quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E agora?...

Até nós, que não sabemos nada disto, tínhamos percebido há muito os problemas da equipa. Tínhamos percebido que o treinador tinha feito o diagnóstico bem feito. Depois de se ter contratado quem se contratou, também não valia a pena chorar sobre o leite derramado. Importava encontrar soluções no contexto dos constrangimentos existentes. Competia ao treinador encontrá-las. Não as encontrou. Espera-se pela próxima época?...

domingo, 15 de janeiro de 2017

blá blá blá

Fiz um esforço hercúleo para não escrever nada sobre o jogo de ontem com o Chaves. A razão é óbvia: nada de novo. Quer dizer, nada para além de um blá blá blá que já nos irrita. Entramos no jogo sabendo do resultado do nosso rival que nos proporcionava uma hipotética aproximação, e nem isso nos deu um alento extra. Papámos um golo logo no início e continuamos a remoer a coisa a passo de caracol, cujo rasto é reconhecido a milhares de quilómetros. Um jogo mastigado e regurgitado como se de uma gravação se tratasse. Ainda assim marcámos através do suspeito do costume.

Com a barriga a dar horas, acreditei piamente numa segunda parte de estoiro. E assim foi… mas para a minha barriga. O distraído Semedo lá encaixou mais uma expulsão e assim lá pudemos sorrir da nossa desventura marcando um golo (outra vez) através do suspeito do costume. Duas ou três oportunidades e dois golos. Nada mau. A não ser, talvez, o desmaio colectivo que nos assalta seja com frio, seja com um sol caloroso, nunca nada está ganho.

Não vale a pena dissecar mais o cadáver. Os jogadores, se a minha alma não me engana, já não estão ali para ser um prolongamento do treinador. Treinar a dor… nós lá vamos conseguindo, para parafrasear esse génio da bola chamado Abel Xavier. Mas ficarmos ligados a esta máquina começa a ser penoso. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma chatice pegada

Desta vez, parecia ser diferente. Na sequência de uma tabela entre o Bruno César e o Joel Campbell, o Bas Dost aparece a empurrar a bola para o um a zero. Uma dezena de minutos depois, mais um passe para as costas da defesa e o Bas Dost volta a empurrar a bola para o golo. Ainda não se tinha chegado a meio da primeira parte e o jogo parecia resolvido. Esperavam-se mais golos e elevada nota artística, se possível.

Até ao final da primeira parte, continuámos a jogar razoavelmente. Só que, entretanto, um jogador do Feirense enfiou uma biqueirada na cabeça do Adrien. Teve que entrar o Elias. É um filme que conhecemos de cor e salteado. O homem não ataca nem defende. Como o Ruiz não anda para trás, no meio-campo, ficou o William Carvalho contra o resto do mundo. A partir desse momento, a defesa entrou em modo de sobressalto permanente.

A segunda parte foi um suplício. Ficámos na dúvida. Não sabíamos se devíamos marcar mais um ou se devíamos gerir o resultado. Perdemos o controlo do jogo. Não conseguíamos pressionar a defesa e a saída da bola do Feirense e não defendíamos de forma compacta. O Feirense começou a trocar a bola no nosso meio-campo. Não fez nada de extraordinário, mas ainda fez o suficiente para nos marcar um golo (com metade da equipa do Sporting a ver jogar).

Até ao final do jogo, vivemos com o coração nas mãos. O Bryan Ruiz teimava em concluir as jogadas em grande estilo. Ou acabava a passar a bola ao guarda-redes, ou tentava um chapéu ou um qualquer centro envolvendo um toque na bola completamente improvável. A nossa defesa também não nos dava descanso. O Beto ainda ofereceu um golo ao adversário, mas acabou tudo em bem: num livre e numa biqueirada para as nuvens.

Queremos continuar a jogar com a equipa subida, mas não se pressiona suficientemente o adversário quando se perde a bola. Sem pressão e com o meio-campo em desvantagem, os adversários podem sair a jogar e têm umas dezenas de metros nas costas da defesa do Sporting para explorar. No ataque, continua-se a complicar. Complica-se porque há jogadores que só complicam e porque se continua a querer marcar golos de forma complicada, depois de um “tiki-taka” entediante. Assim, os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, chatos mesmo. Não se trata somente de jogar bem ou de jogar mal. As coisas simplesmente não funcionam. Os jogadores já o perceberam e os adeptos também. Quando assim é, começa a faltar ânimo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O carteiro toca sempre duas vezes

O carteiro, às vezes, tarda, mas não falha. O melhor é começar pelo fim: aos 94m de jogo o carteiro vê uma brecha, olha para o auxiliar, e consegue finalmente entregar a missiva. Está entregue, deve ter pensado, amanhã certamente que toda a gente vai reconhecer que os carteiros e seus auxiliares são humanos. A nossa humanidade tem limites, senhores carteiros, e a nossa paciência nem sempre acompanha a prima humanidade.

