terça-feira, 24 de março de 2015

A normalidade e o campeonato

A nossa classificação reflete erros próprios. Demorámos uma eternidade para encontrar uma dupla de centrais decente. Empatámos uns jogos em casa que não lembram ao menino jesus. Entusiasmámo-nos nas competições europeias e não fizemos a necessária gestão da equipa. Muitos erros podem ser apontados.

Agora, os nossos principais adversários não têm um percurso isento de erros. Só que, em certas circunstâncias, acabou sempre alguém por os salvar e, noutras, por não os enterrar. Esta dualidade é completamente visível no que ao Benfica diz respeito. O Benfica tem uma equipa que não é brilhante, destacam-se dois ou três jogadores, jogou mal em muitos jogos e, apesar disso tudo, lá foi somando os pontinhos do costume.

Num campeonato normal não estaríamos a nove pontos do primeiro. Estaríamos provavelmente a seis. E esse primeiro não seria o Benfica. Nos jogos disputados com os principais adversários, só o Porto, e por uma vez, demonstrou que era melhor equipa do que a nossa. É neste contexto também que temos de avaliar o atual desempenho do Sporting.

domingo, 22 de março de 2015

Contas saldadas

Havia umas contas para resolver com o Guimarães. O jogo da primeira volta ainda não estava completamente digerido. Aviámo-los na Taça da Liga com uma equipa de miúdos. Mas era pouco. Era preciso resolver estas contas em definitivo. As contas estão saldadas e não se fala mais nisto. Na próxima época há mais.

O jogo começou meio repartido. O Guimarães até aparecia mais no nosso meio-campo. Só que o Guimarães não deixa de ser a típica equipa portuguesa: com a bola nos pés fica sem a noção de onde fica a baliza. Na primeira oportunidade, grande cruzamento de Carrillo e cabeceamento do João Mário para o fundo da baliza. O último golo que o João Mário marcou de cabeça foi com o ombro. Há uma melhoria que se assinala.

O jogo ficou decidido. O Guimarães não tem capacidade para assumir as despesas de um jogo e jogar em ataque continuado. Era uma questão de tempo para aparecerem mais golos. O segundo resultou de uma remate espantoso do Miguel Lopes à barra, seguido de uma defesa ainda mais espantosa do guarda-redes depois de uma remate do Nani que, após um bom passe do João Mário, rematou mais uma vez, tendo um defesa cortado a bola com o braço. O penalty é dos modernos. Fico sempre na dúvida. É daqueles que os árbitros marcam conforme lhes dá na real gana. O Adrien fez o serviço de costume. Há quem goste e quem não goste do Adrien. As opiniões são irreconciliáveis. Só há consenso sobre a competência do rapaz para marcar penalties.

O terceiro resultou de uma jogada notável do Miguel Lopes que, depois de ganhar a linha, centrou para o sítio certo e com velocidade adequada, permitindo o golo de cabeça do costume do Slimani. Sempre que alguém contraria o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a bola vai para a cabeça do Slimani o resultado é sempre o mesmo.

Na segunda parte havia duas hipóteses. Ou a rapaziada do Sporting se enchia de brios e tentava a goleada ou, então, fazia o que fez, deixava correr o marfim, enquanto o Guimarães fazia de contas que ainda estava a disputar o jogo. A segunda hipótese era a mais plausível. A rapaziada do Sporting está em modo de fim-de-época e, portanto, está toda a pensar se o Jorge Mendes ou outro do género lhe arranja qualquer coisa. Se o Rojo foi para o Manchester, qualquer outro jogador tem aspirações a chegar ao Barcelona, ao Bayern ou ao Real Madrid.

Assim, a segunda parte foi uma seca. Andámos a fazer de contas que estávamos a jogar. O Guimarães cumpriu a sua parte também, fazendo de conta que também estava a tentar fazer alguma coisa. Só houve dois momentos. O penalty, resultante de uma trapalhice do Mané e do defesa do Guimarães. Mais uma vez, tenho as minhas dúvidas sobre a decisão. O Nani pediu para marcar e marcou bem. O golo deve servir para uma estatística qualquer que lhe permita regressar ao campeonato inglês ou a qualquer outro onde se jogue, de facto, à bola. O golo do Guimarães. Não tem mal nenhum sofrermos uns golos de vez em quando. Devíamos era evitar sofrer golos ridículos.

Este jogo não deu para tirar grandes conclusões. O Miguel Lopes esteve bem. Esteve nos três primeiros golos. Parece mais lúcido que o Cédric, que põe os olhos no chão e corre como se não houvesse amanhã. O Ewerton esteve bem também. O William Carvalho esteve ao seu nível. É aproveitar que, ou muito me engano, ou, para o ano, estará noutro lado qualquer. O Adrien atrapalhou sempre que teve oportunidade. O Nani não esteve brilhante. O Carrilo esteve intermitente. Agora, no primeiro golo, fez um cruzamento só alcance dos predestinados. O Slimani esteve lá para fazer os estragos do costume. Agora, neste jogo, contrariamente a outros, cada vez que o cântaro ia à fonte ficava lá sempre a asa (esta “punch line” está ao nível de um acórdão de um tribunal superior em qualquer lado do Mundo).

(O árbitro mostrou amarelos como se estivéssemos em presença de uma batalha campal. O segundo amarelo ao Paulo Oliveira e o do Mané são ridículos)

sábado, 21 de março de 2015

Mais ou menos um

Jogar contra onze é mais difícil do que jogar contra dez. Pelas mesmas razões, jogar com dez é mais difícil do que jogar com onze. Daqui se conclui que, mesmo por pouco tempo, mais ou menos um pode fazer a diferença. O Benfica sabia isso, mas não o valorizava devidamente. Hoje, valorizará muito mais.

quarta-feira, 18 de março de 2015

O feito estava feito

Depois de ler o “post” de ontem, o meu amigo Júlio Pereira chamou-me à atenção para a injustiça que estava a cometer. Na época de 2009/2010 o Benfica jogou 17 jogos contra dez num total de 30 partidas para o campeonato. Nessa época disputaram-se 480 jogos com 86 expulsões, o que dá uma média de expulsões por jogo de aproximadamente 18%.

