sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Silogismos

[Silogismo aristotélico] 
 Os gatos têm quatro patas? Têm. O Marcolino é um gato? É. O Marcolino tem quatro patas? Tem.

[Silogismo pós-aristotélico] 
O homem era dirigente da organização? Era. O homem respondia hierarquicamente à direção da organização? Respondia. Há indícios da prática de crimes? Há. Nesses eventuais crimes recorreu a recursos da organização? Recorreu. Esses eventuais crimes beneficiavam a organização? Beneficiavam. A organização é responsável? Não.

22 comentários:

  1. O óbvio tem, frequentemente, que ser explicado.

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    1. Meu caro,

      Tem toda a razão. Há uma quantidade enorme de comentadores do pontapé na bola a fazer passar-se por juristas. O que nos explicam!

      SL

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  2. O Pereira Cristóvão foi apanhado a depositar dinheiro na conta de um árbitro? Foi. Era vice presidente do SCP? Era. Esse eventual crime beneficiava o clube em que ele era vice presidente? Sim (a menos que algum inocente ache que andou a depositar dinheiro em contas de árbitros para seu beneficio pessoal...).

    O Cashball existiu? Sim. Foi alguém que deu a cara e disse claramente que o SCP pagou a árbitros e adversários? Sim. Esses eventuais crimes beneficiaram o SCP. Flagrantemente sim, daí a época dourada e irrepetível das modalidades.

    Em ambos os casos dos factos relatados a organização é responsável? Não. pois...

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    1. Aos burros é preciso fazer um desenho. O Pereira Cristovao fez o que fez e quem fez a denuncia foi o Sporting. O fifica andou a dizer que era tudo mentira quando sabiam do que tinha acontecido. O cashball NAO existiu. Existiu um gajo que, por dinheiro, disse que alguem do Sporting tinha dito a alguem que lhe tinha dito que queria corromper um arbitro de andebol.
      O Pereira Cristovao foi expulso de socio do Sporting. O Paulo Goncalves mudou de funcoes e agora tambem trabalha a com7ssao como Pedro Guerras e afins.

      O fifica é uma corrupcao pedaga de merda e os benfiquistas sao uma merda porque aceitam isso desde que ganhem.

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    2. Vamos lá devagar que ritmos muito elevados podem ser complicados e este pessoal das indignações selectivas é muito sensivel a mudanças de habitat.

      PPC: sim, o clube seria beneficiado na medida em que um arbitro que o iria prejudicar foi afastado. Curiosamente, depois de afastado, PPC enveredou por uma vida de crime (alegadamente). Talvez se o tivéssemos deixado negociar renovações de contratos ou vendas de jogadores não tivesse caído nessa vida. Mas como corremos com ele à primeira suspeita,era um bocado mau andarmos por ai a reunir e negociar com ele meio ás escondidas.

      Cashball: Há coisas mesmo engraçadas. Veja bem que o tal ano irrepetivel, não foi quando pensa, mas concluiu-se já depois das denuncias e mais de um ano depois dos supostos actos. Mais giro ainda é que em algumas dessas modalidades até passámos para a frente na recta final das competições, depois dessas supostas denuncias que, curiosamente, nem a escumalha da CMTV tem tido moral para revisitar. Deduzo que, ao contrário do que fazemos com PL's, pagámos bem.

      Dizem por ai que o Sporting é um clube dificil de governar porque há muita gente a dar opiniões. Eu acho que não é o caso. Só quem se preocupa demasiado com o que dizem deles ou não sabe bem o que anda a fazer é que se pode sentir incomodado por essas opiniões.

      Mas lá que o Benfica deve ser mais fácil de dirigir não tenho grandes duvidas.

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    3. Para gente burra e cega das ideias não vale a pena explicações nem desenhos: irão sempre manter a sua, ou pelo menos aquela que lhe colocam na cabeça (como é o caso de 90% dos benfiquistas), uma vez que não têm inteligência para mais. Portanto, é deixá-los a ladrar e a "pensar" que ganham com mérito desportivo...

      SL

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    4. Caro Geraldes,

      Há sempre um detalhe.É que nunca se percebe o benefício. É que não ganhámos um campeonato para amostra.

      Mas não tem problema se percebo bem. Se os outros são aldrabões os nossos também devem ser. Eu prefiro que os meus não sejam aldrabões, independentemente dos outros. Gostos e nada mais!

