segunda-feira, 30 de julho de 2018

Did they expect us to treat them with any respect?


É evidente que o futebol português corre rapidamente para a irrelevância e para o seu desaparecimento. Primeiro, porque a UEFA é promotora de um modelo de distribuição de receitas e de acesso a provas que cava brutais iniquidades entre países, depois porque o futebol nacional caiu num pântano de descrédito, que vai da corrupção à agressão de atletas, que afasta qualquer investidor ou o interesse em comprar direitos televisivos em qualquer outro local, que não seja aqui entre os indígenas.

Mas achar que este problema de credibilidade se resolve com paninhos quentes, é piada ou cegueira. Não pode haver paz enquanto houver injustiça, corrupção e viciação de resultados. Não se podem reatar relações com quem procura por meios ilegítimos e ilegais obter resultados desportivos, viciando a verdade, influenciando árbitros, aliciando atletas, controlando a comunicação social e corrompendo a justiça.

Não há “business plan” que salve o futebol português, sem um banho de ética e sem uma vassourada na corrupção, que faça com que se possa voltar a acreditar que o futebol são 11 contra 11 e no final ganha o melhor, ou quem tiver tido a sorte do jogo.

Superada a caganeira institucional dos últimos meses, era bom que os candidatos à presidencia do Sporting percebam que ser um exemplo ético é respeitar a pluralidade interna – união é outra coisa e só se consegue com títulos –  e não ter qualquer tipo respeitinho, complacência ou tolerância na apanha do polvo. 

Se quiserem usar uma versão retro, vistam-se de Dias da Cunha. Se quiserem ser pós-modernos, apresentem-se de Lunático. Mas nunca se vistam de parvos.

 They can polish their medals and sharpen their
Smiles, and amuse themselves playing games for awhile.
Boom boom, bang bang, lie down you're dead.”

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O SIADAP e o Benfica

Há quase duas décadas que se implementou o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP). Quer chova, quer faça sol, têm que se definir no início de cada exercício objetivos e respetivos indicadores e metas para os funcionários. No final de cada exercício o desempenho de cada funcionário é aferido pelas realizações e resultados obtidos em relação às metas. A classificação final varia de 1 a 5, correspondendo uma avaliação inferior a 3 a “não adequado”, entre 3 e 4 a “adequado” e entre 4 e 5 a “relevante” ou “excelente”. Há quotas para os “relevantes” e “excelentes”, atribuindo-se uma pontuação para efeitos de progressão na carreira de 0, 1, 2 e 3 em função do mérito avaliado. Ao fim de 10 pontos, progride-se um escalão na carreira. Com o SIADAP procura-se incentivar os funcionários ao cumprimento e, mesmo, à superação de resultados.

Através da notícia do Expresso, ficou-se a saber que um funcionário judicial acedeu trezentas e oitenta e cinco vezes a dez processos que envolviam o Benfica. A razão apontada na notícia não nos parece que esteja bem. Quem conhece o funcionamento do SIADAP não tem dúvidas que a este funcionário lhe foram fixados os dois seguintes objetivos: “Nº de processos consultados” e “Nº de consultas aos processos”. É verdade que os processos que envolviam o Benfica não lhe estavam atribuídos. Mas também é bastante verosímil que, na impossibilidade de efetuar o número consultas aos processos que lhe estavam atribuídos para cumprimento e superação das metas, não lhe restasse outra alternativa que não fosse consultar outros. O facto de envolverem o Benfica é puro acaso. Tanto podiam envolver o Benfica como a Tasca da Dona Miquinhas.

