quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Andamos a ser enganados?

Ontem pensava que ia ver um jogo da Champions. Pensava que não era um jogo do nosso campeonato. Fui enganado e logo pelas três equipas.

Pelo Shalke porque o ritmo que apresentou e o facto de depender (quase) totalmente das bolas paradas para criar perigo nos fez lembrar um Rio Ave ou um Nacional qualquer. Pelo Sporting porque a forma desinibida como jogou fora na Alemanha, me levou a pensar se não estaríamos antes algures entre o Estádio dos Barreiros e a pedreira de Braga. E finalmente a equipa de arbitragem, em que o árbitro fez lembrar o critério disciplinar de um Jorge Sousa no Dragão, o assistente mostrou que consegue ser tão caseiro como um assistente do Duarte Gomes na Luz e em que o árbitro de baliza... bem o árbitro de baliza conseguiu inventar o que acho que nem o João Capela a arbitrar o "seu" Benfica conseguiria inventar!

Espero sinceramente que possamos recuperar desta enorme desfeita emocional e que fiquemos em terceiro no grupo. Não vai ser fácil, mas se assim for a ironia é que até devemos ficar agradecidos aos russos: é que para mim o mais próximo do "melhor de dois mundos" nesta Champions seria ter o segundo lugar "moral" e o terceiro "real".

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

E se fosses para o Karasev?

Foi heróico. Não sei se será um daqueles empates que ficará para a história, mas foi uma exibição gigantesca do Sporting. Tão superlativa que nem quis ver os descontos.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Clássicos



Um clássico arrasador merece outro clássico arrasador: George Méliès.
Assim, aqui fica «L'homme a la tête en caoutchouc» de 1901…afinal anda por aí muita malta com “grandes melões”!

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sábado, 18 de Outubro de 2014

Deixem jogar o Nani

Esta semana houve grande polémica sobre o golo do Cristiano Ronaldo contra a Dinamarca. Há quem diga que é golo. Há quem diga que é autogolo. Hoje um tal de Marcano tirou todas as dúvidas. Um autogolo é aquilo que ele fez. Quando se faz um autogolo faz-se com convicção.

Não sei se os árbitros se importam muito de nos ver deixar jogar o Nani. Tratá-lo como o principal arruaceiro do futebol português é ridículo. Não é só por nos fazer falta. É que, com ele, os jogos têm outra graça.

Aquela do segundo golo é de ir às lágrimas. Tudo começa com o Maicon que, em vez de chutar a bola para a banca, entrou em modo tiki-taka. O palerma que recebe a bola está em modo tiki-taka também. O Montero fica em jogo e faz uma assistência deliciosa de cabeça para o Nani. O Nani recebe a bola, pára-a  fora da área e pensa com os seus botões (há anos que não me lembrava desta expressão): vou meter a bola naquele canto direito; e assim o fez.

O Jorge “Dragão D’Ouro” Sousa esteve magnífico. Chegou mesmo a amarelar uma rapaziada da Juventude Leonina, tal foi o empolgamento com aquela coisa de mostrar cartões aos jogadores do Sporting e marcar-lhes falta por tudo e por nada. A falta final foi a sua saída em ombros do Dragão.

O Lopetegui é um líder, segundo o Pinto Costa. Que assim continue. Que Deus lhe dê saúde para assim continuar por muitos e bons anos. A ele e a um tal de Casemiro, que em matéria de picanha não fica nada a perder para o falecido Rochemback.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Futebol de pernas para o ar

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, é mais controverso em Portugal do que em qualquer outro país. O ressabiamento manifesta-se na primeira oportunidade. A última oportunidade foi o golo contra a Dinamarca.

Vi o jogo e aquela jogada em particular. Não tive dúvidas que não era autogolo. A única dúvida é se depois da bola cabeceada ela também toca no defesa. O comentador, Tadeia ao que me dizem, anunciou o autogolo. Por todo o lado se celebrou mais o autogolo do que o golo. Por outras palavras, não se celebrou o golo nem o autogolo, celebrou-se o facto de o Cristiano Ronaldo não ter marcado golo.

Fica a imagem, que vale mais do que mil palavras.


terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Back to basics

O futebol é sempre mais simples do que nos pretendem explicar. Nem sempre funciona a táctica ou a capacidade de decisão, como se costuma dizer agora. Quando nada parece resultar, mantém-se o melhor jogador, mesmo que não esteja a jogar grande coisa, e mete-se um artista nos minutos finais. Não tem muito tempo para fazer asneiras, mas pode ter tempo suficiente para resolver o jogo.