Antes de o carteiro ter entregado a correspondência em conformidade com as suas ordens superiores já o Sporting nos tinha enganado relativamente à sua entrada em jogo. Uma primeira parte, da qual apenas vi parte, para esquecer, ou melhor, para lembrar, embora o filma seja o habitual. À habitual previsibilidade, esta equipa, junta, por vezes, uma morrinha que nos adormece por dá cá aquela palha. Fosse apenas isso e lá deixávamos de tomar o angelicalm, mas não, a isso ainda junta com elevada crueldade, uma tendência para se dispor no terreno como uma manta de retalhos. O Ruiz andou mesmo por ali? O Markovic, segundo o presidente não tarda a explodir, esperemos que o faça com a qualidade aqui demonstrada, mas noutro lado, se não se importam.  

A segunda parte foi a história da nossa vida este ano: correr atrás do prejuízo, metendo a carne toda no assador. De resto, o costume, o Elias enganou-se, o André jura que ainda há-de conseguir introduzir bolas dentro da baliza fora dos treinos, o Douglas demonstra uma tendência inata para javardar e comer uma boa feijoada. Restam os suspeitos do costume. E o carteiro até disse ao Coates que a razão da sua carta tinha sido ele. O Coates, coitado, não tarda, quer mas é regressar ao sossego do Uruguai… 

sábado, 31 de dezembro de 2016

A um “Danoninho” de qualquer coisa

Ontem, para a Taça Lucílio Batista, assistimos a mais um jogo do Gelson contra o resto do mundo. O Varzim foi o menor dos obstáculos. Os colegas de equipa e ele próprio são obstáculos maiores. Os colegas na dúvida, e bem nesta altura, passam-lhe a bola. Ele faz o que lhe pedem para fazer. Vai para a baliza da forma mais direta possível, torneando os pinos que lhe vão aparecendo pelo caminho.

O problema está sempre no último passe. Umas vezes, porque os avançados não aparecem com a rapidez e a acutilância necessárias (ficamos sempre na dúvida se com o Slimani aquelas bolas a atravessar a pequena área não acabariam lá dentro). Outras vezes, porque acaba tudo num centro um pouco para a molhada ou num passe um pouco mais para trás ou para a frente do que o desejado.

Estamos a um “Danoninho” de passar à fase seguinte. Também estivemos a um “Danoninho” de passar à Liga Europa e não conseguimos. Nesta altura, com o desenrolar da época, não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar mais nenhuma competição, até mesmo a Taça Lucílio Batista. Esta falta de margem de manobra para errar acaba por pesar nas pernas do William Carvalho, do Adrien e do Gelson Martins e de mais um ou outro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Prognósticos só no fim da época

Apesar da época do ano ser dada a balanços a época futebolística vai a meio e portanto é uma altura no mínimo arriscada para fazer uma avaliação. Ainda assim vou arriscar, mas sem prognósticos, só a olhar para o que se passou na "1a parte".

Começo por dizer que ser corrido da Champions não é vergonha nenhuma. 15 dos 16 clubes que se apuraram estavam no pote 1 ou no 2, portanto a menos que se adopte a passagem administrativa não vejo como tornar este 'sistema' mais eficaz para qualificar os favoritos. Nem sequer se apurar para a Liga Europa já envergonha qualquer coisa, seria muito não fosse o facto do Sporting até ter deixado uma imagem positiva na prova. No final do dia contavam mesmo era dois jogos, andámos distraídos com os outros quatro...

Pela Taça ainda andamos. Ainda não percebi se calhámos com o Chaves ou com o Capela. Os dois juntos são fortíssimos (eliminaram o Porto, limpinho) em separado tenho mais medo do Capela do que do Chaves. A ver vamos se estou a subestimar os Flavienses.

Quanto ao campeonato não sou dos que pensam que a culpa de não irmos em 1o é toda dos árbitros. Mas também não me parece justo dizer que a culpa é toda da equipa do Sporting. A verdade andará algures pelo meio.

Sobre a parte que não vemos, não há muito a dizer para além disto. Não fossem histórias como as que se leram em 2016 no "Football Leaks" virem mostrar que esta é uma indústria em que são todos bons rapazes, eu começava a achar que tanto erro para o mesmo lado era suspeito.

Quanto ao que podemos ver, parece claro que não tínhamos equipa para jogar em alto nível duas vezes por semana. Na hora de escolher optámos por uma prova onde apenas jogamos prestígio (e Euros). Não creio que tenha sobrado grande prestígio, os Euros havemos de ver. O que já não vemos de volta são os pontos perdidos em Vila do Conde, Guimarães, Choupana, em casa com Tondela, e na Luz. Esses já foram. Quanto a mim, a ideia era ir buscar jogadores com potencial para serem titulares, impor uma lógica de ter 'duas opções para cada posição'. Era essa estratégia para estar em várias frentes. O que se tem visto é que estes potenciais titulares ou estão em adaptação, ou estão desmotivados por jogarem pouco, ou jogam mesmo pouco. O resultado é que nem temos os tais titulares para as duas frentes, nem os suplentes que precisamos quando temos metade da equipa esgotada. Acho que fariam falta mais "Brunos César", contratações que podem não fazer sonhar mas que se revelam bastante úteis.

