terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Baralhar e tornar a dar

As aquisições de Invernos foram as possíveis. Percebeu-se que foram determinadas pela situação financeira do clube. Com outras disponibilidades financeiras o Sporting teria efetuado outras aquisições? Com toda a certeza. Agora, sem dinheiro não há palhaço.

O Sporting precisava de um substituto direto do Slimani. O Jorge Jesus tentou vários modelos táticos alternativos, mas nada resultou. É preciso sempre um grande para a frente. Só temos um grande. Se o grande se lesionasse ou se fosse castigado, não havia plano B. Não sei se o tal de Barcos é um novo Slimani. É grande e feio também. Pode ser que sirva.

Com a recomposição da dupla de centrais que acabou a época passada e a entrada do William Carvalho, parecíamos seguros na defesa. Andámos jogos atrás de jogos a defender bem. De repente, a defesa desabou. O Ewerton ou está lesionado ou pode-se lesionar a qualquer momento ou, simplesmente, pode pensar que está lesionado ou que se vai lesionar. O Paulo Oliveira parece ter voltado à pré-época do Marco Silva. Não se consegue explicar o que se passa com o William Carvalho.

O Naldo, que aparentemente estava condenado a figura menor, foi o único que sobrou. No último jogo lesionou-se também. Era preciso refazer a defesa. Voltou o Rúben Semedo e contratámos um tal de Coates. Era preciso fazer alguma coisa e alguma coisa se fez. Pode ser que se tenha feito o necessário. O Jorge Jesus já ensinou outros bem piores a defender alguma coisa.

As aquisições de dezembro há muito estão analisadas. O Bruno César dá jeito. Já marcou mais golos do que o Montero. O Zeegelar não é pior do que o Jonathan. O Schelotto é mais controverso. Não parece acrescentar muito quando comparado com o Esgaio. É pernalta, corre como se não houvesse amanhã e centra bem. Porém, em muitas fases do jogo parece desorientado.

A única saída polémica é a do Montero. A principal razão terá sido de ordem financeira. Voltamos ao dinheiro e ao palhaço. Entre ele e o Teo, venha o Diabo e escolha. Nenhum deles é titular (para suplente basta um). Nenhum deles é alternativa ao Slimani. Isoladamente ou em conjunto não permitem um plano B. São um par maníaco-depressivo. Bem tentámos vender o maníaco. Acabámos por ter de vender o depressivo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O programa segue dentro de momentos

Depois da arbitragem do jogo contra a Académica, a indignação foi geral. Não houve cão nem gato que não falasse sobre ela. O próprio Cosme Machado viu-se na necessidade de confessar o engano.

Não se tratou propriamente de um engano ou não se pode chamar engano ao que aconteceu. O fiscal-de-linha assinalou o fora-de-jogo. O Cosme Machado fez questão de validar o golo, isto é, fez questão de se enganar.

Há muitos anos atrás, as emissões da RTP tinham imensas interrupções. De repente, a emissão acabava e aparecia a famosa frase no ecrã: “ Pedimos desculpa pela interrupção. O programa segue dentro de momentos”. Quer-me parecer que aqui se trata do mesmo: “Pedimos desculpa pelo engano. O programa segue dentro de momentos”.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Venha o requerimento e não se fala mais nisso!

Deixei de ver o jogo após o segundo golo da Académica. Num primeiro momento fiquei na dúvida se o golo era do João Real ou do Ewerton, na própria baliza. Poucos minutos depois percebi, o golo era do Cosme Machado.

Imagino o que deve ter dito ao fiscal de linha, que começou por assinalar o fora-de-jogo. “Eh pá! Não me lixes. Temos que aproveitar esta porque tão cedo os da Académica não voltam a chegar à área. Não vês que são uns nabos!”.

O Benfica tem apresentado diversos processos contra o Sporting em diferentes instâncias, quer na justiça, quer nas instâncias desportivas. É necessário acabar com isso. É necessário que, definitivamente, apresente um requerimento para que lhe seja administrativamente atribuído o título de campeão nacional. Há imensas razões para que lhes atribuam o título desta forma. A principal é porque sim. Se essa não bastar, a do costume, a dos catorze milhões de adeptos, resultará seguramente; resulta sempre.

A ideia do requerimento é excelente a vários títulos. Os árbitros estão exaustos. Não se lhes pode pedir mais. Nós, mais um ou dois jogos, vamos acabar com o Paulinho no banco de suplentes. Não deve faltar mais ninguém para expulsar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O elogio de Sousa Tavares

Fui percebendo pelo que ia lendo num ou noutro blogue sportinguista que havia uma certa animosidade relativamente ao Miguel Sousa Tavares. Acabei por perceber a razão. Terá escrito n’A Bola que, se o Porto não for campeão, prefere que seja o Benfica.

Não percebo a animosidade. Dificilmente se arranjaria maior elogio ao Sporting. Se não houvesse uma forte probabilidade do Porto não ser campeão e do Sporting o vir a ser, não teria necessidade de fazer a afirmação que fez. Se fosse eu diria, se o Sporting não for campeão, prefiro que seja o Tondela.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Não lembrar o que se acabou de ver

Trabalhei até tarde. Cheguei a casa e liguei a televisão. Vi o Jorge Jesus numa conferência de imprensa. Falava que não falava sobre hipotéticas contratações. Um jornalista voltou a insistir numas contratações quaisquer. O Jorge Jesus insistiu na mesma resposta.

Não estava a perceber nada do que se estava a passar. Finalmente, compreendi que tínhamos jogado contra o Arouca. É normal que não me lembre de um jogo que não vi. O que considero estranho é que os jornalistas não se lembrem do jogo que acabaram de ver.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Uma frase batida

Jogar contra o Paços de Ferreira não é fácil. Jogar na caixa de fósforos da Mata Real ainda mais difícil é. Se, as estas dificuldades, se juntar o Artur Soares Dias, então temos quase uma missão impossível. A política é arte de tornar possível o desejável. Jogar concentrado e com a cabeça no lugar é mais ou menos o mesmo. O que parece impossível mas desejável torna-se possível.

