segunda-feira, 2 de março de 2015

A gestão da equipa

Na época passada, o Leonardo Jardim pegou nos cacos que lhe tinha deixado e construiu uma equipa. Inventou jogadores, como o William Carvalho, ensinou a equipa a defender (de repente, o Maurício e o Rojo pareciam muito melhores do que eram) e cultivou o cinismo.

Por muito bem arranjadinha que a equipa estivesse, o plantel era curto. O abaixamento de forma de um ou outro jogador e os castigos deixavam-nos à beira do inconseguimento, como diria a nossa Presidente da Assembleia da República. À falta de melhor, até o Magrão e o Vítor entravam nas contas.

O Leonardo Jardim foi-se embora e deixou-nos um onze base formado. O Marco Silva, que não tem nada de estúpido, aproveitou. Entretanto, fizeram-se umas tantas contratações de qualidade duvidosa. A maior parte, eram mais jovens promessas do que jogadores feitos. As alternativas ao onze base não continuavam a ser muitas. Pelo caminho, o centro da defesa desfez-se e foi preciso inventar outro.

Com o Marco Silva a equipa joga melhor, mas desgasta-se mais. A este desgaste, resultante do modelo de jogo adotado, junta-se o que resulta da participação nas competições europeias e de uma participação na Taça de Portugal mais bem-sucedida. Impunha-se ir encontrando alternativas ao onze base para gerir melhor os momentos de forma e os castigos.

É verdade que as contratações não foram um primor. Não existem alternativas aos magotes. Mas há algumas: o Wallyson, o Gauld, o Geraldes, o Tanaka, o Miguel Lopes (pior que o Jonathan não faria de certeza absoluta), o André Martins. O Marco Silva não tem grandes alternativas, não tem jogadores para um plano B. Mas tem algumas, que permitiriam gerir melhor a equipa.

domingo, 1 de março de 2015

Colapso

Perdeu-se este jogo contra o Porto muito antes de se ter iniciado. O que esperava aconteceu: a equipa estoirou fisicamente. Quando não há rotatividade na equipa e se joga contra o Wolfsburg, um jogo a feijões, como se se estivesse a jogar uma final, cerca de setenta e duas horas depois não se pode esperar muito. Faltou definição de prioridades e, portanto, faltou planeamento.

Tirando o William Carvalho e o João Mário, que também estoirou na segunda parte, do meio-campo para a frente estava tudo morto. Quase todos por cansaço; o Montero porque já entra morto para dentro de campo. Os laterais não estavam melhor. O Cédric, que passou o jogo todo contra o Wolfsburg, a fazer sprints atrás de sprints, hoje nem se conseguia mexer. O Jonathan não se consegue mexer sejam quais forem as circunstâncias. Reage sempre tarde e a más horas, não consegue mudar de velocidade e, cerca da meia hora, bastava olhar-lhe para a cara para se ver que estava em risco de apoplexia. Aliás, a única dúvida é se era ele ou o Adrien a cair fulminado no campo primeiro.

Ainda aguentámos vinte minutos a pressionar o ponto mais fraco do Porto, que é a saída de bola da defesa para o ataque. Alguns daqueles rapazes são uns autênticos passarinhos. É só esperar que façam asneira. Ainda fizeram uma ou duas. Mas, a partir desses vinte minutos, deixámos simplesmente de ter qualquer tipo de capacidade de pressionar a saída da bola.

A diferença de velocidade e de ritmo de jogo era por demais evidente. Ninguém ganhava um ressalto, uma bola dividida. O Porto, mal ganhava a bola, tinha autênticas avenidas para correr com ela. Foram três, mas podiam ter sido mais. A rapaziada do Porto ainda foi dada a cerimónias. 

Agora vem a meia-final da Taça de Portugal. Voltamos a jogar cerca de setenta e duas horas depois de mais um jogo difícil e intenso. A equipa, que não estava bem fisicamente, ainda piorou animicamente. O Marco Silva corre o risco de deitar a perder toda uma época em menos de uma semana.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Um jogo entretido

O Quinito, um treinador célebre há uns anos, quando não tinha nada a dizer sobre um jogo dizia que ele tinha sido entretido. O jogo contra o Wolfsburg foi um destes jogos. Perdeu-se a eliminatória na primeira mão. As eliminatórias têm duas mãos. É sempre necessário jogar a segunda. É necessário jogá-la representando cada equipa o papel que lhe compete.

Ao Sporting competia-lhe atacar e atacou. Ao Wolfsburg competia-lhe defender e defendeu. Quem tinha de defender defendeu melhor do que quem atacou e tinha de atacar. A sorte o guarda-redes, a falta de eficácia e por aí fora fazem parte do jogo. Assim, o resultado foi um empate.

