terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

...

Não vi. 
Não ouvi.
Juro que não li.
Estou à espera do resumo na Sporting Tv.
Juro.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Asta(na) la vista, baby

Diz que esta semana o mundo continuou a girar, mas como já ninguém vai para a fogueira por causa disso, acabei por passar ao lado de tudo. Alheio de tudo? Quase tudo. Depois de um chá de menta quentinho sentei-me à lareira para ver o Sporting. Entramos em modo de voo. O modo de voo é aquela cena dos telemóveis espertos, em que conseguimos carregar no botão e ver a luz, as horas, o despertador a até escrever umas notas; mas não recebemos SMS, nem chamadas, nem temos wireless, isto é, basicamente não serve para nada.

Foi assim que o Sporting entrou no jogo, e assim ficou praticamente durante 45 minutos. Não os censuro, eu próprio andei assim a semana toda. De qualquer maneira, ainda houve tempo para o árbitro mostrar que, para além das equipas se terem estudado mutuamente, também ele andou a estudar as recentes arbitragens dos jogos do Sporting e não quis ficar atrás dos árbitros portugueses, anulando um golo limpinho.

Na segunda parte, o Jorge Jesus, rato, desligou o modo de voo, ficando apenas o Bryan Ruiz ligado para enganar o adversário. Rapidamente esquecemos o sintético, a viagem, os comentadeiros da SIC e enfiamos três batatas na baliza adversária, uma delas ainda com o Acuna disfarçado de Messi, não se sabendo como conseguiu passar na fronteira nesse preparo.

Ainda com os monocórdicos comentadores da SIC mal refeitos do ataque cardíaco, já estaria o nosso presidente a pensar numa maneira de conseguir estragar a festa para não destoar das outras equipas portuguesas. Como todos sabemos, foi mais uma epopeia inesquecível do Benfica nas competições europeias, com os malandros do Porto e do Braga a tudo fazerem para saltar borda fora da europa, com o objetivo de apenas se concentrarem no campeonato, coisa que nos especializamos nos anos anteriores, com os resultados que se conhecem.

À falta de bordoadas exteriores, temos sempre que criar as nossas formas de tortura. “Se calhar foi o último jogo do Sporting comigo a presidente” – disse Bruno de Carvalho. A seguir ainda se escutou um “agarrem-me”, mas já estava tudo em modo de voo. Eu incluído. Amanhã há mais.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Deixem marcar o Doumbia!

Entrámos com a cabeça a pensar em desculpas. Faltava saber se era do relvado, da distância e do tempo de viagem, do frio ou da falta dele no estádio, do “jet lag” ou de tudo um pouco. Só assim se explica a forma vagamente displicente como entrámos no jogo, dando quase meia parte de avanço. O golo do Astana logo aos seis minutos só se explica por essa displicência ou por a defesa ainda estar enregelada e não se conseguir mexer.

A primeira parte foi difícil. Segundo o Jorge Jesus, aparentemente fomos surpreendidos pelo lado esquerdo da defesa e pelo meio. Surpreendidos pelo lado esquerdo pode ser. Pelo meio é que não. Ao colocar no meio o Bryan Ruiz o objetivo só podia ser o de sermos surpreendidos e, por isso, não pode haver surpresa nenhuma. Não fomos mais surpreendidos porque o Rui Patrício nunca nos surpreende mas surpreende sempre quem não o (re)conhece, seja o adversário ou o Ribeiro Cristóvão, que, na análise final do jogo, ao comentar o seu aniversário e os trinta anos afirmou que estava em tempo de fazer uma grande carreira. Convém que alguém o informe que, para além de tudo o mais, o Comendador Rui Patrício é campeão europeu e foi considerado o melhor guarda-redes desse Campeonato da Europa.

A lentidão do Bryan Ruiz não permitiu que acasalasse com o Bruno Fernandes (para se acasalar decentemente, no mínimo espera-se que chegue ao seu par no momento certo para que se possa consumar) e o Bruno Fernandes teve que acasalar sozinho. Fez dois remetes com selo de golo e marcou um daqueles cantos que costumam acabar na cabeça de um dos nossos grandalhões e que são meio caminho andado para o golo. Com esse meio caminho e a cabeçada do Coates, o Doumbia, na recarga, fez o golo. Como vem sendo hábito, o golo foi anulado. Também não foi por acaso e, por isso, não fomos surpreendidos. Este (lindo) serviço nem sempre precisa de vídeo-árbitro, bastando para tanto que o árbitro seja francês.

Entrámos na segunda parte com a cabeça virada do avesso, deixando-a livre para pensar em jogar à bola e não em desculpas. O primeiro golo, do Bruno Fernandes, foi de “penalty”, depois de um defesa ter cortado a bola com a mão quando o Doumbia se preparava para cabecear ao primeiro poste. O Acuña, que tinha acordado, humilhou três adversários do lado direito da defesa e centrou tenso para o segundo poste, onde estava o Gelson Martins para rematar de primeira e fazer o segundo golo, aproveitando a forma como o Bryan Ruiz ao tentar cabecear atrapalhou o defesa. O terceiro golo foi uma excelente jogada coletiva, com o Acuña a desmarcar o Bruno Fernandes do lado esquerdo que centrou atrasado para o Doumbia encostar.

Em praticamente dez minutos, entre o Acuña, o Bruno Fernandes, o Gelson Martins e o Doumbia, o Sporting acabou com o jogo e fez o resultado final. A entrada do Montero ainda permitiu que inteligentemente sacasse o segundo amarelo a um defesa e finalmente se passasse a jogar dez contra dez. O Astana entregou-se definitivamente e os jogadores foram-se entretendo com a bola para passar o tempo e evitar desgaste físico e alguma lesão, a fazer recuperação ativa na linguagem do Freitas Lobo ou do Carlos Daniel. O Gelson Martins ainda teve mais um golo nos pés, mas o guarda-redes defendeu. O Astana rematou ao poste, mas foi evidente o diálogo e a combinação entre o Rui Patrício e o dito poste, não chegando a existir propriamente qualquer sobressalto.

Na parte final, o jogo foi-se arrastando, embora monotonia por monotonia a pior tenha sido a dos comentários dos rapazes da SIC. Todos os argumentos serviram para desvalorizar a vitória do Sporting. Ninguém se lembrou que o Benfica foi lá empatar a dois há cerca de três anos ou que o Astana nunca fez menos pontos na Liga dos Campeões que o mesmo Benfica esta época. Os rapazes do Astana não estavam em forma devido à paragem do campeonato. O Astana tinha vendido entretanto o seu melhor jogador. O Astana é uma péssima equipa e qualquer outro resultado do Sporting que não fosse a vitória era uma vergonha. A Liga Europa é competitiva, mas não tem os grandes tubarões europeus. E mais isto e mais aquilo. Se uns queriam esfolar, o Ribeiro Cristóvão estava para matar. Talvez seja melhor para a próxima inverterem a ordem, matando primeiro e esfolando depois.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Vídeo-árbitro de Ferrari Vermelho

Agradece-se que nos informem se veem inconveniente na nossa participação no campeonato nacional. Temos algum interesse nessa participação, mas não o suficiente para querermos incomodar alguém, muito menos os árbitros, os bandeirinhas, os vídeo-árbitros, a comissão de arbitragem, a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol. Até por que não queremos que nenhum árbitro fique com tão má consciência que acabe por marcar “penalties” a nosso favor quando chutarmos contra a cabeça de um infeliz defesa que se atravesse no caminho.

Depois do primeiro golo do Benfica contra o Boavista e do terceiro contra o Aves, qualquer golo que venha a ser invalidado pelo vídeo-árbitro por ter sido antecedido de falta constitui um atentado à inteligência. Foi por essa razão que o golo do Porto na passada quarta-feira não foi anulado. Estranhamente, hoje, é-nos anulado um golo por uma suposta falta de Bruno Fernandes no início da jogada quando a bola voltou para o Feirense que continuou calmamente a atacar perdendo a bola três quartos de hora depois, dando origem ao contra-ataque do Sporting e ao golo do Doumbia. A fazer jurisprudência este lance, não nos espantaria nada que um dia destes nos anulassem um golo por falta efetuada num jogo anterior desta ou de outra época. Não satisfeitos, o árbitro e o vídeo-árbitro ainda fizeram de conta que um jogador do Feirense não se virou intencionalmente cortando um lance com o braço dentro da área. A consciência deste conjunto desvairado de aldrabices deu origem à marcação de um “penalty” a nosso favor depois de o Montero, em grande estilo, em vez de marcar golo ter procurado causar um traumatismo craniano num defesa do Feirense.