Às vezes é o Kelvin, outras o Quaresma, ou, mesmo, o Miguel Garcia. O futebol vive mais disso do que parece. Não é preciso dizer muito mais. É só voltar a ver a arrancada do Quaresma, o centro e o Cristiano a planar e a cabecear a bola lá para dentro. A esta hora deve estar o Paulo Bento a pensar porque é que nunca lhe passou pela cabeça uma jogada destas.

domingo, 12 de Outubro de 2014

É nuito agradável voltar a ver jogar bem à bola

Tenho as maiores desconfianças em relação ao Fernando Santos. Quem perde um campeonato para o Augusto Inácio e outro para o Jaime Pacheco não pode ter muito que se orgulhar.

Dito isto, a ideia de procurar seleccionar os jogadores que sabem jogar á bola independentemente da idade e das juras de fidelidade ao treinador e ao Cristiano Ronaldo, parece-me um bom princípio.

Não sei se vamos a algum lado com ele. Mas é muito agradável voltar a ver a qualidade técnica e táctica do Ricardo Carvalho, do Tiago ou do Danny. Em certos momentos da segunda parte do jogo de ontem, contra a França, foi um regalo voltar a ver a bola a ser trocada a um ou dois toques entre esses e outros jogadores, como o Nani, o William Carvalho, o João Mário e o Cristiano Ronaldo.

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Nem A, nem B

Li com preocupação a preocupação da blogosfera sportinguista sobre a recente mudança do treinador da equipa B. Há preocupações para todos os gostos. Há preocupações que vão desde a competência do treinador selecionado até à filosofia do projeto ou qualquer coisa que o valha.

A equipa B só funciona se a equipa A dispuser somente de 18-19 jogadores. Na prática, planeia-se a equipa A e a B em conjunto. Não faz sentido a B sem a A. Se assim não for, então a complexidade da justificação é tal que só está ao alcance de um Carlos Daniel ou de um Freitas Lobo.

domingo, 5 de Outubro de 2014

Diferenças entre jogar com dez ou onze e com um ou dois avançados

Ontem, fui jantar com uns amigos meus. Vi o jogo contra o Penafiel pelo canto do olho. O suficiente para perceber o que se passou. O Marco Silva decidiu que voltaríamos a jogar com dez. O André Martins cumpriu com zelo o que lhe foi pedido: garantir que o adversário pudesse disputar o jogo durante uma hora. Depois de uma hora de avanço, tudo voltou ao normal e a normalidade fez-se resultado.

O Marco Silva joga com a defesa muito adiantada e, sobretudo, com os centrais muito afastados quando a equipa dispõe da bola. Os laterais avançam, o William Carvalho parte do meio e atrás, mas, rapidamente tem que andar por todo o campo, atrás e à frente, de um lado e do outro. Esta tática expõe os defesas centrais e torna visíveis algumas limitações, por agora, do William Carvalho.

Contra equipas como o Chelsea ou, até, o Porto, esta tática pode ser um autêntico suicídio. Contra a maioria das equipas do campeonato nacional, esta é a tática certa. A maior parte delas joga com o famoso autocarro e com um avançado, que se limita mais a correr atrás dos defesas, para impedir a saída da bola, do que propriamente a pensar em marcar um golo. Mesmo quando se isola, atrapalha-se com a bola, permite quase sempre a recuperação dos defesas, não tem jeito nem força para ganhar a zona central, o que implica que, se chegar a rematar, vai fazê-lo em condições muito desfavoráveis. Esse tipo de avançado, partindo isolado a trinta ou quarenta metros da baliza muito raramente faz golo. A maior parte das vezes, nem chega a rematar ou remata para a bancada.

Contra equipas como o Penafiel, jogar com um só avançado é dar descanso à defesa, sobretudo em jogos em casa. Não sei se se deve entrar logo com os dois avançados. Agora, quando jogamos com dois, o Slimani concentra-se completamente no que sabe fazer, que é metê-la lá dentro, deixando de andar a fazer apoios frontais e a deslocar-se para as laterais. Quando passámos a jogar com onze e com dois avançados, até parecia fácil. Resta saber se era possível com dois avançados que tivesse sido fácil desde o início. A rapaziada do Penafiel nos últimos trinta minutos já não estava em grandes condições.

Em síntese, jogar com onze é preferível a jogar com dez. Jogar com dois avançados, deixa o autocarro defensivo adversário em maiores dificuldades.

