domingo, 24 de maio de 2015

Meio balanço

Não vi o jogo de ontem. Ganhámos e, por isso, cumprimos a obrigação. Parece que merecemos ganhar também. O Nani acabou a participação no campeonato com um golo. É um prémio merecido.

Até agora, fizemos uma época pelo menos tão boa como a anterior. Os pontos e, consequentemente, as vitórias, derrotas e empates são equivalentes. Os nossos adversários fizeram melhor do que época anterior. Acontece.

Também não nos podemos esquecer que tivemos uma excelente participação na Liga dos Campeões. Só não passámos à fase seguinte pelas razões do costume: uma boa dose de interferência da arbitragem. Estamos na Final da Taça de Portugal. Com uma equipa de miúdos, fizemos mais ou menos o mesmo do que no ano passado na Taça da Liga.

O Marco Silva tinha condições para fazer mais e melhor do que o Leonardo Jardim? Vamos esperar pela final da Taça de Portugal e depois falamos.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Com sete letras apenas se escreverá a história no sábado

Confesso: sou um frustrado jogador de andebol. Não desejei ser polícia nem bombeiro. Só jogador de andebol. Tentei. Errei, errei sempre. Nunca errei melhor.

Ver o Sporting em andebol deixa-me tão empolgado como a ver futebol. Tenho uma camisola autografada do Hugo Rocha de quando ganhámos a Challenge Cup. Pedi-a à mãe dele, que é minha colega. Andei com ela vestida durante todo o dia de trabalho.

Ver hoje o Sporting contra o Porto quase me levou às lágrimas. Os do Porto são melhores; só entravam de caras naquela equipa o Rui Silva e o Pedro Portela. Têm muito mais alternativas. São mais altos a mais forte. Têm um treinador extraordinário.

 Mas eles tremeram. Tremeram no primeiro jogo, mas o Gilberto Duarte resolveu. Passearam-se no segundo. No terceiro, secámos o Gilberto Duarte e eles não encontraram alternativas fiáveis. Hoje inventaram o Yoel Cuni Morales. Surpreendeu-nos até acabar com tiros de pólvora seca. O Gilberto Duarte ainda resolveu na primeira parte do prolongamento, mas não demos hipóteses na segunda. Não sofremos um único golo.

Não temos o Quintana, não temos jogadores tão altos e tão fortes, mas defendemos admiravelmente. Sobretudo fomos encontrando diferentes variantes, que surpreenderam o adversário.

No ataque é que não estamos tão bem. Não temos poder de fogo de primeira linha. O 6x0 do Porto parece sempre chegar para as encomendas. Nas transições rápidas e nos contra-ataques ainda fazemos alguma mossa. Temos que jogar em permanentes trocas de bola e de posição, com a primeira linha em cima da defesa e, por isso, no limite do erro. O Bruno Moreira não consegue bloquear o deslocamento da defesa. Tudo é conseguido com muito esforço. Às vezes parece que rematamos de olhos fechados. E necessário temporizar, deixar o Quintana definir-se e rematar melhor.

E Sábado? Se o andebol fosse matemática, estávamos arrumados. Felizmente não é. Se a defesa continuar assim, eles vão tremer. A defesa pode-nos manter em jogo, gerando menos pressão para marcar no ataque. Se assim for, vai ser taco a taco. No final ganhará quem tiver os jogadores com coragem para decidir bem nos momentos decisivos. Hoje, foram o Spínola e o Portela, nos sete metros.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Está tudo dito

Está tudo dito aqui. Não acrescento, nem retiro nada. Não saberia dizer melhor. E não se fala mais nisto.

domingo, 17 de maio de 2015

Sem enfiarmos um barrete qualquer não estamos descansados

É difícil pensar numa maneira mais desastrosa de acabar a época. Notícias sobre renovações, não renovações e aquisições todos os dias. Orçamentos que não se sabe se existem. Treinador no olho da rua ainda sem a época acabar e com uma final da Taça de Portugal por disputar. Conferências de imprensa de um lado e de outro que só servem para alimentar especulações e tensões. Previa-se, assim, o pior para este jogo.

