quarta-feira, 25 de maio de 2016

Um Sporting forte, mas não muito

A hipocrisia não era completa quando os nossos adversários defendiam, há uns anos atrás, um Sporting forte. É verdade que agora que têm um Sporting a disputar o título até à última jornada não o defendem assim tanto. Mas também é verdade que, de acordo com uma notícia que acabei de ler, o nível das assistências nos estádios portugueses aumentou muito na última época, com benefícios para todos os outros clubes (especialmente para o Benfica).

O Sporting trouxe nesta última época muito mais animação ao nosso tradicionalmente entediante campeonato nacional. Pelos vistos, reflete-se nas assistências. Refletindo-se nas assistências, refletir-se-á também em todas as áreas de negócio que envolvem o futebol (media, “merchandising”, etc). Ganha o Sporting e ganham todos os outros clubes, sendo que os benefícios não são iguais para todos, tendendo a ganhar mais aqueles que têm maiores massas críticas de simpatizantes, como o Porto ou o Benfica. Por incrível que possa parecer, ganham os árbitros e tudo. É uma relação “win-win” perfeita.

Quando os analistas afirmam, por um lado, que o Sporting foi a equipa com melhor futebol e, por outro, que perdeu o campeonato devido à política de comunicação do Benfica (que, na novilíngua do futebolês nacional, quer dizer tudo e mais alguma coisa, com exceção do que se passa dentro de campo com a bola e os jogadores), algo está profundamente errado. O Sporting não existe para animar campeonatos, em particular os de comunicação. Existe para ganhar campeonatos de futebol. Dentro de campo, pode-os perder por demérito próprio ou por mérito dos adversários. Não os pode perder porque perde na comunicação ou lá o que isso é.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O meu azar é maior do que o teu

Ontem, na final da Taça de Portugal, quando se chegou à decisão por penalties, vários azares e fantasmas se confrontaram. Do lado do Braga, o azar e o fantasma da época passada. Do lado do Porto, o azar que é simultaneamente um fantasma mas com corpo e alma: José Peseiro.

A questão que os penalties iriam esclarecer era qual dos azares e dos fantasmas pesaria mais. Os sportinguistas são os adeptos no Mundo mais aptos a prever o que vai acontecer quando está em consideração o paranormal. Nós conhecemos o José Peseiro. Não nos esquecemos da final da Taça UEFA. Não nos limitámos a perder quando tínhamos todas as condições para ganhar. Perdemos por três a um, tendo sofrido o terceiro golo na sequência de uma jogada em que um remate de um jogador do Sporting fez tabelar a bola nos dois postes da baliza da equipa adversária. Ainda hoje acordo com esse pesadelo.

Não tenho dúvidas que o fantasma do ano passado pairou sobre a cabeça dos jogadores do Braga. Também não tenho dúvidas sobre o que lhes disse o Paulo Fonseca. Com o indicador a apontar para o banco de suplentes do Porto e para o José Peseiro em particular, disse-lhes: “Estão a ver o que eu vejo, não estão? É ele. Não tem nada que saber. Cada remate nosso dá golo. O Marafona e os jogadores do Porto se encarregarão de fazer o resto”.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Boas Notícias

Depois de mais uma grande tarde da nossa equipa no Domingo, nada como lembrar as coisas boas com que o fim-de-semana nos brindou:
- Ganhámos 4-0 em Braga; grande atitude dos jogadores que tornaram o que parece difícil em fácil.
- Teo a marcar à ponta-de-lança: mais uns jogos assim e acho que o empresário dele conseguia convencer a rapaziada que quer comprar o Slimani a levar antes este. Vamos ver como regressa da praia (e quando...), mas se voltar a jogar assim não estamos muito mal.
- Rui Vitória deve continuar no Benfica; pena não podermos dizer o mesmo do Lopetegui, mas o ditado diz que mais vale um pássaro na mão...
- Vítor Pereira despede-se das nomeações para jogos da liga: depois da carreira de árbitro medíocre deixa a arbitragem num pântano ainda maior do que aquele que encontrou. A missão parecia quase impossível, mas conseguiu.

Venham de lá os 23 da seleção do Fernando Santos que depois de vermos a nossa equipa jogar tanto futebol já precisamos de um pouquinho de tédio.

domingo, 15 de maio de 2016

O jogo do título

O Sporting jogava para o título “Até ao Lavar dos Cestos é Vindima”. Jogou muito bem e goleou o Braga.

Começámos por ser gamados. Um defesa do Braga quis mandar um charuto na bola e acabou a mandar um charuto no Teo. O rapaz que não podia arbitrar um certo jogo porque vendida camisolas do Sporting não marcou o devido penalty. Imagina-se que a venda de camisolas do Braga renda muito mais.

Nesta fase da época, o Teo não é menino para se ficar. Grande jogada do João Mário a desmarcar o Ruiz e este a centrar de primeira para remate indefensável do Teo. Deve ter sido a este Teo que o Jorge Jesus pediu para não se assobiar.

A malta não descansou com o golo. O título estava ali à mão de semear e não se devia perder esta oportunidade. Recuperação de bola do William Carvalho, desmarcação e falta à entrada da área. O rapaz que não vende assim tão bem as camisolas do Sporting expulsa o jogador do Braga. O Bryan Ruiz marca o livre ao ralenti em grande estilo (é por estas que apetece de vez em quando entrar no campo e dar-lhe um par de chapadas). Mas o Ruiz estava em dia sim. Inventa uma jogada pela esquerda, para o Bruno César centrar tenso para a entrada de cabeça do Slimani. O Slimani encosta para o segundo poste e aumenta o valor da transferência.

O jogo acabou. O Sporting tinha ganhado o título. O campeonato do Braga é a taça. A partir daquele momento as duas equipas entediaram-nos de morte. Ficam para memória futura os dois golos do Ruiz, mais uma vez em grande estilo: o primeiro depois de fintar o defesa com o pé esquerdo e rematar com o direito, sem antes fazer a maldade de atirar o guarda-redes ao chão para o lado contrário; o segundo na sequência de uma tabela (improvável) de cabeça com o Schelotto seguida de um remate em vólei com o pé esquerdo. Marcasse ele o fácil da mesma forma que o difícil e hoje a conversa teria sido outra.