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Seleção nacional sem nacionalismo

Sem nacionalismo desmedido e independentemente de não ser fã do "Engenheiro" Fernando Santos, parece-me justo reconhecer que esta convocatória da seleção mostra duas coisas muito importantes:
1) As escolhas parecem baseadas numa análise mais ou menos objetiva do desempenho dos jogadores e não numa muito subjetiva mistura entre o desempenho futebolístico do jogador e a opinião pessoal do treinador sobre a sua personalidade
2) Tirando a paradigmática situação do ponta-de-lança, o trabalho foi simplificado: há mais ou menos dois jogadores para cada posição e não andou a inventar "polivalentes" para abrir lugares para chamar quem dá jeito.

Naturalmente fico contente da seleção ter seis jogadores do Sporting, mesmo que reconheça que apenas três deles (já) parecem ter o nível que precisamos se queremos lutar para ser campeões da Europa.

Com isto espero que tenha sucesso, o que está longe de ser garantido. É que esta equipa tem lacunas que não desaparecem apenas com bom senso.

SL 

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Felizmente não sou nacionalista

Não sou nacionalista e os jornalistas que defendem a exibição de algumas equipas portuguesas  sem portugueses no onze, felizmente, também não são.
Não sou nacionalista e os comentadores da TVI que numa jogada em fora de jogo do Chelsea, ao contrário de assinalarem essa irregularidade, antes elogiam o passe “com perfume” de um  jogador que passou algures por uma equipa portuguesa, felizmente também não são.
Não sou nacionalista mas gostei de ver a minha equipa jogar, felizmente, com seis jogadores da formação, não que seja importante, mas por acaso todos portugueses.
Não sou nacionalista, mas não nego que o árbitro espanhol fez nascer em mim algum do espirito afonsino que levou esse bravo rei a, felizmente, ir às trombas à família castelhana. 
Não sou nacionalista por isso arrisco que o William, infelizmente, deve ir para o banco e dar lugar ao espanhol Rosell.
Não sou nacionalista e ainda bem pois, sempre que vejo a minha equipa jogar na tv,  pelos comentários, parece que infelizmente joga fora.
Enfim, não sou nacionalista pois parece que felizmente não tenho nação! Assim, a minha nação parece ser o meu clube. Seja. Pim!


PS Quanto ao jogo. Na primeira parte sentia-se o cheiro a medo, mesmo aqui nas  terras altas. Tanto cagaço até que afinal percebessem que bastava não apanharem seis. O William continua ser bom mas está lento, muito lento. No centro da defesa, é hora de arriscar no Tobias e até no Oliveira, não deverá fazer muita diferença. A defesa esquerdo, eu continuo a preferir um defesa mas podemos continuar a arriscar. O Carrilho já está mais que encarrilhado e o Nani já percebeu que não é o Ronaldo mas pode e deve continuar a sonhar. O João Mário é uma mais valia, uma aquisição sem grandes custos para a equipa e com ganhos assinaláveis. Não gostei do resultado, de tudo o resto, nem tudo foi mau. Tivéssemos nós que jogar a este ritmo todas as semanas e os nossos rapazes aposto que faziam um brilharete. A “nossa” bola caseira é muito lenta, preguiçosa e previsível… até pelas piores razões.

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Expectativas

Hoje a Champions League volta a Alvalade. Todos sabemos que este jogo não é do nosso campeonato. Mas como fica bem demonstrar o que afirmamos (até porque os jornais dão a entender o contrário) resolvi visitar um site de apostas para gerir as minhas expectativas.

Ao princípio fiquei animado: de acordo com o dito site é mais provável o Sporting ganhar o jogo do que o Barcelona ganhar a Champions. Não estamos mal de todo. Mas qual a probabilidade de ganharmos a Champions? Bom, nem vamos falar disso, digamos apenas que é a mesma do Belenenses ganhar a Liga. Está tudo dito.

Para animar olhei para as odds dos rivais. De acordo com a rapaziada desta casa de apostas é bastante mais provável o Freddy Montero fazer hoje um Hat-trick que o Benfica ganhar a Champions. O Porto está um pouco melhor, ainda assim eles têm tanta fé na repetição do feito de Mourinho como num bis de Ricardo Esgaio mais logo.

E com isto fico a desejar que seja um bom jogo e que ninguém se lesione. Sábado temos campeonato.

SL

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Em defesa da defesa

Seja qual for o jogo, a malta lança-se como gato a bofes à defesa do Sporting. É uma coisa pavloviana, mas sem sineta, sem cão e sem carne. Contra o Porto voltou-se à conversa do costume.

Penso que a maior parte das pessoas que assim falou não viu o jogo. É que por oposição parece que a defesa do Porto é absolutamente magnífica. Na primeira parte, a rapaziada do Porto limitou-se a jogar à biqueirada para a frente e fé em Deus o tempo todo. Um dos centrais, então, ganhou várias vezes o bacalhau. Os laterais ainda hoje andam à procura do Nani e do Carrillo.