A probabilidade de ocorrência desta série de jogos a jogar contra dez é de aproximadamente 0,0002%. Não vale a pena fazer aqui os cálculos. Em 2009/2010, eram necessários cerca de 1,7 jogos para haver uma expulsão dos adversários do Benfica. Esta época, este rácio vai em 2,3 jogos. É uma diferença significativa, apara além do facto de nessa época a probabilidade de ocorrerem expulsões ser também menor (18% contra 21%).

Matematicamente ainda é possível bater o recorde da época 2009/2010? Claro que sim. Era necessário que se registassem mais dez expulsões nos nove jogos que faltam. Não basta uma expulsão por jogo. São necessárias 1,1 expulsões por jogo.

É necessário continuar a tentar, jogo a jogo, até ao final da época. Mas não quero gerar falsas expetativas. Não me parece que seja possível bater recorde de 2009/2010. Outras épocas virão. Outras tentativas se irão fazer. Não tenho nenhumas dúvidas quanto a isso.

terça-feira, 17 de março de 2015

O Benfica contra as estatísticas

O facto de o Benfica jogar sistematicamente contra dez tem-me deixado intrigado. Lancei o desafio à minha filha de calcular a probabilidade de tal acontecer. A minha filha disse-me que isso se resolvia com uma distribuição binomial e mandou-me à fava. Tive que voltar aos livros de estatística.

No campeonato, até ao momento, registaram-se 98 expulsões em 450 jogos. Admitindo alguns pressupostos simplificadores, como a existência de uma só expulsão por jogo, determinando uma probabilidade de ocorrência de aproximadamente 21%, e de, nos jogos contra o Benfica, as expulsões serem sempre da equipa adversária (o que corresponde praticamente à verdade), verifica-se que a probabilidade de o Benfica jogar contra dez em 11 dos 25 jogos disputados é dada pela seguinte expressão:

[25!/(11!x14!)]x0,21^11x0,79^14 

O resultado é o que esperava. Nada mais, nada menos do que 0,75%. Isto é, a probabilidade não chega a 1%.

Os grandes feitos da humanidade fizeram-se contra todas as estatísticas. Amundsen descobriu o Polo Sul e regressou para contar a história contra todas as probabilidades. Cavaco Silva foi dez anos Primeiro-ministro e dez anos Presidente da República quando a única coisa que desejava era fazer a rodagem de um Citroen até à Figueira da Foz.

Os benfiquistas, e com toda a razão, estão orgulhosos da sua história. Estão orgulhosos do belíssimo campeonato que estão a fazer. Mas o grande feito, aquele que fica para a história da humanidade, é jogar 11 em 25 jogos contra dez. Ninguém no Mundo os igualou ou igualará. Eu, como português, estou orgulhoso também.

domingo, 15 de março de 2015

O Sporting, o Marítimo e o Comissário Maigret

Georges Simenon coloca Maigret, no seu primeiro caso, a tentar desvendar um homicídio há muito ocorrido e que tinha sido dado como encerrado no 36, quai des Orfèvres. Sempre empenhado e sagaz o futuro comissário é chamado ao seu superior que lhe transmite que a descoberta do suposto homicida não interessa a ninguém; nem ao morto interessa.

Pelos vistos, este jogo contra o Marítimo também não interessava a ninguém. O interesse em participar na Liga Europa é pouco ou nenhum. Para a maior parte das equipas, como o Marítimo, é uma ruína. O Sporting precisava de ganhar por dever de ofício. Depois do golo, o resultado passou a interessar a ambas as equipas. O tempo, solarengo, também convidava a alguma preguiça. O comentador da SportTV era o único que mostrava ansiedade com o desenrolar do jogo. Por ele, aquilo não ficava assim.

Não há muito a registar, portanto. Grande defesa do Patrício na única oportunidade de golo do Marítimo. O João Mário faz tudo bem menos rematar à baliza. O Nani deu um nó no defesa direito que o deixou a coxear. O Rosell não é o William Carvalho, mas, hoje, deu para disfarçar. O Adrien fez uma coisa bem feita. Aliás, a única coisa que sabe fazer bem, que é marcar penalties. Não desgostei do Ewerton. Não parece ainda em forma, mas, na parte final, quando o Marítimo decidiu jogar à biqueirada para a frente, limpou tudo o que havia para limpar.


(Os treinadores costumam divulgar com antecedência o onze titular. Contra o Benfica, devem começar a divulgar não o onze mas o dez titular. Ninguém tem dúvidas que dão ordens explícitas a um dos seus jogadores para arranjar maneira de ser expulso. Depois do meu último “post” e dos comentários que recebi, só se pode entender esta sequência de jogos a jogar contra dez desta forma)

sábado, 14 de março de 2015

Um cisne negro que parece mas não é

Os cisnes negros, para Nassim Taleb, são fenómenos completamente imprevisíveis. A probabilidade de ocorrência não é possível de determinar, porque não existe inferência estatística que nos proteja do que não conhecemos, mas que pode sempre existir ou acontecer.

Jogar contra dez, de acordo com os dados disponíveis, não é um acontecimento altamente provável. No entanto, existe uma probabilidade não negligenciável. Jogar sistematicamente contra dez, é altamente improvável, mas, mesmo assim, previsível. Só que a probabilidade de ocorrência é praticamente nula. Não é, pois, um cisne negro.

Hoje o Benfica jogou contra dez outra vez. A probabilidade de ocorrer neste jogo não era negligenciável. A probabilidade de ocorrer depois de todas as outros jogos a jogar contra dez era praticamente nula. Só que os acontecimentos deste tipo não se devem ao acaso. Aliás, nada é deixado ao acaso.

terça-feira, 10 de março de 2015

Um mau filme

Este jogo contra o Penafiel teve tudo o que costuma ter um mau filme. O argumento foi péssimo, os atores deploráveis, os realizadores piores do que maus.