Aproveito para desejar a todos um excelente 2017!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Boas Festas

Por motivos profissionais inadiáveis não pude ver o jogo de ontem praticamente todo. Fiquei atento às notícias. As notícias hoje são SMS para o telemóvel. Como não recebia nenhuma boa nova comecei a imaginar umas festas à moda antiga. Saí a correr e ainda deu para ver cerca de 15 minutos finais, incluindo descontos. Parece que o árbitro não assinalou mais um pénalti. Não havia oftalmologista por perto. Num dos últimos goles de cerveja o Das Bost marcou. A malta invadiu o campo. Ganhamos. Afinal valeu a pena. Boas Festas!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ou quase...

A previsibilidade do jogo do Sporting tornou-se uma das suas notas artísticas de referência. Elevar a previsibilidade a umas das belas-artes é interessante mas curto para quem ambiciona qualquer coisa. Não se trata apenas de uma hipotética baixa de rendimento, ou cansaço (nesta altura da época?) de alguns elementos, não, o jogo é pastoso, redundante, indeciso e, quando não há Gelson a soltar as amarras da imaginação, resta bombear o sangue todo para o Bost.

Foi assim ontem, mais ou menos. Na primeira parte o Braga aproveitou os desacertos dos laterais e das laterais, para objectivamente, e em contra ataques rápidos tentar chegar ao golo. O Sporting continuava como se nada fosse, deixando o tempo rolar, jogando no limite estapafúrdio do risco. Mas sem criar, praticamente, perigo junto à baliza adversária. O Abel que na noite anterior tinha lido dois manuais de treino básico e observado 2 ou 3 jogos do Sporting em casa, conseguia perfeitamente prever parte do filme, incluindo a entrada leonina fulgurante na… segunda parte. Nada de novo, portanto.

Na segunda parte, não estivéssemos nós em época natalícia de partilha, tornamos o quase e o quase-quase um símbolo digno da nossa camisola. Num quase de cariz semelhante o Braga enviou uma bola ao ferro e na sequência marcou. O quase já não chegava e de repente todos os jogadores do Braga ficaram doentes, lesionados, entrevadinhos. O árbitro teve o seu momento ao… quase assinalar um penalti e nós assim quase que empatávamos.

Já se percebeu que há jogadores quase de saída. Ou outros que quase que chegavam a jogar. Outros ainda que quase já perceberam o que fazer em campo. O Das Bost não marcou. O Slimani já não mora ali. O Ruiz parece que também não. Ao Elias fica-lhe bem o banco. O Adrien e o William não mereciam esta prenda. O Rui também não. O Coates começa a ficar paranóico com as distracções do Semedo. O João Pereira continua com cara de miúdo. Nós continuamos a acarditar. Ou quase. 

Já há substituto!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

De inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final

Vi os últimos vinte e cinco minutos da primeira parte e os últimos vinte minutos da segunda do jogo contra o Setúbal para a Taça de Portugal. Depois de duas derrotas e de uma semana do pior, corríamos o risco de perder o resto da época.

Como diria a nossa ex-Presidente da Assembleia da República, estivemos sempre à beira do inconseguimento. Então o Adrien, no penalty, inconseguiu duas vezes seguidas. O Rui Patrício também ia assegurando o inconseguimento dos jogadores do Setúbal.

Foi de inconseguimento em inconseguimento até ao conseguimento final. Da única maneira que parece possível nesta altura. Lance rápido do Zeegelaar a correr até à linha e a centrar para a cabeçada do costume do Bas Dost. Será que aprendemos com este golo e com os outros que o Bas Dost vai marcando ou é preciso fazer um desenho? É que não se percebe tanto inconseguimento.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Num cinema perto de si

O ano passado no rescaldo da derrota com o Benfica em casa escrevi: Levamos muito a sério o falhar,falhar muito, falhar melhor. Se isto era verdade no ano anterior, neste, sem o Slimani e sem a imprevisibilidade do Teo, levámos a nossa máxima ao sopé (pelo menos) do Olimpo. 

Fosse apenas isso e ainda vá. Habituados estávamos. Mas outro pormenor se eleva perigosamente à categoria de máxima: sofrer, sofrer sempre, sofrer golos. Não bastava o sofrimento geral que nos engrandecia a alma sportinguista, eis que o sofrer se tonifica de novas nuances, personificando-se em sucessivos jogos a sofrer golos. De facto, quase todos os jogos contra equipas de algum nível (tenho algumas dificuldades em lá incluir o Tondela, perdão, o Benfica, mas vá la), coincidem na particularidade de encaixarmos golos na nossa baliza, muitas vezes de forma consentida, ou, se quiserem, distraída, pouco concentrada, inábil, infantil. Se calhar faltam aí os tais mais 10% por cento de foco que sobram, supostamente, de outras partidas.

Se a tudo isto juntarmos o trabalho sempre distraído, cegueta ou menos concentrado das equipas de arbitragem, e uma estratégia de mercado (salva-se o Bas Dost e ponto final) calamitosa, para não dizer inexistente, e temos argumento para um Armagedão com o Robert de Niro a fazer de Jesus e o Leonardo Di Caprio como o tristonho Bryan Ruiz. O saudoso Philip Seymour Hoffman seria o mais indicado para fazer de Bruno de Carvalho; como tal não é possível, as negociações continuam.

