sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Lucidez

Passada esta jornada europeia, podemos analisar com mais frieza tudo o que aconteceu. Nós, os sportinguistas, somos os mais lúcidos. Com mais ou menos azia ou mais ou menos ironia, consideramos que o jogo contra o Maribor não foi brilhante. Há quem se entretenha a discutir se a maior responsabilidade cabe ao Maurício ou ao Sarr. Não me parece uma boa discussão. Cada um fez a estupidez que lhe competia. O lance vale pelo conjunto. A probabilidade de acontecer é manifestamente cósmica. Mais depressa o Homem vai a Marte do que uma outra dupla de estarolas repete aquela façanha.

Os benfiquistas estão empolgados e muito contentes. Na primeira meia hora levaram um banho de bola. Ficaram com dez e a perder por dois. Ficaram a perder por dois mas podiam ter ficado a perder por três ou quatro. Depois disso o Zenith meteu férias e os jogadores do Benfica encheram-se de brios. Correram, empenharam-se, andaram com a bola para trás e para a frente. Esqueceram-se de a meter dentro da baliza, mas não se lhes pode levar a mal esta distracção. Depois deste feito estão cada vez mais preparados para outros gloriosos feitos, dando novos mundos ao Mundo. Merecidamente, a equipa saiu ovacionada e o Hulk à gargalhada.

Os portistas estão de papo cheio. Nós também gostaríamos de estar. Mas é uma ilusão. As ilusões são perigosas. Ninguém está imune ao Teorema do Limite Central. Neste caso, conforme o número de jogos vai aumentando assim os resultados tendem para uma distribuição normal. Por outras palavras, na volta da esquina espera-os o Arsenal do costume.

Cada clube arrecadou o que foi capaz. Cada clube vai agora à sua vida, disputar o campeonato nacional, que é para isso que cá andam. Daqui a uns dias os portugueses, benfiquistas, sportinguistas e portistas, voltam a acreditar que estão na Europa.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Bom, muito bom mesmo

Os nossos jogadores são bem-mandados. Não esperava que cumprissem de forma tão zelosa as minhas orientações de ontem. O objetivo era o empate e assim está muito bem. Aliás, se tivéssemos ganhado estaríamos agora a liderar o Grupo e isso iria gerar enormes perturbações na equipa.

Há várias maneiras de forçar o empate. A nossa, de hoje, não me pareceu a melhor. Se nos distanciarmos um pouco da nossa pele sportinguista, temos que reconhecer que o golo do Maribor é melhor do que qualquer sketch dos apanhados. Confesso, ri-me como há muito tempo não me ria com este golo. Aquela dupla de centrais é o Bucha & Estica ou o Batatinha & Companhia do futebol internacional.

Vamos ter um problema em janeiro: dificilmente o Nani está disponível para continuar a jogar com amadores. Tirando o Nani, que é um caso à parte, salvam-se o Slimani e o Wiliam Carvalho. Depois dos dois passes que deixaram duas vezes o Carrillo isolado, espero que se deixe de afirmar que o homem é tosco. O homem não é tosco. O homem é parvo por continuar a jogar com os outros.

O William Carvalho necessita de uma análise especial. Pede-se-lhe de tudo; que saia com a bola entre os centrais; que dobre qualquer um deles depois das suas sucessivas barracadas; que esteja em todo o lado no meio-campo e, sobretudo, que esteja onde o Adrien devia estar e não está; que ande numa roda-viva com o Adrien de forma a aparecer na frente também para tentar o remate; que nunca temporize o jogo e passe sempre a bola para a frente em situações de maior risco e com maiores probabilidades de falhar. O homem está a fazer tudo para cumprir as orientações que lhe dão. Como é bom, um dia destes até pode começar a parecer que temos meio campo.