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  3. Brilhante!

    Um dilema para ambos os silogismos: um cão tem 4 patas. O cão (boxer) de um dos meus melhores amigos foi atropelado e teve de ser amputado de uma pata. Passou a ter 3 patas, mas continuou a ser um cão. E a ladrar. Será que, amputada de um membro, a Organização continuará a ser a Organização?

    Um abraço, Rui.

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    1. Obrigado Pedro.

      Não sei se neste caso a organização ficou amputada de uma pata. Que ladra, ladra!

      Um abraço

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  4. Vamos lá ver se consigo!

    Devo confessar que esta semana foi importante para mim por duas razões: a primeira, de carácter unicamente pessoal, foi que no dia 9 fui operado aos olhos àquilo que se costuma chamar "cataracta secundária" e (quase) fui proibido de consultar o computador. Na espera de melhor resultado só vejo a tal "mosca" chamada "escotoma"! A segunga também pessoal, mas muito mais surpreendente, foi que recebi um boletim de voto com um envelope verde que ainda não pude consultar com algum interesse pois não o consigo ler! Trata-se das próximas eleições para a Assembleia da República e esta será (ou seria) a primeira vez que eu participar(ei)ia! Pela TV fiquei a saber que a SAD do Benfica nada tem a ver com o e-toupeira como eu nada tenho a ver com a política portuguesa! Como não acredito que os juizes possam ter tomado tais decisões sem o "pressing" do actual governo estou a tentar evitar que este governo se repita e, desta vez, até no CDS poderei votar sem que esteja a assumir um qualquer compromisso! Hesitei entre o ISL (do Liedson) e o CM (de Castigo Mázximo) para produzir este comentário mas adivinho que o meu objectivo seria atingido em ambos os casos! E ainda bem que assim é pois eu, também, tento unir os sportinguistas mesmo se tal não transpareça à primeira leitura!

    SL

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    1. Caro Aboim Serôdio,

      O Benfica não tem a ver com nada, nem com o Benfica sequer. Andam todos a recibos verdes, são todos tarefeiros.

      As melhoras!

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  5. Caro,
    Este silogismo enferma de um erro crasso, embora a utilização do Método Socrático seja brilhante.

    À pergunta inicial, a resposta é não!

    O homem era dirigente da organização? Não!

    Na verdade era assessor jurídico, e não detinha funções executivas ou outras que lhe conferissem capacidade de representação da dita Organização.

    No entanto, é um bonito ensaio.

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    1. Meu caro,

      O que acórdão refere que o juiz reconhece que ele era dirigente. Se era ou não era, não sei. Que o juiz o dá como provado, isso é um facto.

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    2. Não enferma nada. À pergunta inicial a resposta é sim. Essa do "na verdade era assessor jurídico, e não detinha funções executivas ou outras que lhe conferissem capacidade de representação da dita Organização." é que é um bonito ensaio. Para além de dar alguma vontade de rir, claro.

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    3. A juíza Ana Peres eos juizes desembargadores, já responderam ao silogismo:

      "Uma acusação frágil, curta, contraditória, sem factos, sem provas, um conjunto de conclusões e ideias genéricas.
      Assim, e perante imputações vagas e insuficientes, os arguidos em causa não poderão refutar concretamente factos que não conhecem, e o tribunal não pode, em consequência, formar, nesta parte, uma convicção sobre o objecto do processo."

      Os juízes desembargadores Rui Teixeira (relator) e Maria Teresa Féria (co-autora do acórdão) do TRL, escreveram,

      "Em parte alguma do inquérito se conclui que os corpos sociais da Benfica SAD, por ação ou omissão, concordaram ou anuíram à conduta do arguido Paulo Gonçalves."

      Mais:

      "No inquérito investigaram-se condutas individuais sem as mesmas serem contextualizadas. E tudo com prejuízo da Justiça, que apenas pretende ver clarificadas as situações e punidos eventuais criminosos e dos próprios intervenientes, incluindo a Benfica SAD, que assim terá de suportar o pesado labéu (ESTIGMA, INFÂMIA) da suspeita", vinca o acórdão.

      "... o arguido Paulo Gonçalves não tinha uma posição de liderança, já que não foi mandatado pelos corpos sociais para intervir em processos pendentes nos tribunais judiciais e não estava nas suas funções laborais intervir nos mesmos".