Começou mal. O Tobias Figueiredo decidiu oferecer um golo ao Braga. O rapaz não é mau jogador. Tem tudo para ser um bom central: é alto e não é tosco de pés. O problema é a cabeça. Não tanto no recurso à dita para acertar na bola, mas na sua utilização para pensar melhor no que faz e não se precipitar. Resta saber se é defeito ou feitio.

A perder por um a zero, o Braga meteu-se dentro da área e começámos o carrossel a ritmo de caracol do costume. Ficámos à espera de uma arrancada do Carrilo ou de um remate genial do Montero. O Montero fez o remate genial do costume. Azar, a bola foi à trave e o Carrillo estava fora-de-jogo quando recargou de cabeça para a baliza. Esgotado o remate genial por jogo do Montero, ficámos entregues à sorte. O árbitro perdoou a expulsão de um jogador do Braga, por falta à entrada da área. O Nani tentou pela milionésima vez a folha seca que quase, quase parece que vai dar golo. Para compensar, o árbitro inventou um penalty a nosso favor.

Na segunda parte apertámos mais um bocadinho. O Braga ainda se meteu mais dentro da área, se tal ainda era possível. Num canto, acabámos a fazer o dois a um. Cabeçada do William Carvalho, defesa do guarda-redes e remate do Tobias com o pé que tinha mais à mão. O Braga não abanou. Continuou metido dentro da área à espera não se sabe bem do quê. Mais um canto e mais um golo. O Adrien, depois de tentar trezentos remates de fora da área por época, costuma marcar um golo destes, normalmente quando menos falta faz.

O Braga, por dever de ofício, avançou no terreno. Em duas ou três jogadas, ainda podia ter marcado um golo. Depois deixou-se de maçadas também. Nós fomos trocando a bola até aborrecermos de morte o adversário e os espetadores. Estava-se nisso quando, a acabar o jogo, o Carrillo fez o centro do costume – que, nele, até parece fácil – e o Slimani empurrou-a lá para dentro. Prefiro os golos banais do Slimani aos geniais do Montero.

Acabado o jogo, fiquei a pensar no Sérgio Conceição e no Braga. A equipa não joga rigorosamente nada. Tem bons jogadores. Só que mete-se dentro da área, os jogadores vão-se atrapalhando e chamam às transições ofensivas ou contra-ataques uns charutos para a frente e umas correrias de um ou outro ciclista, como o Pardo. É um barrete como este do Sérgio Conceição que nos espera para a próxima época.

domingo, 10 de maio de 2015

Para a praia e em força!

Hoje tinha previsto ir à praia. Esqueci-me de propor a aprovação deste programa. Cá em casa trocaram-me as voltas. Não fui à praia, foram, por mim, os jogadores do Sporting e do Estoril (não se trata de um trocadilho com a designação do Estoril). Este jogo contra o Estoril não interessava nem ao Menino Jesus (o autêntico, porque o outro não é menino nenhum).

Se havia dúvidas, os jogadores rapidamente as esclareceram. Tudo muito devagar e a jogar em souplesse. Não há um jogador do Sporting do meio-campo para a frente que resista, depois de receber a bola, a rodopiar sobre ela e a tentar fazer uma tabelinha impossível ou um passe de trivela. Andámos com a bola para trás e para a frente, mas na área não mora ninguém. Sem balizas e com o Montero somos a melhor equipa do Mundo. Não é embirração. É que o rapaz não ataca as bolas de cabeça, limita-se a saltar por dever de ofício. Não ganha um ressalto, nem sequer chega a pressionar os defesas. Mas a culpa não é só dele. Até o Adrien procura encontrar o Zidane que supostamente está dentro dele.

Estávamos neste chove-que-não-molha, quando o Carrillo, para impedir um pontapé de baliza, entrega a bola a um defesa. O Cédric estava mal colocado e um ciclista qualquer do Estoril veio por ali fora e só parou dentro da área. Depois de fazer um disparate qualquer a bola, às três tabelas, acabou nos pés de um avançado que limitou-se a metê.la lá dentro.

Reagimos, continuando a entediar a rapaziada do Estoril. Na segunda parte, continuámos no mesmo tom. Até que, numa carambola também, o Ewerton meteu-a lá dentro. Ainda tivemos mais uma oportunidade, com o guarda-redes a fazer a defesa de uma vida. Podia tê-la guardado para um jogo mais a sério, onde fosse preciso tal feito.