Não é necessário ser um cinéfilo atento para saber como acabam quase todas as películas de Hollywood: bem. Muito bem, mas apenas para os bons da fita. Resta saber agora quem são, afinal, os bons da fita desta história. E, já agora, quem são os figurantes. Não seremos nós?

domingo, 11 de dezembro de 2016

O jogo que se perdeu na pré-época

Não se marcou num lance e na resposta sofreu-se um golo. Não se marcou noutro lance e na resposta sofreu-se mais um golo. Pode-se falar de azar. Prefiro falar de pormenores. Nestes jogos, são os pormenores que ditam os vencedores. Os pormenores têm sempre que ver com a qualidade, ou falta ela, dos jogadores. Assim, este jogo talvez tenha sido perdido na pré-época. Foi nessa altura que não se acautelou a qualidade dos jogadores.

O jogo foi equilibrado na primeira parte. O Sporting teve boas oportunidades também. O golo do Benfica começa numa oportunidade do Sporting. Na sequência de uma jogada de andebol, o William Carvalho atrapalha-se com o Coates e permite o contra-ataque do Benfica. O passe do Rafa, a entrada do Sálvio e a falta de atenção do Zeegelaar fizeram o resto.

A segunda parte foi praticamente toda do Sporting.

 A entrada do Campbell mexeu com o jogo. Na primeira vez que tem a bola, vai à linha centrar atrasado para o Bas Dost rematar ao poste. Só que, na jogada seguinte, a bola andou por um lado e pelo outra da defesa do Sporting até acabar lá dentro depois de uma cueca ao Zeeglaar e de mais uma falta de atenção, agora do João Pereira.

O Sporting não desmoralizou. Lançou-se ainda mais no ataque. Os lances de golo sucediam-se, com o guarda-redes do Benfica a defendê-las todas. O Campbell fez mais uma arrancada e foi por ali fora até tirar um centro perfeito para o Bas Dost a encostar de cabeça para a baliza.

Até ao final, o Sporting continuou a tentar. Ficou a sensação que as forças não eram muitas. Sobretudo ficou a sensação que, com excepção do Campbell, o Sporting não dispunha de nenhuma alternativa no banco para refrescar a equipa. O Alan Ruiz foi uma verdadeira nulidade (ficámos literalmente a jogar com menos um). A última substituição a acabar o jogo, do Bas Dost pelo André, foi simplesmente para o Jorge Jesus tentar tirar um coelho da cartola.

O Sporting jogou bem. Dispõe de jogadores excepcionais. Dispõe de outros bons também. Em conjunto, não chegam para fazer uma equipa. É nestes jogos que estas insuficiências são mais evidentes. Os centrais e, especialmente, o William Carvalho e o Adrien controlaram o jogo e distribuíram-no com a propósito. O Gelson Martins esticou sempre o jogo e foi um permanente sobressalto. O Bas Dost esteve presente na área quando era necessário e quando foi bem servido (na primeira atirou ao poste e na segunda meteu-a). O Zeegelaar não serve. Não serve nem a defender nem a atacar. O Bryan Ruiz joga mal a segundo avançado. Complica sempre e não é agressivo. No lado esquerdo é melhor, mas não parece o mesmo da época passada. Com excepção do Campbell, tudo o resto é para deitar fora e quando mais depressa melhor.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Homem com agá grande

Um tal de André Ventura, adepto do Benfica e comentador na Correio da Manhã TV ao que me dizem, dispõe-se a fazer no seu corpo uma tatuagem com imagem do Sporting se o Benfica perder. Parece de homem, mas não é. Não é, porque a expressão “imagem do Sporting” é demasiado vaga.

Se fosse de homem, estava disposto a fazer um concurso de ideias, sendo a melhor selecionada por adeptos do Sporting. Não sou capaz de fazer um desenho, mas tenho umas ideias engraçadas. Combinei com o A. Trindade preparar a nossa proposta. Fico à espera que o André Ventura seja um homem com agá grande (acho que é assim que se costuma dizer).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Nem lá perto andaram...

Quando um treinador afirma na conferência de imprensa prévia a um jogo que a equipa vai estar (jogar) a 90%, fica tudo dito. A equipa percebe a mensagem. O foco, como se diz agora, está noutro local. Sempre fui daqueles que defendem (principalmente no contexto recente do SCP) que o tal foco deve ser o campeonato. Mas desculpem a maçada: não consigo assistir a jogos do Sporting apenas a 90%. Quem consegue?

O treinador poderia ter escalado outra equipa, com outros jogadores, dando-lhes tempo de jogo, estando dessa forma a preparar dois jogos. Pior que a exibição de ontem (principalmente na primeira parte) não seria de certeza. Já para não falar do resultado. E, ao menos, seria a 100%. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Coisas que nunca mudam

Ficámos na cabeça com a ideia que o “mundo é composto de mudança”. O Camões, como muito dos poetas, tem a capacidade de nos meter pela cabeça dentro aquilo que os olhos se negam a ver. No entanto, no futebol, como na vida em geral, há coisas que nunca mudam.

