segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A cereja



Já ia a fanfarra no adro acompanhada pela ululante multidão de engravatados. O fogueteiro já ultimava o arsenal. As bifanas estavam no ponto. Nas rádios, tv´s e jornais ganhava dimensão a sempre esperada onda de unanimismo irracional. Já se havia começado até o enterro dos vencidos e se começara a estender o tapete vermelho próprio destas ocasiões. Naturalmente, a habitual euforia dava lugar nas últimas horas ao histerismo incontrolado. Não se calavam já as emoções, bastava esperar.
E eis que… o Syriza ganha as eleições! A Syriza no topo do bolo!
Sim, pensavam que se estava a falar de quê?

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cumprimos, mas não foi bom

Este é o tipo de jogo que detesto. Começa por ser um jogo para cumprir calendário. O adversário é fraco e vem jogar para o pontinho da praxe. Mete-se todo lá atrás. Monta todos os autocarros que pode e faz todo o anti-jogo que a habitual complacência dos árbitros permite.

Os jogadores do Sporting começam por se deslumbrar. Parece haver muito espaço para jogar. Engano redondo. Há espaço até à entrada da área. Dentro dela não há um centímetro quadrado livre. O adversário joga com dois defesas laterais de cada lado. O Carrillo e o Nani começam a ficar bloqueados.

É preciso marcar cedo para desbloquear estes jogos. De outra forma, o adversário ganha moral. O Montero falha um golo cantado a passe de Carrillo. Mau prenúncio. Na primeira parte, praticamente só temos mais duas carambolas dentro da área.

Na segunda parte aceleramos um pouco mais o jogo. Mas, nestes jogos, jogar com um avançado é dar descanso à defesa. Com o Montero o descanso é ainda maior. O rapaz está sempre a recuar, quando o que precisamos é exactamente do contrário. Precisamos de um avançado na linha do fora-de-jogo sempre pronto a desmarcar-se e a empurrar a defesa para trás. Não há recuos e apoios frontais que resistam quando ninguém se desmarca nas costas do avançado ou se lembra de rematar de fora da área.

O Marco Silva resiste a meter o Tanaka no início da segunda parte. Só o faz depois dos sessenta minutos. Entra o Mané também. Prepara-se o assalto final. Preparam-se os corações para o sofrimento final também. Mas o Tanaka é um autêntico Xanax. Desmarcação rápida para o centro da área, a pedir um passe soberbo do William Carvalho, cabeçada para uma defesa notável e recarga do João Mário que dá o primeiro (e único) golo.

O mais difícil estava feito. Esperava-se a qualquer momento o golo da tranquilidade. O Nani chega a tê-lo nos pés, mas é displicente. Uma jogada daquelas não se conclui assim quando se está a ganhar por um. O golo da tranquilidade não aparece. A Académica tenta aparecer no ataque mas não consegue.

No último minuto dois disparates seguidos. Falta sobre o William Carvalho que o deixa no chão. Em vez de pararem o jogo, os jogadores do Sporting avançam para a área para tentarem o segundo. Não conseguem e bola para novo ataque da Académica. Ainda não estávamos refeitos do disparate anterior, já o Mané estava a desmarcar um avançado da Académica para o único remate perigoso à nossa baliza.

Mantemos a pressão sobre o Porto e distanciámo-nos do Guimarães. Os objectivos foram alcançados. Mas é preciso aprender. Aprender a resolver depressa e bem estes jogos e a congelá-los na sua fase final.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Miguel Galvão Teles

Morreu Miguel Galvão Teles. Foi um grande sportinguista. Continuará a ser o meu Presidente da Assembleia Geral. Há pessoas com quem simpatizamos sem as conheceremos. O Miguel Galvão Teles era uma delas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Domingo há bola

Depois de uma longa pausa natalícia regresso a este blog para falar de um jogo para uma competição que não interessa nem ao menino Jesus. Parece que apenas interessa a Jesus, o treinador. Depois das críticas aos que escolhem para estes jogos protagonistas de segunda linha (será que se dirigia a quem escolhe os árbitros?) viu-se que para certos clubes estes jogos parece que contam mais que certos jogos da liga: é o caso do Belenenses que ao contrário de outras ocasiões não descansou nem o Deyverson nem o Miguel Rosa.