Dito isto, vamos ao jogo. Foi um bom jogo. A equipa está a defender melhor. Ataca, porventura não ataca tanto como atacava, mas não se expõe tanto defensivamente. Os centrais estão a cumprir muito acima das melhores expetativas. O William Carvalho está cada vez melhor. Continua a acertar mas a acertar jogando mais depressa e arriscando mais passes verticais. O Tanaka deu boa conta de si. Falhou umas tantas oportunidades, mas estava lá e, pelo caminho, teve algum azar. Gostei da dupla que fez por momentos com o Slimani.

O árbitro deixou jogar. As equipas rapidamente perceberam que tinham de jogar à bola e deixar-se de tretas. O jogo foi intenso. Houve oportunidades. Foi pena não termos marcado pelo menos um para dar uma maior emoção ao jogo. Enfim, como dizia o Quinito, foi um jogo entretido.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

He’s back

O Nani está de volta. Deu-se mais ao jogo. Movimentou-se mais. Testou a pontaria num livre para grande defesa do guarda-redes. As medidas à baliza estavam tiradas para o melhor golo da época seguramente. Ajeitou a bola com a cabeça, deixou-a cair no chão e, quando ressaltou, aplicou-lhe um remate com o pé esquerdo que a fez descrever uma das parábolas mais belas da história e entrar, sem defesa, no ângulo superior direito da baliza. Nem nos meus tempos de artilheiro, em Vendas Novas e Leiria, assisti a um exercício de balística daquele nível.

 O Gil Vicente não é grande adversário. Aliás, como muitas outras equipas portugueses, foi para dentro de campo sem outro objetivo que não fosse deixar correr o tempo. Colocou um grandalhão na frente e chamou a isso ataque. Devem ter contado, e bem – como se viu-, com o árbitro. Foi ele o autor da única jogada de perigo. Os comentadores das SportTv estiveram geniais quando decidiram efetuar uma consulta na internet para encontrar uma justificação para tamanho disparate.

Nestes jogos, como costumo dizer, não se pode dar descanso à defesa. Para isso, joga-se com dois pontas-de-lança. Mesmo assim, a colocação do Tanaka a ponta-de-lança foi um avanço. O golo é sintomático disto. A bola sobrou para o sítio certo e o japonês empurrou-a para a baliza com a parte do corpo que tinha mais à mão. Ganhou-se em eficácia, embora se tivesse perdido em nota artística. Agora um golo é sempre um golo e é melhor um golo banal do que um falhanço cheio de técnica e souplesse.

Na primeira parte não estivemos mal, mas há demasiados toques na bola para poucas oportunidades. Uma ou outra e muitas cócegas na defesa. Na segunda parte as coisas não pareciam melhorar. O André Martins que não tinha jogado mal na primeira parte estava a piorar na segunda. O golo resolveu o que o Marco Silva se preparava para ensarilhar. Ou muito me engano ou preparava-se para tirar o Tanaka e meter o Montero.

Com o primeiro golo e, depois, com o segundo o jogo acabou. Acabou e acabou bem. Contrariamente ao verificado noutros jogos, conseguimos controlar o jogo. O João Mário e o William Carvalho dedicaram-se a jogar ao meio com os adversários. O João Mário está condenado a jogar no lugar do Adrien a continuar assim.

Ganhámos. Não deve servir de muito. A arbitragem continua brilhante. Para além da jogada notável que proporcionou a única situação de perigo do Gil Vicente, ficou um penalty por marcar e um tal Semedo, que passou o tempo todo a disputar os lances à marretada, conseguiu acabar o jogo. Em Moreira de Cónegos aconteceu mais do mesmo. Naquelas circunstâncias, como estava a jogar o Benfica, o Sporting jamais ganharia o jogo. Alguém se encarrega sempre de resolver o que parece não ter solução. Vão variando, mas são sempre os mesmos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Facto incontornável

Os jogos que não vejo são aqueles de que mais gosto de falar. Pode-se dizer o que se quiser sem se ficar amarrado praticamente aos factos. Só não podemos contornar o único facto incontornável: o resultado.

Perdemos e isso não é bom. Tendo perdido, perdemos por dois a zero. É pior do que perder por um a zero ou por dois a um. Agora, também é melhor do que perder por três a zero, por exemplo. Ver este facto por vários ângulos de análise dá-nos uma perspetiva mais correta. Era possível pior. Logo, não foi mau.

O Wolfsburg é uma grande equipa. Deu uma abada ao Bayern há dias. Ora, se deu uma abada ao Bayer, supunha-se que nos desse uma abada ainda maior. Não deu. Resta-nos, em casa, fazer um resultado simpático que nos leve a sair desta aventura europeia de cabeça levantada, como se costuma dizer.

Estas competições europeias servem para ganhar umas coroas, a Liga Europa nem isso, e entreter a malta durante a semana (embora muitos de nós só tenhamos tempo para ver jogos ao fim-de-semana). Agora, têm o defeito de distrair os jogadores do essencial. O essencial é o Campeonato e a Taça de Portugal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Rescaldo

Há umas frases feitas que servem para estas situações. Na segunda-feira toda a gente a acerta no Totoloto. Os prognósticos fazem-se no fim dos jogos. Podíamos estar aqui até amanhã.