No futebol nada é definitivo. Não se ganha sempre e não se perde sempre. A vitória é sempre o prenúncio da derrota e a derrota é sempre o prenúncio da vitória. Quanto mais tardar a vitória mais feliz será. Para o ano há mais: malas, camisolas, sms, bitaites à segunda-feira e, uma vez por outra, futebol com bola e jogadores.

Ser sportinguista é meio caminho andado para um pacemaker

Acaba hoje. Em que rua se esconde a surpresa? Não se sabe. Sabe-se apenas que a possibilidade de nascer uma árvore na sala de jantar é remota, mas não impossível. Pere Calders imortalizou esse nascimento num conto. Toda a gente sabe que quem conta um conto acrescenta um ponto. Precisamos de três. Depois se verá.

(publicado originalmente no Anjo Inútil). 

sábado, 14 de maio de 2016

Ainda é possível, mas...


...Tudo tem que correr tão irritantemente perfeito na realidade como só parece possível na irrealidade do virtual…
 Eu ainda "acardito", um pouco menos, mas "acardito".

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Take 34: nomeação dos árbitros para a última jornada do campeonato

Cenário
A sala tem uma mesa oval ao meio, pousada sobre uma carpete vermelha. Três homens façanhudos conversam. Cada um tem um copo quase vazio à sua frente. Veem-se umas quantas minis, cascas de amendoim e uns papéis.

Diálogo
Homem 1: O que me dizem deste?
Homem 2: Esse não se sabe o que é. E o outro?
Homem 3: O outro é. Se é, pode ser.
Homem 1: Não sei se é. Talvez possa não ser. Aqueloutro é que não é. Não o sendo, será outra coisa, se é que me faço entender.
Homem 3: Talvez o que não se sabe o que é. Pode ser ou pode não ser. Se é, não é outra coisa. Se é outra coisa, então não é.
Homem 1: Em que ficamos?...Deve ser este?...
Homens 2 e 3 (em coro): Este qual?
Homem 1: Este, o primeiro, ora bolas!
Homem 2: Mas esse não se sabe o que é. Aqueloutro é e não é. Não pode ser. O outro é que é.
Homem 3: Seja!
Entra na sala uma senhora de avental transportando uma bandeja com um copo de whisky e duas minis.
Senhora de avental: Este é para quem? (levantando o copo de whisky)

domingo, 8 de maio de 2016

Não fechas bem da mala, pois não?

Andei toda a semana em bolandas com o trabalho. Quando não se ouve falar de futebol, este acaba por deixar de existir e a vida segue o seu curso natural. Mas não por muito tempo. Comecei a sentir os sintomas de ressaca na última quinta-feira. O problema é que, quando voltamos, corremos o risco do jogo ter mudado de nome. Neste caso, havia mudado de nome para “jogo da mala”. Pedi esclarecimentos, mas o meu anacronismo de (apenas) uma semana ou duas não foi compreendido.

Tive que estudar todo o processo. Quanto mais estudava, mais o tempo voltava atrás com histórias do arco-da-velha. Parecia que nunca tinha existido futebol, ou melhor, o futebol era apenas um jogo pequenino dentro de outro jogo que por sua vez encaixava noutro, e assim sucessivamente, uma autêntica matriosca de jogatanas em que o jogo propriamente dito é o boneco mais pequeno. Liguei a televisão: o Dani sorria enquanto o Diamantino falava de malas, dinheiro, conspirações, diz que disse e no meu tempo. O Dani continuava a sorrir. No seu tempo, o Dani tinha sido um grande jogador fora das quatro linhas, com passagens de sucesso em passerelles e festas. Talvez por isso tenha sido contratado para comentador. Não satisfeito mudei de canal. Um dos experts presentes afirmava que, após o apito dourado, as coisas tinham acalmado (leia-se dividido irmanamente por dois), e só agora tinham voltado as velhas questões das malas e afins. Percebi que o problema tinha um nome: Sporting.

Após mais um dia de apurado estudo sobre a questão da mala e demais incentivos, corri apavorado para ver o jogo do Sporting com o Setúbal. Mal cheguei fiquei logo descansado: eram onze jogadores para cada lado, uma bola, e na dúvida apita-se contra o Sporting. Ainda não me tinha sentado e já o Adrien levava um daqueles amarelos que o árbitro traz dos balneários em envelope lacrado com destinatário definido. Não tarda o Slimani vai também receber uma carta registada com aviso de recepção, pensei. E não me enganaria se Jesus não estivesse em todo o lado. Com o penalti sobre o Slimani não assinalado, fiquei com a certeza que há coisas que dificilmente vão mudar. Sucede que o Sporting está a jogar muito futebol, daquele jogado com bola e tudo. E isso incomoda muita gente. Ainda bem.

Uma última palavra para o Ruiz. Aquele seu primeiro golo, na sequência de uma jogada de laboratório, mostra-nos que o homem é vocacionado (apenas) para a marcação de golos de difícil execução. Em caso de dúvida o melhor é complicar a jogada ao ponto do golo se afigurar de difícil ou mesmo impossível execução, e só depois passar a bola ao Ruiz, ou em último caso, ao Teo. Com Teo tudo é possível, desde que devidamente enquadrado no caos imprevisível do seu jogo. E o futebol também é isso.  

sábado, 7 de maio de 2016

Até ao fim

Não sei o que se pode dizer deste jogo. Foram cinco golos mas podiam ter sido dez. Foram oportunidades atrás de oportunidades. Um massacre do princípio ao fim. O Patrício não fez uma defesa.

O adversário mais difícil ainda foi o árbitro. Durou enquanto pode. Fez o que pode. Ninguém lhe pode pedir mais. Colocou o Adrien fora do jogo contra o Braga. Não assinalou uma falta. Utilizou o amarelo para administrativamente o impedir de jogar o último jogo do campeonato. Viu o que ninguém viu no lance do amarelo ao Adrien, mas não viu o que toda a gente viu no penalty que não marcou a favor do Sporting, por tentativa de um defesa arrancar a pele do Slimani e que acabou numa projecção que deveria dar origem ao respectivo “Ippon”.

Depois do primeiro golo o árbitro não tinha muito mais a fazer. Havia sempre a possibilidade de administrativamente impedir também o Slimani de jogar o último jogo. Num lance em que o Slmani escorrega e derruba um adversário ainda foi lá ameaçar, para grande entusiasmo dos comentadores. O Jorge Jesus administrativamente tirou-o do jogo para evitar males maiores.