Adiante. Não vi o jogo todo mas gostei bastante que o Sporting mantenha a sua atitude: honrar o Lucílio Baptista jogando com a segunda equipa nesta competição. Para mim isso é muito mais importante que o resultado, não só quando perdemos mas também quando ganhamos. Sempre que se vê o onze do Sporting lembro-me da peitada ao Lucílio e do arremesso da medalha, magníficos episódios do futebol que temos.

Por falar em futebol gostei de alguns jogadores, gostei do espírito lutador. Continuo a não gostar que esta equipa não saiba segurar resultados.

Domingo temos mais bola. Desta vez a sério.

domingo, 18 de janeiro de 2015

“On fire”

Foi mais difícil do que o resultado deixa transparecer. O Rio Ave é uma boa equipa e sabe o que está a fazer em campo.

Na primeira parte tivemos muitas dificuldades em chegar à área do adversário. Sentiu-se a falta do Slimani. Dá outra profundidade ao jogo do Sporting. Obriga a defesa a recuar. Uma coisa é fazer os famosos apoios frontais à entrada da área. Outra bem diferente é andar sistematicamente, como faz o Montero, a recuar a meio do meio-campo para tabelar com os colegas. A defesa sobre com ele e os espaços entrelinhas, como agora se gosta de dizer, reduzem-se.

Marcámos de penalty. O penalty é evidente. Só não é evidente a favor do Sporting. Os comentadores não estão habituados e estranham. Os rapazes do Rio Ave tentaram chegar a roupa ao pelo do árbitro. O árbitro desfez-se em mesuras e limitou-se a uns amarelos. O que se chama um árbitro corajoso. Acabámos a sofrer um golo ridículo. Parecia um contra-ataque de um jogo de andebol.

Na segunda parte entrámos bem. Falhámos três ou quatro oportunidades de golo. Fizemos o dois a um e o três a um. O jogo parecia resolvido. Demos uma abébia e levámos o segundo golo. O jogo estava perigoso, muito perigoso. Precisava de entrar o Tanaka, sobretudo depois do Montero tentar marcar um golo de chapéu à entrada da área. O japonês está “on fire”. Quatro a dois e jogo arrumado.

Ganhámos e isso é sempre bom. Ganhámos apesar do André Martins. Já não tínhamos esta sensação há muito tempo. A defesa tremeu, sobretudo os laterais. Gostei do João Mário. Teve mais pilha do que estava à espera. O Nani foi decisivo. Temi o pior quando vi entrar o Mané. Os últimos jogos dele foram horríveis. Não esteve mal. O Tanaka é que está imparável. O William Carvalho está a voltar ao normal. Gostei do Ryan Gauld. Parece jogador, mas é preciso dar tempo ao tempo. Gostava de ter visto jogar o  Wallyson Mallmann. Parece-me um jogador mais maduro.

Só nos resta desejar que a crise continue por mais algum tempo. Desejavelmente até ao fim da época.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Marcar de bola parada

Não vi o jogo. Vi o resumo. Parece que merecemos ganhar. Aparentemente o Ryan Gauld vem-se afirmando. Temos jogador. Se não for para esta época será para a próxima.

Ouvi também uns comentários na televisão. Retive um só comentário. Dizia um pândego qualquer que o Tanaka só marca de bola parada. Que o Tanaka marca de bola parada já o sabíamos. Não sei de onde veio o só. É situação para dizer: mais vale só do que mal acompanhado.

Com esta vitória sobre o Boavista, estamos a um passo das meias-finais. Para quem não queria ganhar a Taça da Liga, não está nada mal.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Assim é que é bonito

Assim é que é bonito: ganhar no último remate; um remate sem espinhas, de livre. Este remate ainda teve outro picante. A falta que deu origem ao livre deveria ter determinado a expulsão do guarda-redes. Esgotadas as substituições, não restaria outra alternativa que não fosse um jogador de campo do Braga ocupar o lugar de guarda-redes. Mas o Tanaka não gosta de facilidades. Três passos atrás, curta corrida de balanço e remate com convicção. A bola ainda não tinha chegado à barreira e já estava lá dentro.

