segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aconteceu no sábado passado

Ainda não tinha visto nenhum jogo do Sporting esta época. Vi, no sábado, o jogo contra o Lyon. Confirmei as expectativas que tinha: sem os nossos Aurélios, a coisa não parece funcionar.

Este é o problema do Sporting. Dispomos de sete ou oito jogadores de nível. Conseguimos fazer um onze competitivo a jogar contra qualquer adversário. O problema está mesmo na profundidade do plantel, ao qual se acrescenta uma outra falha na equipa titular.

Temos o Patrício, mas falta um suplente que dê garantias, não vá o Diabo tecê-las. Com o Coates e o Ruben Semedo, o centro da defesa está protegido. As alternativas também parecem razoáveis. Nas laterais as coisas complicam-se. Vamos ver se o Schelotto faz uma época parecida com a fase final da anterior. Com ele, nunca se sabe. No lado esquerdo as coisas parecem estar piores. O Zeegelaar não nos enche as medidas. O Jéfferson começa a ser um caso perdido. Ainda vamos acabar com o Bruno César.

O meio-campo é dos Aurélios: William Carvalho, Adrien e João Mário. O Bryan Ruiz joga melhor do lado esquerdo para dentro do que no meio. As alternativas parecem não existir. O Petrovic não convence. O Palhinha é uma promessa. O Aquilani é uma carta fora do baralho.

O ataque é mais do mesmo. Sem o Slimani, só fazemos cócegas. Com o Bryan Ruiz na esquerda as coisas vão melhorar. Falta-nos um segundo avançado e um extremo confiável. Pode ser que o Alan Ruiz seja o segundo avançado que precisávamos e que o Gelson Martins se afirme de vez, vontade não lhe parece faltar. Depois temos mais duas promessas: Matheus Pereira e Iuri Medeiros. Os outros não contam.

O Jorge Jesus garante-nos sempre que a equipa vai evoluir. Vai jogar pelo menos o mesmo da época passada. O problema está nas diversas frentes. Este ano temos a Liga dos Campeões. Ou fazemos como na época passada na Liga Europa, que antes de a começarmos já tínhamos desistido, ou não vejo jogadores para tantos jogos e jogos exigentes. A equipa está à pele. Pode ser que as promessas se transformem em realidades. Se assim não for, estamos tramados. A não ser que ainda se vá buscar mais alguém, rezando pelo caminho para que não saia nenhum dos titulares.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os sonos dos Santos

O Fernando Santos renovou o seu contrato com a Federação, até 2020 ao que se diz. Temos seleccionador por muitos e bons anos. Podemos dormir tranquilos. Sono não nos vai faltar.

Parecendo que não, o Fernando Santos tem tudo a ver com esta pré-época do Sporting. O Jorge Jesus está a levar ao extremo a táctica do Santos. Para se acabar bem tem de se começar mal. Estamos a começar tão mal, que admito que o campeonato não baste. Cá para mim, o Jorge Jesus tem a Liga dos Campeões fisgada.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A história e os seus heróis

Já tudo praticamente foi dito e escrito sobre a participação da Seleção no Europeu. Depois de tudo o que foi sendo escrito aqui também durante a competição, falta uma síntese. Uma história, uma boa história, tem sempre uma moral.

Há uma dimensão espiritual de análise, ontológica até, na qual não entro. Cada um é como cada qual e as suas crenças só lhe dizem respeito.

Tudo o que correu mal, correu bem. Se tivéssemos ganhado uns jogos na fase de grupos, o otimismo tinha crescido e não teria havido maneira de convencer o treinador e os jogadores a fazer o que fizeram depois. Como correu mal essa fase, era necessário mudar, de jogadores e, sobretudo, de atitude perante os adversários.

Passámos para o oito com a mesma facilidade que nos anunciámos nos oitenta. De favoritos à final, passámos ao fazer o papel de “underdog”. As táticas foram estabelecidas em função dos adversários e dos seus pontos fortes. O objetivo não foi o de potenciar os nossos pontos fortes, mas o de não expor os nossos pontos fracos e de reduzir as ameaças. Essas táticas tiveram algumas características singulares. Havia a necessidade de marcar individualmente certos jogadores adversários em função de certos momentos de jogo. Não havia propriamente um sistema defensivo que funcionasse em bloco, à italiana.

Estas táticas tornaram os jogos relativamente caóticos para os adversários. Ficaram de tal forma baralhados, que nenhum deles jogou o equivalente ao que tinha demonstrado na fase de grupos. Também nenhum deles acreditou verdadeiramente no que estávamos a fazer em campo. Desconfiaram de nós. Não se aventuraram muito no ataque. Devem ter pensado para eles que aquelas táticas eram um engodo. Ninguém acredita que uma equipa que tenha o Ronaldo só jogue para não sofrer golos, esperando o seu momento de sorte.