Estou razoavelmente farto de todos os outros. O Leonardo Jardim explicou-lhes que não eram grande coisa e que se deviam limitar a fazer o que lhes mandava e sabiam fazer. Com base nestas orientações, disfarçaram toda a época passada. Mas ninguém se iludiu, penso eu. Espero que o Marco Silva não se tenha iludido.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O Sporting na Liga dos Campeões

A Liga dos Campeões é uma competição europeia, logo deve envolver equipas de todos os países da Europa. Só por essa razão é que lá estão certas equipas como as portuguesas. O vencedor da Liga dos Campeões só pode ser uma equipa espanhola, inglesa, alemã ou italiana (cada vez menos). Sendo assim, a competição deve ser organizada de forma a maximizar as probabilidades de concretização desse objetivo, envolvendo o número de equipas necessário e diferenciando-as nos sorteios por países.

Mesmo sabendo-se que essas equipas têm orçamentos muito superiores e jogadores de melhor qualidade do que as outras, não convém confiar na sorte. Deste modo, as regras deixam muito pouco à sorte. Se tudo falhar, ainda lá estão os árbitros para assegurarem que nada corre mal. De vez em quando, mas muito de vez em quando, para que a exceção confirme a regra, um Porto qualquer pode ganhar uma Liga dos Campeões; mas só uma.

As equipas portuguesas limitam-se a representar na Liga dos Campeões o papel para o qual são pagas. Quando era miúdo, dizia-se nestes casos que se fazia papel de embrulho. Fazem de contas que competem com os outros. Fingem que lutam denodadamente para chegarem pelo menos ao segundo lugar. Mas, no fundo, no fundo, o que querem é ficar em terceiro, para irem à Liga Europa. Ficar em segundo ou em primeiro é um passo para lado nenhum. Ficando em terceiro, têm hipóteses de fazerem um brilharete. O Mourinho e o Villas Boas ganharam uma Liga Europa. O Braga, o Benfica e o Sporting foram a finais.

É o que espero do Sporting. Que finja que tudo isto é a sério e que tem tantas hipóteses como os outros de ganhar os jogos. Que faça de contas que leva a sério esta competição. Que saque o mais possível. Que procure chegar ao terceiro lugar. Que se concentre no Campeonato Nacional e se deixe de tretas.

Face a estas premissas, estou-me razoavelmente nas tintas para o resultado contra o Maribor. Só se pede que não se faça uma triste figura. De preferência, que se faça um resultado que permita na segunda volta ganhar em Alvalade e assegurar o apuramento para a Liga Europa.


(O Benfica e o Porto vão fazer de conta na mesma. Vão fazer crer os adeptos que estão na Liga dos Campeões para a ganhar. No final da fase de grupos vão ficar, na melhor das hipóteses, em terceiro lugar. Se ficarem melhor classificados, pior para eles. Resta-lhes ainda fazerem pior figura nas fases seguintes)

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Um penalty clandestino

Um amigo meu insistiu que tinham perdoado um penalty ao Sporting no jogo contra o Belenenses. Insistiu e insistiu tanto que me mostrou uma imagem em que o Slimani estava a agarrar um tal de João Meira.

Disse-lhe que não era penalty. Esse tal de João Meira só podia ter entrado clandestinamente em campo depois de ter sido expulso por falta perigosa à entrada da área sobre o Carlos Mané. Fomos ver o lance e lá estava a falta do tal João Meira. Como é que o João Meira voltou para dentro de campo depois ter sido expulso pelo Cosme Machado? Ninguém denuncia isto à Federação, à UEFA e à FIFA?

domingo, 14 de Setembro de 2014

Vamos com calma (ou não)

Até ao momento, só não vi o jogo contra o Benfica. O jogo de ontem, contra o Belenenses, foi uma repetição dos anteriores face à Académica e ao Arouca. Tudo começa por ser fácil. As oportunidades sucedem-se. Os golos parecem eminentes. Por uma ou outra razão ou não acontecem ou não acontecem na quantidade que se justifica. Começa a segunda parte e a ansiedade vai-se apoderando dos jogadores. A meio entra-se em modo de desespero. Às vezes chega, como contra o Arouca, outras vezes não.

Contrariamente ao que para aí se vai dizendo, o treinador não me parece mau. Não é um Paulo Sérgio seguramente. A equipa tem método. Só que ainda está programada para jogar à Estoril. É preciso mais agressividade no ataque e menos tretas.

