quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Profecias que se cumprem a si próprias e prognósticos no fim do jogo (II)

Ontem procurei explicar por que razão o Duarte Gomes fez mais pela permanência do Jorge Jesus no Benfica do que o Luís Filipe Vieira. Procurei explicar tal raciocínio com recurso ao jogo da Taça de Portugal.

Em resposta, um benfiquista, imagina-se, considerou que “falar do árbitro nesse jogo é delirante”. O Benfica estava “estoirado depois dos jogos da Liga dos Campeões” e andou o jogo “a engonhar”. Os jogadores estavam tão estoirados que “dois deles saíram lesionados”. O Sporting marcou dois golos “aleatórios”.

A relação entre uma equipa estoirada e a arbitragem é que parece delirante. Segundo o Cantinho do Mariais, só pode ser interpretada à luz de uma norma do Luís Filipe Vieira. Qualquer coisa do tipo: "Se durante um jogo de futebol profissional de uma competição oficial, uma equipa já se apresentar limitada fisicamente, devido a cansaço acumulado resultando mesmo em jogadores substituídos, a equipa de arbitragem (também ela profissional) deve-lhe prestar imediato auxílio, equilibrando as forças entre as equipas em competição, podendo mesmo funcionar como elemento extra na procura e alcance da vitória. À equipa limitada fisicamente, pode-lhe ser permitida qualquer tentativa de cometer actos que vão contra as regras do jogo, como a utilização de membros superiores no esférico ou mesmo pontapear adversários dentro da grande área. Aos actos ilícitos praticados pela equipa limitada fisicamente, mesmo comprovando-se a intencionalidade da sua execução, nunca se poderá comprovar a intenção em provocar dolo na equipa adversária".

Os benfiquistas, por vezes, parecem conseguir demonstrar a lógica circular  do Catch 22, explicada pelo Joseph Heller, mas ao contrário. Parafraseando-o, uma pessoa só deve ser considerada lúcida quando passar num teste de lucidez. Ninguém lúcido está disponível para efetuar um teste de lucidez. Quando se submete a ele, então é porque não está lúcido.

terça-feira, 22 de Abril de 2014

Profecias que se cumprem a si próprias e prognósticos no fim do jogo (I)

Os campeonatos só interessam até que esteja decidido o vencedor. Após o apito final dos jogos que os decidem, festejam-se e, em seguida, passam a estatísticas. Agora, entra-se na fase das narrativas sobre os (de)méritos das equipas. A história, mesmo a pequena história do futebol, é escrita pelos vencedores. As narrativas dessas vitórias têm dois papéis: legitimam quem ganha, mesmo que a legitimidade e a justiça da vitória sejam duvidosas, geram um contexto para a época seguinte. É importante estar atento a estas narrativas, pois elas condicionam o futuro.

Atribui-se um grande mérito ao Luís Filipe Vieira por ter mantido o Jorge Jesus. O que parecia uma loucura apresenta-se como um ato de gestão visionário. A manutenção do Jorge Jesus dependeu do LFV e de muitas outras circunstâncias.

Há várias que a explicam. Escolho um delas: o jogo da Taça de Portugal contra o Sporting. Esse jogo foi em 9 de novembro de 2013. Depois de um início de campeonato engasgado e a jogar miseravelmente, o Benfica estava em terceiro lugar a três pontos do Porto. Esteve a ganhar por três a um. Permitiu o empate. Ganhou por quatro a três. Assistiu-se a um dos maiores gamanços da história desta época; gamanço que foi mesmo reconhecido pela tradicional balbúrdia jurisdicional do futebol português.

Não posso, ninguém pode efetuar o exercício contrafactual. O que teria acontecido a Jorge Jesus se tem perdido, nos termos em que devia ter perdido (depois de estar a ganhar por três a um e de um início de época cheio de contestação e de maus resultados)? Não teria resistido, a meu ver. Teria saído pichado com alcatrão e penas no próprio dia. Não só não saiu como o Benfica ganhou confiança e moral. Sendo assim, quem é que assegurou a manutenção do Jorge Jesus no Benfica? O Duarte Gomes, pois claro. Mas houve mais…

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Não se festejam os segundos lugares

Milagrosamente, um amigo meu pediu-me para efetuar no sábado uma conferência em Chaves. Evitei, assim, uma série de tarefas domesticas associadas à Páscoa. Os amigos são para as ocasiões, sobretudo para as mais difíceis. Não só me livrei de chatices como conheci pessoas interessantes. Tive a oportunidade de conversar longamente com o Dr. Amílcar Salgado, produtor dos vinhos da Quinta do Arcossó. Nesta altura, espera-se que faça um trocadilho aproveitando a homografia. Qualquer coisa do tipo, houve demasiados golos para tão poucos golos; ou houve mais golos do que golos.

