terça-feira, 3 de maio de 2016

Phishing for Phools

Ando a ler “Phishing for Phools” (na edição portuguesa da Actual Editora, “À Pesca de Tolos”) de Akerlof & Shiller. Os autores procuram explicar-nos que o mercado se não for derivadamente regulado mais não faz do que nos oferecer o que verdadeiramente não desejamos, manipulando-nos através da exploração das nossas fragilidades. Mais do que uma instituição que incentiva a produção e consumo de bens e serviços necessários, constitui um contexto de interação económica e social privilegiado para a prática da pesca de tolos. O atual momento futebolístico presta-se a essa pesca de tolos.

Existe uma campanha de condicionamento do Sporting. Nada de especial. Normal até, tendo em consideração os tempos mediáticos em que vivemos: em que o que parece é e o que é nem sempre é o que parece. Aparentemente, essa campanha não visa diretamente o Sporting ou os sportingusitas. No subtexto, pretende afirmar que não é nada com o Sporting ou com os sportinguistas, mas exclusivamente com o seu Presidente. Pretende dizer-nos que se o Presidente fosse outro nada disso ocorreria e que tudo o que vai saindo na comunicação social é uma simples reação a posições do Presidente.

Esta narrativa, como agora se diz, é inteligente. Divide para reinar. Há os sportinguistas e os adeptos do Presidente. Uns e outros só coincidem em parte. Nem todos os sportinguistas gostam do Bruno de Carvalho. Está criada uma oportunidade para a pesca de tolos.

Esta campanha só existe porque estamos a disputar ombro a ombro com o Benfica a vitória no campeonato. Se assim não fosse, dissesse o que dissesse o Presidente e ninguém se daria ao trabalho de lhe responder. Qualquer que fosse o presidente, nas atuais circunstâncias teríamos a campanha que temos. Não há ilusões quanto aos propósitos. A campanha dirige-se a nós, sportinguistas, e visa criar dificuldades adicionais na conquista do título. Estamos habituados a ser pescados de uma forma ou de outra. Não queremos é ser pescados como tolos.

domingo, 1 de maio de 2016

Direcção assistida

As vivências do after-match são riquíssimas. Ontem na SIC Notícias, Joaquim Rita afirmou que, depois da derrota com o Sporting, o Porto ficava a 15 pontos do campeão. Já sabíamos que o coração do Sr. Joaquim Rita só tinha uma cor (vermelho e branco), mas assim ficamos a conhecer os seus dotes de leitor de sinas futeboleiras. Isso, ou ele está na posse de informação (supostamente) em segredo de justiça da bola, cuja leitura está apenas ao alcance de uns quantos eleitos. 

Mais adequada terá sido a sentença de Vítor Baía hoje no jornal Record. Segundo este (mais um leitor de sinas futeboleiras), o Porto está no bom caminho. Ao menos isso. Que se mantenha então o Peseiro e os bons resultados… 

sábado, 30 de abril de 2016

Portugal ainda pode vir abaixo!

Ontem, Portugal teve para vir abaixo. Só a intervenção do nosso Draghi da bola evitou o pior. Hoje era o dia em que os mercados iam finalmente estabilizar. A intervenção foi planeada com todo rigor. Era necessário fazer tudo, mas mesmo tudo para que o país não viesse abaixo. Tudo se fez e nem assim.

Cheguei ao Tribuna e estávamos a levar com uma bola ao poste e com o Patrício a agarrá-la depois da carambola que lhe sucedeu. Temi o pior. Nada disso aconteceu. O meio-campo pegou no jogo e não mais deixou os rapazes do Porto tocarem na chicha, mesmo sendo o Danilo muito melhor do que o William Carvalho, como hoje se verificou.

Num determinado momento, o William Carvalho varia o jogo para a direita, o João Mário recebe a bola no peito com dificuldade e, de imediato, mete uma cueca no defesa esquerda e vai pela área fora até a meter a redondinha para o pé direito do Slimani a empurrar para a baliza. Logo a seguir, o Schelotto faz de João Mário para o Slimani fazer de Slimani outra vez. Tudo bem feito, mas o Cassillas defende de cócoras.

Pressentia-se o descalabro. Os mercados estavam a afundar-se. Era necessária uma intervenção forte e decidida para os estabilizar. O lance começa numa falta não assinalada sobre o Schelotto, continua num salto para a piscina do Brahimi e acaba num penalty inventado. Freitas Lobo diligentemente apressou-se a explicar-nos não o que viu mas o que poderá ter visto o árbitro: uma eventual pressão do joelho do Coates na coxa do Brahimi. No reino da ficção anatómica, o esternocleidomastóideo do Vasco Santana é mais credível.

O Sporting treme. O Jorge Jesus grita com a defesa. Parece que vai tudo empatado para o intervalo. É então que aparecem os suspeitos do costume. O Bryan Ruiz encontra um espaço que só existe na cabeça dele para fazer um centro e o Slimani marca um penalty de cabeça.

A segunda parte traz-nos mais do mesmo. Intervenções no mercado para não o deixar afundar. As duas únicas oportunidades de golo do Porto nascem de dois livres inexistentes. Do outro lado, nada se passava. Uma ou outra falta e amarelos nem por isso. Até que um jogador do Porto entra a matar sobre o Slimani, o árbitro, sempre muito atento ao jogo, dá a lei da vantagem para não mostrar amarelo, quando os jogadores do Sporting estão em desvantagem numérica. Azar o dele. O João Mário inventa um passe no tempo e para o espaço certos e o Chuta-chuta chuta assim-assim, para o Casillas fazer o resto. O jogo acaba para os adeptos do Porto. Acaba pouco minutos a seguir, com o árbitro a apitar para o final, evitando a expulsão de um jogador do Porto.

Vão-se viver tempos interessantes. Portugal, afinal, ainda pode vir abaixo. Vão ser necessárias novas intervenções para estabilizar os mercados. Vai continuar a valer tudo. Hoje, como diria o Gabriel Alves, ganhou a força da técnica à técnica da força. Amanhã não se sabe. Só se sabe que a força tem muita força e tudo há-de fazer para ganhar à força.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Onde estavas no 25 de abril?

[Onde estava no 25 de abril] 
Passei o fim-de-semana em Évora, com amigos dos tempos de Agronomia. Vi o jogo contra o União da Madeira numa tasca manhosa. Passei pelas brasas. Deve ter sido do calor do Alentejo ou dos vinhos da Quinta da Ervideira. Do jogo não deve ter sido seguramente.

[O Feiticeiro de Oz] 
O Teo enfeitiça qualquer guarda-redes. A imprevisibilidade é tanta que a expetativa do imprevisível torna o previsível em imprevisível. No primeiro golo, o guarda-redes do União da Madeira quando viu que a bola ia para a cabeça do Teo deve ter pensado que qualquer coisa de estranho iria acontecer. Nunca lhe ocorreu que tudo acabaria num cabeceamento chocho à figura. Foi um frango para quem não acredita em poderes paranormais. Nós, que conhecemos o Teo, sabemos que esses poderes existem e causam estragos.