O jogo foi isto mais um ror de oportunidades de golo desperdiçadas, sobretudo na primeira parte. Rematámos cerca de trinta vezes, a maior parte dentro da área, e por nabice dos avançados e inspiração do guarda-redes a bola parecia não querer entrar. O Doumbia foi o que mais falhou, mas também é verdade que, pelo menos, estava no sítio certo para falhar. O Montero falha muito menos porque para falhar mais era necessário que jogasse, coisa que o maça imenso, dado que não veio para isso e agradece que o não incomodem.

Na segunda parte, estávamos preparados para o desespero. Quando o Doumbia tentou enfiar uma biqueirada na bola, acabando por lhe espirrar o taco e falhar mais um golo, um sportinguista maduro sabe que o pior está para acontecer. O pior não é o empate. O pior é um sarrafeiro da equipa adversária se lembrar de mandar um chutão para a baliza e acabar a marcar o golo de uma vida sem que o Rui Patrício tenha a mínima hipótese de defesa. O pior esteve para acontecer mas, desta vez, havia uma ínfima hipótese de o Rui Patrício defender o remate e quando assim é defende-o.

Passado este susto, o Jorge Jesus resolveu fazer mais uma brilhante demonstração da forma como vai gerindo o plantel. Não promove a rotação dos jogadores em jogos fáceis ou que ficam fáceis, preferindo lançar o Rafael Leão e o Lumor quando andavam mosquitos por cordas. Na primeira vez que tocaram na bola, os rapazes estiveram bem e, assim, não ficaram com a cabeça a prémio. A vontade, a força e a velocidade deles ajudou a empurrar o adversário para a área e, na sequência de um canto, depois de uma carambola, envolvendo um soco mal-amanhado do guarda-redes e a cara do Coates, o William Carvalho marcou o primeiro golo.

O estádio ficou em suspenso e a malta do café onde vi o jogo também. Ainda faltava jogar o vídeo-árbitro. Só que passou e nós resolvemos, de imediato, recuar e passar a defender com unhas e dentes, com o Battaglia em campo. Ainda apanhámos um ou outro susto, até o Bruno Fernandes desmarcar o Gelson Martins pela direita que, em desespero, depois de adiantar demasiado a bola acabou por a meter para o meio de uma confusão onde o Montero, vá-se lá saber como, a empurrou para a baliza a meias com os adversários. Ainda houve tempo para o Gelson Martins devolver a gentileza e deixar o Bruno Fernandes na cara do guarda-redes em condições de marcar um “penalty” de bola corrida. A paradinha saiu bem, mas o remate passou ao lado.

A parte melhor ainda foi a “flash interview” do Jorge Jesus. Começou com uma comparação entre o vídeo-árbitro e um Ferrari. As metáforas com Ferraris nunca lhe saíram bem. Não percebi se tinha voltado à indireta ao Rui Vitória, se era uma referência ao “twitter” parvo do Benfica ou se estava a referir-se a um Ferrari vermelho conduzido por um qualquer árbitro ou vídeo-árbitro. Também nos confidenciou que o Lumor lhe tinha dito hoje que considerava que ainda estava na primeira classe. Penso que o Jorge Jesus nos queria dizer que só o voltaremos a ver jogar daqui a uns anos quando o rapaz estiver no primeiro ano do ciclo; mas nunca sabemos bem em que língua é que o Jorge Jesus se entende com os jogadores.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Prova de Porto “Vintage”

Há muito tempo que não provávamos um Porto “Vintage”, um Porto envelhecido em casco de carvalho ou pinheiro, mais precisamente. Desde os anos oitenta e noventa e no defunto Estádio das Antas que não provávamos uma colheita destas. Na altura, entranhava-se. Agora, estranha-se. Habituemo-nos, pois, para não estranharmos e até começarmos a entranhar outra vez.

O início foi prometedor. O Filipe, esse cara brincalhão, meteu um dedo no olho do Coentrão só para achincalhar o nosso Presidente. O Pinheiro mostrou-lhe amarelo por considerar que se tinha limitado a espetar-lhe o dedo no olho que estava pregado na testa. Mostrou amarelo ao Coentrão também por não ter seguido o bom exemplo do seu Presidente e insistir em manter os três olhos bem abertos. A falta para “penalty” seguida de outra, outra e mais outra do Soares sobre o Ristovski foram consideradas na linguagem eufemística e vagamente distraída dos comentadores como “luta de braços”. O Soares ainda se denunciou, desalentado, mandando um biqueirada para fora como quem diz “sou mesmo estúpido”. O Pinheiro sem saber se as faltas eram dentro ou fora da área e para não dar nas vistas e se atrapalhar mandou seguir jogo. O Ribeiro Cristóvão e outros que são contra o vídeo-árbitro costumam concluir quando este tipo de situações acontece que “o futebol é mesmo assim”.

O golo do Porto foi precedido de falta sobre o Bruno Fernandes. Se dúvidas existissem, o simples facto de a SporTv não ter passado a repetição dissipou-as. Pelo caminho, o Brahimi tentou enterrar a chuteira na barriga do Patrício, o Paciência enfiou uma bordoada no Acuña, o Herrera bateu, empurrou, agarrou e ninguém levou amarelo. O Pinheiro ainda se podia ter redimido duas vezes na mesma jogada. À entrada da área o Brahimi derrubou o Gelson Martins, não foi marcado livre nem mostrado amarelo, e a seguir não sei muito bem quem derrubou o Acuña e, face à insistência, foi marcada falta mas o amarelo ficou por mostrar.

Não foi somente o árbitro a trocar-nos as voltas. O Jorge Jesus trocou-nos as voltas também e, por alguns momentos, ficaram baralhados os seus jogadores e os do Porto. Os do Porto, depois de se desembaralharem, tomaram conta do jogo e empurraram-nos para trás, local onde queríamos ficar desde o início. O Patrício safou-nos uma, desviou com o seu olhar fulminante outra para o poste e a falta de jeito dos jogadores do Porto fez o resto. Finalmente, o Jorge Jesus assumiu que não consegue jogar nos mesmos termos do Sérgio Conceição e colocou a equipa a defesa mais atrás, apostando tudo no contragolpe. Não deu, mas podia ter dado.

Na segunda-parte estivemos melhor. Equilibrámos mais o jogo, só que nos nossos piores momentos o árbitro foi-nos empurrando e pressionando. Nos piores momentos do Porto, havia sempre uma falta que se marcava ou não se marcava, conforme a conveniência, e os nossos adversários respiravam melhor. Depois do golo, ainda sofremos mais um pouco, safando-nos o Patrício de ficarmos a perder por dois. Num assomo de dignidade, acabámos os últimos quinze minutos em cima deles. Por esta ou aquela razão não marcámos. O Rúben Ribeiro ainda ficou isolado, mas, subitamente, deu-se conta que estava com a camisola do Sporting e desfez-se da bola o melhor que pode e sabe, quando o Casillas com a sua habitual rapidez e sentido de oportunidade tinha ficado a meio do caminho e se preparava para uma frangada com estilo.

(Estas metáforas estão a ficar cada vez pior. A falta de imaginação é muita e a irritação ainda mais. Os “Vintage” envelhecem mais em garrafa do que em madeira. Os “Late Bottled Vintages (LBV)” é que envelhecem mais em madeira do que em garrafa. Não me pareceu é que qualificar o Porto do jogo de ontem como um LBV fosse completamente compreensível e para incompreensível bastava a arbitragem)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

The answer is blowin' in the wind

Não fui à assembleia geral, nem ouvi ontem em directo e a cores a conferência de imprensa dos orgãos directivos (vulgo presidente) do nosso clube. Ao contrário do que costumava fazer na escola, li (e vi) os resumos. Para além do circo Cardinali (não confundir com o nosso jogador de futsal Cardinal, que após uma temporada nos Super Dragões voltou), retive duas ou três coisas, e é tudo.