Depois, não houve um autogolo; houve dois. No autogolo a nossa favor toda a gente ficou a pensar que o Danilo tinha sido expulso. Assim se compreende melhor a situação do Sarr no lance do autogolo a favor do Porto. Quando o Danilo lhe apareceu pela frente, julgou, e bem, que se tratava de uma assombração. Pede-se a um central que marque um adversário de carne e osso. Não se lhe pode pedir que faça o mesmo com um holograma.

Mais do que isso, o principal erro não foi dele. O principal erro foi do Danilo. Ninguém imagina que um tipo que custou mais de dez milhões de euros e ganha dez vezes mais do que o Sarr, faça um centro tão disparatado. O centro foi tão mal feito que não só surpreendeu o Jackson Martinez, que se estava a desmarcar para o lado de fora, como o próprio Sarr. A estupidez dos adversários surpreende mais do que a inteligência.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

A arte do mais ou menos: não foi mau, mas podia ser bom

Precisamos de um Marco Silva na primeira parte e de um Leonardo Jardim na segunda. Excelente entrada. Um golo, mais duas ou três oportunidades. Todas as condições para matar o jogo e nada.

Na segunda parte pagaríamos o preço. Nessa altura era necessário engonhar o jogo. Era necessário encanar a perna à rã. Só que não sabemos fazer isso. É verdade que o Porto faz isso sem precisar de ajuda. Bastava deixá-los andar com a bola para trás e para a frente. Bastava não ter marcado um autogolo.

Era sempre necessário um grande Patrício. Tivemos um grande Patrício. Também precisávamos de um grande William Carvalho e tivemos um William Carvalho mais ou menos. É verdade que o Marco Silva pede que ele suba mais sem bola na marcação. Que suba mais com a bola e a passe mais para a frente. Mas, seja como for, este William ainda não é o Carvalho do ano passado.

Quando fizemos as substituições, ficaram evidentes ficaram as limitações do plantel. Temos o Capel e é com ele que temos de contar. Hoje até foi dia de engano, com um remate do outro mundo à barra. Depois, temos o Montero. A paciência para o Montero acabou-se. Lá entrou o rapaz com aquele ar amuado e de quem vai chorar à mais pequena contrariedade. Tenta aquela coisa dos apoios frontais e acaba a maioria das vezes por perder a bola, caindo quase sempre que a disputa com um adversário.

O Olegário, mesmo em pré-reforma, foi-nos explicando que os amarelos e a faltas são em função das camisolas. Burro velho não aprende línguas e muito menos a arbitrar com jeito.

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Jogos difíceis, jogos fáceis


Uma das belezas que resta ao futebol é o facto de ocasionalmente nos brindar com surpresas. Este fim-de-semana isso voltou a acontecer. O Porto tinha um jogo muito fácil, que virou difícil após uma justa expulsão. Empatou. O Benfica tinha um jogo fácil, que tornou difícil e que virou fácil novamente após uma justa expulsão. O Sporting tinha um jogo, vá lá, com um grau de dificuldade intermédia e goleou, sem expulsões.

Até aqui nada de novo. O que gostaria de notar é que o nosso jogo com o Belenenses também era um jogo fácil que nós tornámos difícil, podemos até dizer, por culpa própria. A diferença para os nossos rivais de Lisboa está no facto desse jogo não ter virado mais fácil depois da expulsão perdoada a João Meira, tão justa e evidente quanto a do jogador do Moreirense.

O Rui Monteiro parecia que adivinhava no dia 15 de Setembro, quando chamou a atenção para esse lance de que ninguém fala num post. Parece que afinal nem todos os jogos fáceis o são. E parece que nem todos dispõem das mesmas oportunidades para tornar jogos difíceis em fáceis. E essa não é uma das belezas do nosso futebol.

Outro episódio que não abona em favor da beleza do futebol Português é o que está hoje retratado no The Guardian. Não domino a temática, mas num país onde se perdem tantas horas a debater o futebol e tudo o que o rodeia estou para ver a atenção que merece.

SL

Mais mulá que o mulá

Não tenho nem muito tempo nem muita paciência para ver programas da bola. Leio “A Bola” quando vou ao Flávio tomar café. Não leio propriamente, porque aquilo não tem nada para ler. Folheio e nada mais. Fiquei a saber que o Manuel Fernandes disse que nós somos uma equipa de pernetas. Também fiquei a saber que o Bruno de Carvalho disse que perneta era a avó dele ou qualquer coisa do género. Tudo ao nível de um bom debate Seguro vs Costa. Até aqui tudo bem.