[A Teoria Geral do Autocarro] 
O União da Madeira plantou o autocarro e ficou agarrado à tática durante o jogo todo. A tática tem uma epistemologia, uma metafísica. Inicia-se o jogo a jogar para o zero a zero. Se se sofre um golo, continua tudo da mesma, dado que um acaso pode sempre dar origem ao golo do empate. Se se sofre o segundo, continua tudo na mesma, dado que é sempre possível num acaso qualquer marcar um golo e, como dizem os entendidos em comentários televisivos, reentrar na disputa do jogo. Se se sofrer o terceiro, então é que tudo tem de ficar na mesma para se evitar a goleada.

[De pequenino…] 
Descobrimos esta semana que um portista é um benfiquista desde pequenino. Desde que não liguem o sistema de rega se ganharmos o jogo, não vejo nenhum inconveniente. Podemos dizer agora o que disseram de nós nos últimos anos: o campeonato português precisa de um Porto forte e competitivo.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O mundo ao contrário

Não sou muito dado a antevisões de jogos, mas desta vez não resisto à tentação de vir aqui deixar nota de como as coisas estão diferentes. 

Em primeiro lugar, não sei bem quantas vezes fomos jogar ao Estádio do Dragão à frente do Porto (nem sei se alguma). Definitivamente não me recordo de ir lá jogar com tantos pontos de avanço.

Também não me recordo das eleições no Porto serem um assunto. Não me ocorre sequer um 'opositor' que se tenha batido com Pinto da Costa. Também aqui o mundo anda diferente, nem foi precisa oposição para roubar a Pinto da Costa votos que davam para envergonhar as bancadas parlamentares de Bloco, PP e PCP. Deve ser bom sinal, eu ainda me lembro do tempo em que eu próprio era 'oposição' do Presidente do FC Porto. Agora sou seu apoiante.

Mas nada disto muda a antevisão do Porto-Sporting. Por muitas voltas que queiramos dar, é muito mais provável o Porto limpar o Sporting que, por exemplo, um Guimarães congelar o estádio da Luz. É bom ter isto em mente, os reis das falsas expectativas ficam no outro lado da estrada. Agora, não quer dizer que não seja notável que vamos entrar naquele Estádio de cabeça levantada pelo futebol que jogamos, com o apuramento direto para a liga dos campeões no bolso e a sonhar com o título. O 2º é o primeiro dos últimos, e felizmente longe vão os tempos em que se comemorava esse 'feito' em Alvalade ao som do hino da champions. Ainda assim, por muito que nos queiram convencer que antigamente é que era bom, num jogo que muito provavelmente será de "cabeçudos" vai haver umas cabeças bem maiores que as outras. E isso este ano já não muda, quaisquer que sejam os resultados do fim-de-semana. Façamos votos para que a estatística tropece e possamos sair do Dragão em primeiro. Se não acontecer, sairemos seguramente melhor do que eles.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

De que cor é o mundo?

João Pinto, ex. jogador do Porto, disse em tempos que o seu coração só tinha uma cor, era …azul e branco. Temos assistido a um fenómeno curioso nos últimos tempos. Vários adeptos do tal clube que o coração só tem uma cor andam a saltar pocinhas. Manuel Serrão, admitiu, recentemente, que já foi sócio do Benfica (já não é?). Uma série de comentários e artigos de Sousa Tavares tiveram o seu corolário esta semana com uma verdadeira pérola (no jornal A bola): sosseguem, benfiquistas, o FC Porto vai travar o Sporting. Portistas anónimos no café e na rua vão nervosamente partilhando este sentimento em que o seu coração só tem uma cor: azul, branco e…vermelho. O vermelho do tal inimigo figadal. Mas porque será?

Resposta: o Sporting estava (supostamente) morto, enterrado, arredado destas andanças. Obviamente que as notícias da sua morte eram manifestamente exageradas, parafraseando Mark Twain. Mas andaram lá perto. Pinto da Costa havia-o anunciado, condescendente, no tempo de Godinho Lopes, afirmando que o Sporting fazia falta ao futebol português. Disse-o sem se rir. E nós percebemos o buraco em que nos encontrávamos.

A estrutura bicéfala (Benfica e Porto) do futebol português seria uma realidade (supostamente) incontornável, assente na repartição do poder, de títulos, prestigio e dinheiro. Muito dinheiro. O da champions sempre garantido, patrocínios, receitas variadas. Para utilizar uma expressão cara ao presidente Bruno de carvalho, não haveria espaço para mais nenhuma nádega. Quando muito, haveria espaço para um furúnculo, uma fístula, hemorróidas, ou algo parecido. Mas sempre como um elemento estranho àquele corpo. Um elemento doloroso. Algo que se deveria então erradicar.

Sucede que o Sporting se aguentou. Numa primeira fase graças à sua história e fundamentalmente aos seus adeptos e sócios (os patrocínios não caem do céu). Entretanto (nos últimos três anos), o Porto ficará, pela segunda vez, atrás do Sporting, tendo que jogar a pré-eliminatória da champions e ainda sem nenhum título no futebol. É demais. Agora imagem um Sporting campeão. Conseguem? Do outro lado da segunda circular, o impensável: o treinador campeão aceita treinar o antigo moribundo. Uma equipa com orçamento mais baixo e muito menos dinheiro investido no mercado. E ser campeão? Como diria o Pere Calders: mas agora nascem árvores na sala de jantar? Não pode ser. O mundo só tem uma cor: é azul, vermelho e branco.

Queriam, não queriam?

domingo, 24 de abril de 2016

Continuar a "acarditar"

O mundo sabe que…lutaremos até ao fim. Casa cheia em Alvalade, continuação da construção de uma ponte área para levar o sonho a todos os sportinguistas por esse mundo fora. Doya a quem doer.

O jogo começou como deve ser: com um golo do Sporting. Sem recurso a qualquer manobra (sempre imprevisível) de diversão, Teófilo Gutiérrez marca à ponta de lança, e ainda por cima de cabeça. É o que dá treinar todos os dias ao lado do Slimani. Antes de voltar aos banhos de sol o Teo ainda há-de ir à Copa América. Logo depois, o Patrício fez uma daquelas (grandes) defesas que deviam dar direito a uma estátua de cera no museu Madame Tussauds em Londres. Ele tem andado, aliás, a treinar a sua expressão para o efeito. O jogo pôde então continuar como deve ser: com outro golo do Sporting.  A eficácia faz toda a diferença. Ainda se jogaram mais uns minutos de bom futebol, depois fechou a loja que para a semana há mais.