Entrámos concentrados no que tínhamos de fazer. Bola de pé para pé com pressão imediata à perda de bola. O Paços de Ferreira não conseguia sair com a bola. Ficou a dúvida também se alguma vez o tentou. Foi empurrado para trás e por lá ficou durante quase setenta minutos. Demorámos a marcar. Por isto ou por aquilo o que parecia inevitável, o golo, tardava.

O Ruiz e o João Mário são verdadeiros artistas. Mas o futebol nem sempre é arte em movimento. Marcámos à conta de três trapalhões. O Jéfferson fez rapidamente um lançamento de linha lateral, o Slimani, à mama (como dizíamos na escola), fez de João Mário, sentou um defesa e passou ao gordo do Chutra-chuta que, por sua vez, fez de Slimani. Um a zero ao intervalo era pouco.

Entrámos na segunda parte da mesma forma que na primeira. O Paços de Ferreira não conseguia ter a bola. Tentava, mas continuava a não passar do meio-campo. Até que, numa perda de bola do Paços de Ferreira, com três passes, um deles para a baliza, se marcou o segundo. O Slimani tinha acabado de molhar a sopa.

Ainda continuámos a controlar o jogo até aos setenta minutos. Depois, bem, depois adormecemos. Àquele ritmo e depois de um dia de trabalho, eu próprio passei pelas brasas. Acordei eu e a equipa sobressaltados com o golo do Paços de Ferreira. O golo é ridículo. Se ridículo é perder o lance de cabeça ao primeiro poste em vantagem numérica, ainda é mais ridícula a intervenção do Paulo Oliveira que, com todo o tempo do mundo, não encostou como devia ao avançado do Paços de Ferreira.

O Freitas Lobo exultava. Rapidamente ficou de monco caído. O João Mário ganhou uma bola, foi para dentro de área, fintou um adversário, deitou outro e ofereceu mais um golo ao Slimani, o suspeito do costume.

O Sporting continua à frente no campeonato. A consternação na comunicação social é total. Não pode ser verdade "tanta rosa decepada, tanta pomba assassinada". O país corre o risco de passar da reflexão à depressão. Temo pelas eleições de amanhã. Ninguém se mobiliza para nada nestas circunstâncias. Tudo pode acontecer. Até a vitória do Tino de Rans.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dizer e fazer

A minha vida não tem estado para futebóis. Não vi o jogo da Taça da Liga. Perdemos e está o assunto arrumado. Para mim, estava arrumado antes de começar. A Taça da Liga é mais um entretém de meio da semana. Serve também para rodar uns jogadores, dando-lhes ânimo e ritmo. Uns aproveitam, outros nem por isso.

O que interessa é o próximo jogo para o campeonato. Dizem-me que jogamos contra o Paços de Ferreira. Lembrando o jogo do Bessa, dizem-me que jogamos contra o Artur Soares Dias. Não sei o que dizer. Só sei o que fazer: marcar golos e ganhar o jogo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Falemos de bola

No último texto que escrevi por aqui referi que o Sporting podia e devia vencer qualquer equipa do nosso campeonato. Sexta-feira tive um choque com a realidade. No futebol existem três equipas em campo. O Sporting é e foi neste jogo muito mais forte que a equipa do Tondela. Apesar da má entrada no jogo do Sporting o Tondela não criou uma real oportunidade de perigo e o Sporting a jogar mal, dominava o jogo e já tinha ameaçado o golo por mais de uma ocasião. Até que entrou em campo a terceira equipa: contra ataque iniciado à custa de uma claríssima falta sobre Adrien, cruzamento para a área, tropeção na relva e... grande penalidade. Na primeira parte não houve mais futebol para ninguém, uma equipa não mostrou que o saiba jogar, as outras duas estavam de cabeça perdida. Na segunda parte houve futebol enquanto uma equipa que o sabe jogar teve pernas para isso. Não foi por muito tempo, mas o suficiente para marcar dois golos. Quanto às outras equipas, uma continuava a jogar muito pouco (não sabia mais) e a outra mantinha-se de cabeça perdida (excepção ao árbitro assistente que teve na 2a parte a lucidez que lhe faltou na primeira).

A partir daqui podemos dizer e escrever o que quisermos. Podemos criticar o Rui Patrício por fazer o seu trabalho (i.e. sair destemido da baliza e cortar a bola), o Boeck por não o fazer (sabe-se lá por que motivo não arriscou sair aos pés do avançado), o Jefferson por ser lento e não ter feito falta, o Ruiz e o João Mário perdulários. Podemos perguntar porque é que o Jorge Jesus não mexeu mais cedo. Agora o que não podemos nem devemos é esconder que a grande responsabilidade por este empate pertence à tal terceira equipa. Se não fosse aquele acumular de erros grosseiros, só por milagre o Sporting não teria ganho.

Com equipas como estas em campo nós não podemos ambicionar a falar de futebol. Elas acabam com ele. Resta-nos falar de bola, talvez daí o sucesso da nossa imprensa desportiva e inúmeros programas televisivos em que se faz tudo menos falar de futebol.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

União faz a força

Passámos um Natal preocupados. Tínhamos as nossas razões: era difícil prever o que iria acontecer depois da derrota na Madeira. O novo ano trazia três jogos muito difíceis logo a abrir.

A verdade é que entrados em 2016 as coisas dificilmente poderiam ter começado melhor. Estádios cheios, adeptos sempre a apoiar a equipa. Jogadores concentrados e aplicados. Treinador que não complica. Três jogos, três vitórias, dobramos o campeonato em primeiro, isolados.

Posto isto é altura de refletir sobre o que aí vem. Ao longo destes meses percebemos que podemos ganhar a qualquer equipa cá do burgo. Podemos e devemos. Do Benfica nem vale a pena falar. Do Porto devemos dizer que sofremos uma "baixa" com a saída do Lopetegui, mas o que fica do jogo de Alvalade é que os nossos jogadores queriam mais. Muito mais. Se for assim no Dragão, também podemos e devemos ganhar.