De repente, começo a receber uns comentários de uma rapaziada a equiparar-me ao Manuel Fernandes ou ao Rui Gomes da Silva pelo simples facto de ter malhado no André Martins e no Capel. A comparação com o Rui Gomes da Silva não me fica bem. Lembro-me de uma proposta, de quando era Ministro, de se passar a escolher os comentadores políticos pelo Método de Hondt ou assim parecido. Fiquei contente com a comparação com o Manuel Fernandes. As quatro batatas que espetei a uns miúdos da minha rua do Benfica sempre tiveram, afinal, a divulgação que mereciam.

Há jogadores que são um mistério. O André Martins, assim como o Postiga ou o Nuno Gomes estão nesse lote. Não jogam (ou não jogavam) a ponta de um caracol. Mas há sempre alguém que os defende. Que não. Que a malta é parva e não percebe nada da bola. Há um metafísica da coisa que nos escapa e está só ao alcance de entendidos.

 Há outras coisas menos misteriosas. Acontecem no futebol como acontecem no dia-a-dia em muitas outras atividades, nomeadamente na política. Há sempre um talibã qualquer que é mais mulá que o mulá.

domingo, 21 de Setembro de 2014

Terraplenagem

Quarenta e cinco minutos a terraplenar para um lado. Outros quarenta e cinco a terraplenar para o outro. No final, ficou tudo lisinho. O José “até-ao-pescoço-é-canela” Mota tem razões para dar a conferência de imprensa com o habitual barrete enfiado. Mas não se pode entrar em euforias. No Gil Vicente jogaram o Gladstone e o Evaldo. Sabemos bem o que acontece quando uma equipa se procura suicidar desta forma.

Depois de vários anos, voltámos a jogar com onze. Ainda não foi bem com onze. Foi entre o dez e o onze. Quando o Capel também for para a bancada, então sim, passaremos a jogar definitivamente com onze. O principal reforço da equipa não foi o João Mário. O principal reforço foi o envio do André Martins para a bancada sem passar pela casa de partida e receber dois mil escudos. Jogar com alguém que não está sistematicamente a perder a bola ajuda e muito.

O Patrício passou pelas brasas. Os centrais estiveram melhor, especialmente o Sarr. O Maurício ainda continua a dar um ou outra abébia. O Cédric esteve horrível. O Jonathan parece jogador da bola. A continuar assim, temos o Jéfferson na bancada também. O William anda perdido. Aquele sistema de vaivém com o Adrien deixa-nos a descoberto na zona frontal quando se perde a bola. É que, por vezes, vão e não voltam a tempo. O Adrien na primeira parte jogou acima das suas possibilidades; facto que procurou demonstrar na segunda. O João Mário esteve excelente. Deixou os avançados três vezes isolados para o golo. Em duas delas aconteceram dois dos quatro golos. O André Martins anda há cerca de três anos para fazer pelo menos um passe daqueles. O Nani é o Nani e passo à frente. O Slimani continua a jogar e a marcar. Gostei muito do Rosell. Gostei também do Carrillo. O quarto golo, envolvendo o João Mário, o Nani, o João Mário (novamente) e, por fim, o Carrillo é um hino ao futebol. O Montero entrou para se redimir. Era a cereja em cima do bolo. Ficou o bolo sem cereja.

O Marco Silva passou a bestial. É a vida. Mas não basta. Há mais gente para ir para a bancada. O Capel é o principal candidato. Admito mesmo um outro aproveitamento para este tipo de jogadores. Não seria mal pensado colocá-lo a ele e ao André Martins a autografar camisolas e cachecóis enquanto os outros jogam. Todos têm que dar o seu contributo da melhor maneira que sabem.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Lucidez

Passada esta jornada europeia, podemos analisar com mais frieza tudo o que aconteceu. Nós, os sportinguistas, somos os mais lúcidos. Com mais ou menos azia ou mais ou menos ironia, consideramos que o jogo contra o Maribor não foi brilhante. Há quem se entretenha a discutir se a maior responsabilidade cabe ao Maurício ou ao Sarr. Não me parece uma boa discussão. Cada um fez a estupidez que lhe competia. O lance vale pelo conjunto. A probabilidade de acontecer é manifestamente cósmica. Mais depressa o Homem vai a Marte do que uma outra dupla de estarolas repete aquela façanha.