Este desempenho devia ser premiado com um “excelente”. Por inveja, colegas sportinguistas e portistas desataram a inventar histórias. Todos se queixam da falta de diligência da justiça e da sua morosidade. Tivessem os tribunais funcionários judiciais como este e Portugal seria outro. Ninguém tem dúvidas que com tanta diligência estes processos que envolvem o Benfica serão decididos com celeridade e bem (e a bem, da justiça, claro). Ficamos a aguardar (sentados).

terça-feira, 24 de julho de 2018

Quando a dialética marxista não deve ser tida nem achada

Desde que Bruno de Carvalho chegou a Presidente iniciou-se a luta de classes no Sporting. Esta luta de classes não resulta exclusivamente das diferentes classes sociais a que pertencem os adeptos e os sócios. Esta luta de classes procura simplesmente legitimar um determinado modelo de produção em relação a outro, em função dos resultados. De um lado, estaria o modelo de produção liderado pelos capitalistas, os proprietários dos meios de produção ou os “croquetes”, conforme se recorra à linguagem da boa dialética marxista ou dos verdadeiros sportinguistas. Do outro lado, estaria o modelo de produção liderado pelo povo, os trabalhadores ou os sportinguistas, conforme se recorra também recorra à linguagem da boa dialética marxista ou dos verdadeiros sportinguistas.

Bruno de Carvalho, o povo, os trabalhadores e os (verdadeiros) sportinguistas procuraram sempre aferir a superioridade dos resultados tendo como referência a classificação obtida na época 2012/2013 (iniciada sob a presidência do Godinho Lopes), quando acabámos em sétimo lugar. A argumentação foi-se entranhando que, a partir de certo momento, nem se estranhava. Quando se criticava Bruno de Carvalho aparecia sempre alguém a perguntar se queríamos voltar ao “croquetes” e ao sétimo lugar do Godinho Lopes, como se o Sporting se tivesse iniciado na época 2012/2013.

As classificações do Sporting neste século (e milénio) foram as seguintes: 3º, 1º, 3º, 3º, 3º, 2º, 2º, 2º, 2º, 4º, 3º, 4º, 7º, 2º, 3º, 2º, 3º e 3º. Em dezassete anos ficamos oito vezes em terceiro lugar (47%) e onze vezes atrás do Benfica e do Porto simultaneamente (61%). Nos últimos cinco anos ficámos três vezes em terceiro lugar (60%), que corresponde às mesmas três vezes que ficámos atrás do Benfica e do Porto simultaneamente (60%).

Analisados os dados deste modo, aparentemente os (verdadeiros) sportinguistas não estiveram melhor do que os “croquetes”. Aliás, o Filipe Soares Franco foi quem obteve de longe os melhores resultados (que aos segundos lugares ainda se devem acrescentar as vitórias na Taça e Supertaça). Os (verdadeiros) sportinguistas protestaram mais, gritaram mais alto, mas quanto a melhoria de resultados tudo se traduziu em nada; e no fim o que conta, o que conta mesmo são os resultados. Como diria o Jorge Jesus, quanto a resultados: bola.

Estamos conversados e espera-se que acabe de vez a luta de classes no Sporting. Segundo Marx, a luta de classes irá determinar o fim do capitalismo e o fim da história. A mim não me dava jeito nenhum que determinasse o fim da nossa história. É que não tenho imaginação suficiente para alterar a programação habitual dos meus fins-de-semana. Não deixa de ser uma simples conveniência burguesa, mas espero que não me levem a mal.

domingo, 22 de julho de 2018

Com elevação


Ali, não se trata de criar um futuro novo, mas de restaurar o antigo.
                    William T. Vollmann

Restauro do futuro antigo, isto é, restaurar a ideia de futuro que era (supostamente) projectada no passado. Num determinado passado. Nada disto é paradoxal e rapidamente poderá ser transportado para a realidade temporal do Sporting. Uma realidade cujo espaço-tempo não se afigura de fácil determinação. Vejamos.

Observamos apresentações de jogadores que são ao mesmo tempo, representações e reapresentações. Neste caso o cenário é fundamental para não escavarmos demasiado a fundo. A coisa é-nos apresentada (e representada) em forma de presente, e de verdadeira dádiva (assim ouvi dizer), em suma, algo muito próximo do simulacro.

À boleia de entrevistas (com enviados especiais à Áustria, onde estagia a potencia futebolística do Al-Hilal) a Jorge Jesus, observamos uma verdadeira operação de cosmética do passado recente (para não dizer branqueamento), feita pelo próprio (o que até compreendemos dado o seu histórico), cavalgada pelos jornalistas, aproveitada por alguns sportinguistas, (candidatos, comentadores, outros), e sancionada por quase todos.