Só aceitei realizar a conferência com a condição de, no fim, ver o jogo. Tinha um jantar notável à minha espera, mas só depois do jogo. Primeiro a obrigação, só depois a devoção. Entretanto, a conferência atrasou-se. Houve quem quisesse falar comigo no final. Simpaticamente, acedi em pulgas.

Acabei por ver a segunda parte. Fiquei com a sensação de não ter perdido muito. Para o bem ou para o mal, esmeramo-nos no que fazemos. Quando estamos a engonhar, engonhamos com zelo e proficiência. Esqueceram-se foi de explicar ao Mané ao que estávamos e ao que vínhamos. Os entusiamos da canalha depois dão nisto. O rapaz entusiasmou-se e, de repente, estava o Adrien na posição de que tanto gosta. A dúvida fica sempre no ar, para nós e para o guarda-redes. A pergunta que procura responder é sempre a mesma: é desta que remato para o lado esquerdo ou continuo a rematar rasteiro e colocado para o lado direito? O guarda-redes colocou todas as fichas na continuidade. Azar e um a zero.

Continuámos a trocar a bola atrás, mas agora ainda mais lentamente. Ficámos à espera que o Belenenses se desmanchasse. Que, por uma vez, se deixasse de cautelas e caísse sobre nós. Que nos desse umas abébias na defesa e no meio campo. Mas eles nada. Continuaram à espera que lhes oferecêssemos um golo.

Estava o jogo nesta modorra, quando se começou a fazer sentir o efeito Cosme Machado; fenómeno natural há muito estudado e ainda não completamente compreendido, face à sua aleatoriedade. Começou de forma insidiosa. De repente, não havia uma bola disputada de cabeça que não fosse falta contra nós. Os livres sucediam-se ao mesmo ritmo das demonstrações de falta de jeito dos jogadores do Belenenses para jogar à bola. Mas o Cosme Machado começa como uma brisa e acaba transformado num tornado. O Rojo, mais impetuoso, faz uma falta. O jogador do Belenenses rebola-se no chão como se lhe tivessem arrancado o dente do siso sem anestesia. O Cosme Machado aproveita de imediato.

O que estava mal, piorou. A jogar contra dez, o Belenenses viu-se na obrigação de atacar; algo que tinha evitado com muito esforço e dedicação. Tirou uns jogadores mais pequenotes e meteu outros maiores e mais frescos. Meteu um calmeirão com cara de poucos amigos. Quando entra um destes percebemos que estão à espera que numa molhada o grandalhão acabe por tropeçar na bola e marcar um golo. Mas este grandalhão não era dado a grandes tropeções, apesar de o Dier e o Maurício terem procurado insistentemente tropeçar um no outro. O William Carvalho é que não está para tropeções nestas alturas.

O jogo lá acabou. Ganhámos e ficámos definitivamente em segundo. Festejámos, mas não muito. Ninguém no seu juízo perfeito festeja um segundo lugar. 

domingo, 20 de Abril de 2014

Ressurreição



Não vi o jogo de ontem. Em compensação, na RTP Memória, vi um pouco do mesmo jogo mas o de 1989. Neste ressuscitar de memórias constatei o óbvio, pouco mudou nestes 25 anos! Deu para lembrar  que os comentadores lampiões desde sempre tiveram cátedra na televisão. Paulo Catarro e o comentador Humberto Coelho, neste caso, estavam no seu melhor com a sua famosa visão oblíqua. O árbitro Rola era também ele um insigne representante da excelência da arbitragem portuguesa. Tal como o Cosme o é hoje, basta pensar naquele vermelho ao Rojo. Também  naquele  jogo, dominamos mas podíamos ter feito muito mais. Uma equipa com  Figo, Balakov e Amunike podia fazer sempre mais e melhor, mesmo tendo como treinador o Sr. Queiroz. Ontem, com um muito melhor treinador mas sem "Figos ou Balakoves", podiamos mesmo assim ter feito muito melhor. Seja como for, ganhamos os dois jogos, o de ontem e o de há 25 anos. Ontem conseguimos um importante objetivo desportivo e financeiro e adiamos a festa de alguns jarretas que estavam já de plantão nas televisões à espera do foguetório. 
  