Os benfiquistas estão empolgados e muito contentes. Na primeira meia hora levaram um banho de bola. Ficaram com dez e a perder por dois. Ficaram a perder por dois mas podiam ter ficado a perder por três ou quatro. Depois disso o Zenith meteu férias e os jogadores do Benfica encheram-se de brios. Correram, empenharam-se, andaram com a bola para trás e para a frente. Esqueceram-se de a meter dentro da baliza, mas não se lhes pode levar a mal esta distracção. Depois deste feito estão cada vez mais preparados para outros gloriosos feitos, dando novos mundos ao Mundo. Merecidamente, a equipa saiu ovacionada e o Hulk à gargalhada.

Os portistas estão de papo cheio. Nós também gostaríamos de estar. Mas é uma ilusão. As ilusões são perigosas. Ninguém está imune ao Teorema do Limite Central. Neste caso, conforme o número de jogos vai aumentando assim os resultados tendem para uma distribuição normal. Por outras palavras, na volta da esquina espera-os o Arsenal do costume.

Cada clube arrecadou o que foi capaz. Cada clube vai agora à sua vida, disputar o campeonato nacional, que é para isso que cá andam. Daqui a uns dias os portugueses, benfiquistas, sportinguistas e portistas, voltam a acreditar que estão na Europa.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Bom, muito bom mesmo

Os nossos jogadores são bem-mandados. Não esperava que cumprissem de forma tão zelosa as minhas orientações de ontem. O objetivo era o empate e assim está muito bem. Aliás, se tivéssemos ganhado estaríamos agora a liderar o Grupo e isso iria gerar enormes perturbações na equipa.

Há várias maneiras de forçar o empate. A nossa, de hoje, não me pareceu a melhor. Se nos distanciarmos um pouco da nossa pele sportinguista, temos que reconhecer que o golo do Maribor é melhor do que qualquer sketch dos apanhados. Confesso, ri-me como há muito tempo não me ria com este golo. Aquela dupla de centrais é o Bucha & Estica ou o Batatinha & Companhia do futebol internacional.

Vamos ter um problema em janeiro: dificilmente o Nani está disponível para continuar a jogar com amadores. Tirando o Nani, que é um caso à parte, salvam-se o Slimani e o Wiliam Carvalho. Depois dos dois passes que deixaram duas vezes o Carrillo isolado, espero que se deixe de afirmar que o homem é tosco. O homem não é tosco. O homem é parvo por continuar a jogar com os outros.

O William Carvalho necessita de uma análise especial. Pede-se-lhe de tudo; que saia com a bola entre os centrais; que dobre qualquer um deles depois das suas sucessivas barracadas; que esteja em todo o lado no meio-campo e, sobretudo, que esteja onde o Adrien devia estar e não está; que ande numa roda-viva com o Adrien de forma a aparecer na frente também para tentar o remate; que nunca temporize o jogo e passe sempre a bola para a frente em situações de maior risco e com maiores probabilidades de falhar. O homem está a fazer tudo para cumprir as orientações que lhe dão. Como é bom, um dia destes até pode começar a parecer que temos meio campo.

Estou razoavelmente farto de todos os outros. O Leonardo Jardim explicou-lhes que não eram grande coisa e que se deviam limitar a fazer o que lhes mandava e sabiam fazer. Com base nestas orientações, disfarçaram toda a época passada. Mas ninguém se iludiu, penso eu. Espero que o Marco Silva não se tenha iludido.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O Sporting na Liga dos Campeões

A Liga dos Campeões é uma competição europeia, logo deve envolver equipas de todos os países da Europa. Só por essa razão é que lá estão certas equipas como as portuguesas. O vencedor da Liga dos Campeões só pode ser uma equipa espanhola, inglesa, alemã ou italiana (cada vez menos). Sendo assim, a competição deve ser organizada de forma a maximizar as probabilidades de concretização desse objetivo, envolvendo o número de equipas necessário e diferenciando-as nos sorteios por países.

Mesmo sabendo-se que essas equipas têm orçamentos muito superiores e jogadores de melhor qualidade do que as outras, não convém confiar na sorte. Deste modo, as regras deixam muito pouco à sorte. Se tudo falhar, ainda lá estão os árbitros para assegurarem que nada corre mal. De vez em quando, mas muito de vez em quando, para que a exceção confirme a regra, um Porto qualquer pode ganhar uma Liga dos Campeões; mas só uma.

As equipas portuguesas limitam-se a representar na Liga dos Campeões o papel para o qual são pagas. Quando era miúdo, dizia-se nestes casos que se fazia papel de embrulho. Fazem de contas que competem com os outros. Fingem que lutam denodadamente para chegarem pelo menos ao segundo lugar. Mas, no fundo, no fundo, o que querem é ficar em terceiro, para irem à Liga Europa. Ficar em segundo ou em primeiro é um passo para lado nenhum. Ficando em terceiro, têm hipóteses de fazerem um brilharete. O Mourinho e o Villas Boas ganharam uma Liga Europa. O Braga, o Benfica e o Sporting foram a finais.

