domingo, 21 de agosto de 2016

O Patrício esteve em campo?

Segundo jogo e nenhum golo sofrido. Ganhámos uma dupla de centrais. Nas laterais ainda se vão experimentando soluções. O João Pereira voltou à direita. O Ezequiel Schelotto fez a pomba ao assinar mais um contrato e diz quem o conhece que ainda não parou de se rir. Na esquerda voltamos ao chuta-chuta, mais comentários seriam pouco abonatórios da nossa inteligência. Falta-nos um defesa esquerdo a sério, deixem-se de lateralidades inventivas.

O dali para a frente ainda se chama William. Não convém começar demasiado bem, pelo menos até 31 do corrente. Ali perto anda o capitão. Diz que foi ele que marcou (um grande) golo, mas sem aquela investida à linha do Slimani ainda estávamos a fazer tiro ao meco. O Slimani mesmo triste (isto segundo o jornal a A Bola) ainda acredita que é possível disputar cada lance como se o mundo fosse acabar antes do apito final do árbitro. Isso já é estar perto do Olimpo.

De resto, falta ali o Teo para tornar o jogo um misto de imprevisibilidade e falta de (bom) senso. Falta ali o Teo para a gente falar sobre o Teo. Resta-nos o Gelson, gingão incansável, cada acção sua é sempre uma incógnita até ao último momento. Mesmo para o próprio. Ruiz&Ruiz aos poucos começam a perfumar  os campos com o seu futebol. Devagarinho, claro. O Alan, agora mais esguio, até chuta de fora da grande área. Estamos a evoluir.

Ontem foi um daqueles jogos que os comentadeiros de serviço adoram acoplar à palavra: pragmático. Fazem bem. Não percebem que ali há futebol para dar e vender. Mas apenas na medida certa. Não fosse um defeso de meio ano e já teríamos um guião mais exaustivo. Já agora, o Rui Patrício esteve em campo?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma lágrima no canto do olho

Li e ouvi diversas análises do jogo contra o Marítimo. Em todas elas falta o essencial. Não é possível uma análise definitiva do jogo que não tenha em consideração a forma como fomos beneficiados pelo Xistra no primeiro golo. Entre marcar penalty ou deixar que o Coates disputasse o lance de cabeça agarrado pelo adversário, o árbitro não hesitou: deu a lei da vantagem. Se marcasse penalty, como devia, as probabilidades de golo eram muito menores do que deixando continuar o Coates agarrado. A questão não é tanto o benefício concreto deste jogo. A questão é por que razão somos sempre beneficiados pelas arbitragens, nomeadamente nos jogos em casa.

Os “freakonomics”, Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, esclarecem-nos no seu último livro. Os árbitros beneficiam involuntariamente as equipas que jogam em casa. Envolvem-se emocionalmente com os adeptos. Não, não é o que estão a pensar. Ninguém viu o Xistra de mão-dada com o Slimani ou com a Patrícia Mamona. Os árbitros assimilam a emoção da assistência e tendem a tomar decisões que a tornem feliz. Este processo de assimilação da emoção é diretamente proporcional á distância entre o campo e as bancadas. Com base nos dados da Bundesliga, conclui-se que a vantagem de jogar em casa é menor nos estádios que dispõem de uma pista de atletismo à volta do campo relativamente aos estádios que não dispõem de pista.

Assim é mais fácil explicar a decisão do Xistra no sábado passado. Foi a emoção que o traíu. Foi quase impercetível, mas um espetador mais atento viu o que eu também vi. Quando o Coates marcou o golo, o Xistra tinha uma lágrima no canto do olho. Ainda temos o fosso a separar o campo das bancadas. Se assim não fosse, teríamos visto o Xistra lavado em lágrimas.

sábado, 13 de agosto de 2016

Mudar de relvado

Terminei a época passada no Tribuna. Foi aí que assisti à maior série de vitórias do Sporting da sua história (digo eu). Não chegou para ganhar o campeonato. Resolvi mudar de relvado também. Voltei ao Flávio para ver o jogo contra o Marítimo. Desde que a cabeleireira da minha mulher lhe disse que o nosso vizinho era atleta olímpico de taekwondo, tenho, do ponto de vista desportivo, um outro olhar sobre o bairro onde vivo. Ainda hei-de ver o Marcelo por cá a distribuir uma comenda.