Chega-se ao momento em que é preciso substituir os extremos. Fica-se na dúvida, sai o Mané ou o Carrillo, que estava a ficar maluco de tanto sol lhe bater na moleirinha. O problema não é decidir quem sai. O problema é decidir quem entra. Entra o Capel. Passado um bocado, sai o Adrien e entra o André Martins. É com estas substituições que o treinador nos explica que nunca poderíamos fazer mais do que fizemos durante este campeonato.

Este jogo não tem história nem moral. Fica a sensação que, se o Ewerton tem chegado no princípio da época, talvez outro galo tivesse cantado. Compreende-se a gratidão dos adeptos do Estoril relativamente ao Marco Silva. Quem viu jogar aquela equipa nos últimos anos e quem a vê jogar agora, não tem dúvidas sobre a sua qualidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Balanços de um Sportinguista indeciso

Agora que a época está mais do que decidida será altura de fazer um balanço da nossa participação na Liga. Como para mim o futebol é totalmente irracional estou indeciso entre a teoria do "apenas não fizemos mais porque não nos deixaram" e a "insustentável leveza do Tanaka". Penso que estas duas teorias se sumarizam em dois momentos marcantes da época:

Dia 9 de Novembro. Depois de ter estado a 3 pontos do primeiro lugar, recuperando uma desvantagem acumulada nos primeiros jogos da época, tivemos um desastre em Guimarães e recebemos o Paços. O líder tinha então um teste difícil na Madeira. Em ambos os jogos, a escassos minutos do fim, os árbitros assistentes têm uma espécie de alucinação e decidem que têm a certeza absoluta que viram coisas que simplesmente não aconteceram, anulando um golo ao Nacional e um ao Sporting por fora-de-jogo. Se não fossem tais alucinações teríamos acabado a jornada a 4 pontos da liderança; terminámos a 8. Uma distância que se veio a revelar irrecuperável: apenas durante escassos minutos conseguimos voltar a estar a menos de 4 pontos do líder, aqueles poucos que estivemos em vantagem no derby em que o Benfica levou um autocarro a Alvalade.

Dia 11 Janeiro, último minuto de um equilibrado Braga-Sporting. Livre, Tanaka, Golo. Ficamos a 5 pontos do Braga; se a bola vai uns centímetros ao lado, ficaríamos apenas a 2, empatados com o Vitória de Guimarães. Descolamos da luta com Braga e Vitória pelo 3º lugar e passamos a estar na luta pelo 2º lugar e a sonhar com a liderança.

O que seria a nossa época sem aquele golo? O que seria a nossa época sem aquelas estranhas alucinações? Nunca saberemos.

Se tentar ser racional (acho que não devia), diria que estamos onde merecemos.
Começámos a época com os nossos melhores centrais no banco ou na bancada e dois estarolas em campo. Empatámos jogos em casa em que não aparecemos para jogar partes inteiras. Perdemos vantagens preciosas porque não soubemos segurar a bola e fazer fita ao mais pequeno toque. Com ou sem ajudas, não vemos o Benfica fazer isso.
Mas do outro lado acho que a diferença é colossal. Não vejo muitos jogos do Braga, mas creio que não haja mais de 1 ou 2 jogadores do Braga que lutariam por um lugar no nosso onze. Não vejo mais vontade nem mais treinador. Independentemente do que possa acontecer num ou outro jogo, o que nos separa deles é muito mais que um magnífico golo do Tanaka.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ganhar, ganhar sempre, mesmo que seja a jogar assim-assim

Não vi o jogo no sábado. Estava num encontro que todos os anos reúne um conjunto de amigos que estudou no Instituto Superior de Agronomia na década de oitenta. Une-nos o Instituto Superior de Agronomia, mas une-nos mais as noites no Cais do Sodré ou na Nova América. Como se vê, o resultado foi muito melhor que o do Sporting. Ganhámos de goleada.


Revi ontem o jogo contra o Nacional. O Marco Silva vai tentando dar oportunidades a alguns jogadores. Mais do que promover a rotação da equipa, estas escolhas constituem prémios de consolação. São, sobretudo, reveladoras da falta de alternativas na equipa para certas posições.