Encanámos a perna à rã jogo atrás de jogo. Demorámos todo o tempo do mundo nas reposições de bola. Entretivemo-nos a passar a bola entre os defesas e os jogadores de meio-campo. Mal havia alguma pressão do adversário, logo se atrasava a bola ao Rui Patrício. Quando a pressão aumentava mais, recorria-se à biqueirada para a frente, onde o Ronaldo fazia de pino.

Só tínhamos planos para não perder os jogos. Ainda admitimos que existisse um plano B para os ganhar: os penalties. O jogo contra a Polónia desfez essa possibilidade. Também não havia plano B nenhum. A lógica é simples e imbatível, só não se compreende como se faz no campo, a não ser tendo fé, muita fé. Em jogos a eliminar, não se pode empatar. Não se empatando e planeando não perder, só se pode ganhar.

A final contra a França era o teste do algodão destas táticas e destes planos. Finalmente jogávamos contra um dos grandes, a par da Alemanha, da Itália e da Espanha. Ganhou uma dimensão dramática e, ao mesmo tempo, épica. O herói estava preparado, mas lesionou-se no início do jogo. Cumpria-se a dimensão dramática. A dimensão épica precisava de outro herói, de um herói improvável. O herói improvável apareceu.

Esta vitória foi uma grande alegria para os portugueses. Sou insuspeito. Não aprecio grandemente a Seleção nem o Fernando Santos. Fiquei comovido no final, quando levantámos o caneco. Estas e outras palavras que se foram dizendo e escrevendo vão-se apagar. Daqui a muitos anos ainda ouviremos falar deste feito. Ficará a história e nessa história só há heróis.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O efeito Borboleta ou a insustentável leveza de... Payet

Entrámos mal no jogo. Os passes não saíam e mal conseguíamos passar do meio campo. Mais do mesmo, todos pensávamos. Nervos, muitos nervos. Faltava-nos qualquer coisa e como sempre nestas circunstâncias todos olhavam para o Ronaldo.

Foi então que o Payet decidiu o jogo. Ou ele ou as lágrimas do Ronaldo. Ou o sentimento de injustiça que se gerou não em 11, 23 mas milhões de Portugueses. Milhões de desportistas. Ou tudo isto. A verdade é que tudo mudou. Se havia dúvidas que um jogador como o Ronaldo pode ganhar um jogo até no banco elas ficaram dissipadas. Deu o exemplo, deu o que tinha e o que não tinha. E inspirou os patinhos feios, transformaram-se e a equipa acordou. Primeiro Fernando Santos que mandou lixar o autocarro e por os Portugueses a jogar de igual para igual. Depois Éder a provar que se jogámos este Euro sem ponta-de-lança não foi por falta de comparência do mesmo.

E assim se fez história. Venha de lá o caneco.

domingo, 10 de julho de 2016

Parabéns campeãs!





«A atleta portuguesa Sara Moreira sagrou-se este domingo campeã da Europa na meia-maratona, em Amesterdão, Holanda.
Sara Moreira venceu a corrida de estreia da distância em europeus isolada, tendo cortado a meta em 1h10m19s, com 16 segundos de vantagem sobre Veronica Inglese. Na mesma prova, a portuguesa Jessica Augusto obteve o 3.ª lugar, fechando o pódio com mais 36 segundos do que a sua compatriota.
Na Taça da Europa, realizada conjuntamente, Portugal ganhou coletivamente, contando ainda com Ana Dulce Félix, que terminou no 12.º posto. A atleta do Sport Lisboa e Benfica venceu na quarta-feira a medalha de prata nos 10.000 metros                        Expresso

PS. Curiosamente, em todas as notícias que li, não vi referência ao clube a que pertencem as senhoras agora medalhadas. Deve ser esquecimento. Felizmente é possível saber qual o clube da Dulce Félix, assim não se perde tudo.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Afundanço

O João Mário passou para o Raphael Guerreiro centrar de primeira e o Ronaldo foi lá acima e afundou. Foi um “aley-oop” com pés e cabeça.

A partir deste golo e deste afundanço pode-se contar a história que se quiser. Como diria o nosso Mahatma Ronaldo, o resto que se f###.

domingo, 3 de julho de 2016

Segundo a imprensa desportiva...

O Slimani já foi vendido vinte vezes. E das vinte não recebemos um chavo. Ficamos ainda a saber que o contrato do jogador tem uma catrefada de cláusulas, algumas aludindo a futuros prémios em forma de moças virgens, a receber, é claro, à posteriori.