No futebol português, o Peseiro ou o efeito Peseiro, melhor dizendo, nunca muda. Este fim-de-semana tivemos mais um belo exemplo disso. O Peseiro pode chegar atrasado ao seu destino (inexorável), mas chega sempre.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Esta semana vai ser limpinha, limpinha

Desta vez não levamos a sério o falhar muito e cada vez melhor. Ia eu a caminho do café e já recebia a mensagem que o Sporting tinha marcado. William e de cabeça. O resto da história é uma nota de rodapé devidamente lavrada pelo árbitro, não fosse dar-se o caso de um jogo sem casos. Quatro a zero não deixa de ser um grande resultado.

Entretanto, a meio da semana vamos à Polónia com ganas de enriquecer a liga Europa. Um trabalho para uma boa equipa de reservas dar conta. O Markovic já deve andar em pulgas e o Alan Ruiz, diz-se, já terá convidado o seu irmão para a viagem. No passeio europeu, as sonantes contratações deste ano, certamente, darão um ar da sua graça. Talvez seja esta uma boa altura para o Bryan Ruiz ter mais jogo nas pernas. Todos sabemos que as férias não lhe fazem bem.

Aguardamos, com a ansiedade do costume, as notícias importantíssimas que assinalarão novas e mais pujantes contratações leoninas. Sem esquecer as respectivas saídas de jogadores insatisfeitos. Aposto que o Gelson recusará um novo contrato. Cerca de trezentos clubes já terão solicitado as respectivas credenciais para acompanhar a semana que precede o dérbi, sem contar com as (hipotéticas) novidades referentes a viagens de Bruno de carvalho acompanhado de seres humanos do género feminino.

Convinha não levar demasiado a sério o proverbio desconfia do homem que não fala e do cão que não ladra. Toda a gente sabe que são mais as vozes que as nozes. E o silêncio, por vezes, é de oiro. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Estamos de volta!

Começámos a jogar como devemos fazer sempre contra equipas como a do Setúbal em casa, a procurar resolver cedo o jogo. Antes do um a zero, aos sete minutos, já tínhamos desperdiçado duas oportunidades. Para nosso azar, o William Carvalho também começa a marcar golos de cabeça. Só faltava mais esta. Assim é que não fica muito mais tempo.

Não ficámos satisfeitos e marcámos o segundo. O árbitro anulou-o. Já tínhamos sido gamados de algumas formas. Desta ainda não. Já fomos gamados ao contrário no jogo contra o Guimarães. A continuar assim, o Bas Dost não chega aos resultados do Slimani. O árbitro, não satisfeito, ainda nos anulou outro golo limpo, depois do taralhouco do guarda-redes do Setúbal se atrapalhar com a bola.

Não desarmámos. Continuámos a pressionar. O Gelson Martins ganha um livre, num lance para amarelo do defesa, que o árbitro não mostra. Parecia que o Sporting ia inventar mais uma jogada marada cheia de bloqueios e tabelas que, quase sempre, acaba em nada. Não se chegou a saber se estava estudada uma jogada destas. O Chuta-chuta não foi de modas e atirou-a directamente lá para dentro. O guarda-redes deu um ligeiro passo em frente e foi o suficiente para ver a bola passar-lhe por cima.

Na segunda parte o jogo parecia a feijões. O Setúbal queria mas não podia. O Sporting podia mas não queria. Foi de tal forma aborrecida essa fase do jogo que li toda a entrevista de uma secretária de estado qualquer ao Correio do Minho. Pelo caminho, anularam-nos um golo e o Patrício fez uma grande defesa. A equipa descansou o tempo todo. O Jorge Jesus ainda decidiu fazer descansar um pouco mais o Bruno César, o Adrien e o Gelson Martins.

O Jorge Jesus acertou na equipa titular. É a equipa do ano passado sem o Slimani e o João Mário, por razões conhecidas. Não é bem a mesma equipa. O Bryan Ruiz desta época não é o mesmo da época passada. As férias fizeram-lhe mal. Prefiro vê-lo jogar sem férias.

Enfim, o campeonato está de volta. Seja qual for o resultado na Luz, pior não ficamos do que estávamos antes de começar esta jornada. Pelo caminho ainda temos de ir encanar a perna à rã a Varsóvia, para fazermos de conta que esta coisa das competições europeias serve para mais alguma coisa do que para nos entreter a meio da semana.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Apontamentos do jogo contra o Arouca

Dificilmente se arranja uma competição menos interessante do que a Taça Lucílio Baptista. Seja como for, ganhámos contra o Arouca. Mais um jogo aborrecido destes contra o Varzim e a coisa está feita. O Presidente do Arouca não voltou a ter uma discussão com o Bruno de Carvalho sobre o existencialismo no futebol português. Por essa razão, o Bruno de Carvalho manteve uma atitude existencial, sem necessitar de lhe mandar uma baforada de Kierkegaard à cara.

Fica para a história o golo do Alan Ruiz. Fez tudo mal, até fazer tudo bem. Em vez de dominar a bola para afrente e isolar-se, decidiu voltar para trás, fintar o defesa ao ralenti e rematar ao canto. O Alan Ruiz veio para a modalidade errada. Para jogar assim, prefiro o Cavinato, o Fortino ou o Diogo.