Mais irritante do que jogo contra o Belenenses foram os comentários e as análises depois dele. O Sporting não jogou a ponta de um corno. Daqui não resulta que o Belenenses tenha jogado bem ou sequer que o Sporting tenha jogado mal por qualquer ação do Belenenses. O Belenenses é uma daquelas (muitas) equipas portuguesas que entra para o campo a ver o que o jogo dá. Não tem objetivos. Vai defendo como pode, manda umas biqueiradas para a frente, deixa o tempo passar e acredita num milagre.

O Sporting revelou as mesmas dificuldades do jogo contra a Académica, sobretudo na primeira parte. Muita posse de bola, muitos passes para o lado e para trás e umas brincadeiras de um ou outro jogador. Oportunidades é que nem vê-las. O Belenenses ainda nos ofereceu uma. Mas, mesmo assim, água.

É irrelevante se apostamos mais no jogo interior ou pelas laterais quando andamos a trocar a bola a quarenta metros da baliza adversária. É preciso atacar a baliza adversária. Só depois de se decidir isso é que se decide de que forma se faz. Não vale a pena o Montero estar sempre a recuar para cima dos médios, ficando sempre os defesas de frente para a bola e não entrando ninguém nas costas. Depois é necessário ter o “timing” certo para se chegar à área, com as desmarcações certas e as alternativas devidas. Centrar para a área não é atirar a bola para a molhada. É na mesma passar a bola para o colega mais bem posicionada. Por fim, é necessário ter fogo nas botas. Entrar às bolas, disputá-las com os defesas e querer marcar golos nem que seja com a barriga.

Na segunda parte, o Marco Silva quis dar mais profundidade ao jogo. O Montero não se mexia. Entrou o Tanaka. Percebe-se, embora também se percebesse se ficassem os dois. Saiu o João Mário para entrar o Mané. Aí as coisas percebem-se menos. Com o Adrien em campo jogamos com menos um.

O jogo, que não estava bonito, ficou uma porcaria. A verdade é que o Belenenses não criou uma oportunidade de golo. Atribuir algum mérito ao Belenenses no jogo é dar mérito às equipas que jogam com onze jogadores e que vestem equipamentos diferentes do adversário. Com dez e continuando a não jogar nada, empurrámos o Belenenses para defesa, que nunca mais de lá saiu. Mesmo no fim, entrou em ação o melhor jogador do Sporting: o poste. Naquele jogo dificilmente outro jogador faria um passe tão decisivo para o Mané.

O treinador analisou bem a situação ao intervalo. Sem profundidade atacante, não há espaço. É escusado andar a jogar ao meio. A mudança não resultou como desejava. Agora, não substituiu, e bem, o Patrício e o Patrício foi o jogador mais decisivo do Belenenses.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O ridículo mata

O golo que sofremos foi ridículo. O autogolo que o Patrício ia fazendo foi ridículo. O ataque com o Montero é ridículo. Contra uma equipa ridícula como o Belenenses, só sendo ridículos é que não ganharíamos o jogo.

O Belenenses é daquelas equipas que entra para dentro de campo para tudo menos para jogar futebol. Não sai com uma bola. Limita-se a umas biqueiradas para a frente à espera que num ressalto ou noutro acidente qualquer possa fazer um ataque. Entrega a bola ao adversário por não ter qualquer interesse em dispor dela. Vai perdendo tempo sempre que pode, seja num lançamento, num pontapé de baliza ou nas inúmeras lesões que os jogadores vão sofrendo.

Perante isto, o Sporting entrou naquele sistema em que faz de conta que tem o controlo de jogo, mas em que falta profundidade e agressividade ao ataque. O Montero está lá para recuar para ao meio com os seus colegas. É um jogo conhecido: quem perde a bola fica a correr atrás dela. O objetivo é simplesmente não perder a bola. A baliza, esse objeto distante, nada interessa. O que interessa é não perder a bola e jogar em souplesse. A coisa está de tal maneira que não disputa uma única bola dentro da área e não chuta para a baliza a não ser que estejam reunidas as condições para o fazer em grande estilo.

Assim estivemos toda a primeira parte. O Belenenses ainda nos ofereceu um golo, mas o Montero, em vez de fintar o guarda-redes que já estava sentado, resolveu tentar marcar um golo em grande estilo com uma trivela à Quaresma.

Na segunda parte o treinador fez o óbvio. Meteu os dois únicos jogadores que revelam alguma vontade em dar profundidade ao jogo, de se desmarcar e de rematar. Passou a haver mais espaço no meio-campo e o jogo ficou mais partido. O Patrício tentou dar um frango e logo ali se viu que aquilo não acabava sem ele dar mesmo um frango.

Dado o frango, tivemos um pouco mais de vontade, mas não muita. O Nani fez o favor de aparecer mais um bocadinho. O treinador meteu o Capel para fazer de conta que estava a fazer alguma coisa. O Cédric fez o favor de arranjar maneira de ser expulso. No último momento e depois de um lance ridículo do Belenenses acabámos por marcar o empate.