É o que espero do Sporting. Que finja que tudo isto é a sério e que tem tantas hipóteses como os outros de ganhar os jogos. Que faça de contas que leva a sério esta competição. Que saque o mais possível. Que procure chegar ao terceiro lugar. Que se concentre no Campeonato Nacional e se deixe de tretas.

Face a estas premissas, estou-me razoavelmente nas tintas para o resultado contra o Maribor. Só se pede que não se faça uma triste figura. De preferência, que se faça um resultado que permita na segunda volta ganhar em Alvalade e assegurar o apuramento para a Liga Europa.


(O Benfica e o Porto vão fazer de conta na mesma. Vão fazer crer os adeptos que estão na Liga dos Campeões para a ganhar. No final da fase de grupos vão ficar, na melhor das hipóteses, em terceiro lugar. Se ficarem melhor classificados, pior para eles. Resta-lhes ainda fazerem pior figura nas fases seguintes)

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Um penalty clandestino

Um amigo meu insistiu que tinham perdoado um penalty ao Sporting no jogo contra o Belenenses. Insistiu e insistiu tanto que me mostrou uma imagem em que o Slimani estava a agarrar um tal de João Meira.

Disse-lhe que não era penalty. Esse tal de João Meira só podia ter entrado clandestinamente em campo depois de ter sido expulso por falta perigosa à entrada da área sobre o Carlos Mané. Fomos ver o lance e lá estava a falta do tal João Meira. Como é que o João Meira voltou para dentro de campo depois ter sido expulso pelo Cosme Machado? Ninguém denuncia isto à Federação, à UEFA e à FIFA?

domingo, 14 de Setembro de 2014

Vamos com calma (ou não)

Até ao momento, só não vi o jogo contra o Benfica. O jogo de ontem, contra o Belenenses, foi uma repetição dos anteriores face à Académica e ao Arouca. Tudo começa por ser fácil. As oportunidades sucedem-se. Os golos parecem eminentes. Por uma ou outra razão ou não acontecem ou não acontecem na quantidade que se justifica. Começa a segunda parte e a ansiedade vai-se apoderando dos jogadores. A meio entra-se em modo de desespero. Às vezes chega, como contra o Arouca, outras vezes não.

Contrariamente ao que para aí se vai dizendo, o treinador não me parece mau. Não é um Paulo Sérgio seguramente. A equipa tem método. Só que ainda está programada para jogar à Estoril. É preciso mais agressividade no ataque e menos tretas.

Ninguém me tira da cabeça que, em Portugal e contra equipas medíocres, como o Belenenses ou o Arouca, jogar com um só ponta-de-lança é dar descanso ao adversário. E as coisas ainda ficam mais complicadas quando se pede a esse avançado que, em ataque continuado, esteja sempre a recuar para tabelar com os médios sem que estes, com excepção do Nani, se desmarquem para dentro da área com golo nas botas. Mesmo para continuar com os apoios frontais do avançado, ou lá como se isso se chama, é importante jogar com dois. Um para essa brincadeira e outro para marcar golos (nem que seja à vez).

Depois, há jogadores que estão deslumbrados. Voltaram ao normal e o normal é pouco. Quando estão convencidos da sua normalidade, até nos surpreendem. De outra forma, atrasam mais do que adiantam. São os casos do Adrien e do André. Tudo sempre muito devagar. Perdas de bolas sobre bolas. Uma lentidão desesperante. Incapacidade para rematar por uma vez de fora da área e marcar um golo que seja. O principal lance de ataque do Belenenses resulta de dois passes consecutivos para os adversários, um do Adrien, o outro do André.

Também não estou certo que os principais problemas estejam na defesa. A defesa treina-se, foi isso que nos ensinou o Leonardo Jardim. Temos um grande e ter um grande é sempre bom. Limpa tudo de cabeça e isso é meio caminho andado. A maioria dos adversários em Portugal joga à biqueirada para a frente, apostando tudo em ganhar a primeira bola de cabeça e nos lances de bola parada. O grande só precisa de ser mais agressivo. Os adversários têm que temer uma desgraça sempre que forem disputar uma bola com ele. Neste jogo, e noutros deste tipo, talvez o recuo do William Carvalho para central, dispensando-se o cromo do Maurício, talvez não seja má ideia. Três no centro à espera do adversário que não avança parece uma multidão. O Esgaio está desconfiado de si próprio. Precisa de aprender a defender com confiança para atacar com confiança também. De outra forma, nem ataca, nem defende. Parece estar sempre a meio caminho.