O homem afinal ganhou tudo o que havia para ganhar (não foi?), sempre terá defendido os jogadores (recordam-se da final do jogo de Madrid?), tendo igualmente projectado galacticamente jogadores, chegando-se ao descaramento de realçar o seu trabalho no nosso rival para justificar a pantomina televisiva que nos vai alimentado. A sua amizade profunda ao presidente de um rival (aliás bem representada em casos balofos de tribunal para Inglês ver) remete-nos (mais uma vez) para o simulacro.

Os que ainda há uns meses (e não eram poucos) discutiam o fraco desempenho futebolístico da equipa de futebol (tendo em conta a qualidade dos seus jogadores), a ausência de ideias e a aridez repetitiva de estratégias e tácticas, desmemoriaram-se, esfumaram-se, ou vestiram, convenientemente, a roupagem adequada ao momento.

Dos candidatos a candidatos, proto candidatos, ou sucedâneos, temos o bastante para uma peladinha aqui no bairro. Para melhor reportar a fogueira de vaidades (e outras formas de entretenimento) necessitaríamos da pena de um Tom Wolfe mais paciente e capaz. Compreende-se: o tempo de antena sobre o Sporting nunca foi tanto e tão conveniente aos nossos rivais. Só falta um dos nossos agora (mais) próximos rivais depositar a sua confiança num dos candidatos (ou mesmo forjar o seu), para o fogueira ser mais vistosa ainda. O que sobra em candidatos, falta em ideias. Nada de novo. Nem sequer os velhos de Alvalade a rondar a presa. Com elevação, como se impõe no Sporting.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Jesus, o Jorge, fala-nos do além

Jesus ressuscitou ao terceiro dia. O Jesus que já foi nosso, o Jorge, anda a falar-nos todos os dias como se estivesse no além. Aparentemente ressuscita todos os dias longe, tão longe que só vemos a imagem. Espero que não seja holograma e esteja bem de saúde. Ele não se esquece de nós, mas nós também não nos esquecemos dele. Para que saiba que não nos esquecemos dele, vou-lhe falar para o além.

Nas duas últimas épocas, jogámos o pior futebol de todo o período Bruno de Carvalho. Durante esse período, nunca um treinador ganhou tanto dinheiro, teve tanto poder de decisão e pôde contratar tantos e tão caros jogadores. Leonardo Jardim e Marco Silva conseguiram com muito menos condições muito melhores resultados. Quando refere que o Sporting se imiscuiu na luta pelo título com o Benfica e o Porto, é comparável com o que fez o Paulo Bento durante quatro épocas seguidas?

Pediu ao Sousa Cintra para se acabar com a cláusula de confidencialidade do contrato de rescisão. Aparentemente quer continuar a falar (de nós). O único conselho que lhe podemos dar é que é melhor estar calado. É que temos muito mais a contar sobre ele do que ele sobre nós. Por exemplo, só depois de perder a final da Taça de Portugal é que se lembrou que talvez não tenha sido boa ideia jogá-la. Eu e outros como eu preferíamos que o tivesse dito antes do jogo e não depois. Como sempre, cheira a desculpa de mau perdedor.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Do dilema dos jogadores e do Bruno de Carvalho ao equilíbrio de Sousa Cintra

Entre ontem e hoje, conversas e leitura improváveis levaram-me à teoria dos jogos e à história da vida de John Nash (magnificamente interpretado por Russell Crowe no filme “Uma Mente Brilhante”). Quando acontecem coisas improváveis o Sporting acaba por estar sempre envolvido. Por isso, entre as conversas e as leituras misturou-se o processo de rescisão dos jogadores do Sporting.