O Ruiz desta vez ficou no banco. Pareceu-nos menos assustado. No banco não se falham tantos golos de baliza aberta. De certeza que lhe fez bem. Após a leitura de algumas postas e comentários aqui no Insustentável, Marvin Zeegelaar corrigiu parte da sua postura defensiva, e ainda foi lá à frente, mostrar como se centra e como se utiliza o corpo de um adversário para corrigir a trajectória de uma bola. Entretanto, o Schelotto, para além de emprestar algum estilo eighties ao cortejo de penteados disponível, continua a apresentar-se na sua melhor versão distrital, com resultados muito interessantes, comprovados na menor quantidade de perdigotos projectados pelo Jesus nas conversas (dentro de campo) entre ambos. Uma palavra final para o Coates, que andou a dar tanga aos ingleses só para vir jogar para o Sporting.

A meio da segunda parte tive que acordar um amigo que já dormia profundamente. Ao acordar sorriu e disse que tinha sonhado com o Sporting campeão. Eu também sorri. Pedi cerveja, para o que desse e viesse…

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Do oculto ao ocultado

Parece que o Benfica comprou uma bancada ao Rio-Ave. Ainda bem que se ficaram pela reabilitação imobiliária, não sendo necessário desviar o jogo para paragens mais exóticas, como o Algarve ou as Ilhas Fiji, onde equipas como o Rio-Ave, ou o Estoril, para citar apenas dois exemplos, têm grande massa adepta.

Entretanto, ficamos a saber que a gloriosa equipa B do Benfica ganhou um jogo ao Farense com a maçada de tê-lo disputado em campo, sendo que o teria igualmente ganho sem sair do masterchef bifanas que tem decorrido no Seixal com resultados esclarecedores. O Farense utilizou um jogador emprestado pelo clube encarnado e teria perdido de qualquer maneira. Nada como uma boa garantia. Sucede que a esses três pontos acrescem mais dois pelo despudorado descuido. E logo contra um concorrente directo à descida. O presidente do clube algarvio, para além de pretender não saber que o jogador estava emprestado pelo Benfica, ainda terá revelado que tendo conhecido a sua mãe desde a nascença e com ela ter privado toda a vida, seria incapaz de a reconhecer como sendo sua mãe, embora momentos antes tenha estado com a senhora a jogar na raspadinha. O mesmo servindo para a sua mulher, filhos, amigos, e até animais de estimação.

Nestas jogatanas do oculto esotérico, o Sporting tem mais um encontro decisivo, desta vez contra uma verdadeira máquina de jogar futebol, reconhecida internamente como uma camioneta da carreira, daquelas antigas. Ao volante está o senhor Norton de Matos, um senhor conhecido futebolisticamente por se chamar Norton de Matos. Parte significativa das vértebras que se insinuam de forma oculta no seu corpo são luminosamente vermelhas. Já nos ganharam uma vez este ano. Temos boa memória. Desta vez teremos que abalroar.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

À beira do abismo

Quando cheguei a casa não me lembrei que o Sporting estava a jogar contra o ABC em andebol. Só me lembrei quando se estava a cerca de 13 minutos do final. O resultado estava 19-16 a favor do ABC.

Fiquei surpreendido com o número de golos marcados por ambas as equipas. Pensei que o Sporting estivesse a defender bem, contrariamente ao que costumar acontecer, sobretudo desde que chegou o guarda-redes sueco. Assisti a doze minutos de completa incompetência do Sporting a defender. Praticamente todos os ataques do ABC acabaram em golo, mesmo em desvantagem numérica por duas vezes.

A sistematização do ataque do ABC foi quase sempre a mesma. Sistemáticos cruzamentos na zona central, com os calmeirões do Sporting a não acompanharem a rapidez dos jogadores do ABC que finalizaram quase sempre aos seis metros. O guarda-redes pelo caminho ainda deu dois perus.

O treinador do Sporting manteve a mesma defesa, a não ser quando entrou em desespero. Começou por mandar fazer duas defesas individuais para acabar com uma defesa homem a homem em campo inteiro. Os pequeninos e rápidos jogadores do ABC passaram a ter ainda mais espaço face aos calmeirões e lentos jogadores do Sporting.

O Sporting nos últimos campeonatos tem sido irregular, mas melhorava sempre nos "playoff". Nas finais, contra o Porto, defendeu sempre bem. Quase sempre num 5x1, com uma ou outra "nuance" táctica. Esperava-se este ano que a equipa fosse mais regular, com um bom treinador e os reforços possíveis. Não aconteceu. A equipa continua irregular e a defender cada vez pior. Mantém sempre o 6x0, quer chova, quer faça sol, isto é, independentemente do adversário e do seu jogo em cada momento. Não evoluiu. Regrediu.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Prejudiquem-nos, se faz favor!

Não vi o jogo contra o Moreirense. Vi o resumo e ouvi os comentários.

Do que vi e do que ouvi, parece que tudo neste jogo se circunscreveu ao árbitro. Validou e não se sabe se validou bem. Invalidou e não se sabe se invalidou bem. Marcou e não se sabe se marcou bem. Mostrou e não se sabe se mostrou bem. Expulsou e não se sabe se expulsou bem.

São os sportinguistas que querem ver o Bruno Paixão a arbitrar jogos da sua equipa? São os sportinguistas que querem a continuação do atual sistema de arbitragem que que nomeia o Bruno Paixão e permite que arbitre jogos? São os sportinguistas que não querem a aplicação de novas tecnologias no apoio às decisões dos árbitros?

Se somos nós, sportinguistas, que queremos que tudo fique na mesma, tramem-nos. Tramem-nos de uma vez por todas. Expulsem o Bruno Paixão e outros que tais. Demitam o Vítor Pereira. Arranjem um sistema de designação e avaliação dos árbitros que não deixe dúvidas a ninguém. Recorram às novas tecnologias para apoio às decisões dos árbitros.

Até nós, sportinguistas, somos capazes de vir a aprender a ver um bom jogo de futebol e não uma ópera-bufa, semana após semana. Prejudiquem-nos se faz favor!

domingo, 17 de abril de 2016

Um bilhete para o Olimpo, se faz favor

Jogo no Parque Desportivo Comendador Joaquim de Almeida Freitas, um campo, como diria o Gabriel Alves, muito arejado. Noite de chuva, a península inteira a chorar, como cantam os GNR. Jogo com o Moreirense do Miguel Leal, um treinador que andou na Universidade com o Rui Quinta (que ontem até teve direito a entrevista num jornal), fazendo ambos depois uma formação em condução de camionetas da carreira.

Já aqui havia escrito que, quando o caos provocado em campo e respectiva imprevisibilidade do Teo não dessem frutos, ou quando as oportunidades não rendessem o suficiente para as sobras dos desperdícios, a coisa não seria fácil. Até porque ontem nem sequer sobras houveram. Resta-nos, então, o Slimani. O Slimani é o plano principal, o plano B e o plano C da equipa. Mesmo ausente por doença, ou na bancada a comer cuscuz, o seu espirito batalhador não cessará nunca de importunar os adversários.

