sábado, 20 de janeiro de 2018

Esperar e ter esperança

Perdemos, perdão, empatámos com, porventura, a pior equipa do campeonato. Era tudo demasiado fácil para não procurarmos complicar. Contra um ataque inofensivo, um meio campo à deriva e uma defesa a dar abébias, nada melhor do que a célebre ideia de jogo do Jorge Jesus, seja isso o que for. A execução dessa ideia de jogo transformou-se num fim em si mesmo, interessando pouco os resultados.

O que falta em capacidade de explosão e potência nos jogadores, sobra na arte de trocar a bola a toda a sela, a passo e sem o propósito devido: o golo. Os jogadores deleitam-se em jogadas inconsequentes, jogando ao “meiinho” com o adversário sem perder a bola para não terem de correr atrás dela. Jogam ao “meiinho” na defesa, jogam ao “meiinho” no meio-campo, jogam ao “meiinho” na área do adversário, contando com o empenho e dedicação do próprio Bas Dost. Os jogadores acasalam todos tanto e tão bem que se esquecem que o objetivo é consumar o ato com o adversário. O Ruben Ribeiro encaixa que nem uma luva no ritual e o Montero, sempre que não estiver acabrunhado, o que é raro, também encaixará.

O fácies dos jogadores não denota uma centelha de irritação, de raiva ou de incomodidade. A placidez, a troca de palavras amigáveis, pedindo sempre desculpa se não passaram a bola a outro, o autocontentamento só são quebrados quando o Bruno Fernandes vislumbra o espaço que os outros não veem e inventa uma jogada ou o Gelson Martins estica o jogo. Sustemos a respiração, mas por pouco tempo.

O Setúbal só teve que fazer o que fazem todas as outras equipas: esperar. Esperar até que o tempo nos vá desgastando, física e psicologicamente, e se instale alguma ansiedade. Quando o jogo caminha para o fim, basta meter uns avançados frescos e acreditar que, numa biqueirada para frente, uma desconcentração da defesa ou um golpe de sorte lhes permita marcar um golo. Foi o que aconteceu ontem. Não se pressionou como se devia o lançamento lateral, o Coates estava desconcentrado e o Mathieu não tinha pernas para chegar mais cedo ao adversário. Se fosse no princípio do jogo, dificilmente teria acontecido. É por isso e só por isso que sofremos golos a acabar os jogos.

O que fazer? Esperar, continuar a esperar. Não é só a nossa sina. Somos realmente bons nisso. Outros já teriam desistido. Apesar de tudo, no final do jogo de ontem houve um sinal, um sinal só para ter esperança: a raiva do Coentrão. Espero que ele e outros em vez de esmurrarem o banco dos suplentes esmurrem as fuças do Jorge Jesus, dizendo-lhe que querem marcar golos, ganhar jogos e conquistar títulos e que estão fartos de defender a ideia de jogo do treinador como se ele e só ele interessasse.

10 comentários:

  1. Esmurrar as fuças do treinador, como proposta para o libertar de uma certa forma de autismo auto-infligido em que ele se refugia, parece-me uma terapia genial.
    Mas ou fazem isso esta semana ou, ao contrário de outros anos, desta vez Dezembro, o mês do nosso descontentamento, chegou em Janeiro.

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    1. Meu caro,

      Vou um pouco mais longe. Ou na próxima quarta-feira damos uma resposta que motive os jogadores e mobilize os sportinguistas ou temos a época perdida.

      SL

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  2. Assino por baixo.
    É essa a grande diferença... Jesus é bom treinador mas tem uma dificuldade psicológica: Ficou tão obcecado pelo seu ego que se esqueceu e quanto mais valorizar os jogadores e os fizer "comer a relva" (ou biqueirar as chapas - Viva Coentrão) mais ele próprio será valorizado. O resultado era "pior para o Benfica" (pois pois, está-se a ver..); Segunda vez que empatamos mesmo no final (pois pois falta instinto matador)... e mesmo assim o "Bas Dost não foi o melhor avançado que treinei... (mama mia!!!!). Tão a ver? Sou até obrigado a pensar que BC pode nao ganhar nada e na mesma ser reconduzido porque deu ao Clube as condições possíveis (sejamos honestos) apesar das derrapagens verbais... embora ontem tivesse sido uma boa excepão. E agora Jesus? Por favor, pelo menos mostra que "acradita"...

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    1. Meu caro,

      Como é que se motivam os jogadores se as vitórias nunca são deles e são sempre do treinador? Se o goleador que o tem salvado não é considerado por ele o melhor? Se treine como treinar ou joguem os outros como jogarem, os suplentes nunca jogam?

      SL

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  3. A gestão que Jesus faz do plantel e dos jovens talentos que recebe da Academia justifica que se façam duas perguntas: porque raio está o homem sempre a pedir mais jogadores? Porque raio lhe paga o Sporting sete ou oito milhões de euros?

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    1. Meu caro,

      Aí estão duas boas perguntas. Para fazer o que ele faz é preciso pagar o que se paga? Não, definitivamente. Meu rico Leonardo Jardim que até o Gelson Magrão aproveitava.

      SL

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    2. também tenho saudades do Leonardo Jardim.. não sei é se o Leonardo Jardim terá saudades do Sporting. Acho que este é o último ano do Jesus, ele fez algumas coisas boas, mas parece-me que chegou ao limite e se esse limite não se traduz em conquistas de campeonato... há que mudar - não vejo é que treinadores o poderão substituir com impacto no nosso campeonato. Um menos teimoso será fácil de encontrar, mas um com o conhecimento que ele tem?

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    3. Meu caro,

      O problema é que se ele não ganha vai-se a esperança e sem esperança a mobilização dos adeptos vai-se. Basta ver que nas modalidades as vitórias trazem adeptos ao pavilhão e existe muito entusiasmo.

      Ninguém é insubstituível. O Jorge Jesus, como qualquer adulto, devia saber isso. Se sair sem ganhar nada, o curriculum não lhe permite ter grandes ilusões (o curriculum e a incapacidade de falar qualquer língua, inclusivamente a portuguesa).

      SL

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