Quando cheguei ao Flávio, estávamos a ganhar por dois a uma e a jogar com menos um. O Tobias Figueiredo foi um passarinho. Bastava ter acompanhado o tal de Guedes. Esse rapaz arranjaria sempre maneira de não marcar golo. Aliás, o Sarr, no jogo em Penafiel, depois de uma barracada monumental, em que deixou a bola passar-lhe por cima, limitou-se a pressionar o rapaz e ele acabou em desespero por nos ganhar um pontapé de baliza. Mas adiante.

Depois da expulsão o Marcos Silva ficou hesitante. A ideia de recuar o William Carvalho, contra uma equipa como a do Penafiel, não é má. Só o é porque entrega a cobertura defensiva do meio-campo ao Adrien. O Adrien consegue sempre a proeza de não estar no sítio certo quando é preciso. Levámos o empate depois de uma carambola na nossa área e no segundo remate à nossa baliza.

O Marcos Silva demorou a aprender, mas a muito custo lá tirou o inútil do Adrien. A equipa ganhou algum controlo de jogo e procurou pressionar mais à frente. Só que não havia velocidade. Muita troca de bola, mas pouca agressividade e vontade de marcar. Sai o Mané e entra o Carrillo. A substituição habitual. O Carrillo tira da manga um cruzamento notável para a entrada do Nani que, de cabeça, coloca-nos na frente.

O jogo estava arrumado e ainda mais arrumado ficou com a expulsão do lateral direito do Penafiel. Há um grande erro nessa expulsão. Esse jogador devia ter sido expulso quarenta minutos antes. Quando leva o primeiro amarelo, devia estar a levar o segundo. Na segunda parte corta um lance com o braço com o árbitro a fazer de conta que não viu.

Mas o pior estava para vir. A minuto e meio do fim, com o Penafiel a jogar com nove, o pateta do João Mário, em vez de segurar a bola e a trocar com os seus colegas, resolve fazer um remate à baliza de fora da área. Pontapé de baliza, disputa de bola entre um jogador do Sporting e outro do Penafiel, livre contra o Sporting, biqueirada para dentro da área, o ai-jesus do costume e por pouco o Penafiel não empatou. Valeu-nos São Patrício.

A insistência no Adrien, associada ao desplante de tentar marcar um golo de calcanhar, o remate disparatado do João Mário, que ainda sorriu, leva-me cada vez mais a pensar que o Marco Silva não tem mão no balneário. Jogam os que jogam porque são eles que fazem a equipa. Uma asneira como a do João Mário devia dar direito a banco no próximo jogo. O Adrien há muito que devia estar no banco também. Não há competitividade na equipa. Jogam sempre os mesmos, independentemente do momento de forma. A equipa arrasta-se cada vez mais e falta ânimo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Será que perdi algo relevante?

Ao longo dos últimos dias afazeres profissionais têm-me impedido de ver os jogos do Sporting. Parece que não tenho perdido nada.

Ao ver os resumos e ao ler o que se vai escrevendo pelos blogs parece-me claro que aquele golo no último minuto contra o Benfica afectou muito a equipa, que quis responder com o Wolfsburgo mas não conseguiu. Não era o adversário mais fácil para o fazer.

Também me parece que o Porto não está para brincadeiras na Liga, algo que nós pagámos bem caro, já que andámos a brincar na Liga Europa e não tínhamos pernas nem motivação para a Liga. Já a Liga continua a brincar com quem paga bilhete e investe no futebol. Já não interessa muito ao Sporting, mas o que se está a passar este ano é uma farsa.

Posto isto importa focar os jogadores na extrema necessidade de ficar em 3º - hoje temos um jogo decisivo - e continuar a querer ganhar a Taça. Talvez o único ponto positivo dos últimos dias tenha sido mesmo o empate conseguido contra um Nacional moralizado e um Xistra também em boa forma. (Por falar em boa forma, diz que o Capela ontem esteve em grande... estou desejoso do ver num jogo nosso!)

SL

domingo, 8 de março de 2015

Benfica sim, Benfica não

Parabéns ao Nélson Évora. Grande marca e título de Campeão Europeu do triplo salto em pista coberta. Só um grande campeão é que continua a fazer grandes marcas e a ganhar títulos, depois de tudo o que tem passado com as lesões.

O Benfica continua a ganhar contra dez. O recorde, tanto quanto recordo, pertence-lhes desde a época 2009-2010. Estão embalados para conseguirem uma grande marca e mais um título. Só que jogar contra dez não depende do Benfica. Depende da equipa adversária e dos árbitros. Inclino-me mais para o facto de os jogadores das equipas adversárias jogarem de forma diferente contra o Benfica com a intenção, mais ou menos manifesta, de serem expulsos.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Desorientação Profissional



Ontem, mais uma vez, não consegui ver o jogo. Desta vez foi uma pequena palestra sobre vocação e orientação profissional. Quando cheguei a casa vi o resumo do jogo. Somando os resultados das duas experiências dessa noite, daquilo que me foi dado a ver e a ouvir posso concluir que alguns profissionais do Sporting precisam de uma urgente reflexão sobre as suas verdadeiras vocações e orientações profissionais.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A gestão da equipa

Na época passada, o Leonardo Jardim pegou nos cacos que lhe tinha deixado e construiu uma equipa. Inventou jogadores, como o William Carvalho, ensinou a equipa a defender (de repente, o Maurício e o Rojo pareciam muito melhores do que eram) e cultivou o cinismo.

Por muito bem arranjadinha que a equipa estivesse, o plantel era curto. O abaixamento de forma de um ou outro jogador e os castigos deixavam-nos à beira do inconseguimento, como diria a nossa Presidente da Assembleia da República. À falta de melhor, até o Magrão e o Vítor entravam nas contas.

O Leonardo Jardim foi-se embora e deixou-nos um onze base formado. O Marco Silva, que não tem nada de estúpido, aproveitou. Entretanto, fizeram-se umas tantas contratações de qualidade duvidosa. A maior parte, eram mais jovens promessas do que jogadores feitos. As alternativas ao onze base não continuavam a ser muitas. Pelo caminho, o centro da defesa desfez-se e foi preciso inventar outro.

