terça-feira, 22 de Julho de 2014

Contra o Benfica na Sporting TV

Vi a final da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa. Entre ver em direto na Benfica TV ou ver em diferido na Sporting TV, não tive dúvidas. Vi em diferido na Sporting TV.

Gostei do que vi. Ganhámos ao Benfica o que, seja em que circunstâncias for, é sempre bom. Ficou a faltar mais um ou outro golo. Com este resultado, ainda alguém pode pensar que o jogo foi equilibrado.

O Marco Silva está a começar bem. Não inventa, coloca os do costume e mantém as rotinas adquiridas na época passada. A equipa raramente aparece mal posicionada. Raramente se perde uma bola em zona de perigo ou que possa apanhar a equipa desequilibrada na defesa. Isto implica fazer o óbvio. O óbvio quase sempre é a melhor solução. Só que fazendo-se o óbvio tem que se esperar o erro do adversário.

Para não se fazer sempre o óbvio é necessário que alguém faça diferente no momento certo. Não há muita gente para fazer diferente. O Capel, de época para época, está cada vez mais Capel. O Montero permite que a equipa controle melhor o jogo. No momento de surpreender, de esticar o jogo para a área do adversário, falta sempre alguma coisa. Vamos ter que continuar à espera do Carrillo. Só que quem espera desespera.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Começar com o pé direito

O Sporting entra nesta época a ganhar. Uns afirmam que a taça de honra não significa muito e que é um torneio de pré-época. Outros dizem que até era melhor o Sporting perder porque afinal, nos anos em que ganhou, não voltou a ganhar mais nada. Não percebo esta lógica! É melhor perdermos porque talvez isso faça com que ganhemos no futuro. Eu quero ganhar sempre! O Sporting quer ganhar sempre! Queremos ganhar já e depois! E além do mais, esta taça tem quase tanto valor como a taça da liga em que se joga com reservas e com o relógio. Mas vamos ao que interessa, vamos ao jogo.
O Sporting venceu o benfica de forma justa. Quanto ao benfica, não percamos tempo. Falemos do Sporting.
O Sporting foi uma equipa sólida e coesa, racional na abordagem dos lances e sempre equilibrada, faltando ainda alguma magia. Ainda assim, mérito de Leonardo Jardim que recuperou a equipa, a estruturou e lhe ensinou rotinas e mérito de Marco Silva que procura evoluir a equipa, construindo, inteligentemente, sobre a herança de Jardim. Por fim, mérito dos jogadores a quem foi devolvido o orgulho e a alma de ser Sporting. Inteligência, determinação e garra continuarão a ter de ser os pergaminhos de jogo de uma equipa onde continua a falta um "artista".
Nesta taça de Honra houve confirmações. A defesa é sólida. Maurício foi uma boa aquisição na época passada. Não é elegante, não é dotado mas o autorreconhecimento destas insuficiências permitem-lhe ser eficaz na abordagem aos lances. Dier é bom. Cédric e Jeferson são competentes e ofensivos (quando têm disponibilidade física). No meio-campo Adrien quer manter o estatuto que o deveria ter levado ao mundial. Na frente, Montero ainda aquece e espero que reencontre a baliza! Mas ainda nos falta a sensação do mundial o Slimani, salvo se vier transformado em SliMoney.
Nesta taça de Honra também houve surpresas. Carrillo quis jogar e quando o quer, é acutilante e determinante. Rosell demonstra que pode ser uma alternativa a William Carvalho. O André Martins marcou dois golos! E marcou de livre direto! No entanto, perante a concorrência de João Mário, André Martins terá de correr. Shikabala não jogou e Wilson Eduardo foi transferido. Tenho sentimentos mistos. Todas as pré-épocas nos agarramos às boas exibições de Wilson Eduardo e aos seus golos. Enchemo-nos de esperança de que seja a sua afirmação. No entanto, a estatística diz-nos que o seu pico ocorre sempre na pré e inicio de épocas, rapidamente desvanecendo. Que tenho boa sorte em Zagreb!

sábado, 19 de Julho de 2014

Contra o Belenenses na Sporting TV

Depois de uma longa batalha negocial de dois dias, primeiro com os “nacionais”, que é assim que se chamam os de Lisboa, e os europeus, fechou-se o acordo. Regresso ao Porto, faço as últimas contas, envio-as e chego a casa, em Braga, com uma enorme vontade de ver o nosso Sporting.