(a RTP com má Memória, o ano não é 1989)
Hoje, algumas religiões, comemoram a Ressurreição. "Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia [para outros, ano] conforme as Escrituras". Outro facto importante: ressuscitar só é possível depois de se morrer.  Aleluia! Aleluia! Aleluia!



domingo, 13 de Abril de 2014

Gil Vicente: uma equipa com princípios de jogo bem definidos

Às vezes os jogos são maus pelo mau estado de terreno. Outras vezes face ao mau estado da equipa adversária. Desta vez, foi o caso.

O Gil Vicente, como diria um Freitas Lobo qualquer, é uma equipa com princípios de jogo bem definidos. Só que os princípios não são compatíveis com o jeito dos seus jogadores para a bola. Uma equipa como a do Gil Vicente tem a responsabilidade de se conhecer. Devem jogar todos cá atrás e, quando têm a bola, mandam uma biqueirada para a frente, na expetativa que o grandalhão que colocaram a avançado possa num bambúrrio qualquer criar um lance de golo.

O Gil Vicente não é assim. Tenta sempre sair com a bola controlada, mesmo que bola atrapalhe os defesas. A jogada repetiu-se vezes sem conta. Um dos centrais passava a outro e esse, após uma corrida ou um mero franzir de sobrolho do Slimani, acabava por atrasar à queima para o guarda-redes que invariavelmente atirava a bola para fora. Perante este tiki-taka, qualquer adversário se aborrece e deixa de ligar ao jogo. Foi o que nos aconteceu. Nem o William Carvalho se conseguiu concentrar.

No início, o jogo parecia que não ia ser assim. Boa jogada entre ao Cédric e o Carrillo, balão para a molhada e o Slimani marca um golo à Jardel. Aquela bola completamente morta e ligeiramente atrasada só pode dar em golo por um predestinado da cabeçada. Depois disso, ficámos com a convicção que o Gil Vicente não ia sair de Alvalade sem a mala cheia. Mas, não. Não desarmaram. Começaram a aborrecer o adversário. O Sporting não ficou atrás e aborreceu-se a si mesmo e a todos que estavam a ver o jogo. Continuou a faltar o último passe e as jogadas de perigo iam-se perdendo por precipitações atrás de precipitações.

Imaginávamos que na segunda-parte iríamos entrar a matar para acabar com o jogo. Nada disso. O Gil Vicente não atava nem desatava e nós continuámos aborrecidos. Ainda esperámos que nos últimos minutos o Gil Vicente arriscasse qualquer coisa para tentar empatar o jogo pelo menos. Mas eles estavam agarrados que nem uma lapa ao resultado.

O Leonardo Jardim de repetente viu a luz. Deu duas palmadas no Montero e meteu o homem em campo. O homem não se fez rogado. Deu um nó em dois defesas e deixou o Jéfferson em grandes condições para, de uma vez por todas, fazer um último passe em condições. Mas o Jéfferson nada. Mesmo assim, o homem não desistiu. Grande passe a desmarcar o Carrillo e o Carrillo desta vez não entrou em crise existencial e fez um passe para o Heldon empurrar para o golo.

Bem, este jogo também está resolvido. Ainda não é esta semana que o Benfica é campeão. Dizem-me que vai jogar contra o Arouca. Também me dizem que o jogo é em Aveiro. Fico na dúvida se o jogo é contra o Beira-Mar ou contra o Arouca. Pode ser também que seja desta que fiquemos apurados definitivamente para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Como se viu contra o Sevilha, o Porto está com vontade de ajudar.