Mas também vimos que a equipa não dá para tudo. Teremos uns 16-17 jogadores que contam a sério. Muitos andam claramente a jogar acima das suas possibilidades. Adrien é o capitão e o melhor exemplo: a jogar assim torna-se ridículo não ser o titular da seleção, quanto mais suplente; mas parece sempre que vai "cair para o lado" a qualquer momento. Se isso acontecer que seja quando o William já estiver a jogar ao nível das suas possibilidades. Em princípio será suficiente para ganhar o campeonato.

Com isto sobra o União. Podemos ver essa fatídica noite como uma nódoa. Ou podemos ver como um sinal. A União faz a força. Foi isso que vimos em Alvalade contra Porto e Braga e no Bonfim. Mas se abusarmos a força vai faltar, mesmo com união. Andámos distraídos com a Taça e foi isso que faltou na Madeira: força. Que sirva de exemplo para não desperdiçarmos a melhor oportunidades dos últimos anos de sermos campeões.

domingo, 10 de janeiro de 2016

O bom Jesus é o nosso!

Vi o jogo rodeado de adeptos do Braga. O entusiasmo era grande ao intervalo. Um ou outro, mais veterano nestas andanças, recordava a final da Taça de Portugal. Só que desta vez não havia penalties. Tinha de ser durante os noventa minutos. Parecia impossível, apesar de estarmos a jogar com onze.

Na primeira parte, dois melros em dois tiros do Braga. O Sporting tinha jogado melhor. Teve três oportunidades flagrantes. Primeiro, pelo João Mário completamente isolado. Depois, pelo Slimani completamente isolado também. Por fim, o cabeceamento ao poste do Paulo Oliveira.

Era preciso mudar. O Jorge Jesus sabia disso. O sinal foi dado durante o intervalo. O Gelson Martins aquecia para entrar. Entrou quente, como se viu. Começou desde o primeiro minuto a dinamitar a defesa do Braga. Ganhou o penalty que dá o primeiro golo.

Era preciso continuar a mudar. O Jorge Jesus sabia disso também. Saiu o “chuta-chuta” e entrou o Montero. Arrancou um penalty, que foi perdoado ao Braga. Depois entrou em modo artístico e, ao mesmo tempo, displicente. Só podia marcar como marcou: transformando em fácil o que era difícil. Se fosse fácil também o tinha transformado em difícil. Mas a principal virtude da entrada do Montero foi a colocação do Ruiz do lado esquerdo, como se viu mais à frente.

As mudanças tinham que continuar. Havia jogadores a cair aos bocados. O Jorge Jesus continuava atento. Saiu o João Mário e entrou o Aquilani. O João Mário estava cansado. O Aquilani estava fresco, mas não se notou. Faltava o golo do Slimani. O Ruiz já lhe tinha metido uma redondinha na cabeça. À segunda não perdoou. Pelo caminho, o Rui Patrício safou mais uma à Schmeichel.

Mais um jogo destes e ainda acabamos a morrer de felicidade. É difícil fazer melhor. Para fazer melhor, é preciso arranjar uma defesa em condições. O Naldo facilitou no primeiro golo. O Paulo Oliveira meteu água o tempo todo. O Jéfferson é tão perigoso a atacar como a defender. Por incrível que possa parecer, o João Pereira tem estado melhor do que os seus colegas. Na segunda parte foi fundamental a empurrar a equipa para a frente.

É difícil dizer quem esteve melhor: se os jogadores, se o treinador, se os adeptos. Estiveram todos muito bem. Estiveram tão bem que se pode dizer que fizeram um só: o Sporting. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Os reforços possíveis

Vi jogo contra o Setúbal. Afazeres da vida não me permitiram escrever nada sobre ele até ao momento. As recordações que sobram podem ser promessas para amanhã, no jogo contra o Braga.

Foi o melhor jogo do Sporting esta época. Não foi por ter sido o melhor resultado. Foi o jogo em que melhor se atacou e defendeu. Simplesmente o Setúbal não teve quaisquer hipóteses. A obsessão por recuperar a bola e dispor dela o maior período de tempo possível foi levada a extremos.

Foi essa pressão permanente sobre os adversários que os derrotou. A frustração dos jogadores do Setúbal era por demais evidente. Não poder jogar, não conseguir sair do labirinto em que a equipa do Sporting os metiam, deixou os jogadores do Setúbal sempre à beira de um ataque de nervos.

Por outro lado, quando a bola é recuperada cedo, fica-se sempre mais próximo da baliza e do golo, com a equipa adversária em contrapé. Com bola, tudo parecia fácil e os lances de perigo sucederam-se. Tudo parece fácil quando se sabe o que se faz.

A entrada do Bruno César deu mais poder de fogo ao Sporting. Não foi somente pelos golos que marcou. Foi pela ameaça permanente e pelo contágio (até o João Mário ganhou confiança para marcar um golaço). No ataque aparecem cada vez mas jogadores que podem marcar a qualquer momento. O Slimani deixou de ser o único perigo eminente. Há Slimani, mas também há Ruiz, Bruno César e, pelos visto, João Mário, que agora pode aparecer mais em zonas frontais.

Ganhámos um reforço de Inverno. Perdemos outro. Exprimimos a solidariedade possível, mas os do Porto não são parvos. Mesmo assim, o Rui Vitória mantém-se. Podia ser pior. Seria muito melhor sem a APAF seguramente. Os jogos contra o Nacional e o Guimarães foram oferecidos. Sem estas ofertas, os nossos adversários não estavam a quatro mas a seis pontos pelo menos.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Segurem o Lopetegui!

Há um mito urbano sobre a capacidade do Porto e, em particular, do Pinto da Costa para nos endrominar. Temos que lhes agradecer a contratação do Ghilas ao Moreirense, envolvendo 3,6 milhões de euros por 50% do passe. Se assim não fosse, hoje talvez estivesse no Sporting e não teríamos que contratar o Slimani por trezentos mil euros.

