. Os dois jogadores estão agarrados. O árbitro decidiu que o agarranço do Naldo era melhor do que o do adversário.

Livre marcado e golo do Tondela. Antes da bola entrar, há um jogador do Tondela que a toca para frente, deixando em fora-de-jogo o seu colega que iria marcar o golo. O árbitro não marcou falta. O marcador do golo domina a bola com a mão e empurra-a para a baliza. O árbitro não marcou falta e não mostrou o consequente amarelo.

Em quatro decisões potenciais, duas têm relação direta com o golo (fora de jogo e domínio da bola com a mão). Uma tem relação indireta com o golo (falta do Naldo). Outra não tem qualquer relação com o golo (eventual amarelo).

O golo marcado pelo Sporting é antecedido de um lançamento de linha lateral. O João Pereira ao fazê-lo coloca o pé de apoio para lá da linha lateral. A bola vai para a área e é disputada de cabeça por vários jogadores. Ganha um jogador do Tondela, ressaltando a bola para dentro da área. Dois jogadores – um do Tondela e outro do Sporting – disputam a bola. O jogador do Sporting chega primeiro e o jogador do Tondela faz falta. A bola é colocada na marca de penalty, o Adrien corre para ela, remata e faz golo.

O erro do árbitro tem uma relação muito indireta com o golo. O lançamento de linha lateral não dá origem ao golo. Dá origem a um corte da defesa do Tondela. Depois desse corte, ainda há uma disputa de bola. Essa disputa de bola dá origem a um penalty claro. O penalty teve de ser marcado e só depois é que foi golo.

É verdade que todos os acontecimentos no universo estão relacionados. O bater de asas de uma borboleta no Japão pode dar origem a um terramoto nos Estados Unidos. Mas o João Pereira não tem ar de borboleta (apesar de ter parecido uma libelinha quando apanhou com o Usain Bolt do CSKA) e os resultados no futebol não se medem com recurso à escala de Richter ou de Mercalli.

Equiparar os erros do árbitro num e noutro golo é intelectualmente desonesto. Os lances só seriam equiparáveis se o João Pereira tivesse efetuado o lançamento lateral diretamente para a baliza e a bola, sem tocar em ninguém, tivesse entrado. Aliás, estamos disponíveis para trocar trezentos e cinquenta e oito lançamentos de linha lateral iguais ao do João Pereira por um golo por jogo com a mão. Se nos permitirem essa troca, ainda dispensamos o fora-de-jogo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Atrás do “guito” da Liga dos Campeões

Precisamos do “guito” da Liga dos Campeões como de pão para a boca. Melhor dizendo, sem o “guito” da Liga dos Campeões não há pão para boca, pelo menos para a do Jorge Jesus, que não é propriamente um rapaz de pouco sustento. Não nos interessa a Liga dos Campeões para nada. Só nos interessa o “guito”.

Enquanto contamos com o Bryan Ruiz, a equipa joga umas coisas. O problema é que o Bryan Ruiz ao fim de meia hora deixa-nos entregue ao destino. Há jogos, como o de hoje, em que o destino não nos reserva nada de brilhante.

Quando nos reservam para um jogo da treta o árbitro da final da Liga do Campeões do ano passado, a malta desconfia. Os árbitros da UEFA e da FIFA não são menos manhosos os do nosso campeonato. São é manhosos competentes. Quando se escolhe o melhor dos manhosos, é porque se quer assegurar que nada corre mal.

O árbitro de um lado e o Usain Bolt do outro, iam acabando connosco. Valeu-nos o Rui Patrício e falta de jeito do CSKA. Mesmo assim, o Slimani podia ter marcado por duas vezes. Se tem marcado pelo menos uma vez, não sei se a rapaziada não teria ganhado outro ânimo.

Na segunda parte, depois da entrada do Aquilani e do Gelson as coisas mudaram. Passámos a controlar ao jogo e a estar sempre por cima do adversário. Antes disso o árbitro fez o favor de não marcar um penalty a nosso favor com uma falta exatamente igual à do Jéfferson na primeira parte que deu o penalty a favor do CSKA. Não satisfeito, ainda perdoou mais um penalty à rapaziada russa. Neste caso, o central impediu, com um excelente contra, um afundanço do Slimani.