Temia-se o pior. O Braga dá pau e sabe jogar com o árbitro. A trancada do Ruben Michael no Nani, sem o correspondente amarelo, parecia confirmar esses receios quanto ao árbitro. Esqueceu-se de marcar um livre perigoso à entrada da área por falta sobre o Nani. Esqueceu-se de expulsar o guarda-redes, como se referiu. Depois, bem, depois foi uma no cravo e outra na ferradura. Tenho grandes expectativas quanto aos resultados do quinto amarelo mostrado ao Maurício e ao Adrien. A equipa tem tudo para melhorar no próximo jogo contra o Rio Ave.

Primeira parte equilibrada, sem grande oportunidades, com uma arrancada extraordinária do William Carvalho, concluída com um passe a rasgar para o Carrilllo, que centra para remate do Nani e grande defesa.

Na segunda parte, entrámos de forma extraordinária. Nos primeiros vinte minutos, podíamos ter resolvido o jogo. O Carrillo ensaboou a cabeça ao lateral esquerdo. Valeu o guarda-redes do Braga e a falta de convicção do João Mário e do Montero. Depois o jogo ficou equilibrado. Fisicamente a equipa parecia ter conhecido melhores dias. O treinador arrisca. Recua o João Mário e mete o Mané e o Tanaka. O Braga parecia estar mais forte. Mas estava lá o Tanaka.

Esta vitória era fundamental. Passámos para o terceiro lugar e deixámos a cinco pontos o Braga. Mantemos a pressão sobre o Porto. Esperemos que a crise que atravessamos se mantenha por muito e bom tempo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

私は日本人だ


Hoje deu-me para o xintoísmo. O xintoísmo não conhece divindades ou um deus, mas reconhece a existência dos kamis, seres divinos, que se podem hospedar em tudo o que existe como árvores, rios, montes, etc. Hoje estava um hospedado no Tanaka. 

Mais, o xintoísmo não tem dogmas, teologia ou escritura sagrada. O xintoísmo reduz-se a poucos preceitos fundamentais como, por exemplo, «não prestar atenção às coisas falsas, não ver e não falar falsamente», coisas simples portanto, embora pouco praticadas. Se houvesse um preceito a incluir, neste momento eu proporia: «não aplicarás um golpe de karaté sobre um japonês em cima da hora e perto da linha da grande área.» 

Para terminar. Dominámos o jogo e merecemos ganhá-lo. Já a rádio TSF e a sua trupe de cantores radialistas achou que o melhor jogador em campo foi o Rui Patrício. Não fosse eu hoje xintoísta e iria fazer alguns comentários menos próprios. Sendo assim, não vou prestar atenção às coisas falsas.
Tora. Tora. Tora.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mais trabalho e menos conhaque, mais uma vez

Afazeres de última hora obrigam-me a sair tarde do trabalho. Venho ainda com as palavras que escrevi a ressoarem na cabeça. Lembro-me subitamente de uma anedota que hoje me contaram. Telefone ao Sérgio para lha contar. O Sérgio pergunta-me se lhe vou falar do golo do Carrillo. Só nesse momento me lembrei que jogávamos contra o Famalicão.

Chego a casa e procuro saber o resultado final. Tínhamos ganhado quatro a zero. Revejo os golos. O primeiro é sublime. Corrida na horizontal do Carrillo, para ganhar balanço, e desmarcação no momento certo para as costas do defesa para receber um passe notável do William Carvalho e rematar de primeira, fazendo um chapéu sobre o guarda-redes. Este passe e este movimento têm dedo do treinador. A qualidade dos jogadores fez o resto.

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Cumprimos a obrigação. Agora é pensar no jogo contra o Braga. Vai valer tudo menos arrancar olhos, como dizia o meu pai. O Braga dá pau o jogo todo. O Sérgio Conceição é um José Mota com melhores jogadores e uma trunfa penteada à maneira. O árbitro está encomendado seguramente. Vai ser necessário jogar contra tudo e contra todos. Espero que os jogadores e o treinador se consciencializem disso. Se se consciencializarem disso e estiverem dispostos a sofrer, face à pancadaria do adversário e à complacência do árbitro, a nossa melhor organização colectiva e o Nani se encarregarão de fazer a diferença.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

«Uma dúvida caro Watson»



Depois da perseguição e até estigma culinário lançado sobre os croquetes e os seus comedores como é que nunca ninguém se questionou sobre a capacidade de sobrevivência do fornecedor dos mesmos?