Questiono o timing das Assembleia, tendo em consideração que, segundo as autoridades no assunto, as alterações não são de monta(?), então não se percebe bem o porquê de não se aguardar pela pasmaceira do Verão. Noutro sentido, se o presidente acha que o seu trabalho está a influenciar negativamente a sua vida pessoal, deveria ser o primeiro a promover o seu recato. Aquela cena de colher-se o que se semeia é capaz de fazer algum sentido.

Posto isto, devo dizer que, escutando os adeptos dos nossos rivais - e tendo em consideração os seres humanos exemplares, respectivos presidentes desses clubes –  dá-me muito prazer que o nosso Presidente se mantenha, não apenas pelo trabalho que tem feito, mas pelo ódio (será medo?) que causa nesses mesmos adeptos, em cujas vestes imaculadas se trajam os seus presidentes. Escutei-os ainda hoje de manhã ao café, esquecendo-se do estoco de pau típico de casa do ferreiro. Nesse sentido, só podemos estar no bom caminho.

De resto, e quanto à bola, ninguém poderá dizer-se surpreendido. Apenas JJ, legitimamente, segundo o próprio, por causa do vento, da cor da camisola dos adversários, da falta de tempo para preparar a equipa, das lesões de 50% do ataque, e do facto do Doumbia esticar o jogo para fora da sua ideia.

Desde o final do jogo com o Aves, em que JJ nos premiou com a lapidar frase do “fazemos normalmente um jogo em crescendo”, não se sabendo (ainda hoje) se esse crescendo será para os lados, até ao enigmático “não contávamos perder pontos aqui” (no Estoril), passando pela influência do vento nas marés que por sua vez tem consequência terrível nas luas e por sua vez na mente dos jogadores; neste tempo todo, toda a gente percebia o que ia (e estava) acontecer e só não aconteceu antes porque o povo leonino carregou a equipa às costas.

Não percebo, igualmente que, com tantas idas e voltas ao mercado, uma brisa seja suficiente para nos abanar. Mas entendo agora a insistência no Gelson mesmo de muletas, sem perceber, mais uma vez (e já são muitas) a suposta falta de soluções e de planos alternativos. Nem a desresponsabilização da equipa técnica. São ideias que tenho. Não mais de uma ou duas por semana.  

É isto, não é?

Se bem percebo, pelo facto de não se ter concluído a Assembleia Geral no sábado, perdemos o jogo no domingo contra o Estoril. Para garantir que, em Portugal, ninguém nos pára, vamos retomar a Assembleia Geral e aprovar tudo, ponto por ponto. Como queremos ganhar a Liga Europa também, vai-se aprovar tudo com uma percentagem elevada de aceitação. É isto, não é?

“I do not care to belong to a club that accepts people like me as members” constitui um aforismo do Groucho Marx muito apropriado a esta situação. “I hate reality but it's still the best place to get a good steak”, do Woody Allen, é outro que complementa bem o anterior. No fundo, trata-se de uma situação em que alguém não consegue viver consigo próprio, mas também não pode viver sem si próprio. É isto, não é?

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Jesus, Nossa Senhora!

Os nossos rivais ganharam ontem. Comentava-se que jogaríamos contra o Estoril sob pressão por essa razão. Nada de mais errado. Não precisamos dos adversários para isso. Sabemo-lo fazer sem ajuda de ninguém. Arranjou-se uma Assembleia Geral e umas escaramuças sobre estatutos para tudo se concluir com um período de reflexão do Presidente para ponderar se se demite ou não. Entrámos em campo sem se saber se amanhã temos Direção e se, porventura, não se tem que efetuar novas eleições. Isto tudo numa semana em que ganhámos a Taça da Liga, passámos para a frente do Campeonato e vimos o Presidente e um Vice-presidente do Benfica constituídos arguidos. É obra!

Contrariamente ao que se possa pensar, não considero que a primeira parte tenha sido a pior. Com o Doumbia o jogo estica-se mais um pouco e a equipa pressiona melhor na frente. Só que, jogando contra o vento, tínhamos dificuldade em sair à biqueirada em momentos de pressão. Levámos um golo de canto. O Coentrão ainda safou à primeira, mas não pôde fazer nada na recarga. Sem saber ler nem escrever o Estoril chega ao primeiro e logo a seguir ao segundo golo. Nesse lance, a defesa ficou a olhar para o bandeirinha e o próprio avançado também, que por desfastio acabou por marcar, à segunda, sem grande convicção.

A equipa reagiu e criou duas oportunidades de golo-feito. Na primeira, o Coates, isolado, rematou para a bancada. Na segunda, o Bruno César falhou o remate com a baliza aberta. Acabámos a primeira parte em cima do Estoril e iniciámos a segunda no mesmo registo. Rapidamente, criámos três oportunidades. Por isto ou por aquilo a bola não entrou. E é por volta da hora de jogo que os Jorge Jesus resolve enterrar-nos definitivamente. Não bastava estarmos com o depressivo Montero em campo. Era preciso metermos dois jogadores de futebol de salão: o Bryan Ruiz e o Rúben Ribeiro. Não bastava jogar com dez, era necessário arriscar tudo e passar a jogar com oito. A partir da última substituição, não mais o Sporting conseguiu pressionar o adversário e criar oportunidades, expondo-se a sofrer mais uns tantos que o Patrício fez o favor de salvar, para não sairmos de campo não só derrotados como humilhados.

A equipa do Sporting não está desde há muito a jogar nada. O Jorge Jesus quer-nos fazer crer que está tudo pensado e que estamos a jogar à italiana. Considerou ainda que a vitória na Taça da Liga lhe dava razão e explicava uma tática qualquer que diz dispor mas que ninguém entende. É pura e simples banha-da-cobra para enganar tolos. O Sporting tem uma defesa excelente e um trinco campeão Europeu. Dispõe de um ponta-de-lança de nível europeu, apoiado por dois excelente jogadores, como o Gelson Martins e o Bruno Fernandes. O que explica os resultados são a qualidade dos jogadores e as probabilidades.

É para jogar o Bryan Ruiz, o Rúben Ribeiro e o Montero que entra e sai um camião de jogadores a cada abertura de mercado? Foi para eles jogarem que se dispensou o Gelson Dala, o Yuri Medeiros e o Francisco Geraldes e não se dá uma oportunidade ao Rafael Leão? É para se fazer estas escolhas que se paga ao treinador o maior salário de sempre no futebol português? Queremos um treinador. Dispensamos um fanfarrão.

PS1. O Presidente diz que se vai embora. Se, na quarta-feira, não corre bem o jogo contra o Porto, tenho a impressão que vai muito bem acompanhado pelo Jorge Jesus. 

PS2. Conhecemos o Manuel Mota. O Manuel Mota insiste em se dar a conhecer mesmo quando não precisa, como foi hoje o caso. É inacreditável como permitiu não só todo o antijogo aos jogadores do Estoril como o premiou com cinco minutos de descontos. Haja vergonha!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Benfica no Xadrez

A relação entre o Benfica e o Xadrez nem sempre é a mais óbvia e não se rege exclusivamente pelo momento, pela conjuntura. Benfica e Xadrez são dois substantivos próprios. Benfica no Xadrez, título deste “post”, pode ser uma alusão à equipa de Xadrez do Benfica, se é que ela existe. Benfica no xadrez teria um significado completamente distinto, mas não é função deste blogue andar à procura do “Wally”.

Este é um “post” sobre o Benfica e o Xadrez em caixa alta. No “post” anterior, efetuei uma série de comparações entre os jogadores do Sporting e o jogo contra o Guimarães, respetivamente com o Karpov e o Kasparov e um jogo de xadrez. Um bom colega meu, benfiquista, explicou-me que as comparações eram despropositadas, mesmo espúrias, não respeitando o Xadrez e os seus dois grandes mestres e Campeões do Mundo.