Não se consegue imaginar a equipa sem o William Carvalho. O Tanaka é bom rapaz, mas não chega. O Montero parece acordar. Agora, o futebol não se joga com a bola somente. Não basta a nota técnica. É necessário correr. É necessário pressionar os adversários e as linhas de passe para a saída da bola da defesa. É necessário disputar bolas na área como se não houvesse amanhã. É necessário meter a cabeça à bola com convicção e não com os olhos fechados.

Demos uma parte de avanço, mas ganhámos na mesma. Ganhámos com naturalidade. É isso que se espera de uma equipa que pretende ganhar títulos: que ganhe, jogando bem ou jogando assim-assim. 


(O Rui Patrício fez uma defesa extraordinária. A vitória começou naquela defesa. Mais uns pontos que lhe ficámos a dever)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mixed feelings

O jogo de hoje, contra o Moreirense, gera “mixed feelings”. A primeira sensação é de desperdício. Esta época podia ter sido bem diferente se não tivéssemos consentido empates disparatados em casa contra equipas medíocres. A segunda é que, mesmo goleando, deixámos sempre o jogo e o resultado em aberto.

Só vi a segunda parte, no Flávio, como sempre. Ouvi o relato da primeira, enquanto regressava a casa. Do que vi e ouvi, tem-se a sensação de já se ter visto este filme mais vezes. Com a bola nos pés, parecemos estar a jogar uma peladinha com os amigos. Ninguém joga fácil. Todos jogam para a nota artística. Não se congela o jogo. Joga-se sempre para a frente. Quando perdemos a bola, fica o William Carvalho com as despesas do meio-campo e uma defesa à beira de um ataque de nervos.

Jogámos de forma agradável. Fizemos jogadas espectaculares. O Montero marcou um golo só a alcance dos predestinados (ainda bem que estava de costas para a baliza; se estivesse de frente e fosse fácil o mais provável é que acabasse por falhar). As coisas correram bem, tão bem, que até o Capel fez um cruzamento para mais um golo do Montero. O Nani procura incessantemente um golo que possa passar na Eurosport. Não vê os colegas e as suas desmarcações. Não vê mais nada a não ser a si próprio numa moldura a marcar o golo da época.

O pior, como disse, é quando perdemos a bola. A rapaziada do Moreirense teve sempre todo o espaço do mundo para atacar. Tiveram oportunidades. Tiveram inúmeros remates à entrada e dentro da área. Atiraram para a bancada. É normal. O jeito não dá para mais. O problema é se acertam, e às vezes acertam. Deixámos que o jogo estivesse permanentemente dividido, mesmo com uma vantagem confortável.

É agradável ver jogar o Sporting. É ainda mais agradável quando as coisas correm bem, como hoje. Mas não sei se uma equipa de futebol é isto. Não basta jogar bem à bola. É necessário compromisso e solidariedade. O compromisso e a solidariedade é que fazem de um conjunto de jogadores uma equipa e uma equipa vê-se a defender, vê-se nos momentos difíceis. Nem sempre vimos o Sporting a defender bem. Nem sempre vimos o Sporting a superar-se nos momentos difíceis.

Deixar a pele em campo

As nossas modalidades amadoras deram-nos um grande exemplo este fim-de-semana. No hóquei em patins ganhámos a Taça CERS. No futsal ficámos em terceiros na UEFA Futsal Cup. Em todos estes resultados houve um elemento comum: os jogadores deixaram a pele em campo.

No futsal não fomos tão felizes como no hóquei em patins. Mas, em todos as partidas, os jogadores deram tudo o que tinham e não tinham. No futsal perdemos com uma equipa que nos é superior. Estivemos a perder por dois e com cinco faltas. Empatámos fazendo das fraquezas forças. Perdemos nos segundos finais. Não desanimámos. Voltámos para golear a equipa da Rússia e conquistar o terceiro lugar.

No hóquei em patins éramos verdadeiramente o “underdog”. O Reus e o Igualada eram melhores. Sofremos o jogo todo nos dois jogos. Defendemos como podíamos. Fomos solidários. Fomos cínicos o quanto baste.