Sherlock
 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Continuando a aprender

Vi há pouco um bocado do programa de ontem da SIC Notícias. Está lá tudo o quer nos caracterizou nos últimos anos. Sportinguistas que são mais sportinguistas do que os outros e o possidonismo elevado à sua máxima potência. É gravar o programa e mostrá-lo sempre que alguém queira fazer fracas figuras.

Necessitamos de normalidade, de viver habitualmente. Não necessitamos de estar sempre a questionar-nos. Não gosto da palavra estabilidade, mas, se tiver que ser, que seja a estabilidade. Mas que não haja equívocos: o principal responsável pela estabilidade, ou pela falta dela, é sempre a Presidência do Sporting; pelo que faz e diz e, sobretudo, pelos resultados que obtém. Não é desta Presidência em particular. É uma responsabilidade de todas.

O treinador e a equipa estão a aprender, como se viu no jogo contra o Estoril. Isso é um bom sinal. Já tivemos vários cromos a treinar que, em vez de errarem e errarem melhor, erravam e erravam pior.

A melhor maneira de defender é evitar que o adversário ataque, que tenha a bola e jogue como quer. É necessário defender com a equipa toda, logo desde a saída da bola da defesa adversária. A equipa não se pode desposicionar, em particular na zona central. Os defesas centrais não podem ser deixados à sua sorte. O William Carvalho tem que os apoiar, evitando que os médios e avançados adversários tenham todo o terreno e tempo para decidir.

Quando se tem a bola, não é preciso correrem todos à maluca para o ataque. Com o Nani e os restantes avançados que dispomos, estamos sempre próximos do golo. É só esperar pelo momento certo para dar a estocada. Os campeonatos ganham-se na defesa e com uma dose razoável de cinismo (que inclui marcar golos de bola parada, seja em lançamentos laterais, cantos ou livres). Em Portugal, para além disso, é preciso um pouco (ou muito, talvez) de árbitro também.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A aprender

O que mais impressionou neste jogo com o Estoril foi a forma como se defendeu. O Estoril, que é uma boa equipa, praticamente não teve uma oportunidade de golo. O Marco Silva e a equipa parecem estar a aprender.

O William Carvalho deixou as correrias e passou a estar onde deve estar: na cobertura da zona central, descaindo mais para um lado ou para outro, em função da forma como o adversário vai conduzindo o jogo. Ainda não foi o William Carvalho da época passada. Uma ou outra perda de bola e um ou outro passe falhado, compensados por duas ou três grandes recuperações de bola e um passe para o Carrillo absolutamente extraordinário.

Mas o mérito vai para a equipa toda e, sobretudo, para o Marco Silva. O Estoril estava bem estudado, em particular a saída da bola e a construção de jogo. A pressão alta foi tão bem feita que, na segunda parte, o Estoril praticamente não conseguiu ter a bola como queria e jogar como habitualmente. Acabaram encostados e à biqueirada para a frente.

Foram três, mas poderiam ter sido mais. Vamos sentir falta do Slimani. O segundo golo define-o. Recua para receber a bola e metê-la na lateral, arranca imediatamente para a área e para a receber no sítio certo e, com a convicção do costume, metê-la lá dentro. Tudo simples e com a intencionalidade do costume. Mérito também para o Jefferson.

Só o Mané não esteve ao nível dos restantes. Não foi por não tentar, por não se empenhar. Hoje não era o seu dia. O Marco Silva viu bem e substitui-o. Também não parece que a melhor posição para o Nani seja aquela com que iniciou o jogo. Partindo da lateral, torna-se muito mais perigoso e influente.