A esmagadora maioria dos jogos entre o Karpov e o Kasparov acabou com empate, o que não foi o caso do jogo contra o Guimarães. Os dois campeões não tinham o mesmo estilo de jogo e cada um deles não tinha como objetivo anular o jogo do adversário. O Karpov era um jogador posicional ao passo que o Kasparov era um jogador agressivo. O jogo de pares, entre peões nomeadamente, sobre o qual assentou uma das metáforas que elaborei, não reflete os embates entre eles. Para além de adversários, eram sobretudo arqui-inimigos. O nosso arqui-inimigo é o Benfica e não o Guimarães. Por fim, qualquer um deles é mais alto e mais forte do que o Montero, dispondo assim de melhores condições para substituir o Bas Dost ou acasalar com ele.

Ganhámos ao Guimarães e passámos para a frente do campeonato. A euforia subiu-nos à cabeça e daí à arrogância, como se viu, é um passo. É preciso ser mais humilde, coisa que não fui, levando necessário corretivo de um benfiquista. Não foi bem um corretivo. Fui mais vítima de “bullying”, dado que esse meu colega é grande jogador de xadrez. Os mais crescidos não devem bater nos mais pequenitos, seja no xadrez seja no que for. Mas os benfiquistas são assim, não respeitando ninguém. Se puderem humilhar, humilham, mesmo quando existem grandes assimetrias de força, poder ou inteligência. Está-lhes na natureza, como o escorpião.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Xadrez em “slow motion” e um costa-marfinense que não compreende o francês do seu treinador

Ontem, contra o Guimarães, qualquer resultado servia. Se perdêssemos, um colega meu de trabalho, que é do Porto, iria estar muito mais bem-disposto hoje, facilitando a resolução de um problema comum. Se empatássemos, não faríamos pior do que o Porto ou o Benfica. Se ganhássemos, ainda melhor. Se ganhássemos durante os noventa minutos, então faríamos o pleno e o “post” habitual ficaria muito facilitado. Há muito tempo que não me encontrava tão descomprometido para ver jogar o Sporting, assistindo simplesmente a uma partida de futebol enquanto manifestação desportiva e cultural.

O estado de espírito era de tal forma que não me aborreci nada por assistir a uma primeira parte que mais parecia uma partida de xadrez. Avançava um peão de um lado e, logo a seguir, avançava outro do outro lado para bloquear o seu avanço. Cada peça deslocava-se à vez. A velocidade de jogo era digna de um Karpov vs Kasparov mas em “slow motion”. O William Carvalho continuou com a cabeça de quem joga a seis a jogar a oito e, portanto, quando passava não se desmarcava, não saindo do sítio nem fazendo com que a equipa saísse do sítio também. Nãos saíam os nossos e não saíam os deles. Às tantas, um defesa deles chegou a pedir ao Bas Dost para mandar o Coentrão centrar, dado que estava a ficar com formigueiro nas pernas de estar tanto tempo de pé sem se mexer.

Sem tempo a perder, o Jorge Jesus decidiu começar a segunda parte a jogar tudo por tudo, metendo o Montero. Se estávamos a jogar parados com onze não havia nenhuma razão para o não fazermos com dez com idêntico resultado ou falta dele. Sem jogar há dois meses e em plena pré-época, o nosso acabrunhado avançado, que nunca primou pela intensidade que empresta ao jogo, apresenta uma desenvoltura física que também não faria corar de vergonha o Karpov ou o Kasparov. Depois veio o azar e a sorte ao mesmo tempo. O Bas Dost, lesionado, teve de sair e entrou o Doumbia. Ter um jogador da Costa do Marfim que não percebe o francês do Jorge Jesus ajuda. Desatou a correr como se não houvesse amanhã, desmarcando-se e esticando o jogo e, com isso, obrigando os centrais a correr atrás dele. Para seguir o exemplo ou porque estava frio, os restantes colegas desataram a jogar mais depressa, com o próprio Battaglia a deixar de estar parado atrás à espera de um contra-ataque e a tentar entrar no jogo e a chegar-se mais à frente no seu jeito de quem não tem jeito. Percebendo que podia jogar com um médio mais ofensivo, o Jorge Jesus tirou-o e meteu o Bruno César do lado direito.

Com a equipa a correr e a pressionar e o Doumbia obcecado com a baliza, o Guimarães deixou de conseguir sair com bola e de avançar a defesa. Com as nossas duas torres, de nada valia meter a bola comprida nos avançados. O cerco estava finalmente montando, só faltando a estocada final. Era preciso razão e coração ao mesmo tempo, isto é, era preciso não despejar bolas à maluca e aproveitar aqueles momentos em que o adversário parece tremer e a equipa acredita que vai marcar. Quando se acredita que se vai marcar está-se mais próximo de marcar e quando se começa a descrer na capacidade de segurar o adversário mais próximo se está de sofrer. Essa inteligência emocional está disponível às carradas no Coentrão e no Mathieu, que parecem saber sempre o momento certo para lançarem as investidas que fazem acreditar a equipa e adeptos.

O Doumbia falhou a primeira oportunidade na cara do guarda-redes. O Coentrão centrou comprido e apareceu ao segundo poste o Bruno César a rematar ao poste. O Acuña à meia-volta ia marcando o golo de uma vida. À quarta, em vez de marcar um livre com o “tiki-taka” do costume, o William Carvalho, por impulso e de forma completamente impensada, meteu a bola rapidamente no Acuña que acelerou e centrou tenso para o Mathieu marcar da mesma forma e com mesma certeza que converteu os “penalties” do fim-de-semana passado, começando a festejar ainda antes de rematar. Os últimos dez minutos foram dignos de uma equipa que quer ser campeã e sabe gerir um resultado, contrariamente ao demonstrado no jogo contra o Setúbal no Bonfim, continuando a pressionar a saída de bola do Guimarães e controlando o jogo com bola no meio-campo adversário.

Quando acabou o jogo, percebi que o meu descomprometimento de início de jogo se tinha transformado numa pilha de nervos e, depois, em entusiamo. Ganhámos em noventa minutos, que não chegaram para o Porto fazer o mesmo e foram curtos para o Benfica empatar. Só quando cheguei a casa é que caí em mim e percebi que hoje ia ter um dia de trabalho chato, muito chato. Talvez convença o meu colega a adiar a conversa para a próxima quinta-feira, depois do primeiro jogo da meia-final da Taça de Portugal. Pode ser que nessa altura esteja mais calmo ou, melhor ainda, que fique tão doente que nem ao trabalho apareça.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

No princípio era uma ideia...

Na base da sua Ideia, estará o conceito platónico de princípio geral (do mundo inteligível), o qual se constituirá na Ideia Universal, donde brotam as nossas ideias das coisas. Jorge Jesus, certamente um platónico, devidamente secundado pelo Professor Manuel Sérgio, constitui assim a base da sua ideia de jogo, que por sua vez se constituí como ideiazinha universal que ultrapassa velozmente qualquer ideia, seja de quem for.

Nessa sua ideia, cabem uns vinte e tal malotinhas que devem jogar à bola segundo o princípio universal do mister. Quando isso não acontece, o problema não reside na ideia universal, nem sequer na ideiazinha universal, mas na incapacidade do malotinha ou malotinhas em perceber, sentir, e expor em campo essa brisa perfeita de um ideal. Acontece, não raro, que um malotinha escolhido para representação ideal dessa ideia, seja incapaz de a realizar. Nesse caso, muito provavelmente, a escolha desse malotinha não vem do ideólogo da ideia mas de outros, nem sempre capazes de a acolherem.

Outras vezes, também com alguma regularidade, alguns malotinhas são afastados do grupo e do seio da grande ideia, voltando muito tempo depois a serem acolhidos no regaço da mesma. Não se percebe o porquê de, da grande ideia universal apenas brotar uma ideia (também ela universal) de jogo. Eu próprio sou capaz de ter mais de uma ou duas ideias por semana. Mas nem sempre, admito.

Dá-se o caso de alguns malotinhas, mesmo os que não jogam, eu incluído nesse lote, não fazerem a mínima ideia da ideia do mestre, notando-se, por vezes, que o mestre oscila na corda bamba dessa ideia, mas sem nunca a renegar. Deve ser mesmo uma grande ideia que emana da ideia universal. Somos campeões de inverno da taça CTT. Ainda não perdemos cá no burgo. Mas sinceramente, não fazemos a mínima ideia do que poderá acontecer. Pois não?