No último jogo, para além das fraquezas próprias ainda contámos com uma arbitragem à maneira. O adversário conseguiu jogar meia hora com nove faltas e sem atingir a décima. Mandaram repetir um livre direto contra nós. Mandaram repetir um penalty. O nosso guarda-redes esteve sempre lá para evitar o pior. No final, contra um adversário melhor e todas estas adversidades, trouxemos a taça para casa.

domingo, 26 de abril de 2015

Silêncio que se vai imaginar o jogo



Não tenho comentado nem postado nada pois não tenho visto grande parte dos jogos, muitas vezes nem mesmo os resumos. Como não me parece correto opinar sobre o que não vi, tenho andado calado. Por questões de saúde mental também não vejo (há muitos anos) os diferentes programas da treta sobre futebol por isso, nem sequer indignado ando.

Mas provavelmente não estou a fazer bem. Ocorre-me isso quando por vezes ouço os comentários de alguns treinadores. Parece-me que eles, bem menos preocupados com a correção, estão a falar do que não viram mas apenas daquilo que imaginaram ter visto. Para eles, e para outros, deixo aqui um pequeno diagrama rapinado na net que pode ajudar neste tipo de decisões sobre falar ou não…


E agora coisa reais:

Parabéns à nossa equipa de hóquei em patins que conquistou Taça CERS!!

Campeões!!!

domingo, 19 de abril de 2015

A encher chouriços e mal

Estabilizada a classificação do Sporting e de muitas das restantes equipas do campeonato, este jogos, como o de hoje, contra o Boavista, servem para encher chouriços. Os jogadores andam entretidos a ler jornais para verem o que lhe reserva a próxima época. Os treinadores fazem o que podem. Admito que o Marco Silva tenha de pedir por favor aos jogadores para se equiparem e entrarem em campo.

 O jogo começou da melhor maneira. Marcámos o golo mais rápido da época. Se outro título não tivermos, este já cá canta. Nem encomendado se arranjava um início de jogo melhor. Mas, no Sporting, nada é linear. Depois de marcarmos horrivelmente um livre à entrada da área, permitimos que o Boavista saísse a jogar. Os jogadores do Boavista aos trambolhões levaram a bola até à nossa área. Nessa jogada, recuperámos a bola para aí umas três vezes e três vezes a voltámos a perder. De ressalto em ressalto, lá acabou o rapaz mais jeitoso do Boavista por marcar o golo do empate.

A partir daí, entrámos no modo passo de caracol e não mais saímos dele. O Marco Silva ainda tentou acordar a rapaziada com a entrada do Slimani. Mas ninguém estava para maçadas. A acabar a primeira parte, numa espécie de contra-ataque, o Jéfferson sem perceber muito bem onde estava deixou passar a bola e o Tobias Figueiredo acabou, ingenuamente, a derrubar um pequenito do Boavista que se preparava para passar a bola ao Patrício. Expulsão do Tobias Figueiredo e remate no consequente livre à barra. Contra o Penafiel as coisas ainda correram pior. Depois da expulsão, na marcação do livre, sofremos um golo.

Na segunda parte tudo apontava para um jogo ainda pior. O Boavista não defraudou ninguém. Mesmo a jogar contra dez, recuou as tropas e defendeu com tudo o que tinha. Nós continuámos a passo de caracol e parecíamos querer continuar a cumprir o que tínhamos prometido na primeira parte. Estávamos nisto quando o Carrillo sacou um daqueles cruzamentos milagrosos que vão milimetricamente ao encontro da testa do Slimani.

Com o dois a um, as coisas podiam mudar. O Boavista tinha obrigação de atacar e nós teríamos mais espaço para o contra-ataque. Nada disso aconteceu. O Boavista queria, mas não podia. Nós podíamos, mas não queríamos.

Se este jogo foi mau, esperem pelos seguintes. O campeonato português é assim mesmo. Antes de começar a classificação está feita. Durante algum tempo, ainda se vai acreditando que nada está pré-determinado. A partir de certa altura, todos se conformam com a sua sorte e os jogos são um simples exercício de encher chouriço. O futebol português caracteriza-se por este permanente aborrecimento.

domingo, 12 de abril de 2015

Onde é que andavas, Olegário?

Mais um jogo para cumprir calendário. Era para cumprir e cumpriu-se. Ganhámos que era o que interessava, embora tivéssemos jogado a passo de caracol.

Entrámos a dormir. O Setúbal mostrava entusiasmo. Num lançamento de linha lateral criam uma oportunidade. As ordens pareciam óbvias. Biqueirada para a frente para um grandalhão coreano ou lançamentos longos para um ciclista que jogava na lateral direita. Sempre que possível, bater no adversário.