Não se pode dizer que tudo está bem quando acaba bem. Agora, as coisas estão como devem estar sempre. O Marco Silva será julgado, positiva ou negativamente, pelas suas opções e resultados; e não por qualquer teoria da conspiração. A Presidência do Sporting estará lá para isso e não qualquer adepto, por mais relevante que se considere.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Equívocos

Existe um enorme equívoco na conversa sobre a Academia do Sporting e a Equipa B. Para se darem oportunidades aos jogadores da Academia e, em particular, aos da Equipa B, é necessário que a Equipa A seja constituída a pensar nisso mesmo. Sendo assim, a Equipa A não pode ter mais de vinte jogadores (este número é um pouco aleatório, como devem imaginar).

A Equipa A e a Equipa B devem ser pensadas em conjunto. Antes de mais, devem ser pensadas de forma a permitir a redução de custos com os salários dos jogadores e as respetivas contratações. Porventura, nenhum dos plantéis pode ter mais de vinte jogadores. De outra forma, a Equipa B não passa de um sorvedouro de dinheiro.

Como é que se espera que sejam dadas oportunidades na Equipa A aos jogadores da B, quando nem todos os da Equipa A têm essas oportunidades também? É que sem se desfazerem estes equívocos não se pode discutir seriamente o tal projeto do Sporting, seja isso o que for.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As alternativas que (não) há

Este jogo contra o Guimarães foi revelador sobre as potencialidades e limitações das contratações e do plantel do Sporting.

O Slavchev é um caso perdido. Não é um problema de adaptação ao futebol português. É um problema de adaptação à modalidade, nomeadamente ao formato rectangular do campo e à forma esférica da bola. Quem considera que o Rosell pode ser uma alternativa ao William Carvalho, confunde o género humano com o Manuel Germano, como diz o Mário de Carvalho.

O Ryan Gauld tem excelentes pormenores. Revelou-se bastante combativo, para aquilo que estava à espera. É um excelente projecto de jogador, mas ainda não tem a consistência e a rotação adequadas para jogar regularmente na equipa principal. Com o Podence passa-se o mesmo. Pareceu-me, mesmo assim, mais robusto fisicamente.

Na defesa as opções são mais complicadas. Entre o Maurício e o Sarr o coração de qualquer sportinguista balança. Se se tiver que optar, talvez seja preferível o Tobias Figueiredo (que fez um jogo competente). O André Geraldes esteve magnífico. Beneficiou de jogar com o pé contrário contra um extremo que também jogava com o pé contrário. Mas se o tal de Hernâni é um jogador espectacular, como para aí se diz e como diziam os comentadores, então o André Geraldes é o Cristiano Ronaldo dos defesas laterais. Meteu-o simplesmente no bolso.

No ataque, o que ficou demonstrado é que qualquer jogador é alternativa ao Capel. O Héldon, o Tanaka, o Sacko ou o Dramé, qualquer que seja o ângulo de análise, são melhores. Tenho dúvidas se eu próprio também não sou melhor. Daqui não se conclui que qualquer um deles seja exatamente o que mais precisamos.

Uma última nota para aquele que me pareceu, de longe, o melhor jogador do Sporting: Wallyson Mallmann. Para mim, não engana. É jogador de bola. Com ele, a bola está sempre em porto seguro. Sabe passar com acerto, desloca-se com a propósito dando sempre linhas de passe aos seus colegas. Entra de caras na equipa principal.

O Guimarães demonstrou a mediocridade do futebol português. Se percebi o que disse o treinador, a táctica passa por meter muitas bolas para dentro da área que alguma deve entrar; na parte final dos jogos, deve-se jogar à biqueirada para a frente e fé em Deus. De facto, o Guimarães teve mais bola, meteu umas tantas para dentro da área. Contrariamente ao que diz o treinador e comentadores, não criou uma oportunidade de golo. O Marcelo Boeck não fez uma defesa. Quando é preciso assumir o jogo e jogar em ataque continuado é que se vêem os treinadores; ou não se vêem, como foi hoje o caso.