O Lopetegui surpreendeu-nos. Não jogou o Marcano. As nossas fichas estavam todas nele. Meteu o Martins Indi. Não chegou. O Slimani não estava para brincadeiras. Foram dois golos e devia ter sido mais um. Teve tempo a mais para preparar o cabeceamento. Teve tanto tempo que acabou por enviar a bola à barra.

A primeira parte não foi famosa. O golo surgiu finalmente de uma bola parada. O Porto esteve melhor. Cada bola no lado direito do ataque era um autêntico susto. O Jéfferson não defende mal. Simplesmente parece que não vê bem. Ou não vai à bola quando devia ou vai quando devia estar quieto. A conclusão é sempre a mesma: o extremo passa seja de que maneira for.

Esperava-se o pior na segunda parte. Não parecia possível que os laterais conseguissem parar o Brahimi e o Corona. O árbitro começou com uma pressão alta. Passada essa pressão, o Sporting não deu mais hipóteses nenhumas. O Jorge Jesus não deixou.

O Naldo esteve intransponível. Valeu por ele, pelo Paulo Oliveira e pelo Jéfferson. O João Mário fez um grande jogo, a atacar e, sobretudo, a defender. O João Pereira está-lhe agradecido seguramente. O Adrien esteve acima das suas possibilidades. Ninguém me convence que ele é capaz de fazer dois bons remates de fora da área num só jogo. O Bryan Ruiz é um fenómeno. O segundo golo é espantoso. Recebe a bola e avança, parece que a vai passar, para, torna outra vez a avançar, olha para um lado e passa a bola para o outro a isolar o Slimani. Já se disse tudo o que havia a dizer sobre o Slimani. Dois golos à ponta-de-lança num jogo decisivo.

Estou completamente de acordo com o Jorge Jesus. Digo-o com a mesma convicção dele. O Porto esteve muito forte: grande controlo de jogo, excelente posse de bola, bom trabalho tático. Em resumo, o Porto esteve muito bem. Eu gostei.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Pode ser que o André Martins tenha aprendido alguma coisa

Ontem, só vi a primeira parte do jogo. Depois da prenda de Natal do Boeck desisti, temendo o pior. Não levo muito a sério a Taça Lucílio Baptista. No entanto, depois de duas derrotas e na véspera do jogo contra o Porto, o pior que nos podia acontecer seria ensarilharmo-nos com o Paço de Ferreira. Fiz mal. Devia ter continuado a ver o jogo. A primeira parte tinha sido boa. A segunda ainda foi melhor.

Os golos deviam ser repetidos vezes sem conta aos jogadores do Sporting. É assim que o Jorge Jesus lhes ensina. É assim que devem fazer sempre. As jogadas são autênticos clássicos da arte de marcar golos a toda a sela.

 No primeiro, lançamento de linha lateral, a esticar o jogo para a frente, domínio de bola do avançado sob pressão, passe para o lateral e centro, não para a molhada, mas para o sítio onde estava o único jogador do Sporting dentro da área, atraso de cabeça para a entrada da área e remate rasteiro e colocado junto ao poste. Assim até parece fácil.

No segundo, passe em profundidade para aproveitar a embalagem do lateral, domínio da bola e passe atrasado para a encostar lá para dentro. É para repetir mais vezes.

No terceiro foi tudo mais complicado. Não basta planear e treinar bem. A qualidade dos jogadores fez toda a diferença. O passe do Matheus é excelente, a desmarcação do Ruiz é melhor ainda. A conclusão é uma delícia. Espero que o André Martins tenha aproveitado para aprender alguma coisa. Um avançado não se assusta com o guarda-redes ou com os defesas; sobretudo não desperdiça um passe como o do Matheus.

Ganhámos bem a jogar bem também. Tivemos um infortúnio e fomos capazes de dar a volta ao resultado. Quebrámos um ciclo de duas derrotas. Descansámos uns tantos e demos ritmo de jogo a outros tantos. A equipa só pode ter ficado mais moralizada. É que ninguém tenha dúvidas, este jogo só terá qualquer interesse se nos der o ânimo necessário para um bom resultado contra o Porto. Esse jogo é que interessa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O plano

Nada acontece por acaso. É assim em geral e mais ainda no futebol português. O último resultado do Sporting para o campeonato também não se deve ao acaso.

Se dúvidas houvessem, o jogo do Porto contra o Nacional dissipou-as. O título só pode ser disputado a três. Se o Sporting o disputar só com um dos seus rivais não tem hipóteses nenhumas. A derrota com o União da Madeira obedece assim a um plano para manter a luta pelo campeonato a três até ao fim.

Com essa derrota, o Benfica volta a entrar na corrida pelo título. Matam-se dois coelhos com uma só paulada. Mantém-se um inimigo por perto. Mantém-se o Rui Vitória no Benfica.

Com essa derrota, o Porto não fica longe quando for derrotado em Alvalade. Mais uma vez se matam dois coelhos com uma mesma paulada. O Porto mantém-se por perto e o Lopetegui continua a ser assobiado.


(Não consigo meter a Doyen neste plano. Incompetência minha seguramente. Talvez a Doyen pertença a outro plano ou esteja noutro plano, naquele tipo de plano onde os jogadores, os treinadores e a bola contam pouco)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A ilusão dos reforços

Nestas coisas do futebol é muito fácil passar de bestial a besta, e vice-versa. Há pouco mais de 10 dias a conversa sobre o Sporting alternava entre dois discursos tão contraditórios como deslocados da realidade: (1) que apenas ganhávamos à custa das arbitragens e (2) que era absurdo não termos apostado mais na Liga Europa.

Uma semana depois o discurso é outro: esta equipa não dá para tudo. É um facto. E tem um corolário: precisamos de reforços.