Até que o Aquilani fez um passe magnífico para o Slimani que, aguentando a carga do defesa, tabelou com o Carrillo e rematou com o pé que tinha mais à mão. De todas as oportunidades que dispôs acabou por marcar a mais difícil. Seria um crime não aproveitar o passe de calcanhar que o Carrillo inventou.

Ganhámos. Por poucos, é verdade, mas ganhámos. Está tudo em aberto para a segunda mão. Vamos ver se a UEFA não nos arranja outra encomenda. Se não nos arranjar, como disse o Jorge Jesus no final do jogo, dificilmente não voltaremos a marcar.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Reviver o Passado em Brideshead

A débacle do Sporting, que começou com o Bettencourt e culminou com o Godinho Lopes, tem um responsável principal: Jorge Jesus. No início da década anterior tínhamos ganhado dois campeonatos. Com o Paulo Bento, na segunda metade da década, passámos a disputar o campeonato com o Porto até ao fim, ficando, com mais ou menos gamanço à mistura, sempre em segundo lugar. Pelo caminho, ganhávamos umas Taças de Portugal.

Não imaginávamos o Sporting sem o Paulo Bento. Eram os tempos do Paulo Bento “forever”. A ambição era contida e as contratações também. Ir à Liga dos Campeões era o único objetivo; porque os objetivos eram estritamente financeiros e de curto prazo.

Com a chegada do Jorge Jesus ao Benfica tudo mudou e mudou desde o início. Prometeu por os jogadores a jogar o dobro e assim fez. Ganhou jogos atrás de jogos, quase sempre de goleada. De repente, percebemos que o nosso modo de vida não bastava. Iniciámos a nossa fuga em frente, que só terminou na época em que ficámos em sétimo lugar.

Vieram o Pongolle, o Torsiglieri, o Zapater, o Boulahrouz, o Xandão, o Pranjic, o Gelson Fernandes, o Turan, o Jeffrén, o Bojinov e o Ribas. Contratámos o Carvalhal, o Paulo Sérgio, o Couceiro, o Domingos, o Sá Pinto, o Oceano, o Vercauteren e o Jesualdo. A vertigem impedia-nos de pensar. Descíamos aos infernos, enquanto nos prometiam o céu. Um dia batemos no fundo, embora no dia anterior ainda nos prometessem amanhãs que cantam, ao mesmo tempo que se vendiam jogadores para se pagarem salários.

Com a saída do Jorge Jesus do Benfica e a sua chegada ao Sporting, os nossos vizinhos da segunda circular correm sérios riscos de reviver este nosso passado recente. Ou o Rui Vitória é o que não parece ser - um treinador de equipa grande – ou então vem tudo por água abaixo. A pressão sobre o treinador e, principalmente, o Luís Filipe Vieira vai aumentar. A desorientação está ao virar da primeira esquina. O Mitroglou e o Jiménez podem constituir o início da fuga para a frente.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Um Sporting de meter medo

Impressionou a diferença entre as duas equipas. De um lado, uma equipa a correr, a pressionar e a procurar ganhar o jogo. Do outro, uma equipa com receio do adversário, sem uma ideia de jogo, sempre com medo de perder. O Benfica não criou uma oportunidade de golo, nem sequer esteve perto de a criar. Em contrapartida, o Sporting, sem fazer sequer um bom jogo, podia ter esmagado o adversário.

Os mesmos jogadores com um treinador diferente constituem uma equipa diferente. O Jardel voltou a ser o perna-de-pau que nunca deixou de ser. O Talisca é o “flop” que todos sabemos. O Ola John é inconsequente. O Jonas, sozinho no ataque, é inofensivo.

No Sporting, a maior parte dos jogadores não mudou, mas a equipa mudou. No ataque, joga-se mais na profundidade. Há menos apoios frontais e parvoíces do género. O Slimani desmarca-se sistematicamente para as costas da defesa, em deslocações mais verticais ou em diagonais. Nas suas costas, está sempre alguém a desmarcar-se também, para aproveitar o espaço que resulta da necessidade de, pelo menos, um defesa central acompanhar as deslocações do Slimani. A defesa avança mais e torna o campo mais pequeno. Expõe-se ao erro, mas não deixa grande espaço para o adversário jogar.