Existe um “dilema do prisioneiro” sempre que os agentes ao privilegiarem os seus interesses próprios não conseguem o melhor resultado possível nas suas interações. Vamos admitir que os jogadores do Sporting têm o firme propósito de não negociar, incentivados pelo Mendes e pelo Sindicato no contexto das embrulhadas que tanto caraterizam o futebol português e pelo dinheiro que vão ganhar em outros clubes entre salários e prémios de assinatura (muito superior ao que seria se se tratasse de uma transferência). Do outro lado estava o Bruno de Carvalho no estilo “quantos são?!” que caracterizava o Valentim Loureiro, disponível a levar estes processos até às últimas consequências, esmifrando os jogadores e os clubes que os contratassem até ao último cêntimo para resgatar a honra sportinguista. O jogo pode ser sistematizado no quadro abaixo.

SCP/Jogadores
Negociar
Não negociar
Negociar
(100, 100)
(0,150)
Não negociar
(150,0)
(0,0)

O resultado seria o de todos os envolvidos rejeitarem a negociação, perdendo todos. O Sporting veria arrastar a situação nos tribunais sem fim à vista, com prejuízos na sua situação patrimonial e financeira e na liquidez no curto e médio prazos e na constituição de uma equipa competitiva para disputar o campeonato. Os jogadores, por sua vez, apanhariam com os Sérvulos Correias desta vida que não brincam às “minutas” e ficariam sempre com uma espada sobre o pescoço que os poderia levar à suspensão da atividade e ao pagamento de elevadas indemnizações. Este seria o “equilíbrio de Nash” ou, mais concretamente, o “equilíbrio de Bruno de Carvalho”.

Vamos admitir, agora, que os jogadores estavam de boa-fé e que a rescisão resultava exclusivamente de se sentirem vítimas de assédio moral do Bruno de Carvalho e de violência dos encapuçados e das claques. Sabiam que, saindo o Bruno de Carvalho, tinham todas as razões para negociar com o Sporting. Mesmo que o Sporting não quisesse negociar ficaria clara a sua boa-fé e a sua razão para a rescisão e em qualquer tribunal ser-lhe-ia reconhecida efetiva justa causa. Admite-se que o Sporting estava de boa-fé também e que, com a saída do Bruno de Carvalho, estava disposto a garantir a segurança dos jogadores e a eliminar comportamentos de assédio moral. Também sabiam que ao se disponibilizar para assegurar estas condições, os jogadores estariam em muito más condições para vencerem o contencioso que não seria do seu interesse. Nestes termos, o jogo pode ser sistematizado no quadro abaixo.

SCP/Jogadores
Negociar
Não negociar
Negociar
(100, 100)
(0,0)
Não negociar
(0,0)
(0,0)

O resultado agora seria a cooperação entre os agentes e o estabelecimento de um acordo que assegurasse a resolução do potencial contencioso jurídico, ganhando ambos os lados. Os jogadores poderiam seguir a sua carreira no Sporting ou noutro clube tranquilamente e o Sporting com esses jogadores ou com os recursos das suas vendas asseguraria uma equipa competitiva para disputar o campeonato. Este seria o novo “equilíbrio de Nash” ou, mais concretamente, o “equilíbrio de Sousa Cintra”.

Vistas as coisas deste modo, é preferível o “equilíbrio de Sousa Cintra” ao “equilíbrio de Bruno de Carvalho”. No entanto, o que se dispensa é um “equilíbrio de Jorge Mendes”, em que ficamos atolados em pernetas que só geram prejuízos. Se é para ser assim, é preferível deixar sair o Gelson Martins a custo zero a ter de ficar com uns tantos Andrés Moreiras para a troca. É que esse tipo de teoria de jogos é tão complexo que nem o John Nash seria capaz de formular um qualquer equilíbrio em condições.

terça-feira, 10 de julho de 2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Em exclusivo


Jornalistas em Turim. Directos de Turim. Jornalistas em Madrid. Em directo. Jornalistas na Suíça (chega o Sporting). Em directo. Jornalistas em Tróia (não confundir com a antiguidade clássica). Directos. Jornalistas na Rússia (ainda mexe). Directos e diferidos. Jornalistas na Tailândia (por skype – digo eu). Jornalistas no canal história reconstroem a nossa saudade. Programas da bola e sem bola (atacar sem bola é uma arte). Onde andará o Presidente da República que ninguém o vê?