Ontem foi um desses jogos de fato de macaco, em que é preciso descer à distrital para subir ao Olimpo. Por vezes durante a subida a equipa tem vertigens. O Ruiz, às vezes, parece um puto com ar assustado (e ansioso) que está na última oral para acabar o curso depois de uma noite mal dormida. O Semedo é capaz de passar uma bola ou cortar um lance (sendo o último homem e perto do final do jogo) de forma tão displicentemente bela, que nós já estamos com o telemóvel na mão, marcando o número da televendas para encomendar um pacemaker. Ainda vamos fazer dinheiro com o Schelotto, a sua versão distrital encaixa que nem uma luva no campeonato de Chipre.

Ganhamos, num jogo menos conseguido. Os adversários já perceberam que com o Teo nunca se sabe e ficam de olho nele, desconfiados. O próprio Teo fica desconfiado. Nós? Nós acreditamos sempre!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Aposta na desportiva

Como alguém escreveu numa rede social (citado no Artista): O Bayern é a primeira equipa na história do futebol a eliminar o Renato Sanches. De qualquer maneira, estamos perante mais uma vitória do Benfica, a atentar na comunicação social e em alguns comentadores. Entretanto, volta o campeonato. Segundo um amigo meu, propenso a teorias conspiratórias, com a nomeação de Manuel [vermelho] Mota, para o jogo entre Arouca e Rio-Ave, dois coelhos estão feitos ao bife sob a mesma cajadada. Primeiro, assegurar a vitória do Rio-Ave frente a um adversário directo na luta pela Europa, jogando assim menos pressionado na semana seguinte contra o Benfica; mas, ao mesmo tempo, esta vitória do Rio-Ave terá de ser conseguida com o recurso a alguns cartões amarelos (não falta gente à beira da exclusão), ou mesmo vermelhos, para a equipa estar mais fraca no jogo seguinte. Mais fraca e descontraída: perfeito. Este meu amigo é simplesmente genial. Ele até queria acreditar no Setúbal, mas aí entraríamos no domínio do transcendente. 

A tudo isto acresce...Bruno Paixão em Moreira de Cónegos. Se a chuva se mantiver e o Leal estacionar a camioneta da carreira, lá terá o Teo que improvisar um momento cuja imprevisibilidade surpreenderá até o próprio (já para não falar do Paixão). Contra isso não há conspiração que resista, pensa o meu amigo. E tem razão.

Nota: como seria a prestação interna do Braga com a cabeça assente no campeonato? Estaria o terceiro lugar (e respectiva eliminatória da liga dos campeões) assim tão longe? Já para não falar das consequências práticas de tudo isso...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Descubra as diferenças

As notícias que chegam de Inglaterra dizem-nos que um árbitro foi substituído de um jogo do Totenham porque é adepto e reside em Leicester.

Em Inglaterra, tal como cá, os árbitros erram, e esses erros (também) decidem campeonatos e taças. Em Inglaterra, tal como cá, as pessoas desconfiam da intencionalidades desses erros. Agora em Inglaterra, ao contrário do que acontece por cá, há algum bom senso na gestão destas coisas. Sabe-se que os árbitros erram. Acredita-se que não é intencional. Confia-se no trabalho dos árbitros. E tem-se bom senso: não se envia um adepto de um clube rival arbitrar um jogo decisivo da equipa com a qual esse rival disputa o campeonato.

Por cá este simples gesto de bom senso, seria visto como uma 'ofensa' ao carácter do árbitro. Não é. O árbitro é um ser humano e tem direito a isso. Por exemplo o João Capela tem direito a ser adepto do Benfica (assim como o Mota) e o Jorge Sousa do Porto. Vítor Pereira é que devia ter o bom senso de não os colocar nas peculiares situações em que colocou o Capela na semana passada, por exemplo (ao que dizem até correu bem, mas podia não ter corrido). Parece tão óbvio que o simples facto de não ter esse bom senso nos deixa todos a perguntar: porquê?

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Ronaldo e a sua misteriosa equipa de futebol

Ainda não tinha visto jogar o Real Madrid esta época. Centenas de milhões de euros depois, a equipa chega a ser ridícula. Como têm quatro ou cinco médios que não são carne nem peixe, o único que pode jogar a trinco é o Casemiro. O Sérgio Ramos é um caso gritante de incompetência. Há uns anos atrás, o Pepe dava conta do recado sozinho. A caminhar para os quarenta anos, seria conveniente arranjar-lhe um parceiro de lado.

Mas há mistérios mais interessantes.

O Toni Kroos é um deles. Nem ataca nem defende bem. Tem bom toque de bola parado e a jogar devagar. É um Aquilani mas sem pinta. Falta-lhe o corte de cabelo à maneira e a barba aparada. É um Aquilani em armário, o que não faz qualquer sentido: ou se é um Aquilani ou se é um armário.

Ninguém consegue perceber como é que uma equipa que tem o Carvajal se lembra de contratar o Danilo. O Carvajal é que liga a defesa ao meio-campo e ao ataque. O jogo do Real Madrid é uma autêntica anarquia no meio-campo a defender e a atacar. Os jogadores não se mexem, ficando a dúvida se conseguiam mexer-se mesmo que quisessem. O Carvajal é o dos poucos que percebe que estando de calções e de chuteiras é suposto comportar-se como um atleta, correndo e trocando umas bolas com os colegas em progressão.

A contratação do Bale só pode ser explicada ou como uma operação de especulação financeira ou como uma operação de lavagem de dinheiro. Não custa admitir que faça parte de um derivado tóxico transacionado pelo Lehman Brothers com um tripo A atribuído pela Moody's ou pela Fitch. Não consigo acreditar que um cartel colombiano com um mínimo de competência se metesse numa operação de lavagem de dinheiro que desse tanto nas vistas. Esperemos que o Panama Papers nos esclareça em definitivo.

Sobra o Ronaldo. É melhor dizer de outra forma, sobram todos os outros. Marcou três. O primeiro à ponta-de-lança, aparecendo onde sempre aparece e onde a defesa nunca parece prever que vai aparecer. O segundo a demonstrar o grande atleta e jogador que é. Desmarcação rápida, grande impulsão e cabeceamento em grande estilo com a bola a entrar no ângulo inferior da baliza ainda antes de lhe sair da cabeça. O terceiro antes de entrar estava escrito na história que ia entrar. O Ronaldo sozinho ia eliminar o Wolfsburg. Tinha marcado dois. Faltava mais um. Foi de livre. Se não fosse, seria de outra forma qualquer.

domingo, 10 de abril de 2016

Com ou sem?

