domingo, 11 de dezembro de 2016

O jogo que se perdeu na pré-época

Não se marcou num lance e na resposta sofreu-se um golo. Não se marcou noutro lance e na resposta sofreu-se mais um golo. Pode-se falar de azar. Prefiro falar de pormenores. Nestes jogos, são os pormenores que ditam os vencedores. Os pormenores têm sempre que ver com a qualidade, ou falta ela, dos jogadores. Assim, este jogo talvez tenha sido perdido na pré-época. Foi nessa altura que não se acautelou a qualidade dos jogadores.

O jogo foi equilibrado na primeira parte. O Sporting teve boas oportunidades também. O golo do Benfica começa numa oportunidade do Sporting. Na sequência de uma jogada de andebol, o William Carvalho atrapalha-se com o Coates e permite o contra-ataque do Benfica. O passe do Rafa, a entrada do Sálvio e a falta de atenção do Zeegelaar fizeram o resto.

A segunda parte foi praticamente toda do Sporting.

 A entrada do Campbell mexeu com o jogo. Na primeira vez que tem a bola, vai à linha centrar atrasado para o Bas Dost rematar ao poste. Só que, na jogada seguinte, a bola andou por um lado e pelo outra da defesa do Sporting até acabar lá dentro depois de uma cueca ao Zeeglaar e de mais uma falta de atenção, agora do João Pereira.

O Sporting não desmoralizou. Lançou-se ainda mais no ataque. Os lances de golo sucediam-se, com o guarda-redes do Benfica a defendê-las todas. O Campbell fez mais uma arrancada e foi por ali fora até tirar um centro perfeito para o Bas Dost a encostar de cabeça para a baliza.

Até ao final, o Sporting continuou a tentar. Ficou a sensação que as forças não eram muitas. Sobretudo ficou a sensação que, com excepção do Campbell, o Sporting não dispunha de nenhuma alternativa no banco para refrescar a equipa. O Alan Ruiz foi uma verdadeira nulidade (ficámos literalmente a jogar com menos um). A última substituição a acabar o jogo, do Bas Dost pelo André, foi simplesmente para o Jorge Jesus tentar tirar um coelho da cartola.

O Sporting jogou bem. Dispõe de jogadores excepcionais. Dispõe de outros bons também. Em conjunto, não chegam para fazer uma equipa. É nestes jogos que estas insuficiências são mais evidentes. Os centrais e, especialmente, o William Carvalho e o Adrien controlaram o jogo e distribuíram-no com a propósito. O Gelson Martins esticou sempre o jogo e foi um permanente sobressalto. O Bas Dost esteve presente na área quando era necessário e quando foi bem servido (na primeira atirou ao poste e na segunda meteu-a). O Zeegelaar não serve. Não serve nem a defender nem a atacar. O Bryan Ruiz joga mal a segundo avançado. Complica sempre e não é agressivo. No lado esquerdo é melhor, mas não parece o mesmo da época passada. Com excepção do Campbell, tudo o resto é para deitar fora e quando mais depressa melhor.

24 comentários:

  1. Já não há pachorra para o Jasus. Quando a equipa está a pressionar e a encostar o Benfica às cordas na busca do empate, tira-me o nosso melhor ponta de lança para meter outro... Já para não falar na insistência em Bryan Ruiz que, está visto, não tem a intensidade requerida para estes grandes jogos. Tirar o Bruno César e deixar o Ruiz em campo, não dá pra perceber...
    Enfim, acabou a tolerância. Nenhum dos últimos treinadores beneficiou das condições que este já teve, mas o que se vê é só papos... Espera-nos mais uma época de desilusões...

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    1. Meu caro,

      A equipa joga bem. Nisto o Jorge Jesus tem mérito. Depois tem umas obsessões que deitam tudo a perder. O Bryan Ruiz está a mais. Não se percebe como é que sai o Bruno César e fica ele em campo. Depois mete o Alan Ruiz. Percebe-se a intenção. Só que o Alan Ruiz é um zero à esquerda. Por fim, a substituição do Bas Dost. Numa altura de aflitos para o Benfica, tira o avançado que mais medo lhes metia e mete um rapaz que está para demonstrar o que vale. Foi para tirar um coelho da cartola. Se resultasse era o maior.

      SL

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  2. Excelente post, que já seria assim adjectivado se ficasse só pelo título.