E o resto? Não temos directos disso…

domingo, 8 de julho de 2018

O caminho marítimo para Alvalade...


De importantes encaixes rumina a actualidade. E a actualidade, bem o sabemos, caminha para a velhice a cada passo televisivo. Faz parte do espectáculo envelhecer precocemente. Ainda ontem (por aí…) era necessária, imperiosa mesmo, uma comissão de gestão, votada televisivamente por todos os comentadores (vamos assim chamar-lhes) e, já agora, por mais de 70% dos sócios que foram à assembleia geral, assembleia essa, não tarda nada, longínqua, tão longínqua como as nossas intrépidas descobertas (parece que não é de bom tom assim as denominar na actualidade líquida).

Veio a comissão foi-se um treinador. E bem, assim seja. Veio outro treinador a reboque do possível nestes casos. Entretanto, perfilam-se milhares de candidatos ao lugar que (supostamente) ninguém deveria querer, o de Capitão, estando por lá uma comissão ao agrado de todos, embora de passagem e sem bilhete para a tormenta. Prometem-nos já, esses (novos) candidatos de minúcias tranquilas, novas andanças, com a nau já a dobrar outras tormentas em doca seca. Mais treinadores aguardarão no porão, junto com as - desculpem lá - ratazanas.

Tudo a bem da renegociação, da revisão, do planeamento, da estratégia vindoura. Certo como chegarmos a uma nova Índia sem sairmos de Sagres. Com este arranjo musical, não será difícil afastar, não apenas, os desavindos em rescisão, como dificultar novas contratações para o navio. Avistam-se os velhos de Alvalade, por assim dizer. Do Restelo já não rezam as crónicas.

Melhor equipa mundial


sábado, 7 de julho de 2018

Viva o Mundial!

Com o começo do mundial tenho andado entretido a ver o melhor do futebol - os jogos - aproveitando para tentar passar ao lado do pior - o que os seus interveniente e os que os rodeiam fazem e dizem fora de campo. E confesso que não me estou a dar mal com esta opção!

Este mundial tem sido fantástico, com muitos golos e muita incerteza. Ele são campeões a perder na fase de grupos, tomba gigantes que falam Russo ou Sueco, vedetas que não ganham nada, campeões dos seus continentes que nem se apuram e de outros continentes que se apuram depois de sofrerem a bem sofrer com 'gigantescos' Iranianos...

E com isto dei comigo a pensar na Champions League e na sua falta de imprevisibilidade. Não sou de papar estatísticas, mas gostava de saber quando foi a última vez (se é que alguma) em que o campeão em título perdeu na fase de grupos. Nessa fase de grupos em que é raro equipa do Pote 1 e 2 não se qualificar (nos últimos anos das 16 que passam a fase de grupos normalmente vêm umas 13 ou 14 desses dois potes, ficando para perceber que raio de prova de 'eliminatórias' é esta!). Ainda assim, aproveitei que estes dias já há menos jogos e olhei para os últimos 4 anos - desde o último Mundial - e (se não meti os pés pelas mãos no wikipedia) observei que tirando um 'caso estranho' Francês à dois anos apenas temos clubes Espanhóis, Italianos, Alemães e Ingleses nas meias finais (i.e. 16 equipas, uma excepção); se alargarmos aos quartos de final, em 4 anos aparecem três casos estranhos, os ditos Franceses e os "feitos" de Benfica e Porto. Três vezes. Quatro anos - 32 equipas nos 'quartos' - 3 excepções, menos de 10%!

Pouco, muito pouco. A Champions é hoje a antítese do Mundial: uma competição com uma fase de grupos quase sem surpresas, e em que apenas clubes dos 4 grandes campeonatos têm verdadeiras hipóteses de ganhar. Até se descobrir quem desses países vai às meias finais andam todos os outros muito excitados a fingir que futebol não é ganhar títulos mas sim dinheiro.

