sexta-feira, 13 de julho de 2018

Do dilema dos jogadores e do Bruno de Carvalho ao equilíbrio de Sousa Cintra

Entre ontem e hoje, conversas e leitura improváveis levaram-me à teoria dos jogos e à história da vida de John Nash (magnificamente interpretado por Russell Crowe no filme “Uma Mente Brilhante”). Quando acontecem coisas improváveis o Sporting acaba por estar sempre envolvido. Por isso, entre as conversas e as leituras misturou-se o processo de rescisão dos jogadores do Sporting.

Existe um “dilema do prisioneiro” sempre que os agentes ao privilegiarem os seus interesses próprios não conseguem o melhor resultado possível nas suas interações. Vamos admitir que os jogadores do Sporting têm o firme propósito de não negociar, incentivados pelo Mendes e pelo Sindicato no contexto das embrulhadas que tanto caraterizam o futebol português e pelo dinheiro que vão ganhar em outros clubes entre salários e prémios de assinatura (muito superior ao que seria se se tratasse de uma transferência). Do outro lado estava o Bruno de Carvalho no estilo “quantos são?!” que caracterizava o Valentim Loureiro, disponível a levar estes processos até às últimas consequências, esmifrando os jogadores e os clubes que os contratassem até ao último cêntimo para resgatar a honra sportinguista. O jogo pode ser sistematizado no quadro abaixo.

SCP/Jogadores
Negociar
Não negociar
Negociar
(100, 100)
(0,150)
Não negociar
(150,0)
(0,0)

O resultado seria o de todos os envolvidos rejeitarem a negociação, perdendo todos. O Sporting veria arrastar a situação nos tribunais sem fim à vista, com prejuízos na sua situação patrimonial e financeira e na liquidez no curto e médio prazos e na constituição de uma equipa competitiva para disputar o campeonato. Os jogadores, por sua vez, apanhariam com os Sérvulos Correias desta vida que não brincam às “minutas” e ficariam sempre com uma espada sobre o pescoço que os poderia levar à suspensão da atividade e ao pagamento de elevadas indemnizações. Este seria o “equilíbrio de Nash” ou, mais concretamente, o “equilíbrio de Bruno de Carvalho”.

Vamos admitir, agora, que os jogadores estavam de boa-fé e que a rescisão resultava exclusivamente de se sentirem vítimas de assédio moral do Bruno de Carvalho e de violência dos encapuçados e das claques. Sabiam que, saindo o Bruno de Carvalho, tinham todas as razões para negociar com o Sporting. Mesmo que o Sporting não quisesse negociar ficaria clara a sua boa-fé e a sua razão para a rescisão e em qualquer tribunal ser-lhe-ia reconhecida efetiva justa causa. Admite-se que o Sporting estava de boa-fé também e que, com a saída do Bruno de Carvalho, estava disposto a garantir a segurança dos jogadores e a eliminar comportamentos de assédio moral. Também sabiam que ao se disponibilizar para assegurar estas condições, os jogadores estariam em muito más condições para vencerem o contencioso que não seria do seu interesse. Nestes termos, o jogo pode ser sistematizado no quadro abaixo.

SCP/Jogadores
Negociar
Não negociar
Negociar
(100, 100)
(0,0)
Não negociar
(0,0)
(0,0)

O resultado agora seria a cooperação entre os agentes e o estabelecimento de um acordo que assegurasse a resolução do potencial contencioso jurídico, ganhando ambos os lados. Os jogadores poderiam seguir a sua carreira no Sporting ou noutro clube tranquilamente e o Sporting com esses jogadores ou com os recursos das suas vendas asseguraria uma equipa competitiva para disputar o campeonato. Este seria o novo “equilíbrio de Nash” ou, mais concretamente, o “equilíbrio de Sousa Cintra”.

Vistas as coisas deste modo, é preferível o “equilíbrio de Sousa Cintra” ao “equilíbrio de Bruno de Carvalho”. No entanto, o que se dispensa é um “equilíbrio de Jorge Mendes”, em que ficamos atolados em pernetas que só geram prejuízos. Se é para ser assim, é preferível deixar sair o Gelson Martins a custo zero a ter de ficar com uns tantos Andrés Moreiras para a troca. É que esse tipo de teoria de jogos é tão complexo que nem o John Nash seria capaz de formular um qualquer equilíbrio em condições.

10 comentários:

  1. O que não faltam são pernetas resultantes do "equilíbrio de Bruno Carvalho". É só ver o jogo de ontem. Tantos jogadores contratados para nadas!

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    1. Caro Jaime Mota,

      Com o "equilíbrio do Carvalho" ficamos com os pernetas e batemos nos que jogam à bola até se irem embora.

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  2. Mais uma reflexão de referência
    Mesmo sem saber as comissões que andam no ar...
    2,5 M pelo Ronaldo é pouco... devíamos ter negociado com o PSG ganhava o RM e o SCP

    Mendes 1 - scp - 0
    17 M (menos 7 para o Mendes) pelo Rui
    Não parece mau de todo
    Mendes 2 - scp - 1
    Tribunal pelo podence, parece-me causa ganha.... alguém vai ter que pagar e bem...


    Mendes 2 - scp - 2

    31 M pelo William?
    Nem nos melhores delírios do BC

    Resto do mundo 0 - scp - 1

    Gelson? Tem que gerar mais que William
    O que anda a fazer o voluntário Futre?
    E em Dezembro volta por empréstimo

    Leão 5 M? Só podem estar a brincar

    Ribeiro? Pagamos para alguém levar... vai ter que empenhar o cabelo...

    Dost? Volta estás perdoado

    O equilíbrio não está fácil mesmo com o CM a jogar pelos advogados julgo que nem tudo vai mal
    Deixem os srs trabalhar...

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    1. Caro António,

      Para quem se preparava para não receber nada ou receber algum quando os jogadores estivessem na reforma, não está mal. O Mendes ou a simples hipótese do Mendes é que irrita.

      Um abraço

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  3. Mais uma abordagem interessante e diferenciada.
    Pois. "Equilíbrios a 3" nunca funcionaram. Alguém vai ficar com a vassoura.
    SL

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    1. Meu caro,

      Não quero parecer e muito menos ser ordinário mas o único equilíbrio a três é esse mesmo o famoso "á trois". Com o Mendes isto não funciona.

      SL

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  4. Uma muito boa abordagem. Será que este Carnaval tem alguma intenção? http://misterdocafe.blogspot.com/2018/07/afinal-as-mensagem-nao-estavam.html

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    1. Meu caro,

      A invasão de Alcochete foi lamentável e parece que a história está para lavar e durar. Ainda há muito por esclarecer. A teoria de um conjunto de atrasados mentais se juntarem e decidirem andar à pancada com os jogadores porque sim ou porque se lembraram, é curta.

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  5. Totalmente de acordo consigo, Rui Monteiro. Mas debates, sobre alegadamente uma fake news, durante horas, provavelmente não prejudicarão (muito) BdC, pois este é uma carta fora do baralho, mas podem prejudicar o Sporting, e é isso que me custa! Sobre uma verdade façam horas de debate, sobre uma alegada fake news é que não. No fim quem é o prejudicado?

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    1. Meu caro,

      Tem razão. Estamos condenados a ser notícia mesmo quando não há notícia. Como disse, quando não há notícia, inventa-se.

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