Agora, este sistema de jogo não dá descanso aos jogadores. O Sporting tem dificuldades de ter a bola e jogar devagar. O João Mário tem a noção da necessidade de, por vezes, parar o jogo e jogar para o lado e para trás. Mas a vontade é sempre a de jogar para a frente quando se ganha a bola. Vamos ver se os jogadores aguentam esta vertigem durante a época toda.

Ganhámos ao Benfica, atual campeão nacional. Ganhámos a Supertaça. Ganhámos sobretudo uma equipa que mete medo, um medo que se entranha na cabeça dos adversários e que os tolhe.

domingo, 2 de agosto de 2015

Um Sporting à Jesus

O que sempre impressionou nas equipas de Jesus é o posicionamento da defesa, quase sempre em cima da linha do meio-campo, e a sua capacidade de ir avançando e recuando em função da maior ou menor liberdade do jogador adversário que tem a bola e das desmarcações dos adversários para a suas costas.

Ontem, viu-se tudo isto contra a Roma. Com a bola, o adversário fica com o campo curto. Agora, isto implica uma enorme disponibilidade dos avançados para pressionarem a saída da bola pela defesa e recuarem quando os adversários conseguem passar. Implica uma enorme atenção dos defesas centrais. O mínimo deslize e abrem-se trinta metros para qualquer avançado correr isolado para a baliza. O Ciani cometeu esse deslize na África do Sul e levámos logo um golo.

Os extremos parecem jogar mais por dentro. Abre-se mais espaço para os laterais. O Jéfferson para dispor de capacidades para aproveitar; o João Pereira não. Este modelo também parece deixar os dois médios mais protegidos. No Benfica, o meio-campo estava sempre em desvantagem. Quando o adversário saía com rapidez, o trinco e os centrais ficavam entregues a si próprios. No Benfica dava para cortar esses lances à morteirada, sem riscos de expulsão. No Sporting não será assim.

O ataque vive de bolas paradas e de transições rápidas, após a recuperação rápida da bola. A equipa mete muito jogadores dentro da área quando ataca. Aliás, só mete lá a bola quando estão reunidas essas condições.

Este modelo de jogo tem tudo para asfixiar as equipas pequenas, sobretudo em Alvalade. Com as equipas melhores vai ser mais difícil. Ontem, contra a Roma, ganhámos com essas qualidades. Vamos ver se essas qualidades superam os defeitos – ou os riscos – quando tivermos que jogar a sério contra equipas como a da Roma. Não vemos ter de esperar muito. É só esperar pelo próximo fim-de-semana.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Há manhosos mais iguais do que outros

Ontem, por breves instantes, que o tempo não dá para mais, ouvi um debate na SIC sobre as eleições na Liga. A conversa é sempre a mesma. O que está em causa é o poder de influência de certos clubes sobre a arbitragem. O tom também é sempre o mesmo. Se ganha o candidato do Benfica, está toda a gente otimista. Se perde o candidato do Benfica, anunciam-nos o regresso da troika e o fim do Mundo logo a seguir.

O estado de espírito dos comentadores era extraordinários. O Joaquim Rita estava de monco caído. O Ribeiro Cristóvão, esse grande sportinguista, ainda estava pior. Há cerimónias fúnebres mais animadas.

O Pedro Proença era um árbitro manhoso da velha escola portuguesa, mas com a tarimba da UEFA e da FIFA. Controlava sempre o jogo da forma que mais lhe convinha. Punha sempre um sorriso Pepsodent para acalmar os ânimos e transmitir uma imagem de confiança. O Luís Duque é outro manhoso. Nunca o suportei, quer quando estava com o Roquete (quando praticamente todos os sportinguistas o endeusavam), quer, muito menos, quando estava com o Godinho Lopes, armado de uma vassoura e de um livro de cheques.

A aparentemente, ganhámos. Ganhou o nosso manhoso. O nosso manhoso é sempre melhor que o manhoso dos outros. É melhor porque é nosso.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Sporting está a mudar

Começámos a época da mesma forma que acabámos a anterior, com o Patrício a defender penalties. Mas, com o Jesus, o Sporting está a mudar. É notória a preocupação da defesa em ir subindo e descendo conforme as situações de forma a controlar, como agora se diz, a profundidade das jogadas adversárias. Também se procura defender a toda a largura. Os avançados procuram pressionar a saída da bola.