Depois de darmos um quarto hora a vinte minutos de vantagem, pegámos no jogo. Bola de pé para pé, mas tudo um pouco devagar. O Miguel Lopes era o que se mostrava mais empenhado, a parte de um Tanaka que, quando está em campo, dá o que pode e a mais não é obrigado. A continuar assim, o Cédric tem mesmo de assinar por outro clube qualquer, depois de jogar na equipa B um aninho.

Estávamos nessa modorra quando, depois de uma bola às três tabelas, o Miguel Lopes faze um centro perfeito para um cabeceamento ainda mais perfeito do Mané. Mais uma corrida mais uma viagem, lançamento longo para as costas da defesa à procura do Mané, corte em desespero de um defesa do Setúbal e remate imparável do Tanaka.

O jogo parecia resolvido. Só que com o Sporting nunca um jogo está resolvido. Mal começa a segunda parte, numa biqueirada para a frente o Ewerton cai mal, fica magoado, o grandalhão coreano fica sem marcação e faz o que ainda agora tem dúvidas que tenha feito. Jogo em aberto novamente.

Confusão na área do Sporting, um jogador do Setúbal dá uma biqueirada no Ewerton, gera-se a moche do costume e o Olegário mostra amarelo aos dois jogadores, sendo que era o segundo para o jogador do Setúbal. Só que o Olegário depois de começar fica imparável. Pouco depois, inventa uma falta para mostrar o segundo amarelo ao Ewerton.

O espetáculo passou a ter um único artista. Amarelos atrás de amarelos para jogadores do Sporting, com os jogadores do Setúbal sempre à vontade para jogarem como queriam e lhes apetecia. Substituições para cá, substituições para lá, mas o artista continuava a ser só um: Olegário Benquerença. Ao que dizem, o Olegário tem-se recusado a arbitrar jogos, sobretudo os que envolvem as principais equipas. Por isso é que já mal nos lembrávamos dele. Hoje, para que dúvidas não restassem, lembrou-nos a todos o que foi a sua longa carreira no topo da arbitragem nacional.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Com direito a farnel

Só vi o jogo a partir dos vinte minutos. Daquilo que ouvi, parece que o Nacional da Madeira ainda chegou a criar algum perigo durante esse período. Do que vi, gostei.

Vi o jogo no Flávio, como de costume. Os meus colegas sportinguistas de café nestas jornadas viram o jogo à beira de um ataque de nervos. Insultaram os jogadores do princípio ao fim, como se eles os estivessem a ouvir. Sofreram a bom sofrer, com permanentes ataques de ansiedade.

Os meus celgas de café não estavam sozinhos na ansiedade. Os jogadores também estavam um pouco ansiosos. Demoram a pegar no jogo. Mas, depois disso, estiveram todo o resto do tempo da primeira parte em cima da área do adversário. Por uma razão ou por outra, não marcámos o que parecia fácil. O Slimani continua oportuno e com excelente jogo de cabeça, só que agora deixou de acertar. Acontece. Passará quando enfiar uma batata lá dentro na próxima oportunidade.

Na segunda parte não melhorámos. Deixamos de criar tantas oportunidades. Mas, em contrapartida, só demos uma abébia ao Nacional, para grande defesa do Patrício. Mesmo sem jogar bem, controlámos o jogo. Nos últimos vinte e cinco minutos, pelo menos, o Nacional nem sequer chegou perto da nossa baliza, quanto mais ter oportunidade para rematar.

Num jogo difícil, em que tudo parecia correr mal, mantivemos a cabeça fria. A justiça fez-se com a cabeça também. O Ewerton andava a ameaçar nos últimos jogos. É o típico centralão brasileiro de que gosto. É bom jogador e tem cara de meter medo.

Não fizemos um jogo extraordinário. Limitámo-nos a ganhar e a não tremer nos momentos decisivos. As grandes equipas são assim: são competentes. Ganham a jogar bem ou a jogar assim-assim quando importa. Sobretudo, ganham.