Depois de uma pré-época de arromba, sem o Slimani e a ameaça de deserção dos Aurélios, previa o pior. Com os Ruízes na frente, o Jesus optou por um “tiki-taka” sem balizas. Muitos apoios frontais, muitas fintas e tabelinhas e pouco remates e presença na área. Com esta táctica estamos sempre a suspirar por um canto ou um livre, porque de outra forma não há maneira de meter a bola lá dentro. A situação ainda piora quando vemos os Ruízes fazerem-se a um cruzamento do João Pereira com os olhos fechados. Não via uma coisa destas desde os gloriosos tempos do Postiga.

Numa bola parada, acabámos por marcar um golo, que contou com benefício do Xistra. Quando há penalty não há lei da vantagem. O Xistra deu a lei da vantagem e o Coates meteu-a lá dentro. Pelo caminho, o Patrício resolveu mostrar-nos porque é hoje um autêntico monstro das balizas. Acabámos a primeira parte em modo assim-assim.

Na segunda parte, o William Carvalho decidiu estar em todo o lado ao mesmo tempo. Asfixiámos o Marítimo e fomos falhando golos atrás de golos em grande estilo. É difícil encontrar alguém que falhe melhor do que o João Mário. Só o Bryan Ruiz e nem sempre. Desta vez, marcou um golo de baliza aberta. Uma novidade, portanto.

Esta época vai ser como a anterior. Tentámos a quarta ressurreição do João Pereira. Quando o vemos jogar, temos saudades do Scheolotto. Quando vemos jogar o Scheolotto, temos saudades do João Pereira. No lado esquerdo é pior. Entre o Zeegelaar e o Jéfferson, preferimos o Bruno César. Os centrais parecem mais seguros. No meio-campo temos o William Carvalho e enquanto assim for temos meio-campo. O Adrien ajuda e se não ajudar o João Mário outro o Jesus arranjará para ajudar. Até pode ser um dos Ruízes. No ataque, temos o Slimani e muita nota artística. É capaz de não chegar. Quase temos saudades do Teo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pensar pequeno


Estava a ver na televisão uma peça sobre a morte de um grande homem, Moniz Pereira. Este grande senhor do desporto nacional, foi incansável no seu trabalho, foi de extrema dedicação, querer, disciplina e perseverança e assim fez de nós um país maior e um povo melhor. Infelizmente logo de seguida assisti ao vídeo promocional da Volta a Portugal que passa na RTP. Se por um lado vemos uns que se agigantam e com eles nos agigantam, por outro vemos outros que na sua estreiteza mental tudo parecem fazer para nos diminuir enquanto povo e país. Foi o reviver de uma visão bolorenta do país. 


No referido vídeo promocional vê-se, ao som de um animado e estridente grupo folclórico, uma série de figurantes com capacetes de ciclistas. A particularidade, sublinhada de forma substancial pela banda sonora, é o facto de todos os figurantes, que procuram representar os portugueses de norte a sul, envergarem trajes regionais ou de ranchos folclóricos.  

Ficou-me a ideia de que saindo-se dos arredores do gabinete onde foi imaginada esta brilhante campanha promocional, o que vamos encontrar, para além da habitual e elogiada paisagem e gastronomia, são uns rústicos, parolos ou saloios pouco importa, cristalizados no tempo a quem simpaticamente a RTP emprestou uns capacetes para lhes emprestar também a modernidade. A Volta a Portugal fica assim anunciada como uma volta por um pitoresco Portugal dos Pequeninos.

Deve ser do calor mas só posso concluir que o António Ferro fez escola na RTP e que a sua mensagem patriótica, paternalista e ruralista está para durar. Poderia perder mais algumas linhas numa análise mais profunda à deturpação sociológica e antropológica que estas mentes, provavelmente circunscrevidas pelo “brunch” nos Olivais e o “sunset happy hour” em Chelas, ou vice-versa, fazem do país onde (não) vivem, mas tenho a malta à espera na camioneta e tenho é que pegar no acordeão e fazer-me à estrada e cantar os feitos dos grandes como o Moniz Pereira e esquecer o Portugal dos pequeninos e os seus estereótipos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Um país como os outros

Faleceu Mário Moniz Pereira. Não conheço a pessoa. Conheço a personagem. Dificilmente a consigo dissociar do Carlos Lopes e do Fernando Mamede.

Para quem é mais novo e conhece mal o país de antanho, os feitos desportivos contavam-se pelos dedos de uma mão. Ganhávamos em hóquei em patins, mas não era uma modalidade levada muito a sério pela maioria dos países. Falava-se das façanhas dos Magriços ou da travessia do Canal da Mancha pelo Baptista Pereira. O Joaquim Agostinho ia dando umas alegrias aos nossos emigrantes.