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Verdades, mentiras e vídeo

A Taça da Liga merecia também um filme de Steven Soderberg. Em 2009, o vídeo não deixava margem para dúvidas: o Pedro Silva tinha dominado a bola com o peito. Seguiu-se uma rábula protagonizada pelo Lucílio Baptista e a sua equipa de arbitragem que se concluiu com um “penalty” contra o Sporting. Como se demonstrou, nenhum dos árbitros tinha efetivamente visto “penalty” algum, tendo o bandeirinha que estava mais mal colocado adivinhado que tal tinha acontecido. Havia vídeo mas, de acordo com as regras, o que valia era a mentira. Essa taça passou a ser um símbolo da mentira do futebol português.

Este fim-de-semana assistiu-se a vídeos e a mentiras, tendo, apesar de tudo, prevalecido a verdade ou, pelo menos, parte dela.

Contra o Porto, mesmo com vídeo e vídeo-árbitro, o árbitro não marcou um “penalty” escandaloso a favor do Sporting. Sem vídeo-árbitro, o árbitro não marcou o “penalty”. Com vídeo-árbitro, o árbitro continuou a não marcar o “penalty”. Um pouco mais tarde, o Porto marcou um golo. O árbitro e o fiscal-de-linha nada assinalaram. O vídeo-árbitro veio confirmar que o jogador do Porto estava fora-de-jogo, restando saber se muito se pouco. Sem vídeo e vídeo-árbitro, continuava-se com a mentira toda. Com vídeo e vídeo-árbitro, repôs-se parte da verdade.

Estranhamente estes dois lances foram equiparado, como se uma mentira fosse igual a uma verdade. A coisa foi tão longe, que ouvi um daqueles entendidos da bola que pululam na televisão a dizer que o árbitro e o vídeo-árbitro só tinham reposto a verdade no segundo lance, porque sabiam da mentira no primeiro. De repente, uma mentira passou a ser igual a uma verdade. No futebol português, está toda a gente tão habituada à mentira que a confundem com a verdade. A verdade, as duas verdades, é que foi “penalty” contra o Porto e o golo foi marcado em fora-de-jogo.

Contra o Setúbal, o árbitro não viu “penalty” nenhum. O vídeo-arbitro veio confirmar que tinha sido “penalty”. O árbitro não quis acreditar no óbvio e foi confirmar também. Demorando cerca de cinco minutos, acabou por marcar “penalty” a muito custo, tendo-se esquecido de expulsar o jogador do Setúbal. Numa das substituições, o jogador do Setúbal atirou-se para o chão e demoraram cerca de três minutos para o tirar de campo. Estes oito minutos, mais as substituições e todas as estratégias de perda de tempo do Setúbal, deram origem a uma compensação de cinco minutos. Sem vídeo e vídeo-árbitro, continuava-se com a mentira toda. Com vídeo e vídeo-árbitro, repôs-se parte da verdade, mantendo-se parte da mentira no que respeita à expulsão do jogador do Setúbal e ao tempo de compensação.

Sem vídeo e vídeo-árbitro não teríamos chegado à final. Mesmo na final, sem vídeo e vídeo-árbitro não teríamos ganhado. Não ganhou a verdade toda. Ainda se manteve uma parte da mentira. Mesmo sem a verdade toda, ganhámos. Com a verdade toda, talvez nem precisássemos da lotaria dos “penalties”. A quem é que interessa continuar com a mentira? Não me parece que seja ao Sporting.

domingo, 28 de janeiro de 2018

«O peido que a senhora condessa deu, não foi ela, fui eu»



Tal como celebra a mitologia do anedotário nacional, atribuindo a Bocage, poeta setubalense, o dichote acerca do peido da senhora condessa, também agora o peido do senhor Jesus não foi dele, foi provavelmente do Nelson.
O Nelson, só pode ter sido ele, pôs a jogar de início o Bryan, o Montero e o Rúben e esqueceu-se do Acuna e do Battaglia e outras maldades que agora, por falta de paciência e memória, não me apetece enumerar. Aliás, tivesse eu memória e até correria o risco de me lembrar de outra Taça conquistada, há não muito tempo, por um treinador infinitamente menor e com um plantel bem inferior e já com o Nelson.  
Felizmente, na segunda parte, o Salvador (o Nosso) voltou. Jesus pôs tudo na ordem, colocou os do costume, nos sítios do costume e foi a estória do costume. A equipa de futebol, antes conhecida por Sporting e agora identificada por "a equipa de Jorge Jesus", lá foi indo, nem bem nem mal, antes pelo contrário.
Nos penaltis, o Nelson, mesmo que mais aligeirado de responsabilidades, não se deu sequer ao trabalho de ir para trás de baliza, como Jesus lhe tinha ordenado. Assim o Patrício não defendeu nenhuma. Felizmente, os rapazes, superiormente orientados por Jesus que os ensinou a todos, lá meteram as cinco “batatas”. Da próxima, quando as coisas não correrem tão bem, já sabemos de quem será a culpa. Da condessa e do Nelson, naturalmente.

Taça Pedro Silva

Mal soube da constituição da equipa percebi logo que hoje ninguém nos conseguia parar. O Jorge Jesus assegurou que o faríamos pelos nossos próprios meios, entrando para esse efeito o Bryan Ruiz e o Montero. Entrámos parados e parados ficámos durante quarenta e cinco minutos. Era assim que estava o Coates quando aconteceu golo do Setúbal, seguindo escrupulosamente as instruções do treinador. Há jogadores que não estão com boa cara, como o Rúben Ribeiro, o Coates, o Bryan Ruiz ou o Montero, mas não estão pior do que muitos outros que jogam no campeonato de veteranos. Estava à espera de ver jogar o Manuel Fernandes e mais vontade tive de o ver entrar quando percebi que era o Doumbia a entrar em vez dele num momento que tão precisados de golos estávamos.

Para a segunda parte, o Jorge Jesus mandou entrar uns rapazes mais novos e tirou os mais velhos. Encostou o Acuña à esquerda, meteu o Battaglia no meio para avançar o Bruno Fernandes, que passou a jogar da direita para o meio. Num primeiro momento, os jogadores pareceram ficar surpreendidos com a possibilidade de se jogar a correr e de com essa falta de (es)tática se criarem oportunidades de golo. Só assim se explica tamanho desperdício.

O desperdício era tanto que numa só jogada desperdiçámos três vezes o golo a um metro da baliza, tendo um jogador do Setúbal acabado com aquele sofrimento do guarda-redes de lhe estarem sempre a atirar bolas contra ele e metido mão à bola. O árbitro e o vídeo-árbitro demoraram mais ou menos dois dias para deliberarem e decidirem o “penalty”. Rui Costa, rigoroso como é, resolveu compensar essa paragem com cinco minutos de descontos. Percebendo também que o jogador do Setúbal não tinha nenhum objetivo de evitar um golo mas tão-somente o de terminar com o suplício do guarda-redes, não lhe mostrou o vermelho.

A empatar, o Setúbal apostou tudo nos “penalties” e o Rui Costa também: entre substituições, lesões e outras perdas de tempo, não mais se jogou à bola até ao final do jogo. Aparentemente, o José Couceiro pensava que o Edinho podia marcar os “penalties” todos. Não podia, como lhe explicaram. Marcou somente um e pode ir para a reforma contar aos netos esse seu feito, mostrando as imagens a despir a camisola e a fazer umas macacadas que ninguém percebeu. O Jorge Jesus meteu a “carne toda no assador” e não dispensou as superiores qualidades do Coates e do William Carvalho na marcação de “penalties”. Não podendo contar com o Nelson atrás da baliza, era a última arma que dispunha. Ganhámos, demonstrado que parados e de bola parada ninguém nos para.

PS1. Somos os melhores adeptos do Mundo. Hoje, foram os adeptos a levar a equipa às costas. É inacreditável a forma como nunca perdemos a crença. 