Parece que o Teo afinal saiu mesmo em Janeiro enviando um sósia chamado Teófilo, o qual se revelou um verdadeiro entretido na arte de improvisar imprevisibilidades nas áreas adversárias. Pois também este Teófilo quererá (supostamente) sair, relançando a sua carreira em algumas equipas de topo, provavelmente nas Ilhas Fiji. Ficamos ansiosos que tal se verifique, podendo levar como brinde o Aquilani.

Um tipo chamado Bakic, que no ano transacto jogou no Belenenses, estaria a ser pretendido pelo Sporting. Agora ficamos a saber que o Benfica terá ultrapassado o Sporting na contratação deste craque da… Fiorentina. Para o Sporting vinha o Bakic versão belém, já para o Benfica vem um craque da Fiorentina. De qualquer das formas, uma contratação sonante na casa do Bakic, que terá feito a pomba.

Parece que o João Mário quer ganhar mais. Não deverá ser o único no plantel do Sporting. Já no Benfica rezam as crónicas das agências que todos os jogadores fazem questão de querer ganhar menos. Alguns terão mesmo solicitado o pagamento em géneros, tal a vontade em fazer parte daquela instituição aduaneira

Mais nos informam da necessidade de contratação de duas dúzias de duplas de centrais, ora de marcação, ora de cobrição. Diz que o Jesus está descontente com algumas abébias cometidas, alegadamente, por jogadores pouco dados a interacções físicas de relevo. A seguir.

Dos quatro jogadores do Sporting que ajudam a selecção tsé-tsé, mais os seis que saíram da sua formação, temos muito poucas notícias, obviamente por dificuldades de comunicação. Também pouco se fala desta abertura gigantesca de mercado que apenas encerra no final de Agosto, sem contar com os outros mercados emergentes ou nem tanto. O que torna o defeso uma piada que ultrapassa, e muito, a designação de silly season. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A empatar todos os santos ajudam

O trocadilho não é brilhante. Estamos todos assim. O Santos nivelou os portugueses. Se se perguntar pela exibição do Ronaldo, todos dizem que foi um jogador esforçado, solidário e as tretas do costume. Se se perguntar o mesmo relativamente ao Eliseu, a resposta é a mesma. Não há diferenças. O Santos teve o mérito de nivelar todos os jogadores. Esqueci-me: falta o Renato Sanches (falta também o Pepe, mas a história é outra).

A “flash interview” final do Santos foi esclarecedora. Quando perguntado sobre a chamada ao banco do Renato Sanches e as orientações, informou-nos:” tínhamos combinado que o Nani pegava o dez, o Renato o cinco e o Adrien o oito, ficando o William com o sete ou o nove, conforme as necessidades. Era preciso que o Renato passasse a ficar com o oito, transitando o cinco para o Adrien” (não me lembro bem dos números, mas eram mais ou menos estes ou parecidos com a última chave premiada do Totoloto). Assim percebe-se melhor a razão dos jogadores andarem a correr atrás dos outros. É preciso que eles os passem primeiro para saberem o número da camisola.

Tudo estava pensado desde o início. As sofridas vitórias na fase de apuramento com golos nos últimos minutos. A sessão de pancadaria entre sérvios e albaneses que acabou, na prática, na eliminação da Sérvia. Os sucessivos empates na fase de grupo. Se jogarmos para o empate, ganhamos. Empatar é ganhar. É uma fezada. Não sabíamos que era assim, mas pode vir a ser assim. Nunca ganharemos a final do Campeonato Europeu, mas estou convencido que, por este andar, ainda a vamos empatar.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Laissez-faire

Já tinha partilhado anteriormente que a minha esotérica explicação para o golo de Portugal contra a Croácia assenta na teoria da mão invisível de Adam Smith, por ser um daqueles casos em que três jogadores, agindo no seu puro interesse individual acabaram por fazer o que era melhor para o coletivo.

Nani não estava numa boa posição para rematar, no entanto o que ele queria mesmo era marcar um golo. Como tal em vez de centrar mandou uma biqueirada na bola que foi parar redondinha aos pés do Ronaldo.
Este já sabemos, também age sempre no seu próprio interesse: apesar da melhor posição de Quaresma, Ronaldo não quer um lugar na história como rei das assistências e rematou à baliza. Perante a intervenção da mão bem visível do GR Croata a bola lá foi, não para o fundo das redes mas para a cabeça dum Quaresma que... simplesmente não devia estar ali.
Sendo o extremo de serviço Quaresma depois de recuperar a bola junto à linha devia ter-se mantido por lá, a dar "profundidade" ao ataque e nunca se deveria enfiar no meio dos colegas. Acontece que Quaresma queria mesmo era marcar, e disciplina táctica não é com ele; uma mão invisível empurrou-o para o lugar do ponta de lança que Santos teima em não usar.
Resultado final: uma batata lá dentro, exactamente o que era melhor para o colectivo.