Ninguém me tira da cabeça que, em Portugal e contra equipas medíocres, como o Belenenses ou o Arouca, jogar com um só ponta-de-lança é dar descanso ao adversário. E as coisas ainda ficam mais complicadas quando se pede a esse avançado que, em ataque continuado, esteja sempre a recuar para tabelar com os médios sem que estes, com excepção do Nani, se desmarquem para dentro da área com golo nas botas. Mesmo para continuar com os apoios frontais do avançado, ou lá como se isso se chama, é importante jogar com dois. Um para essa brincadeira e outro para marcar golos (nem que seja à vez).

Depois, há jogadores que estão deslumbrados. Voltaram ao normal e o normal é pouco. Quando estão convencidos da sua normalidade, até nos surpreendem. De outra forma, atrasam mais do que adiantam. São os casos do Adrien e do André. Tudo sempre muito devagar. Perdas de bolas sobre bolas. Uma lentidão desesperante. Incapacidade para rematar por uma vez de fora da área e marcar um golo que seja. O principal lance de ataque do Belenenses resulta de dois passes consecutivos para os adversários, um do Adrien, o outro do André.

Também não estou certo que os principais problemas estejam na defesa. A defesa treina-se, foi isso que nos ensinou o Leonardo Jardim. Temos um grande e ter um grande é sempre bom. Limpa tudo de cabeça e isso é meio caminho andado. A maioria dos adversários em Portugal joga à biqueirada para a frente, apostando tudo em ganhar a primeira bola de cabeça e nos lances de bola parada. O grande só precisa de ser mais agressivo. Os adversários têm que temer uma desgraça sempre que forem disputar uma bola com ele. Neste jogo, e noutros deste tipo, talvez o recuo do William Carvalho para central, dispensando-se o cromo do Maurício, talvez não seja má ideia. Três no centro à espera do adversário que não avança parece uma multidão. O Esgaio está desconfiado de si próprio. Precisa de aprender a defender com confiança para atacar com confiança também. De outra forma, nem ataca, nem defende. Parece estar sempre a meio caminho.

O Porto empatou e estamos a quatro pontos. Nada está perdido. Se havia dúvidas, ontem ficaram dissipadas: o Nani é o melhor jogador do campeonato português. O William e o Patrício caminham para os lugares seguintes. Os outros só precisam de respeitar, nos passes e nas desmarcações, o que os outros lhe mandam fazer. Já agora, se não se importam, aprendam a marcar as bolas paradas. Podem começar pelos lançamentos de linha lateral junto à área do adversário. Basta ver como faz o Benfica.


(Excelente arbitragem do careca. Dois livres à entrada da área por marcar. Em cada um deles, não houve uma falta, mas duas. Não houve os consequentes amarelos. Num deles, dava o segundo e consequente expulsão)

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

A minha vida não é esta

Não tenho nem muito tempo nem muita paciência para ver e ouvir os tradicionais programas sobre bola que passam nos mais diversos canais. Aliás, é uma profusão de programas e de cromos a debitar generalidades que se alguém se desse ao trabalho de os acompanhar dava seguramente em maluco.

Por vezes, num “zapping” rápido antes de ir para a cama, apanho duas ou três frases de um destes programas. Ontem apanhei umas frases do Vítor Pereira. Não é um portento de eloquência, mas o homem sabe do que fala, contrariamente aos papagaios que o acompanham no programa. Disse uma coisa que me pareceu óbvia no jogo contra a Albânia e em quase todos os jogos da seleção. O Moutinho não consegue estar sem a bola. Se o colocarem em posições mais avançadas e a bola não lhe chegar uma e outra vez, recua para a receber no pé e avançar com ela para a passar a alguém.

No jogo contra a Albânia isso foi por demais evidente. Em vez de os nossos jogadores do meio-campo avançarem para receberem a bola mais à frente, passada pelo William Carvalho, recuavam sempre para cima dele para receberem a bola no pé. O William Carvalho passou a ser pressionado na saída da bola não só pelos jogadores da equipa contrária que estavam destinados a esse fim, mas também pelos seus colegas, mais os jogadores adversários que traziam com eles.

A construção de jogo entupiu, anulou-se o William Carvalho e faltaram sempre jogadores do meio-campo próximos dos avançados na zona frontal. Este foi um dos principais problemas da equipa portuguesa.