Sabendo que o jogo contra o Belenenses passava em diferido na Sporting TV, que ainda não tinha tido oportunidade de ver, esperei estoicamente pelo relato do Fernando Correia.

Não gostei muito, diga-se. O Rosell não é o Carvalho. Os defeitos permanecem. Ataque pelas laterais, sem grande jogo interior, com o Martins a cair ou a perder a bola em cada lance que disputa. Os extremos, com exceção do Carrilo, não desequilibram. O Montero fica mais ou menos isolado, com tendência para baixar no terreno à procura de jogo.

Na segunda parte, o João Mário procurou ligar mais o jogo, mas não havia muito para ligar. O Capel aprimorou os defeitos. O Mané só uma ou outra vez é que se conseguiu libertar e fazer umas arrancadas. O Slachev é duro e corre como se não houvesse amanhã. O Tanaka parece bom de bola, mas esteve muito sozinho na frente. O Paulo Oliveira é um buraco. Corre como se estivesse a pisar ovos e parece um lingrinhas.

O Dier disse ao que vinha. Este ano é titular e não se fala mais nisso. É necessário renovar o contrato ao rapaz. Não se viu o Shikabala. Foi pena. Parece maluco, mas é de um maluco que precisamos para desequilibrar as coisas no ataque.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Uma grande chatice

O futebol transformou-se numa coisa de (supostos) especialistas. Este Mundial é um bom exemplo disso. Até aos oitavos de final, houve emoção, jogos empolgantes, golos de um lado e de outro.

Depois dos oitavos de final, passou a reinar a tática da coisa. Passou-se para as transições, ofensivas e defensivas, para o defender com bola e para todos os lugares comuns que polvilham o comentário técnico-futebolístico. O apuramento da tácita é diretamente proporcional à chatice. A chatice tem duas componentes: a de ver os jogos e a de ouvir os comentários.

A final do Mundial foi o exemplo acabado de tudo isto. Oportunidade de golo nem vê-las. Muita posse de bola. Muito passe para os lados e para trás. Muita marcação. Mal começou o jogo já toda a gente tinha adivinhado que, salvo qualquer imponderável, tudo se iria decidir nos penalties.

Daqui a dias temos que ir para os jogos com livros de instruções. Ou isso, mas, para isso, o xadrez e o “brigde” são melhores, ou então começa-se a ter que marcar jogo passivo.

domingo, 13 de Julho de 2014

Onze contra onze

…e no fim ganha a Alemanha se bem que se o Sabella não tivesse tirado o Enzo o resultado pudesse ser outro!
Enfim, paz no mundo, afinal ganhou uma águia.

terça-feira, 8 de Julho de 2014

Fazer o “rewind”

Depois desta derrota do Brasil contra a Alemanha, é necessário fazer o “rewind” de toda a participação de Portugal no Mundial. A rapaziada volta para Campinas. Reembarca outra vez devidamente equipada. É recebida em apoteose na Portela. Vai para Belém e tira uma “selfie” com o Presidente. A Bola exalta os feitos dos portugueses. Renovam o contrato do Paulo Bento para o próximo Mundial. O Jorge Mendes vende o André Almeida para o Mónaco.

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

«Este homem é um Senhor!»


Há-os de todos os tamanhos, feitios, cores, religiões, nacionalidades, partidos e clubes. O que distingue os grandes homens dos outros, são estes gestos que extravasam os seus próprios universos, neste caso o do futebol, e tocam outros universos bem maiores. Enfim, os grandes homens são aqueles que conseguem ultrapassar as suas circunstâncias, de que falou Ortega y Gasset. Slimani e os seus colegas deram-nos assim o exemplo final de como a cada momento cada um se pode aperceber das suas circunstâncias e superá-las. Grande jogo. Fenomenal resultado final. Campeões da humanidade!

 

Slimani & Cª doaram 6,5 milhões ao povo da Faixa de Gaza
«Seleção foi recebida por uma multidão na capital, depois do feito histórico de ter chegado aos oitavos de final de um Campeonato do Mundo.
Os jogadores da seleção da Argélia, recebidos como heróis na quarta-feira em Argel, decidiram doar os 6,5 milhões de euros referentes ao prémio, estabelecido pela federação de futebol argelina, de passagem da fase de grupos ao povo da Faixa de Gaza.