A jogar ao ataque, as coisas ainda estão emperradas. É normal. Procura-se trocar a bola em progressão. Há mais jogo pelo meio e menos pelas laterais. É bom e mau. Os golos marcam-se pelo meio mas também se sofrem da mesma forma. As consequências de perder a bola são maiores.

O trabalho das bolas paradas, embora incipiente, já lá está também. Não chuta quem se arma mais ou quem tem mais estatuto. Marca quem treina melhor e tem maiores probabilidades de êxito.

Termino como comecei. Começámos a época da mesma forma que acabámos a anterior: a ganhar mais um troféu. O museu agradece.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Os verdadeiros sportinguistas

Há coisas que nunca deixam de me surpreender. O futebol serve para nos entretermos. A vida tem chatices de sobra. A maior parte delas, não lhe podemos fugir.

Como disse várias vezes, escrevo neste blogue por desfastio. Nem mais, nem menos. Não levo a sério nada do que escrevo. Escrevo e esqueço-me do que escrevi no exato momento em que o faço.

Há quem concorde umas vezes e discorde de outras. Depois há os “verdadeiros sportinguistas”. Esses só admitem a sua própria opinião. Os outros estão impedidos de ter a sua. Não são as ofensas ou os palavrões que me incomodam. Incomoda-me a intolerância.

Se um certo Sporting é dos “verdadeiros sportinguistas”, desejo-lhes boa sorte e a esse Sporting também. Fico bem com os outros e com o Sporting plural.

domingo, 19 de julho de 2015

Altos e, esperemos, bons

O Jorge Jesus gosta de jogadores altos e com poder de choque, sobretudo na defesa. Jorge Jesus sabe que, em Portugal, os campeonatos se ganham nas bolas paradas, defensivas e ofensivas. Aproveita-se tudo: desde um lançamento de linha lateral até uma pura e simples biqueirada para a frente.

Sabíamos isso e, portanto, as duas mais recentes contratações para a defesa não espantam ninguém. Agora, com o Ewerton ainda, admito que o Paulo Oliveira pouco ou nada vá jogar. O Tobias Figueiredo deve estar de malas aviadas. O Rúben Semedo também. Lá se vai o projeto da formação. Fica para a próxima, quando se acabarem as supostas folgas financeiras. O Marco Silva está perdoado pela fraca utilização dos jogadores da Equipa B. De não usar fato e gravata é que não.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Marco Ferreira

O Marco Ferreira desistiu da arbitragem. Na sua despedida faz algumas insinuações. Não precisamos de mais insinuações. Aliás, as que apresenta são divulgadas todos os dias. Ou diz mais alguma coisa ou vale mais estar calado. É que quando andava na arbitragem não ouvimos nada.

O que precisamos é que nos expliquem por que razão o Marco Ferreira foi escolhido para arbitrar a final da Taça de Portugal quando foi um dos piores árbitros da época. Até agora as explicações não convenceram ninguém.

Sem explicações convincentes, temos duas teorias possíveis e, porventura, não exclusivas: as avaliações dos árbitros não são credíveis e quem os nomeia sabe disso e não as leva a sério e/ou as nomeações não são explicáveis, sendo portanto irrelevante fazer-se a escolha por nomeação ou por sorteio.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Futebol e política (europeia)

A Europa, ou a União Europeia, desfaz-se à frente dos nossos olhos nestes dias de chumbo que vivemos. Vai sobrar pouco ou nada da Europa enquanto entidade política e projeto de paz e partilha de um destino comum dos povos do velho continente.

Sobra sempre o Festival da Eurovisão e a Liga dos Campeões e a Liga Europa. Quanto ao Festival da Eurovisão estamos conversados. Se queremos participar no projeto europeu, só pelo futebol. Mais uma razão para ganharmos a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Da IURD, à nova saga dos mercenários e aos milhões que mais parecem cubos de gelo

1. Tenho falado várias vezes das profecias autorrealizáveis. Quando não acreditamos que alguma coisa acontece, deixamos de fazer o que quer que seja para que aconteça e a profecia cumpre-se a si mesma.