A defesa esteve intratável. O Coates e o Ruben Semedo funcionam como duas lâminas gémeas. Um corta e o outro apara. No final, a bola sai sempre redondinha para o ataque, com o William de Carvalho a dar-lhe o destino adequado. Os laterais subiram com a propósito. O Schelotto cansa-se e cansa-nos de tanto andar para a frente e para trás.

O Bryan Ruiz talvez tenha feito o melhor jogo da época. Marcou dois golos e esteve em mais outros dois. No primeiro do Gelson, o passe foi meio golo. O Slimani parecia o Ruiz. Fundamental no primeiro e no terceiro golo. No terceiro golo, com o toque de calcanhar em movimento, a isolar o Adrien, até parecia o Zidane. O Gelson teve a frieza dos veteranos no primeiro golo. O Teo, bem, quanto ao Teo, enfim, o Teo marcou um golo e atrapalhou-se com a bola, os adversários e os colegas um par de vezes. Assustou-se quando se viu isolado por um passe do Chuta-chuta. O susto foi tão grande que se deixou ultrapassar pelo defesa para lhe poder atirar a bola às pernas e assim evitar que todos víssemos que, naquela situação, não sabia muito bem o que fazer.

Ganhámos dentro de campo. Não aproveitámos para comprar nenhuma jovem promessa ao Setúbal. Quanto à mala, a existir, só se for a que o Setúbal vai utilizar para levar as cinco batatas para casa. Ainda agora acabaram os jogos em Alvalade e já estamos com saudades. Este campeonato vai-se disputar até ao fim. É impressionante como todos continuamos a acreditar que ainda é possível.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Phishing for Phools

Ando a ler “Phishing for Phools” (na edição portuguesa da Actual Editora, “À Pesca de Tolos”) de Akerlof & Shiller. Os autores procuram explicar-nos que o mercado se não for derivadamente regulado mais não faz do que nos oferecer o que verdadeiramente não desejamos, manipulando-nos através da exploração das nossas fragilidades. Mais do que uma instituição que incentiva a produção e consumo de bens e serviços necessários, constitui um contexto de interação económica e social privilegiado para a prática da pesca de tolos. O atual momento futebolístico presta-se a essa pesca de tolos.

Existe uma campanha de condicionamento do Sporting. Nada de especial. Normal até, tendo em consideração os tempos mediáticos em que vivemos: em que o que parece é e o que é nem sempre é o que parece. Aparentemente, essa campanha não visa diretamente o Sporting ou os sportingusitas. No subtexto, pretende afirmar que não é nada com o Sporting ou com os sportinguistas, mas exclusivamente com o seu Presidente. Pretende dizer-nos que se o Presidente fosse outro nada disso ocorreria e que tudo o que vai saindo na comunicação social é uma simples reação a posições do Presidente.

Esta narrativa, como agora se diz, é inteligente. Divide para reinar. Há os sportinguistas e os adeptos do Presidente. Uns e outros só coincidem em parte. Nem todos os sportinguistas gostam do Bruno de Carvalho. Está criada uma oportunidade para a pesca de tolos.

Esta campanha só existe porque estamos a disputar ombro a ombro com o Benfica a vitória no campeonato. Se assim não fosse, dissesse o que dissesse o Presidente e ninguém se daria ao trabalho de lhe responder. Qualquer que fosse o presidente, nas atuais circunstâncias teríamos a campanha que temos. Não há ilusões quanto aos propósitos. A campanha dirige-se a nós, sportinguistas, e visa criar dificuldades adicionais na conquista do título. Estamos habituados a ser pescados de uma forma ou de outra. Não queremos é ser pescados como tolos.

domingo, 1 de maio de 2016

Direcção assistida

As vivências do after-match são riquíssimas. Ontem na SIC Notícias, Joaquim Rita afirmou que, depois da derrota com o Sporting, o Porto ficava a 15 pontos do campeão. Já sabíamos que o coração do Sr. Joaquim Rita só tinha uma cor (vermelho e branco), mas assim ficamos a conhecer os seus dotes de leitor de sinas futeboleiras. Isso, ou ele está na posse de informação (supostamente) em segredo de justiça da bola, cuja leitura está apenas ao alcance de uns quantos eleitos. 

Mais adequada terá sido a sentença de Vítor Baía hoje no jornal Record. Segundo este (mais um leitor de sinas futeboleiras), o Porto está no bom caminho. Ao menos isso. Que se mantenha então o Peseiro e os bons resultados… 

sábado, 30 de abril de 2016

Portugal ainda pode vir abaixo!

Ontem, Portugal teve para vir abaixo. Só a intervenção do nosso Draghi da bola evitou o pior. Hoje era o dia em que os mercados iam finalmente estabilizar. A intervenção foi planeada com todo rigor. Era necessário fazer tudo, mas mesmo tudo para que o país não viesse abaixo. Tudo se fez e nem assim.

Cheguei ao Tribuna e estávamos a levar com uma bola ao poste e com o Patrício a agarrá-la depois da carambola que lhe sucedeu. Temi o pior. Nada disso aconteceu. O meio-campo pegou no jogo e não mais deixou os rapazes do Porto tocarem na chicha, mesmo sendo o Danilo muito melhor do que o William Carvalho, como hoje se verificou.

Num determinado momento, o William Carvalho varia o jogo para a direita, o João Mário recebe a bola no peito com dificuldade e, de imediato, mete uma cueca no defesa esquerda e vai pela área fora até a meter a redondinha para o pé direito do Slimani a empurrar para a baliza. Logo a seguir, o Schelotto faz de João Mário para o Slimani fazer de Slimani outra vez. Tudo bem feito, mas o Cassillas defende de cócoras.

Pressentia-se o descalabro. Os mercados estavam a afundar-se. Era necessária uma intervenção forte e decidida para os estabilizar. O lance começa numa falta não assinalada sobre o Schelotto, continua num salto para a piscina do Brahimi e acaba num penalty inventado. Freitas Lobo diligentemente apressou-se a explicar-nos não o que viu mas o que poderá ter visto o árbitro: uma eventual pressão do joelho do Coates na coxa do Brahimi. No reino da ficção anatómica, o esternocleidomastóideo do Vasco Santana é mais credível.

O Sporting treme. O Jorge Jesus grita com a defesa. Parece que vai tudo empatado para o intervalo. É então que aparecem os suspeitos do costume. O Bryan Ruiz encontra um espaço que só existe na cabeça dele para fazer um centro e o Slimani marca um penalty de cabeça.