O Castaignos é um caso perdido. Há dias, num jogo qualquer, atrapalhou-se a si próprio e passou a bola para trás do Bas Dost que estava isolado e pronto para a empurrar para a baliza. Dessa vez, podia haver a desculpa do relvado. No jogo para a Taça de Portugal, deixou de haver dúvidas. O esforço que fez para ficar em fora-de-jogo e invalidar o golo do Matheus Pereira reflecte uma completa incompreensão do jogo, dos movimentos dos colegas e adversários e das regras. Desta vez foi um pouco pior ainda. Em vez de acertar na bola, enfiou uma biqueirada no guarda-redes. Bem sei que o guarda-redes é um pouco para ao gordo, mas ainda existe uma diferença entre ele e a bola. Acabou por se lesionar. Não só prejudica a equipa onde joga como se prejudica a si próprio.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A chatice como tática ou a tática da chatice

Vi o jogo de futsal entre o Sporting e o Dynamo. Empatámos, mas foi como se ganhássemos. O três a três final permitiu-nos o apuramento para a final-four da UEFA Futsal Cup.

O futsal do Sporting é um exemplo. Nada acontece por acaso. A época é planeada em função de objetivos bem definidos. As contratações são feitas a tempo e horas em função desses objetivos. As táticas são delineadas em função dos jogadores e das dificuldades que os adversários nos podem colocar. As jogadas, sobretudo as que resultam de lances de bola parada, são estudadas ao detalhe e executadas de acordo com o planeado. O improviso dos jogadores só entra quando está previsto entrar.

O time-out a três segundos do fim do jogo é um exemplo do carácter obsessivo do treinador. Quando todos festejavam, ele só pensava no que fazer durante aqueles três segundos. Pensou no que fazer e fez-se o que ele pensou. O resultado deste (excesso) de planeamento pode ser um jogo um tanto ou quanto chato. Mas todas as chatices fossem estas!


(O locutor da SportingTV é dos antigos. Tem tiradas que fazem lembrar os arroubos patrioteiros dos comentadores dos jogos de futebol da seleção e das competições europeia. Desqualificar o adversário só serve para desqualificar o nosso resultado. Não há mérito em ganhar sem adversário. Não há ninguém que lhe explique isto!)

sábado, 26 de novembro de 2016

Continuamos de pé!

Entrámos com a cabeça no jogo. Estamos fora da Liga dos Campeões. Estava tudo previsto para ficarmos fora da nossa liga também. Era um jogo de mata-mata. Demos tudo o que tínhamos, até começarmos a cair para o lado. Quando não caíamos por nós, alguém nos empurrava. Mesmo assim, não deixámos que nos levassem ao tapete. Na fase final do jogo, quando ficámos a jogar com dez, conseguimos queimar tempo em todas as circunstâncias e levar a bola para a frente e para as laterais. Fomos uma equipa na fase boa e, especialmente, na fase má.

O Sporting dominou durante oitenta minutos. Fez uma primeira parte absolutamente esmagadora. Por isto ou por aquilo não marcámos os golos que devíamos. Umas vezes por azar. Outras porque há cerimónia a mais quando toca a metê-la lá dentro. Que fique o exemplo do nosso golo. Se a bola for colocada no sítio certo e no momento certo o Bas Dost sabe como as empurrar. É preciso prestar mais atenção às suas movimentações. É preciso deixar de centrar de olhos fechados e ter mais cuidado e precisão no último passe.

O Boavista não fez um remate à nossa baliza para amostra. O Rui Patrício teve como única missão queimar tempo quando tudo e todos jogavam contra nós. E, mesmo assim, estivemos em perigo. Pelas duas razões do costume. Por não conseguirmos matar o jogo quando podíamos e devíamos. Por uma arbitragem que queria à viva força marcar-nos um golo. Criou as oportunidades. Foi o melhor avançado do Boavista. Não lhe peçam é que seja ponta-de-lança também.

Pede-se demasiado ao Adrien e ao William Carvalho. Hoje, o Bruno César ajudou, mas, aos setenta minutos, estava acabado. A defesa não deu hipóteses. O Bryan Ruiz está na fase que complica sempre até perder a bola. O Campbel esforça-se. Corre, corre muito. Nem sempre bem. O Bas Dost fez o que se lhe pedia: marcar as que apanhasse. Apanhou uma e marcou-a. O Gelson joga demasiado bem para os resultados. Não se lhe pede que passe a jogar mal. Pede-se-lhe que jogue ainda melhor. Que associe ao seu jogo mais golos e mais assistências.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O que nos falta e o que temos de sobra

Mais uma vez uma boa exibição num jogo da Champions. Mais uma vez não chegou para pontuar contra o campeão em título, uma equipa em tudo superior à do Sporting mas contra a qual jogámos "olhos nos olhos".

Parece-me que existe aqui um padrão. Já sabíamos que nos tinha faltado sorte no sorteio. Já estamos habituados. Já sabíamos que seria difícil substituir Slimani. Neste jogos a falta de um 'matador' foi evidente. Aliás, acho que também nos começamos a habituar...