Os centrais não estiveram mal. Ninguém tem culpa de o Patrício ter jogado com o cérebro parado. O Jéfferson tentou e mais não conseguiu porque na área não mora ninguém. O Cédric esteve horrível. O William Carvalho fez um bom jogo. O Adrien continua a mais. Ninguém percebeu a razão para ter concluído o jogo. O Nani esteve perdido em parte incerta. O Carrillo tentou, mas não há ninguém no ataque para o acompanhar. O João Mário não esteve pior do que o Adrien. O Capel entrou para que não restem dúvidas que não temos alternativas no banco. Em síntese, sem o Slimani, o nosso ataque é ridículo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Ainda sobre o jogo de Domingo

Já é habitual no mundo do futebol cada jogo ter duas partes. O que não é tão comum é ser uma parte de 87 minutos e outra de 7. Foi o caso de Domingo.

Na primeira parte, a tal de 87 minutos o Sporting fez um jogo quase perfeito. Contra um adversário "teoricamente mais forte" e que procurava jogar unicamente no erro, sem nada arriscar, e nos nervos, jogando com todas as demoras e pedidos de assistência que conseguia imaginar, fizemos uma exibição paciente e confiante. Ainda assim, entre cantos, livres e cruzamentos as oportunidades não eram muitas e parecíamos empenhados em desperdiçar o pouco que aparecia. Milhares de Sportinguistas a pensar no que já aqui foi dito tantas vezes: jogar só com Montero na frente é dar descanso aos adversários que usam a táctica do autocarro (ou as suas variantes, como foi o caso). O golo quando surgiu premiava mais a persistência que propriamente a intensidade, mas há que dar grande mérito a Marco Silva não tanto por adivinhar a forma como o Benfica ia jogar, mas por conseguir controlar o jogo como controlou. A estratégia do "melhor treinador do mundo" tinha sido completamente manietada.

Depois veio a 2a parte, a tal dos 7 minutos. Aqui mais uma vez emergiu um dos nossos pontos fracos. Sem capacidade para segurar a bola, sem "manha" para retardar todos os lançamentos, sem "arte" para jogar pontapé para a frente, sem "experiência" para o Rui Patrício se lesionar no dedo mindinho ou para criar um "sururu" à moda do Porto. O "melhor treinador do mundo" vestiu então a pele de Paulo Sérgio e meteu tudo o que tinha. Tal como em Coimbra, Marco Silva não soube transmitir a calma necessária para contrariar este tipo de táctica e um pinheiro qualquer lá aliviou uma bola que acabou no fundo das nossas redes e nos roubou dois pontos. Mais um capítulo de uma história já conhecida.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ver o jogo de pernas para o ar

O Benfica veio a Alvalade para não perder. Veio assim porque teve receio da qualidade do adversário e desconfia das qualidades próprias. Não acredito que o Jorge Jesus tenha dito aos seus jogadores para, quando tivessem a bola, não atacarem.

O que aconteceu foi que não conseguiram. Por mérito dos jogadores do Sporting, mas, sobretudo, pela falta de qualidade dos jogadores do Benfica. Aquela dupla Samaris – André Almeida é horrenda. Com o Sálvio tapado e sem grandes subidas dos laterais, ninguém sabia o que fazer à bola quando dela dispunha. O Enzo faz muita falta àquele meio-campo.

O Benfica foi realista na forma como abordou o jogo. Sabe que, hoje, dispõe de jogadores medianos em muitas das principais posições. No meio-campo, ninguém troca nenhum dos jogadores do Sporting pela dupla de pernetas do Benfica. Só o treinador e o colo do costume é que vão disfarçando o óbvio.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

É assim a vida...

Qualquer sportinguista que se preze sabe que muitas histórias acabam assim. Já as vimos acabar assim várias vezes. Foi a meio minuto do jogo acabar. Dificilmente podia ter sido pior.

O Benfica não quis perder o jogo. Subiu a defesa e encostou-a ao meio campo. Os avançados preocuparam-se mais em dificultar a saída da bola do Sporting do que propriamente em procurar o golo. Os espaços eram inexistentes.

O Sporting quis ganhar o jogo, mas não quis arriscar. Teve sempre mais bola e trocou-a melhor. Na segunda parte dominou totalmente. Carregou como pôde. Foi intensificando o seu jogo. Parecia que o golo podia acontecer e aconteceu. O Samaris esteve deslumbrante na desmarcação do João Mário. O João Mário foi por ali fora a correr aos tropeções e ainda conseguiu rematar para um boa defesa do Artur, ressalto e o Jéfferson a metê-la redondinha lá dentro.

A três minutos do fim o jogo devia ter acabado. No entanto, a esta equipa do Sporting falta-lhe capacidade para congelar o jogo. A bola parecia queimar no último minuto. Os jogadores do Sporting chegaram a ter a bola várias vezes. Num desses lances, o William Carvalho dá de cabeça para o Adrien que deixa sair a bola pela lateral. Lançamento lateral e corte da defesa. Biqueirada, a defesa reage tarde, carambola dentro da área e remate para o golo do Jardel com o pé que tinha mais á mão.