PS2. Hoje devia ter sido o Pedro Silva a erguer o caneco. Não se pode reparar o esbulho do Lucílio Baptista. Mas convém nunca o esquecer, como se viu hoje outra vez. Para mim, acabou a Taça Lucílio Baptista e começou a Taça Pedro Silva.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

C'um caneco

A (des)organização da meia-final da taça Lucílio Batista, rebaptizada de CTT fez jus ao seu nome: uma bela merda. Desculpem-me a sinceridade linguística.  Alterações à circulação pedonal (pasme-se) através do Bairro da Misericórdia, supostamente existe por ali uma casinha da claque feminina (?) do Braga, obrigou a malta a uma volta razoável e a algum corta mato. Chegados à entrada exterior do recinto, filas intermináveis de Sportinguistas, mas lá conseguimos entrar. Depois foi pior, com bilhete para entrar na porta 9 ou 19, ambas se encontravam fechadas. Fizeram-se algumas perguntas. A resposta era a porta 15 para toda a gente. Como é possível só uma entrada? O mais caricato é que era só fogo-de-vista. A malta se quisesse entrava de bazuca e lança granadas (do outro lado a claque do porto fez algumas demonstrações pirotécnicas do mais fino quilate). Entrados, lá subimos as escadas mas não nos deixaram ir para o piso superior (estava cheio?), parece que os bilhetes eram daqueles das camionetas antigas, cada um sentava-se onde queria e podia. Lá descemos 50 lanços de escadas e entramos finalmente a um minuto do início do jogo. Outras centenas (milhares) não tiveram essa sorte e foram entrando às pinguinhas, ficando muitos deles no início da bancada junto ao relvado, obrigando assim todos os outros a levantarem-se.

Começa o jogo. Rapidamente percebi o porquê de se dizer por aí que o Porto é uma equipa intensa: chaga a ser gratificante ver a forma desinibida como distribuem pau, lenha da antiga, com o beneplácito do homem do apito, fazendo jus à memória das arbitragens de Lucílio baptista. O homem do apito, aliás, sofreu durante o jogo praticamente todo de miopia daltónica, entremeada com verdadeiras alucinações, isto é, não via coisas consoante a cor das camisolas dos intervenientes, e via (imaginava) coisas consoante a cor da camisola dos intervenientes.

 Por outro lado, rapidamente se percebeu que havia jogadores a menos do lado do Sporting: o Gelson teve que pedir (desde o início do jogo que se via isso) pelas alminhas para sair, e foi preciso atirar-se para o chão aos gritos para o conseguir. O Acuna parecia que ia explodir a qualquer momento, e fiquei com a sensação que bastava tapar-lhe boca por segundos para irmos todos pelos ares. Não sei porquê mas o Rúben Ribeiro dá a sensação de andar por ali perdido, não fosse o cabelo amarelo e dificilmente tínhamos dado por ele. O William, por seu lado, arrasta a sua lentidão com a classe que lhe reconhecemos, não esteve mal na primeira parte, muitas vezes como verdadeiro libero. Grande jogo do Coentrão e do Mathieu.


Do jogo não rezará a história. O Rui já disse tudo. Se aquela que foi à trave tem entrado, tinha conseguido beber a primeira cerveja mais cedo. A saída foi outro filme dos antigos. Primeiro esperar que os meninos do Porto saíssem, por motivos de segurança, disseram, sem se rir. Lá subimos 10 andares, mais uma voltinha ao parque da pedreira para nos encontramos todos, Sportinguistas e Portistas na primeira curva da estrada. Sem polícia por perto. Correu bem. Agora é erguer o caneco no sábado. Aposto que o Gelson vai jogar. 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O amor está no ar!

A Taça Lucílio Baptista e a sua final não interessam para nada. A meia-final ainda menos, se tal é possível. Interessava ganhar ao Porto. Ganhar, desesperadamente ganhar. Por todas as razões e mais uma: não há bancos de suplentes que cheguem para a raiva do Coentrão.

Não entrámos mal. Os calmeirões do Porto demoraram a aquecer. Depois de aquecerem, começaram a lavoura do costume. Primeiro, distribuíram pau em tudo o que estava de pé, até não sobrar nenhum. Depois terraplenaram o campo para cima e para baixo, tantas quantas as necessárias, ao ritmo do batuque do Marega. Chegámos ao intervalo a respirar por uma palhinha.

Esperava-se o pior na segunda parte. A equipa estava dizimada. Restavam as nossas duas torres e o monstro das balizas. E havia o Battaglia, o nosso Tenente Ressler, do Blacklist. Como ele diz, “I’m only doing my job. I’m a field agent. I kick down doors. I’ll leave all the politics and the bureaucracy to the pros”. Bateu tanto mas tanto no Brahimi que até a mim me chegou a doer. Mas o Brahimi nunca quebrou nem torceu. Aguentámos investida atrás de investida e não só não desarmámos como complicámos. O Jorge Jesus tirou duas lesmas, o Acuña e o Rúben Ribeiro, e meteu duas moscas mortas: o Bryan Ruiz e o Montero. Estávamos com cerca de dez jogadores e passámos a nove num só golpe (de génio).

Chegámos aos “penalties” com alívio e esperança. O monstro das balizas tinha-nos dado a última final da Taça de Portugal e também nos iria dar esta vitória. Nenhuma equipa do Mundo marca cinco “penalties” seguidos ao Rui Patrício. Procurámos equilibrar esta vantagem, colocando o William Carvalho a marcar o último “penalty”, quando sabemos que em cinco penalties seguidos não marca um. Mas um monstro é um monstro e o Brahimi assustou-se. Finalmente percebemos a razão não só de o continuarmos a ver a jogar como da própria existência do Bryan Ruiz: marcar o penalty decisivo.

Mas o principal resultado do jogo não foi a vitória. Finalmente, desfez-se aquele que era o maior mistério do Sporting e que o Jorge Jesus não se cansava de procurar deslindar. Pensava-se primeiro que era o Gelson Martins; depois o Podence; depois ainda o Bruno Fernandes; por fim, o Rúben Ribeiro. O mistério em vez de se deslindar adensava-se.

Hoje tudo ficou esclarecido. Começou por lhe agarrar a camisola, como quem brinca à apanhada, seguido de um abraço terno e de um mão trémula que desliza pelo tronco forte à procura da braguilha. O árbitro, Nuno Almeida, viu e confirmou. O vídeo-árbitro, Artur Soares Dias, viu e confirmou também. Não era falta. Não era “penalty”. Era amor. Não me espantaria se saísse agora de casa e encontrasse o Danilo e o Bas Dost de mãos dadas nos bares junto à Sé de Braga. O acasalamento que tanto o Jorge Jesus procurava consumou-se. Um final feliz, pois.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Mais uma época sem escalpe

Saem mais uns tantos jogadores e entram outros tantos ou mais: Rúben Ribeiro, Wendel, Misic e Montero. Aguardam-se notícias do Raphinha e do Marcelo. Como a equipa titular está a cair aos bocados, se os que saem não contam, ainda bem que saem, para entrarem outros que contem. O problema é que o Jorge Jesus nos vai informando que os que entram não contam também. Então, entram para quê?

O Wendel e o Misic estavam de férias. O Montero não joga desde novembro. Aparentemente vêm fazer uma pré-época de seis meses para se prepararem para a próxima. Mesmo que venham o Raphinha e o Marcelo, ninguém acredita que peguem de estaca na equipa. Talvez o Raphinha seja uma alternativa para sair do banco, mas não estou a ver como é que o Marcelo vai jogar (durante os jogos não se substituem centrais e para terceira opção não parece que o André Pinto não tenha dado conta do recado).

A equipa está a cair aos pedaços e a época pode perder-se este mês. Nos filmes do faroeste, quando tudo parece perdido e os índios já afiam os “tomahawks”, aparece sempre a cavalaria. Aparece no limite mas aparece. No nosso caso, a cavalaria também parece que chega a tempo mas, na prática, vai chegar com seis meses de atraso (ou de avanço). Preparamo-nos para uma época em que ficamos sem escalpe outra vez. Se é para ser assim, prefiro que venha já o John Wayne de fato de treino. Prefiro quem masque tabaco a quem masque chiclete.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Esperar e ter esperança

Perdemos, perdão, empatámos com, porventura, a pior equipa do campeonato. Era tudo demasiado fácil para não procurarmos complicar. Contra um ataque inofensivo, um meio campo à deriva e uma defesa a dar abébias, nada melhor do que a célebre ideia de jogo do Jorge Jesus, seja isso o que for. A execução dessa ideia de jogo transformou-se num fim em si mesmo, interessando pouco os resultados.