    É fácil perceber o que correu mal. O plantel é fraco, 20M depois...
    Há hábitos que não se perdem e qualidades que não se adquirem.
    Podíamos ter vencido estas duas ligas com alguma inteligência e menos arrogância (e menos andebol também). Mas fomos pelo caminho conhecemos melhor, o precipício. Ele está aí, quarta-feira em Setúbal e em Março.

    Temos de nos render às evidências: ser Grande não é para nós.

    um grande abraço

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    1. Caro Cantinho,

      Com mais frescura na equipa (envolvendo outras soluções no banco) e não acredito que tivessemos perdido o jogo, depois daqueles vinte e cinco minutos da segunda parte em que enfiámos o Benfica na sua própria área. Faltou continuidade. Acabámos com alguns jogadores meios mortos.

      Um abraço

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    2. "Acabámos com alguns jogadores meios mortos."

      mas ao menos conhecem Varsóvia no inverno. Nem tudo foi mau nesta semana.

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    3. Meu caro,

      Isso é que não percebo. Sabendo-se que a equipa depende de meia dúzia de jogadores, não compreendo a gestão em função das prioridades.

      SL

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    4. porque a arrogância e teimosia são tão grandes, que é preferível continuar a errar, colocando o lixo que, todos sabemos, não são jogadores de futebol (Alan, André, Markovic).
      entretanto o Sporting vai-se perdendo, mas, ali, quem é que está preocupado com isso?

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    5. Meu caro,

      Depois de errar é difícil reparar o erro. Só na abertura de mercado e, nessa altura, pode nem valer a pena.

      SL

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    6. Que comentário triste para um sportinguista.
      O plantel está mais fraco, é verdade. Mas a conta é 55 milhões depois. Dois dos nossos melhores jogadores saíram.

      E nem me apetece responder mais depois da sua última frase. Bem haja

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    7. Meu caro,

      Não qualifique os sportinguistas e os seus comentários. Os adversários não estão entre nós. Os adversários são as outras equipas e os árbitros que fazem o lindo serviços que se viu ontem.

      SL

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    8. Ai agora já é mão? Quando foi contra o Porto em Alvalade ninguém se queixou. E eu estava pelo Sporting. Saudações Portistas.

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  3. Caro Rui,

    É tudo isso. Acima de tudo falta de eficácia e falta de objectividade no ataque, coisa que o benfica teve em abundância. Agora não vamos branquear o que foi mais uma vergonha de arbitragem no futebol português... Eu bem disse que o André Ventura sabia mais que nós todos, não me enganei. Foi uma bandalheira do princípio ao fim. Os casos mais graves são as mãos dos jogadores do benfica, sendo que uma dá origem ao contra ataque do 1º golo. Contra nós até nos conseguem descortinar mãos na área (remember final da taça da liga), contra eles nada. Na semana passada anularam-nos dois golos. O comido de cebolada parece que dá resultado. É vergonhoso...

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    1. Meu caro,

      Tem razão. Foi uma vergonha. Para além dos dois penalties, os últimos vinte minutos do árbitro a gerir o jogo foram uma escândalo. Mas não quero entrar muito por aí. De outra forma, só nos resta deixar de ver o Sporting.

      SL

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    2. Caro Rui,

      A falta do Bas Dost no final da primeira parte, a disputar um cabeceamento em que o Guedes se baixa, foi de bradar aos céus...

      Compreendo que não queira entrar por aí mas se não fizermos barulho o desrespeito continuará... Nós somos um clube que perdeu um campeonato à conta de uma mão do Ronny é uma taça da liga com uma mão inventada ao Pedro Silva, será que já ninguém se lembra disso? E nos anos 80 e 90, quando éramos o inimigo n1 do Pinto da Costa? O nosso jejum de 18 anos não foi só incompetência da nossa parte, e aquilo que o Porto é hoje e nós não também vai muito para além da incompetência...

      Hoje foi isto, na semana passada 2 golos, em Guimarães um empurrão nas costas da o empate... Essa conversa de metermos-nos a jeito tem muito que se lhe diga.

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    3. Caro Zé Quintela,

      Não desvalorizo nada disso. Muito pelo contrário. Mas a Direção do sporting tem que ter os árbitros sobre permanente pressão. No ano passado, depois da bandalheira do jogo contra o Boavista, fiquei espantado como é que a Direção deu o benefício da dúvida no jogo contra o Benfica ao Artur Soares Dias.

      Esta época, temos contemporizado muito com os erros dos árbitros. Os outros (Benfica e Porto) não têm parado de pressionar e condicionar. Não há ponto perdido destas equipas que não tenham os árbitros como pano de fundo. Não existindo melhor argumento, até o do antijogo parece novidade.