Até agora recebemos três reforços de inverno. Começando pelo mais fácil, Schelotto. Não conheço e portanto tenho pouco a dizer. Ainda assim, tenho dificuldades em perceber o que motiva um internacional Italiano de 26 anos a vir para o Sporting. Para mim ou lhe disseram que vinha passar umas férias porreiras ou ele se entusiasmou sabendo que por aqui até o Ruiz faz de extremo rápido. Veremos o que nos traz, sem dúvida que joga em posições onde precisamos de melhorar. No entanto, não acho que seja por aqui que se vai ganhar o campeonato.

Zeegelaar conheço um pouco melhor, ao que parece substitui o Jonathan. Não vejo que seja uma substituição com grande impacto este ano. Acho que o Jefferson é um jogador com mercado e estamos a acautelar essa possibilidade. Parece-me bem, mas não deve acrescentar muito no curto-prazo.

Posto isto chegamos a Bruno César. É difícil perceber a contratação de um patinho feio dos vizinhos, mas sinceramente acho que, deste lote, é o jogador que pode fazer alguma diferença este ano. Falta-nos poder de fogo, falta um médio que remate e marque golos. Ele pode ser isso. Não sabemos se vai ser. 

Não me quero repetir com posts anteriores, mas uma coisa vejo como provável: quando a minha grande esperança em termos de reforços é o Bruno César resta-me desejar a todos um Bom Natal e pedir ao Pai Natal para não deixar o Lopetegui e o Rui Vitória fugir. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Acreditar nos outros

O Sporting estava a fazer um campeonato quase perfeito. Hoje, borregou contra, provavelmente, a pior equipa do campeonato.

Há a parte do azar. O União da Madeira fez um remate à nossa baliza e marcou um golo. O seu guarda-redes esteve uns furos acima do seu nível de competência.

Mas a história repetiu-se. O Sporting consegue encostar os adversários às tábuas, mas não dá a estocada final ou, quando a dá, é em completo desespero. Não se compreende ou, por outra, compreende-se muito bem.

Falta fogo nas botas dos jogadores do ataque. Quando estamos a ver o jogo e nos procuramos distanciar um pouco dele, percebemos que o golo só pode vir de dois jogadores. Ou do Slimani ou, mais raramente, do Ruiz (aliás, para esse efeito, não se pode esperar do Ruiz o mesmo de outros jogadores).

Falta-nos um segundo ponta de lança. Não de um com elevada nota artística, mas de um que nos momentos de maior pressão as meta lá dentro também. Mas não sentimos falta somente de um segundo ponta de lança. Quantos golos esperamos ver marcar o Adrien, o Aquilani, o João Mário ou o Gélson Martins? E o que dizer dos cantos e de outras bolas paradas? Os campeonatos em Portugal ganham-se nesses lances.

A equipa não dá para muito mais do que deu até ao momento. Suspiramos pelos reforços de Inverno. Provavelmente constituem uma ilusão como outra qualquer. Resta-nos a esperança no Lopetegui e no Rui Vitória. Tenho mais esperança neles do que nos nossos jogadores.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Alguma vez havia de ser

Fomos eliminados pelo Braga da Taça de Portugal. Antes assim: pelo Braga, eliminando o Benfica pelo caminho. É o que dá andarmos a disputar competições impróprias e a jogar em dias impróprios da semana. O Sporting dispõe de treze ou catorze jogadores que são opção. Desses, meia-dúzia está sempre em risco de lesão ou de implosão dentro de campo.

Só vi o jogo a partir dos sessenta minutos. Do que vi, concluo que perdemos o jogo por duas razões fundamentais, para além do mérito do Braga.

Gamaram-nos um golo que dava o quatro a três. O futebol não é patinagem artística. Não interessa a classificação do júri. Aliás, nem sequer há júri. O que contam são os golos. Se os árbitros não validam golos limpos como esse pouco se pode fazer.

A equipa estava morta. A meu ver, o Jorge Jesus não fez mais nenhuma substituição na segunda parte porque, simplesmente, desconfiava que a qualquer momento seria necessário substituir alguns dos jogadores que não estava bem fisicamente e em risco de sair lesionado. O Ewerton foi o caso mais evidente. Só assim se explica que não tenha tirado o Jéfferson para colocar o Esgaio. O Jéfferson estava clinicamente morto. Apesar de todos os remendos, foi por esse lado que perdemos o jogo.


(É necessário poupar o Ruiz. Sem ele, estamos feitos. O rapaz já gozou de melhor saúde. Quando estive na tropa, nas caminhadas era o único que sabia interpretar uma carta militar. Todos dependiam de mim. Só faltava levarem-me ao colo. Com o Ruiz é a mesma coisa. Só ele é que sabe interpretar a carta também)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A vida como ela é

[Ganhámos bem] 
Ganhámos este fim-de-semana como sempre devemos ganhar contra equipas como o Moreirense. Resolve-se o assunto na primeira parte. Na segunda, encana-se a perna à rã, isto é, reduz-se o ritmo de jogo e faz-se a gestão dos jogadores para o próximo jogo. Por outras palavras, ganha-se competentemente, fazendo-se o necessário e não mais do que isso.

[Jornada a jornada] 
Em cada jornada que acabamos em primeiro é menos uma jornada a caminho do título. Chegar a primeiro tem mérito. Permanecer por lá tem maior mérito ainda. Demonstra-se estofo de campeão e vai-se instalando a ansiedade nos nossos principais adversários.

[Gerir os recursos que se têm e os que se não têm] 
Estamos em demasiadas frentes para a equipa que temos. É necessário rodar os jogadores. Desconfiamos de alguns deles. O Aquilani não esteve nada mal. Estava estoirado quando saiu. O Teo esteve mal. Na segunda parte, só dei por ele quando foi substituído. Devíamos ter substituído o Ruiz. Nesta altura, com o Slimani, constitui o nosso jogador mais valioso. É preciso poupá-lo. O problema é que não podemos substituir o Adrien, o Aquilani, o Teo e o Ruiz.