Sem o Adrien não é a mesma coisa. E não se trata apenas de uma questão de intensidade a atacar e (sobretudo) a defender, ontem, por exemplo, o William esteve muito bem (temos o aranha de volta). É todo o jogo do Sporting que padece da sua ausência, ninguém remata à baliza de meia distância, o João Mário acaba por se enredar em outras tarefas perdendo a sua liberdade, e até se nota mais a forma artística como o Bryan Ruiz come as suas guloseimas dentro do campo. O Bryan precisa de descansar um pouco e de fazer uns trilhos no Gerês com mau tempo. Mas é sobretudo com o Aquilani em campo que se nota a ausência do Adrien do… campo.

Com o Teo não é a mesma coisa. Nunca é a mesma coisa. O jogo ganha outras dimensões, não apenas técnico-tácticas, como transcendentais. Para além do caos instalado (já aqui muitos vezes mencionado), nunca se sabendo como a coisa corre, ora um golo com o peito que está mais à mão; ora um remate que embate num adversário ganhando outra vida e desaguando na baliza; ora um passepartout cheio de intenções manhosas que a razão desconhece; temos sempre uma panóplia de soluções que só o visionário Jesus descortinou há muito. E resulta. Muito para além disso, o Teo é um pé quente, um tipo com conhecimentos ao nível do etéreo, um piroqueiro (como se diz na minha terra) com o cu virado para a lua, é só insistir que vai sair lotaria. Seja aqui, seja na selecção da Colombia. O seu contraponto humano será, por exemplo, o Peseiro, este onde põe o pé, já se sabe…vai correr mal. Ainda bem!

Quanto ao Schelotto, com ou sem, vai dar ao mesmo. O Jesus insiste. Ele é que é o messias. Ele é que sabe…

Téo e pouco mais

Mal começou o jogo e qualquer sportinguista experimentado pressentia que tinha tudo para correr mal. Não sei se foi do resultado do Benfica. Não sei do que estavam à espera (a Académica é a pior equipa do campeonato; o estranho foi ter estado a ganhar e acabar por perder a cinco minutos do fim).

Afinal a conversa da reacção à perda de bola e da pressão sobre a saída da bola do adversário tem um só nome: Adrien. Sem ele, o meio-campo não tem nervo. O Aquilani é um poltrão. Salvou-se o William Carvalho. Marcou um e deu outro a marcar. O João Mário jogou com menos rotações do que o costume.

O ataque não esteve brilhante. O Slimani tentou mas desconseguiu a maior parte das vezes. Molhou a sopa uma vez, mas deve-lhe ter sabido a pouco. O Bryan Ruiz especializou-se em falhar penalties em movimento. O falhanço da primeira parte de cabeça deixa qualquer com vontade de lhe ir à cara sem sequer o anunciar no Facebook. O homem começa a irritar. O mais importante, para ele, parece ser a nota artística. Faz sempre o mais difícil, recusando-se a fazer o que é fácil.

O Téo é que não nos para de surpreender. Não é só a nós, adeptos. Surpreende os colegas de equipa e principalmente os adversários. No momento do remate, nenhum guarda-redes sabe o que pode acontecer. O homem marca golos com todas as partes do corpo. Começou com um golo de rabo contra o Benfica para a Supertaça e tem-se vindo a especializar em carambolas e roscas de todas as formas e feitios. Hoje, um remate que mais parecia um dos meus quando jogava umas peladas com os amigos, acabou com a bola a tabelar num adversário e a descrever uma parábola completamente improvável e fatal para  guarda-redes.

Não há muito mais a dizer do jogo. Ganhámos por três a um num dos jogos mais miseráveis da época. O Marítimo também não ajudou muito. Montaram o autocarro e tentaram uns contra-ataques e pouco mais. Na segunda parte e a perder por dois a zero chegou a ser confrangedor continuar a vê-los todos juntinhos cá atrás e a jogar sistematicamente na biqueirada para a frente com medo de se desposicionarem. Vinham para perder por poucos. Não perderam por muitos. Devem ter voltado para a Madeira contentes.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Antevisão

Após uma muito celebrada vitória em Munique, o Benfica desloca-se ao terreno da Académica para o jogo da jornada 29 da liga. O árbitro nomeado é o credenciado João Capela. Não existiria melhor santuário que este para abrilhantar um jogo pós-match europeu. Como bem nos demonstra o Artista do Dia, não há melhor como antídoto para o desgaste europeu. Resta à Académica rezar pelas alminhas.

Quanto ao Sporting, receberá um Marítimo desfalcado de Marega e José Sá, jogadores que têm feito a diferença ao serviço do Porto, justificando assim mais um esforço financeiro-comissionista do clube. Resta-nos então hospedar o Marítimo da forma condigna que merece, enfiando-lhe o maior número de batatas possível, ou bolas de Berlim, como o Carlos Pereira lhes quiser chamar. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

As sobras dos desperdícios...

Foi a caminho do café que soube do resultado do Porto. Pensei: bem, se é para falhar, falhámos. Vamos lá ver isso. Dito e feito, entrei no café com o Teo a falhar escandalosamente de forma convicta, contribuindo, logo a seguir, para o estado de desvario mental do William, estado esse que lhe terá passado momentaneamente para as pernas. A proximidade do Teo em permanente fora de (e do) jogo tem dessas coisas. Falhávamos nisto e naquilo, quando o Sligol marcou. Tinha que ser ele. Com o segundo golo do Slimani os adeptos do belenenses no café foram assumindo estados de espirito com outra coloração. Marcamos mais três só para abrilhantar esse colorido.

Fora os falhanços, o adormecimento é uma das características desta equipa, que assim ainda conseguiu sofrer dois golos com o jogo ganho e controlado. É a nossa forma de ser. Quanto ao Teo, estou certo que o Jorge Jesus insiste na sua utilização pelo caos que este provoca em campo, com consequências óbvias sobre a sua própria equipa e, por osmose, nos adversários que não conseguem compreender a sua (dis)posição, se é que ela existe. Ganha com isso o próprio Teo (que tem a sorte iludida dos jogadores da raspadinha), tanto mais que o Slimani vai abrindo espaços e desgastando os defesas. Mas nada disso será suficiente, de certeza, quando não houver Slimani, ou quando as oportunidades não renderem o suficiente para as sobras dos desperdícios. Força Briosa!

Assim só é possível às vezes

O nível de desperdício da nossa equipa nunca nos deixa de surpreender. O Teo Gutierrez então é um caso clínico. Começa por falhar de baliza aberta. Conseguiu enfiar uma rosca marada na bola que a fez descrever uma trajetória completamente impossível. A seguir, não satisfeito, quando o William Carvalho se isola, permanece sempre em fora-de-jogo, limitando-lhe as opções e obrigando-o a fintar o guarda-redes e, com azar, a escorregar e a falhar um golo cantado. Para acabar a primeira parte em beleza, isola-se do lado direito e, em vez de passar para o Slimani marcar de baliza aberta, tenta marcar um golo impossível. Como a relação com o Slimani estava promissora, ainda acaba a discutir com ele a marcação do penalty.