Precisávamos de um grande vitória internacional, para nos considerarmos como os outros. Hoje parece simples. Nos anos sessenta, setenta e oitenta parecia uma impossibilidade. Em 1976, estivemos próximos da vitória olímpica, nos dez mil metros, com o Carlos Lopes, em Montreal. Lasse Virén, na última volta, acabou-nos com o sonho.

Foi preciso esperar até 1984, em Los Angeles, para ver a nossa bandeira no mastro mais alto das olimpíadas. A minha geração não esquecerá as duas noitadas: a primeira com o Fernando Mamede, a segunda com o Carlos Lopes. Não esqueceremos a entrada triunfal do Carlos Lopes no estádio olímpico.

Nesse dia passámos a ser como os outros. Ser como os outros parece pouco. Na altura era muito. Era quase tudo. Tínhamos acabado de ganhar o futuro. O que hoje somos em muitas modalidades começou aí. Passou a ser possível competir com os melhores. Em muitas circunstâncias, fomos os melhores.

domingo, 31 de julho de 2016

Segundo a imprensa desportiva (e outras histórias do defeso)

João Mário: Mais que vendido. Confirmado pelo pai, pelo empresário e pelo cunhado de um amigo de infância.

Slimani: Tantas vezes vendido e revendido que o próprio não consegue assegurar em que equipa joga. Na Argélia não se fala de outra coisa.

William Carvalho: Vendido há três anos. Ninguém sabe como ainda joga no Sporting. No Cais do Sodré corre o boato de que voltará a sair.

Rui Patrício: Já foi vendido por vinte milhões, quinze milhões, treze milhões. Antes do Europeu diz que sairia por uma proposta de sete milhões. A acompanhar este negócio está um enviado especial do jornal Correio da Manhã e outro da Bola.

Adrien: Vendeu-se a si próprio algumas vezes. Agora diz que está na iminência de ser vendido sem o seu conhecimento. Em Angoulême segue-se atentamente este caso.

Aquilani: os pretendentes para obter os seus préstimos são tantos que o próprio ter-se-á barricado numa casa perto de Sintra. Diz que quem o levar não precisa de pagar nada.

Barcos: ver Aquilani.

Téo Gutierres: jogador do rosário Central.

Teófilo Gutiérrez: jogador do River Plate.

Jefferson: vendido em outros defesos, paragens de inverno, fins-de-semana nas Caraíbas. Só não se consegue vendê-lo agora. 

Ewerton: Emprestadado se possível.

Mané: um rodopio de equipas alemãs rodeia a sua casa. O seu sonho é ser mais um Yannick Djaló.

Paulo Oliveira: em paradeiro desconhecido. Mas prestes a ser vendido, claro.

Naldo: de pedra e cal.

Semedo: Sem propostas.

Coates: depois da lesão diz que nunca mais vai ser o mesmo. Não pode ser vendido por ser um jogador emprestado. O pai afirma que ele está tranquilo.

Nota: ontem não tive oportunidade de ver o jogo. A imprensa diz hoje  que o presidente Bruno de Carvalho falou no final do jogo com Slimani. Mais uma venda com certeza. O resto não interessa para nada.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aconteceu no sábado passado

Ainda não tinha visto nenhum jogo do Sporting esta época. Vi, no sábado, o jogo contra o Lyon. Confirmei as expectativas que tinha: sem os nossos Aurélios, a coisa não parece funcionar.

Este é o problema do Sporting. Dispomos de sete ou oito jogadores de nível. Conseguimos fazer um onze competitivo a jogar contra qualquer adversário. O problema está mesmo na profundidade do plantel, ao qual se acrescenta uma outra falha na equipa titular.

Temos o Patrício, mas falta um suplente que dê garantias, não vá o Diabo tecê-las. Com o Coates e o Ruben Semedo, o centro da defesa está protegido. As alternativas também parecem razoáveis. Nas laterais as coisas complicam-se. Vamos ver se o Schelotto faz uma época parecida com a fase final da anterior. Com ele, nunca se sabe. No lado esquerdo as coisas parecem estar piores. O Zeegelaar não nos enche as medidas. O Jéfferson começa a ser um caso perdido. Ainda vamos acabar com o Bruno César.

O meio-campo é dos Aurélios: William Carvalho, Adrien e João Mário. O Bryan Ruiz joga melhor do lado esquerdo para dentro do que no meio. As alternativas parecem não existir. O Petrovic não convence. O Palhinha é uma promessa. O Aquilani é uma carta fora do baralho.