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Partem-me o coração com tanta preocupação

Cheguei a casa tarde, como de costume, mas ainda a tempo de ouvir um qualquer arrazoado do Rui Santos. Falava dos grandes problemas que o Sporting irá enfrentar no próximo ano na Liga dos Campeões. A preocupação é muita e fiquei sensibilidade com ela.

 Mas, contrariamente ao Rui Santos, tenho que partilhar esta preocupação com outros clubes e não só com o meu. Nas duas últimas épocas, o Benfica foi sempre eliminado na Fase de Grupos, primeiro pelo Celtic, depois pelo Olympiacos. Como todos sabem, trata-se de dois colossos do futebol mundial. O Porto, esta época, fez cinco pontinhos, os mesmos que o Áustria de Viena, clube que deu novos mundos ao mundo do futebol.

Mas a euforia anda no ar. O Porto e o Benfica estão nos quartos-de-final da Liga Europa. Feito notável, sem dúvida. Mesmo assim, ainda um pouco aquém do obtido pelo Sá Pinto (repito, pelo Sá Pinto) há duas épocas. Aliás fomos eliminados no prolongamento da meia-final pelo Atlético de Bilbau. Nessa época ficámos em quarto lugar no campeonato (mas brilhámos na Europa e isso é que interessa).

Estou preocupado. Estou preocupado por tanta gente estar preocupada também. Tanta preocupação só se pode dever à preocupação por o Sporting estar em vias de se apurar para a Liga dos Campeões. Essa é que é a preocupação. Não vi ninguém preocupado no ano passado com a participação do Paços de Ferreira na Liga dos Campeões. Na altura, só se falou que foi merecido e que o Paços de Ferreira era um exemplo para o país e para o mundo.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

A quatro jornadas do fim

1. A quatro jornadas do fim, só o Sporting e o Benfica é que podem ser matematicamente campeões. A quatro jornadas do fim, o Sporting, no mínimo, está qualificado para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Hoje, parece fácil. Hoje, parece pouco (e ainda bem). No início de época, qualquer sportinguista, se pudesse, compraria à cabeça este desempenho sem pensar duas vezes.

2. Desfizemo-nos do Elias. Desfizemo-nos do último jogador que fazia parte do saco de gatos em que se transformou o conjunto de contratações do Godinho Lopes, Carlos Freitas e Luís Duque. Saiu quem tinha que sair. Ficou quem tinha que ficar, isto é, quem quis ficar e fez por ficar. Entre Brumas, Iloris e Elias e quejandos ainda se fez uma pipa de massa.

3. No Expresso, o João Sousa, o melhor tenista português de sempre, afirmava que “os jogadores do top-10 têm uma genética diferente – fazem o mesmo [que os outros] mexendo-se muito menos”. Não encontro uma melhor para definição para o William Carvalho.

sábado, 5 de Abril de 2014

Nevoeiro, muito nevoeiro

Se não se tivesse dado o caso de estar a ver o jogo no Flávio, e não em casa, e seguramente teria adormecido. O jogo era para ser mau. Com o Paços de Ferreira é sempre assim. A certa altura, parecia que podia ser diferente. Só que preferimos vencer o adversário pelo tédio, confortáveis que estávamos com os dois a zero. Com a descida do nevoeiro, tudo se parecia encaminhar para um fim de tarde mais ou menos ensonado.

Íamos acordando em sobressalto. O Bebé resolveu dar mais um nó no Jéfferson, rematou cruzado e o Patrício deu um meio frango. O caldo parecia entornar-se. Até que um mal jeitoso do Paços de Ferreira perdeu a bola, entregou-a ao André Martins que fez o que costuma fazer. Foi para a área cheiro de dúvidas na cabeça e, de hesitação em hesitação, lá acabou por passar a bola ao Slimani que já estava parado. O Slimani, embora não sendo dado como um intelectual da bola como o Martins, fez o que lhe competia e o Adrien, que estava a jogar pouco, teve o seu momento de felicidade.