Para nossa sorte, a bola acabou por ir ter com o tosco. Aquele que não sabe jogar à bola; que só sabe jogar de cabeça. O tosco ensinou aos Gutierres desta vida como se faz. Voltou-lhes a ensinar como se faz no penalty.

Numa primeira parte que foi um autêntico massacre, em vez de uma goleada ficámo-nos por uns singelos dois a zero. Em vez de acabarmos com a brincadeira em quarenta e cinco minutos, quisemos continuar a jogar à bola com a rapaziada do Belenenses na segunda parte também.

Mal começámos a segunda parte começámos logo a desperdiçar. O William Carvalho centrou com o pé direito contra o pé esquerdo. O Teo Gutierrez, sempre ele, demora uma eternidade a passar a bola e um lance promissor de contra-ataque acaba numa tentativa de chapéu quase do meio campo do Bryan Ruiz. Até que o Adrien Silva se enerva e num pontapé de ressaca manda uma bomba lá para dentro. O Bryan Ruiz logo a seguir falha isolado. O lance dá canto. Na sequência do canto, o Coates ganha a bola de cabeça que, depois de uma carambola, aterra nos pés do Teo Gutierrez, que estava acampado em fora-de-jogo. O rapaz ainda se atrapalha com um colega, mas acaba por marcar. Bola ao centro e o Slimani na jogada seguinte aparece isolado e, à segunda, marca golo. O árbitro para compensar o golo anterior resolve marcar fora-de-jogo.

Depois, bem, depois pensámos que o jogo tinha acabado. Ninguém se interessou mais pelo que estava acontecer dentro de campo. Fomos continuando a falhar, mas a falhar pior. Pelo caminho, o Teo Gutierrez voltou a marcar "à mama" ao segundo poste (que começa a ser a sua especialidade). Displicentemente, deixámos o Belenenses marcar dois golos nos dois únicos remates que fez à nossa baliza.

Moral da história, num jogo que devíamos ter ganhado por dez a zero acabámos por ganhar por cinco a dois. Depois digam que a culpa é do treinador.


Nota: Portugal é um país com enormes assimetrias territoriais no que respeita ao desenvolvimento económico. O Porto deu hoje um grande exemplo de solidariedade territorial.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dia das mentiras?

 - Penálti contra o Benfica (embora com o resultado renhido de cinco a zero e nos descontos).

 - O aí vai ele Sanches vendido ao Real Madrid em troca de 100 milhões mais o passe de Ronaldo e de Varane (este ainda não confirmado). Em actualização.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Aí vai ele

Estes jogos particulares da selecção são sempre aprazíveis como repasto mediático, principalmente em alturas festivas. Com os descontos em cartão lá se consegue organizar o evento, e desta vez até não faltaram os mais altos dignitários da nação. De resto, enchem-se uns pneus, os empresários agradecem, promovem-se mais uns moços, os empresários (e alguns clubes) agradecem. Desta vez não houve invasão de campo. Nem abraço. Foi pena. Os quarenta e cinco minutos de aí vai ele, como dizia o comentador, não chegaram para tanto. O Cristiano já começava a ficar preocupado. Quanto ao jogo, foi bom: afinal ganhamos ao primeiro do ranking. Agora venha mas é o Belenenses. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Boa Páscoa?

[A culpa é do Ronaldo]
A seleção é uma metadona marada, mesmo quando são jogos a sério. Não substitui um chuto para veia como o Paços de Ferreira contra o Tondela. Perdemos. O Ronaldo fartou-se de falhar golos. A culpa é do Ronaldo.

[Táticas]
O Fernando Santos continua a amontoar jogadores e a chamar-lhe convocatória e jogos de preparação. Entram uns tantos para a equipa principal. Entram à vez. Umas vezes entram uns, outras entram outros. Entram quase sempre o Eliseu e o Bruno Alves. A esta confusão chama-se experiências. A equipa passou a jogar num 4x4x2 e não no 4x4x3 do costume, dizem uns tansos.

[A montanha pariu o que era suposto parir]
Fosse qual fosse o resultado, o que interessava era o Renato Sanches. O rapaz aquecia como nunca ninguém tinha aquecido. Quando entrou em campo, informaram-nos que foi o décimo primeiro jogador mais jovem a estrear-se na seleção. Fiquei com vontade de saber quem era os outros dez. Devem ter-se estreado por cunha. Um miúdo entrou em campo para abraçar o seu ídolo. Quando saiu estava cinco anos mais velho.

Jogámos como nunca, perdemos como sempre. Contra uns búlgaros, que jogaram à Fernando Santos, a montanha pariu um r(en)ato.

[Há suecos mais iguais do que outros]
Uma das principais diferenças entre o Sporting e o Porto em andebol nos últimos anos tem estado nos guarda-redes. Suspirei de alívio quando fiquei a saber que tínhamos contratado um guarda-redes sueco.

Perdemos contra o ABC. O sueco não fez praticamente uma defesa. Devemos ter contratado o único sueco com menos de um metro e noventa e que não sabe jogar andebol. Pelo menos é loiro.

quinta-feira, 24 de março de 2016

A culpa é do vermelho

Ao longo dos últimos dias tem-se discutido por aqui o 'sistema' do nosso futebol. Parece-me uma boa forma de ter tema de conversa neste interregno, já que os jogos da selecção vão alternar entre o sonolento, o chato e o muito chato.

A minha perspectiva é um pouco diferente. Eu não vejo problema nenhum em que o Benfica esteja, na opinião dos árbitros, há um ano sem cometer qualquer falta dentro da sua grande área. Em princípio também não me parece grave que não tenham jogadores expulsos. O que me preocupa é que tal aconteça apesar de, por diversas ocasiões, os seus jogadores terem cometido faltas para grande penalidade ou terem comportamentos merecedores de expulsão. Isso sim é difícil de explicar.

Assim vou procurar perceber porque é que os árbitros não assinalam penalties nem expulsam jogadores do Benfica, apesar deles fazerem por merecer esses castigos. Eu vejo três explicações possíveis:
- Os árbitros são humanos e portanto susceptíveis à corrupção
- Os árbitros são humanos e sentem-se pressionados a não prejudicar o Benfica
- Os árbitros são humanos e erram; existe sempre um factor de incerteza nestas coisas

O primeiro para mim é fácil. Eu apenas consigo ver o futebol como os economistas olham para os mercados: por muito que a realidade teime em desmentir-me eu assumo sempre um pressuposto irreal. Neste caso esse pressuposto é que os intervenientes no jogo não estão comprados. Eu sei que está provado que já aconteceu no passado e há fortes indícios que continua a acontecer no presente. Mas se assim for é caso de polícia, deixo para o Correio da Manhã.