Não sei se o caso é replicável. O que sei é que o Fernando Santos tem vindo a conseguir o feito notável de ter todos os seus jogadores com um desempenho no Euro abaixo do que eles conseguem nos seus clubes. Será que quando assim é podemos concluir que seria mais eficiente o Fernando Santos não fazer nada? Não sei, mas eu arriscava ver o resultado e por isso o meu desejo para amanhã é que o Fernando Santos adopte um modelo laissez-faire, que em futebol se deve traduzir num "deixa mas é os homens jogar à bola".

domingo, 26 de junho de 2016

O autocarro

Se o jogo fosse para o campeonato nacional, diríamos que a Selecção estacionou um autocarro à frente da baliza. Foi um autocarro com vários andares ou camadas, tal era a vontade de condicionar o jogo da Croácia em todos os momentos e em todos os locais do campo.

O Adrien entrou para condicionar o Modric e empurrar o jogo da Croácia para as laterais, onde se verificava um completo congestionamento face à concentração de jogadores da Selecção, que defendiam com dois laterais de cada lado. A bola não podia entrar pelo meio e, para além do Adrien andar atrás do Modric, o William Carvalho tinha a função de não deixar o Rakitic tocar na bola. Os laterais só tinham como função defender o melhor que podiam e sabiam. O João Mário e o André Gomes tinham de fechar as laterais. O Nani e o Ronaldo ficavam para uma bola que lhes chegasse aos trambolhões, tendo-se deslocado o Nani para fechar um das laterais numa fase mais adiantada do jogo. O Pepe e o Fonte eram os feios, porcos e maus, que tinham que arreganhar os dentes a qualquer avançado que pretendesse disputar uma bola na área. O Patrício ficava para os pontapés de baliza e para fazer outros chutões para frente quando lhe atrasassem a bola.

Não se pode analisar o desempenho dos jogadores sem se compreender o que lhes foi pedido. Foi-lhes pedido que condicionassem o jogo da Croácia e eliminassem os seus principais jogadores. As substituições de forma directa ou indirecta também foram determinadas por esse objectivo. Foi o que os jogadores fizeram. Não sou capaz de destacar nenhum. Todos fizeram bem o que lhes foi pedido.

O golo da Selecção nasce de um roubo de bola do Quaresma e de um excelente passe do Ronaldo para o Sanches. A partir daí, uma série de equívocos e disparates permitiu uma combinação có(s)mica que fez a bola entrar. O Sanches arranca com a bola cheio de força e velocidade e com a cabeça plena de hesitações. À conta de tanto hesitar, em vez de passar a bola em dado momento acaba por a levar até aos pés do Nani, que já estava parado e sem espaço para fazer nada. O Nani enfia uma biqueirada na bola para se ver livre dela. A bola ganha vida própria e vai ter com o Ronaldo que, em vez de a passar ao Quaresma, remata para boa defesa do guarda-redes. A bola volta a ganhar vida própria e vai ter com o Quaresma para a empurrar de cabeça para a baliza.

Tentar a partir deste lance e do resultado analisar os jogadores e a nossa Selecção é um disparate. Este lance revela, apesar de tudo, a crença dos nossos jogadores. O Sanches, o Nani, o Quaresma e o Ronaldo acreditaram que aquele podia ser o momento do jogo que tanto esperavam. De outra forma, quase aos 120 minutos, ninguém está disponível para semelhantes correrias.

Aparentemente, o Fernando Santos jogou com a sorte e ganhou. Um jogo empatado pode cair sempre para um dos lados. Pode ser através de uma trapalhada, como no nosso golo, ou através dos penalties. Admitindo que se continua a jogar para ao empate, condicionando exclusivamente o jogo do adversário, as probabilidades de se ganhar o Europeu são reduzidas. As probabilidades não são 50% para cada lado em cada jogo. Quem joga mais próximo da baliza do adversário tem mais probabilidades de ter sorte. A não ser que não se trate de uma questão de sorte mas de uma questão de fé. É que a fé também move montanhas.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Exactamente aquilo que se esperava

Como Sportinguista estou sempre pronto para que as coisas acabem por ser piores do que alguma vez se esperava. Pelo que vejo escrito neste blogue e nas caixas de comentários talvez não seja o único. Mas desta vez estava claramente enganado: o desempenho da selecção não está a ser pior do que se esperava, mas sim exactamente o que se esperava.

Comecemos pela parte mais subjetiva: as exibições. Como qualquer equipa de Fernando Santos os jogadores sofrem em campo. A todo o grande plano vemos olhares desesperados de quem não sabe muito bem o que está ali a fazer. A cada conversa entre jogadores percebemos que também nenhum sabe bem o que os outros andam ali a fazer. O resultado é um jogo conservador, individualista e sonolento. Não há surpresas neste campo.