Há várias razões para não estar contente. Mas a principal razão nem sequer é o empate em si mesmo. Sem o golo a acabar e com o golo do Sporting a resultar de um passe extraordinário do Samaris, sempre podíamos responder ao João Gobern: o Sporting teria ganhado não por um alinhamento cósmico, mas por um alinhamento cómico.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O jogo

Amanhã, contra o Benfica, não se disputa um jogo. Disputa-se o jogo. Os restantes jogos do campeonato só servem para nos habilitar a jogar este jogo, o jogo. Aliás, só existe campeonato para que este jogo, o jogo, se possa disputar.

Não existiria o Sporting como hoje existe sem o Benfica. Não existiria o Benfica como hoje existe sem o Sporting. É a história de Caim e Abel, em que cada um se sente Abel e disposto a transformar-se em Caim se necessário.

Amanhã a vitória conta a dobrar. É a vitória do Sporting e a derrota do Benfica. Sempre assim foi e sempre assim será. Não interessa quem joga. Só interessa a história. Que os jogadores sejam dignos desta história que nunca irá acabar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Injustiças

Cometemos muitas injustiças no julgamento dos nossos jogadores. O André Martins constitui o meu ódio de estimação. Estou como o cão do Pavlov, mal o rapaz toca na bola começo logo a salivar furioso. Até o corte de cabelo me irrita.

O que caso mais recente é o do Mané. Parece que corre primeiro e pensa depois. Parece que não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. De repente, transformou-se no patinho feio dos adeptos. Ofensa das ofensas, já havia quem o comparasse ao Djaló.

É intermitente. Aparece e desaparece dos jogos. Faz jogos bons e outros horríveis. No entanto, tem sido por diversas vezes decisivo. Marcou golos decisivos e, no último jogo, ofereceu dois golos, ao Montero e ao Carrilo, fazendo dois passes para o sítio certo e no momento certo, respeitando as desmarcações dos colegas.

Isto para dizer que, numa equipa, todos os jogadores são úteis. Nem todos são o Nani, que raramente faz um mau jogo, se é que até agora fez algum. Mas devemos contar com todos. Cada um à sua maneira, acrescenta sempre alguma coisa à equipa. Se mais não fizesse, o golo em Braga tinha justificado por si só a contratação do Tanaka.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O regresso do cometa Halley

“Só um alinhamento cósmico fora do normal, é que irá possibilitar ao Sporting ganhar ao Benfica”, diz o João Gobern (rapinei esta frase na Tasca do Cherba). Ontem, também ficámos a saber pelo Jorge Mendes que o país é pequeno demais para a grandeza do Jorge Jesus. O Jorge Jesus confirmou. 

Está tudo dito. No próximo fim-de-semana vamos ser remetidos à nossa insignificância. Só temos de garantir que a cobertura do estádio não se desfaz. Os jogadores e o treinador do Benfica farão o resto. Só o regresso antecipado do cometa Halley nos pode salvar.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Em Arouca e sem o Slimani

Temia o pior. O jogo contra a Académica não foi brilhante. As estrelas estavam todas alinhadas para os nossos adversários recuperarem no campo do Arouca o que tinham perdido na jornada anterior. Faltavam o Nani e o Jéfferson, dois jogadores importantes. Faltava o Slimani, o salvador da época passada.

Os receios tinham razão de ser. O campo estava pesado. A bola não andava. O Arouca jogou ao seu melhor estilo. Biqueirada para a frente e fé num ressalto. Às tantas parecia ping-pong. O meio-campo não tinha bola. O Cédric via-se e desejava-se para aturar um tal de Kayembe. O Paulo Oliveira parecia meio desorientado.

Estavam as coisas meias ensarilhadas quando o árbitro começou a entrar em ação. Não marcou falta sobre o Jonathan e permitiu um contra-ataque perigoso. Depois, bem depois marcou um penalty dos modernos. Bola no braço. O jogador nem para a bola estava a olhar. Às vezes é, outras não é; sempre à vontade do freguês.

Depois do golo, as coisas não pareciam melhorar. Só que, numa grande jogada pela direita, o Mané deixa o Montero isolado que não falha. Volta tudo à casa de partida.

Na segunda-parte parecia tudo mais do mesmo. Metade do banco fazia exercício de aquecimento. Era preciso mudar alguma coisa. Não se percebia quem nem para quê. O nosso banco não é propriamente um luxo de opções. Até que o árbitro tem a única intervenção favorável ao Sporting. Atrapalha-se e intercepta, sem querer, um passe dos jogadores do Arouca, bola metida para a entrada da área para o João Mário que a mete redondinha para o Mané e este, de primeira, mete-a para o Carrillo fazer um passe para a baliza. Tudo de primeira e no tempo certo.