Será que a UEFA está preocupada? Sabemos que alterou as regras de distribuição de receitas mas para beneficiar... os incumbentes! Palpita-me que o Mundial vai deixar saudades...

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Declarações de amor e lágrimas de crocodilo

O Rui Patrício escreveu aos sócios e adeptos do Sporting uma mensagem de despedida. Verteu umas tantas lágrimas (de crocodilo?), pediu compreensão e declarou-se sportinguista até que a voz lhe doa. Nesta era da comunicação e das redes sociais, não se consegue avalizar a autenticidade. Prefiro acreditar. É mais conveniente acreditar para não ficar com o sentimento de perda.

Sabemos somente uma coisa: depois do “post” relativo ao jogo contra o Atlético de Madrid e do levantamento de rancho dos jogadores, o Rui Patrício e o William Carvalho foram os jogadores mais visados pelo Presidente do Sporting e pelos adeptos e sócios a ele mais afectos. Ouviu-se e leu-se de tudo e mais um par de botas. De repente, os mesmos que o elegeram como alvo consideraram-se traídos com a rescisão. Eles amavam-no e ele traiu-os.

Estas declarações de amor soam mais a falso do que as eventuais lágrimas de crocodilo. Nunca amamos verdadeiramente os jogadores enquanto pessoas. Só amamos aqueles que são bons jogadores. Amámos o Rui Patrício porque ele era bom guarda-redes e tão só. Quando a espuma dos dias passar, continuaremos a amá-lo na mesma enquanto pela nossa memória passar, por exemplo, a defesa ao cabeceamento do Higuaín no último jogo contra a Juventus. Os ídolos são assim, têm a capacidade de se libertar da pessoa que são pelo menos na nossa cabeça.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Eu também sou candidato e prometo falhar


Em pouco mais de um mês passamos do fim do mundo para a circulação de bo(r)la. Com gosto, continuamos a marcar na própria baliza: proponho uma escola de formação em auto-golos. Com gosto, continuamos a escancarar as portas de casa, uns era no faice, outros é a dar a outra face em qualquer ecrã por perto: proponho uma casa dos segredos à vista de todos. Com gosto, continuamos a negociar com a imprensa, com a praça pública, com os comentadeiros a soldo da justiça (dizem-nos): proponho uma residência artística para trabalharmos estas temáticas ainda mais em conjunto. Com gosto, e requinte, negociamos com esses empreendedores que representam os jogadores que por eles são (supostamente) representados, ou familiares que representam jogadores por eles paridos, não necessariamente por esta ordem: proponho contratos de palavra dada, almoçaradas entre gente de bem, e quando alguém se sentir afrontado poderá livremente seguir o seu caminho.

Proponho o livre mercado desde que não prejudique os clubes rivais, apenas o nosso, se for caso disso. Proponho uma nova academia do quase, a criação de um falhódromo, uma SAD cuja abertura a CMVM distinga com um pontapé bem assente no nosso cu. Proponho um rugido mais baixo para não incomodar ninguém. Proponho uma tríade de treinadores que englobe o (tal) que já foi, o (tal) que aqui está e o outro que certamente virá no sorteio de Setembro. Proponho a redução do número de lugares disponíveis no estádio, para não termos que passar outra vez pela humilhação de ter uma média de espectadores superior à do campeão nacional. Proponho-me prometer uma cláusula de assistência às variantes psicológicas que possam, de alguma forma, perturbar o livre arbítrio dos profissionais do nosso clube, mas apenas no futebol. Aos outros digo: prometam falhar. Sem isso não se ganha.

A boataria e o palpite como principais desportos nacionais

O espaço público (desportivo) está transformado numa lixeira a céu aberto. Há mesmo um programa na TVI que se dedica dia após dia à boataria, sem que os seus intervenientes sinta o menor incómodo quando é desmentido na hora. Basta dizer que se têm “fontes” para se poder afirmar o que quer que seja, com um ar sério e grave. Que os próprios não tenham vergonha, não espanta ninguém. Que a Entidade Reguladora da Comunicação Social nada faça é que nos envergonha também e o caso fia mais fino.