O ataque é mais do mesmo. Sem o Slimani, só fazemos cócegas. Com o Bryan Ruiz na esquerda as coisas vão melhorar. Falta-nos um segundo avançado e um extremo confiável. Pode ser que o Alan Ruiz seja o segundo avançado que precisávamos e que o Gelson Martins se afirme de vez, vontade não lhe parece faltar. Depois temos mais duas promessas: Matheus Pereira e Iuri Medeiros. Os outros não contam.

O Jorge Jesus garante-nos sempre que a equipa vai evoluir. Vai jogar pelo menos o mesmo da época passada. O problema está nas diversas frentes. Este ano temos a Liga dos Campeões. Ou fazemos como na época passada na Liga Europa, que antes de a começarmos já tínhamos desistido, ou não vejo jogadores para tantos jogos e jogos exigentes. A equipa está à pele. Pode ser que as promessas se transformem em realidades. Se assim não for, estamos tramados. A não ser que ainda se vá buscar mais alguém, rezando pelo caminho para que não saia nenhum dos titulares.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os sonos dos Santos

O Fernando Santos renovou o seu contrato com a Federação, até 2020 ao que se diz. Temos seleccionador por muitos e bons anos. Podemos dormir tranquilos. Sono não nos vai faltar.

Parecendo que não, o Fernando Santos tem tudo a ver com esta pré-época do Sporting. O Jorge Jesus está a levar ao extremo a táctica do Santos. Para se acabar bem tem de se começar mal. Estamos a começar tão mal, que admito que o campeonato não baste. Cá para mim, o Jorge Jesus tem a Liga dos Campeões fisgada.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A história e os seus heróis

Já tudo praticamente foi dito e escrito sobre a participação da Seleção no Europeu. Depois de tudo o que foi sendo escrito aqui também durante a competição, falta uma síntese. Uma história, uma boa história, tem sempre uma moral.

Há uma dimensão espiritual de análise, ontológica até, na qual não entro. Cada um é como cada qual e as suas crenças só lhe dizem respeito.

Tudo o que correu mal, correu bem. Se tivéssemos ganhado uns jogos na fase de grupos, o otimismo tinha crescido e não teria havido maneira de convencer o treinador e os jogadores a fazer o que fizeram depois. Como correu mal essa fase, era necessário mudar, de jogadores e, sobretudo, de atitude perante os adversários.

Passámos para o oito com a mesma facilidade que nos anunciámos nos oitenta. De favoritos à final, passámos ao fazer o papel de “underdog”. As táticas foram estabelecidas em função dos adversários e dos seus pontos fortes. O objetivo não foi o de potenciar os nossos pontos fortes, mas o de não expor os nossos pontos fracos e de reduzir as ameaças. Essas táticas tiveram algumas características singulares. Havia a necessidade de marcar individualmente certos jogadores adversários em função de certos momentos de jogo. Não havia propriamente um sistema defensivo que funcionasse em bloco, à italiana.

Estas táticas tornaram os jogos relativamente caóticos para os adversários. Ficaram de tal forma baralhados, que nenhum deles jogou o equivalente ao que tinha demonstrado na fase de grupos. Também nenhum deles acreditou verdadeiramente no que estávamos a fazer em campo. Desconfiaram de nós. Não se aventuraram muito no ataque. Devem ter pensado para eles que aquelas táticas eram um engodo. Ninguém acredita que uma equipa que tenha o Ronaldo só jogue para não sofrer golos, esperando o seu momento de sorte.

Encanámos a perna à rã jogo atrás de jogo. Demorámos todo o tempo do mundo nas reposições de bola. Entretivemo-nos a passar a bola entre os defesas e os jogadores de meio-campo. Mal havia alguma pressão do adversário, logo se atrasava a bola ao Rui Patrício. Quando a pressão aumentava mais, recorria-se à biqueirada para a frente, onde o Ronaldo fazia de pino.

Só tínhamos planos para não perder os jogos. Ainda admitimos que existisse um plano B para os ganhar: os penalties. O jogo contra a Polónia desfez essa possibilidade. Também não havia plano B nenhum. A lógica é simples e imbatível, só não se compreende como se faz no campo, a não ser tendo fé, muita fé. Em jogos a eliminar, não se pode empatar. Não se empatando e planeando não perder, só se pode ganhar.