O que falta em capacidade de explosão e potência nos jogadores, sobra na arte de trocar a bola a toda a sela, a passo e sem o propósito devido: o golo. Os jogadores deleitam-se em jogadas inconsequentes, jogando ao “meiinho” com o adversário sem perder a bola para não terem de correr atrás dela. Jogam ao “meiinho” na defesa, jogam ao “meiinho” no meio-campo, jogam ao “meiinho” na área do adversário, contando com o empenho e dedicação do próprio Bas Dost. Os jogadores acasalam todos tanto e tão bem que se esquecem que o objetivo é consumar o ato com o adversário. O Ruben Ribeiro encaixa que nem uma luva no ritual e o Montero, sempre que não estiver acabrunhado, o que é raro, também encaixará.

O fácies dos jogadores não denota uma centelha de irritação, de raiva ou de incomodidade. A placidez, a troca de palavras amigáveis, pedindo sempre desculpa se não passaram a bola a outro, o autocontentamento só são quebrados quando o Bruno Fernandes vislumbra o espaço que os outros não veem e inventa uma jogada ou o Gelson Martins estica o jogo. Sustemos a respiração, mas por pouco tempo.

O Setúbal só teve que fazer o que fazem todas as outras equipas: esperar. Esperar até que o tempo nos vá desgastando, física e psicologicamente, e se instale alguma ansiedade. Quando o jogo caminha para o fim, basta meter uns avançados frescos e acreditar que, numa biqueirada para frente, uma desconcentração da defesa ou um golpe de sorte lhes permita marcar um golo. Foi o que aconteceu ontem. Não se pressionou como se devia o lançamento lateral, o Coates estava desconcentrado e o Mathieu não tinha pernas para chegar mais cedo ao adversário. Se fosse no princípio do jogo, dificilmente teria acontecido. É por isso e só por isso que sofremos golos a acabar os jogos.

O que fazer? Esperar, continuar a esperar. Não é só a nossa sina. Somos realmente bons nisso. Outros já teriam desistido. Apesar de tudo, no final do jogo de ontem houve um sinal, um sinal só para ter esperança: a raiva do Coentrão. Espero que ele e outros em vez de esmurrarem o banco dos suplentes esmurrem as fuças do Jorge Jesus, dizendo-lhe que querem marcar golos, ganhar jogos e conquistar títulos e que estão fartos de defender a ideia de jogo do treinador como se ele e só ele interessasse.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ganhar a quem ganhou e assim por adiante

Jogávamos contra o mais que provável finalista da Taça de Portugal. A equipa que ganhou à equipa que ganhou à equipa contra a qual empatámos a jogar fora, levando um banho de bola. Jogávamos também contra alguns jogadores dessa equipa que nos ganhou moralmente, sendo que nenhum deles era o Danilo, embora tenham em comum com ele o facto de serem produtos financeiros especulativo ao estilo do Saco Azul do BES e da Ongoing que vão sendo transacionados sucessivamente a uma tal velocidade que, como se viu ontem no jogo do Braga contra o Benfica, nem chegam a perceber quais são os colegas de equipa. Todos os cuidados eram poucos, pois.

Entrámos com a tática habitual retirada de um manual de Subbuteo. A bola é passada entre os jogadores de pé para pé sem ninguém sair do sítio. De vez em quando, o Gelson Martins, o Coentrão ou o Bruno Fernandes desatinam e correm à desfilada para grande consternação de Jorge Jesus. O Aves começou a queimar tempo desde o primeiro minuto. Não havia livre, lançamento lateral ou pontapé de baliza que demorasse menos do que uma eternidade. Nesse aspeto, o Quim foi insuperável. Não pareceu uma aposta inteligente a de perder tempo parando o jogo. O Sporting encarrega-se de o fazer sem ajudas, trocando permanente a bola de forma inconsequente.

Para lhes dar confiança, deixámos que o Aves tivesse as duas primeiras oportunidades de golo. Na primeira, o Rui Patrício fez a mancha habitual. Na segunda, o Salvador Agra, essa grande esperança do futebol português de vinte e tal anos que o Benfica contratou esta época para conseguir o penta, pensou que tinha enganado o Mathieu não percebendo que quem estava a ser enganado era ele, limitando-se o Rui Patrício tirar-lhe a bola dos pés. Até que o Rúben Ribeiro, que dá mostras de estar plenamente integrado na (es)tática do Jorge Jesus, sacou uma jogada de peladinha e meteu a bola na cabeça do Bas Dost, que se tinha desmarcado como quem diz “mete-a que eu empurro-a”, em holandês, claro está, para o primeiro golo.

Na segunda parte entrámos com um pouco mais de vontade e de velocidade, mas quem pensava que o jogo prometia enganava-se. O Gelson Martins ensarilhou-se com a defesa e um deles fez penalty. O Bas Dost marcou o segundo golo com a paradinha do costume. Todos os guarda-redes sabem de antemão o que ele vai fazer, mas acabam sempre deitados a olhar para a bola dentro da baliza. A vontade e a velocidade, que eram poucas, despareceram. O Aves desanimou definitivamente. O Acuña arranjou uma lesão conveniente. Entrou o Bryan Ruiz para acabar de entediar os que ainda não estavam entediados. A lentidão é sempre tanta que não há melhor para queimar tempo. No entanto, contrariando as orientações de Jorge Jesus, o Bruno Fernandes desmarcou o Piccini pelo lado direito que centrou para o Bas Dost fazer o “hat-trick”.

O Jorge Jesus considera que o Bas Dost precisa de alguém muito específico para acasalar e continua na demanda do Santo Graal. Havia o interesse de ver em que medida o Rúben Ribeiro acasalava com o Bas Dost. Acasala e muito bem, como se viu. Não parece é que o Bas Dost acasale com o Rúben Ribeiro de forma muito diferente da que acasala com outros, como o Gelson Martins, o Podence, o Bruno Fernandes ou o Piccini. Não é homem para um homem só, mas também não parece dado à devassa. É mais dado à monogamia em série, tal o amor que dedica em cada golo a quem lhe passa a bola, seja ele quem for.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A procissão já não vai no adro

Vai a meio. E o Sporting não apenas está em todas as competições, como luta por elas com legítimas expectativas de vitória. Em todas as modalidades e escalões. Passado o Natal e os Reis, não se escutaram as piadas do costume. Pelo contrário, certamente que os emails falam de um outro Natal, cuja localização não dista muito de Alvalade. Aguardemos pois, pelo Carnaval, ou Dia dos Namorados, talvez pelas feiras de tradições que proliferam pelo nosso país em Fevereiro, para encontrar uma época propicia para as nossas cerimónias fúnebres, assim o sonham os nossos adversários. Se tudo falhar, certamente que cairemos lá para o dia do Pai, de Março é que não passamos, parece que os estou a ouvir, máximo dos máximos, lá pela Páscoa, tu queres ver.

Do andar da procissão, recordo, não sem vontade de rir, as lamúrias dos entendidos, que o Sporting empatou os jogos importantes, a saber: com o Porto, Braga e Benfica. Como se, para empatar, do outro lado não estivesse também uma equipa que empatou. E nos sonhos deles não está. Recordo o prodigioso sonho, perdão, a prodigiosa vitória (moral) do Benfica em casa connosco que contou apenas um ponto. Recordo que o Sporting entrou de forma mais ou menos displicente como sempre o faz com equipas menores. Isto há-de resolver-se, pensaram. E, não fosse o Gelson, no final da primeira parte, ter falhado um golo cantado, não teríamos o (tal) prodígio da segunda. A equipa mais pequena a acreditar e agigantar-se (e depois a queixar-se) e a ganhar moralmente. Em tudo, não sei se perceberam, um jogo semelhante ao disputado com o Cova da Piedade, com a ligeira diferença do adversário ter disputado o jogo todo, e logo na primeira parte ter tido duas oportunidades de golo para abrilhantarem a nossa moinice displicente.