Mas o jogo estava longe de estar resolvido. O Adrien e o Jonathan estavam com falta de ar. Era só esperar um pouco até um deles fazer uma asneira. O árbitro ia marcando faltas e faltinhas contra nós. Biqueirada atrás de biqueirada para dentro da nossa área. A equipa defendia como podia esses lances, não dando uma abébia. Até que entra o Iuri Medeiros. Os comentadores estavam exultantes. Não só entrava como levava um bilhete para dar a um colega e revolucionar todo o jogo do Arouca. Nada disso. O bilhete dizia somente: “Atenção! O Tobias Figueiredo vai saltar ao primeiro poste e marcar”. O Iuri não chegou com o bilhete a tempo.

Com o três a um o jogo acabou. Só não acabou para o árbitro. O Jonathan é expulso. O Inácio também. Ninguém compreende por que razão nenhum jogador ou elemento do banco do Arouca também não é castigado. Coisas que estamos habituados.

No final, o jogo pareceu mais fácil do que foi e do que se previa. É verdade que o Rui Patrício não fez uma defesa. É verdade que o André Martins ainda fez o favor de falhar um golo certo. Mas também é verdade que marcámos praticamente todas as oportunidades que criámos, ao contrário do costume.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O alinhamento das estrelas

Terminada a Taça da Liga, voltamos ao que interessa. Na jornada passada, ganhámos em todos os campos dos nossos principais adversários: Benfica, Porto, Braga e Guimarães. Na prática, estes quatro clubes, especialmente o Porto e o Benfica, é que (co)mandam o futebol português. Há, assim, um alinhamento de incentivos para recuperarem no jogo contra o Arouca o que perderam na jornada passada.

O jogo contra o Benfica começa com o Arouca; que ninguém tenha dúvidas. É a primeira parte, com a desvantagem de não podermos chegar ao intervalo empatados. Com exceção dos sportinguistas, ninguém está interessado em que tenhamos a possibilidade de disputar no jogo contra o Benfica as (poucas) hipóteses que ainda temos de ganhar o campeonato. Vai ser precisa muita coragem e uma enorme vontade de ganhar, desde o primeiro minuto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A cereja



Já ia a fanfarra no adro acompanhada pela ululante multidão de engravatados. O fogueteiro já ultimava o arsenal. As bifanas estavam no ponto. Nas rádios, tv´s e jornais ganhava dimensão a sempre esperada onda de unanimismo irracional. Já se havia começado até o enterro dos vencidos e se começara a estender o tapete vermelho próprio destas ocasiões. Naturalmente, a habitual euforia dava lugar nas últimas horas ao histerismo incontrolado. Não se calavam já as emoções, bastava esperar.
E eis que… o Syriza ganha as eleições! A Syriza no topo do bolo!
Sim, pensavam que se estava a falar de quê?

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cumprimos, mas não foi bom

Este é o tipo de jogo que detesto. Começa por ser um jogo para cumprir calendário. O adversário é fraco e vem jogar para o pontinho da praxe. Mete-se todo lá atrás. Monta todos os autocarros que pode e faz todo o anti-jogo que a habitual complacência dos árbitros permite.

Os jogadores do Sporting começam por se deslumbrar. Parece haver muito espaço para jogar. Engano redondo. Há espaço até à entrada da área. Dentro dela não há um centímetro quadrado livre. O adversário joga com dois defesas laterais de cada lado. O Carrillo e o Nani começam a ficar bloqueados.

É preciso marcar cedo para desbloquear estes jogos. De outra forma, o adversário ganha moral. O Montero falha um golo cantado a passe de Carrillo. Mau prenúncio. Na primeira parte, praticamente só temos mais duas carambolas dentro da área.

Na segunda parte aceleramos um pouco mais o jogo. Mas, nestes jogos, jogar com um avançado é dar descanso à defesa. Com o Montero o descanso é ainda maior. O rapaz está sempre a recuar, quando o que precisamos é exactamente do contrário. Precisamos de um avançado na linha do fora-de-jogo sempre pronto a desmarcar-se e a empurrar a defesa para trás. Não há recuos e apoios frontais que resistam quando ninguém se desmarca nas costas do avançado ou se lembra de rematar de fora da área.

O Marco Silva resiste a meter o Tanaka no início da segunda parte. Só o faz depois dos sessenta minutos. Entra o Mané também. Prepara-se o assalto final. Preparam-se os corações para o sofrimento final também. Mas o Tanaka é um autêntico Xanax. Desmarcação rápida para o centro da área, a pedir um passe soberbo do William Carvalho, cabeçada para uma defesa notável e recarga do João Mário que dá o primeiro (e único) golo.

O mais difícil estava feito. Esperava-se a qualquer momento o golo da tranquilidade. O Nani chega a tê-lo nos pés, mas é displicente. Uma jogada daquelas não se conclui assim quando se está a ganhar por um. O golo da tranquilidade não aparece. A Académica tenta aparecer no ataque mas não consegue.