Passemos então aos resultados. A UEFA inventou um esquema em que 2/3 dos terceiros lugares de grupos de 4 equipas passam à fase seguinte. Em futebol qualquer esquema que meta contas complicadas só pode ser feito à nossa medida, mesmo que o grupo seja o mais fácil possível. Foi isso mesmo que aconteceu.

Tentemos então perceber como nos qualificámos. Já todos sabíamos que o que faríamos no Euro dependia essencialmente de uma pessoa: Cristiano Ronaldo. Então como nos qualificámos? Se a resposta do leitor for "Cristiano Ronaldo" acertou, pois claro. No surprises.

Fernando Santos parece ter uma enorme qualidade: sorte. Muita sorte. Também aqui não houve surpresas. O emparelhamento que nos calhou para a fase do 'mata-mata' sugere que não chegar à final seria um falhanço quase tão grande como ficarmos no grupo atrás da Islândia e da Hungria. Ainda assim, sendo do Sporting, estou preparado para que as coisas corram muito pior do que se espera. Infelizmente acho que desta vez não me vou enganar.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O Ronaldo tirou-nos do buraco

A tática é a do 4x4x2, diz o Fernando Santos. Se ele o diz é porque deve ser. O que todos nós vimos contra a Hungria foi uma enorme trapalhada, com equívocos atrás de equívocos. Aliás, a trapalhada é tal que me custa criticar alguns jogadores. Muitos deles, mesmo não sendo brilhantes, estão a jogar pior do que sabem e podem. A defesa está sempre em permanente sobressalto. O meio-campo não anda nem trava ninguém. O ataque é o que sobra disto tudo e que o Nani e, especialmente, o Ronaldo vão aproveitando como podem.

O maior de todos os equívocos é o do Moutinho. Não defende, não ataca, não chega à frente, passa para o lado e para trás, isto é, não anda nem deixa andar. Mas o pior, o que releva a completa falta de noção do treinador, é continuar a vê-lo marcar cantos e livres. Irrita qualquer um. O Ronaldo às páginas tantas marcou um de forma rápida só para evitar o balão do costume para a molhada, antecedido de um olhar profundo como o de quem precisa de pensar antes de fazer e faz sempre o que pensa.

O Eliseu é mau. Todos sabíamos e, portanto, não é novidade. Dos outros tenho mais dúvidas. O André Gomes também faz que anda mas não anda. Porventura, anda na posição errada. Mas se é para andar onde anda é melhor arranjar outro que ande melhor. Este jogo era o pior para lançar o Renato Sanches. Jogo difícil, carregado de responsabilidades. Bastava falhar uma vez para se começar a enterrar. Só o vi jogar uma vez. Não tenho nenhuma opinião, nem boa, nem má. Não esteve bem, mas não foi só ele. Fez uma excelente jogada que acabou numa confusão entre o Ronaldo e o João Mário. Se a alternativa é entre ele e o Moutinho, então que jogue ele.

De repente, o Fernando Santos teve uma epifania. Ao meter o Quaresma fez deslocar o João Mário mais para o meio. O João Mário fez uma má primeira parte, mas, na segunda, até conseguiu que a equipa tivesse alguma organização. Rapidamente o Fernando Santos voltou à (a)normalidade, ao meter o Danilo e a exilá-lo novamente na ponta esquerda. Nunca mais se viu organização nenhuma.

Sem o Ronaldo tínhamos ficado por aqui. Metemo-nos dentro de um buraco três vez. Três vezes o Ronaldo nos foi de lá tirar. Primeiro, com um passe impressionante para desmarcação e remate impecável do Nani (também ajudou alguma coisa o guarda-redes adversário sofrer de ciática e de bicos de papagaio). Depois, com um golo de calcanhar, na melhor jogada do jogo, que fica para os youtube. Por fim, com uma cabeceamento que deverá passar a constar dos compêndios (também ajudou o centro tenso do Quaresmas; imagem se fosse o Moutinho centrar?!).

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Culpa é do Ronaldo

“A Culpa é do Ronaldo” é um programa da RTP1. Vi este fim-de-semana um pouco. Não pretendo ver muito mais. Seja como for, não é pior do que os intermináveis programas com os comentadores do costume (ia dizer do regime). Dizem-se coisas mais acertadas do que nesses programas sem que as pessoas que nele participam digam o acostumado chorrilho de banalidades com ar sério e levando-se a sério. Nos tempos que correm, uma bênção portanto.