Com o Marco Silva a equipa joga melhor, mas desgasta-se mais. A este desgaste, resultante do modelo de jogo adotado, junta-se o que resulta da participação nas competições europeias e de uma participação na Taça de Portugal mais bem-sucedida. Impunha-se ir encontrando alternativas ao onze base para gerir melhor os momentos de forma e os castigos.

É verdade que as contratações não foram um primor. Não existem alternativas aos magotes. Mas há algumas: o Wallyson, o Gauld, o Geraldes, o Tanaka, o Miguel Lopes (pior que o Jonathan não faria de certeza absoluta), o André Martins. O Marco Silva não tem grandes alternativas, não tem jogadores para um plano B. Mas tem algumas, que permitiriam gerir melhor a equipa.

domingo, 1 de março de 2015

Colapso

Perdeu-se este jogo contra o Porto muito antes de se ter iniciado. O que esperava aconteceu: a equipa estoirou fisicamente. Quando não há rotatividade na equipa e se joga contra o Wolfsburg, um jogo a feijões, como se se estivesse a jogar uma final, cerca de setenta e duas horas depois não se pode esperar muito. Faltou definição de prioridades e, portanto, faltou planeamento.

Tirando o William Carvalho e o João Mário, que também estoirou na segunda parte, do meio-campo para a frente estava tudo morto. Quase todos por cansaço; o Montero porque já entra morto para dentro de campo. Os laterais não estavam melhor. O Cédric, que passou o jogo todo contra o Wolfsburg, a fazer sprints atrás de sprints, hoje nem se conseguia mexer. O Jonathan não se consegue mexer sejam quais forem as circunstâncias. Reage sempre tarde e a más horas, não consegue mudar de velocidade e, cerca da meia hora, bastava olhar-lhe para a cara para se ver que estava em risco de apoplexia. Aliás, a única dúvida é se era ele ou o Adrien a cair fulminado no campo primeiro.

Ainda aguentámos vinte minutos a pressionar o ponto mais fraco do Porto, que é a saída de bola da defesa para o ataque. Alguns daqueles rapazes são uns autênticos passarinhos. É só esperar que façam asneira. Ainda fizeram uma ou duas. Mas, a partir desses vinte minutos, deixámos simplesmente de ter qualquer tipo de capacidade de pressionar a saída da bola.

A diferença de velocidade e de ritmo de jogo era por demais evidente. Ninguém ganhava um ressalto, uma bola dividida. O Porto, mal ganhava a bola, tinha autênticas avenidas para correr com ela. Foram três, mas podiam ter sido mais. A rapaziada do Porto ainda foi dada a cerimónias. 

Agora vem a meia-final da Taça de Portugal. Voltamos a jogar cerca de setenta e duas horas depois de mais um jogo difícil e intenso. A equipa, que não estava bem fisicamente, ainda piorou animicamente. O Marco Silva corre o risco de deitar a perder toda uma época em menos de uma semana.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Um jogo entretido

O Quinito, um treinador célebre há uns anos, quando não tinha nada a dizer sobre um jogo dizia que ele tinha sido entretido. O jogo contra o Wolfsburg foi um destes jogos. Perdeu-se a eliminatória na primeira mão. As eliminatórias têm duas mãos. É sempre necessário jogar a segunda. É necessário jogá-la representando cada equipa o papel que lhe compete.

Ao Sporting competia-lhe atacar e atacou. Ao Wolfsburg competia-lhe defender e defendeu. Quem tinha de defender defendeu melhor do que quem atacou e tinha de atacar. A sorte o guarda-redes, a falta de eficácia e por aí fora fazem parte do jogo. Assim, o resultado foi um empate.

Dito isto, vamos ao jogo. Foi um bom jogo. A equipa está a defender melhor. Ataca, porventura não ataca tanto como atacava, mas não se expõe tanto defensivamente. Os centrais estão a cumprir muito acima das melhores expetativas. O William Carvalho está cada vez melhor. Continua a acertar mas a acertar jogando mais depressa e arriscando mais passes verticais. O Tanaka deu boa conta de si. Falhou umas tantas oportunidades, mas estava lá e, pelo caminho, teve algum azar. Gostei da dupla que fez por momentos com o Slimani.

O árbitro deixou jogar. As equipas rapidamente perceberam que tinham de jogar à bola e deixar-se de tretas. O jogo foi intenso. Houve oportunidades. Foi pena não termos marcado pelo menos um para dar uma maior emoção ao jogo. Enfim, como dizia o Quinito, foi um jogo entretido.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

He’s back

O Nani está de volta. Deu-se mais ao jogo. Movimentou-se mais. Testou a pontaria num livre para grande defesa do guarda-redes. As medidas à baliza estavam tiradas para o melhor golo da época seguramente. Ajeitou a bola com a cabeça, deixou-a cair no chão e, quando ressaltou, aplicou-lhe um remate com o pé esquerdo que a fez descrever uma das parábolas mais belas da história e entrar, sem defesa, no ângulo superior direito da baliza. Nem nos meus tempos de artilheiro, em Vendas Novas e Leiria, assisti a um exercício de balística daquele nível.

 O Gil Vicente não é grande adversário. Aliás, como muitas outras equipas portugueses, foi para dentro de campo sem outro objetivo que não fosse deixar correr o tempo. Colocou um grandalhão na frente e chamou a isso ataque. Devem ter contado, e bem – como se viu-, com o árbitro. Foi ele o autor da única jogada de perigo. Os comentadores das SportTv estiveram geniais quando decidiram efetuar uma consulta na internet para encontrar uma justificação para tamanho disparate.

Nestes jogos, como costumo dizer, não se pode dar descanso à defesa. Para isso, joga-se com dois pontas-de-lança. Mesmo assim, a colocação do Tanaka a ponta-de-lança foi um avanço. O golo é sintomático disto. A bola sobrou para o sítio certo e o japonês empurrou-a para a baliza com a parte do corpo que tinha mais à mão. Ganhou-se em eficácia, embora se tivesse perdido em nota artística. Agora um golo é sempre um golo e é melhor um golo banal do que um falhanço cheio de técnica e souplesse.