      SL

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    4. Ai agora já é mão? Quando foi contra o Porto em Alvalade ninguém se queixou. E eu ontem estava pelo Sporting. Saudações Portistas.

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  4. Falta, muito pragmatismo,aka profissionalismo, a este SCP com um treinador em termos salariais TOP10.

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    1. Sim, sim. Nunca mais abrimos uma academia de árbitros.

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  5. E sobre a arbitragem nada a dizer Rui Monteiro? Concordo consigo em tudo o que escreve, mas houve uma 3ª equipa que não mereceu a sua atenção no post. Aqui vai a minha opinião que já partilhei em alguns blogs que considero de qualidade como este. Dominámos o jogo do principio ao fim. O Bas Dost falha 3 oportunidades claras. Para uma equipa com menos um dia de descanso e uma viagem pelo meio, estivemos muito bem, a jogar contra 14. Ficaram por marcar 2 penálties a favor do Sporting, o Guedes quando pontapeia a bola contra os placards, deveria de ter visto amarelo, e ao fazer falta na 2ª parte em que levou amarelo seria o 2º e expulsão. A partir do 2-1, JS inclinou o campo não marcou 2 faltas frontais próximas da grande área do slb e em caso de dúvida marcava falta a favor do slb. A arbitragem, também, faz parte do jogo e teve muita influência no mesmo. 2 Penálties por marcar num clássico, é obra, hoje nem com o Ronaldo e o Messi, o Sporting ganhava. A. Antunes.

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    1. Caro Antunes,

      Sobre a arbitragem não tenho nada a acrescentar. Foi uma bandalheira. Depois do 2 a 1, foi evidente a forma como procurou inclinar o campo. Os dois penalties foram indiscutíveis. Fica um sabor amargo mesmo assim.

      SL

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    2. Se tivéssemos o Jorge Sousa do nosso lado, teríamos vencido o Real em Madrid e empatado em Alvalade.
      Ele é que sabe gerir/controlar jogos e evitar que se jogue nos últimos 20 minutos.
      Mais uma lição.

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    3. Caro Cantinho,

      Aí está uma grande verdade. A gestão dos minutos finais depende mais do árbitro do que da equipa. Há quem não perceba isso.

      SL

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  6. Meu caro,

    Ao ler o seu post comecei por discordar: esta derrota tem mais a ver com a de Vila do Conde, com os empates com Tondela e Guimarães do que com a pré-época. Por outras palavras, foi apenas mais um capítulo da história de uma equipa que queria estar em duas frentes e não tinha plantel para tal.

    Mas depois ocorreu-me comentar as substituições. Penso que as duas primeiras fazem um certo sentido. A terceira é que não se percebe. Em primeiro lugar pelo que já aqui disse. Em segundo lugar porque 2 minutos depois do Alan Ruiz entrar já era o pior elemento da equipa e, portanto, a substituição mais óbvia seria tira-lo para meter outro qualquer. Posto isto cheguei à conclusão que o post está certo. Este jogo perdeu-se mesmo na pré-época. Mais uma vez acertou na mouche.

    SL

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    1. Caro João,
      A meu ver, a pré-época é que acaba por determinar as opções do treinador. É normal que o JJ tenha montado a equipa inicialmente com determinados propósitos. Podemos sempre criticar (sobre a opção do Bryan Ruiz, mas, também aí, as alternativas não são muitas), mas quando se inicia o jogo está zero a zero.

      Quando passamos a perder por um a zero e é preciso mexer na equipa, as alternativas não existem. Quando se aposta num jogador qualquer, como o Alan Ruiz, a substituição seguinte fica condicionada por essa. Percebe-se a necessidade de mexer na equipa outra vez depois da entrada do Campbell (é sempre discutível se não devia ter saído logo ao Bryan Ruiz e não o Bruno César). Mas, mexendo-se, como os jogadores que existem (vamos admitir que em vez de ter entrado o Alan Ruiz tinha entrado o André), acabávamos sempre a discutir o mesmo.

      Em síntese, a falta de alternativas credíveis condiciona o trabalho do treinador e o rendimento da equipa. As melhores ou piores soluções do JJ dependem do que tem no banco. A falta de alternativas também condiciona a gestão da equipa em várias frentes.

      Se os árbitros fizessem o seu trabalho competentemente, talvez não tivéssemos esta discussão.
      SL

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