segunda-feira, 6 de julho de 2026

O caos como ausência ou como existência

O jogo [de Portugal] contra a Croácia reforçou as minhas convicções sobre as convicções do nosso selecionador. Começámos com o 4x3x3 do costume, com o Vitinha a recuar para a equipa sair a jogar, mas com o Rafael Leão do lado esquerdo em vez do João Félix, mantendo-se o Pedro Neto do lado direito. Durante um quarto de hora, parecia que desta vez seria diferente. A partir daí, voltou-se à modorra do costume, embora a Croácia continuasse desconfiada, sem atrevimento.

Na segunda parte, a Croácia resolveu abrir as hostilidades e passou para a frente. O nosso treinador não foi de modas e, perdido por cem, perdido por mil, substituiu quatro jogadores de uma assentada. As substituições foram no momento certo, quando se esperava a validação [ou não] de um golo marcado pelo Cristiano Ronaldo, não revelando desespero ou desorientação, mas, tão-só, a convicção do nosso selecionador de que estar a empatar ou a perder durante o jogo é igual [ao litro].

Depois destas quatro substituições instalou-se o caos, o caos na nossa seleção e, pouco a pouco, na seleção da Croácia também. Ficámos a saber que o caos é contagioso, que não se pode estar ao pé dele ou de alguém que dele seja portador. Marcámos dois golos que contaram e a Croácia outros dois, mas que não contaram e não contaram assim por um bocadinho, um bocadinho pequenininho, que nem à vista desarmada se destrinça [só medindo a tensão arterial da bola ou lá como se faz]. 

Das duas uma: ou não temos tática nenhuma porque não vale a pena ter tática alguma quando o resultado se deve ao puro e simples acaso, ao caos; ou temos tática e a tática é a tática de não ter tática, restando a desordem, o caos; ou temos tática que se compõe de tantas e variadas e complexas [táticas] que se confunde com o próprio caos. As situações parecem idênticas por que o resultado também o é: o caos; parecem mas não são, pois, sem tática, o caos é uma decorrência, é endogenamente determinado, enquanto, com tática, mesmo que seja a sua negação, o caos é exogenamente determinado. 

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