Na primeira parte não estivemos mal, mas há demasiados toques na bola para poucas oportunidades. Uma ou outra e muitas cócegas na defesa. Na segunda parte as coisas não pareciam melhorar. O André Martins que não tinha jogado mal na primeira parte estava a piorar na segunda. O golo resolveu o que o Marco Silva se preparava para ensarilhar. Ou muito me engano ou preparava-se para tirar o Tanaka e meter o Montero.

Com o primeiro golo e, depois, com o segundo o jogo acabou. Acabou e acabou bem. Contrariamente ao verificado noutros jogos, conseguimos controlar o jogo. O João Mário e o William Carvalho dedicaram-se a jogar ao meio com os adversários. O João Mário está condenado a jogar no lugar do Adrien a continuar assim.

Ganhámos. Não deve servir de muito. A arbitragem continua brilhante. Para além da jogada notável que proporcionou a única situação de perigo do Gil Vicente, ficou um penalty por marcar e um tal Semedo, que passou o tempo todo a disputar os lances à marretada, conseguiu acabar o jogo. Em Moreira de Cónegos aconteceu mais do mesmo. Naquelas circunstâncias, como estava a jogar o Benfica, o Sporting jamais ganharia o jogo. Alguém se encarrega sempre de resolver o que parece não ter solução. Vão variando, mas são sempre os mesmos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Facto incontornável

Os jogos que não vejo são aqueles de que mais gosto de falar. Pode-se dizer o que se quiser sem se ficar amarrado praticamente aos factos. Só não podemos contornar o único facto incontornável: o resultado.

Perdemos e isso não é bom. Tendo perdido, perdemos por dois a zero. É pior do que perder por um a zero ou por dois a um. Agora, também é melhor do que perder por três a zero, por exemplo. Ver este facto por vários ângulos de análise dá-nos uma perspetiva mais correta. Era possível pior. Logo, não foi mau.

O Wolfsburg é uma grande equipa. Deu uma abada ao Bayern há dias. Ora, se deu uma abada ao Bayer, supunha-se que nos desse uma abada ainda maior. Não deu. Resta-nos, em casa, fazer um resultado simpático que nos leve a sair desta aventura europeia de cabeça levantada, como se costuma dizer.

Estas competições europeias servem para ganhar umas coroas, a Liga Europa nem isso, e entreter a malta durante a semana (embora muitos de nós só tenhamos tempo para ver jogos ao fim-de-semana). Agora, têm o defeito de distrair os jogadores do essencial. O essencial é o Campeonato e a Taça de Portugal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Rescaldo

Há umas frases feitas que servem para estas situações. Na segunda-feira toda a gente a acerta no Totoloto. Os prognósticos fazem-se no fim dos jogos. Podíamos estar aqui até amanhã.

Mais irritante do que jogo contra o Belenenses foram os comentários e as análises depois dele. O Sporting não jogou a ponta de um corno. Daqui não resulta que o Belenenses tenha jogado bem ou sequer que o Sporting tenha jogado mal por qualquer ação do Belenenses. O Belenenses é uma daquelas (muitas) equipas portuguesas que entra para o campo a ver o que o jogo dá. Não tem objetivos. Vai defendo como pode, manda umas biqueiradas para a frente, deixa o tempo passar e acredita num milagre.

O Sporting revelou as mesmas dificuldades do jogo contra a Académica, sobretudo na primeira parte. Muita posse de bola, muitos passes para o lado e para trás e umas brincadeiras de um ou outro jogador. Oportunidades é que nem vê-las. O Belenenses ainda nos ofereceu uma. Mas, mesmo assim, água.

É irrelevante se apostamos mais no jogo interior ou pelas laterais quando andamos a trocar a bola a quarenta metros da baliza adversária. É preciso atacar a baliza adversária. Só depois de se decidir isso é que se decide de que forma se faz. Não vale a pena o Montero estar sempre a recuar para cima dos médios, ficando sempre os defesas de frente para a bola e não entrando ninguém nas costas. Depois é necessário ter o “timing” certo para se chegar à área, com as desmarcações certas e as alternativas devidas. Centrar para a área não é atirar a bola para a molhada. É na mesma passar a bola para o colega mais bem posicionada. Por fim, é necessário ter fogo nas botas. Entrar às bolas, disputá-las com os defesas e querer marcar golos nem que seja com a barriga.

Na segunda parte, o Marco Silva quis dar mais profundidade ao jogo. O Montero não se mexia. Entrou o Tanaka. Percebe-se, embora também se percebesse se ficassem os dois. Saiu o João Mário para entrar o Mané. Aí as coisas percebem-se menos. Com o Adrien em campo jogamos com menos um.

O jogo, que não estava bonito, ficou uma porcaria. A verdade é que o Belenenses não criou uma oportunidade de golo. Atribuir algum mérito ao Belenenses no jogo é dar mérito às equipas que jogam com onze jogadores e que vestem equipamentos diferentes do adversário. Com dez e continuando a não jogar nada, empurrámos o Belenenses para defesa, que nunca mais de lá saiu. Mesmo no fim, entrou em ação o melhor jogador do Sporting: o poste. Naquele jogo dificilmente outro jogador faria um passe tão decisivo para o Mané.

O treinador analisou bem a situação ao intervalo. Sem profundidade atacante, não há espaço. É escusado andar a jogar ao meio. A mudança não resultou como desejava. Agora, não substituiu, e bem, o Patrício e o Patrício foi o jogador mais decisivo do Belenenses.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O ridículo mata

O golo que sofremos foi ridículo. O autogolo que o Patrício ia fazendo foi ridículo. O ataque com o Montero é ridículo. Contra uma equipa ridícula como o Belenenses, só sendo ridículos é que não ganharíamos o jogo.

O Belenenses é daquelas equipas que entra para dentro de campo para tudo menos para jogar futebol. Não sai com uma bola. Limita-se a umas biqueiradas para a frente à espera que num ressalto ou noutro acidente qualquer possa fazer um ataque. Entrega a bola ao adversário por não ter qualquer interesse em dispor dela. Vai perdendo tempo sempre que pode, seja num lançamento, num pontapé de baliza ou nas inúmeras lesões que os jogadores vão sofrendo.