A arbitragem foi a desgraça do costume. O Sporting com uma equipa de meninos, que mal se chegavam aos adversários, fez vinte e duas faltas. Em contrapartida, o Guimarães fez nove. A meio a primeira parte, o Sporting tinha nove faltas e o Guimarães nenhuma. A acabar o jogo, cortam-nos um lance que podia dar o segundo golo com um fora-de-jogo ao Tanaka completamente ridículo. Contra isso é que não há treinador que nos valha. A isto é que deve estar atenta a Presidência do Sporting e os sportinguistas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

E mais não digo …

Para análise desta novela, que envolve a Presidência do Sporting e o seu treinador (Marco Silva), nada melhor do que reler o “Allegro ma non troppo” de Carlo M. Cipolla. Os homens são classificados com recurso a um plano cartesiano (cada quadrante corresponde a uma dada classificação): os inteligentes (Quadrante I), os ingénuos (Quadrante II), os estúpidos (Quadrante III) e os bandidos (Quadrante (IV). Os inteligentes são os que estabelecem com outros relações “win-win”. Os ingénuos são os que, ingenuamente, beneficiam os outros, prejudicando-se (“lose-win”). Os estúpidos são os que, estupidamente, prejudicam os outros e prejudicam-se a si próprios (“lose-lose”). Os bandidos ganham quando se relacionam com os outros, saindo estes a perder (“win-lose”).

A partir desta representação, Cipolla estabelece as leis fundamentais da estupidez humana. Conclui que, para a humanidade no seu conjunto, os estúpidos são mais perigosos do que os bandidos. Quando alguém rouba 20€ a outrem, o bem-estar social mantém-se inalterado, isto é, a sociedade no seu conjunto não sai prejudicada nem beneficiada. Coisa diferente acontece quando os estúpidos entram em ação: perdem todos e, assim, perde a sociedade no seu conjunto.

Admitir que se pode estar a favor da Presidência do Sporting e contra o seu treinador é uma contradição. Estar contra o treinador pressupõe, sempre, uma avaliação negativa de quem o escolheu e, portanto, da Presidência do Sporting. Mais, a forma como este processo está a ser conduzido – colocando os dois contendores no mesmo plano - levará sempre a que a Presidência do Sporting perca mais do que o seu treinador, o que a transforma num estúpido mais próximo do ingénuo do que do bandido. O que esperávamos era uma Presidência do Sporting inteligente e mais não digo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Deitar fora o menino com a água do banho

O Sporting não está tão bem como poderia no Campeonato. Em todas as outras competições, tudo se mantém em aberto, coisa que os nossos principais adversários – Benfica e Porto – não se podem vangloriar. Mesmo no Campeonato, a classificação reflete as nossas insuficiências, mas também a forma despudorada como o Benfica tem vindo a ser levado ao colo.

O Marco Silva não é o Sá Pinto ou o Paulo Sérgio, que ao fim de meia dúzia de jogos já todos tínhamos percebido que não sabiam bem o que andavam a fazer. Não se pode deitar fora o menino com a água do banho.

Como já li por aí, se as notícias são falsas, desmintam-nas. Se são verdadeiras, uma de duas: ou se entendem ou rescindem o contrato. Em qualquer das três hipóteses, comuniquem rapidamente o que (não) se passa. Que ninguém tenha ilusões, se rescindirem com o Marco Silva, a Presidência do Sporting perde o estado de graça, isto é, no curto prazo fica exposta ao primeiro mau resultado que aconteça. É que os prognósticos só se fazem no fim dos jogos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Slimani contra o resto do mundo

O Slimani é o único que sabe jogar com intensidade, como agora se costuma dizer. Desmarca-se em profundidade ou para as laterais para receber a bola. Tabela com alguém – nos famigerados apoios frontais – e corre para a área como um maluco para ver se alguém lá mete a bola. Vai a todas, ganha os lances de cabeça nas biqueiradas que o guarda-redes ou os defesas mandam para a frente. Fartou-se de criar perigo nos lances de bola parada, como o que originou o golo. É ele e mais uma ou outra honrosa exceção, como o William Carvalho ou o Paulo Oliveira.

Mesmo com o cérbero oxigenado, o Adrien já só faz asneira. A acabar o jogo, quando já não podia com uma gata pelo rabo, arranjou maneira de o expulsarem e de criar uma oportunidade de golo para o Nacional. Ninguém percebe como é que deixam o rapaz chegar aquele estado sem o substituírem.