Tivesse o Piedade seis milhões de adeptos e trezentos e vinte comentadores a soldo e teria sido a nossa cova, pelo menos moralmente. E se calhar com mais razão. A nossa sorte é eles não estarem na primeira liga, caso contrário, seriam quatro candidatos ao título. Perdão, cinco. É que hoje o braguinha pode ganhar, sabiam?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Piedade de nós e de (Jorge) Jesus

É preciso ter piedade de Jesus. O Bruno de Carvalho tem que lhe dar as prendas que ele quer por que, de outra forma, esta equipa ainda nos sai uma rica prenda. Não sei se a culpa é do Jorge Jesus que não consegue encontrar alternativas ou que manda os suplentes jogar mal para receber as ditas prendas. O que sei é que se era para jogar com o Bryan Ruiz a oito mais valia termos ficado com o Aquilani. Dentro do mesmo estilo, no que respeita ao corte de cabelo e à barba aparada, o Aquilani sempre corria mais alguma coisa e passava a bola mais depressa (fiz uma rápida sondagem a umas amigas e todas me disseram que, na dúvida, também ficavam com o Aquilani).

O Piedade é que não teve piedade nenhuma de nós. Fechou-se atrás, esperou que perdêssemos umas bolas e fez uns contra-ataques a aproveitar a enorme capacidade de marcação com o olhar e os cabelos ao vento do Bryan Ruiz. Acertaram duas vezes nos ferros e, por sorte, o Rui Patrício não levou duas sem culpa nenhuma como habitualmente. Na primeira parte, para a troca, o Sporting não fez uma jogada de jeito ou um remate com perigo que se visse.

Para a segunda parte saíram o Bryan Ruiz, rumo ao México, e o Bruno César para entrarem os inevitáveis Bas Dost e Bruno Fernandes. A jogar com onze, a equipa melhorou. O Podence encostou definitivamente à direita, os laterais subiram para dar mais largura ao jogo de ataque, o Bas Dost ficou mais fixo entre os centrais e o Doumbia, mais móvel, recuava para o apoio (impressionou-me a forma como o Doumbia cumpriu este posicionamento tático que o Jorge Jesus lhe ordenou, tendo em consideração a forma fluente como os dois dialogam em francês). O Piedade fechou-se ainda mais e passou-se a jogar nos últimos trinta ou quarenta metros. Esperava-se o golo a qualquer momento e ele aconteceu. O Bruno Fernandes foi enganando uns tantos incautos que lhe foram saindo ao caminho até rematar e fazer a bola passar por cima do guarda-redes depois de tabelar no Evaldo (não sei se o Evaldo dá azar a qualquer equipa ou se trouxe o azar de Alvalade).

Mal marcámos o golo, sofremos uma súbita paragem cerebral coletiva. Alguém perdeu uma bola parva. O Piedade tentou fazer não sei bem o quê pelo lado direito. Alguém cedeu um canto parvo. O Piedade mandou uma bola para um cabeceamento fora da área, a defesa subiu e houve um parvo que deixou os adversários em jogo. A bola embrulhou-se entre vários parvos e o parvo do árbitro viu um “penalty”. Acabámos por sofrer o empate, sem o Rui Patrício ter culpa nenhuma e sem termos o Gelson Martins para entrar. Voltámos ao mesmo, mas com mosquitos por cordas. Até que o Bas Dost fez o que tinha de fazer, fazendo um “amortie” com a sola da chuteira para dentro da baliza. O jogo acabou naquele momento. No lado esquerdo do ataque, o Acuña, o Coentrão e o Bruno Fernandes, com uma ou outra ajuda, encanaram a perna à rã o resto do tempo entre faltas, lançamentos laterais e cantos.

Estes jogos à quarta-feira deixaram de ser pagos como horas extraordinárias e não dão direito a ajudas de custo quando se disputam fora de Alvalade. Nestas condições não se pode pedir muito mais aos jogadores. Pedia-se mais ao árbitro que sempre recebe algum. Na SporTv não se passou nada. Na BenficaTv teria sido um festim. O Rui Vitória passaria a seguir a sua carreira e as claques do Benfica, perdão, uns grupos (des)organizados de adeptos, passariam a segui-lo também mas até casa se fosse preciso.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

“Double standard”

Há manifestamente “double standard” na avaliação dos treinadores pela imprensa e nos “media” em geral, conforme estejam ou não no Benfica. O Jorge Jesus sofreu isso na pele mais do que qualquer outro. Aquilo que era visto como mobilização e determinação durante os jogos, passou a falta de decoro e hooliganismo. Aquilo que era visto, com bonomia, como pitoresco e autêntico, passou a iliteracia e narcisismo.

O Rui Vitória é um caso extraordinário. É tratado como se fosse um senhor. No futebol português só houve um e chamava-se Bobby Robson. De repente, temos um tipo com conversa de chacha e ar entre o de funcionário das finanças reformado e o de professor de ginástica dos antigos, tratado como se fosse o Sir Bobby Robson. Toda a gente percebe que não passa de um sonso. No entanto, nunca os jornalistas o confrontaram com as suas contradições no que diz e nos seus comportamentos. O Sérgio Conceição limitou-se a constatar o que todos pensam e ninguém foi capaz de dizer. É por estas e por outras que gosto do Sérgio Conceição.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Marítimo jogou melhor do que nós na Luz

Vi o jogo no café do costume. Regressei a casa ainda a tempo de ver na SIC Notícias um caixa d’óculos qualquer aborrecidíssimo com a exibição do Marítimo. Mérito ao Sporting não atribuiu nenhum. Estou em desacordo. O Marítimo jogou melhor do que nós na Luz. Dizem que perdeu muitas bolas. Nós perdemo-las todas. A diferença está na qualidade dos jogadores. A jogar em 4x3x3 é preciso ter uma referência na área como o Bas Dost. De outra forma, há muita excitação pelas alas, muito entusiasmo, mas no momento da verdade ninguém sabe o que fazer à bola.

A história foi a história dos golos. Na primeira parte, fomos à baliza uma vez e marcámos um golo. Gostava de ver o Gelson Martins a meter mais destas de primeira para o Bas Dost. Assim é muito mais simples. Na segunda, ameaçámos num canto, pelo William Carvalho, e praticamente a seguir o Bruno Fernandes recuperou uma bola e isolou o Bryan Ruiz que a passo de caracol se deslocou para a área demorando tanto, mas tanto tempo a decidir o que fazer que quando decidiu já só lhe restava a opção de rematar. Não sei se ainda pensava que na baliza estava o Júlio César que, em circunstâncias semelhantes, meia-hora antes do remate do adversário atirava-se a adivinhar o lado para onde iria a bola.

A golearmos por dois a zero, o Jorge Jesus meteu trancas à porta. Entraram o Battaglia e o Acuña para substituírem o Podence e o Bryan Ruiz. Preparava-me para um resto de segunda parte completamente entediante. Felizmente, não foi assim. O Bruno Fernandes mais adiantado desatou a abrir o livro. Fez uma assistência para uma tapinha do Bas Dost no terceiro golo. A seguir, chutou com todas as ganas, permitindo uma grande defesa ao guarda-redes e uma recarga de cabeça do Bas Dost para o quarto golo (na dúvida, o Bas Dost foi-lhe agradecer o golo na mesma, como rapaz bem educado que é). Frustrado, em vez de atirar a toalha ao chão, atirou mais uma bomba para mais uma grande defesa do guarda-redes seguida de outra bomba do Acuña para o quinto golo.

De vez em quando, o Jorge Jesus prova a si próprio que o plantel é mais extenso do que ele próprio pensa. O André Pinto não comprometeu. O Iuri Medeiros entrou bem. O Bryan Ruiz é uma excelente alternativa a jogarmos com dez ou com o Alan Ruiz, que é a mesma coisa. Mas quem me impressionou mais foi o Ristovski. Com ele, a equipa ganha mais profundidade do lado direito, podendo o Gelson Martins jogar mais por dentro. O Piccini praticamente só apoia o Gelson Martins, não esticando tanto o jogo. É importante ter alternativas para surpreender os adversários.