Também há coisas que temos de sobra. Em quatro jogos contra equipas de outro campeonato mostrámos que temos uma grande capacidade de nos superar e de jogar no limite. O que agora já sabemos é que normalmente pagamos a fatura no(s) jogo(s) seguinte(s). Esperemos que não seja o caso. Também já desconfiávamos que nos sobra inexperiência: a decidir alguns lances no ataque; a resistir a meter-nos em confusões das quais nunca tiramos benefício; e a gerir os últimos minutos dos jogos. Aqui esperemos que tenha servido para aprender qualquer coisa.

All in all, saímos da Champions de cabeça levantada. Felizmente, longe vão os tempos que apanhar um 'tubarão' implicava logo uma goleada das antigas. Fica a ideia que com um sorteio ligeiramente melhor nos podíamos ter apurado. Ainda que assim fosse, fico com a certeza que mais tarde ou mais cedo seríamos eliminados por um Real, um Borussia ou equivalente. É inevitável.

PS: Excelente ambiente em Alvalade. Foi seguramente um dos jogos que mais prazer me deu assistir ao vivo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Um país de malucos ou uma agenda mediática para nos enlouquecer?

O futebol português há muito tempo que está pronto para ser internado. Não se sabia se o problema era do futebol ou do país no seu conjunto, isto é, se o futebol era um tipo de loucura particular num país de loucos.

As imagens dos balneários do Estádio de Alvalade na sequência do jogo contra o Arouca reproduzem, numa versão bastante “soft” aliás, o que sempre se passou em todos os estádios de futebol, desde as camadas jovens, aos distritais, acabando na primeira divisão. A modernidade não chegou, nem nunca chegará, ao futebol português. A loucura do futebol português é hoje igual há do passado.

Mas a maior loucura não é essa. A maior loucura é ver passar essas imagens vezes sem conta ao longo de vários dias e em diferentes canais de televisão. Essas imagens são passadas com uma série de gente a comentá-las, como se houvesse alguma coisa a dizer sobre elas. Há especialistas em cuspidelas, baforadas e outras ciências do género. Se a agenda mediática do país reflete os gostos e interesses do portugueses, então somos um povo de doidos.

Para benefício da minha própria sanidade, prefiro não pensar assim. Não me parece que os portugueses estejam interessadas em ver passar aquelas imagens a todo o tempo, com análises aprofundadas relativamente a coisas que são simplesmente estúpidas. Só posso pensar que se trata de uma agenda mediática desligada do interesse geral. Não é bem uma agenda mediática. É mais uma campanha. É uma campanha contra o Sporting e contra o seu Presidente. E, como se tem visto, a sanha é muita.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fim de fim-de-semana

O fim de tarde, princípio de noite, de Domingo constitui o período mais deprimente da semana. Ainda não acabou o fim-de-semana, mas interiormente já acabou. Estamos no Domingo e a fazer um esforço para nele continuar, mas a cabeça está na Segunda-feira. Nada melhor, portanto, do que ver um jogo da seleção. Se mandasse, agendava os jogos da seleção sempre para esta altura.

O jogo contra a Letónia não me retirou da letargia que se tinha apoderado de mim. O Fernando Santos não facilita. O jogo é para ser entediante e tudo é planeado para que a sensação de tédio nunca nos abandone durante noventa minutos. Tudo é pensado ao pormenor. Só assim se percebe a inclusão do André Gomes. Com ele, é garantido que se joga a passo.

Na primeira parte, assistimos a uns nacos de futebol pastoso, com trocas de bola a todo o momento, passes para o lado e para trás e truques e malabarismos inconsequentes dos mais virtuosos. Muita posse de bola e muitas cócegas na defesa da Letónia. Aos trambolhões, marcámos o primeiro golo. Boa tabela entre o Nani e o Ronaldo, rasteira de um defesa trapalhão e penalty. O Ronaldo, que não parece estar com grande confiança, fechou os olhos e bateu com força e a bola entrou por milagre, furando o guarda-redes.

A segunda parte prometia mais do mesmo. Não começou por correr mal. O André Gomes caiu na área ao ralenti e o árbitro marcou novo penalty. O Ronaldo decidiu marcar melhor, mas, como a confiança não é muita, atirou a bola ao poste. Para quem conhece o futebol português, sabe que um lance destes é sinal de que tudo se prepara para correr mal. Pouco depois, no único lance de ataque durante o jogo todo, a Letónia faz o empate. A profecia parecia cumprir-se. Só que nestes contextos é que se percebe que com o Fernando Santos é diferente. Praticamente na jogada seguinte, o Quaresma tira um cruzamento daqueles que só ele é capaz e o William Carvalho mete-a lá dentro.

Sem o André Gomes e o João Mário a jogar a passo, com o Quaresma e o Gelson a acelerar e o Ronaldo a fazer os movimentos que sabe e gosta, partindo do lado esquerdo para finalizar na área, a seleção parecia endiabrada. A defesa da Letónia passou a viver em permanente sobressalto e as oportunidades sucediam-se. Marcámos mais dois golos, mas ficaram outros tantos por marcar. Assim acabou (bem) o fim-de-semana.

domingo, 6 de novembro de 2016

Nem a pedido se arranjava um jogo assim!...