A apresentação, ontem, do Jorge Jesus e as suas declarações procuram também criar expetativas autorrealizáveis. Quanto mais acreditarmos que podemos ser campeões maiores são as probabilidades de sermos campeões. A coisa foi organizada ao estilo de uma missa da IURD. Nessas missas a expetativas de se verem milagres são tão grandes que todas as pessoas acabam por os ver. Nós temos a vantagem de contar com Jesus; ele mesmo (a piada com o Jesus não é famosa, reconheço).

2. Cada vez gosto mais de filmes de pancadaria. A saga dos Mercenários é excelente. Num só filme temos o Sylvester Stallone, o Arnold Schwarzenegger, o Chuck Norris e por aí fora. Não vai ser preciso ver o terceiro filme da série. Temo-los a todos na versão portuguesa no Sporting. Num só clube contamos com o Bruno de Carvalho, o Jorge Jesus e o Octávio Machado. Só falta o Maxi Pereira para termos o elenco completo.

Nos filmes, isto acaba bem. No Sporting, vamos ver. É que já nos tínhamos visto livres do Octávio Machado. Nos últimos anos tinha-se esquecido de nós e só falava sobre o Porto.

3. Com a aquisição do Jorge Jesus não houve alma nenhuma que não falasse dos milhões e da estratégia financeira suicidária do Sporting. O dinheiro vinha dos angolanos, da Guiné Equatorial e de umas sobras do BES.

O Porto comprou um perneta qualquer por vinte milhões de euros. Quanto a isto ninguém diz nada. O dinheiro deve vir dos fundos e de coisas do género. Estou cada vez mais convicto, como ouvi há dias, que os milhões são de cubos de gelo: chegam derretidos ao destino.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mesmo com um penalti pior do que o do Panenka ...

Venham de lá os quarenta e cinco milhões de euros e não se fala mais nisso. As notícias são boas ou más, conforme as vontades ou as necessidades. Agora, em “default” não entramos tão cedo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Trabalhar de borla

Parece que Éder vai ser transferido para o Swansea por sete milhões de euros. Se assim for, então o Jorge Jesus anda a trabalhar de borla.


(Será que o Swansea não quer o Shikabala também? O resultado é o mesmo e sempre podem deixar de lhe pagar o salário quando quiserem)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Potencialidades e realidades

Ano após ano, seleção após seleção, os jogadores do Sporting são sempre os que revelam maiores potencialidades. Hoje, nos Sub 21, acabámos a jogar com o Esgaio, o Paulo Oliveira, o Tobias, o William Carvalho, o João Mário e o Iuri Medeiros; acabámos com seis jogadores do Sporting em onze.

Estas potencialidades teimam em não se transformar em realidades, no que mais interessa: a vitória no Campeonato Nacional. Será que o Jorge Jesus vai transformar as potencialidades em realidades? Ou vai admitir, e a história dá-lhe razão, que há uma diferença inultrapassável entre potencialidades e realidades?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Medir o futuro

“Para se avaliar a esperança, há-se de medir o futuro”. A esta frase do Padre António Vieira acrescento outra: para se medir o futuro é necessário saber de onde se parte. Como dizem os economistas, para se definir um objectivo é necessário conhecer a “baseline”.

O Sporting fez grandes progressos nos dois últimos anos. Fez estes progressos por referência ao passado também. Com Leonardo Jardim ficámos em segundo lugar e obtivemos o apuramento directo para a Liga dos Campeões. O mérito é sempre relativo. Obteve-se este resultado não se participando nas competições europeias e sendo-se eliminado precocemente na Taça de Portugal. Jogaram-se menos jogos que os nossos adversários. Por outro lado, o Porto esteve abaixo do expectável.

Com o Marco Silva, o Sporting consolidou a sua posição e fez alguns progressos. Participou, e bem, na Liga dos Campeões. Ganhou a Taça de Portugal. Ficou em terceiro lugar, fazendo uma média de pontos idêntica à da temporada passada. O mérito também é sempre relativo: o Porto esteve melhor do que na época passada (pior seria impossível).

Com Jorge Jesus, para se obterem alguns avanços, é preciso fazer mais e melhor. Tendo em consideração este ponto de partida (a tal “baseline”), o Sporting terá que, no mínimo, participar na Liga dos Campeões, ficar em segundo lugar no campeonato e ganhar a Taça de Portugal. Se não se conseguirem o primeiro e o terceiro objectivos, então, no mínimo, o Sporting tem de ser campeão. Menos do que isto é fazer pior do que no passado.