O título é excelente. Sintetiza tudo o que se possa dizer sobre a nossa Seleção. O futebol são golos. Ganha-se com golos. Não se esperam golos de quem não os marca. O Nani marcou um e, de acordo com a sua média, não marcará mais nenhum. O Quaresma só marca golos extraordinários. Contra a Estónia esgotou-os. É estatisticamente inverosímil que os volte a marcar tão cedo. O Éder ou não marca golos ou só marca golos em jogos a brincar e, em média, um por cada vinte jogos. Dos outros não se espera golo nenhum. Ninguém em seu juízo perfeito tem muita fé nos golos que o João Mário, o André Gomes, o João Moutinho, o Renato Sanches, o William Carvalho ou o Rafa vão marcar. Se no campeonato com equipas da treta vêm-se e desejam-se para os marcar, não se vê como o possam fazer em jogos a sério contra equipas a sério.

Tudo se resume ao Ronaldo. Se o Ronaldo marcar, a Seleção pode ganhar jogos e ir longe na competição. Se não marcar, não há nada a fazer. Vimos mais cedo para casa. Se viermos mais cedo para casa, “a culpa é do Ronaldo”. Não é por ser o melhor do mundo ou se considerar o melhor do mundo e não passar cavaco (e a bola, de quando em vez) aos colegas. É porque as coisas são como são.

domingo, 19 de junho de 2016

A grande ilusão

Tenho evitado escrever sobre a selecção dos possíveis seleccionáveis da equipa de futebol sénior que representa Portugal no Europeu de França. Não é fácil, atendendo às inúmeras possibilidades que o tema coloca ao dispor do nosso divertimento. Nem vale a pena assinalar o folclore forçado que assinala a partida para uma nova competição, envolto num unanimismo colado com muita saliva e à força de muito engraxamento de chuteiras. Basta olhar de fora com discernimento para perceber que tudo não passa de uma ilusão à Luís de Matos cujas vozes ficam por conta do Fernando Pereira.

Quanto ao resto, e em abono da verdade, não é fácil ganhar à selecção portuguesa, da mesma forma que não é fácil perder com a selecção portuguesa. Basta alguma organização, concentração e pernas para que vos quero, para conseguir enervar os jogadores e desmontar a estratégia portuguesa baseada no vamos assustá-los com o Ronaldo e ameaçá-los com o ai vai ele Sanches não tarda a entrar e aí é que vão ser elas.

Quando começam os jogos a bola não bate certo com a programação futeboleira televisiva nem com as elaborações dos comentadores a soldo das agências de propaganda, nem sequer com qualquer ideia que tenha hipoteticamente germinado na cabeça do Fernando Santos. Apenas as camisolas são da mesma cor, tudo o resto é feito por encomenda ou ao sabor do momento. Na dúvida passa-se ao Cristiano. O Cristiano na dúvida passa a si próprio e anda por ali a estragar talento.

Ainda ontem (dia de jogo, note-se) um dos jornais desportivos cá do burgo fazia capa com o Sr. Mendes a aconchegar o menino Cristiano, o que é bem demonstrativo da importância do senhor na causa de todos nós, e igualmente bem demonstrativo da insignificância da bola a correr à flor da relva, como diria o Gabriel Alves. No meio disto tudo faz-se uma selecção do seleccionador que (supostamente) deve seleccionar os seleccionáveis devidamente assinalados por quem de direito. Os donos disto tudo vão marcando as tendências da moda. Quem somos nós para os contestar.

Ontem podíamos (e devíamos) ter ganho. Agora vamos ganhar à Hungria no limite do fora-de-jogo. Depois que venham as grandes selecções, aquelas que atacam e nos deixam espaços, de preferência, claro, a Inglaterra. Até os comemos, vão ver.

Nota: Grande vitória, em futsal (sem espinhas), sobre um Benfica trauliteiro quanto baste. Mais um campeonato, num grande exemplo de dedicação e glória. 


O Mendes pensa, o Santos sorna e a obra tarda a nascer

Mesmo com o tão discutido 4x4x2 havia uma série de supranumerários do meio-campo na convocatória e faltavam avançados. Hoje somos surpreendidos, ou talvez não, com a presença na equipa titular do Ronaldo, do Nani e do Quaresma. A lista dos supranumerários parece que vai engrossar. A gestão dos egos e dos estatutos assim o obriga.

Jogámos melhor mesmo assim. Com o William Carvalho, o meio-campo passou a jogar à bola. Não há nada melhor do que alguém naquela posição que saiba receber a bola, passá-la, sem ser sistematicamente para o lado e para trás, e mexer-se para assegurar linhas de passe para os colegas. A essa melhoria com bola somou-se uma melhoria também na pressão sobre os adversários e, sobretudo, na defesa, com duas grandes exibições do Ricardo Carvalho e do Raphael Guerreiro, tendo o Pepe melhorado relativamente ao jogo anterior.