Não estou a advogar a candidatura do Vítor Pereira para selecionador nacional. Agora, com o Vítor Pereira, o Moutinho fez as melhores épocas de sempre. Não foi por acaso. Saber de bola a sério ajuda e muito.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

A culpa também é dos penedos



Dos diversos resumos dos jogos de qualificação que vi, posso concluir que as duas piores seleções que vi jogar foram a portuguesa e a de Gibraltar. Curiosamente as duas jogaram em casa. Mais curiosamente ainda a casa era mesma: Portugal. Não deve ser um acaso. Se em relação à seleção do Rochedo acho que não me devo intrometer, já quanto aos nossos penedos, perdão, representantes, acho que tenho a obrigação de ajudar.
Assim, julgo que na impossibilidade de deixarem de jogar, treinar, selecionar, etc., devem procurar fazê-lo longe de casa. E atenção, não se trata só de poupar o desgastado e sempre crente povo português, o que já seria uma boa causa. Dado que não está em causa a qualidade dos jogadores, nem dos dirigentes e restante staff (exceto talvez o médico e só para agradar ao Rui Monteiro), nem muito menos os méritos e competências do “senhor mister” Paulo Bento, o problema só pode ter outra origem.  
Torna-se de jogo para jogo cada vez mais evidente que jogar em casa é problemático (fora também é, mas agora dá-me mais jeito outra abordagem) e não vale a pena recorrer a muitos e cansativos dados estatísticos para percebermos quantos pontos já perdemos em casa nas últimas qualificações. Se o problema não é da falta de qualidade, pode ser que seja dos movimentos das placas, provocados pelas correntes de convecção que ocorrem na astenosfera (camada logo abaixo da litosfera). Certamente esse movimento ascendente dos materiais mais quentes do manto (magma) em direção à litosfera, não ajudam ao desempenho dos artistas da bola.
Só resta uma solução. Vão jogar para longe! Experimentem jogar noutras placas como a Placa Indo-Australiana, a Placa dos Cocos, a Placa do Pacífico, a Placa Arábica, Placa de Nazca, ou até a Placa Antártica.
Não sei se resultará mas decididamente não se perde nada em tentar.

domingo, 7 de Setembro de 2014

A culpa é do médico

Não se pode dizer muito sobre o jogo contra a Albânia. Já tínhamos assistido a este número com o Queiroz a seguir ao Mundial da África do Sul. Acabou com a Dinamarca. Desta vez também assim será. O que muda é o início. A Albânia fez de Chipre, com pior ataque, mas melhor defesa. 

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Ainda o jogo de Domingo

Depois de muito ter sido dito e escrito sobre o derby, deixo aqui umas notas sobre algumas coisas que aprendi desde Domingo:

- Uma equipa domina o jogo (e merece ganhar) quando cria várias oportunidades nos primeiros 20 minutos da 2a parte; esta regra mantém-se mesmo que essa equipa tenha menos posse de bola, menos cantos e apenas mais um remate à baliza que o adversário.

- Perante um empate, um treinador que aos 79 minutos substitui um médio por um avançado está a jogar para manter o empate; substituir um avançado por outro aos 86 minutos revela ambição e intenção de ganhar o jogo.

- Quando aos 19 minutos de jogo se concede um golo ao adversário deixamos de ter hipóteses de disputar o resultado; se esse golo for culpa do GR aconteça o que acontecer daí em diante ele será o único culpado por todos os males do mundo.

- Podemos reconhecer que uma equipa joga de forma totalmente diferente quando um certo jogador está em campo do que quando não está; podemos mesmo dizer que sem ele a equipa não é candidata ao título; mas nunca podemos reconhecer que o facto desse jogador ter falhado um jogo decisivo na época passada por ter visto um cartão amarelo inapropriado teve qualquer influência no resultado desse jogo e muito menos na justiça da atribuição do título.

- É possível um árbitro competente expulsar um treinador sem que este tenha feito absolutamente nada que mereça castigo.

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

O Artur

Não vi o jogo de ontem. Não ouvi o relato também. Vinha em viagem, no regresso de férias. Quando viajo em família não me permitem semelhante veleidade. Parei numa estação de serviço e ouvi os comentários ao jogo.