No último minuto dois disparates seguidos. Falta sobre o William Carvalho que o deixa no chão. Em vez de pararem o jogo, os jogadores do Sporting avançam para a área para tentarem o segundo. Não conseguem e bola para novo ataque da Académica. Ainda não estávamos refeitos do disparate anterior, já o Mané estava a desmarcar um avançado da Académica para o único remate perigoso à nossa baliza.

Mantemos a pressão sobre o Porto e distanciámo-nos do Guimarães. Os objectivos foram alcançados. Mas é preciso aprender. Aprender a resolver depressa e bem estes jogos e a congelá-los na sua fase final.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Miguel Galvão Teles

Morreu Miguel Galvão Teles. Foi um grande sportinguista. Continuará a ser o meu Presidente da Assembleia Geral. Há pessoas com quem simpatizamos sem as conheceremos. O Miguel Galvão Teles era uma delas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Domingo há bola

Depois de uma longa pausa natalícia regresso a este blog para falar de um jogo para uma competição que não interessa nem ao menino Jesus. Parece que apenas interessa a Jesus, o treinador. Depois das críticas aos que escolhem para estes jogos protagonistas de segunda linha (será que se dirigia a quem escolhe os árbitros?) viu-se que para certos clubes estes jogos parece que contam mais que certos jogos da liga: é o caso do Belenenses que ao contrário de outras ocasiões não descansou nem o Deyverson nem o Miguel Rosa.

Adiante. Não vi o jogo todo mas gostei bastante que o Sporting mantenha a sua atitude: honrar o Lucílio Baptista jogando com a segunda equipa nesta competição. Para mim isso é muito mais importante que o resultado, não só quando perdemos mas também quando ganhamos. Sempre que se vê o onze do Sporting lembro-me da peitada ao Lucílio e do arremesso da medalha, magníficos episódios do futebol que temos.

Por falar em futebol gostei de alguns jogadores, gostei do espírito lutador. Continuo a não gostar que esta equipa não saiba segurar resultados.

Domingo temos mais bola. Desta vez a sério.

domingo, 18 de janeiro de 2015

“On fire”

Foi mais difícil do que o resultado deixa transparecer. O Rio Ave é uma boa equipa e sabe o que está a fazer em campo.

Na primeira parte tivemos muitas dificuldades em chegar à área do adversário. Sentiu-se a falta do Slimani. Dá outra profundidade ao jogo do Sporting. Obriga a defesa a recuar. Uma coisa é fazer os famosos apoios frontais à entrada da área. Outra bem diferente é andar sistematicamente, como faz o Montero, a recuar a meio do meio-campo para tabelar com os colegas. A defesa sobre com ele e os espaços entrelinhas, como agora se gosta de dizer, reduzem-se.

Marcámos de penalty. O penalty é evidente. Só não é evidente a favor do Sporting. Os comentadores não estão habituados e estranham. Os rapazes do Rio Ave tentaram chegar a roupa ao pelo do árbitro. O árbitro desfez-se em mesuras e limitou-se a uns amarelos. O que se chama um árbitro corajoso. Acabámos a sofrer um golo ridículo. Parecia um contra-ataque de um jogo de andebol.

Na segunda parte entrámos bem. Falhámos três ou quatro oportunidades de golo. Fizemos o dois a um e o três a um. O jogo parecia resolvido. Demos uma abébia e levámos o segundo golo. O jogo estava perigoso, muito perigoso. Precisava de entrar o Tanaka, sobretudo depois do Montero tentar marcar um golo de chapéu à entrada da área. O japonês está “on fire”. Quatro a dois e jogo arrumado.

Ganhámos e isso é sempre bom. Ganhámos apesar do André Martins. Já não tínhamos esta sensação há muito tempo. A defesa tremeu, sobretudo os laterais. Gostei do João Mário. Teve mais pilha do que estava à espera. O Nani foi decisivo. Temi o pior quando vi entrar o Mané. Os últimos jogos dele foram horríveis. Não esteve mal. O Tanaka é que está imparável. O William Carvalho está a voltar ao normal. Gostei do Ryan Gauld. Parece jogador, mas é preciso dar tempo ao tempo. Gostava de ter visto jogar o  Wallyson Mallmann. Parece-me um jogador mais maduro.

Só nos resta desejar que a crise continue por mais algum tempo. Desejavelmente até ao fim da época.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Marcar de bola parada

Não vi o jogo. Vi o resumo. Parece que merecemos ganhar. Aparentemente o Ryan Gauld vem-se afirmando. Temos jogador. Se não for para esta época será para a próxima.

Ouvi também uns comentários na televisão. Retive um só comentário. Dizia um pândego qualquer que o Tanaka só marca de bola parada. Que o Tanaka marca de bola parada já o sabíamos. Não sei de onde veio o só. É situação para dizer: mais vale só do que mal acompanhado.