No ataque continua tudo na mesma. Não há fogo nas botas. Fica-se sempre à espera que o Ronaldo decida tudo. É verdade que o Ronaldo decidiu que decide tudo. Mas também é verdade que os outros só dispõem de tiros de pólvora seca. Ninguém, no seu juízo perfeito, acredita que a Selecção possa chegar longe com golos do Moutinho, do André Gomes, do João Mário, do Quaresma, do Éder ou, mesmo, do Nani (marcou um e, de acordo com a média, neste europeu a coisa deve ficar por aqui).

Dois jogos, dois empates, no grupo mais fácil deste campeonato, de um dos candidatos ao título (segundo o Santos). Voltamos a fazer contas. Desta vez são mais complexas. Se a UEFA expulsar a Rússia, a Inglaterra, a Croácia e a Hungria por mau comportamento dos adeptos, até o empate pode chegar no último jogo. Estou com grandes esperanças nesta combinação có(s)mica.

Enfim, o Mendes pensa, o Santos sorna e, bem, a obra não há maneira de nascer. Nem sequer se sabe se é exactamente assim. Fica-se na dúvida. Não se sabe se esta é a obra ou ainda vai aparecer a verdadeira. Às tantas, como sempre, as coisas são o que parecem.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O sono comanda a vida

Não aconteceu nada que não esperássemos. Empatámos com uma espécie de Haiti do Campeonato Europeu. Um conjunto de pescadores reuniu-se e constituiu uma equipa. A Selecção foi escolhida por catálogo sem se perceber a equipa que daí iria emergir, embrulhando-se este “pim-pam-pum” numa conversa manhosa sobre um hipotético 4x4x2 que melhor partido tiraria das qualidades dos nossos jogadores.

Não há nada como os consensos antes dos jogos. Definitivamente o Danilo era melhor, muito melhor do que o William Carvalho. Dizia-se que com ele não passava nada, que de cabeça era tudo dele. Não foi inútil. Foi pior. Foi contraproducente. O homem não é um trinco. O homem é um tronco. Parado à frente dos centrais, invariavelmente lhes cortava as linhas de passe para as laterais ou, em progressão, obrigava-os a contorná-lo.

Com o golo da Islândia, entrámos em modo de desespero. Como previa, o Plano B é o do entra o “Renato aí vai ele Sanches”. Esgotado esse efeito em pouco tempo, passou-se à fase do “é melhor meter o Quaresma, pode ser que saque uma trivela” (não percebo nada disto, mas bem me parecia que a decisão de o não substituir no jogo contra a Estónia ainda ia acabar mal, dado que o rapaz não vai para novo). Para se concluir, à boa maneira de um treinador português, mete-se um ponta-de-lança para se cumprir a táctica celebrada pelo Cajuda de “meter a carne toda no assador”. Mas é preciso meter a carne. Meter os ossos não chega.

O Fernando Santos é um António Gedeão às avessas. Com ele, o sono comanda a vida. Às vezes adormece-se o adversário para o apanhar a dormir. Outras vezes, adormecemo-nos e somos apanhados a dormir.

Prognósticos antes do jogo

O Campeonato Europeu está transformado na Copa América, com inconveniente de não podermos ouvir os comentários do Dani sobre o perfume do futebol do Haiti ou da Jamaica. É apurado um sem-número de equipas para a fase final. As probabilidades de a Selecção Nacional ficar na fase de grupo são reduzidas. Sendo assim, não se vai sair mal. Também não se vai sair bem. Como de costume, vai-se sair assim-assim e no final o Ronaldo decide se fica este treinador ou se se arranja outro.

Antes de começar a bola a rolar, as expectativas sobem. Vou ouvindo aqui e ali as análises que se vão fazendo. É tudo consensual. A convocatória parece o resultado de uma votação de um qualquer “reality show”. O Fernando Santos escolheu aqueles em que os portugueses votariam se lhes dessem oportunidade para tal. O Presidente da República e o Primeiro-Ministro abençoaram-nos e, não fosse a laicidade do Estado, até o Cardeal Patriarca faria o mesmo. Em Portugal, não há margem para a dissidência. É a história da vidinha, que cada um tem de ganhar a sua.

Teria preferido uma escolha em função de um modelo de jogo e de alternativas. Temos uma série de jogadores repetidos para o meio-campo. Em contrapartida, não temos jogadores para o ataque e os que temos sofrem de gota e de outras maleitas que a idade se vai encarregando de arranjar, para além de não aguentarem um jogo todo a não ser a arrastar-se na fase final. Face a essas dificuldades, o potencialmente imprevisto passa a previsível.

O Quaresma lesionou-se. Nada de anormal. Joga o Nani. Se se lesiona o Nani ou se arrebenta, como de costume, após meia dúzia de corridas, não se sabe quem entra. O Éder não conta ou pelo menos não conta para o tal 4x4x2 sobre o qual anda toda a gente a falar mas sem ninguém perceber muito bem de que modelo de jogo se trata (o Sporting também joga em 4x4x2 e não me parece que seja a mesma coisa). O Rafa é um supranumerário. Não sendo carne nem peixe, é uma alternativa a si próprio.