[Os campeonatos ganham-se na defesa] 
A defesa não tem dado abébias. É meio caminho andando para se disputar o campeonato até ao fim. Se o Ewerton não se lesionar, não vai ser fácil marcarem-nos golos. Se ao Ewerton se somar um William Carvalho ao seu melhor nível, somos quase imbatíveis. É preciso que o rapaz não se distraia e, por outro lado, que a malta não se deixe ir em campanhas desestabilizadoras. O melhor jogador do último Europeu de Sub-21 continua a ser o melhor jogador do último Europeu de Sub-21. O resto são bitaites dos comentadores do costume.

[Colinhos] 
Esqueceram-se do amarelo no penalty a nosso favor, que dava a expulsão do jogador do Moreirense. É mal marcado o penalty contra nós. É perdoado um penalty contra o Benfica. São perdoados dois penalties contra o Porto. Mesmo com todas as campanhas, só não vê quem não quer ver. Aguardemos as classificações dos árbitros, que, como de costume, serão prontamente divulgadas num órgão de comunicação social perto de si.


(Peço desculpa ao João por este "post" aparentemente extemporâneo. Só vi ontem à noite que tinha escrito o dele, depois de escrever este e ter agendado a sua publicação para hoje)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A sorte e os sorteios

Dizem por aí que "tivemos" muita sorte com as equipas que nos calharam no grupo do Euro 2016. Creio que é inegável que se fosse o Fernando Santos a escolher os adversários o resultado seria mais ou menos este. O pior é que nós adeptos não tivemos sorte nenhuma: vamos apanhar três valentes secas nos três jogos do grupo. O treinador não sabe mais do que engonhar e contra estes adversários os jogadores não terão motivação para mais que isso. Já estou entediado só de pensar.

Também dizem que o Sporting teve azar no sorteio da UEFA. Também aqui depende. Aos adeptos calhou em sorte o que pode vir a ser um excelente jogo; aos jogadores, treinador e dirigentes calhou em sorte uma equipa com a qual não escandaliza se formos eliminados e, portanto, uma razão para se focarem no que realmente interessa: o campeonato.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Para já, estão perdoados!

Depois de na quinta-feira andarmos a brincar à Europa dos pequeninos, esperava-se mais um daqueles jogos com o credo na boca até ao fim. Pior do que um erro é somar-lhe outro. Os primeiros minutos demonstraram que os receios tinham razão de ser. Até ao golo, o jogo decorreu, como de costume, em modo emperrado. Tudo muito devagar e aos soluços.

Finalmente, marcámos um golo a partir de um lance de bola parada. A jogada estava estudada, mas a representação foi trapalhona. O Gélson Martins desmarcou-se, o Esgaio bloqueou a parte de fora da barreira, mas o Ruiz ainda demorou uma eternidade a passar bola. A sorte foi que os jogadores do Moreirense são lentos de raciocínio e quando raciocinam fazem-no todos ao mesmo tempo, chocando uns com os outros. O Gélson Martins, que não tem culpa da azelhice alheia, meteu a bola lá dentro.

Preparei-me para um daqueles jogos sofrido em que acabamos a ganhar por um a zero. Fui completamente surpreendido por um momento Adrien. Fui eu e os jogadores do Moreirense. Há momentos, raros, em que o Adrien faz uma jogada que está para além das suas capacidades e do seu discernimento. Hoje sacou uma dessas e o Aquilani marcou um penalty em corrida.

A segunda parte estava escrita. Preparava-me para quarenta e cinco minutos de aborrecimento. Dois a zero nos tempos que correm é uma goleada. Só que aconteceu o que estamos cansados de ver. De repente, uma bola perdida na área encontra-se com o Slimani e o rapaz vai terraplenando os adversários que lhe vão aparecendo pela frente. Em desespero, os adversários fazem uma dupla placagem. No futebol estes lances dão origem a penalty, no râguebi também.

O Jorge Jesus teve que explicar ao Teo e ao Adrien que o Slimani não pode andar a arrancar penalties a torto e a direito sem ter oportunidade de marcar um. O Slimani rematou, o guarda-redes defendeu, e, na recarga, acabou por meter a bola lá dentro ao seu melhor estilo, isto é, sem estilo nenhum.

Demos o jogo por concluído. O Moreirense por dever de ofício tentou mais alguma coisa. Foi metendo uns rapazes rápidos e buliçosos. Os resultados foram poucos ou nenhuns. Melhores resultados teve uma paragem cerebral do Naldo, que, num lance sem perigo nenhum, resolveu oferecer um penalty. Ninguém me tira da cabeça que estava tudo combinado com o Jorge Jesus. Ele sabia que na próxima quarta-feira ia para o banco. Assim vai na mesma e há uma boa razão para isso. Não satisfeito com um disparate, o Naldo, na sequência de um canto a nosso favor, faz outro e, no contra-ataque, valeu-nos o Patrício. Também me pareceu um lance combinado. Em todos os jogos é sempre necessário demonstrar que o Patrício é o melhor guarda-redes do campeonato e um dos melhores do Mundo.

Não há grande moral deste jogo e da sua história. Antes assim. Assim é que é normal. Um jogo sem grande esforço, com a dedicação indispensável e a glória possível. Quarta-feira há mais.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Duas péssimas notícias

Duas péssimas notícias no mesmo dia: o iminente despedimento do Lopetegui e a nossa vitória contra o Besiktas. Vamos a uma de cada vez, começando pela primeira. Passo de imediato ao apelo e em discurso directo: “Pinto da Costa, caro amigo, o Lopetegui é uma aposta tua. É um dos teus. Um líder, um verdadeiro líder como tu, não deixa cair um dos seus e, muito menos, por alturas das festas”. Esperemos que o apelo resulte até janeiro pelo menos.

O Besiktas foi a melhor equipa contra a qual jogámos esta época. Não comecemos, como fui ouvindo depois do jogo, a desvalorizar o adversário e o resultado. Durante cerca de uma hora deram-nos um banho de bola. Jogando daquela forma, o zero a zero parecia-me uma forma digna de sairmos da Liga Europa e resolvermos este problema de nos andarmos a entreter com jogos que não contam para o campeonato.