O segundo para mim é mais interessante. Porque motivo estariam os árbitros mais pressionados a não prejudicar o Benfica do que outros? Um primeiro motivo poderia ser a censura social: o Benfica tem mais adeptos e portanto é mais provável um árbitro que erra contra o Benfica ser 'incomodado' por um vizinho ou amigo desse clube. Plausível, mas será que os árbitros se deixam incomodar com tão pouco? Um segundo motivo poderia ser temerem pela sua segurança física. Terão razões para isso? Felizmente não acontece muitas vezes, portanto usemos a nossa memória. Qual a última vez que me lembro de um árbitro ser agredido num jogo da nossa primeira divisão? Se a memória não me falha foi exactamente no estádio da Luz (https://youtu.be/kgSZj8UdEqk). E qual a última vez que um árbitro de futebol profissional se queixou de agressões graves fora de um estádio? Que me lembre foi Pedro Proença, agredido no Colombo. Alguém quer adivinhar de que clube era o agressor? Parece que aqui há gato. Finalmente, os árbitros podem ser pressionados pela sua própria estrutura, por exemplo, através das suas nomeações e avaliações. O que o passado nos diz sobre isto? Também nos diz alguma coisa. Diz-nos que o último árbitro a assinalar um penalti contra o Benfica... desceu de divisão. Curiosamente um árbitro internacional e que alegadamente era tão melhor que os seus colegas que foi nomeado para arbitrar um dos jogos mais importantes da época (a final da Taça). Pode não haver casualidade nos factos mas lá que é estranho... Curiosamente o mesmo árbitro relatou interessantes telefonemas do Presidente do Conselho de Arbitragem, que apenas aconteciam antes de dirigir jogos do... Benfica! Mais um gato?

Apesar da conversa já ir longa não queria deixar de mencionar a sorte. A sorte é sempre útil para explicar estas coisas. Talvez em todos estes lances em que se justificava um penalti ou uma expulsão o Benfica tenha tido a sorte dos árbitros lhe darem o benefício da dúvida. Talvez o Sporting esteja a ter um notável azar, já que parece que 41% dos golos que sofreu no campeonato foram ilegais (http://misterdocafe.blogspot.com/2016/03/41-dos-golos-sofridos-pelo-sporting-sao.html). É pouco provável, mas não é impossível.

Apesar de nenhuma das explicações se poder refutar, não fiquei satisfeito e fui pesquisar. Tenho boas notícias: encontrei uma explicação verdadeiramente científica. Acabou a discussão: a culpa é da cor das camisolas! Sim, isso mesmo. De acordo com este site (http://www.usrefereeconnection.com/#!referees-unconsciously-favor-teams-in-red-uniform/cj62) uma equipa da Universidade de Munster na insuspeita Alemanha concluiu que os árbitros inconscientemente beneficiam as equipas de vermelho.

Fabuloso, excelentes notícias. Agora sim, podemos deixar de falar do sistema e ter uma Páscoa descansada, muito descansada, até porque a selecção joga de... vermelho!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Futebol contrafeito

Durante muitos anos frequentei a feira de Barcelos, cidade de onde sou natural. Lá se encontrava (e encontra) um pouco de tudo. Relativamente ao material contrafeito poderíamos estabelecer (assim por alto) uma classificação de 3 tipos: O óbvio (aquele que tem adidas escrito com “z”, por exemplo), o muito bom, que passava bem na montra de qualquer loja (caso não muito raro) e, por último, o verdadeiro não autenticado, o material era o mesmo (produzido, aliás, nas fábricas da região para as marcas) mas sem o logótipo da marca em causa. Será a etiqueta que faz a diferença?

E o Sporting deste último jogo, o tal das camisolas com nomes trocados para combater a contrafacção. Qual será a verdadeira versão do Sporting? Será a contrafeita? E assim sendo, qual? Na verdade, o Sporting desta jornada foi igual ao Sporting de jornadas anteriores, mas com (muito) mais eficácia (há que dizê-lo) e sem o colinho quentinho da alcova onde outros se deitam. Em determinados momentos (não é preciso sempre) dá jeito uma caminha bem-feita. Tinha dado jeito em Guimarães onde outros trouxeram uma vitória com um colinho do tamanho do Guerra. Por exemplo.

Ao analisarmos o facto de o Benfica não sofrer qualquer penalti há mais de um ano, acompanhado de uma sobremesa sem direito a qualquer cartão vermelho, estamos perante as tais coincidências que por vezes nos remetem para a hoste dos incrédulos. É o seu conjunto que não nos permite acreditar em nenhuma em separado. Quer dizer, poderia ter acontecido não existirem penáltis. Mas será esse o caso? Sabemos bem que não. E expulsões? Ninguém foi expulso, é um facto, mas ninguém durante esse tempo mereceu ser expulso? Basta o exemplo do Sanches contra o Sporting, e o seu posterior tratamento jornalístico, para percebermos como funciona a geringonça gerida pela liga e abençoada pelo sistema.

O sistema tem um nome (ou dois, consoante), ontem e hoje: Porto e Benfica. Atente-se na ânsia como estes queriam (e querem) um Sporting fragilizado para poderem repartir as conquistas, sejam estas desportivas, sejam financeiras (num país de parcos recursos). Ainda o ano passado, faziam tábua rasa das suas diferenças, as tais que causaram uma guerra no futebol nacional, com apitos pintados de dourado, apenas para tentarem lançar o Sporting borda fora. Deu no que deu. Recordo-me bem da atitude paternalista e condescendente de Pinto da Costa para com o Sporting liderado por Godinho Lopes, no ano do nosso sétimo lugar. Foi aí que percebi o buraco em que estávamos.

Existe, de facto, muita contrafacção no futebol português (começando na liga e na FPF), e olhem que é daquela contrafacção que se vê à vista desarmada, a óbvia, a tal onde adidas se escreve mesmo com “z”: Adidaz.  

domingo, 20 de março de 2016

Momento Rúben Semedo

Corria a segunda parte com quatro a zero no marcador. Num lance (normal) disputado ainda no meio campo do Sporting ocorre um choque entre o Semedo e um jogador do Arouca (apenas mais tarde percebemos que se trata de um embate entre cabeças). O jogo seguiu, o Semedo tinha caído. Levanta-se, e volta a cair. Os jogadores apercebem-se, o árbitro manda parar o jogo. Agora estão todos à volta dele, o Semedo tenta levantar-se mais uma vez, está meio trôpego, aconselham-no a ficar ali sentadinho. Mas ele não quer perder tempo. Diz que está tudo bem, quer voltar ao jogo, insiste, o arbitro manda-o sair de campo. O Semedo sai do campo com o médico a aconselhar-lhe calma, os dois conversam, o médico (já fora das quatro linhas) observa o jogador. Está tudo bem, o jogador pede para entrar.