Com esta vitória sobre o Boavista, estamos a um passo das meias-finais. Para quem não queria ganhar a Taça da Liga, não está nada mal.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Assim é que é bonito

Assim é que é bonito: ganhar no último remate; um remate sem espinhas, de livre. Este remate ainda teve outro picante. A falta que deu origem ao livre deveria ter determinado a expulsão do guarda-redes. Esgotadas as substituições, não restaria outra alternativa que não fosse um jogador de campo do Braga ocupar o lugar de guarda-redes. Mas o Tanaka não gosta de facilidades. Três passos atrás, curta corrida de balanço e remate com convicção. A bola ainda não tinha chegado à barreira e já estava lá dentro.

Temia-se o pior. O Braga dá pau e sabe jogar com o árbitro. A trancada do Ruben Michael no Nani, sem o correspondente amarelo, parecia confirmar esses receios quanto ao árbitro. Esqueceu-se de marcar um livre perigoso à entrada da área por falta sobre o Nani. Esqueceu-se de expulsar o guarda-redes, como se referiu. Depois, bem, depois foi uma no cravo e outra na ferradura. Tenho grandes expectativas quanto aos resultados do quinto amarelo mostrado ao Maurício e ao Adrien. A equipa tem tudo para melhorar no próximo jogo contra o Rio Ave.

Primeira parte equilibrada, sem grande oportunidades, com uma arrancada extraordinária do William Carvalho, concluída com um passe a rasgar para o Carrilllo, que centra para remate do Nani e grande defesa.

Na segunda parte, entrámos de forma extraordinária. Nos primeiros vinte minutos, podíamos ter resolvido o jogo. O Carrillo ensaboou a cabeça ao lateral esquerdo. Valeu o guarda-redes do Braga e a falta de convicção do João Mário e do Montero. Depois o jogo ficou equilibrado. Fisicamente a equipa parecia ter conhecido melhores dias. O treinador arrisca. Recua o João Mário e mete o Mané e o Tanaka. O Braga parecia estar mais forte. Mas estava lá o Tanaka.

Esta vitória era fundamental. Passámos para o terceiro lugar e deixámos a cinco pontos o Braga. Mantemos a pressão sobre o Porto. Esperemos que a crise que atravessamos se mantenha por muito e bom tempo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

私は日本人だ


Hoje deu-me para o xintoísmo. O xintoísmo não conhece divindades ou um deus, mas reconhece a existência dos kamis, seres divinos, que se podem hospedar em tudo o que existe como árvores, rios, montes, etc. Hoje estava um hospedado no Tanaka. 

Mais, o xintoísmo não tem dogmas, teologia ou escritura sagrada. O xintoísmo reduz-se a poucos preceitos fundamentais como, por exemplo, «não prestar atenção às coisas falsas, não ver e não falar falsamente», coisas simples portanto, embora pouco praticadas. Se houvesse um preceito a incluir, neste momento eu proporia: «não aplicarás um golpe de karaté sobre um japonês em cima da hora e perto da linha da grande área.» 

Para terminar. Dominámos o jogo e merecemos ganhá-lo. Já a rádio TSF e a sua trupe de cantores radialistas achou que o melhor jogador em campo foi o Rui Patrício. Não fosse eu hoje xintoísta e iria fazer alguns comentários menos próprios. Sendo assim, não vou prestar atenção às coisas falsas.
Tora. Tora. Tora.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mais trabalho e menos conhaque, mais uma vez

Afazeres de última hora obrigam-me a sair tarde do trabalho. Venho ainda com as palavras que escrevi a ressoarem na cabeça. Lembro-me subitamente de uma anedota que hoje me contaram. Telefone ao Sérgio para lha contar. O Sérgio pergunta-me se lhe vou falar do golo do Carrillo. Só nesse momento me lembrei que jogávamos contra o Famalicão.

Chego a casa e procuro saber o resultado final. Tínhamos ganhado quatro a zero. Revejo os golos. O primeiro é sublime. Corrida na horizontal do Carrillo, para ganhar balanço, e desmarcação no momento certo para as costas do defesa para receber um passe notável do William Carvalho e rematar de primeira, fazendo um chapéu sobre o guarda-redes. Este passe e este movimento têm dedo do treinador. A qualidade dos jogadores fez o resto.

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Cumprimos a obrigação. Agora é pensar no jogo contra o Braga. Vai valer tudo menos arrancar olhos, como dizia o meu pai. O Braga dá pau o jogo todo. O Sérgio Conceição é um José Mota com melhores jogadores e uma trunfa penteada à maneira. O árbitro está encomendado seguramente. Vai ser necessário jogar contra tudo e contra todos. Espero que os jogadores e o treinador se consciencializem disso. Se se consciencializarem disso e estiverem dispostos a sofrer, face à pancadaria do adversário e à complacência do árbitro, a nossa melhor organização colectiva e o Nani se encarregarão de fazer a diferença.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

«Uma dúvida caro Watson»



Depois da perseguição e até estigma culinário lançado sobre os croquetes e os seus comedores como é que nunca ninguém se questionou sobre a capacidade de sobrevivência do fornecedor dos mesmos?


Sherlock