A segunda parte traz-nos mais do mesmo. Intervenções no mercado para não o deixar afundar. As duas únicas oportunidades de golo do Porto nascem de dois livres inexistentes. Do outro lado, nada se passava. Uma ou outra falta e amarelos nem por isso. Até que um jogador do Porto entra a matar sobre o Slimani, o árbitro, sempre muito atento ao jogo, dá a lei da vantagem para não mostrar amarelo, quando os jogadores do Sporting estão em desvantagem numérica. Azar o dele. O João Mário inventa um passe no tempo e para o espaço certos e o Chuta-chuta chuta assim-assim, para o Casillas fazer o resto. O jogo acaba para os adeptos do Porto. Acaba pouco minutos a seguir, com o árbitro a apitar para o final, evitando a expulsão de um jogador do Porto.

Vão-se viver tempos interessantes. Portugal, afinal, ainda pode vir abaixo. Vão ser necessárias novas intervenções para estabilizar os mercados. Vai continuar a valer tudo. Hoje, como diria o Gabriel Alves, ganhou a força da técnica à técnica da força. Amanhã não se sabe. Só se sabe que a força tem muita força e tudo há-de fazer para ganhar à força.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Onde estavas no 25 de abril?

[Onde estava no 25 de abril] 
Passei o fim-de-semana em Évora, com amigos dos tempos de Agronomia. Vi o jogo contra o União da Madeira numa tasca manhosa. Passei pelas brasas. Deve ter sido do calor do Alentejo ou dos vinhos da Quinta da Ervideira. Do jogo não deve ter sido seguramente.

[O Feiticeiro de Oz] 
O Teo enfeitiça qualquer guarda-redes. A imprevisibilidade é tanta que a expetativa do imprevisível torna o previsível em imprevisível. No primeiro golo, o guarda-redes do União da Madeira quando viu que a bola ia para a cabeça do Teo deve ter pensado que qualquer coisa de estranho iria acontecer. Nunca lhe ocorreu que tudo acabaria num cabeceamento chocho à figura. Foi um frango para quem não acredita em poderes paranormais. Nós, que conhecemos o Teo, sabemos que esses poderes existem e causam estragos.

[A Teoria Geral do Autocarro] 
O União da Madeira plantou o autocarro e ficou agarrado à tática durante o jogo todo. A tática tem uma epistemologia, uma metafísica. Inicia-se o jogo a jogar para o zero a zero. Se se sofre um golo, continua tudo da mesma, dado que um acaso pode sempre dar origem ao golo do empate. Se se sofre o segundo, continua tudo na mesma, dado que é sempre possível num acaso qualquer marcar um golo e, como dizem os entendidos em comentários televisivos, reentrar na disputa do jogo. Se se sofrer o terceiro, então é que tudo tem de ficar na mesma para se evitar a goleada.

[De pequenino…] 
Descobrimos esta semana que um portista é um benfiquista desde pequenino. Desde que não liguem o sistema de rega se ganharmos o jogo, não vejo nenhum inconveniente. Podemos dizer agora o que disseram de nós nos últimos anos: o campeonato português precisa de um Porto forte e competitivo.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O mundo ao contrário

Não sou muito dado a antevisões de jogos, mas desta vez não resisto à tentação de vir aqui deixar nota de como as coisas estão diferentes. 

Em primeiro lugar, não sei bem quantas vezes fomos jogar ao Estádio do Dragão à frente do Porto (nem sei se alguma). Definitivamente não me recordo de ir lá jogar com tantos pontos de avanço.

Também não me recordo das eleições no Porto serem um assunto. Não me ocorre sequer um 'opositor' que se tenha batido com Pinto da Costa. Também aqui o mundo anda diferente, nem foi precisa oposição para roubar a Pinto da Costa votos que davam para envergonhar as bancadas parlamentares de Bloco, PP e PCP. Deve ser bom sinal, eu ainda me lembro do tempo em que eu próprio era 'oposição' do Presidente do FC Porto. Agora sou seu apoiante.

Mas nada disto muda a antevisão do Porto-Sporting. Por muitas voltas que queiramos dar, é muito mais provável o Porto limpar o Sporting que, por exemplo, um Guimarães congelar o estádio da Luz. É bom ter isto em mente, os reis das falsas expectativas ficam no outro lado da estrada. Agora, não quer dizer que não seja notável que vamos entrar naquele Estádio de cabeça levantada pelo futebol que jogamos, com o apuramento direto para a liga dos campeões no bolso e a sonhar com o título. O 2º é o primeiro dos últimos, e felizmente longe vão os tempos em que se comemorava esse 'feito' em Alvalade ao som do hino da champions. Ainda assim, por muito que nos queiram convencer que antigamente é que era bom, num jogo que muito provavelmente será de "cabeçudos" vai haver umas cabeças bem maiores que as outras. E isso este ano já não muda, quaisquer que sejam os resultados do fim-de-semana. Façamos votos para que a estatística tropece e possamos sair do Dragão em primeiro. Se não acontecer, sairemos seguramente melhor do que eles.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

De que cor é o mundo?

João Pinto, ex. jogador do Porto, disse em tempos que o seu coração só tinha uma cor, era …azul e branco. Temos assistido a um fenómeno curioso nos últimos tempos. Vários adeptos do tal clube que o coração só tem uma cor andam a saltar pocinhas. Manuel Serrão, admitiu, recentemente, que já foi sócio do Benfica (já não é?). Uma série de comentários e artigos de Sousa Tavares tiveram o seu corolário esta semana com uma verdadeira pérola (no jornal A bola): sosseguem, benfiquistas, o FC Porto vai travar o Sporting. Portistas anónimos no café e na rua vão nervosamente partilhando este sentimento em que o seu coração só tem uma cor: azul, branco e…vermelho. O vermelho do tal inimigo figadal. Mas porque será?

Resposta: o Sporting estava (supostamente) morto, enterrado, arredado destas andanças. Obviamente que as notícias da sua morte eram manifestamente exageradas, parafraseando Mark Twain. Mas andaram lá perto. Pinto da Costa havia-o anunciado, condescendente, no tempo de Godinho Lopes, afirmando que o Sporting fazia falta ao futebol português. Disse-o sem se rir. E nós percebemos o buraco em que nos encontrávamos.