Perante isto, o Sporting entrou naquele sistema em que faz de conta que tem o controlo de jogo, mas em que falta profundidade e agressividade ao ataque. O Montero está lá para recuar para ao meio com os seus colegas. É um jogo conhecido: quem perde a bola fica a correr atrás dela. O objetivo é simplesmente não perder a bola. A baliza, esse objeto distante, nada interessa. O que interessa é não perder a bola e jogar em souplesse. A coisa está de tal maneira que não disputa uma única bola dentro da área e não chuta para a baliza a não ser que estejam reunidas as condições para o fazer em grande estilo.

Assim estivemos toda a primeira parte. O Belenenses ainda nos ofereceu um golo, mas o Montero, em vez de fintar o guarda-redes que já estava sentado, resolveu tentar marcar um golo em grande estilo com uma trivela à Quaresma.

Na segunda parte o treinador fez o óbvio. Meteu os dois únicos jogadores que revelam alguma vontade em dar profundidade ao jogo, de se desmarcar e de rematar. Passou a haver mais espaço no meio-campo e o jogo ficou mais partido. O Patrício tentou dar um frango e logo ali se viu que aquilo não acabava sem ele dar mesmo um frango.

Dado o frango, tivemos um pouco mais de vontade, mas não muita. O Nani fez o favor de aparecer mais um bocadinho. O treinador meteu o Capel para fazer de conta que estava a fazer alguma coisa. O Cédric fez o favor de arranjar maneira de ser expulso. No último momento e depois de um lance ridículo do Belenenses acabámos por marcar o empate.

Os centrais não estiveram mal. Ninguém tem culpa de o Patrício ter jogado com o cérebro parado. O Jéfferson tentou e mais não conseguiu porque na área não mora ninguém. O Cédric esteve horrível. O William Carvalho fez um bom jogo. O Adrien continua a mais. Ninguém percebeu a razão para ter concluído o jogo. O Nani esteve perdido em parte incerta. O Carrillo tentou, mas não há ninguém no ataque para o acompanhar. O João Mário não esteve pior do que o Adrien. O Capel entrou para que não restem dúvidas que não temos alternativas no banco. Em síntese, sem o Slimani, o nosso ataque é ridículo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Ainda sobre o jogo de Domingo

Já é habitual no mundo do futebol cada jogo ter duas partes. O que não é tão comum é ser uma parte de 87 minutos e outra de 7. Foi o caso de Domingo.

Na primeira parte, a tal de 87 minutos o Sporting fez um jogo quase perfeito. Contra um adversário "teoricamente mais forte" e que procurava jogar unicamente no erro, sem nada arriscar, e nos nervos, jogando com todas as demoras e pedidos de assistência que conseguia imaginar, fizemos uma exibição paciente e confiante. Ainda assim, entre cantos, livres e cruzamentos as oportunidades não eram muitas e parecíamos empenhados em desperdiçar o pouco que aparecia. Milhares de Sportinguistas a pensar no que já aqui foi dito tantas vezes: jogar só com Montero na frente é dar descanso aos adversários que usam a táctica do autocarro (ou as suas variantes, como foi o caso). O golo quando surgiu premiava mais a persistência que propriamente a intensidade, mas há que dar grande mérito a Marco Silva não tanto por adivinhar a forma como o Benfica ia jogar, mas por conseguir controlar o jogo como controlou. A estratégia do "melhor treinador do mundo" tinha sido completamente manietada.

Depois veio a 2a parte, a tal dos 7 minutos. Aqui mais uma vez emergiu um dos nossos pontos fracos. Sem capacidade para segurar a bola, sem "manha" para retardar todos os lançamentos, sem "arte" para jogar pontapé para a frente, sem "experiência" para o Rui Patrício se lesionar no dedo mindinho ou para criar um "sururu" à moda do Porto. O "melhor treinador do mundo" vestiu então a pele de Paulo Sérgio e meteu tudo o que tinha. Tal como em Coimbra, Marco Silva não soube transmitir a calma necessária para contrariar este tipo de táctica e um pinheiro qualquer lá aliviou uma bola que acabou no fundo das nossas redes e nos roubou dois pontos. Mais um capítulo de uma história já conhecida.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ver o jogo de pernas para o ar

O Benfica veio a Alvalade para não perder. Veio assim porque teve receio da qualidade do adversário e desconfia das qualidades próprias. Não acredito que o Jorge Jesus tenha dito aos seus jogadores para, quando tivessem a bola, não atacarem.

O que aconteceu foi que não conseguiram. Por mérito dos jogadores do Sporting, mas, sobretudo, pela falta de qualidade dos jogadores do Benfica. Aquela dupla Samaris – André Almeida é horrenda. Com o Sálvio tapado e sem grandes subidas dos laterais, ninguém sabia o que fazer à bola quando dela dispunha. O Enzo faz muita falta àquele meio-campo.

O Benfica foi realista na forma como abordou o jogo. Sabe que, hoje, dispõe de jogadores medianos em muitas das principais posições. No meio-campo, ninguém troca nenhum dos jogadores do Sporting pela dupla de pernetas do Benfica. Só o treinador e o colo do costume é que vão disfarçando o óbvio.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

É assim a vida...

Qualquer sportinguista que se preze sabe que muitas histórias acabam assim. Já as vimos acabar assim várias vezes. Foi a meio minuto do jogo acabar. Dificilmente podia ter sido pior.

O Benfica não quis perder o jogo. Subiu a defesa e encostou-a ao meio campo. Os avançados preocuparam-se mais em dificultar a saída da bola do Sporting do que propriamente em procurar o golo. Os espaços eram inexistentes.

O Sporting quis ganhar o jogo, mas não quis arriscar. Teve sempre mais bola e trocou-a melhor. Na segunda parte dominou totalmente. Carregou como pôde. Foi intensificando o seu jogo. Parecia que o golo podia acontecer e aconteceu. O Samaris esteve deslumbrante na desmarcação do João Mário. O João Mário foi por ali fora a correr aos tropeções e ainda conseguiu rematar para um boa defesa do Artur, ressalto e o Jéfferson a metê-la redondinha lá dentro.