Não sou daqueles que considera que os meios justificam os fins. Sou um ingénuo. Mas vamos por uma vez admitir que só interessam os fins. Se no final da época não ganharmos o campeonato, Bruno de Carvalho perde em toda a linha e o Jorge Jesus também. Nem mais, nem menos. Não se muda para igual e, muito menos, para pior.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O melhor que é o pior ou vice-versa

Acabei de ouvir na rádio que o Marco Ferreira foi o pior árbitro da temporada. O Marco Ferreira arbitrou a final da Taça de Portugal.

A principal razão para a nomeação dos árbitros para os jogos, pelo Conselho de Arbitragem ou por qualquer outra coisa parecia, resulta de necessidade de se escolherem os melhores árbitros para os jogos de maior grau de dificuldade. O Marco Ferreira arbitrou a final da Taça de Portugal, repete-se. Sendo assim, uma de duas: ou a fina da Taça de Portugal não é um jogo com elevado grau de dificuldade ou o Marco Ferreira era um dos melhores árbitros antes desse jogo.

Se as nomeações não são explicáveis, então, vale mais voltar ao sorteio puro e simples. Se não se importam, sem bolas quentes e frias e meninas que adivinham o que vem escrito nelas antes de as retirarem da taça.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Por poucos centímetros apenas

Vi, ontem, o quarto e último jogo do “play off” de futsal. O Benfica ganhou nos penalties. Ganhou, falhando mais penalties do que o Sporting.

Não conheço bem as regras deste jogo. Pelos vistos, os guarda-redes não se podem adiantar. Ambos se adiantaram. Um mais do que outro. A decisão foi por centímetros. Perdeu o Nelson Évora, que, nesta modalidade, é do Sporting.

domingo, 14 de junho de 2015

"É preciso que alguma coisa mude,...

… para que tudo fique na mesma" no futebol português. É assim, sempre assim foi e sempre assim será. Mudou-se o treinador da selecção nacional. Continuam a entrar em campo onze jogadores acabrunhados sem orientação e continuando a acreditar que, no fim do dia, o Cristiano Ronaldo resolve.

A renovação vai de vento em poupa. Há um programa na SIC Notícias onde participam o Manuel Fernandes, o Rodolfo e o Simões. Não tenho dúvidas que não tardarão a ser chamados à selecção nacional. Para eles entrarem outros da idade deles vão ter que sair. Não vejo que o programa da SIC Notícias perca alguma coisa com isso; a selecção nacional também não.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Futebol e Finanças

Ao longo dos últimos dias a linguagem económica e financeira tem dominado muitos blogs de futebol. Receita, passivo, resultados operacionais ou provisões são termos cada vez mais comuns na gíria futebolística cá do burgo.

Perante tal elevação da discussão apraz-me debater a entrada de Jesus no Sporting à luz do conceito de custo "afundado". Os economistas utilizam a expressão sunk costs (custos afundados) para designar custos que não são recuperáveis, pelo que termos incorrido nos mesmos não deve afectar as nossas decisões futuras.

Para mim era claro há muito que Marco Silva tinha de sair do Sporting. Desse por onde desse não se iria começar uma época no clima que se jogou metade da última. Nesse sentido, independentemente da sua valia e dos custos que a saída de Marco Silva possam representar - e aqui penso em custos financeiros e não financeiros - eles eram irrecuperáveis, estavam afundados.

Diz portanto a teoria que devemos analisar a chegada de Jorge Jesus ignorando toda a questão do Marco Silva. E quando assim é parece-me que o exercício é muito claro. Existe a questão desportiva e a questão financeira.

Do ponto de vista desportivo é difícil imaginar alguém melhor que Jorge Jesus para liderar a equipa. Tem provas dadas, conhece o campeonato, conhece os jogadores e ainda por cima é Sportinguista.