Nada disto durou mais do que um minuto ou dois, foi apenas um pormenor, mas percebeu-se bem a firme vontade do Semedo em continuar em jogo. Percebemos bem o seu compromisso com a equipa e com o clube. Estes jogadores acreditam: cada jogo do campeonato é uma final da liga dos campeões.

Talvez por isso o Jesus o tenha resgatado ao Setúbal. O Semedo vai crescendo de jogo para jogo, e a sua velocidade e poder de antecipação dão bem com a classe do varal do Coates. Temos centrais. Já do lado direito da defesa temos às vezes uma espécie de open space, onde o Schelotto surge apenas aquando do after hours, ou na hora lounge. Os primeiros quinze minutos da partida são exemplo disso mesmo.

Relativamente ao Teo, soou a campainha lá em casa: afinal não tem contrato vitalício com a selecção (não foi convocado), nem joga por decreto. Ontem chegou mesmo a entrar em campo e a jogar. O Jesus disse-lhe para ele se colocar ali por perto do guarda-redes que a bola acabaria por aparecer e depois logo se via. Os jogadores e o treinador do Arouca, pelo seu lado, estavam convencidos que o Teo não entraria em campo e mesmo que entrasse não se notaria. Afinal o Teo andava mesmo por ali (e notava-se bem). Ou então estou como o Rui Monteiro: a versão contrafeita é bem melhor. 

sábado, 19 de março de 2016

Aselhice virtuosa ou virtuosismo aselha

Hoje não arrisquei nada. Voltei ao Tribuna, para a mesma mesa e a mesma cadeira da primeira parte do jogo contra o Estoril. Aviei também uma tosta-mista e uma Coca-cola com duas pedras de gelo, enquanto lia o Público e o Jornal de Notícias. Quando começou o jogo, o ritual estava cumprido.

O Jorge Jesus também não inventa nada (o Bruno César não foi uma invenção, foi uma necessidade). O Teo voltou a jogar de início. Neste jogo todos percebemos finalmente a insistência. O Teo acrescenta algo de invulgar à equipa, deixando o adversário sem capacidade de reação às suas jogadas. À falta de melhor definição, acrescenta o que poderíamos chamar de aselhice virtuosa ou virtuosismo aselha. A forma como entrou simultaneamente com o pé e com a cabeça à bola no primeiro golo deixou o guarda-redes desconcertado. Não fez melhor figura o guarda-redes com a notável rosca do quarto golo. O chuto metade na bola metade na atmosfera implica um cálculo mental só à disposição dos predestinados. Pelo meio, uma assistência para o segundo golo resultante de tanta atrapalhação e hesitação que deixou a defesa do Arouca sem capacidade de antecipar o que se iria passar.

Os golos de que mais gosto são os de canto. Neste caso, não demonstram, somente, a tal aselhice virtuosa ou virtuosismo aselha. Demonstram treino. Bola tensa para o meio, cabeceamento das nossas torres e entrada do avançado ao segundo poste. Também é diferente ter o Bruno César a marcar com bolas tensas ou o João Mário a bombear bolas cheias de altura e de efeitos para a molhada.

O João Mário esteve magnífico. Tem o defeito de precisar de vinte e quatro oportunidades para marcar uma. Hoje teve quarenta e oito. Tudo o resto faz sempre bem. O Adrien também faz tudo bem, mesmo quando perde a bola no meio-campo e permite a principal oportunidade de golo do Arouca. No terceiro golo, aquela tabela com o Slimani, o ziguezaguear entre os adversários e a assistência quase sem querer já não se viam desde que o Zidane pendurou as botas.

Os centrais, a continuarem a jogar assim, vão-me obrigar a rever alguns dos conceitos que tinha como adquiridos. Porventura, posso vir a reconhecer que os centrais também podem saber jogar à bola. Nunca vou abdicar é da necessidade de baterem nos adversários.

Não houve muito mais nada que mereça grandes referências. O Bruno César pareceu-me bem a lateral. Passou a ter uma boa desculpa para não correr tanto. Alguém precisa de explicar ao Bryan Ruiz que os golos se marcam como no quinto golo e não com tentativas umas atrás das outras de fazer um chapéu ao guarda-redes de qualquer parte do campo. O Schelotto continuou a alternar entre qualquer coisa e outra coisa qualquer. O Slimani está um senhor. Não importam os golos. O que importam são as assistências. De calcanhar ou de outra forma qualquer.


(Afiambrámos o Benfica em futsal. Ou muito me engano ou um tal de Fortino era capaz de nos dar jeito na equipa de futebol de onze. Mesmo que não jogasse, podia ensinar os outros a dominar uma bola sob pressão dos adversários, a jogar de costas para a baliza, para fazer passes para os remates dos colegas, ou a marcar golos de cabeça)

sexta-feira, 18 de março de 2016

Construir o inimigo

Esta semana foi pródiga em eventos (supostamente) desportivo-mediáticos. O Carrilho terá sido visto num dentista em Gondomar. Carrilho recusa-se a ingerir quaisquer alimentos sólidos ou líquidos na academia (vai com a marmita, presume-se). Carrilho pede para esperar no quarto e desde então não mais é visto. Terá sido por na triagem lhe terem dado a pulseira verde? Não sabemos. Terá mesmo estado na academia, ou seria um sósia? Ninguém sabe. Informações fidedignas situaram Carrilho no Sardinha Viva, em Braga, uma destas noites. Se não era ele era muito parecido, terá dito a fonte. Entretanto, ficamos a saber que o Coates recebe um ordenado chorudo, e não um pagamento em géneros, como é apanágio dos outros clubes que disputam a liga. Por outro lado, consta que o Sporting não vai accionar o alçapão e o Ezequiel Schelotto ficará por mais três temporadas no plantel. A sério.

Se na outra semana tivemos o caso dos panfletos, nesta tivemos direito ao não menos mediático (e francamente previsível) Ináciogate. Umberto Eco explica bem estas geringonças no seu livro “Construir o Inimigo – e outros escritos ocasionais”. Leiam que vale a pena.

No meio disto, lembrei-me que amanhã há jogo com o Arouca. A equipa do Lito Vidigal deve aparecer na sua versão autocarro colorido, uma daquelas camionetas da carreira que por fora têm escrito ecológico, mas que deitam fumo negro pelas bordas. É com esse fumo que nos devemos preocupar. Com esse fumo e com o Schelotto, que se vai manter na equipa, jogando o João Pereira a lateral esquerdo. Diz que o Teo (se não for possível amarrá-lo a uma árvore) deverá jogar de início. Ou teremos um momento Slibarcos?


Nota: Amanhã temos derby em futsal com o Benfica e uma importante deslocação a Braga, para o primeiro jogo do play-off (meias-finais) com o ABC em Andebol. No domingo, viagem a Valongo para jogo de Hóquei em patins com a equipa local.