Daquilo que ouvi, compreendi que foi um jogo em que de um lado esteve o Benfica e do outro o Artur. Talvez tenha estado outra equipa também. Depreendo-o dos meus profundos conhecimentos futebolísticos. Mas é uma suposição. Nada do que ouvi me leva a infirmá-la.

Vamos ao Artur, porque nesta altura não há cão nem gato que não tenha efetuada uma análise técnico-tática profunda  ao Benfica. Nada desculpa a falha do Artur. Mas esta falha tem vários responsáveis, nomeadamente o Jorge Jesus. Quem viu o jogo do Benfica contra o Rio Ave assistiu a dobrar aquele gague. Não deram em golo, mas por mero acaso. Os laterais mais ou menos pressionados passam a bola ao Artur. O Artur não tem tempo para se virar com a bola e passá-la a um colega. Em vez de chutar a bola para a bancada do lado em que está virado, tenta, mesmo assim, que o Benfica não a perca.

Uma vez, pode-se atribuir à idiossincrasia do guarda-redes. Quando acontece mais do que uma vez, é porque o treinador dá ordens explícitas para que os defesas atrasem as bolas naquelas condições, estando o guarda-redes proibido de a mandar para a bancada. Mas, como o Jorge Jesus é o rei da tática, a culpa não pode ser dele. Tem de ser do Artur.

Quanto ao resto, vi o Slimani falhar as duas principais oportunidades de golo. Na última, mesmo a acabar o jogo, o malogrado Artur fez uma defesa do outro mundo. Fez a defesa do jogo. Ganhou um ponto ao Benfica. O Patrício também fez boas defesas, mas nada como aquela. Aliás, é o que se espera que faça. É o melhor guarda-redes português. É o melhor guarda-redes do campeonato.


(Também gostei de ouvir que esta foi, de longe, a melhor exibição do Sporting na Luz nos últimos anos. A memória é traiçoeira e muito seletiva. Assim de repetente, lembrei-me do limpinho, limpinho de há dois anos e do jogo contra o Duarte Gomes na Taça de Portugal do ano passado)

domingo, 31 de Agosto de 2014

Saudades de Vénus



Acabadinho de chegar de umas imerecidas férias em Vénus (há que que aproveitar as promoções principalmente aquelas para destinos verdes) tive que recuperar alguns “postes” que não pude aceder em momento oportuno pois a rede em Vénus é miserável (nem um ponto de FON ZON existe!). Um dos “postes” que me despertou a curiosidade foi o Analisando a transferência do Rojo, com o recurso a Sartre e Derrida. Por formação e deformação profissional a “desconstrução”, conceito filosófico elaborado por Jacques Derrida, sempre me atraiu pois sempre achei interessante, e algo maquiavélica, a ideia de criticar os pressupostos dos filósofos, nem que fosse apenas pela semântica, pondo levemente em causa a sua nobre missão da construção de edifícios intelectuais racionalmente inquestionáveis. A famosa pedrinha na engrenagem. 
Estava eu ainda nessas púberes deambulações mentais, só justificáveis pelos efeitos secundários das viagens espácio-temporais, quando ouvi os comentários do J. Jesus após o jogo de hoje e, nesse momento, percebi como o Derrida deixou escola. O desconstrucionismo faz já parte do léxico dos treinadores de futebol, principalmente do “melhor do mundo”. «O SLB foi melhor e merecia ganhar o jogo» e «o SCP estava contente com o empate»? Não uma pedrinha mas sim um verdadeiro calhau em qualquer tentativa de racionalidade.E a alguns paineleiros da tvi ouvi: «a culpa do empate foi do Artur», isto porque deu o golo e não falam dos dois que evitou? São (ir)realidades paralelas, o discurso diz afinal coisas diferentes das que diz! Até sempre Derrida, Artur, Jesus e outros. E eu já com saudades de Vénus.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Os Elos mais Fracos

Existem muitas formas de olhar para as mudanças numa equipa de uma época para a outra. Uma das abordagens possíveis é rever o que se passou no ano anterior e analisar se os elos mais fracos foram identificados e corrigidos.

Apesar da boa prestação no ano passado, naquilo que depende de si, penso que o Sporting tinha dois "elos mais fracos": os extremos e a posição 10. 
 