Falar de bola é para todos, dado que todos veem jogos de futebol. Não os habilita a falar como especialistas (treinadores, jogadores, académicos, etc), mas habilita-os a falar como espectadores e adeptos. Não vem daqui nenhum mal ao mundo. O problema é que todos falam de assuntos sobre os quais o mero estatuto de espectador ou de adepto não os habilita. De repente, todos têm opinião sobre justas causas na rescisão de contratos de trabalho. De repente, todos estão habilitados a falar de estatutos e de procedimento administrativo. De repente, todos passaram a especialistas em análise económica e financeira de empresas. De repente, todos parecem “brokers” de Wall Street.

Quando estou doente, prefiro ir a um médico do que a um programa na TVI ou na CMTV. Começo a pensar que estou errado. Espero que a TSF faça um “fórum” sobre este tema. Se a maioria pender para os programas de televisão, por mim, o Serviço Nacional de Saúde tem os dias contados.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Quantos mais minutos de tédio teremos de suportar até se alterarem as regras?!

Há treinadores que exploram as regras do futebol até ao limite e, por essa razão, são considerados verdadeiros génios da modalidade. Num primeiro momento, a novidade produz resultados e gera adeptos e seguidores. Rapidamente aparecem as cópias, mais ou menos fidedignas, mas ou menos de contrafação. O futebol deixa de ser bola e baliza para passar a ser um emaranhado tático insuportável que só os Carlos Danieis e os Freitas Lobos desta vida apreciam, dado que só os génios do comentário podem perceber os génios da tática. Quase sempre, esses génios aproveitam as regras e montam dispositivos táticos para delas tirarem máximo partido e assim impedirem os adversários de jogar. Do desgaste físico e anímico dos adversários até à sua desmoralização completa vai um passo, restando depois dar-lhes tantas estocadas quanto as necessárias até à humilhação final.

O primeiro que me lembro foi o Arrigo Sacchi. A pressão do meio-campo e a movimentação da defesa orientada por Baresi deixavam sistematicamente os adversários em fora-de-jogo. Ou as desmarcações e os passes eram efetuados num “timing” perfeito ou havia sempre alguém que ficava em fora-de-jogo posicional, pelo menos. A esta forma de defender associava-se a exuberância atacante de extraordinários avançados como Gullit e Van Basten que ao reluzirem nos faziam pensar que estávamos em presença de ouro. As regras tiveram de ser alteradas, acabando-se com o fora-de-jogo posicional, para que o futebol não se transformasse num aborrecimento pegado.

Mais recentemente apareceu o Guardiola e o “tiki-taka” do Barcelona. A estratégia é a mesma do Sacchi: impedir que o adversário jogue e fazê-lo de tal forma que o leve à desmoralização. A ideia é simples, embora necessite de bons executantes. Se a equipa tiver a bola todo o tempo, não resta outra alternativa ao adversário que não seja a de correr atrás dela até se desgastar física e psicologicamente. É andebol jogado com os pés, mas sem jogo passivo. Os jogadores vão passando a bola entre si, procurando rodear o adversário. Na dúvida, ninguém arrisca o um contra um; na dúvida, é preferível passar para trás do que perder a bola; na dúvida, só se arrisca quando se tem superioridade na zona onde a bola se disputa. Para marcar golo, espera-se uma desatenção do adversário ou coloca-se o Messi em condições e acelerar o jogo e desequilibrar a defesa. O Messi fazia a mesma alquimia do Gullit e do Van Basten.

Esta forma de jogar tem sido exportada para os diversos cantos do Mundo por onde o Guardiola vai passando. O estatuto que adquiriu no Barcelona permitiu-lhe escolher as equipas e os jogadores que quer treinar: um género de Jorge Jesus mas em melhor e mais caro. Tudo lhe é concedido e permitido, apesar dos resultados estarem muito longe daqueles que obteve com o Messi. Vemos alemães a trocar a bola entre si como se tivessem menos meio metro e menos trinta quilos do que têm ou o “kick and rush” inglês transformado num entusiasmante Karpov vs Kasparov permanente.