      "O problema é que a inclusão da sociedade anónima desportiva no rol de acusados para julgamento implica um conjunto de obrigações legais, como o facto de a pessoa individual responsável pelos atos criminosos tenham uma posição de liderança na instituição. (O que não era o caso e não podia ser provado)".

      "Acontece que as acusações têm de estar sustentadas em provas (ainda que indiciárias) e não em 'parece que', 'suponhamos', ou 'é da experiência comum', pois tal não nos leva a nenhuma verdade processualmente satisfatória".

      Uma peça que, segundo os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa, está recheada apenas de "presunções, sob a forma de afirmações genéricas e conclusivas, de todo não fundamentadas em factos claramente demonstrativos do dolo da Benfica SAD".

      Conclusão, uma obra de "wishful thinking", um conjunto de "efabulações no domínio do fantástico" compiladas por um procurador incompetente com lentes azuis carregado.

      As melhoras.

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    4. Caro Rui Monteiro,
      Na verdade não tenho essa ideia, mas se foi considerado que exercia funções de direcção, retiro a conclusão do meu argumento.

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    5. É mentira que o acórdão e o juiz refira que Paulo Gonçalves era dirigente. No acórdão está claro:

      "... o arguido Paulo Gonçalves não tinha uma posição de liderança, já que não foi mandatado pelos corpos sociais para intervir em processos pendentes nos tribunais judiciais e não estava nas suas funções laborais intervir nos mesmos".

      "como o facto de a pessoa individual responsável pelos atos criminosos tenham uma posição de liderança na instituição. (O que não era o caso e não podia ser provado)".

      Leiam o acórdão e deixem de repetir disparates.

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    6. Meu caro,

      Se tivesse uma posição de liderança o Benfica era responsabilizado. O que disse e repito é que o acórdão refere que o Paulo Gonçalves era um dirigente que respondia perante a administração.

      Aliás, se não concluísse isso então o mundo estava perdido ou cabe na cabeça de alguém que o homem era tarefeiro. Dizer que ele era dirigente não é a mesma coisa que dizer que era membro da administração, o que obviamente não era.

      É sempre bom tentar perceber o que os outros escrevem antes de se dizer o que quer que seja.

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    7. Caro Rui Monteiro, a palavra "dirigente" é da sua lavra, não está no acórdão.
      Paulo Gonçalves não era dirigente, nunca o foi, era ACESSOR jurídico.
      Um dirigente tem posição de liderança e PG "não tinha posição de liderança". Está escrito no acórdão.

      Veja o que significa "assessor" e dirigente", verificará que há uma diferença fundamental entre os dois termos e as duas FUNÇÕES.
      Eu sei porque já já tive acessores e já tive dirigentes a trabalhar sob a minha direcção. E há uma diferença fundamental.

      Dirigente era PPC, até pertencia aos corpos sociais do clube, que foi absolvido num caso em que cometeu um crime. E não foi a julgamento noutro caso em que estava acusado de corrupção ativa pelo MP, caso que foi abafado pelos amigos do Varandas, "dois juízes-conselheiros do Supremo, um procurador da República e um juiz-desembargador" que devem ter feito braço-de-ferro na justiça pelo Sporting.

      Não coloque palavras na boca dos juizes conselheiros.
      Mas mesmo que no limite Paulo Gonçalves fosse dirigente, que nunca foi, não muda nada porque não pertencia aos corpos sociais da empresa.

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    8. Meu caro,

      Quando não se quer perceber, não se percebe. Não disse que o juiz considerou que o PG fazia parte do Conselho de Administração da SAD. O que disse é que ele era um dirigente intermédio, um director, que respondia directamente ao Conselho de Administração. Ser dirigente e pertencer aos órgãos sociais nem sempre é a mesma coisa.

      O que ele também disse é que nessa qualidade não tinha autonomia para actuar em nome do Benfica e que não estava provado que estivesse mandatado para tal pelo Conselho de Administração. Ou acha que o juiz é tão estúpido que iria considerar o PG um tarefeiro como pretendem fazer crer.

      Acha que nas empresas ou nas organizações públicas só existe a direcção superior e não existe direcção intermédia?

      Não é importante que perceba isto por causa do Benfica. É importante que perceba isto para não fazer papel de ignorante.

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