Há uma equipa com o Adrien e outra sem ele. Hoje, contra o Arouca, jogou a equipa com o Adrien. Notou-se e bem. Notou-se na agressividade e na pressão sobre o adversário. Apesar de algumas invenções do árbitro, acabámos a primeira parte para aí com umas quinze faltas. Mais ou menos o triplo dos últimos jogos.

O jogo também confirmou uma das minhas teorias preferidas. Quando estás com dificuldades em criar lances de perigo, o melhor é atirar à bola para a molhada que às três tabelas ela ainda pode acabar por entrar. O Jorge Jesus andava esquecido desta teoria e, mais do que isso, da sua prática. Bem sei que não temos o Maxi Pereira, mas, como se viu, o João Pereira disfarça bastante bem. Bem, também não basta mandar a bola para a molhada. É preciso meter dentro da área meia dúzia de matulões. Estando reunidas estas condições, o Bas Dost sabe como as empurrar lá para dentro.

O jogo não deu para retirar grandes conclusões. Na primeira parte estivemos mais agressivos, mas o ataque tarda em funcionar. Praticamente não criámos oportunidades de golo. O Arouca também não, mas não estava no jogo para isso.

Na segunda parte estivemos melhor. Só que, entretanto, o Arouca ficou a jogar com dez. O estouvado do seu lateral direito fez questão de se expulsar. Depois do primeiro golo, qualquer um fica em pânico quando vê o João Pereira marcar um lançamento lateral. Fica mais descansado quando o vê cabecear isolado a poucos metros da baliza. Teria sido o nosso segundo golo. Não foi naquela jogada, mas não tardou pela demora. Excelente contra-ataque do Sporting, grande cavalgada do Bryan Ruiz e de mais uns tantos, o Adrien, isolado, domina a bola de peito e, em vez de rematar para o golo, atrapalha-se com ela e manda-a para a molhada, aparecendo o Campbell a metê-la lá dentro, meio com o ombro, meio com a cabeça.

Depois do segundo golo, o jogo deu para tudo. Deu para o Adrien falhar um penalty e o Bas Dost fazer mais um passe para a baliza, agora de cabeça, depois de uma assistência do Campbell ao melhor estilo do Karaté Kid. Deu sobretudo para jogar ao ritmo do Brasileirão e permitir, assim, a entrada do Elias de forma a ele não estranhar.

Como se disse, este jogo não foi o melhor para se analisarem as eventuais melhorias da equipa. Nem a pedido se arranjava um jogo assim para se melhorar o ânimo. Com o Adrien a equipa melhora. Com o Elias a equipa piora. Com o Bryan Ruiz, não sei o que diga. Na época passada, dizia-se que ele podia jogar melhor se tivesse férias. Há dois anos que as não tinha. Prefiro o Bryan Ruiz cansado e sem férias da época passada. O Campbell parece menos gordo e, pelos menos, já não tira a camisola depois de marcar um golo. A defesa não chegou a ser posta à prova. Até o Zeegelaar parecia um jogador da selecção da Holanda.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Qual é a nossa estratégia?

Não vi jogo suficiente para me irritar com a dignidade que o Sporting merece. Esta equipa, ou muito me engano, ou ter-se-á tornado de uma previsibilidade sem espinhas, mesmo quando experimenta, ou quando diz introduzir novas nuances no jogo.  Toda a gente sabe como o Sporting joga ou vai jogar, só o Sporting é que não sabe isso. Só assim se explicam as sucessivas trocas de bola no meio campo leonino com o jogo a acabar e…a perdermos. E não foi apenas no jogo de ontem. As razões para tal talvez escondam a localização do pote de ouro na ponta do arco-íris.

Não se trata apenas do modelo, da estratégia, da motivação, há muito que este Sporting se entretém com a bola com a objectividade de um bloco de mármore: parece bonito mas é um pastelão maçador, lembrando a espaços o tika-taka entretido de Lopetegui (deus nos livre e guarde). Ontem, mais uma vez, desperdiçamos oportunidades, não muitas, mas suficientes (como, aliás, em Alvalade) para não perder o jogo. Todavia, fica sempre a sensação que o Dortmund tinha o jogo relativamente controlado, e que qualquer aceleração poderia surpreender o Sporting. Mais surpreendente é a nossa incapacidade frente a equipas como o Tondela, Nacional ou mesmo o Rio Ave, que esta semana levou três em casa do Vitória.

O ano passado a presença imponente de Slimani (e às vezes do Teo) dava ao jogo uma imprevisibilidade mortífera no último terço, imprevisibilidade essa, que, para além de qualquer sistema, deixava em sentido qualquer defesa, já para não falar do desgaste que erodia aos poucos a equipa adversária. Este ano, para além de Gelson, que continua a gingar mas fazendo-o de forma mais adulta, a equipa em geral parece um corpo estranho a pensar na morte da bezerra. No fim-de-semana temos a nossa final da liga dos campeões contra o Arouca. É o jogo de uma época, como aliás, serão todos daqui para a frente no campeonato. Até aqui andamos a adormecer os nossos adversários. Ninguém está a espera daquilo que virá. Faz tudo parte da nossa estratégia…a sério!