A três minutos do fim o jogo devia ter acabado. No entanto, a esta equipa do Sporting falta-lhe capacidade para congelar o jogo. A bola parecia queimar no último minuto. Os jogadores do Sporting chegaram a ter a bola várias vezes. Num desses lances, o William Carvalho dá de cabeça para o Adrien que deixa sair a bola pela lateral. Lançamento lateral e corte da defesa. Biqueirada, a defesa reage tarde, carambola dentro da área e remate para o golo do Jardel com o pé que tinha mais á mão.

Há várias razões para não estar contente. Mas a principal razão nem sequer é o empate em si mesmo. Sem o golo a acabar e com o golo do Sporting a resultar de um passe extraordinário do Samaris, sempre podíamos responder ao João Gobern: o Sporting teria ganhado não por um alinhamento cósmico, mas por um alinhamento cómico.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O jogo

Amanhã, contra o Benfica, não se disputa um jogo. Disputa-se o jogo. Os restantes jogos do campeonato só servem para nos habilitar a jogar este jogo, o jogo. Aliás, só existe campeonato para que este jogo, o jogo, se possa disputar.

Não existiria o Sporting como hoje existe sem o Benfica. Não existiria o Benfica como hoje existe sem o Sporting. É a história de Caim e Abel, em que cada um se sente Abel e disposto a transformar-se em Caim se necessário.

Amanhã a vitória conta a dobrar. É a vitória do Sporting e a derrota do Benfica. Sempre assim foi e sempre assim será. Não interessa quem joga. Só interessa a história. Que os jogadores sejam dignos desta história que nunca irá acabar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Injustiças

Cometemos muitas injustiças no julgamento dos nossos jogadores. O André Martins constitui o meu ódio de estimação. Estou como o cão do Pavlov, mal o rapaz toca na bola começo logo a salivar furioso. Até o corte de cabelo me irrita.

O que caso mais recente é o do Mané. Parece que corre primeiro e pensa depois. Parece que não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. De repente, transformou-se no patinho feio dos adeptos. Ofensa das ofensas, já havia quem o comparasse ao Djaló.

É intermitente. Aparece e desaparece dos jogos. Faz jogos bons e outros horríveis. No entanto, tem sido por diversas vezes decisivo. Marcou golos decisivos e, no último jogo, ofereceu dois golos, ao Montero e ao Carrilo, fazendo dois passes para o sítio certo e no momento certo, respeitando as desmarcações dos colegas.

Isto para dizer que, numa equipa, todos os jogadores são úteis. Nem todos são o Nani, que raramente faz um mau jogo, se é que até agora fez algum. Mas devemos contar com todos. Cada um à sua maneira, acrescenta sempre alguma coisa à equipa. Se mais não fizesse, o golo em Braga tinha justificado por si só a contratação do Tanaka.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O regresso do cometa Halley

“Só um alinhamento cósmico fora do normal, é que irá possibilitar ao Sporting ganhar ao Benfica”, diz o João Gobern (rapinei esta frase na Tasca do Cherba). Ontem, também ficámos a saber pelo Jorge Mendes que o país é pequeno demais para a grandeza do Jorge Jesus. O Jorge Jesus confirmou. 

Está tudo dito. No próximo fim-de-semana vamos ser remetidos à nossa insignificância. Só temos de garantir que a cobertura do estádio não se desfaz. Os jogadores e o treinador do Benfica farão o resto. Só o regresso antecipado do cometa Halley nos pode salvar.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Em Arouca e sem o Slimani

Temia o pior. O jogo contra a Académica não foi brilhante. As estrelas estavam todas alinhadas para os nossos adversários recuperarem no campo do Arouca o que tinham perdido na jornada anterior. Faltavam o Nani e o Jéfferson, dois jogadores importantes. Faltava o Slimani, o salvador da época passada.

Os receios tinham razão de ser. O campo estava pesado. A bola não andava. O Arouca jogou ao seu melhor estilo. Biqueirada para a frente e fé num ressalto. Às tantas parecia ping-pong. O meio-campo não tinha bola. O Cédric via-se e desejava-se para aturar um tal de Kayembe. O Paulo Oliveira parecia meio desorientado.

Estavam as coisas meias ensarilhadas quando o árbitro começou a entrar em ação. Não marcou falta sobre o Jonathan e permitiu um contra-ataque perigoso. Depois, bem depois marcou um penalty dos modernos. Bola no braço. O jogador nem para a bola estava a olhar. Às vezes é, outras não é; sempre à vontade do freguês.

Depois do golo, as coisas não pareciam melhorar. Só que, numa grande jogada pela direita, o Mané deixa o Montero isolado que não falha. Volta tudo à casa de partida.

Na segunda-parte parecia tudo mais do mesmo. Metade do banco fazia exercício de aquecimento. Era preciso mudar alguma coisa. Não se percebia quem nem para quê. O nosso banco não é propriamente um luxo de opções. Até que o árbitro tem a única intervenção favorável ao Sporting. Atrapalha-se e intercepta, sem querer, um passe dos jogadores do Arouca, bola metida para a entrada da área para o João Mário que a mete redondinha para o Mané e este, de primeira, mete-a para o Carrillo fazer um passe para a baliza. Tudo de primeira e no tempo certo.

Mas o jogo estava longe de estar resolvido. O Adrien e o Jonathan estavam com falta de ar. Era só esperar um pouco até um deles fazer uma asneira. O árbitro ia marcando faltas e faltinhas contra nós. Biqueirada atrás de biqueirada para dentro da nossa área. A equipa defendia como podia esses lances, não dando uma abébia. Até que entra o Iuri Medeiros. Os comentadores estavam exultantes. Não só entrava como levava um bilhete para dar a um colega e revolucionar todo o jogo do Arouca. Nada disso. O bilhete dizia somente: “Atenção! O Tobias Figueiredo vai saltar ao primeiro poste e marcar”. O Iuri não chegou com o bilhete a tempo.

Com o três a um o jogo acabou. Só não acabou para o árbitro. O Jonathan é expulso. O Inácio também. Ninguém compreende por que razão nenhum jogador ou elemento do banco do Arouca também não é castigado. Coisas que estamos habituados.