A estrutura bicéfala (Benfica e Porto) do futebol português seria uma realidade (supostamente) incontornável, assente na repartição do poder, de títulos, prestigio e dinheiro. Muito dinheiro. O da champions sempre garantido, patrocínios, receitas variadas. Para utilizar uma expressão cara ao presidente Bruno de carvalho, não haveria espaço para mais nenhuma nádega. Quando muito, haveria espaço para um furúnculo, uma fístula, hemorróidas, ou algo parecido. Mas sempre como um elemento estranho àquele corpo. Um elemento doloroso. Algo que se deveria então erradicar.

Sucede que o Sporting se aguentou. Numa primeira fase graças à sua história e fundamentalmente aos seus adeptos e sócios (os patrocínios não caem do céu). Entretanto (nos últimos três anos), o Porto ficará, pela segunda vez, atrás do Sporting, tendo que jogar a pré-eliminatória da champions e ainda sem nenhum título no futebol. É demais. Agora imagem um Sporting campeão. Conseguem? Do outro lado da segunda circular, o impensável: o treinador campeão aceita treinar o antigo moribundo. Uma equipa com orçamento mais baixo e muito menos dinheiro investido no mercado. E ser campeão? Como diria o Pere Calders: mas agora nascem árvores na sala de jantar? Não pode ser. O mundo só tem uma cor: é azul, vermelho e branco.

Queriam, não queriam?

domingo, 24 de abril de 2016

Continuar a "acarditar"

O mundo sabe que…lutaremos até ao fim. Casa cheia em Alvalade, continuação da construção de uma ponte área para levar o sonho a todos os sportinguistas por esse mundo fora. Doya a quem doer.

O jogo começou como deve ser: com um golo do Sporting. Sem recurso a qualquer manobra (sempre imprevisível) de diversão, Teófilo Gutiérrez marca à ponta de lança, e ainda por cima de cabeça. É o que dá treinar todos os dias ao lado do Slimani. Antes de voltar aos banhos de sol o Teo ainda há-de ir à Copa América. Logo depois, o Patrício fez uma daquelas (grandes) defesas que deviam dar direito a uma estátua de cera no museu Madame Tussauds em Londres. Ele tem andado, aliás, a treinar a sua expressão para o efeito. O jogo pôde então continuar como deve ser: com outro golo do Sporting.  A eficácia faz toda a diferença. Ainda se jogaram mais uns minutos de bom futebol, depois fechou a loja que para a semana há mais.

O Ruiz desta vez ficou no banco. Pareceu-nos menos assustado. No banco não se falham tantos golos de baliza aberta. De certeza que lhe fez bem. Após a leitura de algumas postas e comentários aqui no Insustentável, Marvin Zeegelaar corrigiu parte da sua postura defensiva, e ainda foi lá à frente, mostrar como se centra e como se utiliza o corpo de um adversário para corrigir a trajectória de uma bola. Entretanto, o Schelotto, para além de emprestar algum estilo eighties ao cortejo de penteados disponível, continua a apresentar-se na sua melhor versão distrital, com resultados muito interessantes, comprovados na menor quantidade de perdigotos projectados pelo Jesus nas conversas (dentro de campo) entre ambos. Uma palavra final para o Coates, que andou a dar tanga aos ingleses só para vir jogar para o Sporting.

A meio da segunda parte tive que acordar um amigo que já dormia profundamente. Ao acordar sorriu e disse que tinha sonhado com o Sporting campeão. Eu também sorri. Pedi cerveja, para o que desse e viesse…

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Do oculto ao ocultado

Parece que o Benfica comprou uma bancada ao Rio-Ave. Ainda bem que se ficaram pela reabilitação imobiliária, não sendo necessário desviar o jogo para paragens mais exóticas, como o Algarve ou as Ilhas Fiji, onde equipas como o Rio-Ave, ou o Estoril, para citar apenas dois exemplos, têm grande massa adepta.

Entretanto, ficamos a saber que a gloriosa equipa B do Benfica ganhou um jogo ao Farense com a maçada de tê-lo disputado em campo, sendo que o teria igualmente ganho sem sair do masterchef bifanas que tem decorrido no Seixal com resultados esclarecedores. O Farense utilizou um jogador emprestado pelo clube encarnado e teria perdido de qualquer maneira. Nada como uma boa garantia. Sucede que a esses três pontos acrescem mais dois pelo despudorado descuido. E logo contra um concorrente directo à descida. O presidente do clube algarvio, para além de pretender não saber que o jogador estava emprestado pelo Benfica, ainda terá revelado que tendo conhecido a sua mãe desde a nascença e com ela ter privado toda a vida, seria incapaz de a reconhecer como sendo sua mãe, embora momentos antes tenha estado com a senhora a jogar na raspadinha. O mesmo servindo para a sua mulher, filhos, amigos, e até animais de estimação.

Nestas jogatanas do oculto esotérico, o Sporting tem mais um encontro decisivo, desta vez contra uma verdadeira máquina de jogar futebol, reconhecida internamente como uma camioneta da carreira, daquelas antigas. Ao volante está o senhor Norton de Matos, um senhor conhecido futebolisticamente por se chamar Norton de Matos. Parte significativa das vértebras que se insinuam de forma oculta no seu corpo são luminosamente vermelhas. Já nos ganharam uma vez este ano. Temos boa memória. Desta vez teremos que abalroar.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

À beira do abismo

Quando cheguei a casa não me lembrei que o Sporting estava a jogar contra o ABC em andebol. Só me lembrei quando se estava a cerca de 13 minutos do final. O resultado estava 19-16 a favor do ABC.

Fiquei surpreendido com o número de golos marcados por ambas as equipas. Pensei que o Sporting estivesse a defender bem, contrariamente ao que costumar acontecer, sobretudo desde que chegou o guarda-redes sueco. Assisti a doze minutos de completa incompetência do Sporting a defender. Praticamente todos os ataques do ABC acabaram em golo, mesmo em desvantagem numérica por duas vezes.

A sistematização do ataque do ABC foi quase sempre a mesma. Sistemáticos cruzamentos na zona central, com os calmeirões do Sporting a não acompanharem a rapidez dos jogadores do ABC que finalizaram quase sempre aos seis metros. O guarda-redes pelo caminho ainda deu dois perus.