Olhando para a presente época parece-me claro que, mais penalti no poste menos penalti no poste, tudo indica que a questão do extremo está (muito bem) resolvida. Aquilo que me preocupa mais é quem joga a 10. Vimos no Sábado que contra "autocarros" (e vão ser muitos) jogar com aquele meio-campo é dar um presente ao adversário. Para além disso parece-me que o André Martins está mais próximo de ser um suplente útil do que um titular indiscutível. Assim sendo, a questão do 10 está longe de ser resolvida e deve preocupar Marco Silva.

PS: Na sequência do que aconteceu em Coimbra parece-me que no Sábado fomos novamente "anjinhos" pelo menos em duas ocasiões: num ataque após o golo, em que se arriscou um desnecessário 2-0 quando era mais sensato segurar a bola; e na grande penalidade, em que os nossos jogadores se entreteram a discutir quem marcava em vez de irem todos "lembrar" o árbitro que se tinha "esquecido" do inevitável 2º amarelo ao jogador do Arouca. Aqui não há elos mais fracos, estamos simplesmente a anos-luz dos nossos adversários directos.

SL

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Nani

Ontem, num grande momento de “zapping”, encalhei por breves momentos num intervenção de um tal de António Simões. Sem se rir, o homem estava a comparar o Ronaldo, o Quaresma e o Nani. Não vi nem ouvi mais nada. Percebi logo aonde queria chegar. A comparação entre os três ou é ridícula ou só pode ser feita de má-fé.

O Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português de todos os tempos. É um dos melhores jogadores do Mundo de todos os tempos também. Em cada país, na melhor das hipóteses, aparece um jogador destes de cem em cem anos. Hoje, só é comparável com o Messi. Compará-lo com outros jogadores só serve para os rebaixar.

Comparar o Quaresma ao Nani é a mesma coisa que comparar o toucinho e a teoria da relatividade. O Quaresma, antes de regressar ao Porto, tinha sido corrido de um equipa de nome impronunciável que só o Freitas Lobo é que deve saber qual é. Nunca passou do banco em todas as equipas de topo europeias onde jogou (jogou é uma forma de dizer). O Nani continua a ser jogador do Manchester United, um dos maiores, se não o maior, clubes do Mundo. Jogou no Manchester United sete anos. Foi uma aposta firme de um dos melhores treinadores de sempre. Jogou, no verdadeiro sentido da palavra, e ganhou títulos.

Devia ser um orgulho para todos os sportinguistas ter aceitado regressar. Devia ser um gosto para todos os rivais voltar a vê-lo no campeonato nacional. Mas a clubite cega toda a gente. Não cega os adeptos. Cega os comentadores e os jornalistas. Para diminuírem o Sporting têm que apoucar um dos melhores e mais bem-sucedidos jogadores portugueses de todos os tempos.

domingo, 24 de Agosto de 2014

Não se desculpa mais uma parvoíce destas

Estive a respirar fundo na última hora. Procurei nos blogues do costume qualquer coisa que me esclarecesse. Li o habitual. O que estão a dar são os apoios frontais do Montero e as movimentações do André Martins, mais umas coisas que o Esgaio fez. Os outros, como são todos estúpidos, só estragam as brilhantes jogadas que estas duas luminárias supostamente têm dentro da cabeça e não nas pontas das botas.

Dirijo-me ao treinador que também deve andar a ler estas parvoíces e a tomar coisas para a cabeça.

Ó Marco Silva, não estás a treinar o Estoril. No Estoril podes jogar com os apoios frontais que quiseres, podes aproveitar o avançado para tirar a bola da zona de pressão e mais uma série de parvoíces do género. Desde que não seja a derrota, no Estoril, qualquer resultado é bom e o Arouca é um adversário a ter em conta. No Sporting os jogos contra os Aroucas desta vida são para ganhar e esmagar. Podemos não ganhar. Podemos perder. Agora, o adversário tem que passar um mau bocado. Não pode ter uma primeira parte descansada como a que teve.