Em Espanha, pátria deste aborto futebolístico, decidiu-se refinar este modo de jogar mas sem o Messi. O resultado foi o fastidioso jogo contra a Rússia. Em duas horas de jogo, a seleção de Espanha teve a bola mais de noventa minutos, sem que tivesse conseguido melhor do que um autogolo, marcado com o calcanhar de um central que estava em queda agarrado ao Sérgio Ramos e de costas para a bola. Não tenho dúvidas, que o desconhecimento do lugar onde estão as balizas e do papel do guarda-redes adversários na sua defesa foram decisivos para a derrota nos “penalties”. Podemos deixar as coisas como estão e acreditar na justiça divina, que deve estar a ser aconselhada pelo Bobby Robson e pelo Johan Cruijff. O problema são os cento e vinte minutos de puro e simples tédio. Está na altura de alterar as regras outra vez: estabeleça-se um tempo máximo de ataque ou defina-se uma linha qualquer a partir da qual a bola não possa voltar para trás depois de a ultrapassar.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ela dá pra qualquer um, Maldita Geni!

Há um amor não correspondido no futebol pós-capitalista. Quanto mais fanáticos são os adeptos, menos jogadores do clube existem. Tudo isto, porque ser rico é agora a aspiração natural de todo o jogador moderno, e ser fanático é o novo normal para os pobres deste colégio interno. Este amor incorrespondido dissimula-se nas vitórias, mas é uma sarjeta nas derrotas. 

As academias são já apenas aviários. Pais & Filhos esperam da engorda uma outra vida, que a puta da vida não lhes deu. Sociedades, como a Vieira & Mendes, esperam apenas embalar estropícios a 15 milhões,  couverts com coxas de Gonçalves ou asas de Varela.

O Sporting, por agora, tem apenas uma fábrica de embalar desilusões, onde toda a causa nos querem fazer crer como justa e toda a maçã parece nascer com bicho. Pelo caminho fica um rasto de desamor e traição.

Aurélio, o velho Aurélio, que  nem Gepeto, continua a fazer-nos sonhos. Não nos importamos de os vender, desde que fiquem bem colocados no campeonato dos vendidos e alimentem o nosso amor platónico, ronronando numa qualquer rede social. Não gostamos é que nos arranhem, que desapareçam, que fujam para casa da mãe, mesmo que lhes mandem pedras, porque eles são bons é de apanhar.

De todas as implicações deste desencontro, a financeira é a menos importante. Trata-se da morte da nossa identidade comum. Sem ídolos, ela não existe. Sem mitos, já nada temos a dar ao futuro. Explica-se, também por isso, a guerra fratricida que hoje grassa. Calou-se o grito em uníssono pelo “Rui” e já só se ouve um marulhar desavindo.  Perdemos o Olimpo e sem Olimpo, não somos Atenienses, nem Gregos. Somos cidadãos sem mundo, estranhos aos nossos comuns. Comuns, aos que nos deviam ser estranhos.

Mas mesmo no futebol pós-capitalista o amor não cessa e também não aprende. Por cada Leão que partir, outro Matheus se levantará. Até que a incúria propicie uma nova deserção, ou o saber e a tenacidade permitam nova riqueza num outro leilão. Mas quando o Matheus se levantar, sei que seremos novamente Atenienses, independentemente de quem se sente na tribuna ou no banco. É o nosso destino coletivo, que renasce a toda a nova época e que nunca acabará.

domingo, 1 de julho de 2018

"Um bom ser humano"*

Sendo um ano de transição tínhamos que assegurar uma certa tranquilidade. Não podíamos correr riscos de ganhar. Nesse sentido, não sendo Carlos Queiroz ou Paulo Bento (J Jesus também servia), tinha que ser forçosamente Pé frio, quero dizer, Peseiro. A falhar é que nos entendemos.
(comentário meu na posta anterior)

*Sousa Cintra, hoje, na apresentação de José Peseiro.

Entretanto...