"Eles necessitam mais do que nós", escreveu o sportinguista Islam Slimani na sua conta do Facebook, a propósito da decisão tomada pelos jogadores quer levaram, pela primeira vez, a seleção do seu país aos oitavos de final de um Mundial.»





Nota: Se bem que não possa verificar ainda a veracidade da notícia, visto que também já li que pode ser falsa, hoje vou dormir a sonhar que é verdadeira e que o mundo é um pouco melhor do que aquilo que de facto é.


quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Não se pode demiti-lo e substituí-lo por um senhor?

Ontem vi o jogo da Bélgica e dos EUA. Não sei se foi um bom jogo do ponto de vista técnico-tático. Não sei se os sistemas e os modelos de jogos são os melhores. Não sei se jogaram com o bloco alto ou com o bloco baixo. Não sei se jogaram em 4x4x3 ou em 4x4x2 losango. Não sei se fizerem boas transições ofensivas, defensivas ou as duas. Aliás, não sei se algum destes conceitos existe (sei que na televisão nos impingem este palavreado, supostamente científico, para tentar justificar a incapacidade para descreverem e analisarem simplesmente o que se vê).

Sei uma única coisa: foi um belo jogo. Os jogadores deram o que tinham e o que não tinham. Umas vezes em jeito, outras em força. Criaram-se lances de golo eminente de um lado e do outro. Houve emoção até ao último minuto. Os guarda-redes estiveram bem, assim como os defesas, os médios e os avançados.

Tudo isto se deve aos treinadores. Colocaram a jogar os jogadores em excelentes condições físicas e anímicas. Colocaram-nos a jogar nas posições certas. Substituíram bem sempre que necessário, isto é, por incapacidade dos jogadores em campo ou por vontade de alterar o rumo do jogo. Até ao último minuto, vibraram no banco de forma intensa. Foi impressionante ver o Klinsmann, um alemão, a comportar-se como um treinador da América do Sul, aos gritos por o árbitro só ter dado um minuto de descontos na segunda parte do prolongamento. Acreditava que um minuto podia fazer toda a diferença. 

No fim, cumprimentaram-se e conversaram. Não sei o que disseram, mas imagino. Terá sido qualquer do tipo: “foi um privilégio jogar este jogo”. São uns senhores. Olho para eles e lembro-me do Paulo Bento. Não se pode demiti-lo e substituí-lo por um senhor destes?

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Interlúdio dos oitavos de final





Brasil vs Chile 
Eu sei que muitas vezes jogam com catorze, mas não sei até que ponto é legal uma equipa jogar em casa e com doze, ainda para mais uma senhora, a Nossa Senhora de Caravaggio. O que é certo é que o mesmo santeiro já usou a mesma tática noutra seleção e noutro campeonato e, mesmo assim, morreu na praia. Portanto, sorte para eles.

Uruguai vs Colômbia
Na minha opinião, num jogo de futebol, os mais caceteiros merecem sempre perder ainda para mais quando do outro lado temos jogadores tocados pelo génio. Parabéns Cafeteros e cuidado com as santas.

Holanda vs México
Bom jogo, aguerrido, suado e muito equilibrado. Acho que houve um vencedor justo mesmo que com a marca das “compensações”, muito habituais na arbitragem portuguesa. Pode ser que ainda consigam uma meia-final, quer a Holanda quer o "querido" do árbitro.

Costa Rica vs Grécia
Dois “patinhos feios” mas com muita vontade, força, organização e futebol. As temperaturas e a humidade eram altas mas jogaram mais de 120 minutos com mais velocidade do que aquela com que os nossos rapazes twitavam e com mais convicção do que aquela com que o Bento defende o seu posto. Provavelmente a Grécia merecia passar pelo que fez no jogo mas como já a vi tantas vezes a fazer o contrário, ganhar sem merecer, provavelmente é altura de provar o seu próprio veneno e deixar os moços da Costa Rica fazerem de Grécia. De qualquer modo, por mim, os “ticos” já são campeões... e a Grécia também.