Um avançado no Sporting serve para marcar golos. Se não marca não serve. Serve para esticar o jogo para a frente. Serve para estar sempre na linha do fora-de-jogo e a pressionar para trás a defesa. Não serve para recuar, permitindo o avanço da defesa, e encurtar os espaços onde se pode jogar à bola.

Quando os extremos avançam para a área ou para a linha de fundo tem que estar alguém na área. E não podem estar poucos. É necessário que estejam lá uns dois ou três pelo menos. Os golos marcam-se na zona frontal e não nas laterais.

Depois, os médios e os avançados têm que ter golos nas botas. Quando avançam para a área os defesas têm que recear tudo. Que eles rematem de fora. Que eles entrem na área e rematem. Que passem por eles como cão por vinha vindimada. Não pode haver dúvidas. Quando a bola chega a certas posições os defesas têm que saber que o golo pode surgir a qualquer momento e que não vamos passar a bola para trás ou para os lados. O que mudou na segunda parte foi a determinação do Mané. Os adversários rapidamente ficaram a saber que o tinham que parar de qualquer maneira. É que ele, bem ou mal, com mais ou menos jeito, se lhe derem uma abébia, vai para o golo e mais nada.

Contra o Benfica, podes voltar aos apoios frontais e a todas as invenções que quiseres. Desde que não se faça muito má figura e se lute pela vitória, a malta desculpa tudo. O que não desculpa é mais uma parvoíce destas contra o Arouca.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Formação, seja isso o que for

Em férias temos tempo para tudo. Dantes, dedicava-me à leitura d’ “A Bola”. Agora, dedico-me ao “zapping” entre vários programas onde se discute futebol com o mesmo ar sério da crise financeira internacional ou das alterações climáticas.

Ontem, vi partes de um programa onde se falava do futebol de formação com as luminárias do costume. O melhor foi mesmo o Dani. Deu como grande exemplo o Ajax, onde esteve um par de anos e se destacou por não deixar dormir a vizinhança. Sobre o Sporting, onde atingiu a notoriedade que lhe permitiu ganhar bem a vida sem jogar a ponta de um chavo, nem uma palavra.

Em Portugal, a formação e o Sporting são uma e a mesma coisa (não basta dispor de umas equipas de iniciados, juvenis e juniores). Mas, como não se quer falar do Sporting sobre isso, para não se ter que elogiar, desenvolvem-se umas abstrações sobre o tema. Mais, fala-se da formação sem, num único momento, se refletir como é que o Sporting é tratado pela opinião pública e pelas instituições do futebol por esta sua aposta.

Não há política de formação que resista a um campeonato perdido por uma equipa com o Moutinho, o Veloso e o Nani com um golo metido com a mão. Não há política de formação que resista à não convocação do Cédric ou do Adrien. Não há política de formação que resista à sistemática crítica, antes, durante e depois do Mundial, à falta de intensidade, de maturidade e de outras coisas mais do William Carvalho (com a mesma ligeireza que se afirma que, com esses defeitos todos, existem pelo menos meia dúzia de clubes que estão dispostos a pagar por ele mais de trinta milhões de euros).

Nada de novo se avizinha este ano. O Paulo Bento continuará a fazer as convocatórias do costume. Descobrir-se-á mais um jogador qualquer que faz o lado direito, o lado esquerdo, o meio e, pelo caminho, ainda faz tapetes de Arraiolos, para não se convocar o Cédric. O Adrien continuará a ter todos os defeitos e será substituído pela Múmia do Tutancâmon. Um Cavaleiro qualquer será a grande revelação da época, tendo como prémio, por um lado, ser convocado para a Seleção e, por outro, a dispensa da sua equipa, esquecendo-se que esse Cavaleiro nunca marcará em várias vidas o mesmo número que golos que o Mané já marcou.


(A política de formação está a dar resultados este ano também no campeonato. Foi interessante ver o Cédric abalroado duas vezes, sem que tenha sido marcada qualquer falta, e sair lesionado ao intervalo. Os sportinguistas ficaram entusiasmados também com a expulsão do William Carvalho quando andam há anos e anos a ver outros grandes jogadores portugueses como o Javi Garcia, o Fernando, o Matic ou o Fejsa – para não falar do inacreditável Maxi Pereira - a distribuir fruta sem que nada lhes acontecesse)