Quando regressei a casa, como se costuma dizer, mandei a patroa começar a tratar do farnel.Estamos no Jamor por direito próprio. Em princípio seremos acompanhados pelo Braga. Nós eliminámos o Porto no Dragão com três batatas. O Braga aviou o Benfica na Luz. Vão estar no Jamor as duas melhores equipas. Sobre isso ninguém tem nenhuma dúvida.

domingo, 5 de abril de 2015

Displicência

Vi o jogo de ontem, contra o Paços de Ferreira, em Cabeceiras de Basto. Obrigações da Páscoa assim o determinaram. Saí do Café Cabeceirense, onde vi o jogo, enquanto comia um prego no prato, com a maior das irritações. O caso não era para menos.

Foi dos jogos mais fáceis do campeonato. Porventura, o mais fácil. Não o ganhámos porque que não quisemos. Há o azar, que costuma explicar muitas coisas. Mas, desta vez, não explica. Falhámos golos por displicência. Não criámos mais oportunidades de golo por displicência. Sofremos o golo por displicência.

Alguns jogadores não respeitaram o adversário. Não respeitaram os adeptos. Não respeitaram o clube e a direção que faz os possíveis e os impossíveis para lhes pagar os salários. É por estas que considero que o Marco Silva não tem mão nos jogadores.

O João Mário, depois de algumas brincadeiras que protagonizou em outros jogos, para mim, já tinha ido para o banco. Não vai para o banco, ninguém lhe diz nada, e o menino continua a brincar com o clube, com quem lhe paga e com os seus colegas.

Para não escrever irritado, deixei esta nota para hoje. Cheguei ontem a casa e revi o jogo de andebol do Sporting contra o ABC. Hoje voltei a ver o segundo jogo. Demos duas sovas no ABC. Demos, porque fomos agressivos, defendemos bem e não andámos a brincar; em poucas palavras, os jogadores e a equipa queriam ganhar. O ABC é uma grande equipa. Não é propriamente o Paços de Ferreira do andebol português. Espero que assim continuem. Se não for por outra razão, para que os nossos jogadores de futebol vejam em quem ganha muito menos do que eles o profissionalismo que lhes falta.


(Quando escrevi este "post" não tinha lido nenhum dos blogues habituais de sportinguistas. Li agora. O tom é o mesmo. Parece que vimos todos o mesmo jogo. Ainda bem. Espero que os jogadores e o treinador o revejam para verem o que, aparentemente, todos vimos)

terça-feira, 31 de março de 2015

VEM

Quando o tédio é muito, até ver Portugal contra Cabo Verde pode ser uma boa forma de o matar. O jogo foi muito revelador. Foi tão revelador que percebi o alcance do programa VEM lançado recentemente pelo governo.

Mesmo sem o VEM, já o Fernando Santos tinha vindo. Com o VEM, o Rui Águas virá mais depressa do que ele próprio esperava.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Seleção nacional

Tenho as mais sérias dúvidas sobre o interesse desportivo das competições das seleções nacionais de futebol. O que não tenho dúvidas nenhumas é sobre o interesse das fases de apuramento. Cada vez são mais as seleções que passam à fase final. A fase final dessas competições transformaram-se em grandes empreendimentos comerciais.

Ontem, acordei cedo e fui fazer uma caminhada nas terras de Basto. Cheguei a casa cansado. Ainda tentei ver o jogo da nossa seleção contra a Sérvia. Começámos praticamente a ganhar. Se o jogo já tinha todas as condições para ser uma chatice, então, depois do golo, tornou-se completamente sonolento. Dormitei o tempo todo. Ainda entreabri os olhos para ver um ou outro lance.

O golo do Matic acordou-me definitivamente. Grande mérito do Matic que apanhou o Eliseu a dormir. Logo a seguir fizemos a única jogada decente e marcámos o segundo golo. Ainda me mantive acordado mais uns minutos. Mas vi logo o que é que o jogo ia dar. Continuei a dormitar. Só entreabri novamente os olhos para confirmar o resultado final.

O Fernando Santos é especialista neste tipo de apuramentos. Nada de entusiasmos. Jogam sempre os mesmos. De preferência os mais maduros. No fim, com sangue suor e lágrimas, lá se consegue o apuramento. Na fase final segue-se mais do mesmo. Não acontece nenhum desastre, mas também ninguém se chega a empolgar. Acaba a competição e renova para a próxima e assim sucessivamente até a malta se aborrecer em definitivo.