Do ponto de vista financeiro há duas questões que se colocam: se ele irá merecer o salário que vai ganhar e se o Sporting tem capacidade para o pagar. À segunda não sei responder. À primeira ninguém sabe. Simplesmente havemos de ver. O que sei é que me parece sempre muito mais sensato investir num bom treinador que em coleccionar estrelas sem lhes dar estrutura e liderança. Por outras palavras, parece-me muito melhor estratégia investir 5 ou 6 Milhões de Euros num treinador do nível do Jesus, do que investir 5 ou 6 vezes isso numa estratégia do tipo "cheque e vassoura" para comprar uma colecção de cromos Sul Americanos e depois pôr um forcado qualquer à frente deles. O que espero realmente é que não venhamos a ter ambos: o líder e os cromos. É que aí acho que já podia tentar responder à segunda parte da questão financeira...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Sporting é o meu clube

O último livro de Michael J. Sandel (“O que o dinheiro não pode comprar. Os limites morais dos mercados”) é muito esclarecedor sobre o que se passou nos últimos dias com a contratação do Jorge Jesus e a rescisão do contrato com o Marco Silva. A transformação em valores mercantis de valores e relações sociais que devem ser preservados corrompe esses valores e essas relações, isto é, altera a sua natureza.

O Jorge Jesus era um símbolo do Benfica, um herói. Os sócios e adeptos tinham uma enorme relação de empatia com ele. Trouxe-lhes as vitórias e os títulos do passado. Fê-los reviver um passado glorioso. Essa relação estava muito para além daquela que se estabelece entre um entidade empregadora e um seu trabalhador.

O Marco Silva era o treinador do Sporting que nos levou à vitória na final da Taça de Portugal sete anos depois. A relação com ele não se mede por esse título. A nossa relação está, e estará sempre, associada ao final épico, ao golo do Slimani a iniciar a revolta e a corrida ao pé-coxinho do Patrício para se abraçar aos colegas depois do último penalty. Nenhum de nós, que viveu aqueles momentos, se esquecerá.

Hoje, quer um, quer outro, deixaram de ter esta relação com os sócios e adeptos. São traidores. São cínicos. São dissimulados.

Não são nada disso. Transformámos a nossa relação com os nossos clubes de sempre em relações de mercado. Mudam-nos os ídolos todos os anos para que se possam vender mais camisolas, para que a imprensa e os restantes media nos confiram maior notoriedade, pelas boas e más razões. Vendemos os nomes dos estádios e das nossas camisolas. Dizem-nos que o Sporting é uma marca, que é uma marca que pode valer mais dinheiro.

O Sporting é o meu clube. É isso e não pode ser mais nem menos do que isso. Se for outra coisa, não sei como poderei contar a um neto, que ainda hei-de ter, a tarde gloriosa em que espetámos sete a um ao Benfica.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Quiz do dia


Acerca do assunto do momento, ocorre-me deixar um "não comentário".

Tendo em conta que nada do que por aí se diz foi oficializado, deixo a questão, académica, claro está:

Quem ficaria com o melão caso a transferência de Jesus para Alvalade não se concretizasse?

1) As dezenas de jornalistas que teriam feito asneira da grossa
2) Os milhares de Sportinguistas que elogiaram ou criticaram a eventual transferência
3) Os milhares de Benfiquistas que descobriram ontem que o Jesus não vale nada e o Rui Vitória é melhor que o Mourinho
4) Os Portistas em geral, já que o seu clube se parece estar a habituar a não ganhar nada e já nem "mexe" quando isso acontece
5) Nenhuma das anteriores: os melões continuam esgotados, após o pico de procura do final do dia de Domingo lá para os lados de Braga

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ganhar da única maneira que sabemos e pudemos

Ganhámos da única maneira que sabemos e pudemos: contra doze. Há quem ganhe com doze contra dez. Nós ganhamos com dez contra doze. É esta a sina. Mas sabemos que é assim e assim continuará.

É muito mais difícil. Quase que nos leva ao desespero. Leva-nos, às tantas, a desconfiar dos nossos jogadores e do nosso treinador. Os nossos adversários e os jornalistas vão criando a profecia que se cumpre a si mesma. Nós não ganhamos. Não ganhando, cria-se a convicção que não se pode ganhar.

A vitória de ontem é muito mais do que a vitória na Taça de Portugal. É a quebra da profecia que se autorrealiza. É o renascer da crença que se pode ganhar. Esta crença deve-se aos jogadores e ao treinador em primeiro lugar. Mas também se deve à direção e aos adeptos (sobretudo daqueles que sofrem até ao fim). Por isso a alegria foi tanta.