O treinador do Sporting manteve a mesma defesa, a não ser quando entrou em desespero. Começou por mandar fazer duas defesas individuais para acabar com uma defesa homem a homem em campo inteiro. Os pequeninos e rápidos jogadores do ABC passaram a ter ainda mais espaço face aos calmeirões e lentos jogadores do Sporting.

O Sporting nos últimos campeonatos tem sido irregular, mas melhorava sempre nos "playoff". Nas finais, contra o Porto, defendeu sempre bem. Quase sempre num 5x1, com uma ou outra "nuance" táctica. Esperava-se este ano que a equipa fosse mais regular, com um bom treinador e os reforços possíveis. Não aconteceu. A equipa continua irregular e a defender cada vez pior. Mantém sempre o 6x0, quer chova, quer faça sol, isto é, independentemente do adversário e do seu jogo em cada momento. Não evoluiu. Regrediu.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Prejudiquem-nos, se faz favor!

Não vi o jogo contra o Moreirense. Vi o resumo e ouvi os comentários.

Do que vi e do que ouvi, parece que tudo neste jogo se circunscreveu ao árbitro. Validou e não se sabe se validou bem. Invalidou e não se sabe se invalidou bem. Marcou e não se sabe se marcou bem. Mostrou e não se sabe se mostrou bem. Expulsou e não se sabe se expulsou bem.

São os sportinguistas que querem ver o Bruno Paixão a arbitrar jogos da sua equipa? São os sportinguistas que querem a continuação do atual sistema de arbitragem que que nomeia o Bruno Paixão e permite que arbitre jogos? São os sportinguistas que não querem a aplicação de novas tecnologias no apoio às decisões dos árbitros?

Se somos nós, sportinguistas, que queremos que tudo fique na mesma, tramem-nos. Tramem-nos de uma vez por todas. Expulsem o Bruno Paixão e outros que tais. Demitam o Vítor Pereira. Arranjem um sistema de designação e avaliação dos árbitros que não deixe dúvidas a ninguém. Recorram às novas tecnologias para apoio às decisões dos árbitros.

Até nós, sportinguistas, somos capazes de vir a aprender a ver um bom jogo de futebol e não uma ópera-bufa, semana após semana. Prejudiquem-nos se faz favor!

domingo, 17 de abril de 2016

Um bilhete para o Olimpo, se faz favor

Jogo no Parque Desportivo Comendador Joaquim de Almeida Freitas, um campo, como diria o Gabriel Alves, muito arejado. Noite de chuva, a península inteira a chorar, como cantam os GNR. Jogo com o Moreirense do Miguel Leal, um treinador que andou na Universidade com o Rui Quinta (que ontem até teve direito a entrevista num jornal), fazendo ambos depois uma formação em condução de camionetas da carreira.

Já aqui havia escrito que, quando o caos provocado em campo e respectiva imprevisibilidade do Teo não dessem frutos, ou quando as oportunidades não rendessem o suficiente para as sobras dos desperdícios, a coisa não seria fácil. Até porque ontem nem sequer sobras houveram. Resta-nos, então, o Slimani. O Slimani é o plano principal, o plano B e o plano C da equipa. Mesmo ausente por doença, ou na bancada a comer cuscuz, o seu espirito batalhador não cessará nunca de importunar os adversários.

Ontem foi um desses jogos de fato de macaco, em que é preciso descer à distrital para subir ao Olimpo. Por vezes durante a subida a equipa tem vertigens. O Ruiz, às vezes, parece um puto com ar assustado (e ansioso) que está na última oral para acabar o curso depois de uma noite mal dormida. O Semedo é capaz de passar uma bola ou cortar um lance (sendo o último homem e perto do final do jogo) de forma tão displicentemente bela, que nós já estamos com o telemóvel na mão, marcando o número da televendas para encomendar um pacemaker. Ainda vamos fazer dinheiro com o Schelotto, a sua versão distrital encaixa que nem uma luva no campeonato de Chipre.

Ganhamos, num jogo menos conseguido. Os adversários já perceberam que com o Teo nunca se sabe e ficam de olho nele, desconfiados. O próprio Teo fica desconfiado. Nós? Nós acreditamos sempre!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Aposta na desportiva

Como alguém escreveu numa rede social (citado no Artista): O Bayern é a primeira equipa na história do futebol a eliminar o Renato Sanches. De qualquer maneira, estamos perante mais uma vitória do Benfica, a atentar na comunicação social e em alguns comentadores. Entretanto, volta o campeonato. Segundo um amigo meu, propenso a teorias conspiratórias, com a nomeação de Manuel [vermelho] Mota, para o jogo entre Arouca e Rio-Ave, dois coelhos estão feitos ao bife sob a mesma cajadada. Primeiro, assegurar a vitória do Rio-Ave frente a um adversário directo na luta pela Europa, jogando assim menos pressionado na semana seguinte contra o Benfica; mas, ao mesmo tempo, esta vitória do Rio-Ave terá de ser conseguida com o recurso a alguns cartões amarelos (não falta gente à beira da exclusão), ou mesmo vermelhos, para a equipa estar mais fraca no jogo seguinte. Mais fraca e descontraída: perfeito. Este meu amigo é simplesmente genial. Ele até queria acreditar no Setúbal, mas aí entraríamos no domínio do transcendente. 

A tudo isto acresce...Bruno Paixão em Moreira de Cónegos. Se a chuva se mantiver e o Leal estacionar a camioneta da carreira, lá terá o Teo que improvisar um momento cuja imprevisibilidade surpreenderá até o próprio (já para não falar do Paixão). Contra isso não há conspiração que resista, pensa o meu amigo. E tem razão.

Nota: como seria a prestação interna do Braga com a cabeça assente no campeonato? Estaria o terceiro lugar (e respectiva eliminatória da liga dos campeões) assim tão longe? Já para não falar das consequências práticas de tudo isso...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Descubra as diferenças

As notícias que chegam de Inglaterra dizem-nos que um árbitro foi substituído de um jogo do Totenham porque é adepto e reside em Leicester.

Em Inglaterra, tal como cá, os árbitros erram, e esses erros (também) decidem campeonatos e taças. Em Inglaterra, tal como cá, as pessoas desconfiam da intencionalidades desses erros. Agora em Inglaterra, ao contrário do que acontece por cá, há algum bom senso na gestão destas coisas. Sabe-se que os árbitros erram. Acredita-se que não é intencional. Confia-se no trabalho dos árbitros. E tem-se bom senso: não se envia um adepto de um clube rival arbitrar um jogo decisivo da equipa com a qual esse rival disputa o campeonato.