Estava nestas cogitações, quando o João Pereira, ao perder a bola, permitiu que o Quarema nos afiambrasse uma trivela para o Mário Gomez encostar. Alvalade parecia transformado num ecrã de “play station”. O Besiktas pecou com este golo. Foi a gula. O zero a zero convinha a todos. O um a zero, com nota artística, começou a gerar comichões em alguns jogadores do Sporting.

O Slimani era o mais comichoso deles todos. De repente, o guarda-redes do Besiktas viu-se numa linha de caminho-de-ferro a olhar de frente para um TGV. Desviou-se a tempo. Fê-lo com elegância, não passando por cobarde. O um a um voltava a ser uma saída digna da Liga Europa. Só que aquele terrapleno depois de ligado não se consegue desligar.

O Ruiz, invejoso, para além de uma trivela ao contrário a isolar o Slimani no primeiro golo, resolveu marcar um golo com a classe dos jogadores que andam nesta vida há muito. Bola rápida e com força ao primeiro poste, quando o guarda-redes ainda hesitava se se fazia ao primeiro ou ao segundo poste. Comecei a ficar apreensivo. Tudo o que não desejávamos, acontecia.

Fiquei mais descansado quando a bola chegou ao Gutierrez. Ainda mais descansado fiquei quando o rapaz, em vez de rematar, fintou para dentro. Estavam criadas todas as condições para um daqueles lances em que tudo parece bem feito mas o golo não acontece. Para chatear, o Gutierrez conseguiu fazer aquilo que anda a tentar desde o princípio da época: marcar um golo depois de uma finta em câmara lenta.

Estamos tramados. Vamos ter de jogar mais jogos. Começamos com o Moreirense. Se correr mal, não nos venham com desculpas. Ninguém vos pediu para ganharem ao Besiktas. Só tinha interesse continuar na Liga Europa se o Benfica lá tivesse ido parar. Seria muito divertido limpar-lhes o sarampo nesta competição também.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Levantar a cabeça, seguir em frente, dignidade e parvoíces do género

O Benfica perdeu com o Atlético de Madrid. Não vi o jogo mas imagino. Lutou, mereceu, andou lá perto, mas perdeu. É sempre assim que se escreve mais uma batalha épica na Liga dos Campeões. Passaram à fase seguinte. Ainda bem. Esperemos que o desígnio europeu do Benfica encha a cabeça do Rui Vitória e dos jogadores por muitos e bons tempos.

O Porto perdeu com o Chelsea. Também não vi o jogo mas imagino a ladainha do costume para justificar o resultado. Não passaram à fase seguinte. Mau, muito mau. Podem definitivamente virar-se para o campeonato nacional. Esperemos que se convençam que podem vencer a Liga Europa.

Nós já tínhamos o discurso alinhavado para justificarmos a saída da Liga Europa. Contra o Lokomotiv, o Jorge Jesus meteu um ou outro mais jeitoso, apostando tudo no empate ou numa derrota honrosa. A entrada do Montero mais não visava do que garantir que em circunstância alguma ganhávamos o jogo. O que não desejávamos aconteceu. Agora, não sabemos com é que saímos deste entretém da Liga Europa. O ideal seria empatarmos com o Besiktas, depois de um qualquer gamanço ao melhor estilo internacional. Precisamos de acabar com esta farsa e concentrarmo-nos no Campeonato Nacional.

No fim do dia, todas as equipas portuguesas serão eliminadas. Umas por umas razões, outras por outras. Todas acabam com a converseta da cabeça levantada e por aí adiante. É uma outra forma de dizer que “para o ano há mais” sem dar parte de fraco. As competições europeias só aproveitam ao Carlos Daniel, ao Paulo Bento e a outros futeboleiros do género. Ninguém, como eles, consegue dar ares de aparente densidade a uma discussão sobre o inevitável.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cena patusca

Vai-se construindo uma campanha na comunicação social que pretende demonstrar que o Sporting tem sido beneficiado pelas arbitragens. Vai-se sugerindo assim que as classificações do Porto e do Benfica não resultam da falta de jeito, para não dizer outra coisa, dos seus treinadores, mas de supostos benefícios concedidos ao Sporting. É uma insídia que se espera que vá fazendo o seu caminho até cumprir a sua razão de ser, com um gamanço qualquer do Sporting.

Ontem, no programa Dia Seguinte, a campanha teve um dos seus momentos mais patuscos. Passaram trezentas e cinquenta e oito vezes um lance onde, porque se vê um jogador do Marítimo no chão, se quer à viva força ver também um penalty cometido pelo João Pereira. Ninguém vê nada, mas o lance vai sendo repetido tantas vezes quantas as necessárias para dar consistência ao embuste.

No entanto, começaram por se esquecer de passar o penalty a favor do Porto. A muito pedido do Rogério Alves, lá acabaram por passar a repetição do lance. O lance é precedido de uma falta evidente do jogador do Porto, que não só faz jogo perigoso na disputa do lance com o guarda-redes como o derruba. Este lance não precisa de ser repetido muitas vezes. Só precisa de ser repetido uma vez. Só que essa repetição não aparece ou só aparece a muito pedido. Por que é que se repete o lance do Sporting até a náusea e se esquece este? Por que será?

sábado, 5 de dezembro de 2015

Pedimos desculpa pelo mau jeito, mas os campeonatos ganham-se assim

Os jogadores do Marítimo jogaram como se não houvesse amanhã. A organização era pouca ou nenhuma. Mas a vontade parecia mover montanhas. A vontade e o regresso do salvador Marega. Talvez chegasse para mover montanhas, mas não chegou para o Patrício. Acabaram como o Benfica para a Supertaça, com o guarda-redes à biqueirada para os avançados.

O Patrício, a defesa e o William Carvalho garantiram-nos mais esta vitória. O ataque pouco ou nada rendeu. O Montero nem sequer tentou. O Gelson tentou, mas inconseguiu. Sobrou o João Mário e a esperança que o Bryan Ruiz fizesse mais uma jogada extraordinária ao ralenti. O golo veio de onde menos se esperava: do Adrien. Veio da única forma possível: de penalty, só que desta vez em movimento.