A final contra a França era o teste do algodão destas táticas e destes planos. Finalmente jogávamos contra um dos grandes, a par da Alemanha, da Itália e da Espanha. Ganhou uma dimensão dramática e, ao mesmo tempo, épica. O herói estava preparado, mas lesionou-se no início do jogo. Cumpria-se a dimensão dramática. A dimensão épica precisava de outro herói, de um herói improvável. O herói improvável apareceu.

Esta vitória foi uma grande alegria para os portugueses. Sou insuspeito. Não aprecio grandemente a Seleção nem o Fernando Santos. Fiquei comovido no final, quando levantámos o caneco. Estas e outras palavras que se foram dizendo e escrevendo vão-se apagar. Daqui a muitos anos ainda ouviremos falar deste feito. Ficará a história e nessa história só há heróis.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O efeito Borboleta ou a insustentável leveza de... Payet

Entrámos mal no jogo. Os passes não saíam e mal conseguíamos passar do meio campo. Mais do mesmo, todos pensávamos. Nervos, muitos nervos. Faltava-nos qualquer coisa e como sempre nestas circunstâncias todos olhavam para o Ronaldo.

Foi então que o Payet decidiu o jogo. Ou ele ou as lágrimas do Ronaldo. Ou o sentimento de injustiça que se gerou não em 11, 23 mas milhões de Portugueses. Milhões de desportistas. Ou tudo isto. A verdade é que tudo mudou. Se havia dúvidas que um jogador como o Ronaldo pode ganhar um jogo até no banco elas ficaram dissipadas. Deu o exemplo, deu o que tinha e o que não tinha. E inspirou os patinhos feios, transformaram-se e a equipa acordou. Primeiro Fernando Santos que mandou lixar o autocarro e por os Portugueses a jogar de igual para igual. Depois Éder a provar que se jogámos este Euro sem ponta-de-lança não foi por falta de comparência do mesmo.

E assim se fez história. Venha de lá o caneco.

domingo, 10 de julho de 2016

Parabéns campeãs!





«A atleta portuguesa Sara Moreira sagrou-se este domingo campeã da Europa na meia-maratona, em Amesterdão, Holanda.
Sara Moreira venceu a corrida de estreia da distância em europeus isolada, tendo cortado a meta em 1h10m19s, com 16 segundos de vantagem sobre Veronica Inglese. Na mesma prova, a portuguesa Jessica Augusto obteve o 3.ª lugar, fechando o pódio com mais 36 segundos do que a sua compatriota.
Na Taça da Europa, realizada conjuntamente, Portugal ganhou coletivamente, contando ainda com Ana Dulce Félix, que terminou no 12.º posto. A atleta do Sport Lisboa e Benfica venceu na quarta-feira a medalha de prata nos 10.000 metros                        Expresso

PS. Curiosamente, em todas as notícias que li, não vi referência ao clube a que pertencem as senhoras agora medalhadas. Deve ser esquecimento. Felizmente é possível saber qual o clube da Dulce Félix, assim não se perde tudo.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Afundanço

O João Mário passou para o Raphael Guerreiro centrar de primeira e o Ronaldo foi lá acima e afundou. Foi um “aley-oop” com pés e cabeça.

A partir deste golo e deste afundanço pode-se contar a história que se quiser. Como diria o nosso Mahatma Ronaldo, o resto que se f###.

domingo, 3 de julho de 2016

Segundo a imprensa desportiva...

O Slimani já foi vendido vinte vezes. E das vinte não recebemos um chavo. Ficamos ainda a saber que o contrato do jogador tem uma catrefada de cláusulas, algumas aludindo a futuros prémios em forma de moças virgens, a receber, é claro, à posteriori.

Parece que o Teo afinal saiu mesmo em Janeiro enviando um sósia chamado Teófilo, o qual se revelou um verdadeiro entretido na arte de improvisar imprevisibilidades nas áreas adversárias. Pois também este Teófilo quererá (supostamente) sair, relançando a sua carreira em algumas equipas de topo, provavelmente nas Ilhas Fiji. Ficamos ansiosos que tal se verifique, podendo levar como brinde o Aquilani.

Um tipo chamado Bakic, que no ano transacto jogou no Belenenses, estaria a ser pretendido pelo Sporting. Agora ficamos a saber que o Benfica terá ultrapassado o Sporting na contratação deste craque da… Fiorentina. Para o Sporting vinha o Bakic versão belém, já para o Benfica vem um craque da Fiorentina. De qualquer das formas, uma contratação sonante na casa do Bakic, que terá feito a pomba.