Por cá este simples gesto de bom senso, seria visto como uma 'ofensa' ao carácter do árbitro. Não é. O árbitro é um ser humano e tem direito a isso. Por exemplo o João Capela tem direito a ser adepto do Benfica (assim como o Mota) e o Jorge Sousa do Porto. Vítor Pereira é que devia ter o bom senso de não os colocar nas peculiares situações em que colocou o Capela na semana passada, por exemplo (ao que dizem até correu bem, mas podia não ter corrido). Parece tão óbvio que o simples facto de não ter esse bom senso nos deixa todos a perguntar: porquê?

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Ronaldo e a sua misteriosa equipa de futebol

Ainda não tinha visto jogar o Real Madrid esta época. Centenas de milhões de euros depois, a equipa chega a ser ridícula. Como têm quatro ou cinco médios que não são carne nem peixe, o único que pode jogar a trinco é o Casemiro. O Sérgio Ramos é um caso gritante de incompetência. Há uns anos atrás, o Pepe dava conta do recado sozinho. A caminhar para os quarenta anos, seria conveniente arranjar-lhe um parceiro de lado.

Mas há mistérios mais interessantes.

O Toni Kroos é um deles. Nem ataca nem defende bem. Tem bom toque de bola parado e a jogar devagar. É um Aquilani mas sem pinta. Falta-lhe o corte de cabelo à maneira e a barba aparada. É um Aquilani em armário, o que não faz qualquer sentido: ou se é um Aquilani ou se é um armário.

Ninguém consegue perceber como é que uma equipa que tem o Carvajal se lembra de contratar o Danilo. O Carvajal é que liga a defesa ao meio-campo e ao ataque. O jogo do Real Madrid é uma autêntica anarquia no meio-campo a defender e a atacar. Os jogadores não se mexem, ficando a dúvida se conseguiam mexer-se mesmo que quisessem. O Carvajal é o dos poucos que percebe que estando de calções e de chuteiras é suposto comportar-se como um atleta, correndo e trocando umas bolas com os colegas em progressão.

A contratação do Bale só pode ser explicada ou como uma operação de especulação financeira ou como uma operação de lavagem de dinheiro. Não custa admitir que faça parte de um derivado tóxico transacionado pelo Lehman Brothers com um tripo A atribuído pela Moody's ou pela Fitch. Não consigo acreditar que um cartel colombiano com um mínimo de competência se metesse numa operação de lavagem de dinheiro que desse tanto nas vistas. Esperemos que o Panama Papers nos esclareça em definitivo.

Sobra o Ronaldo. É melhor dizer de outra forma, sobram todos os outros. Marcou três. O primeiro à ponta-de-lança, aparecendo onde sempre aparece e onde a defesa nunca parece prever que vai aparecer. O segundo a demonstrar o grande atleta e jogador que é. Desmarcação rápida, grande impulsão e cabeceamento em grande estilo com a bola a entrar no ângulo inferior da baliza ainda antes de lhe sair da cabeça. O terceiro antes de entrar estava escrito na história que ia entrar. O Ronaldo sozinho ia eliminar o Wolfsburg. Tinha marcado dois. Faltava mais um. Foi de livre. Se não fosse, seria de outra forma qualquer.

domingo, 10 de abril de 2016

Com ou sem?

Sem o Adrien não é a mesma coisa. E não se trata apenas de uma questão de intensidade a atacar e (sobretudo) a defender, ontem, por exemplo, o William esteve muito bem (temos o aranha de volta). É todo o jogo do Sporting que padece da sua ausência, ninguém remata à baliza de meia distância, o João Mário acaba por se enredar em outras tarefas perdendo a sua liberdade, e até se nota mais a forma artística como o Bryan Ruiz come as suas guloseimas dentro do campo. O Bryan precisa de descansar um pouco e de fazer uns trilhos no Gerês com mau tempo. Mas é sobretudo com o Aquilani em campo que se nota a ausência do Adrien do… campo.

Com o Teo não é a mesma coisa. Nunca é a mesma coisa. O jogo ganha outras dimensões, não apenas técnico-tácticas, como transcendentais. Para além do caos instalado (já aqui muitos vezes mencionado), nunca se sabendo como a coisa corre, ora um golo com o peito que está mais à mão; ora um remate que embate num adversário ganhando outra vida e desaguando na baliza; ora um passepartout cheio de intenções manhosas que a razão desconhece; temos sempre uma panóplia de soluções que só o visionário Jesus descortinou há muito. E resulta. Muito para além disso, o Teo é um pé quente, um tipo com conhecimentos ao nível do etéreo, um piroqueiro (como se diz na minha terra) com o cu virado para a lua, é só insistir que vai sair lotaria. Seja aqui, seja na selecção da Colombia. O seu contraponto humano será, por exemplo, o Peseiro, este onde põe o pé, já se sabe…vai correr mal. Ainda bem!

Quanto ao Schelotto, com ou sem, vai dar ao mesmo. O Jesus insiste. Ele é que é o messias. Ele é que sabe…

Téo e pouco mais

Mal começou o jogo e qualquer sportinguista experimentado pressentia que tinha tudo para correr mal. Não sei se foi do resultado do Benfica. Não sei do que estavam à espera (a Académica é a pior equipa do campeonato; o estranho foi ter estado a ganhar e acabar por perder a cinco minutos do fim).

Afinal a conversa da reacção à perda de bola e da pressão sobre a saída da bola do adversário tem um só nome: Adrien. Sem ele, o meio-campo não tem nervo. O Aquilani é um poltrão. Salvou-se o William Carvalho. Marcou um e deu outro a marcar. O João Mário jogou com menos rotações do que o costume.

O ataque não esteve brilhante. O Slimani tentou mas desconseguiu a maior parte das vezes. Molhou a sopa uma vez, mas deve-lhe ter sabido a pouco. O Bryan Ruiz especializou-se em falhar penalties em movimento. O falhanço da primeira parte de cabeça deixa qualquer com vontade de lhe ir à cara sem sequer o anunciar no Facebook. O homem começa a irritar. O mais importante, para ele, parece ser a nota artística. Faz sempre o mais difícil, recusando-se a fazer o que é fácil.