O Maurício é um susto. Os laterais são inconsequentes no ataque e tremem na defesa. O João Mário julgava que estava a jogar futebol de praia. Os extremos foram autênticas nulidades. Salvou-se o golo do Mané e os últimos momentos do Carrillo. Os últimos minutos do Carrillo foram absolutamente geniais. Praticamente sozinho acabou com o jogo. Os jogadores do Nacional não sabiam o que fazer. Se entravam à bola, acabavam a fazer fracas figuras. Se não entravam, ele não se mexia e não saía dali com a bola.

O Nacional é treinado pelo Manuel Machado e isso diz tudo. Ninguém tem menos de um metro e oitenta. Todos jogam forte e feio. Só quando estavam a perder é que lá resolveu meter um rapaz que sabia jogar à bola.


(Falta uma nota para o Patrício. Uma noite a tremer de frio e, de repente, aparece-lhe um jogador do Nacional completamente isolado. Mais uma saída à Patrício, só que desta vez sofreu uma entrada violenta. O Duarte Gomes nem sequer marcou falta)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vem aí borrasca

Ontem, previa que as coisas se iriam complicar. Não antevi que já estivessem tão complicadas assim. Vem aí borrasca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sem tempo

Quem anda nisto há muito anos percebe os sinais. O jogo contra o Vizela anunciou o pior. O próximo jogo contra o Nacional prenuncia o cataclismo. Também pode acabar em redenção. O Marco Silva e os jogadores têm muito pouco tempo para mudar alguma coisa. Mais do que eles, a Direção precisa dessa mudança, para que não se lhe acabe o tempo também.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mais prognósticos no fim do jogo

1. Dissemo-lo por diversas vezes e repetimos mais uma: a Liga dos Campeões não é uma competição em que um clube como o Sporting possa fazer muito mais do que ofício de corpo presente. É uma participação bem paga, mas não mais do que isso.

2. O que interessa são os jogos como o de ontem, contra o Moreirense. Trocava de bom grado todos os resultados positivos da Liga dos Campeões pelas vitórias contra o Moreirense, Belenenses e Paços de Ferreira em casa.

3. A questão é se os resultados depois da Liga dos Campeões se devem à falta de atitude dos jogadores ou a outra coisa bem diferente. A desculpa da atitude dá para tudo, mas serve para pouco. Justifica o jogo contra o Guimarães, em que pensávamos que podíamos continuar com elevada nota artística mesmo num campo impraticável e com um adversário aguerrido; não se justifica os restantes jogos.

4. A questão é de qualidade dos jogadores e da disponibilidade física para se jogar sempre em correrias permanentes e em ataque continuado. A equipa não dá para tudo. Os jogadores de qualidade não abundam. As opções táticas do treinador não poupam os jogadores.

5. As opções táticas do treinador não podem deixar de estar no centro deste debate. Desgastam os jogadores; nem sempre os permite colocar a jogar da melhor forma e nas melhores posições; transforma a zona central num autêntico baldio. Enfim, mesmo a ganhar, o Sporting está sempre exposto ao ataque adversário.

6. Os campeões em Portugal não são as equipas que melhor jogam ao ataque. São as equipas que defendem competentemente, pressionam os árbitros, intimidam os adversários e, sobretudo nos jogos mais difíceis, marcam golos de bola parada ou em molhadas várias.

7. O Marco Silva é bom treinador. A equipa joga, mais bem do que mal, segundo as suas ideias. Sabemos bem o que é um treinador sem ideias ou que não sabe colocar os jogadores a jogar de acordo com elas. Tem que ser mais realista, mais cínico e colocar a equipa a jogar de acordo com as características dos seus jogadores.

8. O caso do William Carvalho é o mais evidente. Não é, não pode ser, pior jogador hoje do que era na época passada. O que se lhe pede é que não é o mesmo. Ou arranja outro para o lugar, o que não vislumbro, ou então ajusta a forma da equipa a jogar às características do William Carvalho. É que a defesa sofre com este posicionamento do William Carvalho. A questão do controlo da profundidade é mais treta do que outra coisa. Os médios adversários aparecem sempre sem pressão e a dispor de todas as opções em aberto.