No final, o jogo pareceu mais fácil do que foi e do que se previa. É verdade que o Rui Patrício não fez uma defesa. É verdade que o André Martins ainda fez o favor de falhar um golo certo. Mas também é verdade que marcámos praticamente todas as oportunidades que criámos, ao contrário do costume.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O alinhamento das estrelas

Terminada a Taça da Liga, voltamos ao que interessa. Na jornada passada, ganhámos em todos os campos dos nossos principais adversários: Benfica, Porto, Braga e Guimarães. Na prática, estes quatro clubes, especialmente o Porto e o Benfica, é que (co)mandam o futebol português. Há, assim, um alinhamento de incentivos para recuperarem no jogo contra o Arouca o que perderam na jornada passada.

O jogo contra o Benfica começa com o Arouca; que ninguém tenha dúvidas. É a primeira parte, com a desvantagem de não podermos chegar ao intervalo empatados. Com exceção dos sportinguistas, ninguém está interessado em que tenhamos a possibilidade de disputar no jogo contra o Benfica as (poucas) hipóteses que ainda temos de ganhar o campeonato. Vai ser precisa muita coragem e uma enorme vontade de ganhar, desde o primeiro minuto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A cereja



Já ia a fanfarra no adro acompanhada pela ululante multidão de engravatados. O fogueteiro já ultimava o arsenal. As bifanas estavam no ponto. Nas rádios, tv´s e jornais ganhava dimensão a sempre esperada onda de unanimismo irracional. Já se havia começado até o enterro dos vencidos e se começara a estender o tapete vermelho próprio destas ocasiões. Naturalmente, a habitual euforia dava lugar nas últimas horas ao histerismo incontrolado. Não se calavam já as emoções, bastava esperar.
E eis que… o Syriza ganha as eleições! A Syriza no topo do bolo!
Sim, pensavam que se estava a falar de quê?

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cumprimos, mas não foi bom

Este é o tipo de jogo que detesto. Começa por ser um jogo para cumprir calendário. O adversário é fraco e vem jogar para o pontinho da praxe. Mete-se todo lá atrás. Monta todos os autocarros que pode e faz todo o anti-jogo que a habitual complacência dos árbitros permite.

Os jogadores do Sporting começam por se deslumbrar. Parece haver muito espaço para jogar. Engano redondo. Há espaço até à entrada da área. Dentro dela não há um centímetro quadrado livre. O adversário joga com dois defesas laterais de cada lado. O Carrillo e o Nani começam a ficar bloqueados.

É preciso marcar cedo para desbloquear estes jogos. De outra forma, o adversário ganha moral. O Montero falha um golo cantado a passe de Carrillo. Mau prenúncio. Na primeira parte, praticamente só temos mais duas carambolas dentro da área.

Na segunda parte aceleramos um pouco mais o jogo. Mas, nestes jogos, jogar com um avançado é dar descanso à defesa. Com o Montero o descanso é ainda maior. O rapaz está sempre a recuar, quando o que precisamos é exactamente do contrário. Precisamos de um avançado na linha do fora-de-jogo sempre pronto a desmarcar-se e a empurrar a defesa para trás. Não há recuos e apoios frontais que resistam quando ninguém se desmarca nas costas do avançado ou se lembra de rematar de fora da área.

O Marco Silva resiste a meter o Tanaka no início da segunda parte. Só o faz depois dos sessenta minutos. Entra o Mané também. Prepara-se o assalto final. Preparam-se os corações para o sofrimento final também. Mas o Tanaka é um autêntico Xanax. Desmarcação rápida para o centro da área, a pedir um passe soberbo do William Carvalho, cabeçada para uma defesa notável e recarga do João Mário que dá o primeiro (e único) golo.

O mais difícil estava feito. Esperava-se a qualquer momento o golo da tranquilidade. O Nani chega a tê-lo nos pés, mas é displicente. Uma jogada daquelas não se conclui assim quando se está a ganhar por um. O golo da tranquilidade não aparece. A Académica tenta aparecer no ataque mas não consegue.

No último minuto dois disparates seguidos. Falta sobre o William Carvalho que o deixa no chão. Em vez de pararem o jogo, os jogadores do Sporting avançam para a área para tentarem o segundo. Não conseguem e bola para novo ataque da Académica. Ainda não estávamos refeitos do disparate anterior, já o Mané estava a desmarcar um avançado da Académica para o único remate perigoso à nossa baliza.

Mantemos a pressão sobre o Porto e distanciámo-nos do Guimarães. Os objectivos foram alcançados. Mas é preciso aprender. Aprender a resolver depressa e bem estes jogos e a congelá-los na sua fase final.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Miguel Galvão Teles

Morreu Miguel Galvão Teles. Foi um grande sportinguista. Continuará a ser o meu Presidente da Assembleia Geral. Há pessoas com quem simpatizamos sem as conheceremos. O Miguel Galvão Teles era uma delas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Domingo há bola

Depois de uma longa pausa natalícia regresso a este blog para falar de um jogo para uma competição que não interessa nem ao menino Jesus. Parece que apenas interessa a Jesus, o treinador. Depois das críticas aos que escolhem para estes jogos protagonistas de segunda linha (será que se dirigia a quem escolhe os árbitros?) viu-se que para certos clubes estes jogos parece que contam mais que certos jogos da liga: é o caso do Belenenses que ao contrário de outras ocasiões não descansou nem o Deyverson nem o Miguel Rosa.

Adiante. Não vi o jogo todo mas gostei bastante que o Sporting mantenha a sua atitude: honrar o Lucílio Baptista jogando com a segunda equipa nesta competição. Para mim isso é muito mais importante que o resultado, não só quando perdemos mas também quando ganhamos. Sempre que se vê o onze do Sporting lembro-me da peitada ao Lucílio e do arremesso da medalha, magníficos episódios do futebol que temos.

Por falar em futebol gostei de alguns jogadores, gostei do espírito lutador. Continuo a não gostar que esta equipa não saiba segurar resultados.

Domingo temos mais bola. Desta vez a sério.