Parece que o João Mário quer ganhar mais. Não deverá ser o único no plantel do Sporting. Já no Benfica rezam as crónicas das agências que todos os jogadores fazem questão de querer ganhar menos. Alguns terão mesmo solicitado o pagamento em géneros, tal a vontade em fazer parte daquela instituição aduaneira

Mais nos informam da necessidade de contratação de duas dúzias de duplas de centrais, ora de marcação, ora de cobrição. Diz que o Jesus está descontente com algumas abébias cometidas, alegadamente, por jogadores pouco dados a interacções físicas de relevo. A seguir.

Dos quatro jogadores do Sporting que ajudam a selecção tsé-tsé, mais os seis que saíram da sua formação, temos muito poucas notícias, obviamente por dificuldades de comunicação. Também pouco se fala desta abertura gigantesca de mercado que apenas encerra no final de Agosto, sem contar com os outros mercados emergentes ou nem tanto. O que torna o defeso uma piada que ultrapassa, e muito, a designação de silly season. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A empatar todos os santos ajudam

O trocadilho não é brilhante. Estamos todos assim. O Santos nivelou os portugueses. Se se perguntar pela exibição do Ronaldo, todos dizem que foi um jogador esforçado, solidário e as tretas do costume. Se se perguntar o mesmo relativamente ao Eliseu, a resposta é a mesma. Não há diferenças. O Santos teve o mérito de nivelar todos os jogadores. Esqueci-me: falta o Renato Sanches (falta também o Pepe, mas a história é outra).

A “flash interview” final do Santos foi esclarecedora. Quando perguntado sobre a chamada ao banco do Renato Sanches e as orientações, informou-nos:” tínhamos combinado que o Nani pegava o dez, o Renato o cinco e o Adrien o oito, ficando o William com o sete ou o nove, conforme as necessidades. Era preciso que o Renato passasse a ficar com o oito, transitando o cinco para o Adrien” (não me lembro bem dos números, mas eram mais ou menos estes ou parecidos com a última chave premiada do Totoloto). Assim percebe-se melhor a razão dos jogadores andarem a correr atrás dos outros. É preciso que eles os passem primeiro para saberem o número da camisola.

Tudo estava pensado desde o início. As sofridas vitórias na fase de apuramento com golos nos últimos minutos. A sessão de pancadaria entre sérvios e albaneses que acabou, na prática, na eliminação da Sérvia. Os sucessivos empates na fase de grupo. Se jogarmos para o empate, ganhamos. Empatar é ganhar. É uma fezada. Não sabíamos que era assim, mas pode vir a ser assim. Nunca ganharemos a final do Campeonato Europeu, mas estou convencido que, por este andar, ainda a vamos empatar.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Laissez-faire

Já tinha partilhado anteriormente que a minha esotérica explicação para o golo de Portugal contra a Croácia assenta na teoria da mão invisível de Adam Smith, por ser um daqueles casos em que três jogadores, agindo no seu puro interesse individual acabaram por fazer o que era melhor para o coletivo.

Nani não estava numa boa posição para rematar, no entanto o que ele queria mesmo era marcar um golo. Como tal em vez de centrar mandou uma biqueirada na bola que foi parar redondinha aos pés do Ronaldo.
Este já sabemos, também age sempre no seu próprio interesse: apesar da melhor posição de Quaresma, Ronaldo não quer um lugar na história como rei das assistências e rematou à baliza. Perante a intervenção da mão bem visível do GR Croata a bola lá foi, não para o fundo das redes mas para a cabeça dum Quaresma que... simplesmente não devia estar ali.
Sendo o extremo de serviço Quaresma depois de recuperar a bola junto à linha devia ter-se mantido por lá, a dar "profundidade" ao ataque e nunca se deveria enfiar no meio dos colegas. Acontece que Quaresma queria mesmo era marcar, e disciplina táctica não é com ele; uma mão invisível empurrou-o para o lugar do ponta de lança que Santos teima em não usar.
Resultado final: uma batata lá dentro, exactamente o que era melhor para o colectivo.

Não sei se o caso é replicável. O que sei é que o Fernando Santos tem vindo a conseguir o feito notável de ter todos os seus jogadores com um desempenho no Euro abaixo do que eles conseguem nos seus clubes. Será que quando assim é podemos concluir que seria mais eficiente o Fernando Santos não fazer nada? Não sei, mas eu arriscava ver o resultado e por isso o meu desejo para amanhã é que o Fernando Santos adopte um modelo laissez-faire, que em futebol se deve traduzir num "deixa mas é os homens jogar à bola".