O Porto empatou e estamos a quatro pontos. Nada está perdido. Se havia dúvidas, ontem ficaram dissipadas: o Nani é o melhor jogador do campeonato português. O William e o Patrício caminham para os lugares seguintes. Os outros só precisam de respeitar, nos passes e nas desmarcações, o que os outros lhe mandam fazer. Já agora, se não se importam, aprendam a marcar as bolas paradas. Podem começar pelos lançamentos de linha lateral junto à área do adversário. Basta ver como faz o Benfica.


(Excelente arbitragem do careca. Dois livres à entrada da área por marcar. Em cada um deles, não houve uma falta, mas duas. Não houve os consequentes amarelos. Num deles, dava o segundo e consequente expulsão)

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

A minha vida não é esta

Não tenho nem muito tempo nem muita paciência para ver e ouvir os tradicionais programas sobre bola que passam nos mais diversos canais. Aliás, é uma profusão de programas e de cromos a debitar generalidades que se alguém se desse ao trabalho de os acompanhar dava seguramente em maluco.

Por vezes, num “zapping” rápido antes de ir para a cama, apanho duas ou três frases de um destes programas. Ontem apanhei umas frases do Vítor Pereira. Não é um portento de eloquência, mas o homem sabe do que fala, contrariamente aos papagaios que o acompanham no programa. Disse uma coisa que me pareceu óbvia no jogo contra a Albânia e em quase todos os jogos da seleção. O Moutinho não consegue estar sem a bola. Se o colocarem em posições mais avançadas e a bola não lhe chegar uma e outra vez, recua para a receber no pé e avançar com ela para a passar a alguém.

No jogo contra a Albânia isso foi por demais evidente. Em vez de os nossos jogadores do meio-campo avançarem para receberem a bola mais à frente, passada pelo William Carvalho, recuavam sempre para cima dele para receberem a bola no pé. O William Carvalho passou a ser pressionado na saída da bola não só pelos jogadores da equipa contrária que estavam destinados a esse fim, mas também pelos seus colegas, mais os jogadores adversários que traziam com eles.

A construção de jogo entupiu, anulou-se o William Carvalho e faltaram sempre jogadores do meio-campo próximos dos avançados na zona frontal. Este foi um dos principais problemas da equipa portuguesa.

Não estou a advogar a candidatura do Vítor Pereira para selecionador nacional. Agora, com o Vítor Pereira, o Moutinho fez as melhores épocas de sempre. Não foi por acaso. Saber de bola a sério ajuda e muito.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

A culpa também é dos penedos



Dos diversos resumos dos jogos de qualificação que vi, posso concluir que as duas piores seleções que vi jogar foram a portuguesa e a de Gibraltar. Curiosamente as duas jogaram em casa. Mais curiosamente ainda a casa era mesma: Portugal. Não deve ser um acaso. Se em relação à seleção do Rochedo acho que não me devo intrometer, já quanto aos nossos penedos, perdão, representantes, acho que tenho a obrigação de ajudar.
Assim, julgo que na impossibilidade de deixarem de jogar, treinar, selecionar, etc., devem procurar fazê-lo longe de casa. E atenção, não se trata só de poupar o desgastado e sempre crente povo português, o que já seria uma boa causa. Dado que não está em causa a qualidade dos jogadores, nem dos dirigentes e restante staff (exceto talvez o médico e só para agradar ao Rui Monteiro), nem muito menos os méritos e competências do “senhor mister” Paulo Bento, o problema só pode ter outra origem.  
Torna-se de jogo para jogo cada vez mais evidente que jogar em casa é problemático (fora também é, mas agora dá-me mais jeito outra abordagem) e não vale a pena recorrer a muitos e cansativos dados estatísticos para percebermos quantos pontos já perdemos em casa nas últimas qualificações. Se o problema não é da falta de qualidade, pode ser que seja dos movimentos das placas, provocados pelas correntes de convecção que ocorrem na astenosfera (camada logo abaixo da litosfera). Certamente esse movimento ascendente dos materiais mais quentes do manto (magma) em direção à litosfera, não ajudam ao desempenho dos artistas da bola.
Só resta uma solução. Vão jogar para longe! Experimentem jogar noutras placas como a Placa Indo-Australiana, a Placa dos Cocos, a Placa do Pacífico, a Placa Arábica, Placa de Nazca, ou até a Placa Antártica.
Não sei se resultará mas decididamente não se perde nada em tentar.