 A Selecção devia ter mais um avançado, mais novo de preferência. Para entrar, substituindo uma das nossas velhas glórias ou para mexer com o jogo se fosse necessário. Para isso ou ia menos um dos jogadores de meio-campo repetidos ou ia menos uma central, sendo muito provável que nenhum deles aguente a competição até ao fim, contando-se com o Danilo para essa posição também. Pelos vistos, o Plano B para todas as situações é o Renato Sanches, seja para jogar em que posição for. Se resultou no Benfica também resulta na Selecção, deve ser o raciocínio dos comentadores que vou ouvindo e o que está na cabeça do Fernando Santos.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Voltar a dar ao gatilho

Há muito que não dava ao gatilho. Estava com saudades, confesso. Não havendo jogos do Sporting a motivação não é muita. Um jogo da Selecção ou da Copa América não é mesma coisa. Hoje, a muito custo, decidi ver o jogo da Selecção.

Não sei se no Campeonato da Europa também vamos jogar com a Estónia. Se assim for, então está tudo bem. Se assim não for, tenho mais dúvidas. É que todos os jogadores de Selecção pareciam bons. Até o Éder.

O jogo foi o Quaresma. Quaresma marca, Quaresma assiste, Quaresma finta, Quaresma centra, Quaresma de trivela, Quaresma de letra. Apesar de tudo e por muito que me custe tenho de valorizar o Fernando Santos. O Paulo Bento não o convocava porque nem sempre fazia o que lhe pediam, é imprevisível (ou maluco da cabeça, como se quiser), tinha a mania de querer resolver os jogos ou colocava em causa as primas-donas. Nunca se lembrou de analisar as suas qualidades futebolísticas e tão-só.

Finalmente consegui perceber a utilidade do Pedro Abrunhosa como compositor musical. A música e especialmente as suas letras dão uns hinos bestiais para a bola.

domingo, 5 de junho de 2016

O estado da corporação

O ABC ganhou o campeonato de Andebol. Parabéns ao ABC. No entanto, cheira-me que alguns dos seus adeptos ficariam satisfeitos fosse qual fosse o desfecho da final. Para a história fica o adiamento deste último jogo por suposto não envio de bilhetes para o Benfica. Ora esse (suposto) não envio de bilhetes já havia acontecido nas meias-finais com o Sporting sem direito a qualquer adiamento por linhas tortas (isto para não falarmos dos casos de arbitragem).

Se quisermos fazer a ponte para um jogo com patins e sticks verificamos que a polémica da cedência de bilhetes só teve eco quando foi o Sporting a (tentar) fazê-lo, como resposta, aliás, a uma acção anterior do Benfica, que se havia recusado a enviar bilhetes para Alvalade, passada completamente despercebida.

Esta semana ficamos a saber que a acção judicial imposta pelo Benfica a Jorge Jesus não passa de uma charada para entreter adeptos mais incautos. Grande parte da (eventual) prova foi sendo sacudida de notícias de jornais e de conversas de especialistas de café. Note-se que o resultado foi o pretendido: criar ruído suficiente para esconder a surpresa (?) pela saída do treinador para o Sporting, treinador esse, que tinha os dias contado na Luz, com via de marcha para o Dubai, ou coisa parecida. Resultando ainda na intoxicação da opinião pública, benfiquista e não só, coadjuvada por uma série de acções, judiciais e circenses, contra o Sporting.

Como é que tudo isto foi possível? Alguns asseguram a existência de um estado lampiânico. Creio que a resposta é mais simples, estando alicerçada na velha tradição corporativista portuguesa, tradição essa, que já teve, inclusive, estatuto legal em sede de código civil, por exemplo, durante o Estado Novo. Essa grande corporação que vem sendo urdida desde o tempo da velha senhora, foi ganhando novo élan durante a batalha da fruta cujo apito pariu um rato. Aparentemente apenas um rato, mas com consequências que se estendem até aos dias de hoje. Não é por acaso que o dragão anda com catarro, cuspindo fogo por outros locais que não o habitual.

Feito o caminho, as mãozinhas (tentáculos é só em Itália) chegam a todo o lado: jornais, televisão, quiosques, feiras do porco preto, e algumas juntas de freguesia, passando pela sede da FPF e da liga dos últimos. No meio disto tudo, vão passando despercebidos alguns pormenores, vouchers, passivo, falências técnicas. Está tudo bem: o aí vai ele Sanches fez mais uma exibição de encher o olho na selecção (o jornal a bola até considera mudar o seu nome para A Bola do Sanches) assegurando-nos mais uma vitória moral e, finalmente, o Slimani foi castigado, após ter sido vendido umas vinte vezes na última semana.