O Téo é que não nos para de surpreender. Não é só a nós, adeptos. Surpreende os colegas de equipa e principalmente os adversários. No momento do remate, nenhum guarda-redes sabe o que pode acontecer. O homem marca golos com todas as partes do corpo. Começou com um golo de rabo contra o Benfica para a Supertaça e tem-se vindo a especializar em carambolas e roscas de todas as formas e feitios. Hoje, um remate que mais parecia um dos meus quando jogava umas peladas com os amigos, acabou com a bola a tabelar num adversário e a descrever uma parábola completamente improvável e fatal para  guarda-redes.

Não há muito mais a dizer do jogo. Ganhámos por três a um num dos jogos mais miseráveis da época. O Marítimo também não ajudou muito. Montaram o autocarro e tentaram uns contra-ataques e pouco mais. Na segunda parte e a perder por dois a zero chegou a ser confrangedor continuar a vê-los todos juntinhos cá atrás e a jogar sistematicamente na biqueirada para a frente com medo de se desposicionarem. Vinham para perder por poucos. Não perderam por muitos. Devem ter voltado para a Madeira contentes.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Antevisão

Após uma muito celebrada vitória em Munique, o Benfica desloca-se ao terreno da Académica para o jogo da jornada 29 da liga. O árbitro nomeado é o credenciado João Capela. Não existiria melhor santuário que este para abrilhantar um jogo pós-match europeu. Como bem nos demonstra o Artista do Dia, não há melhor como antídoto para o desgaste europeu. Resta à Académica rezar pelas alminhas.

Quanto ao Sporting, receberá um Marítimo desfalcado de Marega e José Sá, jogadores que têm feito a diferença ao serviço do Porto, justificando assim mais um esforço financeiro-comissionista do clube. Resta-nos então hospedar o Marítimo da forma condigna que merece, enfiando-lhe o maior número de batatas possível, ou bolas de Berlim, como o Carlos Pereira lhes quiser chamar. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

As sobras dos desperdícios...

Foi a caminho do café que soube do resultado do Porto. Pensei: bem, se é para falhar, falhámos. Vamos lá ver isso. Dito e feito, entrei no café com o Teo a falhar escandalosamente de forma convicta, contribuindo, logo a seguir, para o estado de desvario mental do William, estado esse que lhe terá passado momentaneamente para as pernas. A proximidade do Teo em permanente fora de (e do) jogo tem dessas coisas. Falhávamos nisto e naquilo, quando o Sligol marcou. Tinha que ser ele. Com o segundo golo do Slimani os adeptos do belenenses no café foram assumindo estados de espirito com outra coloração. Marcamos mais três só para abrilhantar esse colorido.

Fora os falhanços, o adormecimento é uma das características desta equipa, que assim ainda conseguiu sofrer dois golos com o jogo ganho e controlado. É a nossa forma de ser. Quanto ao Teo, estou certo que o Jorge Jesus insiste na sua utilização pelo caos que este provoca em campo, com consequências óbvias sobre a sua própria equipa e, por osmose, nos adversários que não conseguem compreender a sua (dis)posição, se é que ela existe. Ganha com isso o próprio Teo (que tem a sorte iludida dos jogadores da raspadinha), tanto mais que o Slimani vai abrindo espaços e desgastando os defesas. Mas nada disso será suficiente, de certeza, quando não houver Slimani, ou quando as oportunidades não renderem o suficiente para as sobras dos desperdícios. Força Briosa!

Assim só é possível às vezes

O nível de desperdício da nossa equipa nunca nos deixa de surpreender. O Teo Gutierrez então é um caso clínico. Começa por falhar de baliza aberta. Conseguiu enfiar uma rosca marada na bola que a fez descrever uma trajetória completamente impossível. A seguir, não satisfeito, quando o William Carvalho se isola, permanece sempre em fora-de-jogo, limitando-lhe as opções e obrigando-o a fintar o guarda-redes e, com azar, a escorregar e a falhar um golo cantado. Para acabar a primeira parte em beleza, isola-se do lado direito e, em vez de passar para o Slimani marcar de baliza aberta, tenta marcar um golo impossível. Como a relação com o Slimani estava promissora, ainda acaba a discutir com ele a marcação do penalty.

Para nossa sorte, a bola acabou por ir ter com o tosco. Aquele que não sabe jogar à bola; que só sabe jogar de cabeça. O tosco ensinou aos Gutierres desta vida como se faz. Voltou-lhes a ensinar como se faz no penalty.

Numa primeira parte que foi um autêntico massacre, em vez de uma goleada ficámo-nos por uns singelos dois a zero. Em vez de acabarmos com a brincadeira em quarenta e cinco minutos, quisemos continuar a jogar à bola com a rapaziada do Belenenses na segunda parte também.

Mal começámos a segunda parte começámos logo a desperdiçar. O William Carvalho centrou com o pé direito contra o pé esquerdo. O Teo Gutierrez, sempre ele, demora uma eternidade a passar a bola e um lance promissor de contra-ataque acaba numa tentativa de chapéu quase do meio campo do Bryan Ruiz. Até que o Adrien Silva se enerva e num pontapé de ressaca manda uma bomba lá para dentro. O Bryan Ruiz logo a seguir falha isolado. O lance dá canto. Na sequência do canto, o Coates ganha a bola de cabeça que, depois de uma carambola, aterra nos pés do Teo Gutierrez, que estava acampado em fora-de-jogo. O rapaz ainda se atrapalha com um colega, mas acaba por marcar. Bola ao centro e o Slimani na jogada seguinte aparece isolado e, à segunda, marca golo. O árbitro para compensar o golo anterior resolve marcar fora-de-jogo.

Depois, bem, depois pensámos que o jogo tinha acabado. Ninguém se interessou mais pelo que estava acontecer dentro de campo. Fomos continuando a falhar, mas a falhar pior. Pelo caminho, o Teo Gutierrez voltou a marcar "à mama" ao segundo poste (que começa a ser a sua especialidade). Displicentemente, deixámos o Belenenses marcar dois golos nos dois únicos remates que fez à nossa baliza.

Moral da história, num jogo que devíamos ter ganhado por dez a zero acabámos por ganhar por cinco a dois. Depois digam que a culpa é do treinador.


Nota: Portugal é um país com enormes assimetrias territoriais no que respeita ao desenvolvimento económico. O Porto deu hoje um grande exemplo de solidariedade territorial.