Em jogos como este, de muita luta e disputa de bola e pouco espaço e tempo para executar, sem o Slimani fica tudo mais difícil. Quando é necessário pressionar a defesa e a saída da bola ou esticar o jogo para a frente, compreendem-se melhor as diferenças relativamente ao Montero ou ao Tanaka. Na parte final do jogo, sem o Slimani, não fomos capazes de segurar o jogo na frente tanto quanto o necessário.

Há que ter esperança. Foi assim que o Jorge Jesus arrastou o Benfica até à vitória final no campeonato na época passada. Se fez isso com o Eliseu e o André Almeida, não vejo que não o possa fazer com os nossos matraquilhos também. Só falta a vitória contra o Porto para, como na época passada, o Lopetegui se começar a conformar com o seu destino

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Explicações e azias: escalpelizando o jogo contra o Belenenses

[Ganhar é o contrário de perder e vice-versa]
Para se ganhar um jogo é preciso começar por se evitar perdê-lo. Ontem, contra o Belenenses, perder o jogo nunca esteve em causa. É verdade que o Belenenses não tentou muito. Mas, noutros tempos, com um Sá Pinto e um Polga quaisquer, aquele Luís Leal teria feito mossa.

[Excluindo-se a possibilidade de derrota e jogando-se para ganhar, normalmente não se empata]
Foi isto que aconteceu ontem. O Sporting não deu qualquer hipótese de o Belenenses marcar um só golo sequer. Por outro lado, esteve permanentemente ao ataque. Quando assim é e mesmo que não se jogue muito bem, dificilmente o adversário, mais tarde ou mais cedo, não comete um erro que determina o resultado. Desta vez foi mais tarde. Convém não confiar. Por vezes não cometem erros ou quando os cometem nem sempre são ou podem ser aproveitados.

[A mão de Deus, a mão de Vata e a mão de Tonel]
Só mentes muito retorcidas é que conseguem vislumbrar qualquer intencionalidade no penalty proporcionado pelo Tonel. A azia não explica tudo. Se não conseguirem perceber pelo lado emocional podem sempre utilizar o lado racional do cérebro. Se foi intencional, então o Tonel, estava mancomunado, pelo menos, com o William Carvalho, o Slimany e o árbitro. Sem qualquer um deles, o lance não teria acontecido. O Tonel não pode centrar para a sua própria área e ir disputar a bola simultaneamente, fazendo ao mesmo tempo de Slimany e marcando o penalty. Se fosse possível fazer tudo isto e o fizesse aos noventa e três minutos, então não seria uma rameira mas um sádico.

[A equipa não dá para muito mais]
A equipa está espremida. Não dá para todas as frentes. As alternativas aos titulares são poucas e, face à sua juventude, intermitentes, nunca se sabendo se as substituições resultam. Tanto dá para golear uns russos como para ser goleado por uns albaneses. O Jorge Jesus não é um profeta. Conhece é bem a equipa que tem. A vitória na Liga Europa é um problema. Viu-se.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

É sempre possível tornar tudo mais difícil ainda

O Jorge Jesus anda paranoico com a gestão da equipa. É verdade que muitos deles não aguentam o jogo todo. Outros, andam a desfazer-se, como é o caso do Bryan Ruiz. A equipa está a superar as suas melhores expetativas e não larga competição nenhuma, apesar de o Jorge Jesus os ir industriando para acabarem com a brincadeira da Liga Europa.

A equipa não dá para tudo, é um facto. Mas dá à vontadinha para este Belenenses que nem um remate à baliza para amostra conseguiu fazer.

A primeira parte serviu para cumprir calendário. Apostou-se em se entediar o adversário de tal forma que, ao adormecer, permitisse uma jogada extraordinária do Bryan Ruiz. A jogada foi extraordinária por ter sido realizada em “slow motion”. Para azar, o guarda-redes não tinha adormecido e fez uma defesa que está para além do seu nível de competência.

Na segunda parte, procurou-se jogar um pouco mais depressa. Primeiro entrou ou Gélson Martins. Depois o Matheus Pereira. Por fim o Tanaka. Meteu-se o João Mário no meio. Nada parecia resultar, apesar do Matheus Pereira ter entrado com fogo na biqueira das botas.

Estava toda a gente a fazer contas de cabeça, quando o Tonel resolveu o jogo. Reconheço que tenho um fraquinho pelo Tonel, da sua passagem pelo Sporting. O homem teve que aguentar com o Polga durante uma série de época. Não é para todos. Algumas sequelas tinham que aparecer mais tarde ou mais cedo.

O Slimani agarrou na bola para ser o herói do jogo. O Jorge Jesus mandou-o virar-se para Meca e deu ordens ao William Carvalho para marcar o penalty. Tive medo. Veio-me à memória um penalty pior que o do Panenka marcado pelo William Carvalho na final do Campeonato da Europa. Mas o rapaz estava com a braceira no braço. Foi sempre com essa braçadeira que o Clark Kent se transformava no Super-homem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Houston we have a problem

A meio da tarde de ontem, liga-me uma colega a lembrar-me que tínhamos combinado ir à Universidade Católica ouvir Luigino Bruni no lançamento da edição portuguesa do seu livro “Redescobrir a árvore da vida. Um economista lê o livro de Génesis”. Tinha-me esquecido, de facto.

Cheguei a casa e, a meio de um telejornal qualquer, fico a saber que o Sporting tinha jogado com o Lokomotiv de Moscovo. Tinha-me esquecido também deste jogo. A memória está cada vez pior. Mesmo assim penaliza-me mais o esquecimento da conferência do professor italiano.

Pelo que vi, a rapaziada entusiasmou-se. O Montero fez finamente os passes e as assistências que toda gente dizia que fazia e não me lembrava de ter visto. Marcámos quatro com duas cuecas pelo meio. Moral da história: arranjámos um problema que não tínhamos nem desejávamos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Borda d´Água

Em novembro, com o fim da castanha chega o Astana. Entradas em dezembro, com a primeira neve chega o Kiev.