Sobra pouco para contar. Sobra o golo do William Carvalho. Tabela impecável com o Slimani, que se deu ao luxo de devolver a bola de calcanhar, aceleração com a bola e passe para a baliza. Sobra o Carrillo também. Tudo espremido, as arrancadas do Capel dão o mesmo resultado que as do Carrilo, que é nenhum. Mas o Capel parece fazer parte da equipa. Dá ideia que treina com os outros. Dá ideia que se encontra por vezes com o Jéfferson para beberem um mini e comerem um prato de caracóis. O Carrillo não. Parece que nunca viu os outros jogadores. Os outros desconhecem-no também. É um corpo estranho. Está na altura de se transformar numa promessa adiada de qualquer outra equipa.

À falta de outras notas, sobra uma também para o Leonardo Jardim. Quando começámos a tremer, sobretudo após o jogo contra o Benfica, agarrou a equipa pelos colarinhos, inventou o Carlos Mané a dez, meteu o Slimani a titular e, se não fosse o gamanço de Setúbal, tinha ganhado todos os jogos seguintes. Não tem nenhum extremo que se aproveite. Vai-os rodando para ver se algum acerta. O Capel, sendo a melhor opção para meter a bola na cabeça do Slimani, não consegue fazer um centro de jeito. Mesmo assim, ganhámos jogos atrás de jogos. É nestas alturas, com todas estas condicionantes, que se vêm os grandes treinadores.

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Basta(s)!

Não basta dizer basta. É preciso dizer todos os bastas necessários. Basta de anularem os golos do Montero! Queremos o Montero a Bola de Prata. O nosso colombiano é tão colombiano como o colombiano dos outros.

sábado, 29 de Março de 2014

O Bola de Prata dos golos mal anulados

O Rui Vitória é o Pacheco do Eça de Queiroz do futebol português. Nunca se viu uma equipa treinada por ele jogar qualquer coisa que se visse. Mas tem sempre boa imprensa. A táctica é sempre a mesma. Qualquer jogador, sempre que tem uma oportunidade de fazer falta, faz falta. De repente vimos o André Santos fazer mais faltas do que durante os anos que passou no Sporting.

Esta táctica funciona contra o Sporting porque cada jogador pode andar o tempo todo nisto sem levar amarelo. A táctica funciona pior agora porque o Sporting, com o Slimani, pode jogar comprido e, desta forma, evitar a barreira que lhe montam.

Este jogo foi fácil, mas tinha tudo para ser mais fácil ainda. A quantidade de lances de perigo que se perdem no último passe é qualquer coisa de inimaginável. Ainda para mais, o Slimani é alto e feio. Distingue-se bem. É preciso levantar a cabeça e colocar-lhe a bola. O Capel não conseguiu esse feito. O Heldon também não.

Sofremos um pouco ao fim, escusadamente. O Leornardo Jardim demorou a meter o Martins. Com ele em campo, voltámos a pressionar um pouco mais à frente. Mas, enfim tudo isto teria sido evitado se não nos tivessem anulado mais um golo limpo. Não sei se o Montero vai ser o melhor marcador do campeonato. Uma coisa sei: será seguramente o Bola de Prata dos golos mal anulados.

terça-feira, 25 de Março de 2014

"Não faças ondas!"



"Que Bruno Carvalho não arraste o futebol para a lama"

Jaime Pacheco

Este sabe daquilo que fala. Tem o “ensino primário” feito essencialmente numa "escola" especialista em terrenos lamacentos. Concluiu, sem sobressaltos, o “secundário” no "colégio" da Boavista, já numa vertente de ensino profissional, com um título completamente impoluto. “Limpinho, limpinho” como agora se diz. Esse título ficou só levemente manchado, muito levemente mesmo, pelo facto dos dirigentes do dito "colégio de virtudes" terem sido presos ou castigados, por esta ou por aquela razão, e o clube ter sido mais tarde despromovido. Portanto, um verdadeiro especialista em lama.

Diz ainda esse mestre da dialética que "isso é de quem chega ao futebol e não tem noção da realidade". Pelo contrário, é a noção da realidade que faz alguns quererem sair da lama onde alguns se dão, ou deram, tão bem. Lições de moral vindas de um «mamífero bunodonte, artiodáctilo, não ruminante» que tão bem se deu no lamaçal, não deixam de ser irónicas. Fazem até lembrar a velha anedota daquele que, enterrado até ao pescoço em merda, só queria que os outros não fizessem ondas.